A Família das Cordas: Henry Purcell (1659-1695) – Fantasias for the Viols – Jordi Savall

81B3lfZG1YL._SL1274_Para encerrar essa série dos arcos, nada melhor que compartilhar com vocês algumas das mais maravilhosas obras já dedicadas a esses instrumentos: as Fantasias para violas compostas por Henry Purcell. Reunidas num consort – conjunto de instrumentos de mesmo feitio e tamanhos variados, que vai de soprano a viola da gamba baixo – as violas do Hespèrion XX fazem cintilar as ricas texturas sonoras compostas pelo gênio de 21 anos que, ninguém discute mais, foi o maior compositor já parido pelas ilhas inglesas. Na regência, só para arredondar, está o MIDAS Jordi Savall, que assegura a esta gravação o tão típico rótulo pequepiano que eu nunca antes usara e que agora estreio a plenos brônquios:

IM – PER- DÍ – VEL!!!

Henry PURCELL (1659-1695)

FANTASIAS FOR THE VIOLS (1680)
HESPÈRION XX – JORDI SAVALL

01 – Fantasia sobre uma nota

Fantasias em três partes
02 – Fantasia I
03 – Fantasia II
04 – Fantasia III

Fantasias em quatro partes
05 – Fantasia IV
06 – Fantasia V
07 – Fantasia VI

08 – In Nomine em seis partes

Fantasias em quatro partes
09 – Fantasia VII
10 – Fantasia VIII
11 – Fantasia IX

Fantasias em três partes
12 – Fantasia X
13 – Fantasia XI
14 – Fantasia XII

15 – In Nomine em sete partes

HESPÈRION XX

Jordi Savall, viola soprano e regência
Wieland Kuijken, viola baixo
Sophie Watillon, viola contralto
Eunice Brandão e Sergi Casademunt, violas tenores
Marianne Müller e Philippe Pierlot, violas baixo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba - a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem. Johannes Vermeer van Delft, "A Lição de Música" (1692-1695).
Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba – a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem.
Johannes Vermeer van Delft, “A Lição de Música” (1692-1695).

Vassily Genrikhovich

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Este elogiado disco não me entusiasmou muito. Há partes que parecem rock progressivo. Rock progressivo pior do que o que os caras faziam nos anos 70. Quem salva a coisa é o acordeon de Kimmo Pohjonen e o Kronos, sempre oportuno e com grande musicalidade. Mas, OK. Deixemos os meninos se divertirem. Bem, quem está aqui? Está o sensacional Kronos Quartet juntamente com o duo finlandês formado pelo acordeonista Kimmo Pohjonen e o guru do sampler Samuli Kosminen. Tudo produzido pelo islandês Valgeir Sigurosson, conhecido por sua colaboração com Bjork. Uniko foi encomendado pelo Kronos em 2003 e estreou no Festival de Helsinque em 2004. Em seguida, atraiu plateias lotadas em Moscou, Molde (Noruega) e Nova York. O acordeon de Pohjonen é eletrificado e Kosminen reproduz o acordeon de seu colega finlandês e o Kronos, além de outros sons. Os samplers, juntamente com as cordas e acordeão elétrico, criam efeitos e um mundo sonoro pelo qual não me interessei muito.

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

1 I. Utu 6:58
2 II. Plasma 6:16
3 III. Särmä 5:34
4 IV. Kalma 11:01
5 V. Kamala 5:38
6 VI. Emo 10:20
7 VII. Avara 6:01

Accordion, Voice – Kimmo Pohjonen
Arranged By [Strings] – Samuli Kosminen
Cello – Jeffrey Zeigler
Composed By, Arranged By – Kimmo Pohjonen, Samuli Kosminen
Electronics [Strings & Accordion Samples], Programmed By – Samuli Kosminen
Performer – Kronos Quartet
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Uniko: Kronos Quartet, Kimmo Pohjonen & Samuli Kosminen

PQP

A Família das Cordas: Playing for the World – The New Violin Family

newviolinfamilyPois a história de Grigoriy Sedukh e seus violinos miúdos não parou em sua gravação que apresentamos ontem: esses instrumentos são apenas três duma série de oito, concebidos e confeccionados pela luthier Carleen Hutchins para reproduzir, em diferentes tamanhos, as qualidades sônicas do violino.

A luthier buscava criar um conjunto de instrumentos, ao estilo dos consorts de violas do século XVII, que tivessem características sonoras homogêneas, baseadas no violino. Seu trabalho, que envolveu colaboração com físicos, resultou num octeto de instrumentos que vão do sopranino ao contrabaixo, mas que são, essencialmente, violinos.

octet horizontal

Um desses instrumentos, o violino contralto, foi usado por Yo Yo Ma para tocar o Concerto para viola de Bartók, com recepção mista. Alguns saudaram o som como “revelador”, mas muita gente estranhou. A riqueza de timbre da viola se perde em prol de mais brilho e projeção, que é… bem, justamente aquilo que a gente não espera de uma viola.

Não obstante, várias instituições dedicam-se à divulgação do legado de Hutchins, alguns com devoção quase religiosa a sua figura, e comissionando novas composições para o peculiar conjunto instrumental.

Sério: olhem o T A M A N H O do violino contrabaixo!!!
Sério: olhem o T A M A N H O do violino contrabaixo!!!

Nesse álbum, gravado no que parece ser um congresso da The New Violin Family Association, várias peças de exibição são tocadas nos diversos instrumentos do octeto. A qualidade um tanto precária da gravação deixa para a nossa imaginação muito do tão apregoado brilho desses novos instrumentos, mas ouvir a Fantasia de Vaughan Williams tocada por eles, numa massa sonora mais homogênea que uma orquestra de cordas moderna, faz pensar que o sonho de Hutchins pode ter virado realidade.

Mais sobre a The New Violin Family Association em seu sítio na grande rede.

THE NEW VIOLIN FAMILY – PLAYING FOR THE WORLD

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
01 – Suíte no. 2 em Si menor, BWV 1067 – Badinerie

Jean-Marie LECLAIR (1703-1777)
02 – Sonata em Mi maior – Adagio

Johann Sebastian BACH
03 – Concerto em Ré menor para dois violinos e orquestra, BWV 1043 – Largo

Marin MARAIS (1656-1728)
04 – L’Agréable

05 – Improvisação de Stephen Nachmonavitch e Sera Smolen

Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
06 – Thaïs – Méditation

Diana GANNETT (1947)
07 – Simple Grace

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
08 – Evgenyi Onegin, Op. 24 – Ária de Lensky

Ottorino RESPIGHI (1879-1936)
09 – Danze ed Arie Antiche – Danza d’il Conte Orlando

George GERSHWIN (1898-1937)
10 – Porgy and Bess – Summertime

Ástor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)
11 – Libertango

Ralph VAUGHAN WILLIAMS (1872-1958)
12 – Fantasia em vinte e três partes sobre um tema de Tallis

Albert Consort
Hutchins Consort
The New Violin Family Association Festival Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A família completa
A família completa

Vassily Genrikhovich

Guia de Gravações Comparadas PQP – Beethoven: Symphony no.6 in F major op.68 ‘Pastorale’

Sim, precisamos falar sobre a Pastoral.

É uma questão importante, urgente, até. Considero esta a mais difícil das sinfonias de Beethoven em termos de categorização histórica. É uma sinfonia clássica com antecipações românticas, mas também é uma sinfonia já romântica em espírito, porém clássica em forma. Seria uma obra atemporal que reivindica independência a uma classificação de estilo? Seja como for, permanece num limiar sutil entre a pura expressão sensível (quase um poema sinfônico) e a forma-sonata expandida. Entre tantas possibilidades, de certa forma algo contraditórias, mantém a Pastoral sua imponente beleza além de qualquer conflito de interpretação. Mas qual delas consegue traduzir de maneira mais plena seu espírito universal? Considero impossível haver um consenso, já que falamos de expressão sensível, mas aponto algumas gravações que entendo como referenciais para esta obra:

1.Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra CBS (1962)

Esta gravação já consagrada é sem dúvida uma das preferidas de público e crítica. É uma leitura sincera e espontânea, que prima pelas harmonias sutis das mudanças de tom, e preserva a orquestração clássica original, quase camerística. Um fato inusitado para a época. Walter capta o estilo bucólico sem preconceitos estilísticos, e essa honestidade de propósitos se configura numa Pastoral de universalidade emocional patente. O último movimento é de uma sutileza comovente.

DOWNLOAD HERE
FLAC 190Mb

2.Herbert von Karajan, BPO DG (1962)

A contrapartida é a leitura de Karajan do mesmo ano 1962. Insípida e afetada, destoa das demais sinfonias gravadas neste ciclo também já clássico, que (re-)lançou a Filarmônica de Berlim como orquestra de excelência pelo mundo afora, depois do trauma da II Guerra. É uma interpretação bastante forçada, e muito pouco inspirada, trazendo o mesmo Beethoven titânico da V Sinfonia para esta, de caráter absolutamente diverso. Serve para estabelecer um termo de comparação bastante útil entre as leituras clássicas e românticas. A última versão da Pastoral gravada por Karajan em 1984 não é nem digna de estar neste post.

