Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas, Op. 101 & 106 "Hammerklavier"

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação totalmente pessoal da Hammerklavier. Aqui, o trabalho de marcenaria fica mais claro, seja lá o que isso quiser dizer. Uchida não nos oferece uma versão limpinha, mas parece nos dizer “olhem o que este doido varrido inventou aqui”, “sintam como eu tenho que trabalhar aqui” ou “notem como esta fuga é diabólica”. Nada disso fica feio ou desmerece a sonata ou a pianista — que é tão grande ou maior que Nelson Freire, só para compará-la com quem foi postado ontem também interpretando Beethoven — , mas surpreende pela crueza. Eu adorei este disco, apaixonei-me perdidamente.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas, Op. 101 & 106 “Hammerklavier”

1. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo) 5:00
2. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia) 6:32
3. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto) 10:52

4. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 1. Allegro 11:25
5. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 2. Scherzo (Assai vivace – Presto – Prestissimo – Tempo I) 2:42
6. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 3. Adagio sostenuto 19:49
7. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 4. Largo – Allegro risoluto 12:24

Mitsuko Uchida, piano

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Baixou o santo em Mitsuko Uchida!

PQP

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Horowitz plays Chopin, Vol. 1 CD 3 de 3 – Horowitz

Horowitz Plays Chopin Vol. 1O legal destas séries históricas é podermos apreciar a evolução do artista. Horowitz é amado e odiado na mesma proporção, aqui mesmo no PQPBach ele tem defensores e detratores. Me incluo no meio do caminho, há coisas dele realmente fantásticas, outras evito. Lembro de te-lo conhecido por meio de um CD com Sonatas de Bethoven, e fiquei realmente encantado.

CD 3

01.  Scherzo No. 1, Op. 20 (recorded Feb 25,1953)
02.  Mazurka, Op. 59, No. 3 (recorded May 10, 1950)
03.  Mazurka, Op. 41, No. 1 (recorded May 11, 1949)
04.  Mazurka, Op. 50, No. 3 (Recorded Dec 30, 1949)
05.  Nocturne, Op. 9, No. 3 (recorded Feb 23, 1957)
06.  Nocturne, Op. 15, No. 1 (recorded Feb 23, 1957)
07.  Ballade No. 4, Op. 52 (recorded May 8, 1952)
08.  Mazurka, Op. 63, No. 2 (recorded Dec 30, 1949)
09.  Mazurka, Op. 63, No. 3 (recorded Dec 30, 1949)
10.  Waltz, Op. 34, No. 2 (recorded Sept 23, 1945)
11.  Nocturne, Op. 72, No. 1 (Rec Feb 25, 1953)
12.  Mazurka, Op. 7, No. 3 (recorded Dec 22, 1947)
13.  Polonaise-Fantaisie, Op. 61 (Recorded April 23, 1951)
14.  Scherzo No. 2, Op. 31 (recorded Feb 23, 1957)

Wladimir Horowitz – Piano

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horowitz_smiling

Retrato do Artista Quando Jovem. E o cara ainda era genro do Toscanini…

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J. S. Bach (1685-1750): Oratório de Natal (Weihnachts-Oratorium / Christmas Oratorio)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Natal está chegando e já estou montando uma árvore em meu coração para abrigar meus amigos e presentes, principalmente os últimos. Esta data — que é uma verdadeira e bela conspiração de amor — sempre me deixa, bem , muito irritado…

Até porque o Natal é uma festa de origem pagã que nos foi roubada pelos religiosos. A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. No hemisfério norte, o solstício de inverno era comemorado por marcar a noite mais longa do ano. No dia seguinte, ela seria paulatinamente mais curta, encaminhando o final do período ruim para as lavouras. Então, no solstício de inverno era festejada a melhoria das perspectivas. Era um tempo em que o homem deixava de ser caçador errante e começava a dominar a agricultura; então a volta dos dias mais longos significava a certeza de novas colheitas no ano seguinte. Na Mesopotâmia a celebração era enorme, com mais de dez dias de festa. Já os gregos cultuavam Dionísio no solstício, o deus do vinho e do prazer. Na China, as homenagens representavam a harmonia da natureza. Os povos antigos que habitavam a atual Grã-Bretanha criaram Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano. Então, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus propôs à Igreja a fixação do nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro. Aceita a proposta, a partir do século IV o Solis Invictus começou sua mutação. Ficou convencionado que Jesus nascera em 25 de dezembro e que as celebrações eram em sua honra. Ora, e meu pai caiu nessa.

Mas tergiverso.

Meus amigos, que Cantatas, que gravação, que belo trabalho de Jacobs com a Akademie für alte Musik Berlin. Quando digo que são Cantatas, não estou fazendo uma figura de linguagem: o Oratório de Natal foi escrito para o 25 de dezembro de 1734. Talvez por falta de tempo — o que era raro em Bach — , o compositor juntou algumas de suas Cantatas,  inclusive a música de três cantatas seculares (profanas), escritas entre 1733 e 1734, e a de uma cantata extraviada por meu irmão mais velho, aquele puto, que seria a BWV 248a.

Então, o oratório tem seis partes, sendo cada uma delas destinadas a apresentação em um dia das festas principais do período natalino. Modernamente, a peça é geralmente apresentada como um todo, ou dividida em duas partes iguais. A duração total da obra é aproximadamente três horas. De modo similar aos outros oratórios, um tenor Evangelista narra a história. A primeira parte (para o dia de Natal) descreve o nascimento de Jesus; a segunda (para o dia 26 de dezembro), a anunciação aos pastores; a terceira (para 27 de dezembro), a adoração dos pastores; a quarta (para o Ano Novo), a circuncisão (ui!) de Jesus; a quinta (para o domingo após o Ano Novo), a jornada dos Reis Magos, e a sexta (para a Epifania), a adoração dos Reis Magos.

J. S. Bach (1685-1750): Oratório de Natal

CD 1
1. Am 1. Weihnachtstag – Chor : “Jauchzet, Frohlocket, Auf, Preiset Die Tage”
2. Rezitativ – Evangelist : “Es Begab Sich Aber Zu Der Zeit”
3. Rezitativ – Alto : “Nun Mird Mein Liebster Brautigam”
4. Air – Alto : “Bereite Dich, Zion, Mit Zartlichen Trieben”
5. Choral : “Wie Soll Ich Dich Empfangen”
6. Rezitativ – Evangelist : “Und Sie Gebar Ihren Ersten Sohn”
7. Choral – Soprano : “Er Ist Auf Erden Kommen Arm”
8. Air – Basse : “Groser Herr Und Starker Konig”
9. Choral : “Ach Mein Herzliebes Jesulein”
10. Am 2. Weihnachtstag – Sinfonia
11. Rezitativ – Evangelist : “Und Es Waren Hirten In Deselben Gegend”
12. Choral : “Brich An, O Schones Morgenlicht”
13. Rezitativf : “Und Der Engel Sprach Zu Ihnen”
14. Rezitativf – Basse : “Was Gott Dem Abraham Verheisen”
15. Air : “Frohe Hirten, Eilt, Acht Eilet”
16. Rezitativ – Ange : “Und Das Habt Zum Zeichen”
17. Choral : “Schaut Hin, Dort Liegt Im Finstern Stall”
18. Rezitativ – Basse : “So Geht Denn Hin, Ihr Hirten, Geht”
19. Air – Alto : “Schlafe, Mein Liebster, Geniese Der Ruh”
20. Rezitativ – Evangelist : “Und Alsobald War Da Bei Dem Engel”
21. Chor : “Ehre Sei Gott In Der Hohe”
22. Rezitativ – Basse : “So Recht, Ihr Engel, Jauchzet Und Singet”
23. Choral : “Wir Singen Dir In Deinem Heer”
24. Am 3. Weihnachtstag – Chor : “Herrscher Des Himmels, Erhore Das Lallen”
25. Rezitativf – Evangelist : “Und Da Die Engel Von Ihnen Gen Himmel Fuhren”
26. Chor : “Lasset Uns Nun Gehen Gen Bethlehem”
27. Rezitativ – Basse : “Er Hat Sein Volk Getrost”
28. Choral : “Dies Hat Er Alles Uns Getan”
29. Duo – Soprano, Basse : “Herr, Dein Mitleid, Dein Erbarmen”
30. Rezitativ – Evangelist : “Und Sie Kamen Eilend Und Fanden Beide”
31. Air – Alto : “Schliese, Mein Herze, Dies Selige Wunder”
32. Rezitativ – Alto : “Ja, Ja, Mein Herz Soll Es Bewahren”
33. Choral : “Ich Will Dich Mit Fleis Bewahren”

