G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Dunedin e Butt novamente! Sensacional!

O Messias é o oratório mais popular de Handel. É grande número dos corais que atacam, confiantes e sorridentes, o coral Hallelujah. Eles estão certos, não serei eu que irei criticá-los. Só que esta peça está longe de figurar entre o que há de melhor neste oratório cheio de lirismo e de um melodismo raro, riquíssimo. É difícil de se encontrar árias mais inspiradas do que He shall feed His flock, Ev`ry valley shall be exalted, Why do the nations?, corais como For unto us a child is born, And the glory of the Lord, And He shall purify, além da ária-coral O thou thet tellest good tidings to Zion. Handel era genial e aqui tem seu ponto mais alto. A popularidade de O Messias é merecida.

O Messias normalmente ouvido por nós, principalmente no célebre Hallelujah, está bem longe daquilo que foi planejado originalmente por Handel. Pode parecer surpreendente a muitos o fato de que Handel, enquanto compunha o Oratório, lutava contra problemas administrativos que o levaram a utilizar um grupo pequeno de músicos, pela simples razão de que não os havia na Dublin de 1742 e de que era oneroso buscá-los em outras cidades. Handel dispunha apenas de 16 cantores-solistas e uma orquestra mínima e a estreia foi assim mesmo como Butt faz aqui. No curso destes mais de 270 anos, o popular Messias foi executado de todas as formas imagináveis. Nas antigas gravações da obra e até hoje, são ouvidos enormes corais, oboés dobrando as vozes – não há oboés na versão original -, fagotes no baixo contínuo – fagotes, que fagotes? – etc.

Nos anos 70, quando ouvi esta obra prima pela primeira vez, foi na mastodôntica versão de Karl Richter. Achei uma maravilha o que hoje acho estranho. Richter usou enorme coral e um potente conjunto instrumental, tudo muito pouco barroco. Só que os anos seguintes nos trouxeram as gravações em instrumentos originais, com as obras sendo executadas dentro de formações mais próximas do prescrito pelos compositores e muitas obras foram definhando em potência sonora para ganhar outros coloridos. A partir da década de 80, fomos nos acostumando a deixar o volume sonoro para compositores mais modernos e a fruir da delicadeza barroca. Não, não é proibido ouvir as velhas gravações que utilizam exércitos fortemente armados na interpretação deste oratório – e nem as novas que ainda fazem o mesmo! -, mas alguém com tendências puristas como eu, teve de acostumar-se ao uso de forças menores na interpretação do powerful Messiah. Hoje, parece a mim uma desonestidade ouvir uma obra interpretada dentro de uma concepção tão longínqua das intenções do compositor, ou seja, tão longe daquilo que Handel ouvia. Sei que estou em terreno perigoso e que há fóruns que estão discutindo isto há anos. Tudo começa com alguém perguntando “Mas, e se Handel dispusesse de um coral de 96 elementos e pudesse quadruplicar a orquestra, a música seria diferente?”. Tenho posições nestas questões, porém aqui a intenção é a de modestamente descrever e louvar um pouco de O Messias, esta delicada e poderosa obra de câmara…

É lendária velocidade com que Handel escrevia suas obras. Imaginem que os mais de 140 minutos deste oratório foram escritos em apenas 21 dias. Seus doze concerti grossi, opus 6, foram escritos em 24 dias, quando há pessoas que não conseguiriam sequer copiá-los neste período! Quando inspirado, o homem era rápido mesmo.

Mais curiosidades? Quando houve a elogiada e aplaudidíssima estréia em Dublin (em 13 de abril de 1742), Londres recebeu a obra com calculado distanciamento pela simples razão de que os londrinos não podiam ouvi-la. Ocorria que era proibido falar de coisas sagradas nos teatros e não se podia trazer profissionais dos teatros para cantarem numa igreja. Então o oratório, tal qual uma alma penada, caiu no limbo espírita. Mas Handel, velhinho, ainda teve tempo de ver seu oratório triunfar na capital.

O nome de Handel também aparece como Händel ou Haendel. Este alemão que produziu parte de sua obra na Inglaterra teve seu nome grafado nas três formas citadas. Seu nome original é Georg Friedrich Händel, mas ele tornou-se George e Handel na Inglaterra. Como sempre, o PQP usa todas as formas, dependendo da estação.

