Marlui Miranda (1949) – IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Em agosto de 2009 o colega Marcelo Stravinsky postou aqui o CD “IHU 2”, ou “Kewere”, a missa com coro e orquestra, baseado em cantos e em textos indígenas, que Marlui Miranda lançou em 1997.

Há algumas semanas o Monge Ranulfus teve a oportunidade de apreciar ao vivo uma realização dessa missa com a própria Marlui e o coro e orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba. Isso trouxe novamente à tona seu entusiasmo, jamais arrefecido, pelo trabalho de pesquisa e de criação dessa cearense. Quer lhe parecer que tal trabalho é o primeiro que se defronta com o material musical ameríndio não como matéria prima para uma criação musical ocidental, mas, ao contrário, coloca as técnicas ocidentais de épocas e estilos os mais diversos a serviço da própria expressão ameríndia – como quem apenas lhe realçasse os traços e evidenciasse possibilidades, sem jamais afastá-lo de sua natureza-de-alma mais própria.

Tratar-se-ia, portanto, de um ato de imensa significação histórica, pois nunca antes, em 500 anos, o olhar, ouvido e alma europeus teriam alcançado um nível de respeito e abertura tão elevados diante da expressão indígena – resultando não em mais um produto ocidental feito com matéria-prima expropriada, e sim, pelo contrário, em um sutilíssimo ato de penitência pelos imensos crimes de lesa-humanidade com que a expansão europeia se efetivou.

Enfim: brotou desse momento a vontade de compartilhar aqui o primeiro disco da série Ihu, dois anos anterior à missa, o qual não recorre ao coro e orquestra “eruditos” mas também alcança um nível extraordinário de realização musical (veja-se pelas entusiásticas resenhas deixadas no site da Amazon que foram incluídas na postagem em arquivo de texto).

E, para lhe fazer companhia, por que não repostar também a missa? Tenho tanta certeza de que o Strava não se oporá que deixei para pedir licença aqui, em pleno ar…

Uma última coisa: Marlui Miranda disse uma vez que pretendia realizar uma série de seis discos com material indígena, cada um explorando um diferente campo de linguagem. Não sei que dificuldades terá encontrado, pois parece parou nestes dois. Ainda assim que ninguém se atreveria a dizer que a realização foi pouca, não é mesmo?

Marlui Miranda (1949)
Ihu : Todos os Sons (1995)

1. Tchori Tchori (Índios Jaboti de Rondônia)
2. Pamé Daworo (Índios Jaboti de Rondônia)
3. Tche Nane (Índios Jaboti de Rondônia)
4. Ñaumu (Índios Yanomami de Roraima)
5. Awina – Ijain Je E’ (Índios Pakaa Nova de Rondônia)
6. Araruna (Índios Parakanã do Pará)
7. Mena Barsáa (Índios Tukano do Amazonas)
8. Bep (Índios Kayapó do Pará)
9. Festa Da Flauta (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)
10. Yny Maj Hyrynh (Índios Karitiana de Rondônia / José Pereira Karitiana)
11. Hirigo (Índios Tupari de Rondônia)
12. Wine Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
13. Mekô Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
14. Ju Parana (Índios Juruna do Mato Grosso do Norte)
15. Kworo Kango (Índios Kayapó do Pará)
16. Mito (narração) – Mitumji Iarén (Índios Suyá do Mato Grosso do Norte)
17. Quinze Variações de Hai Nai Hai (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)

NOVO LINK COM ARQUIVO MELHORADO
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Ranulfus

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Dario Castello (1590–1630) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno

Os italianos e o violino, o violino e os italianos. Castello e Fontana foram compositores do barroco inicial italiano. Sabe-se pouco sobre Castello. Suas datas de nascimento e morte são aproximações. Pensa-se que ele possa ter morrido durante a grande praga de 1630, pois não publicou nenhuma música nova após esta data. Já Fontana morreu certamente em Padova durante a mesma praga. John Holloway é um mestre do barroco e interpreta essas obras com o habitual senso de estilo. As obras são solos de violino bem acompanhados pelo cravo e, às vezes, também pelo fagote. Mas é um disco de violino, violino e mais violino. Vale a pena conferir.

Dario Castello (1621-1658) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno

1 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Settima 5:13
2 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Prima 4:40
3 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Ottava 4:54

4 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Seconda 6:12
5 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Nona 5:56
6 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Terza 4:35
7 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Decima 6:12
8 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Quinta 5:09
9 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Duodecima 5:30
10 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Sesta 6:06

11 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Settima 6:13
12 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Seconda 4:49
13 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Ottava 4:46

John Holloway, violino
Lars Ulrik Mortensen, cravo
Jane Gower, fagote

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Orazio Gentileschi (1563-1639), Jovem mulher tocando violino