CD 2
1. Choral : “Seid Froh”
2. Chor (Da Capo) : “Herrscher Des Himmels, Erhore Das Lallen”
3. Am Fest der Beschneidung Christi – Chor : “Fallt Mit Danken, Fallt Mit Loben”
4. Rezitativ -Evangelist : “Und Da Acht Tage Um Waren”
5. Rezitativ – Basse : “Immanuel, O Suses Wort”
6. Air – Soprano : “Flost, Mein Heiland, Flost Dein Namen”
7. Rezitativ – Basse : “Wohlan, Dein Name Soll Allein”
8. Air – Tenor : “Ich Will Nur Dir Zu Ehren Leben”
9. Choral : “Jesu Richte Mein Beginnen”
10. Am Sonntag nach Neujahr – Chor : “Ehre Sei Dir, Gott, Gesungen”
11. Rezitativ – Evangelist : “Da Jesus Geboren War Zu Bethlehem”
12. Choeur : “Wo Ist Der Neugeborne Konig Der Jude ?”
13. Choral : “Dein Glanz All Finsternis Verzehret”
14. Air – Basse : “Erleucht Auch Meine Finstre Sinnen”
15. Rezitativ – Evangelist : “Da Das Der Konig Herodes Horte”
16. Rezitativ – Alto : “Warum Wollt Ihr Erschrecken ?”
17. Rezitativ – Evangelist : “Und Lies Versammlen Alle Hohepriester”
18. Trio : “Ach, Wenn Wird Die Zeit Erscheinen ?”
19. Rezitativ – Alto : “Mein Liebster Herrschet Schon”
20. Choral : “Zwar Ist Solche Herzensstube”
21. Am Epiphaniasfest – Choeur :”Herr, Wenn Die Stolzen Feinde Schnauben”
22. Rezitativ – Evangelist : “Da Berief Herodes Die Weisen Heimlich”
23. Rezitativ – Soprano : “Du Falscher, Suche Nur Den Herrn Zu Fallen”
24. Air – Soprano : “Nur Ein Wink Von Seinen Handen”
25. Rezitativ – Evangelist : “Als Sie Nun Den Konig Gehoret Hatten”
26. Chor : “Ich Steh An Deiner Krippen Hier”
27. Rezitativ – Evangelist : “Und Gott Befahl Ihnen Im Traum”
28. Rezitativ – Tenor : “So Geht ! Genug, Mein Schatz Geht Nicht Von Hier”
29. Air – Tenor : “Nun Mogt Ihr Stolzen Feinde Schrecken”
30. Rezitativ : “Was Will Der Hollen Schecken Nun”
31. Choral : “Nun Seid Ihr Wohl Gerochen”
34. Am 3. Weihnachtstag – Rezitativ – Evangelist : “Und Die Hirten Kehreten Wieder Um”

Dorothea Röschmann: soprano
Andreas Scholl: alto
Werner Güra: tenor
Klaus Häger: bass

René Jacobs (cond.)
RIAS-Kammerchor
Akademie für alte Musik Berlin

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René Jacobs, gênio total

René Jacobs, gênio total

PQP

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J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nota inicial de Ranulfus: Há um mês o mesmo repertório deste CD (Brandenburgos e Aberturas) voltou à baila executado pelos canadenses da Taffelmusik, em postagem do colega FDP Bach. Ouvi, gostei e recomendo – mas para meu gosto pessoal esta realização de Masaaki Suzuki continua campeã absoluta. Baste dizer que eu sempre havia considerado o 1º Brandenburgo um tanto massudo em comparação com os demais, até chato… mas ao arrancá-lo do salão para o galpão, recuperando a energia e rusticidade das trompas não sem razão chamadas “de caça”, Mr Suzuki conseguiu transformá-lo para mim, de golpe, em uma das peças mais excitantes e queridas do velho Bach!

Daí o meu choque ao descobrir que os links desta postagem estavam vencidos há anos. Inconformado, tomei a postagem de assalto e renovei os links, com ligeira reformulação da apresentação, sem nem pedir licença ao autor da postagem, nosso Grão-Mestre PQP Bach – esperando que ele abrevie em pelo menos dois anos minha condenação às galés pelo fato de preservar a seguir o seu texto original:

É óbvio que as pessoas que mantêm o PQP Bach têm vários parafusos soltos. Em primeiro lugar pela constância e absoluto saco de fazer os ups, em segundo lugar (há vários outros “lugares”) por inventar efemérides onde não há. E a moda do momento é fazer o 200º post de Bach. Nós simplesmente adotamos o desafio do “Raphael – Cello” de chegar JÁ ao post 200 e entramos num alucinado tour de force. Pois agora eu respondo ao Carlinus com o mesmo repertório de seu post de ontem, só que na interpretação de Masaaki Suzuki e do Bach Collegium Japan. Acho que ninguém vai reclamar de novos Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais, né? As duas versões que apresentamos hoje são esplêndidas, o que destrói qualquer tentativa de encontrar um registro mais correto, pois ambas são NOTÁVEIS e MUITO DIFERENTES.

Comprovem dando uma ouvida com que fez Suzuki no 2º movimento do 3º Brandenburguês. Sim, cinco minutos onde não há nada (na minha gravação da Orq. de Freiburg este movimento tem 13 segundos !!!).

Ah, e UM FELIZ DIA DOS PAIS A JOHANN SEBASTIAN !!! ESTEJA ONDE ESTIVER, ELE É VERDADEIRO PAI DE TODOS OS QUE AMAM A MÚSICA !!!

ARQUIVO I: OS 6 BRANDENBURGOS
Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046
1.1. (No tempo indication)
1.2. Adagio
1.3. Allegro
1.4. Menuet – Trio – Menuet – Polonaise – Menuet – Trio – Menuet

Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
2.1. (No tempo indication)
2.2. Andante
2.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048
3.1. (No tempo indication)
3.2. Adagio
3.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049
4.1. Allegro
4.2. Andante
4.3. Presto

Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050
5.1. Allegro
5.2. Affettuoso
5.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051
6.1. (No tempo indication)
6.2. Adagio ma non tanto
6.3. Allegro

. . . . . . . Brandenburgs: BAIXE AQUI – download here

ARQUIVO II: AS 4 ABERTURAS (SUÍTES ORQUESTRAIS)
Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066
1.1. Ouverture
1.2. Courante
1.3. Gavotte 1/2
1.4. Forlane
1.5. Menuet 1/2
1.6. Bourrée 1/2
1.7. Passepied 1/2

Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067
2.1. Ouverture
2.2. Rondeau
2.3. Sarabande
2.4. Bourrée 1/2
2.5. Polonaise – Double
2.6. Menuet
2.7. Badinerie

Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068
3.1. Ouverture
3.2. Air
3.3. Gavott 1/2
3.4. Bourrée
3.5. Gigue

Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069
4.1. Ouverture
4.2. Bourrée 1/2
4.3. Gavotte
4.4. Menuet 1/2
4.5. Réjouissance

. . . . . . . Suites: BAIXE AQUI – download here

Suzuki-Masaaki-15[Marco-Borggreve]Bach Collegium Japan
Conductor: Masaaki Suzuki (2009)
Flute on Orchestral Suite No.2: Liliko Maeda

Apoie os bons artistas, compre suas músicas!

Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível. Comente a postagem!

Originalmente em 08/08/2010
PQP

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Horowitz plays Chopin, V. 1 – CD 2 de 3

Horowitz Plays Chopin Vol. 1Na pressa, sem tempo, trago hoje o segundo CD desta série histórica, que mostra todo o talento e versatilidade de um dos grandes pianistas do século XX.