DOWNLOAD HERE
FLAC 339Mb

3.Nikolaus Harnoncourt, The Chamber Orchestra of Europe TELDEC (1991)

No pioneiro auge das gravações que se pretendiam ‘históricas’ ou ‘de época’, Harnoncourt se mostra surpreendente. Na mesma pegada que outros maestros se aventuraram, notadamente John Eliot Gardiner e Christopher Hogwood, Harnoncourt é o que consegue melhor equilíbrio entre o clássico formal e o bucolismo romântico. Seus ritmos são notadamente clássicos, mas tem uma suavidade ambígua que o coloca num limiar bastante diverso de seus colegas. Gardiner e Hogwood são bem mais carregados de modismos estilísticos que se caracterizam pela leitura histórica, e Harnoncourt opta por deixar a música fluir. A Tempestade nos remete às fúrias de Gluck, e soa com ecos da tempestade e ímpeto que tanto mobilizaram os imediatos antecessores de Beethoven. É a gravação que melhor capta o que talvez teríamos escutado em sua época, combinado com as intenções descritivas pré-românticas do mestre.

DOWNLOAD HERE
FLAC 278Mb

4.Karl Böhm, VPO DG (1971)

Böhm também pertence à tradição romântica alemã, da qual Karajan é seu representante mais famoso. Mas Böhm tem um diferencial: não foi diretamente afetado pela fama megalomaníaca, e se reserva por isso o direito de fazer uma leitura sincera. É um Beethoven romântico por excelência, mas nem por isso menos interessante. Pelo contrário, a sinceridade de Böhm nos contagia, deixando-nos acreditar que talvez Beethoven pudesse ser, na verdade, um romântico enrustido.

DOWNLOAD HERE
FLAC 376Mb

5.Liszt Transcription – Cyprien Katsaris TELDEC (1981) 

Para quebrar a hegemonia, uma versão para piano. Esta gravação, feita em 1981 pelo pianista grego-francês Cyprien Katsaris foi, estranhamente, a primeira vez que se lançou a transcrição de Liszt. Não é uma versão qualquer, tem a marca de pelo menos dois gênios. Eu gosto muito porque realça as mudanças harmônicas que na orquestra ficam diluídas nos timbres. Aqui, a tonalidade fica em evidência, e percebe-se o quanto essa tal harmonia era cara a Beethoven. E nos mostra uma outra faceta curiosa: música boa é sempre boa, quer original ou transcrita.

DOWNLOAD HERE
FLAC 157Mb

6.Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig PHILIPS (1973)

Essa gravação eu conheci através da Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores, uma publicação espanhola que teve seus dias de glória no Brasil no final da década de 80. No início me parecia muito razoável, mas só depois que ouvi diversas outras versões (Bernstein-NYPhO, Abbado-VPO e as demais aqui descritas) é que me dei conta que é a leitura que melhor capta o clima de espírito pastoral, independente da abordagem de estilo. Andamentos suaves, dinâmica sutil, timbres bem delineados. Uma tempestade épica, um finale glorioso, faz parecer que todo o universo dança.

Ao lado da gravação de Bruno Walter, considero esta a verdadeira Pastoral. A gravação de Masur com a mesma Gewandhaus de Leipzig feita nos anos 90 não chega aos pés dessa. Confiram.

DOWNLOAD HERE
FLAC 331Mb

 

CHUCRUTEN

A Família das Cordas – Violino Piccolo – Grigoriy Sedukh

gscd– Um álbum só de violino piccolo, Vassily?

Quase.

Desde a primeira vez em que escutei os Concertos de Brandenburg de Bach, chamou-me a atenção aquele violininho serelepe e pungente a buscar espaço com valentia em meio aos tantos sopros do Concerto no. 1:

Nunca mais ouvi falar do tal violino piccolo, de tamanho a um violino 3/4 para jovens, com algumas diferenças de construção e que soa uma terça acima dos violinos convencionais, até encontrar alguns vídeos do ucraniano Grigoriy Sedukh tocando o que chamava de piccolo em peças convencionais do repertório violinístico.

Sem ler muito as letras miúdas, comprei seu CD (lançado pelo pitorescamente batizado selo “The Catgut Acoustic Society Co.”) para só depois descobrir – mais surpreso, talvez, que decepcionado – aquela história do gato comprado por lebre.

Pois aqui Sedukh não toca exatamente o instrumento de que Bach lançara mão, mas sim num chamado “violino sopranino”, que soa uma oitava acima do violino convencional e que tem, guardadas as proporções, as mesmas proporções deste. A gravação inclui somente uma faixa com um instrumento semelhante ao piccolo barroco, o  “Adagio” de Grazioli, executado num violino dito “soprano” (uma quarta acima do convencional, mais ou menos como o piccolo), além de uma peça num “mezzo” (afinado exatamente como o convencional).

O repertório é um balaio de gatos que, obviamente, não tem razão outra de ser que não a de exibir as qualidades dos instrumentos e do intérprete. Eu acho estranho abrir uma gravação com a Polonaise de Bach, que é uma obra que parece já começar no meio, mas depois as coisas melhoram bastante. Sedukh é bom violinista e, neste pequeníssimo nicho musical, mostra-nos um bom cartão de visitas.

GRIGORYI SEDUKH – VIOLIN SOLOIST

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Suíte Orquestral no. 2 em Si menor, BWV 1067
01 – Polonaise
02 – Badinerie

Giovanni Battista  GRAZIOLI (1756-1820)
03 – Adagio*

Niccoló PAGANINI (1782-1840)
04 – Sonatina no. 1 para violino e violão
05 – Sonatina no. 3 para violino e violão

Joseph Joachim RAFF (1822-1882)
06 – Cavatina, Op. 85 no. 3

Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
07 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Entrée et Adagio
08 – Álbum para a Infância, Op. 39 – no. 22: Canção da Cotovia
09 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Adagio †
10 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Dança Russa

Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
11 – Thaïs – Méditation

Nikolay Andreyevich RIMSKY-KORSAKOV (1844-1908)
12 – A Lenda do Czar Saltan – O Vôo do Zangão (Шмель, Mamangaba)

Riccardo Eugenio DRIGO (1846-1930)
13 – Les Millions d’Arlequin – Adagio

Friedrich (Fritz) KREISLER (1875-1962)
14 – Marcha dos Soldados de Brinquedo

Grigoryi Sedukh, violinos sopranino, *soprano e † mezzo
Inga Dzektser, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

Dzektser, Sedukh - e violinos para todos os gostos
Dzektser, Sedukh – e violinos para todos os gostos

 

Johannes Hieronymus Kapsberger (1580-1651): Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone – Rolf Lislevand

Johannes Hieronymus Kapsberger (1580-1651): Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone – Rolf Lislevand

 

 

Il Tedesco della Tiorba

 

 

 

Johannes Hieronymus Kapsberger deve ter sido chamado Giovanni por toda a sua vida. Entendi que ele nasceu em Veneza, para onde o Coronel Wilhelm (Guglielmo) von Kapsberger, da Casa Imperial de Áustria, fora de armas e bagagens. Por volta de 1609, Kapsberger, o filho, estava em Roma onde ganhou fama de virtuose das cordas – alaúde, tiorba, guitarra e instrumentos do gênero. Ele deve ter passado uma temporada em Nápoles. Casou-se com Gerolima Rossi, de família nobre napolitana. Aqui você encontrará uma entrevista com uma estudiosa de Kapsberger, revelando o quanto se tem descoberto sobre esse interessante personagem.

Este compositor não é um total estranho aqui nas paradas do PQP. Seu nome aparece em algumas postagens. Em uma delas, um álbum gravado pelo Hespèrion XX e Jordi Savall, temos duas faixas dedicadas a Kapsberger, ambas se repetem aqui – Canario e Arpeggiata. E ambas dividem o mesmo intérprete principal, o mago das cordas tangidas, o norueguês Rolf Lislevand. Aqui temos um álbum dedicado totalmente a Kapsberger. As peças do Libro Quarto d’Intavolatura di Chitarone. Você poderá ver o Rolf em ação, aqui.

The CD is on the table!

Lislevand também contribuiu para o texto do livreto e afirma em aparente contradição: Kapsberg era tão mau compositor quanto era excelente instrumentalista. Ainda segundo Rolf, a música de Kapsberger tem falhas na coerência e sua estrutura é imprevisível (criatividade?). É assim um desafio para os intérpretes. Aqui uma característica deste maravilhoso disco: a música é apresentada não apenas pelo solista, mas tem o acompanhamento de vários outros músicos. Para que você julgue por si mesmo, compare a interpretação dada neste álbum para a faixa denominada Canario, com a interpretação dada por outro intérprete, aqui.