Orazio Gentileschi (1563-1639), Jovem mulher tocando violino

PQP

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Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ah, os países periféricos da Europa!. De lá saem verdadeiros monstros! Os 6 Quartetos de Cordas do húngaro Béla Bartók estão no centro e talvez sejam a melhor música composta no século XX. É um lugar comum comparar os quartetos de Bartók com últimos quartetos de Beethoven. O fato é que, como as obras do alemão, são peças muito complexas, profundas e recheadas de inovações. O Jerusalem Quartet escolheu os quartetos pares (n° 2, de 1917; n° 4, de 1928; e n° 6, de – 1939). Todos quartetos são notáveis, mas o Quarto e o Quinto… O Quarto é uma obra que guarda parentesco com os dois primeiros concertos para piano e orquestra e Cantata Profana. Todos eles compartilham boa dose de agressividade. Este quarteto tem cinco movimentos simétricos no esquema rápido-scherzo-lento-scherzo-rápido. Ambos os scherzos apresentam novidades de execução. O primeiro é todo tocado com surdinas nos instrumentos e o segundo é inteiramente em pizzicato. Não é música mais divertida do mundo, evite ouvir sem atenção. Bartók nos puxa para zonas intensas e de conflito. É só se abrir que a coisa funciona e você jamais esquecerá desta grande música.

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

String Quartet no. 2 op. 17 Sz.67 in A minor
1 Moderato 10:04
2 Allegro molto capriccioso 8:01
3 Lento 8:22

String Quartet no. 4 Sz. 91 in C major
4 Allegro 6:06
5 Prestissimo, con sordino 3:10
6 Non troppo lento 5:58
7 Allegretto pizzicato 2:48
8 Allegro molto 5:51

String Quartet no. 6 Sz. 114 in D major
9 Mesto – Più mosso, pesente – Vivace 7:29
10 Mesto – Marcia 7:38
11 Mesto – Burletta. Moderato 7:08
12 Mesto 6:09

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Bartók num piquenique de merda na Turquia.

Bartók num piquenique de merda na Turquia.

PQP

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Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas

Nestes dias em que as comportas da música erudita foram abertas e jorra música por todos os lados é preciso se disciplinar. Tenho música para ouvir pelos próximos 20 anos. E acredito que esta não seja apenas a minha condição. Há outros com este mesmo “problema”. Geralmente posto aquilo que ouço. Isso me disciplina a ouvir aquilo que está em minhas mãos. Se assim não proceder, o prejuízo torna-se imenso. Foi assim que eu procedi para postar este CD com o compositor tcheco Leoš Janáček, patrício de Dvorak. A música de Janáček está repleta de um forte tom folclórico. Janáček pertence a uma geração de compositores que procuraram um maior realismo e uma maior conexão com a vida cotidiana, combinada com uma utilização mais abrangente de recursos musicais. Neste magnífico CD temos a Sinfonieta para Orquestra e Prelúdios de suas principais óperas. A Sinfonieta em particular foi feita em homenagem às Forças Armadas da Checoslováquia. Após ouvir uma banda de metais, Janáček encontrou uma tema motivador para compor a peça. Segundo Janáček, a obra enfatizava “o homem livre contemporâneo, a beleza, alegria, determinação e força para lutar pela vitória”. Uma boa apreciação desse importante material!

Leoš Janáček (1854-1928) – Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas

Sinfonietta for Orchestra
01. I. Allegretto-Allegro-Maestoso
02. II. Andante-Allegretto-Maestoso
03. III. Moderato-con moto-Tempo primo-Prestissimo-Moderato
04. IV. Allegretto
05. V. Andante con moto-Maestoso-Allegretto-Allegro-Maestoso-Adagio

Prelude to The Makropulos Affair
06. Prelude to The Makropulos Affair

Prelude to Katya Kabanova
07. Prelude to Katya Kabanova

Prelude to The House of the Dead
08. Prelude to The House of the Dead

Prelude to Jealousy (Jenufa)
09. Prelude to Jealousy (Jenufa)

The Pro Arte Orchestra
Charles Mackerras, regente

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Leos Janacek

Leoš, poderia pentear o cabelo antes de tomar café?

Carlinus

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Marlui Miranda (1949): IHU 2 : Kewere = Rezar (Missa Indígena)

Inspirado pela postagem da Misa Criolla pelo amigo Avicenna, apresento-lhes a Missa Indígena Kewere da pesquisadora, compositora e cantora indigenista Marlui Miranda.

Tive a oportunidade de apreciar a Missa Kewere em julho de 1997, numa transmissão ao vivo da TV Cultura , direto da Catedral da Sé de São Paulo, em comemoração ao IV Centenário de Morte de José de Anchieta. A Catedral estava completamente tomada pelo povo, com a presença de representantes das nações indígenas, do Governador do Estado, do Presidente da República e do Cardeal Arns. Fiquei apaixonado logo de cara pelas melodias e pela linguagem indígena.

Para falar sobre  a obra, nada melhor que as palavras da própria compositora cearense, em texto extraído do encarte do cd.

Muitas missas étnicas foram compostas, tais como a “Missa Creolla”, a “Missa da Terra Sem Males”, “Missa Yoruba”. A Missa Kewere assume os ingredientes culturais dos índios amazônicos brasileiros, distantes de uma tradição musical erudita.

Em Kewere, a idéia central é a contraposição de crenças: de um lado, cantos de pajés; de outro, versos cristãos de José de Anchieta e textos da liturgia acomodados dentro da mesma trama composicional. Os cantos indígenas selecionados são de natureza solene, lírica, portanto dignificam e são adequados para serem interpretados por orquestra sinfônica e grande coro sinfônico. Assim, a escolha desta formação pareceu-me pertinente à ideia da catequese, da conversão dos índios a uma religião européia. A língua tupi ancestral unifica a composição como um todo.