01. Chopin – Sonata No. 2, Op. 35
02. Chopin – Sonata No. 2, Op. 35 cont
03. Chopin – Sonata No. 2, Op. 35 cont
04. Chopin – Sonata No. 2, Op. 35 cont. (recorded May 13, 1950)
05. Chopin – Nocturne,Op. 9 , No. 2 (recorded May 14, 1957)
06. Chopin – Nocturne, Op. 55, No. 1 (Recorded April 28, 1951)
07. Chopin – Impromptu No. 1, Op. 29 (Recorded Oct 11, 1951)
08. Chopin – Etude, Op. 10, No. 3 (recorded April 29, 1951)
09. Chopin – Etude, Op. 10, No. 4 (Recorded jan 5, 1952)
10. Chopin – Ballade No. 1, Op. 23 (recorded May 19, 1947)
11. Chopin – Mazurka, Op. 30, No. 4 (Recorded Dec 28, 1949)
12. Chopin – Scherzo No. 1, Op. 20 (recorded April 29, 1951)

Wladimir Horowitz – Piano

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.: interlúdio :. Keith Jarrett — No End (2013)

Certamente, este No End concorre ao prêmio de CD de Jazz Mais Chato de Todos os Tempos ou, pelo menos, ao de Disco Mais Chato de Jarrett. Nele, em gravação de estúdio realizada em 1986, Keith Jarrett toca tudo — guitarra, baixo, percussão, tablas, o diabo — , até piano em alguns poucos momentos. O resultado é algo sem graça e indirecional: não sabe bem de onde ele saiu nem onde quer chegar com suas improvisações quase sem temas, só de climinhas pseudo-exóticos. Há momentos legais em meio à maior diluição, mas a coisa simplesmente não para em pé. Ouçam e me digam o que acharam.

Keith Jarrett — No End (2013)

Disc: 1
1. I
2. II
3. III
4. IV
5. V
6. VI
7. VII
8. VIII
9. IX
10. X

Disc: 2
1. XI
2. XII
3. XIII
4. XIV
5. XV
6. XVI
7. XVII
8. XVIII
9. XIX
10. XX

Keith Jarrett: electric guitars, fender bass, drums, tablas, percussion, voice, recorder, piano.

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Desculpe, Jarrett, mas este CD é muito ruim.

Desculpe, Jarrett, mas este CD é muito ruim.

PQP

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Fumio Hayasaka (1918-1955): The Seven Samurai Original Film Soundtrack

Quando no ano de 1953 o célebre diretor Akira Kurosawa encomendou ao seu jovem amigo o compositor Fumio Hayasaka a trilha sonora para o seu filme Os Sete Samurais, o compositor, diante de tão honorável solicitação, correu para o piano e dedilhou um breve tema, anotando-o ligeiramente num fragmento de pentagrama. Insatisfeito, amassou o papel e o atirou à cesta de lixo. Cerrando os olhos por trás dos seus possantes óculos, respirou fundo e se pôs a conceber uma sucessão de temas, até formar uma considerável pilha de papéis de música. Satisfeito, convocou Kurosawa para exibir a sua criação. O compositor tocou para ele um tema após o outro. Kurosawa, cabisbaixo, abanava a cabeça recusando cada um deles. O compositor, vendo a pilha de temas se extinguir sem qualquer resultado positivo, desesperadamente acorreu à cesta de lixo, catou no fundo o fragmento que lá havia atirado e tocou o que lá anotara. O ‘Shogun do Cinema’ ergueu a fronte, arregalou os olhos nipônicos e apontando imperativamente, grunhiu: “É isto!”. Era o icônico tema dos Sete Samurais, que pode ser ouvido a princípio na faixa 2, ressurgindo com diferentes arranjos.

7 samuraisCertos filmes revisito quase que religiosamente. Filmes como Todas as Manhãs do Mundo e O Sétimo Selo; outro é Os Sete Samurais (1954). A saga dos heroicos ronins que se sacrificam na defesa de uma pobre aldeia de camponeses. Com marcantes atuações, especialmente de Toshiro Mifune, no papel do espalhafatoso, histriônico e destemido Kikuchiyo. O filme, repleto de grandes e antológicos momentos, como a soberba batalha final, mescla a teatralidade típica do cinema japonês (cujas raízes remontam ao teatro tradicional) com elementos do cinema ocidental, o que é bastante típico na obra de Kurosawa. Esta mescla de elementos também caracteriza a obra musical de Fumio Hayasaka.

13240134_758234320981563_587649711151027007_nHayasaka nasceu em Sendai, ilha de Honshu, em 1918. Em 1918 sua família mudou-se para Sapporo, ilha de Hokkaido. Em 1933, junto com o também compositor Akira Ifukube (autor das trilhas de Godzilla), organizou festivais de música. Hayasaka recebeu diversos prêmios por seus trabalhos de caráter erudito. Em 1939 mudou-se para Tokyo para se dedicar às trilhas sonoras. No início da década de 40 era conhecido como um grande compositor japonês de cinema. Em 1950 fundaria a Associação de Música de Cinema e seria também o mentor de famosos nomes como Masaru Sato e Toru Takemitsu. Dos filmes de Kurosawa para os quais trabalhou, Rashomon (1950) teve especial significado. Foi premiado com o Leão de ouro de Veneza e foi o primeiro filme japonês a ser amplamente visto no ocidente. Para esta película, Hayasaka compôs algo inspirado no Bolero de Ravel. Em seus últimos anos, em plena atividade, trabalhou também para premiados títulos de Kenji Mizoguchi. Os Sete Samurais foi a maior produção cinematográfica em seu tempo no Japão e, dos filmes para os quais Hayasaka compôs, foi o que mais o notabilizou para a posteridade. Sobre sua relação para com a música em seus filmes e sobre o trabalho de Hayasaka, disse Kurosawa: “Eu mudei meu pensamento sobre o acompanhamento musical a partir do momento que Fumio Hayasaka começou a trabalhar comigo como compositor nas trilhas sonoras dos meus filmes. A música de cinema na época não era nada mais do que um acompanhamento – para uma cena triste, havia sempre música triste. Esta é a maneira que maioria das pessoas usam a música, e é ineficaz. Mas a partir do filme Drunken Angel em diante, eu usei música leve para algumas cenas tristes, e minha maneira de usar a música diferiu da norma; eu não a ponho da maneira que a maioria das pessoas fazem. Trabalhando com Hayasaka, comecei a pensar em termos de o contraponto de som e imagem, em oposição à união de som e imagem”.

7 sam 2 Infelizmente sua amizade com Kurosawa não foi mais duradoura devido a sua morte prematura em 1955, aos 41 anos, vitimado pela tuberculose. Sua morte afetou profundamente o diretor, lançando-o em um dos seus períodos de depressão, que mais tarde o levariam a tentativas de suicídio.  Ainda Kurosawa: “Ele era um bom homem. Nós trabalhamos tão bem juntos porque a nossa própria fraqueza era a força do outro. Era como se ele, com seus óculos, fosse cego; e como se eu fosse surdo. Nós estivemos juntos dez anos e depois ele morreu. Não foi só a minha perda. Foi uma perda da música também. Você não encontra uma pessoa como essa duas vezes em sua vida.”

7 sam 3 A qualidade sonora poderá desagradar a muitos, talvez a própria trilha também, por diversas razões. Talvez algumas trilhas que nos agradam estejam indissociavelmente ligadas ao nosso afeto pelos filmes e não sobreviveriam ao nosso gosto se deles estivessem dissociadas. Particularmente falando gosto muito de toda a trilha, especialmente da primeira faixa, de abertura do filme. Uma rústica peça para percussões tradicionais japonesas. Impressionante e ao meu ver – e ouvir – perfeita para o espetáculo que irá se desenrolar. Outra faixa genial é a 27 (Tryst). Um minuto e três segundos de pura beleza, uma peça para Koto e flauta que sem dúvida deixaria Debussy encantado. Gostaria de dedicar esta postagem à Sra. Taeko Kawamura, amante da música e amiga de facebook que há meses se ausentou de nossas páginas sem quaisquer notícias.

Fumio Hayasaka (1918-1955): The Seven Samurai Original Film Soundtrack

  • The seven samurai main title
  • To the little watermill
  • Samurai search
  • Kambei, Katsushiro, Kikuchiyo’s mambo
  • Rikichi’s tears white rice
  • Two search for samurai
  • Six samurai
  • Extraordinary man
  • Morning departure
  • Wild warrior’s coming
  • Seven man completed
  • Katsushiro & Shino
  • Katsushiro come back
  • In the forest of the water god
  • Wheat field
  • Interlude
  • Harvesting
  • Rikichi’s trouble
  • Heihachi & Rikichi
  • Farm village scenery
  • Weak insects into samurai ways
  • Foreboding of bandits
  • Flag from the seven samurai
  • Sudden confrontation
  • Magnificent samurai
  • Kikuchiyo’s rises to the occasion
  • Tryst
  • Manzo & Shino
  • Rice planting song
  • Seven samurai ending

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Legenda?