Com uma execução como esta, para uma coleção tão diversa e surpreendente, temos um álbum delicioso que continuará lhe dando muito prazer mesmo após diversas audições. As minhas faixas favoritas são a Capona-Sferraina, Canario e Ciaccona. Mas há muito mais em que se deleitar.

Giovanni Girolamo Kapsberger

Johannes Heronymus Kapsberger (1580-1651)

 Libro Quarto D’Intavolatura Di Chitarone, Roma 1640
  1. Toccata Prima
  2. Capona – Sferraina
  3. Toccata 9na
  4. Toccata Xma
  5. Passacaglia In 1a
  6. Canario
  7. Ballo Primo (Uscita – Ballo – Gagliarda – Corrente)
  8. Toccata 7ma
  9. Ciaccona
  10. Passacaglia In Re
  11. Oassacaglia In Sol
  12. Bergamasca
  13. Canzone Prima
  14. Toccata 2da
  15. Kapsberger
  16. Battaglia
  17. Colasione
  18. Toccata Seconda Arpeggiata

Rolf Lislevand, théorbe, colascione

Eduardo Eguez, chitarra batente
Brian Feehan, chitarrone, colascione
Guido Morini, organ, harpsicord
Lorentz Duftschmid, violino
Pedro Estevan, percussion

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 236 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 138 MB

Rolf Lislevand

Uma prova de que as interpretações de Kapsberger eram impressionantes e apaixonadas está na descrição feita por seu amigo, o poeta Ciampoli, quando este louvou as festividades de coroação do papa Urbano VIII:

“Di lunghe fila armata
Tiorba à febo amica
Con Alemanno ardir fulmini, e tuoni.”

Salve, Tedesco!

René Denon

Astor Piazzolla (1921-1992) – Soul of the Tango – The Music of Astor Piazzolla – Yo-Yo Ma

A despeito do destaque na capa, o ótimo Yo-Yo Ma não tem tanto protagonismo neste álbum de pérolas de Astor Piazzolla. Com a reverência que lhe é tão própria, ele se alinha a grandes nomes do tango, ao Duo Assad e, notavelmente, ao próprio Astor Piazzolla (no dueto “Tango Rememberances”, cujas partes foram gravadas com dez anos de diferença) para render tributo ao mestre argentino. Claro que há muito mais em sua obra desenfreada do que cabe num só CD, e que existem roupagens muito mais radicais dessas composições já tantas vezes regravadas. Ainda assim, o que ouvimos nesta “Alma do Tango” é uma tremenda introdução a Piazzolla, com um belíssimo “Libertango” que eu deixaria tocando em loop pelo resto dos meus dias.

YO-YO MA – SOUL OF THE TANGO – THE MUSIC OF ASTOR PIAZZOLLA

Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

1 – Libertango

2 – Tango suite, para dois violões: Andante

3 – Tango suite, para dois violões: Allegro

4 – Regreso al Amor (da trilha sonora do filme “Sur”)

5 – Le Grand Tango

6 – Fugata

Astor Pantaleón PIAZZOLLA e Jorge CALANDRELLI (1939)

7 – Tango Rememberances

Astor Pantaleón PIAZZOLLA

8 – Mumuki

9 – Tres Minutos con la Realidade

10 – Milonga del Ángel

11 – Café 1930

Yo-Yo Ma, violoncelo

Astor Piazzolla, bandoneón (faixa 7)

Sergio e Odair Assad, violões

Kathrin Scott, piano

Nestor Marconi, bandoneón

Antonio Agri, violino

Horacio Malvicino, violão

Hector Console, contrabaixo

Leonardo Marconi, piano

Gerardo Gandini, piano

Frank Corliss, piano

Edwin Barker, contrabaixo

Jorge Calandrelli, direção musical

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Vassily

De quando Piazzolla aprendeu a fazer caipirinha, por Beto Barreiros (https://www.revistaversar.com.br/memorias-do-box-quando-astor-piazzolla-aprendeu-a-fazer-caipirinha/)

 

 

 

 

 

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

IM-PER-DÍ-VEL !!!

E vamos para mais um CD da excelente série de Cantatas Italianas, de Handel. Estou me enrolando para concluir esta série por absoluta falta de tempo, às vezes dá vontade de pedir mais umas férias para o PQP, outras vezes dá vontade de postar três CDs de um só vez. Outro motivo que me impede de postar mais é o péssimo serviço que a OI oferece aqui na minha área. Se privilegiam de não terem concorrência. Portanto, se de repente eu sumir é por que mandei essa porcaria de serviço de internet para o inferno.

Roberta Invernizzi volta neste CD, e novamente dá um banho de interpretação. Como diz o mano PQP, “Dás um banho, querida”. Mas está bem acompanhada. As outras duas solistas também são excelentes. E o Conjunto “La Risonanza” continua competente como sempre, dirigido por Fabio Bonizzoni.

Vamos ao que interessa.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. V – Clori, Tirsi e Fileno

01 – Ouverture
02 – Aria (T) – Cor Fedele
03 – Recitativo (T) – Povero Tirsi
04 – Aria (T) – Quell’ erbetta
05 – Recitativo (T) – Se il guardo non vaneggia
06 – Aria (C) – Ca col canto lusingando
07 – Recitativo (C,T)  – Se il guardo non vaneggia
08 – Aria – (F) – Sai perché l’onda del fiume
09 – Recitativo (C) – Vezzoso Pastorello
10 – Aria (C) – Conosco che mi piaci
11 – Recitativo (F,C) – Dunque sperando in vano
12 – Aria (C) – Son come quel nocchiero
13 – Recitativo (C,T,F) – S’altra pace non brami
14 – Duetto (C,F) – Scherzano sul tuo volto
15 – Duetto (C,T) – Fermati! No, crudel!
16 – Recitativo (T) – Creder d’un angue
17 – Aria (T) – Tra le fere la fera più cruda
18 – Recitativo (C) – Tirsi, mio caro Tirsi
19 – Aria (C) – Barbaro, tu non credi
20 – Recitativo (T,C) – Pur cederti mi è forza
21 – Aria (C)  – Amo Tirsi
22 – Recitativo (F) – Va, fidati a promessa
23 – Aria (F) – Povera fedeltà
24 – Recitativo (T) – Non ti stupir, Fileno
25 – Aria (T) – Un sospiretto d’un labbro pallido
26 – Recitativo (F) – Tirsi, amico e compagno
27 – Aria (F) – Come la rondinella
28 – Recitativo (C,T,F) – Così, felici
29 – Terzetto (C,T,F) – Vivere e non amar, amare e non laguir, languire e non penare.

Roberta Invernizzi – Soprano
Yetzabel Arias Fernández -Soprano
Romina Basso – Alto
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Direction

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Handel não podia andar na rua sem ser abordado por fãs

FDPBach

Dmitri Kabalevsky (1904-1987) – Concerto para piano no. 3, “Juventude” – Gilels – Kabalevsky

0888608558273_600Estava preparando uma postagem pesadíssima para este Dia das Crianças, data frívola criada pelo comércio para, entre outras coisas, vender brinquedos e promover concursos de beleza de bebês lindamente (e, pelo menos para o Brasil, atipicamente) brancos.

A semana, no entanto, foi medonha, e como vocês não têm culpa alguma por estarem vivendo um ensolarado e colorido feriado, resolvi guardar o chumbo grosso para outro dia.

Deixo-lhes hoje este agradável concerto para piano de Kabalevsky, dedicado aos jovens pianistas da União Soviética, que com ele passaram a ter a seu alcance uma obra concertística cheia de verve, sem terem que vencer grandes dificuldades técnicas. O primeiro movimento, particularmente, é muito evocativo da galhardia da juventude. Aqui, o solo fica a cargo de gente bem grande – ninguém menos que o colosso Emil Gilels, que seria capaz de tocá-lo de costas, e com uma só mão -, sob regência do próprio compositor.

Este concerto muito breve, com meros dezoito minutos, será muito familiar aos ouvintes da FM Cultura de Dogville que, como eu, a escutavam nos bons (e velhos) tempos em que ela tocava música erudita. Sempre que sobrava uma brecha na programação, esta gravação de Gilels era um dos “tapa-buracos” de que a rádio lançava mão para arredondar a hora na grade e, quem sabe, permitir que o pessoal do estúdio tomasse um cafezinho.