Ao mesmo tempo que o “oratório” nos distancia das origens deles, nos aproxima misteriosamente, porque uma parte da interpretação vocal é feita de maneira étnica, evocando personagens indígenas, vozes esquecidas no passado da catequese. Assim, no Kyerie, a índia canta à sua maneira, misturando duas crenças: “Kyrie Eleyson… Tupã oré r-ausubar iepé… Tupã Eleyson…”, enquanto, paralelamente, acontece um canto “gregoriano” e um canto de “nominação”, este último explicado como uma espécie de “batismo”, inspirado na tradição indígena.

Kewere é uma composição de equilíbrio delicado, em que procurei adequar o sentido poético dos Aruá, dos Tupari, dos Urubu-Kaapor. Estes cantos são tão leves e frágeis quanto os espíritos que os trouxeram através do mundo dos sonhos. É nesta estrutura leve que pousam os versos de José de Anchieta.

Marlui Miranda

.oOo.

01. Canto de Entrada
Música: Marlui Miranda
(adaptada dos cantos dos índios Aruá)
Texto: José de Anchieta
extraído de Dia da Assunção, quando levaram sua imagem a Reritiba, v.v. 45 séc.XVI
Arranjo: Nelson Ayres

2. Kyrie
Música: Marlui Miranda
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Marlui Miranda
Percussão: Paolo Vinaccia
Teclado: Bugge Wesseltoft

3. Glória
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Tupari
Texto: José de Anchieta
extraído de Pitãngi Porãgeté, v.v. 18 e 36 séc. XVI
Arranjo: Marlui Miranda

4. Aleluia: Aclamação do Evangelho
Música: Marlui Miranda
Texto: José de Anchieta
extraído de Tupána Kuápa, v.v. 39 séc. XVI
Arranjo: Marlui Miranda

5. Credo
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Texto: José de Anchieta
extraído de Em Deus, Meu Criador, v.v. 1, 8 e 29, séc. XVI
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft
Baixo Acústico: Rodolfo Stroeter
Percussão: Paolo Vinaccia

6. Ofertório
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Caíto Marcondes
Teclado: Bugge Wesseltoft

7. Pai Nosso
Música: Marlui Miranda
Texto extraído do Catecismo da Língua Brasílica séc. XVI
Arranjo: Mateus Hélio

8. Agnus Dei
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Texto: José de Anchieta
extraído de Pitãngi Porãgeté, v.v. 92-95 e de Polo Moleiro, v.v. 122-125
Arranjo: Nelson Ayres

9. Comunhão
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Texto: José de Anchieta
extraído de Santíssimo Sacramento, séc. XVI
Arranjo Coral: Marlui Miranda
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft
Baixo Acústico: Rodolfo Stroeter
Percussão: Paolo Vinaccia

10. Ação de Graças
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Marlui Miranda
Percussão: Paolo Vinaccia

11. Canto Final
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Texto: José de Anchieta
extraído de Dia da Assunção, quando levaram sua imagem a Reritiba, v.v. 90-98 séc.XVI
Arranjo: Ruriá Duprat
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft

Baixe as Letras e Traduções

Concepção e Composição de Marlui Miranda, adaptada da música dos índios, Aruá, Tupari e Urubu-Kaapor
Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo
Coral Sinfônico do Estado de São Paulo
Coral IHU
Regência: Maestro Aylton Escobar

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Strava

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.: interlúdio :. François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky

Música composta por François Couturier tendo por inspiração os filmes de Andrei Tarkovsky, seus atores favoritos e a forma como ele jogava com cor e som. Couturier é louco por Tarkovsky. Bem, eu também sou louco por Tarkovsky. O compositor reuniu um grupo pouco ortodoxo de músicos para o projeto. Anja Lechner, mais conhecida nos círculos clássicos, já demonstrou em Chants, Hymns and Dances (ECM, 2004) do que é capaz. O acordeonista Jean-Louis Matinier trabalha com Couturier no trio de Anouar Brahem. O saxofonista soprano Jean-Louis Marché é o novo nome aqui, embora tenha trabalhado com Couturier e Matinier no passado. A química do grupo inequivocamente funciona.

François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky

1 Le Sacrifice 8:59
2 Crépusculaire 13:20
3 Nostalghia 8:27
4 Solaris I
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
3:19
5 Miroir 3:21
6 Solaris II
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
2:47
7 Andreï 7:05
8 Ivan
Composed By – Couturier*, Larché*
6:14
9 Stalker 7:01
10 Le Temps Scellé 5:02
11 Toliu 8:24
12 L’Éternel Retour 3:46

Accordion – Jean-Louis Matinier
Piano – François Couturier
Soprano Saxophone – Jean-Marc Larché
Violoncello – Anja Lechner

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QUARTET-CONCERT-COULEUR-2

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Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano

As obras deste disco foram tardias. Fauré estava na casa dos 70 anos e estava já surdo. Mas não via sentido em viver sem compor, então, mesmo que não pudesse ouvir o resultado, seguia escrevendo. As Sonatas são mais ou menos, o Trio é melhor. Cada uma das peças tem três movimentos, cada por volta de 19 minutos. Nas sonatas para violoncelo, Poltera e Stott, excelentes instrumentistas, parecem concordar que o impulso melódico é levado pelo violoncelo, às vezes perturbado ou acentuado pelo piano. O violoncelo fala de tristeza e consolo, mas o efeito geral é sereno. A primeira sonata, escrita antes do final da Primeira Guerra Mundial, é um pouco mais agitada do que a segunda. O Trio é mais interessante — o terceiro instrumento, o violino, bem tocado por Priya Mitchell, aprofunda a textura e complica a escrita para torná-la mais interessante. O movimento lento é uma beleza e o final tem um verdadeiro “Vivo”. O disco também inclui uma bela performance do último Noturno de Fauré para piano solo.

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano

1. Cello Sonata No. 1, Op. 109, I. Allegro
2. Cello Sonata No. 1, Op. 109, II. Andante
3. Cello Sonata No. 1, Op. 109, III. Finale. Allegro Commodo

4. Cello Sonata No. 2, Op. 117, I. Allegro
5. Cello Sonata No. 2, Op. 117, II. Andante
6. Cello Sonata No. 2, Op. 117, III. Allegro Vivo

7. Nocturne N° 13 En Si Mineur, Op. 119

8. Piano Trio, Op. 120, I. Allegro Ma Non Troppo
9. Piano Trio, Op. 120, II. Andantino
10. Piano Trio, Op. 120, III. Allegro Vivo

Kathryn Stott: piano
Christian Poltéra: cello
Priya Mitchell: violin

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Ei, tá me ouvindo?

Ei, Gabi, tá me ouvindo?

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Tigran Mansurian (1939): Requiem

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco absolutamente notável. Tigran Mansurian criou seu Réquiem dedicado à memória das vítimas do genocídio armênio que ocorreu na Turquia de 1915 a 1917. Concilia o som e a sensibilidade das tradições do seu país com o texto do Réquiem latino numa composição contemporânea profundamente comovedora e iluminada. O trabalho é um marco para Mansurian, amplamente reconhecido como o maior compositor da Armênia. O Los Angeles Times descreveu sua música como aquela “em que a dor cultural profunda é acalmada através de uma beleza estranhamente tranquila, avassaladora.” 

Tigran Mansurian (1939): Requiem

1.REQUIEM AETERNAM 8:22
2.KYRIE 6:06
3.DIES IRAE 2:46
4.TUBA MIRUM 5:07
5.LACRIMOSA 5:51
6.DOMINE JESU CHRISTE 8:04
7.SANCTUS 5:22
8.AGNUS DEI 3:41

Anja Petersen Soprano
Andrew Redmond Baritone
RIAS Kammerchor
Münchener Kammerorchester
Alexander Liebreich

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Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de "inspiração" para Hitler.

Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de “inspiração” para Hitler.

PQP

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Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 / Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 / Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Masur

Masur

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Saber de onde saíram estas gravações juntadas a partir de mais de um CD? Tarefa impossível. Mas em verdade vos digo: são registros absolutamente entusiasmantes, sensacionais, estimulantes. O que faz Sergey Khachatryan, uma das preferências mais radicais deste que vos escreve, no Concerto de Sibelius? Putz, onde encontrar uma gravação melhor deste concerto? E para ser melhor ainda, é tudo AO VIVO. Olha, o Mendelssohn inicial e o Sibelius são para se ouvir de joelhos, o Tchai já está mais para a normalidade. Confiram e me digam se não tenho razão.

Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 /
Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 /
Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Felix Mendelssohn (1809-1847) – A Abertura “As Hébridas”, Op. 26
1. A Abertura “As Hébridas” em E menor, Op. 26

Jean Sibelius (1865 – 1957) – Concerto para violino, Op.47
2. Allegro moderato
3. Adagio di molto
4. Allegro, ma non tanto

Piotr Ilytch Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia No. 6, Op. 74 – “Patética”
5. Adagio – Allegro non troppo
6. Allegro con grazia
7. Allegro molto vivace
8. Finale — Adagio lamentoso

Sergey Khachatryan, violin
New York Philharmonic
Kurt Masur, conductor

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Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.

Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.

PQP

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Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Só de ver o título A Canção da Terra ou Das Lied von der Erde eu já fico feliz, mas alguma coisa não deu certo neste CD. A primeira surpresa é que o notável tenor Jonas Kaufmann canta todas as seis partes. Ora, esta obra é considerada uma espécie Sinfonia para tenor e contralto (ou mezzo ou barítono) e tradicionalmente duas vozes cantam os seis movimentos. As performances com um barítono ao invés de um mezzo ou contralto como segundo solista parecem ter se tornado mais comuns na última década, seguindo o exemplo criado há meio século por Dietrich Fischer-Dieskau (com James King, tenor), Thomas Hampson (com Peter Seiffert, tenor) e Christian Gerhaher (com Klaus Florian Vogt, tenor). As gravações citadas demonstraram quão eficaz uma segunda voz masculina pode ser nesta peça. Mas, embora a voz de Kaufmann seja regularmente descrita como tendo qualidades de barítono, ele não é um barítono, e há momentos em que parece estar lutando para reunir o suficiente peso para suportar a linha vocal. Foi uma experiência… que talvez não devesse ser registrada em disco, considerando-se que Kaufmann costuma ser espetacular.