Los Harakiris, total sucesso nas paradas do Japão feudal

Wellbach

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Horowitz plays Chopin, Vol. 1 – CD 1 de 3

Horowitz Plays Chopin Vol. 1Problemas alheios a minha vontade, ligados a questão de saúde, me tem deixado afastado do blog, e infelizmente assim será por um tempo.
Para cobrir estas minhas ausências, na medida do possível, tenho procurado agendar postagens, como vai ser o caso desta sequência de CDs de Wladimir Horowitz, para o desespero do colega PQPBach, e alegria de nosso querido e sumido Vassily Genrikhovich.
Estes três primeiros CDs então são exclusivamente dedicados a Chopin.
Como se trata de uma retrospectiva da carreira de Horowitz, algumas destas gravações são ainda da década de 50 e até mesmo de 40. Espero que apreciem.

CD 1
01. Chopin – Polonaise-Fantaisie in A-flat, Op. 61
02. Chopin – Ballade No. 1 in G minor, Op. 23 (Recorded May 22, 1982)
03. Chopin – Barcarolle, Op. 60
04. Chopin – Etude in C-sharp minor, Op. 25, No. 7
05. Chopin – Etude in G-flat, Op. 10, No. 5 (Black Keys) (recorded 1979-80, in concert)
06. Chopin – Ballade No. 4 in F minor, Op. 52
07. Chopin – Waltz in A-flat, Op.69, No. 1 (recorded Nov 1, 1981, in concert at the Metrop
08. Chopin – Andante spianato in E-flat, Op.22
09. Chopin – Grande Polonaise in E-flat, Op. 22 (recorded Oct 6, 1945, in NYC)

CD1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Oferenda Musical, BWV 1079

Um bom jantar pode ser estragado por um mau café, assim como podemos esquecer um repasto insosso em razão de um bom café colombiano. É no intento de fazer esquecer aquela péssima versão patchy daquela Oferenda Musical tanque-de-guerra, regida por Karl Richter, que coloco este excelente café servido pelos irmãos Kuijken com o importante auxílio de Robert Kohnen. Pois, apesar de Bach não ter estabelecido em que instrumentos a Oferenda deva ser tocada, trata-se indiscutivelmente de música de câmara. Quatro pessoas é o número mínimo e bom para interpretar a sacanagem de Frederico II, muitíssimo bem descrita no delicioso livro Uma Noite no Palácio da Razão, de James R. Gaines (Record, 334 páginas).

Uma Noite conta a vida de Frederico e de Bach antes e depois de seu único encontro de uma noite. Durante a reunião, Bach foi desafiado a improvisar sobre um tema escrito por Frederico — mas que provavelmente era de autoria de um dos muitos compositores da corte. O tema era dificílimo, uma evidente sacanagem, porém Bach improvisou uma fuga a três vozes sobre o mesmo. Diante da admiração incontida dos ouvintes, Frederico, um notório sádico, propôs uma fuga a seis vozes. Agastado, Bach respondeu-lhe que era impossível fazê-lo assim de improviso. Ficou furioso com a derrota, porém, duas semanas depois, enviou a Frederico uma partitura com a fuga a três vozes, outra a seis, acompanhadas de diversos cânones e de uma sonata-trio, totalizando treze movimentos cuja ordem correta, se há, é até hoje um desafio para os musicólogos. Ou seja, enviou-lhe a chamada Oferenda Musical (Das Musikalische Opfer), uma das mais importantes composições de todos os tempos. Frederico não deu a menor importância, o jogo já tinha sido jogado. E não mandou nenhuma nota de agradecimento ao “Velho Bach”.

Gaines poderia ter escrito uma narrativa curta, porém faz um longo, documentado e por vezes cômico relato da vida de seus dois personagens. Recomendo tudo. O livro e esta gravação que ora apresento. É assim que deve ser: música de câmara.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Oferenda Musical, BWV 1079

01 – Ricercar a 3
02 – Canon perpetuus super Thema Regium
03 – Canones diversi sopra Thema Regium – Canon a 2, cancrizans
04 – Canones diversi sopra Thema Regium – Canon a 2, Violin- in Unisono
05 – Canones diversi sopra Thema Regium – Canon a 2, per Motum contrarium
06 – Canones diversi sopra Thema Regium – Canon a 2, per Augmentationem, contrario Motu
07 – Canones diversi sopra Thema Regium – Canon a 2, per Tonos
08 – Fuga canonica in Epidiapente
09 – Ricercar a 6
10 – Quaerendo invenietis – Canon a 2
11 – Quaerendo invenietis – Canon a 4
12 – Sonata sopr’ il Sogetto Reale a Traversa, Violino e Continuo – I. Largo
13 – Sonata sopr’ il Sogetto Reale a Traversa, Violino e Continuo – II. Allegro
14 – Sonata sopr’ il Sogetto Reale a Traversa, Violino e Continuo – III. Andante
15 – Sonata sopr’ il Sogetto Reale a Traversa, Violino e Continuo – IV. Allegro
16 – Canon perpetuus (a Traversa, Violino e Continuo)

Barthold Kuijken, transverse flute
Sigiswald Kuijken, violin
Wieland Kuijken, viola da gamba
Robert Kohnen, harpsichord

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Sigiswald, Wieland and Barthold Kuijken

Sigiswald, Wieland and Barthold Kuijken há 2000 anos atrás

PQP

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Orquestra Ribeiro Bastos: Antônio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?) – Missa a 5 Vozes

fotototototoPostado originalmente em 10.12.07 pelo PQPBach. Repostado pelo Avicenna para incluir faixas mais fiéis ao original e para disponibilizar um link para arquivo flac.

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Nossos amigos que têm blogs sobre música são de extrema gentileza. O Heitor, do desNorte, por exemplo, é um gentleman, e o Fulano Sicrano, do Um que tenha, nem se fala. Pois um belo dia o Fulano, que tem um tesouro imensurável sobre música popular brasileira, mandou-me um presente. Era, na verdade, um repasse de um e-mail que ele tinha recebido:

Prezado Fulano,

Envio-lhe as minhas “Jóias da Coroa”, desencravadas de uma coleção de LPs já um tanto esquecida em um escritório!

Trata-se do LP da Orquestra Ribeiro Bastos interpretando a Missa A 5 Vozes, composta por Antônio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?), e distribuído a muito poucas pessoas. Não foi comercializado.

LP catalogado pela Tapecar Gravações S.A. com o número T 004, produzido sob o patrocínio da Xerox, da Fundação Roberto Marinho e da Funarte, resultado do projeto “Música Sacra no Campo das Vertentes”, foi gravado ao vivo em 21 de abril de 1981, em Ouro Preto, MG, quando esta cidade recebia o título de Monumento Mundial, numa apresentação em homenagem a Amadou-Mahtar M’Bow, Diretor Geral da UNESCO. Regência de José Maria Neves.

Os integrantes da Orquestra e Coral Ribeiro Bastos, desde sua fundação em 1790 aproximadamente, sempre foram moradores de São João del-Rey e cidades vizinhas, cada um com sua profissão, que se reúnem com missão de cultivar e preservar o “Barroco Mineiro”. Para esta apresentação foram convidados o soprano Marly Spiller, o contralto Maria Antonieta Andrade, o tenor Ricardo Tuttman e o barítono Ataíde Beck.

Os 84 integrantes desta apresentação memorável são alfaiates, comerciantes, ferroviários, estudantes, industriários, do lar, advogados, militares, funcionários públicos, professores, contabilistas, músicos militares, bancários, tipógrafos, pintores, bombeiros hidráulicos, datilógrafos, costureiras, gráficos, operários, enfermeiras, modistas, hoteleiros, secretárias, pedreiros e cabeleireiros, como se pode ver nas imagens que anexo, escaneadas do LP.

Gostaria de compartilhar com você e com os usuários do seu blog esta autêntica prova de quantos tesouros e potenciais desconhecidos tem o nosso tão vilipendiado Brasil!

Permita-me a liberdade de sugerir a faixa 5, Cum Sancto Spiritu, como a música “o que tem”.