Dmitri Borisovich KABALEVSKY (1904-1987)

Concerto para piano e orquestra no. 3 em Ré menor, Op. 50, “Juventude”

01 – Allegro molto
02 – Andante con moto
03 – Presto

Emil Gilels, piano
Grande Orquestra Estatal da Rádio e Televisão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Dmitri Kabalevsky, regência

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Emil Gilels - um gigante nada pueril
Emil Gilels – um gigante nada pueril

Vassily Genrikhovich

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano – Árias

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano – Árias

Um bonito disco com a extraordinária Simone Kermes e grupo. É maravilhoso que os trabalhos vocais de Vivaldi estejam gradualmente ganhando exposição, porque realmente são um tesouro de música absolutamente maravilhosa e Kermes é uma de suas mais recentes evangelistas. Amor Profano é a continuidade do projeto que começou com o esplêndido álbum Amor Sacro que Kermes também gravou com Marcon e sua Orquestra Barroca de Veneza. Claro, ao contrário de Amor Sacro, este disco tem repertório não litúrgico, mas mundano, retirado de várias óperas. São momentos dramáticos e bem acessíveis de Vivaldi.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Amor Profano: Arias

1 L’Olimpiade, RV 725 – Siam Navi All’Onde 6:46
2 La Fede Tradita E Vendicata, RV 712 – Sin Nel Placido Soggiorno
Cello – Francesco Galligioni
7:43
3 Orlando Furioso, RV 728 – Ah Fuggi Rapido 2:29
4 Tito Manlio, RV 738 – Non M’Afflige Il Tormento Di Morte 4:06
5 Semiramide, RV 733 – Quegl’ Occhi Luminosi 5:06
6 Il Tigrane, RV 740 – Act 2 – Squarciami Pure Il Seno 3:21
7 Catone In Utica, RV 705 – Act 1 – Se In Campo Armato 6:28
Sinfonia – Il Tamerlano [Il Bajazet], RV 703
8 Allegro 2:22
9 Andante Molto 2:39
10 Allegro 0:56
11 Griselda – Dramma Per Musica, RV 718 – Agitata Da Due Venti 5:31
12 Tito Manlio, RV 738 – Act 3 – Dopo Sì Rei Disastri 1:40
13 La Verità In Cimento, RV 739 – Act 1 – Amato Ben Tu Sei La Mia Speranza 7:25
14 Tito Manlio, RV 738 – Act 2 – Combatta Un Gentil Cor
Trumpet – Gabriele Cassone
4:34
15 La Farfalletta, RV 660 – La Farfalletta 6:47
16 Il Giustino, RV 717 – Act 3 – Or Che Cinto Ho Il Crin D’Alloro 3:36

Adapted By – Andrea Marcon (tracks: 1 to 7, 11 to 16)
Bassoon – Andrea Bressan (2)
Cello – Francesco Galligioni, Matteo Fusi
Conductor – Andrea Marcon
Harpsichord – Andrea Marcon, Luca Scandali
Horn – Dileno Baldin, Francesco Meucci
Lute – Evangelina Mascardi, Ivano Zanenghi
Oboe – Davide Bettin, Michele Favaro
Orchestra – Venice Baroque Orchestra
Recorder – Arrigo Pietrobon, Giuliano Furlanetto
Soprano Vocals – Simone Kermes
Timpani – Riccardo Balbinutti
Trumpet – Gabriele Cassone, Jonathan Pia
Viola – Alessandra Di Vincenzo, Mauro Righini
Violin [I] – Giuseppe Cabrio, Luca Mares, Massimiliano Tieppo, Vania Pedronetto
Violin [II] – Gianpiero Zanocco, Giorgio Baldan, Jonathan Guyonnet, Massimiliano Simonetto
Violone – Alessandro Sbrogiò

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Canaletto: “O Grande Canal e a Igreja da Saúde” (1730).

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Il Progetto Vivaldi 1 – Sol Gabetta, Sonatori de La Giocosa Marca

Não sei com relação ao senhores, mas a música de Vivaldi tem a incrível capacidade de melhorar meu dia, transformar em ensolarado mesmo um dia nublado e chuvoso. É meu para-quedas, meu guarda chuva contra as adversidades do dia a dia. A genialidade de Vivaldi se estende em todas os instrumentos para os quais compôs, e aqui temos uma prova disso, nos Concertos para Violoncelo.  Nosso colega René Denom recém postou dois cds maravilhosos desta figura ímpar, dando ênfase às gravações com instrumentos de época, focados em interpretações historicamente informadas. Mas com Sol Gabetta não temos esta preocupação de interpretações historicamente corretas, ela não se importa em fazer uma leitura ‘moderna’ destas obras primas, mesmo acompanhada por orquestras especializadas.

A violoncelista argentina lançou nos últimos anos três cds que intitulou ‘Il Progetto Vivaldi’, projeto este que iniciou lá em 2007,  que trouxe obras para violoncelo e cordas do padre ruivo. Volto a ressaltar, Gabetta faz uma leitura mais ‘atualizada’,  ao contrário de músicos do nível de Marco Ceccato, genial violoncelista do projeto de Amandine Beyer, Il Gli Incognito’ ou então de Christopher Coin ou de outro gigante do instrumento, recém falecido, Anner Bylsma.

Sempre muito bem acompanhada por excelentes conjuntos orquestrais,  Gabetta nos mostra todo seu talento neste projeto. Neste primeiro CD, ela tem como parceiros o conhecido conjunto barroco ‘Sonatori de la Giocosa Marca’, que já deu o ar de sua graça aqui no PQPBach.

Como não poderia deixar de ser, o resultado é excelente. Vale conferir. Vou postar um CD de cada vez, para melhor serem apreciados.

01. Cello Concerto F major, RV 410_ Allegro
02. Largo
03. (Allegro)
04. Violin Concerto A minor, RV 356_ Allegro
05. Largo
06. Presto
07. Cello Concerto A minor, RV 418_ Allegro
08. Largo
09. Allegro
10. Cello Concerto B flat minor, RV 424_ Allegro
11. Largo
12. Allegro
13. Cello Concerto G major, RV 413_ Allegro
14. Largo
15. Allegro
16. Cello Concerto C minor, RV 401_ Allegro non molto
17. Adagio
18. Allegro ma non molto
19. Violin Concerto F minor, RV 297 – ‘Winter’ from ‘The Seasons’_ Allegro non molto
20. Largo
21. Allegro

Sol Gabetta – Violoncelo
Sonatori de La Giocosa Marca

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (FLAC)

A Família das Cordas: Per la Viola da Gamba – Hille Perl

51KabaD+lcL._SY355_Se dependesse de mim, cretino gambista subamador, vocês teriam gamba aqui todos os dias.

Como isso acarretaria meu desterro deste pago bloguístico que tanto prezo, eu tento me coordenar. Hoje, entretanto, tenho um bom pretexto: estou a falar dos membros em desuso da Família das Cordas e, ei, a viola da gamba anda, infelizmente, menos em voga do que mereceria.

A situação, claro, já foi pior. É uma lástima, sem dúvidas, que o lindo timbre e som ricamente ressonante da gamba tenham sido preteridos em prol do também belo, mas bem mais robusto violoncelo com cordas de metal, espigão, e outros aditivos mais apropriados a amplas salas de concerto. Por outro lado, é impossível reclamar da qualidade dos gambistas em atividade. Já lhes apresentamos anteriormente o Midas catalão Jordi Savall e o mago italiano Paolo Pandolfo. Hoje, trazemos para vocês Hildegard Perl – Hille, para os íntimos.

Se essas peças todas de Bach serão familiares à maior parte das senhoras e dos senhores, asseguro-lhes que sua roupagem é bastante diferente. A Suíte BWV 1011, transposta para Ré menor, ganha muita riqueza, especialmente nos fugatos do prelúdio. O novo arranjo da Sonata/Suíte BWV 1025, originalmente para violino e cravo e baseada em uma obra para alaúde de Sylvius Leopold Weiss, soa muito mais convincente aqui como trio-sonata, com o alaúde a tocar a parte original de Weiss, e a viola da gamba. Por fim, a Sonata BWV 1029, a única das obras de álbum concebida para a gamba, ganha uma roupagem concertística que a deixa ainda mais parecida com o terceiro Concerto de Brandenburg.

PER LA VIOLA DA GAMBA – HILLE PERL

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 5 para violoncelo solo em Dó menor, BWV 1011
(transcrita para viola da gamba por Hille Perl, transposta para Ré menor)

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Gavotte I-II
06 – Gigue

Sonata (Suíte) em Lá maior para violino e cravo, BWV 1025
(baseada numa Suíte para alaúde de Sylvius Leopold Weiss e transcrita por Hille Perl para alaúde, viola da gamba e contínuo)

07 – Fantasia
08 – Courante
09 – Rondeau
10 – Sarabande
11 – Menuett
12 – Allegro

Sonata para viola da gamba e cravo no. 3 em Sol menor, BWV 1029
(arranjo de Hille Perl para violino, viola da gamba e contínuo)

13 – Vivace
14 – Adagio
15 – Allegro

Hille Perl, viola da gamba baixo
Lee Santana, alaúde
Andrew Lawrence-King, harpa cruzada*
Veronika Skuplik, violino
Barbara Messmer, viola da gamba baixo

* o termo “harpa cruzada” foi o melhor que encontrei para descrever a harpa sem pedais (em inglês, “double harp”). Se houver tradução melhor, peço a gentileza de me fazerem saber.

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Além de boa, é linda. A gamba, claro.
A gamba de Hille Perl e sua fiel escudeira

Vassily Genrikhovich

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

(PQP garante: este é um dos melhores discos que ele já ouviu).