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

1 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde 8:06
2 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst 9:57
3 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend 3:08
4 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit 6:56
5 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling 4:25
6 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied 28:33

Jonas Kaufmann, tenor
Wiener Philharmoniker
Jonathan Nott

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Jonas, veja bem...

Jonas, veja bem…

PQP

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Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

Belíssimo disco deste compositor recém retirado do limbo. Heinichen merece estar na segunda linha dos grandes compositores barrocos. Sua música está desfrutando de um rápido ressurgimento, com muitos de seus concertos e missas recebendo recitais e gravações. Seus Dresden Concerti, gravado pela Musica Antiqua Köln, já são um clássico da discografia erudita. Heinichen estudou Direito na Universidade de Leipzig, mas acabou mesmo dedicando-se à música, tanto que depois passou sete anos estudando em Veneza. Seu estilo, aliás, é muito italiano. Após Veneza, trabalhou em Dresden como Kapellmeister do Eleitor da Saxônia. Grande Heinichen!

Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

1. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Andante
2. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Vivace
3. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Adagio
4. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Allegro

5. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Affetuoso
6. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Allegro
7. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Adagio
8. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Vivace

9. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Grave
10. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro
11. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Larghetto e cantabile
12. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro

13. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Andante
14. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Vivace
15. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Adagio
16. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Allegro

17. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Vivace
18. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Largo
19. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Presto

20. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Largo
21. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro
22. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Lamentabile et appogiato
23. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro

24. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Andante
25. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Allegro
26. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Larghetto
27. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Vivace

Epoca Baroca

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Loose Company -- Dirck van Baburen

Loose Company — Dirck van Baburen

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J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

IM-PER-DÍ-VEL !!!! é pouco para esta criação e recreação de Glenn Gould. Talvez seja a mais radical experiência do pianista com seu amado Bach. Aqui, ele usa da mesma ousadia que utilizou com Mozart e Wagner e o resultado é estupendo. Conheci Gould através destas gravações onde ele canta enquanto toca e nas quais as partes lentas se arrastam e as rápidas voam. Glenn Gould obedeceu ao significado do termo “Toccata” de forma exemplar: afinal, a Toccata) é um gênero que enfatiza a destreza do intérprete. São composições para teclado nas quais uma das mãos e depois a outra realizam corridas virtuosísticas e brilhantes passagens em cascata contra uma acompanhamento de acordes na outra mão. A tocata barroca tem mais seções e aumentou de tamanho, intensidade e virtuosidade em relação à versão Renascentista, com frequência possui corridas rápidas e arpejos alternando com acordes ou seções de fuga. Algumas vezes falta a indicação regular de tempo e quase sempre tem um sentido de improvisação. Podem acreditar: Glenn Gould entendeu direitinho o espírito da coisa.

Indico fortemente este CD a todos os pequepianos.

J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccate BWV 910-916 (Glenn Gould 1963/79/80)

01.Toccata in re maggiore BWV 912 (14:01)
02.Toccata in fa diesis minore BWV 910 (11;43)
03.Toccata in re minore BWV 913 (17:08)

01.Toccata in do minore BWV 911 (11:13)
02.Toccata in sol minore BWV 915 ((8:44)
03.Toccata in sol maggiore BWV 916) (8:52)
04.Toccata in mi minore BWV 914 (8:39)

Glenn Gould, piano

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Gould + Bach: costuma dar certo

Gould + Bach: costuma dar certo

PQP

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

Bom CD, nada de excepcional. Culpa mais de Vivaldi do que de Wispelwey e turma. Tento explicar: o repertório de Concertos para Violoncelo do Padre Rosso não é lá essas coisas. Tal opinião não inclui as notáveis 6 Sonatas para Violoncelo, claro. Já o Florilegium — chefiado pela grande Rachel Podger — e o violoncelista são sensacionais. Então, fica aquela coisa dos executantes tentarem melhorar desesperadamente uma música apenas razoável. Virou um disco de gatinhos, concertos completos entremeados de melhores lances. Porém, quem gosta demais do barroco ouvirá este CD com deleite. Recomendo com reservas.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

01 Larghetto in d minor, from F Major violin concerto RV 295

02 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421
03 Concerto in a minor, Siciliano, from RV 415 (orig. G Major)
04 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421

05 Largo in F Major, from violin concerto RV 190 (orig. C Major)

06 Concerto in F Major, Allegro, from RV 410
07 Concerto in F Major, Largo, from RV 407 (orig g minor)
08 Concerto in F Major, Allegro molto, from RV 411

09 Adagio in C Major, from concerto for strings RV 109

10 Allegro Vivace in D Major, from RV 404 (3rd movement)

11 Largo in D Major, from violin concerto RV 226

12 Concerto in b minor RV 424; I. Allegro non molto
13 Concerto in b minor RV 424; II. Largo
14 Concerto in b minor RV 424; III. Allegro

15 Largo in C Major, from violin concerto RV 383 (orig. B flat Major)

16 Concerto for Cello in G major, RV 413; I. Allegro
17 Concerto for Cello in G major, RV 413; II. Largo
18 Concerto for Cello in G major, RV 413; III. Allegro