Abraços.

Não tenho autorização para declinar nomes e nem o Fulano sabe ainda desta postagem. Mas, vamos adiante. Um registro raríssimo, sem dúvida. A interpretação desta orquestra amadora é comovente com seus erros e intervenções muitas vezes desafinadas.

A seguir, o histórico da Orquestra Ribeiro Bastos conforme informa seu site :

Data de início das atividades: Século XVIII

Histórico da instituição: Já é quase habitual associar-se a música colonial mineira ao nome da Orquestra Ribeiro Bastos, em razão das inúmeras apresentações do repertório desta época realizadas por este grupo nos quatro cantos do país e pela divulgação trazida pela difusão de seus discos. Mas isto não represente a verdade, ainda existem e atuam em Minas Gerais outras corporações musicais antigas, que prolongam a antiga tradição musical da região e preservam documentos trazidos de outros pontos do Brasil.

Sabe-se que a vida musical nas Minas Gerais e no Brasil no século XVIII era rica e intensa, em grande parte por causa das necessidades da liturgia católica. Cada vila pouco mais importante tinha seus compositores e suas corporações que reuniam cantores e instrumentistas. Mas a diminuição das riquezas, durante o século XIX, foi fatal para estas vilas e corporações: as vilas ficaram estagnadas em sua vida passada, quando não regrediram até o desaparecimento, e as corporações, por perderem sua função religiosa e social, deixaram de existir. A perda desta função causou o desaparecimento de antigas corporações também em vilas que tiveram um certo grau de crescimento material, mas onde a preocupação com o fato cultural tornou-se secundária.

Hoje, graças a estudos musicológicos mais aprofundados, pode-se aquilatar o que foi este momento musical e sabe-se o valor de compositores como Emerico João de Deus, Manoel Dias, Gerônimo de Souza Lobo, Santos Cunha e muitos outros.

São João Del-Rei foi caso raro: os dois grupos tradicionais da cidade mantiveram-se vivos e atuantes até hoje, através da atividade de amadores que, no correr dos anos, tiveram consciência da importância da herança que recebiam de seus antepassados musicais (estes, profissionais) e lutaram para preservá-la. Em todos os dias do ano, as missas principais são acompanhadas por uma das duas orquestras, que mantém os antigos contratos assinados com as irmandades religiosas. No que se refere à Orquestra Ribeiro Bastos ela está presente em duas missas semanais na Matriz do Pilar (da Irmandade do Santíssimo e da Irmandade de Passos) e na grande missa dominical da Ordem Terceira de São Francisco, além de responsabilizar-se pelo serviço musical de diversas novenas (Carmo, São Francisco, Cinco Chagas, Conceição) e de todos os ofícios da Festa de Passos e da Semana Santa. Esta é, sem dúvida, a época mais rica do calendário musical da cidade, uma vez que até hoje são cantadas não só as Missas Solenes, mas também cada Via Sacra, o Ofício de Ramos, os Três Ofícios de Trevas, as Paixões, o Ofício de Páscoa, as procissões, perfazendo algumas centenas de obras e enorme tempo dedicado com amor à música sacra.

A Orquestra Ribeiro Bastos é, antes de tudo, uma função: ela deixaria de existir se não estivesse respondendo à uma necessidade religiosa e cultural. Seus membros, todos amadores, dedicam seus dias às mais diversas ocupações e guardam seu tempo livre para ensaios e participação em cerimônias religiosas. Por isso mesmo, nem em São João Del-Rei nem em lugares onde vá, esta corporação não pode ser ouvida como uma orquestra de concertos. É parte da vida e da cultura daquela cidade e de Minas. Hoje como há duzentos anos atrás. É grupo que se esforça por manter viva a tradição, que busca construir repertório recuperando esta mesma tradição, que se preocupa em manter viva a chama e que, vez por outra, sai de sua cidade para dar a conhecer a maior número de pessoas algumas das preciosidades de seu acervo. Preservando não apenas papéis, mas também uma tradição interpretativa, certamente bem próxima da maneira como seu repertório era tocado no passado.

“Missa A 5 Vozes”, de Antonio dos Santos Cunha (17xx? – 18xx?)

Gravado ao vivo em 21 de abril de 1981, em Ouro Preto, MG, quando esta cidade recebia o título de Monumento Mundial.

Apresentação em homenagem a Amadou-Mahtar M’Bow, Diretor Geral da UNESCO.
1. Kyrie
2. Gloria/Laudamus/ Gratia agimus
3. Domine Deus/Qui tolli
4. Qui sedes/Quoniam
5. Cum Sancto Spiritu

Orquestra Ribeiro Bastos – 1981
Regência de José Maria Neves

Esta gravação, nem o Heitor possui. Duvido.

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XLD RIP | FLAC | 133,7 MB

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MP3 | 320 kbps | 81,8 MB

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PQP Bach

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos n° 22, 23 e Concerto Rondo for Piano & Orchestra, K. 386 – Haebler, Davis

mozartcompletepianoconcertosingridhaeblerphilips10cdsVou trazer hoje mais alguns concertos de Mozart com uma de suas principais intérpretes, a austríaca Ingrid Haebler. Em minha modesta opinião, poucos pianistas conseguiram capturar a essência mozartiana como Haebler. Ela tem aquele algo a mais que a diferencia dos outros. Ouçam com calma e tranquilidade. Sentem em suas melhores poltronas, abram uma boa garrafa de vinho e apreciem. Volto a repetir, é Mozart em sua essência.

01. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – I. Allegro
02. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – II. Andante
03. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – III. Allegro

London Symphony Orchestra
Witold Rowicki – Conductor

04. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – I. Allegro
05. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – II. Adagio
06. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – III. Allegro assai

London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

07. Concerto Rondo for Piano and Orchestra in A major, KV 386

Ingrid Haebler
London Symphony Orchestra
Alceo Galliera – Conductor

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Zóltan Kodály (1882-1967): Sonata, Op. 8 for solo cello / Sonatina / 9 Epigrams

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Kodály fundou, juntamente com seu amigo ainda mais talentoso Béla Bartók, a etnomusicologia. Grande pesquisador, enorme compositor, parece ter sido melhor ainda como professor, tendo inventado o Método Kodály de ensino de música. Assim como Bartók, Kodály foi um intelectual que sabia aplicar sua cultura. E isto pode ser ouvido neste excelente CD. Todos os trabalhos apresentados são de grande originalidade de forma e conteúdo, verdadeiros resumos da tradição da composição clássica, romântica, impressionista e modernista do início do século XX, com profundo respeito pelas tradições folclóricas húngaras, eslovacas, búlgaras, albanesas e de outros países do leste europeu. A Sonata Op. 8 para Violoncelo Solo é maravilhosa. Curiosamente, em seu terceiro movimento, tem momentos que parecem música nordestina. Há vários bordões que lembram repentes. O Adágio que fecha o CD é outra pérola na interpretação de Natalie Clein, a qual é um capítulo à parte. A inglesa Clein (1977) não é apenas linda, é uma virtuose de som consistente, cheio, insinuante e, até diria, invasivo. É um prazer caminhar na rua com ela nos ouvidos. A gente esquece da política brasileira. Um belo CD da Hyperion!

Clein, Natalie Clein, com C.

Clein, Natalie Clein, com C.

Zóltan Kodály (1882-1967): Sonata, Op. 8 for solo cello / Sonatina / 9 Epigrams

01. Sonata, Op. 8 for solo cello – I. Allegro maestoso ma appassionato
02. Sonata, Op. 8 for solo cello – II. Adagio
03. Sonata, Op. 8 for solo cello – III. Allegro molto vivace

04. Sonatina

05. 9 Epigrams – No 1 Lento
06. 9 Epigrams – No 2
07. 9 Epigrams – No 3
08. 9 Epigrams – No 4 Moderato
09. 9 Epigrams – No 5 Allegretto
10. 9 Epigrams – No 6 Andantino
11. 9 Epigrams – No 7 Con Moto
12. 9 Epigrams – No 8
13. 9 Epigrams – No 9

14. Romance Lyrique

15. Adagio

Natalie Clein, cello
Julius Drake, piano

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Sentado à esquerda, Bartók. De barba, com prováveis partituras na mão, Kodály.

Sentado à esquerda, Bartók. De barba, com prováveis partituras na mão, Kodály.