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu a amizade – e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela – ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report – confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros – e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções – vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Joni Mitchell – Mingus (1979)
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: electric piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0’57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4’35
03 Funeral (Rap) 1’07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6’42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6’35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0’07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8’04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0’11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3’21
10 Lucky (Rap) 0’04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5’37

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Joni & Mingus em linda foto
Joni & Mingus em linda foto 2
Vejam só quem está no disco. Erskine, Mitchell, Pastorius e Hancock. Poderia dar errado?

Boa audição!
Blue Dog

Ainda mais Cordas: o Ukulele (Johann Sebastian Bach – Partita em Mi maior, BWV 1006 e outras obras – John King)

51R4BSKPY1LDepois do banjo de ontem, ainda mais tomates?

Pois bem: podem atirá-los, mas não sem antes esquecerem a capa bem tosquinha do CD, desvestirem todas as lembranças que podem ter do ukulele no Feitiço Havaiano a que assistiram nas matinês (para os mais velhos) ou na Sessão da Tarde (para os nem tanto) e deixarem de lado o ranço que possam ter para com seu primo, o cavaquinho: quem assim o fizer, e depuser os tomates, irá se surpreender com a excelência desse disco.

John King (1953-
2009), que teve excelente formação como violonista clássico, dedicou sua vida a granjear reputação para o miúdo ukulele nas salas de concerto. Encomendou instrumentos a excelentes luthiers (um dos quais atende o monstro Julian Bream) e, emprestando ao diminuto braço e às delicadas cordas sua ótima técnica violonística, deixou-nos gravações que deixariam Johann Sebastian totalmente pimpão.

Aqui, King adota a técnica chamada “Campanella” (italiano para “sineta”), que leva cada nota a ser tocada numa corda diferente, resultando num som bastante límpido e ressonante, muito reminiscente daquele de uma harpa. Escutem as transcrições dos excertos de suítes, sonatas e partitas para violino e violoncelo do Demiurgo Bach, não deem muita bola para a transcrição meio perdida do “Jesus, Alegria dos Homens” que encerra o álbum, e deleitem-se!

JOHANN SEBASTIAN BACH – PARTITA NO. 3 AND OTHER WORKS TRANSCRIBED FOR UKULELE – JOHN KING

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
transcrições para ukulele de John King

Suíte para violoncelo em Sol maior, BWV 1007

01 – Prelude
02 – Sarabande
03 – Gigue

Suíte para violoncelo no. 6 em Ré maior, BWV 1012

04 – Gavotte I-II

Suíte para violoncelo no. 5 em Dó menor, BWV 1011

05 – Gavotte I-II

Suíte para violoncelo no. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010

06 – Bourrée I-II

Partita para violino no. 3 em Mi maior, BWV 1006

07 – Prelude
08 – Loure
09 – Gavotte en rondeau
10 – Menuet I-II
11 – Bourrée
12 – Gigue

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó maior, BWV 846

13 – Prelúdio

Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147

14 – Coral: “Jesus bleibet meine freude”

John King, ukulele

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

John King - grandes perfumes dos menores frascos
John King – tirando grandes perfumes dos menores frascos

Vassily Genrikhovich

George Enesco (1881-1955) / Franz Liszt (1811-1886): Rapsódia Romena Nº 1 / Rapsódias Húngaras Nº 1-6

George Enesco (1881-1955) / Franz Liszt (1811-1886): Rapsódia Romena Nº 1 / Rapsódias Húngaras Nº 1-6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu sou contra a divulgação de gravações históricas apenas porque eram aquelas que tínhamos em casa — ai, que saudades — ou meramente pelo nome do regente, do executante ou da orquestra — ai, deve ser bom. Mas algumas têm de ser resgatadas por sua qualidade ou escândalo. Aqui, o caso é de extrema qualidade. Na minha opinião, só o Enescu deste disco já vale a audição. E Enescu nasceu num 19 de agosto, que é a data mais correta para um bom homem nascer. Mas o velho e veemente Dorati faz a orquestra de Londres tornar-se meio cigana e dá um show também nas Rapsódias de Liszt. Liszt não sabia muito bem o que era a música cigana de raiz, digamos assim, só a música das cidades, mas, nossa, que melodias e orquestração! Quem foi a campo buscar a verdadeira musica cigana húngara e romena foram Bartók e Kodály, com quem Dorati estudou. E está feita a confusão e parte do mérito deste CD.

Enesco (1881-1955) / Liszt (1811-1886): Rapsódia Romena Nº 1 / Rapsódias Húngaras Nº 1-6

Enesco
1 Roumanian Rhapsody No 1 Op 11 12:02

Liszt
2 Hungarian Rhapsody No 1 In F Minor 10:47
3 Hungarian Rhapsody No 2 In D Minor 9:41
4 Hungarian Rhapsody No 3 In D Major 8:25
5 Hungarian Rhapsody No 4 In D Minor 10:40
6 Hungarian Rhapsody No 5 In E Minor (“Héroïde Elégaique”) 10:00
7 Hungarian Rhapsody No 6 In D Major (“Carnival In Pesth”) 12:12

London Symphony Orchestra
Antal Dorati

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Dança tradicional húngara para turista ver.

PQP

Sergey Rachmaninov (1873) – Piano Concerto nº3, Sergey Prokofiev (1891-1953) – Piano Concerto nº3 – Pletnev, Rostropovich, RSO

Temos neste CD um maravilhoso repertório, interpretado por um dos grandes pianistas que surgiram na Rússia na segunda metade do Século XX, Mikhail Pletnev, acompanhado por um dos maiores músicos do século XX, o maior violoncelista de todos os tempos, que nos últimos anos de vida deixou um pouco de lado a vida de solista para se dedicar a vida de maestro, Mistslav Rostropovich.

E com relação ao repertório, bem, a semelhança entre as obras fica apenas na semelhança entre os primeiros nomes de seus compositores, Sergey.  Temos aqui dois momentos cruciais da música para piano do século XX, dois dos maiores concertos já compostos para este instrumento. O romantismo tardio de Sergey Rachmaninov irrita alguns até hoje, enquanto que a arte revolucionária do outro Sergey, o Prokofiev, bem, este também perturba, mas por outros motivos, e eu diria que mais encanta que irrita.

Mikhail Pletnev esbanja talento aqui. Provavelmente para mostrar ao velho maestro que a Rússia continua produzindo grandes pianistas, seguindo a tradição de seus velhos amigos já falecidos, Emil Gilels e Sviatoslav Richter, entre outros.

Curiosamente, temos aqui um Rach 3 mais contido, não tão intenso, mais ‘frio’, talvez devido ao fato de todos os envolvidos serem russos. Mas não podemos esquecer o quão intensos e emotivos os russos podem ser.  Em matéria de explosão nossa amada Martha Argerich tocou o terror quando gravou esse concerto com o Chailly, em priscas eras. Pletnev não é Martha, nem precisa ser, ele é Mikhail Pletnev, um dos maiores pianistas de sua geração, e que, assim como o velho maestro que o acompanha neste CD, também vem se dedicando à regência nos últimos anos, frente a esta mesma Orquestra Nacional Russa, criada por ele mesmo.

01 Piano Concerto No. 3 in D minor, Op. 30 1. Allegro ma non tanto
02 Piano Concerto No. 3 in D minor, Op. 30 2. Intermezzo. Adagio – attacca
03 Piano Concerto No. 3 in D minor, Op. 30 3. Finale. Alla breve
04 Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26 1. Andante – Allegro
05 Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26 2. Tema. Andantino –
06 Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26 3. Allegro ma non troppo

Mikhail Pletnev – Piano
Russian National Orchestra
Mistslav Rostropovich – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (FLAC)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

Tous les Matins du Monde/Todas as Manhãs do Mundo – Trilha Sonora Original

Tous les Matins du Monde/Todas as Manhãs do Mundo  – Trilha Sonora Original

47688f586426ddf3d1cd7daf3b9b4c45Anteontem postei uma ótima gravação de obras para viola da gamba, e não demorou para que, entre os comentários, este bonito filme de 1991 fosse lembrado. Para minha surpresa, sua excelente trilha sonora ainda não tinha sido postada por aqui. Por isso, eu me apressei em compartilhá-la com vocês neste domingo.

Dirigido por Alain Corneau e estrelado por Jean-Pierre Marielle e Gérard Dépardieu, “Todas as Manhãs do Mundo” foi um inesperado sucesso para um filme que trata da relação entre dois gambistas franceses do século XVII: o célebre Marin Marais (1656-1728) e seu mestre, o enigmático Monsieur de Sainte-Colombe (ca. 1640-1700). Magnificamente interpretado, fotografado e realizado, e bastante fiel ao romance homônimo em que se baseou, é uma belíssima sucessão de tableaux-vivants acompanhados por uma trilha sonora M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A, a cargo daquele Midas da Música que é Jordi Savall.