19 Largo in G Major, from violin concerto RV 341 (orig, A Major) (violoncello picollo)

20 Concerto in a minor RV 422 (single strings); I. Allegro non troppo
21 Concerto in a minor RV 422 (single strings); II. Largo
22 Concerto in a minor RV 422 (single strings); III. Allegro

23 Alla Breve in G Major, from violoncello concerto RV 415 ( 3rd Movement) (violoncello picollo)

Pieter Wispelwey, violoncello
Florilegium

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Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca

Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca

PQP

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.: interlúdio :. Chick Corea — Children`s Songs

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As famosas Children`s Songs, de Chick Corea, foram originalmente lançadas em 1984, no vinil cuja capa colocamos ao lado. Corea diz que Béla Bartók foi uma de suas maiores influências e, pô, está na cara. Suas Canções Infantis são breves e tranquilas. São também líricas e de estrutura nem tão simples assim (imagina se a 11ª pode ser chamada de simples?!). Elas são uma espécie de versão de Corea para os Mikrokosmos de Bartók. Ele apredeu piano com eles. As 153 pequenas peças de Bartók foram escritas como um crescente desafio para jovens estudantes de piano. Já as 20 de Corea são miniaturas altamente melódicas que refletem um certo ar brincalhão — em alguns casos, naïve. É aquele tipo de música enganadora: parece simples, mas sofre terrivelmente na mão de pianistas fracos. Não é o caso do grande virtuose Chick Corea.

Chick Corea — Children`s Songs

1 No. 1 1:47
2 No. 2 0:53
3 No. 3 1:23
4 No. 4 2:14
5 No. 5 1:07
6 No. 6 2:38
7 No. 7 1:37
8 No. 8 1:39
9 No. 9 1:11
10 No. 10 1:29
11 No. 11 0:38
12 No. 12 2:33
13 No. 13 1:21
14 No. 14 1:58
15 No. 15 1:08
16 No. 16 + 17 1:55
17 No. 18 1:47
18 No. 19 2:26
19 No. 20 1:20
20 Addendum

Piano – Chick Corea
Cello – Fred Sherry (no Addendum)
Violin – Ida Kavafian (no Addendum)

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Piano 1

PQP

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Jean Sibelius (1865-1957): Symphony No. 4 in A minor, Op. 63 e Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82

Essa versão das sinfonias de Sibelius com Leonard Bernstein é a melhor que já ouvi. Impressiona. Ouvi-las (as sinfonias) é uma experiência de grande contemplação e deleite. As sete são poemas de apreço à natureza. Ouvir Sibelius me traz à memória as palavras de Alberto Caeiro e os seu Guardador de Rebanhos: Toda paz da natureza sem gente/ Vem sentar-se ao meu lado./ Mas eu fico triste como um pôr-de-sol/ Para a nossa imaginação, / Quando esfria no fundo da planície/ E se sente a noite entrada/ Como uma borboleta pela janela. O finlandês Jean Sibelius viveu na pequena Ainola em contato com a natureza. Essa relação pode ser percebida em seus trabalhos. As duas sinfonias que aparecem neste post, por sua vez, revelam dois aspectos diferenciados. A de número 4 é soturna, repleta de uma temática circular, que sempre remete ao mesmo espaço, ao mesmo lugar. É uma trabalho que revela angústia e impressões noturnas. Acredito que seja a sinfonia mais sombria de Sibelius. Já Sinfonia número 5 é cristalina, repleta de inclinações contemplativas. Os acordes iniciais nos remete a outra frase de Caeiro: “Sejamos simples e calmos, / Como os regatos e as árvores…”. Bom deleite!

Jean Sibelius (1865-1857) – Symphony No. 4 in A minor, Op. 63 e Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82

Symphony No. 4 in A minor, Op. 63
01. Tempo molto moderato, quasi adagio
02. Allegro moto vivace
03. Il tempo largo
04. Allegro

Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82
05. Tempo molto moderato – Largamente
06. Allegro moderato – Presto
07. Andante mosso, quasi allegretto
08. Allegro molto – Un pochettino largamente – Largamente assai

New York Philharmonic
Leonard Bernstein, regente

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Ainola, a casa onde viveu Sibelius

Ainola, a casa onde viveu Sibelius

Carlinus

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando de autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastora, contendo um enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado trompa em solo. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O subtítulo deste disco — Under Stalin`s Shadow — é totalmente justificado. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

A gravação de Andris Nelsons é bastante boa, mas nada como um russo para colocar tudo no lugar certinho.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

1. Passacaglia de Laydi Macbeth

Sinfonia Nº 10
2. 1. Moderato
3. 2. Allegro
4. 3. Allegretto
5. 4. Andante Allegro

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Obrigações da guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin

Obrigações de guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin

PQP

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Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores

Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Acho que é notório que eu, Marcelo Stravinsky, adoro arranjos orquestrais de peças pianísticas e vice-versa. Gosto muito, também, de suítes para balé, e aproveitando a deixa do Carlinus, em reviver Schumann , quero compartilhar uma peça que buscava há um certo tempo. Carnaval, Op. 9, é uma série de 22 pequenas peças para piano, baseada nas personagens da Commedia dell’arte.  Escrita no período de 1834 a 1835, foi dedicada ao violinista Karol Lipiński. É subtitulada Scènes mignonnes sur quatre notes (Pequenas cenas em quatro notas).