PQP

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Lobo de Mesquita (1746-1805): Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 3 (Antífona) & Difusa est gratia

De José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, disse Curt Lange, “ser um mestre que pode figurar condignamente ao lado dos grandes compositores europeus, pela sólida estrutura e surpreendente beleza musical dos seus trabalhos“.

Repostagem para incluir um link para arquivo flac.

Ao entregar ao público o Noturno nº 3 da Antífona “Astiterunt Reges Terrae”, que compõe o lado “A” deste disco, a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira completa a edição de uma obra inédita de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, composta de três noturnos que formam a coleção “Encontro Barroco”.

Esta coleção está destinada a ter profunda repercussão na cultura musical brasileira, pois contribui para resgatar do esquecimento a obra de um dos gênios do barroco mineiro.

De José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, disse Curt Lange, maestro e pesquisador que recuperou a sua obra valiosa (numerosos “Credo”, “Magnificat”, “Te Deum”, “Officium Defunctorum”, Ladainhas e Antífonas), “ser um mestre que pode figurar condignamente ao lado dos grandes compositores europeus, pela sólida estrutura e surpreendente beleza musical dos seus trabalhos”. (extraído da contra-capa do LP)

Palhinha: ouça 07. Caligaverunt oculi mei & 08. Si est dolor similis, enquanto aprecia várias fotos de Diamantina, MG

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 3 (Antífona)
01. Tradiderunt me in manus impiorum
02. Et sicut gigantes
03. Alieni insurrexerunt
04. Jesum tradidit impius
05. Petrus autem sequebatur
06. Adduxerunt autem eum
07. Caligaverunt oculi mei
08. Si est dolor similis
09. O vos omnes

10. Difusa est gratia

Encontro Barroco – vol. 3 – 1986
Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 3 (Antífona)
Instrumentistas de Orquestra e Coristas da Fundação Clóvis Salgado
Regente: Sergio Magnani

Reconstituição do Maestro Sergio Magnani dos originais inéditos do Museu da Música de Mariana

LP editado pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira em 1986 e digitalizado por Avicenna, por isso sejam tolerantes com a qualidade, principalmente na primeira faixa!

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XLD RIP |  FLAC | 107,6 MB

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MP3 | 320 kbps | 42,7 MB

powered by iTunes 12.3.3 | 21,5 min

Boa audição.

Avicenna

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J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

Este é um CD apenas OK, nada mais. A ideia foi boa, mas a escolha das árias parece ter passado por cima do conceito de beleza para abraçar o comercial. Como filho de Bach, tenho coleções de árias na minha cabeça e acho que este CD apenas acertou em 50% das tentativas. Ah, o disco é uma seleção de árias de Cantatas e Paixões que incluem voz e violino, certo? Pois é como ia dizendo, há centenas delas, mas a escolha foi assim assim. Quem rouba o disco é Matthias Goerne, que é um barítono alemão realmente maravilhoso.

O disco costuma ser elogiado. Vai ver estou errado…

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

1. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.51 Aria (Bass): ”Gebt Mir Meinen Jesum Wieder” 2:59
2. Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme Cantata, BWV 140 – Arie (Duett): ”Wann Kommst Du, Mein Heil?” 5:44
3. Cantata, BWV 204 ”Ich Bin Vergnügt” – Aria ”Die Schätzbarkeit Der Weiten Erde” 4:13
4. Liebster Jesu, Mein Verlangen Cantata, BWV 32 – 3. Aria: Hier, In Meines Vaters Stätte 7:09
5. Zerreißet, Zersprenget, Zertrümmert Die Gruft Dramma Per Musica, BWV 205 – 9. Aria Soprano: ”Angenehmer Zephyrus” 3:29
6. Mass In B Minor, BWV 232/Gloria – Laudamus Te 3:50
7. Ich Lasse Dich Nicht, Du Segnest Mich Denn (Cantata BWV 157) – Ja, Ja Ich Halte Meinen Jesum Fest 6:18
8. Cantata ”Wer Mich Liebet, Der Wird Mein Wort Halten” BWV 59 – 4. Aria: ”Die Welt Mit Allen Königreichen” 3:06
9. Cantata, BWV 58 ”Ach Gott, Wie Manches Herzeleid” – Aria ”Ich Bin Vergnügt In Meinem Leiden” (Soprano) 3:44
10. Cantata, BWV117 – 6. Wenn Trost Und Hülf’ Ermangeln Muß 4:03
11. Der Friede Sei Mit Dir: Cantata, BWV 158 – 2. Aria & Choral: Welt, Ade, Ich Bin Dein Müde 5:49
12. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.39 Aria (Alto): ”Erbarme Dich” 6:29

Hilary Hahn
Matthias Goerne
Christine Schafer

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PQP gosta

Não funcionou, Hahn

PQP

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Antônio Vivaldi (1678-1741): 8 Concerti Solenni – First Recordings

Vivaldi, Vivaldi, Vivaldi… escrevo este nome envolto em coraçõezinhos. Sim. Paixão assumidíssima de séculos. O barroco musical não tem fim e dentro deste infinito outro infinito se desdobra: a música do Padre Ruivo. Uma das maiores asneiras já proferidas no mundo da música veio do velho gafanhoto Stravinsky, quando pontificou que Vivaldi escrevera dezenas de vezes o mesmo concerto. Já vi maestros reafirmando isso, e com isso asseverando a própria ausência de conhecimento e o que é pior, falta de gosto, pois que a beleza e a variedade na música de Vivaldi afloram constantes e em assustadora profusão. É inesgotável. Qualquer audição minimamente atenta de As Estações e dos Concertos do Opus 10 para flauta evidenciará a variedade das criações de Vivaldi – guardadas, naturalmente, as similaridades estilísticas próprias; afinal, é o mesmo compositor! Mas podemos encontrar uma desculpa para a asneira do velho gafanhoto, afinal, quando ele ouviu Vivaldi, este ainda estava em fase de descoberta pelo mundo da música europeia; ouviu dois ou três concertos, decerto com evidente má vontade. Ademais, é preciso considerar que Stravinsky, ainda jovem, devia estar de tal forma envolvido no afã de suas novas ambições estéticas que jamais iria parar para saber melhor sobre um obscuro padreco veneziano com fama de libertino, regente de uma orquestra de garotas talentosas. Tenho centenas de discos de Vivaldi e vez por outra ainda me aparecem novidades. Este que vos trago é um disco soberbo. Interpretação serena, porém intensa. Não tem o ímpeto do grupo Giardino Armonico, nem a grandiloquência do I Musici, mas também está longe das interpretações asmáticas de Fabio Biondi. Um disco honestíssimo, e que escolha de repertório! Concertos de absoluta beleza e engenho, alguns me surpreenderam, afinal, eram novidades, mas também pela riqueza da escrita. Movimentos lentos arrasadores, lembrando um detalhe importante na história da música, pelo qual Vivaldi foi o primeiro compositor a conferir importância e intensidade melódica aos movimentos lentos. Antes tínhamos algo tipicamente corelliano e linear, um xaropinho de alface. Em lugar disso Vivaldi nos traz o mais encorpado e capitoso dos vinhos. O disco é de 2010 e promete obras inéditas: “Otto Concerti Solenni, first recordings”. Um deles, porém traz um tema conhecido, da série Il Pastor Fido (faixa 11); aqui reaparece desenvolvido e com uma relevante particularidade: é um concerto cíclico, o motivo melódico reaparece em todos os movimentos. Não é somente isso que encontramos nas obras de Vivaldi e que mais tarde seria atribuído aos períodos clássico e posteriores. Muito do arsenal composicional do período clássico, por exemplo, já se encontrava em Vivaldi e não sou eu que digo, mas autores como Roland de Candé e Michael Talbot. A gravação é excelente, nos permite perceber cada detalhe das criações do Reverendíssimo – para mim, Sua Santidade. A orquestra se denomina La Magnifica Comunità, regida por Enrico Casazza, também violino solista. Que mais dizer para exaltar a beleza desses concertos? Ouçamo-los, pois!