Ei-la, pois, para vosso deleite.

TODAS AS MANHÃS DO MUNDO – TRILHA ORIGINAL DO FILME
Direção musical: JORDI SAVALL

Jean-Baptiste LULLY (1632-1687)

01 – Marche pour la Céremonie des Turcs
Le Concert des Nations
Jordi Savall, regência

Marin MARAIS (1656-1728)

02 – Improvisation sur les Folies d’Espagne (excertos)
Jordi Savall, viola da gamba baixo

Jordi SAVALL (1941)

03 – Prélude pour Mr Vauquelin
Jordi Savall, viola da gamba baixo

Monsieur de SAINTE-COLOMBE (ca. 1640-1700)

04 – Gavotte du Tendre

Jordi Savall, viola da gamba baixo

TRADICIONAL, arranjo de Jordi SAVALL

05 – Une jeune fillette
Montserrat Figueras e Maria-Cristina Kiehr, sopranos
Rolf Lislevand, teorbo
Jordi Savall, viola da gamba baixo

Monsieur de SAINTE-COLOMBE

06 – Les Pleurs (versão para viola da gamba solo por Jordi Savall)
Jordi Savall, viola da gamba baixo

07 – “Le Retour”, Concert pour deux violes
Christophe Coin e Jordi Savall, violas da gamba baixo

Marin MARAIS

08 – Pièces de viole, 4e. livre: “La Rêveuse”
Jordi Savall, viola da gamba baixo
Pierre Hantai, cravo
Rolf Lislevand, teorbo

François COUPERIN (1668-1733)

09 – Troisième Leçon de Ténèbres à 2 voix
Montserrat Figueras e Maria-Cristina Kiehr, sopranos
Rolf Lislevand, teorbo
Pierre Hantai, cravo
Jordi Savall, viola da gamba baixo

Marin MARAIS 

10 – Pièces de viole, 4e. livre: “L’Arabesque”
Jordi Savall, viola da gamba baixo
Pierre Hantai, cravo
Rolf Lislevand, teorbo

ANÔNIMO (século XVII), arranjo de Jordi SAVALL

11 – Fantaisie en Mi mineur
Jordi Savall, viola da gamba baixo

Monsieur de SAINTE-COLOMBE

12 – Les Pleurs
Christophe Coin e Jordi Savall, violas da gamba baixo

Marin MARAIS 

13 – Pièces de viole, 4e. livre: “Le Badinage”
Jordi Savall, viola da gamba baixo
Rolf Lislevand, teorbo

14 – Pièces de viole, 2e. livre: “Tombeau por Monsieur de Sainte-Colombe”
Jérôme Hantai e Jordi Savall, violas da gamba baixo
Pierre Hantai, cravo
Rolf Lislevand, teorbo

15 – Pièces de viole, 3e. livre: Muzettes I-II
Jordi Savall, viola da gamba baixo
Pierre Hantai, cravo
Rolf Lislevand, teorbo

16 – Sonnerie de Sainte Geneviève du Mont-de-Paris
Fabio Biondi, violino
Jordi Savall, viola da gamba baixo
Pierre Hantai, cravo
Rolf Lislevand, teorbo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shut_20up_20and_20play-thumb-380x213-28669MATINS

 

Um dos belíssimos tableaux-vivants compostos por Alain Corneau
Alguns dos tableaux-vivants criados por Alain Corneau para “Tous les Matins du Monde”


Vassily Genrikhovich

Joaquín Rodrigo (1901-1999): Concerto de Aranjuez – Julian Bream • CO of Europe • John Eliot Gardiner

Joaquín Rodrigo (1901-1999): Concerto de Aranjuez – Julian Bream • CO of Europe • John Eliot Gardiner

 

 

Aranjuez

 

 

 

Na última entrega de CDs que chegou de meu fornecedor veio um mimo, um brinde na forma de um CD com, entre outras coisas, o Concerto de Aranjuez! Adoro essas coisas, coincidências, com incidências.

Calma, o disco da postagem não é o do brinde. Gostei da interpretação, mas este aqui é melhor. E vocês sabem, para nossos seguidores, só o melhor!

O Concerto de Aranjuez é a obra mais famosa de Joaquín Rodrigo, compositor espanhol que, assim como o solista desta gravação, o inglês Julian Bream, muito contribuiu para evidenciar o violão como instrumento de música no sentido completo da palavra. Antes da dedicação de artistas como eles, o violão era visto como um instrumento para diletantes e havia também algum preconceito.

Rodrigo conseguiu reunir nesta obra toda a magia e sensualidade que se associa à imagem de Espanha. O concerto tem elegância e nobreza, mas ao mesmo tempo, especialmente devido à belíssima melodia do movimento lento, um imenso apelo popular. Quem não conhece a versão de Miles Davis?

Para interpretar uma obra como esta é necessário extremo talento, técnica e sabedoria. Isso tudo, além da experiência, você encontrará nos músicos desta gravação. A orquestra, sob a regência de John Eliot Gardiner, está perfeita, alerta e equilibrada.

Completando o disco, quatro peças para violão solo.  A última delas é uma homenagem de Rodrigo para seu amigo e também compositor, Manuel de Falla.

Joaquín Rodrigo (1901-1999)

Concerto de Aranjuez

  1. Allegro com spirito
  2. Adagio
  3. Allegro gentile

Três Peças Espanholas

  1. Fandango
  2. Passacaglia
  3. Zapateado

Hommage à Manuel de Falla

  1. Invocation et Danse

Julian Bream

The Chamber Orchestra of Europe

John Eliot Gardiner

Gravação:    St. John’s Smith Square, Londres – 1982 (Concerto)

Wardour Chapel, Dorset – 1982-83 (Peças solo)

Direção de Arte: Ron Kellum

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 181 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 103 MB

A pegada do Miles é mais na melodia entoada pelo corne inglês que abre o movimento lento, mas que também é bonita. E como é bonita!

É isto, senhoras e senhores, um clássico! Aproveitem.

René Denon

Joaquín Rodrigo (1901-1991) – Concierto de Aranjuez / Isaac Albéniz (1860-1909) – Excertos da Suíte “Iberia” – Paco de Lucía

Joaquín Rodrigo (1901-1991) – Concierto de Aranjuez / Isaac Albéniz (1860-1909) – Excertos da Suíte “Iberia” – Paco de Lucía

71ijOfLdLaL._SL1200_Depois de publicar música tocada em Timbuktu e arredores e de provocar arcadas engulhadas com músicos apresentados como “analfabetos musicais” e “bugres que sabem tocar”, venho trazer ainda mais desconforto aos puristas com este álbum em que Paco de Lucía, um dos grandes nomes do flamenco, toca música erudita.

Os sumo-sacerdotes do purismo e parte da crítica, claro, caíram de tacape em cima do solista quando o disco foi lançado em 1992, por ocasião do jubileu da chegada de Colombo às Américas. Chamaram-no, entre outras coisas, de bufão e pretensioso, acusaram-no de desrespeitar as intenções do compositor e atacaram-no, óbvio, por ser um músico de flamenco e, por isso, supostamente incapaz de tocar música de concerto.

[quanto às acusações de desrespeito ao compositor, sugiro que prestem atenção no senhor idoso que aparece em segundo plano na capa do CD, à direita: ele é o PRÓPRIO Joaquín Rodrigo, que supervisionou pessoalmente a gravação. Sem mais.]

O público adorou, Rodrigo adorou, eu adorei, e o disco envelheceu muito bem. Como que para alimentar as acusações de seus detratores, Paco trouxe para o “Concierto de Aranjuez”, sem nenhum constrangimento, toda a sua caixa de ferramentas flamencas, e a abriu em sua interpretação: estão lá os ataques furibundos às cordas, os efeitos percussivos, as articulações características. O que ele conseguiu, ao menos para os meus ouvidos, foi fazer o “Concierto” soar vigoroso como nunca, com um frescor inédito.

CLARO que essa gravação, apesar de suas qualidades, não tem UMA GOTA SEQUER de violão clássico (soletando para quem ainda não entendeu: P-A-C-O D-E L-U-C-Í-A). Por isso, lógico, os devotos dessa escola provavelmente odiarão a interpretação, da qual sugiro que passem ao largo.

Aos demais, o que eu e meu ouvido bruto e pouco preconceituoso lhes podemos dizer é que, depois de Paco, se tornou muito inglória a tarefa de escutar outras interpretações do “Concierto” sem o élan que ele traz a esta figurinha tão fácil quanto linda do repertório do violão.

Três excertos da Suíte Iberia de Isaac Albéniz, transcritos mui idiomaticamente para trio de violões, completam essa gravação de que vocês podem até não vir a gostar, mas que recomendo muito conhecer.