***

Carnaval, Op. 9

Em cada seção de Carnaval, aparecem uma ou ambas das duas Séries de notas musicais. São elas:
* Lá, Mi bemol, Dó, Si (A-E♭-C-B); em alemão são escritas como A-Es-C-H
* Lá bemol, Dó, Si; em alemão (A♭-C-B): As-C-H.

Essas duas Séries na verdade soletram o que, em alemão, é o nome da cidade onde a namorada de Schumman, Ernestine von Fricken, nasceu (Asch, que agora é Aš, pertencente à República Checa). São também as letras musicais de seu próprio nome: Schumann’.

Em Carnaval, Schumann vai musicalmente além de Papillons, para quem ele mesmo concebeu a história de que era uma ilustração musical. Carnaval permanece famosa por suas passagens resplandecentes de cordas e por seu deslocamento rítmico.

Dentre os vários que orquestraram Carnaval, temos Ravel, que fez arranjos de apenas algumas partes. A versão aqui apresentada, tem orquestrações de Alexander Glazunov, Nikolai Rimsky-Korsakov, Anatoly Lyadov e Alexander Tcherepnin, por encomenda dos Balés Russos, na pessoa de Sergei Diaghilev.

Fonte: Wikipédia

Uma ótima audição!

.oOo.

Ernest Ansermet – Original Masters Vol. 3

Delibes, from Copélia
01. Tableau 1 – Prélude – Mazurka 05:37

Delibes, from Sylvia
02. Suite – 1. Prélude – Les Chasseresses 05:10

Franck, Le Chasseur Maudit
03. Symphonic Poem 14:39

Chabrier, Joyeuse Marche
04. 03:58

Chabrier, from Le Roi Malgré Lui
05.  Danse slave 05:04

Faure, from Pénélope
06. Prélude 07:55

Schumann, Carnaval, Op. 9 (orchestral version)
07. Préambule 02:33
08. Pierrot 01:17
09. Arlequin 01:09
10. Valse noble 01:37
11. Eusebius 01:27
12. Florestan 00:59
13. Coquette 01:36
14. Papillons 00:59
15. A.S.C.H. – S.C.H.A. 00:52
16. Chiarina 00:56
17. Chopin 01:47
18. Estrella 00:33
19. Reconnaissance 01:33
20. Pantalon et Colombine 01:05
21. Valse Allemande 00:56
22. Paganini 01:26
23. Aveu 01:00
24. Promenade 01:33
25. Pause 00:26
26. Marche des “Davidsbünler” contre les Philistins 02:53

Suisse Romande Orchestra, Ernest Ansermet

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Ernest Ansermet em pose clichê.

Ernest Ansermet em pose clichê.

Marcelo Stravinsky

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Béla Bartók (1881-1945): Sonata for Solo Violin / Leoš Janáček (1854-1928): Violin Sonata / Claude Debussy (1862-1918): Violin Sonata / Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Sonata Nros 1 e 2 / Igor Fyodorovich Stravinsky (1882-1971): Divertimento

cover

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Viktoria Mullova é um das preferências absolutas deste filho de Bach. Mas a sonoridade desta moscovita é coisa de louco.

A peça de Bartók é uma peça de Bartók, isto, é, é esplêndida e o mantém entre os 3 maiores Bs da música erudita, os quais permanecem como os maiores mesmo quando se usa todas as outras letras do alfabeto. Quem são os três? Ora, Bach, Brahms, Beethoven e Bartók.

A peça de Janáček é igualmente sensacional. Música bem eslava, sanguínea e cheia de surpresas e belas melodias, combinando perfeitamente com Bartók.

Depois a gente brocha. Debussy… Debussy… Debbie…, o que dizer? Claude, apesar do tremendo esforço que fez para movimentar-se no primeiro movimento, é um gordo. Portanto, é meio estático. Para piorar, é também extático. Bem, hoje faz um lindo dia e dizem que é o Dia do Beijo, o que significa que eu deveria ir para a rua ver o que consigo. (Mas, olha, foi das melhores coisas que já ouvi do gordo Debbie).

Prokofiev! Ah, Serguei é outro papo. Já de cara ele mostra quão fodão é naquele tranquilo Andante assai e no furioso Allegro brusco que o segue. Sem dúvida, é um cara que valoriza o contraste… Nós também detestamos o total flat, a gente gosta tanto dos mares piscininha quanto das descidas vertiginosas; afinal, os acidentes geográficos é o que faz a beleza da paisagem, né? As duas Sonatas de Prokofiev são notáveis.

Stravinsky… Sei que meus pares aqui no blog são admiradores do anão russo e adoro provocar, só que não dá, o cara é bão demais, raramente erra. Será que o gordo Debbie escreveu alguma coisa chamada “Divertimento”? Ele se divertia com o quê?