Vivaldi — Otto Concerti Solenni
Concerto For Strings And Basso Continuo In C Minor, RV 197
1 I. Allegro 3:31
2 II. Largo 2:39
3 III. Allegro 1:44
Sinfonia For Strings And Basso Continuo In A, RVAnh. 85
4 I. Allegro 2:07
5 II. Andante 2:47
6 III. Allegro 3:50
Concerto For Two Violins, Strings And Basso Continuo In G Minor, RV 155
7 I. Adagio 2:19
8 II. Allegro 3:49
9 III. Largo 3:38
10 IV. Allegro 4:19
Concerto For Strings And Basso Continuo In G Minor, RV 316
11 I. Allegro 2:31
12 II. Adagio 1:12
13 III. Fuga Da Capella: Allegro Alla Breve 1:53
Concerto For Strings And Basso Continuo In C, RV 185
14 I. Andante Molto E Spiccato 1:05
15 II. Allegro 2:28
16 III. Largo 1:27
17 IV. Allegro Non Molto 2:20
Concerto For Two Violins, Strings And Basso Continuo In D Minor, RV 247
18 I. Allegro 2:46
19 II. Grave 3:12
20 III. Allegro 3:01
Concerto For Strings And Basso Continuo In F, RV 292
21 I. Largo 2:28
22 II. Allegro 2:13
23 III. Adagio 0:49
24 IV. Allegro 4:13
Concerto For Strings And Basso Continuo In E Minor, RV 134
25 I. Allegro 2:46
26 II. Largo 1:30
27 III. Allegro 2:34

La Magnifica Comunità
Enrico Casazza – violin and diretor

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Caricatura do Padre ruivo, por Pier Leone Ghezzi. Nem só de beleza vivia o homem.

Caricatura do Padre ruivo, por Pier Leone Ghezzi. Nem só de beleza vivia o homem.

Wellbach

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Lobo de Mesquita (1746-1805) : Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 2 (Antífona)

Lobo de Mesquita é o mais prolífico compositor da época áurea da expressão e do profissionalismo musical em Minas Gerais. Se o seu nascimento em 1746 na atual cidade do Serro é discutível, são certos a sua presença e o seu trabalho como organista e compositor em Diamantina, a partir de 1776. Permaneceu ali 22 anos e ali produziu a maior parte de suas obras.

Repostagem para a adição de um link para arquivos flac.

Na segunda metade do século XVIII, os centros urbanos mineradores das Gerais atingiram a sua máxima densidade humana e a riqueza mais ostensiva: todos os tipos de profissionais e artesãos responderam à atração. A maior parte dos melhores arquitetos, escultores e dos compositores conhecidos em Minas Gerais ali viviam e produziam as suas obras mais notáies nos últimos 30 anos do século. Irmandades e Ordens Terceiras eram instrumentos de organização social e promotores competitivos das artes. O culto da fé católica, em Minas, um mistura original “barroca” de ostentação flamejante e de contrição, inspirava não somente a decoração e os frontispícios das igrejas, mas ganhava as ruas em procissões tão frequentes como teatrais. Compositores, orquestras e coros foram contratados para produzir missas, novenas, ofícios e ladainhas inéditos, complementos indispensáveis aos efeitos cênicos da liturgia barroca.

Pontos culminantes eram as liturgias relacionadas com a Paixão de Cristo; espetáculo de máxima festividade a Semana Santa, da qual o Noturno nº 2 para Vozes e Orquestra, da Antífona “Astiterunt” aquí apresentado, é um episódio.

Se é possível que padres ou artesãos portugueses tenham trazido as primeiras técnicas musicais para Minas Gerais, é certo que nos últimos decênios do século XVIII os compositores mineiros tinham facilidade de acesso às obras contemporâneas européias (Haydn, Mozart, Boccherini, Pleyel e outros). Talvez por modelos fornecidos pelas autoridades eclesiásticas, a manufatura das obras mineiras desta época já é pré-clássica e operística.

Em 1790, a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, em Diamantina, decidiu que era tempo de reduzir as anuidades dos irmãos, face à “decadência das utilidades do país”. Mesquita já encontra dificuldades no pagamento do aluguel; em seguida as suas atividades de organista são encerradas. Em 1798 aparece em Ouro Preto, em 1800 no Rio de Janeiro. O declínio da economia urbana, mineradora, em Minas, e do poder econômico das instituições patrocinadoras significa o fim próximo da arte urbana barroca, e da criatividade e produção musical em Minas Gerais. Muitos, além de Mesquita, procuram o Rio de Janeiro. O compositor morre lá em 1805.

(extraído da contra-capa do LP)

Palhinha: ouça 04. Tenebrae facta est enquanto aprecia várias telas sobre Ouro Preto

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 2 (Antífona)
01. Tamquam ad latronem
02. Quotidie apud vos eram
03. Cumque injecissent manus in Jesum
04. Tenebrae facta est
05. Et inclinato capite
06. Exclamans Jesus voce magna
07. Tradidit in manus iniquorum
08. Quia non est inventus
09. Insurrexerunt in me viri

Encontro Barroco – vol. 2 – 1985
Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 2 (Antífona)
Instrumentistas de Orquestra e Coristas da Fundação Clóvis Salgado
Regente: José Maria Florêncio Jr

Reconstituição do Maestro Sergio Magnani dos originais inéditos do Museu da Música de Mariana

LP editado pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e gentilmente cedido pelo nosso ouvinte das Gerais, Alisson Roberto Ferreira de Freitas. Não tem preço!
Digitalizado por Avicenna, por isso sejam tolerantes com a qualidade!

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XLD RIP | Flac | 94,4 MB

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MP3 | 320 kbps | 34,8 MB

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Boa audição.

macaco pensante

 

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Johannes Brahms (1833-1897): Piano Trios 1 & 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este Trio Nº 1, Op. 8, é uma comprovação de que Brahms nasceu pronto. É obra de um jovem compositor maduro. É um repertório incontornável do período romântico. Você tem que conhecer. Simples assim.

Como se não bastasse o trocadilho infame que o nome Brahms sugere a nós, brasileiros, ele era filho de um contrabaixista de Hamburgo que tocava em cervejarias… E, a partir dos dez anos de idade, o pequeno Johannes passou a trabalhar como pianista com seu pai, nas tabernas. Não sabemos se estas atividades foram nocivas à saúde do menino, sabemos apenas que ele, mais tarde, fez bom uso de seu conhecimento sobre o repertório popular alemão. Brahms teve apenas dois professores, ambos durante a infância e adolescência. Ainda muito jovem, ficou pronto para compor após estudar Bach, Mozart e Beethoven.

Começou a compor cedo e, antes de completar 20 anos, seu Scherzo opus 4 já tinha entusiasmado e revelado afinidades com Schumann, a quem Brahms ainda desconhecia. Foi visitar Schumann e então os fatos são mais conhecidos: primeiro, Schumann escreve em seu diário “Visita de Brahms, um gênio!”, depois publica artigo altamente elogioso ao compositor, fazendo com que o jovem Brahms tivesse a melhor publicidade que um artista pudesse desejar. Schumann o considerava um filho espiritual e a esposa de Schumann, Clara, chamava-o de seu “deus loiro”. Muitas hipóteses são possíveis sobre a relação entre Clara e Brahms, mas só uma coisa é certa: eles destruíram a maior parte das cartas que dizia respeito a ela. Porém, a versão de que houve um forte componente amoroso na relação entre os dois dá margem a muitas conjeturas e ficções.

A música de câmara de Brahms é um verdadeiro tratado sobre a humanidade. Foi um compositor originalíssimo. Suas obras representam uma tentativa única de fusão entre a expressividade romântica e as preocupações formais clássicas. O resultado é uma música de grande densidade e intensidade. Foi, em sua época, adotado pelos conservadores. Ele colaborou bastante com esta adoção ao assinar um manifesto contra a chamada escola neo-alemã de Liszt e Wagner. Porém… teve tal imerecido estigma quebrado pelo famoso ensaio de Schoenberg: “Brahms, o Progressista”.

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Trios 1 & 3

Piano Trio No.1 in B major, Op.8
01. I. Allegro
02. II. Scherzo- Allegro molto
03. III. Adagio
04. IV. Allegro

Piano Trio No.3 in C minor, Op.101
05. I. Allegro energico
06. II. Presto non assai
07. III. Andante grazioso
08. IV. Allegro molto

Gutman Trio
Sviatoslav Moroz, violino
Natalia Gutman, cello
Dmitri Vinnik, piano

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O Trio Gutman

O Trio Gutman

PQP

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Lobo de Mesquita (1746-1805) : Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 1 (Antífona)

Versátil e avançado, pioneiro no uso de certos recursos, exímio na montagem de contrapontos, Lobo de Mesquita precedeu ao próprio Beethoven na utilização de alguma técnicas de composição. Insuplantável como organista, ele, no entanto, produziu para a trompa a maior parte de sua extensa e valiosa obra.