John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador

John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742)

1 Messiah, HWV 56: Part I: Grave – Allegro moderato 3:05
2 Messiah, HWV 56: Part I: Comfort ye my people (Tenor) 3:16
3 Messiah, HWV 56: Part I: Ev’ry valley shall be exalted (Tenor) 3:10
4 Messiah, HWV 56: Part I: And the glory of the Lord shall be revealed (Chorus) 2:56
5 Messiah, HWV 56: Part I: Thus saith the Lord of Hosts (Bass) 1:17
6 Messiah, HWV 56: Part I: But who may abide the day of His coming (Bass) 3:13
7 Messiah, HWV 56: Part I: And He shall purify (Chorus) 2:27
8 Messiah, HWV 56: Part I: Behold, a virgin shall conceive (Alto) 0:19
9 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest good tidings to Zion (Alto) 3:38
10 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest (Chorus) 1:32
11 Messiah, HWV 56: Part I: For behold, darkness shall cover the earth (Bass) 2:03
12 Messiah, HWV 56: Part I: The people that walked in darkness (Bass) 3:27
13 Messiah, HWV 56: Part I: For unto us a child is born (Chorus) 3:48
14 Messiah, HWV 56: Part I: Pifa (Pastoral Symphony) 2:46
15 Messiah, HWV 56: Part I: There were shepherds (Soprano) 0:12
16 Messiah, HWV 56: Part I: And lo, the Angel of the Lord (Soprano) 0:16
17 Messiah, HWV 56: Part I: And the angel said unto them (Soprano) 0:28
18 Messiah, HWV 56: Part I: And suddenly there was with the angel (Soprano) 0:16
19 Messiah, HWV 56: Part I: Glory to God in the highest (Chorus) 1:54
20 Messiah, HWV 56: Part I: Rejoice greatly, O daughter of Zion (Soprano) 6:19
21 Messiah, HWV 56: Part I: Then shall the eyes of the blind be open’d (Soprano) 0:23
22 Messiah, HWV 56: Part I: He shall feed His flock like a shepherd (Soprano) 5:07
23 Messiah, HWV 56: Part I: His yoke is easy, his burthen is light (Chorus) 2:18
24 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, The Lamb of God (Chorus) 3:09
25 Messiah, HWV 56: Part II: He was despised (Alto) 11:30
26 Messiah, HWV 56: Part II: Surely, He hath borne our griefs (Chorus) 1:46
27 Messiah, HWV 56: Part II: And with His stripes we are healed (Chorus) 1:41
28 Messiah, HWV 56: Part II: All we like sheep have gone astray (Chorus) 3:42
29 Messiah, HWV 56: Part II: But who may abide 0:27

Disc 2
1 Messiah, HWV 56: Part II: Recitative: All they that see Him (Tenor) 0:42
2 Messiah, HWV 56: Part II: He trusted in God that He would deliver Him (Chorus) 2:14
3 Messiah, HWV 56: Part II: Thy rebuke hath broken His heart (Soprano) 1:51
4 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, and see if there be any sorrow (Soprano) 1:22
5 Messiah, HWV 56: Part II: He was cut off out of the land of the living (Soprano) 0:16
6 Messiah, HWV 56: Part II: But Thou didst not leave His soul in hell (Soprano) 2:12
7 Messiah, HWV 56: Part II: Lift up your heads, O ye gates (Chorus) 3:06
8 Messiah, HWV 56: Part II: Unto which of the Angels (Tenor) 0:17
9 Messiah, HWV 56: Part II: Let all the angels of God worship Him (Chorus) 1:26
10 Messiah, HWV 56: Part II: Thou art gone up on high (Bass) 3:00
11 Messiah, HWV 56: Part II: The Lord gave the word (Chorus) 1:07
12 Messiah, HWV 56: Part II: How beautiful are the feet (Soprano, Alto) 3:35
13 Messiah, HWV 56: Part II: Why do the nations so furiously rage together (Bass) 1:27
14 Messiah, HWV 56: Part II: Let us break their bonds asunder (Chorus) 1:48
15 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven (Tenor) 0:21
16 Messiah, HWV 56: Part II: Hallelujah (Chorus) 4:02
17 Messiah, HWV 56: Part III: I know that my redeemer liveth (Soprano) 5:11
18 Messiah, HWV 56: Part III: Since by man came death (Chorus) 2:03
19 Messiah, HWV 56: Part III: Behold, I tell you a mystery (Bass) 0:36
20 Messiah, HWV 56: Part III: The trumpet shall sound (Bass) 8:28
21 Messiah, HWV 56: Part III: Then shall be brought to pass the saying (Alto) 0:12
22 Messiah, HWV 56: Part III: O death, where is thy sting (Alto, Tenor) 0:59
23 Messiah, HWV 56: Part III: But thanks be to God (Chorus) 2:08
24 Messiah, HWV 56: Part III: If God be for us (Soprano) 4:29
25 Messiah, HWV 56: Part III: Worthy is the Lamb that was slain (Chorus) 3:18
26 Messiah, HWV 56: Part III: Amen (Chorus) 4:50
27 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven shall laugh them to scorn 0:11
28 Messiah, HWV 56: Part II: Thou shalt break them with a rod of iron 2:03