CONCIERTO DE ARANJUEZ DE JOAQUÍN RODRIGO
interpretado por PACO DE LUCÍA

Joaquín RODRIGO Vidre (1901-1999)

Concierto de Aranjuez em Ré maior para violão e orquestra

01 – Allegro con espirito
02 – Adagio
03 – Allegro gentile

Paco de Lucía, violão
Orquesta de Cadaqués
Edmon Colomer, regência

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)

Três peças da Suite Iberia

04 – Triana
05 – El Albaicín
06 – El Puerto

Paco de Lucía, José María Bandera e Juan Manuel Cañizares, violões

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Joaquín Rodrigo (1901-1999), cego desde os três anos de idade, foi prolífico compositor, virtuoso ao piano e, numa bonita homenagem da Coroa espanhola, o primeiro e único Marquês dos Jardins de Aranjuez
Joaquín Rodrigo (1901-1999), cego desde os três anos de idade, foi prolífico compositor, virtuoso ao piano e, numa bonita homenagem da Coroa Espanhola, o primeiro Marquês dos Jardins de Aranjuez

Vassily Genrikhovich

Debussy (1862-1918): Sonatas & Trio – Capuçon • Chamayou • Caussé • Pahud • Langlamet • Moreau

Debussy (1862-1918): Sonatas & Trio – Capuçon • Chamayou • Caussé • Pahud • Langlamet • Moreau

 

Claude Debussy,

músico francês!

 

 

Chamem intuição, experiência ou até adivinhação. O fato é que dá para sentir, dá para saber se um álbum é bom mesmo antes de ouvi-lo.  A combinação repertório – compositor – intérprete, coroada pelo selo da gravadora, permite uma antecipação que quase sempre se confirma. Quase sempre, pois há exceções e a bola de cristal pode estar embaçada.

Este disco da postagem foi uma dessas situações nas quais as melhores expectativas foram largamente satisfeitas na audição. Não tenham dúvidas – baita disco!

Em 1915, Debussy estava doente e deprimido devido a guerra. Mas acabou cedendo aos apelos de Jacques Durand, seu editor, e recomeçou a compor principalmente para não se esquecer como se faz isto, e não para própria satisfação pessoal. Foi isto que ele confidenciou a seu editor. Disse também que o plano geral era de compor seis sonatas para vários instrumentos, compostas por Claude Debussy, músico francês.

Apesar do projeto ter sido interrompido pela morte do compositor, três sonatas foram terminadas e estão interpretadas neste álbum.

A sonata para violoncelo e piano foi composta em 1915 e começa apenas com o piano abrindo o prólogo. Mas o que realmente distingue a sonata é o violoncelo. O próprio compositor anotou: o pianista não deve se esquecer que não deve se opor ao violoncelo, mas acompanha-lo.

No original a sonata recebera o subtítulo “Pierrot  fâchet avec la lune”. Pois o segundo movimento é intitulado “Sérénade” e é repleto de pizzicati. Este movimento segue direto para o movimento final, repleto de efeitos instrumentais, dando oportunidade aos instrumentista brilharem.

Na sequência temos “Syrinx”, ou “La flûte de Pan”, na primeira escolha de nome. Syrinx é uma curta mas intensa e melancólica peça para flauta solo. Ela foi escrita como música instrumental para uma peça de Gabriel Mourey, chamada Psyché. A obra também tem um caráter de improvisação e aqui é interpretada por Emmanuel Pahud, o principal flautista da Filarmônica de Berlim.

A sonata para violino e piano, terminada em 1917, teve sua estreia em maio de 1917, na Salle Gaveau, interpretada por Gaston Poulet ao violino e o próprio Debussy ao piano. A ocasião era um concerto em benefício de soldados que ficaram cegos durante a guerra. Poulet era amigo de Debussy e acompanhou a composição da sonata, que é ‘cheia de um alegre tumulto’. Disse dela o Claude: Esta sonata será interessante do ponto de vista que documentará o que pode um homem doente escrever durante a guerra.

A sonata para flauta, viola e harpa tem inspiração nas trio-sonatas do século XVIII, mas é profundamente inovadora. Debussy disse: A sonata é terrivelmente melancólica e não sei se é para rir ou para chorar. De longe, mas nem tanto, esta é a peça do disco que eu gosto mais.

Para completar temos uma obra de juventude. O Trio foi composto em 1880 enquanto Debussy trabalhava como pianista para Nadezhda von Meck, que também foi protetora de Tchaikovsky. Acompanhando esta rica família, Debussy viajou por várias partes da Europa. Quando estavam em Florença, a família recebeu a visita de dois músicos russos e o trio foi composto nesta ocasião. Foi enviado ao editor Durand com as palavras: muitas notas, acompanhadas de muitas amizades. No entanto a peça só foi publicado muito posteriormente, em 1986.

Os intérpretes são todos excelentes. Além do flautista Emmanuel Pahud, temos a viola de Gerard Caussé, a harpista Marie-Pierre Langlamet e o violoncelo de Edgar Moreau. Quem participa do maior número de peças é o pianista Bertrand Chamayou, de quem a International Record Review disse: Suas interpretações são musicalmente penetrantes, tecnicamente sem falhas e não podem ser confundidas com as de qualquer outro pianista.

Claude Debussy (1862-1918)

Sonata para violoncelo e piano em ré menor

  1. Lent
  2. Sérénade. Modérément animé
  3. Animé

Syrinx

  1. Solo de flauta

Sonata para violino e piano em sol menor

  1. Allegro vivo
  2. Intermède. Fantasque et léger
  3. Très animé

Sonata para flauta, viola e harpa

  1. Lento, dolce rubato
  2. Tempo di minueto
  3. Allegro moderato ma risoluto

Trio para piano, violino e violoncelo em sol maior

  1. Andantino com moto alegro
  2. Moderato con alegro
  3. Andante expressivo
  4. Appassionato
Emmanuel Pahud, flauta
Renaud Capuçon, violino
Gerard Caussé, viola
Edgar Moreau, violoncelo
Marie-Pierre Langlamet, harpa
Bertrand Chamayou, piano

Gravação de 2016-17

Produção de Michael Fine

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 257 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 153 MB

Veja o que Claude disse de si mesmo: Eu tenho sido descrito como um revolucionário, mas não inventei qualquer coisa. Tudo o que fiz foi apresentar coisas velhas de maneira nova.

Ah, então tá!

Vamos, ouça o disco, escolha qual das sonatas é a sua preferida e depois me conte.

René Denon

Ainda mais Cordas: o Banjo (Perpetual Motion – Béla Fleck)

51ZgNDY+BULPassada em revista a parte da família das cordas que é tocada com arcos, enveredamos por um outro ramo da família com quem os arcos não falam muito, pois as salas de concerto costumam torcer-lhes os narizes: aquele das cordas dedilhadas.

Antes que me joguem os tomates, ou me perguntem por que exus eu não apus a palavrinha .:interlúdio:. ao título de uma gravação, vejam só, de banjo, de BANJO, de B A N J O! incongruentemente atirada no meio das sacrossantas interpretações dos Pollinis e Bernsteins que os blogueiros não-vassílycos publicam por aqui, bem, antes que venham os apupos, os “foras!” e que me defenestrem, eu antecipadamente me defendo: Béla Fleck é um TREMENDO músico e merece ser ouvido.

Ok, o repertório do CD é um balaio de gatos cheio de figurinhas fáceis do repertório das coleções “The Best of”, só que ele é feito sob medida para Fleck exibir com sobras seu talento. Asseguro-lhes que dificilmente ouvirão um banjo ser tocado com tanta maestria, ainda mais acompanhado por músicos do naipe de, entre outros, Joshua Bell, John Williams e Edgar Meyer. No final, para relaxar, Fleck colocou uma ótima versão bluegrass do “Moto Perpétuo” de Paganini, mas ela está claramente identificada como tal e os puristas entre vós outros poderão deletá-la antes que ela fira algum ouvido.

E, se vocês acharam interessante o Fleck ter o nome de Béla, saibam que o nome completo do cavalheiro é Béla Anton Leoš Fleck. Sim: uma homenagem ao grande Béla, àquele Anton e a este Leoš.