Repostagem para incluir um link de arquivo flac

Marcado pela exuberância e caracterizado ideologicamente como uma contraposição espiritualista às tendências antropocêntricas do Renascimento, o Barroco teve sua primeiras e mais significativas manifestações nos meados do Século XVI, florescendo até o final do Século XVII, quando entrou em declínio.

Grandes vultos enriqueceram o Barroco com o seu talento, na literatura, nas artes, na música, na arquitetura e na escultura. Já na obra de Miguel Ângelo se vislumbram os primeiros traços deste estilo, que teve no Padre Antonio Vieira, em Luiz de Góngora, em Vivaldi e Bach, em El Greco e no imortal Aleijadinho e outros grandes expoentes.

Minas Gerais tem o Barroco impregnado nas sua raízes culturais e sua contribuição é marcante para a disseminação do estilo em todo o País. Além da expressão máxima do Barroco brasileiro – o Aleijadinho -, Minas deu ao Brasil a genialidade de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, cuja obra musical – só recentemente descoberta e divulgada – se compara em riqueza e criatividade à dos grandes mestres europeus.

De sua pessoa se sabe muito pouco. Tem-se como certo que nasceu no Arraial de Tejuco, hoje Diamantina, em data ignorada. Gênio instrumental, foi organista da Irmandade do Sacramento, em sua terra, transferindo-se no final do Século XVIII para Vila Rica, onde – graças à fama conquistada – não teve dificuldade em se tornar o organista titular da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Dele é o Noturno para Orquestra e Coro que compõe um dos lados deste disco.

(extraído da contra-capa do LP)

Palhinha: ouça a integral do Noturno nº 1 (Antífona), enquanto aprecia as obras do ‘Aleijadinho’.

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José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
Astiterunt Reges Terrae – Noturno nº 1 (Antífona)
Noturno nº 1 (Antífona): 01. Astiterunt Reges Terrae
Noturno nº 1 (Antífona): 02. De Lamentatione Jeremiae
Noturno nº 1 (Antífona): 03. Cogitavit Dominus
Noturno nº 1 (Antífona): 04. Defixae Sunt
Noturno nº 1 (Antífona): 05. Consperserunt Cinere
Noturno nº 1 (Antífona): 06. Omnes Amici
Noturno nº 1 (Antífona): 07. Et Terribilibus Oculis
Noturno nº 1 (Antífona): 08. Inter Iniquos
Noturno nº 1 (Antífona): 09. Velum Templi
Noturno nº 1 (Antífona): 10. Et Omnis Terra
Noturno nº 1 (Antífona): 11. Petrae Scissae Sunt
Noturno nº 1 (Antífona): 12. Vinea Mea Electa
Noturno nº 1 (Antífona): 13. Sepivi Te
Noturno nº 1 (Antífona): 14. Tenebrae Factae Sunt
Noturno nº 1 (Antífona): 15. Et Inclinato Capite

Encontro Barroco – vol. 1 – 1983
Instrumentistas de Orquestra e Coristas da Fundação Clóvis Salgado
Regente: Sergio Magnani

LP editado pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e gentilmente cedido pelo nosso ouvinte das Gerais, Alisson Roberto Ferreira de Freitas. Não tem preço!
Digitalizado por Avicenna, por isso sejam complacentes com a qualidade!

acervoBAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP |Flac | 123,5 MB

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MP3 | 320 kbps | 51,6 MB

powered by iTunes 12.3.3 | 21,4 min

 

Boa audição.

vida é curta

 

 

 

 

 

 

 

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Avicenna

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Igor Stravinsky (1882-1971): Jeu de cartes, Agon, Orpheus

A fase neoclássica de Stravinsky recebe aqui tratamento luxuoso. Todos os três balés deste disco são colaborações de Strava com o coreógrafo norte-americano George Balanchine. A música também é extreordinária. Agon (1953-54) é um balé para 12 dançarinos. Não tem história, apenas movimentos para duplas, trios e quartetos, etc.  Jeu de Cartes é mais antigo. É de 1936-37. Gosto muito. E Orpheus é de 1948 e é o mais grandioso do trio, sendo dividido em 12 partes e previsto para 30 dançarinos. A música é realmente boa, mas, por favor, nunca me convidem para assistir a um espetáculo de balé.

Igor Stravinsky (1882-1971): Jeu de cartes. Agon, Orpheus

1. Jeu de cartes (Card Game), ballet in ‘three deals’ for orchestra: Deal 1: Introduction – Pas d’action – Entry and Dance of the Joker
2. Jeu de cartes (Card Game), ballet in ‘three deals’ for orchestra: Deal 2: Introduction – March of the Hearts and Spades – Variations
3. Jeu de cartes (Card Game), ballet in ‘three deals’ for orchestra: Deal 3: Introduction – Waltz – Battle of the Spades and Hearts – Finale

4. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Pas de quatre
5. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Double pas de quatre
6. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Triple pas de quatre
7. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Prelude
8. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: First Pas de trois: Sarabande – step –
9. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: First Pas de trois: Gaillarde –
10. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: First Pas de trois: Coda
11. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Interlude
12. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Second Pas de trois: Bransle Simple –
13. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Second Pas de trois: Bransle Gay –
14. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Second Pas de trois: Bransle Double
15. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Interlude
16. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Pas de deux
17. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Coda
18. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Four Duos
19. Agon, ballet for 12 dancers & orchestra: Four Trios

20. Orpheus, ballet in 3 scenes for orchestra: Scene 1: Orpheus weeps for Eurydice – Air de danse – Dance of the Angel of Death – Interlude
21. Orpheus, ballet in 3 scenes for orchestra: Scene 2: Pas des Furies – Air de danse – Interlude – Air de danse (conclusion) – Pas d’act
22. Orpheus, ballet in 3 scenes for orchestra: Scene 3: Apotheosis of Orpheus

BBC Scottish Orchestra
Ilan Volkov

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Stravinsky jogando cartas, ora. Não tem 'Jeu de Cartes' neste CD?

Stravinsky jogando cartas, ora. Não tem ‘Jeu de Cartes’ neste CD?

PQP

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Coral Ford/Willys • Pe. José Maurício Nunes Garcia: Laudate Pueri + Te Deum

Coral Ford/Willys
Integrantes da Orquestra de Câmara de S. Paulo
e do Teatro Municipal de S. Paulo
1969

Repostagem para inserir novas digitalizações e disponibilizar um link para arquivo flac.

Um faxineiro cantar num coral? Um ferramenteiro entende de máquinas; e de música, ele entende alguma coisa?

Muita gente acha que música é privilégio. Mas, nós não vemos as coisas assim.

Hoje, trabalho com quarenta cantores, no Coral Ford/Willys, vindo de todas as partes funcionais da empresa. São ajudantes, desenhistas, faxineiros, torneiros, advogados, operadores de máquinas, ferramenteiros, engenheiros, mecânicos, eletricistas, supervisores, gerentes, tapeceiros, auxiliares de escritório, secretárias. Tudo formando uma unidade só, musicalmente…. Ao todo já fizemos centos e dez apresentações públicas …
(Geraldo Menucci, diretor artístico, 1969)

Coral Ford/Willys
Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830, Rio de Janeiro, RJ)
1. Laudate pueri 1. Alegro maestoso
2. Laudate Pueri 2. Andante. Allegro giusto
3. Laudate pueri 3. Allegro maestoso
4. Te Deum 1. Maestoso
5. Te Deum 2. Larghetto
6. Te Deum 3. Allegro moderato. Più allegro

Coral Ford/Willys – 1969
Coral Ford/Willys & Integrantes das Orquestras de Câmara de S. Paulo e do Teatro Municipal de S. Paulo
LP de 1969 digitalizado pelo Avicenna, sendo que a última faixa estava muito judiada.

acervoBAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | 297,6 MB |

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MP3 | 320 kbps | 84,7 MB

powered by iTunes 12.3.3 | 24,8 min

Conheça o site do Pe. José Maurício AQUI

Boa audição.

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Avicenna

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