Bartók: Sonata for Solo Violin / Janáček: Violin Sonata / Debussy: Violin Sonata / Prokofiev: Violin Sonata Nros 1 e 2 / Stravinsky: Divertimento

CD 1
1. Bartok Sonata for Solo Violin – I. Tempo di ciaccona
2. Bartok Sonata for Solo Violin – II. Fuga. Risoluto, non troppo vivo
3. Bartok Sonata for Solo Violin – III. Melodia. Adagio
4. Bartok Sonata for Solo Violin – IV. Presto agitato

5. Janacek Violin Sonata – I. Con moto
6. Janacek Violin Sonata – II. Ballada. Con moto
7. Janacek Violin Sonata – III. Allegretto
8. Janacek Violin Sonata – IV. Adagio

9. Debussy Violin Sonata – I. Allegro vivo
10. Debussy Violin Sonata – II. Intermede. Fantasque et leger
11. Debussy Violin Sonata – III. Finale. Tres animé

CD 2
1. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – I. Andante assai
2. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – II. Allegro brusco
3. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – III. Andante
4. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – IV. Allegrissimo

5. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – I. Moderato
6. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – II. Scherzo. Presto
7. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – III. Andante
8. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – IV. Allegro con brio

9. Stravinsky Divertimento – I. Sinfonia
10. Stravinsky Divertimento – II. Danses suisses
11. Stravinsky Divertimento – III. Scherzo
12. Stravinsky Divertimento – IV. Pas de deux. Adagio – Variations – Coda

Viktoria Mullova: violin
Piotr Anderszewski: piano
Bruno Canino: piano

Recording:
June 1987, Utrecht (Bartók)
April 1989, London (Prokofiev No.2, Stravinsky)
July 1994, Forde Abbey, Chard, England (Janácek, Debussy, Prokofiev No.1)

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Mullova quando jovem: sei de vários que enlouqueceram.

Mullova quando jovem: sei de vários que enlouqueceram.

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Samuel Osborne Barber II (1910-1981) – Violin Concerto / Erich Wolfgang Korngold (1897) – Violin Concerto, Much Ado About Nothing – Shaham, Previn, LSO

coverA dupla Shaham / Previn se reúne novamente neste CD, desta vez para um repertório mais ‘caseiro’, digamos assim.

O belíssimo concerto de Samuel Barber está impecável, mostrando um Shaham mais emotivo e sensível, enquanto Previn e a fantástica Sinfônica de Londres o acompanham também com muita delicadeza. Ouçam o segundo movimento e vocês irão entender do que estou falando.

A peça de Korngold, que, apesar de austríaco naturalizou-se norte americano, é baseada peça homônima de Shakespeare. Desconheço maiores detalhes a respeito da peça. O compositor ficou famoso pelas trilhas sonoras de filmes holywoodianos, e foi em Hollywood que veio a falecer, em 1957.

Samuel Osborne Barber II (1910-1981) – Violin Concerto / Erich Wolfgang Korngold (1897) – Violin Concerto, Much Ado About Nothing – Shaham, Previn, LSO

1 – Concerto for Violin & Orchestra, Op.14 I. Allegro
2 – Concerto for Violin & Orchestra, Op.14 II. Andante
3 – Concerto for Violin & Orchestra, Op.14 III. Presto in moto perpetuo

4 – Violin Concerto in D major, op. 35 I. Moderato nobile
5 – Violin Concerto in D major, op. 35 II. Romance Andante
6 – Violin Concerto in D major, op. 35 III. Finale Allegro assai vivace

7 – Much Ado about Nothing, op. 11 II. The Maiden in the Bridal Chamber Lento – Molto moderato, with charm and grace
8 – Much Ado about Nothing, op. 11 III. Dogbery and Verges. March of the Watch In the tempo of a grotesque funeral march
9 – Much Ado about Nothing, op. 11 IV. Scene in the Garden Molto espressivo (broad, but not too slow)
10 – Much Ado about Nothing, op. 11 V. Masquerade Hornpipe Animato

Gil Shaham – Violin
London Symphony Orchestra
Andre Previn – Conductor

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FDP

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): String Quartets Nos. 4, 11 & 14

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tive a sorte de, há dois anos, ver o Hagen Quartett no Southbank Center de Londres. Foi um grande concerto dedicado a Brahms e Bartók. Eles são excelentes mesmo. Aqui, eles dão um show em três quartetos de Shostakovich. E mais não escrevo porque estou atrasado. Só garanto: baita CD!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): String Quartets Nos. 4, 11 & 14

01. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 1. Allegretto
02. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 2 – Andantino
03. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 3 – Allegretto – attacca
04. Quartett No.4 D-dur op. 83 – 4 – Allegretto

05. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 1. Introduktion. Andantino – attacca
06. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 2 – Scherzo. Allegretto – attacca
07. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 3 – Rezitativ. Adagio – attacca
08. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 4 – Etüde. Allegro – attacca
09. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 5 – Humoreske. Allegro – attacca
10. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 6 – Elegie. Adagio – attacca
11. Quartett No.11 f-moll op. 122 – 7 – Finale. Moderato

12. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 1. Allegretto
13. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 2 – Adagio – attacca
14. Quartett No.14 Fis-dur op. 142 – 3 – Allegretto

Hagen Quartett

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PQP tem saudades de vocês!

PQP tem saudades de vocês!

PQP

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