PERPETUAL MOTION – BÉLA FLECK

Domenico SCARLATTI (1685-1757)
01 – Sonata em Dó maior, K. 159

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
02 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
03 – Children’s Corner, L. 113 – “Doctor Gradus ad Parnassum”

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Mazurkas, Op. 59 – no. 3 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
05 – Partita no. 3 em Mi maior, BWV 1006 – Prélude

Fryderyk Franciszek CHOPIN
06 – Études, Op. 10 – no. 4 em Dó sustenido menor
07 – Mazurkas, Op. 6 – no. 1 em Fá sustenido menor

Johann Sebastian BACH
08 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Sol maior, BWV 796

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
09 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 3: Mélodie

Johannes BRAHMS (1833-1897)
10 – Cinco estudos para piano, Anh. 1a/1 – no. 3 em Sol menor, após Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian BACH
11 – Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007 – Prelude
12 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Si menor, BWV 801

Niccolò PAGANINI (1782-1840)
13 – Moto Perpetuo, Op. 11

Domenico SCARLATTI
14 – Sonata em Ré menor, K. 213

Johann Sebastian BACH
15 – Invenção a duas vozes no. 6 em Mi maior, BWV 777

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
16 – Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar” – Adagio sostenuto

Johann Sebastian BACH
17 – Invenção a duas vozes no. 11 em Sol menor, BWV 782

Ludwig van BEETHOVEN
18 – Sete Variações sobre “God Save the King”, WoO 78

Johann Sebastian BACH
19 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Mi menor, BWV 793

Niccolò PAGANINI
arranjo de James Bryan Sutton
12 – Moto Perpetuo, Op. 11 (versão bluegrass)

Béla Fleck, banjo
Joshua Bell, violino
Gary Hoffmann, violoncelo
Evelyn Glennie, marimba
Edgar Meyer, contrabaixo
Chris Thile, bandolim
James Bryan Sutton, violão folk
John Williams, violão

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

 

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

(continuação)

Estilisticamente, a música de Sweelinck também reúne a riqueza, complexidade e sentido espacial dos venezianos Andrea e Giovanni Gabrieli, com quem ele estava familiarizado desde sua estada em Veneza, e as formas de ornamentação dos compositores de teclado ingleses. Em algumas de suas obras, Sweelinck aparece como um compositor do estilo barroco, com a exceção de suas canções que mais se assemelham a tradição renascentista francesa. No desenvolvimento formal, especialmente no uso de contra-stretto e órgão ponto (pedal ponto), a sua música relembra Bach (que muito possivelmente era familiarizado com a música de Sweelinck).

Sweelinck era um mestre da improvisação, e adquiriu o título informal de “Orfeu de Amsterdam”, como dissemos. Mais de 70 obras para teclado sobreviveram e muitas delas devem ser semelhantes às improvisações que os moradores de Amsterdam em 1600 eram acostumados a ouvir. No curso de sua vida, Sweelinck envolveu-se com as liturgias musicais de três tipos de igrejas distintas: a Católica Romana, a calvinista e a luterana, todas as quais se refletem em seu trabalho. Mesmo sua música vocal, que é mais conservadora do que a sua escrita para teclado, mostra uma notável complexidade rítmica e uma riqueza incomum de dispositivos de contraponto.

Sweelinck morreu de causas desconhecidas em 16 de outubro de 1621 e foi sepultado na Oude Kerk. Na época, vivia com sua  esposa e cinco de seus seis filhos. O mais velho deles, Dirck Janszoon que o sucedeu como organista da Oude Kerk.

(fim)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music IV

1 – Nun freut euch, liebenn Christen gemein
2 – Toccata XVII
3 – Fantasia III
4 – Ons is gheboren een kindekijn (Puer nobis nascitur)
5 – Psalm 36
6 – Fantasia IX
7 – Christe qui lux est et dies
8 – Fantasia VIII
9 – Onse Vader in Hemelrijck
10 – Echo Fantasia XIII
11 – Toccata XX
12 – Wir glauben all an einen Gott

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vermeer (1632-1675): Moça com Brinco de Pérola

PQP

A Família das Cordas: La Lira d’Esperia – Jordi Savall

51DGT6SWMXLAo longo da próxima semana – e na falta de outra ideia para navegar a pantagruélica discoteca arquivada no PQP Share – apresentaremos uma breve minissérie dedicada à família das cordas.

Já que a cortesia manda sempre começarmos com os mais velhos, deixo-lhes esta gravação em que o Midas Jordi Savall maneja alguns ancestrais dessa família, entre os quais a viela (vieille, antecedente imediata da lira da braccio que eventualmente chegaria à viola) e o rebab mourisco. O eclético repertório compõe-se de cantigas e danças medievais de vários lugares da Europa, incluindo peças do Norte da África e canções sefarditasacompanhadas de toques muito econômicos de percussão.

LA LIRA D’ESPERIA – JORDI SAVALL

01 – Rotundellus (Galícia – Cantiga 105)
02 – Lamento (Adrianopoli, sefardita)
03 – Danza de las Espadas (Argel, El Kantala)
04 – Istampitta – In Pro (Itália, manuscrito do século XIII)
05 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
06 – Ritual (Argel, Zendani)
07 – El Rey de Francia (Esmirna, sefardita)
08 – Danza Ritual (Galícia, Cantiga 353)
09 – Istampitta – La Manfredina (Itália, manuscrito do século XIII)
10 – Trotto (Itália, manuscrito do século XIII)
11 – Albra (Castellón de la Plana)
12 – Paxarico tu te llamas (Sarajevo, sefardita)
13 – Danza del Viento (Argel, berber)
14 – Istampitta – Lamento di Tristano (Itália, manuscrito do século XIII)
15 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
16 – Ductia (Galícia, Cantiga 248 – Gasconha)

JORDI SAVALL, viela, rebab, rebel mourisco
PEDRO ESTEVAN, percussão

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio. Ah, mas deveria.
Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio.
Só lamento.

 

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

(continuação)

A influência musical de Sweelinck se espalhou tão longe como na Suécia e Inglaterra, respectivamente por Andreas Düben e por compositores ingleses, como Peter Philips, que provavelmente conheceu Sweelinck em 1593. Sweelinck, e compositores holandeses em geral, tinham ligações evidentes para com a escola de inglesa de composição e a música de Sweelinck aparece no Livro Virginal de Fitzwilliam, que contém principalmente o trabalho de compositores ingleses. Ele escreveu variações sobre a Pavane “Lachrimae” de John Dowland, famoso compositor inglês. John Bull, que provavelmente era um amigo pessoal de Sweelinck, escreveu um conjunto de variações sobre um tema musical de sua autoria, depois da morte do compositor holandês.

A obra de Sweelinck representa o mais alto grau de desenvolvimento da escola de teclado holandês e de fato representou um pináculo na complexidade contrapontística no requinte ao teclado, antes do alemão Johann Sebastian Bach. No entanto, ele também era um compositor hábil para vozes e compôs mais de 250 obras corais, entre elas chansons, madrigais, motetos e Salmos.

Algumas das inovações Sweelinck eram de importância musical profunda, incluindo a fuga, a qual ele foi o primeiro a escrever para órgão. Este estilo inicia apenas com uma linha melódica, acompanhada sucessivamente por outra, acrescentando textura e complexidade até um clímax final, uma ideia que foi aperfeiçoada no fim da era barroca de Bach (por exemplo a conhecida Tocata e Fuga em Ré menor de J.S.Bach). Muitas das obras Sweelinck para o teclado foram concebidos como estudos para seus alunos sendo ele o primeiro a usar o pedal do órgão como uma parte real da fuga.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music III

1 – Psalm 116
2 – Psalm 140
3 – Echo Fantasia XI
4 – Toccata XXIII
5 – Ricercar VII
6 – Toccata XXII
7 – Fantasia IV
8 – Allein zu dir, Herr Jesu Christ
9 – Echo Fantasia XII
10 – Allein Gott in der Höh’ sei Ehr
11 – Praeludium XXVII

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vermeer (1632-1675): A Leiteira

PQP

Julian & John – Julian Bream e John Williams

1379712433_folder
Dois monstros do violão clássico tocando juntos: o inglês Julian Bream e o australiano John Williams.

Preciso dizer mais?

Mais, então, não digo.

Desfrutem!

JULIAN BREAM & JOHN WILLIAMS – JULIAN AND JOHN

William LAWES (1602-1645)

Suíte para dois alaúdes

01 – Corant 1
02 – Alman
03 – Corant 2

Ferdinando Maria Meinrado Francesco Pascale Rosario CARULLI (1770-1841)

Duo em Sol maior para dois violões, Op. 34 no. 2

04 – Largo
05 – Rondo

Ferran (Fernando) SOR i Muntades (1778-1839)

L’encouragement em Sol maior para dois violões, Op. 34 no. 4

06 – Cantabile
07 – Tema con variazioni
08 – Valsa

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)

09 – Cantos de España, Op. 232 – No. 4: Córdoba

Enrique GRANADOS y Campiña (1867-1916)

10 – Goyescas – Intermezzo

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

11 – “La Vida Breve” – Danza española

Joseph-Maurice RAVEL (1875-1937)

12 – Pavane pour une Infante Défunte

Gabriel Urbain FAURÉ (1845-1924)

Dolly, Suíte Op. 56

13 – Berceuse
14 – Mi-a-ou
15 – Le Jardin de Dolly
16 – Kitty-Valse
17 – Tendresse
18 – Le pas espagnol

Enrique GRANADOS y Campiña

19 – Danças Espanholas, Op. 37 – no. 2: Oriental

Julian Bream e John Williams, arranjos e violões

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Eis o OUTRO John Williams famoso, compositor estadunidense de trilhas sonoras, e que tá de saco cheio de que lhe peçam para tocar um violãozinho
Eis o OUTRO John Williams famoso, o compositor estadunidense de trilhas sonoras, que está de saco cheio de que lhe peçam para tocar um violãozinho

Vassily Genrikhovich