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Handel Messiah

PQP

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Béla Bartók (1881-1945): Os Três Concertos para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Bem simples. Em quase 59 anos de vida e ouvindo música há pelo menos 45, digo-lhes que este é um dos melhores CDs que conheço. Não era para menos. Aqui temos o gênio do húngaro Bela Bartók + o extraordinário pianista, também húngaro, Géza Anda + aquele que talvez seja o melhor regente de todos os tempos: o igualmente húngaro Ferenc Fricsay. Imaginem que Fricsay, que infelizmente faleceu precocemente aos 49 anos, foi aluno de Bartók. Não dá para descrever o resultado. São pessoas que conhecem e compreendem profundamente um dos maiores compositores do século XX. Aqui nada é normal ou rotineiro. É para se ouvir de joelhos. Aproveitem este verdadeiro tesouro.

Béla Bartók — Concertos para Piano Nº 1, 2 e 3

1. Piano Concerto No.1, BB 91, Sz. 83 – 1. Allegro moderato – Allegro 9:16
2. Piano Concerto No.1, BB 91, Sz. 83 – 2. Andante 8:35
3. Piano Concerto No.1, BB 91, Sz. 83 – 3. Allegro molto 7:12

4. Piano Concerto No.2, BB 101, Sz. 95 – 1. Allegro 9:59
5. Piano Concerto No.2, BB 101, Sz. 95 – 2. Adagio – Più adagio – Presto 12:18
6. Piano Concerto No.2, BB 101, Sz. 95 – 3. Allegro molto 6:12

7. Piano Concerto No.3, BB 127, Sz. 119 – 1. Allegretto 7:23
8. Piano Concerto No.3, BB 127, Sz. 119 – 2. Adagio religioso 10:16
9. Piano Concerto No.3, BB 127, Sz. 119 – 3. Allegro vivace 6:46

Géza Anda, piano
Radio Symphonie Orchester Berlin — Rias SO de Berlim
Ferenc Fricsay

Gravado em outubro de 1960 (1º concerto) e setembro de 1959 (2º e 3º)

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Bartók: não basta gerar o rebento há que amá-lo e brincar com ele

Bartók: não basta gerar o rebento, há que amá-lo e, se o pedido for razoável, fazer o que ele pede

PQP

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos. 9 “Kreutzer”, 4 & 2

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Excelente gravação de uma Naxos cada vez mais bonita e mainstream. Gatto e Libeer realizam um belo trabalho sobre conhecidas obras de câmara de Beethoven. A linda Sonata para violino e piano nº 9, em lá maior, Op. 47, de Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi inicialmente dedicada a George Augustus Polgreen Bridgetower, um violinista mulato da Polônia e depois, como relata a tradição, por uma fútil questiúncula amorosa, acabou por ser repassada a Rodolphe Kreutzer (1766-1831), um violinista francês que tinha visitado Viena em 1798 e que Beethoven descreveu como um “querido e afável companheiro que durante sua permanência me proporcionou muito prazer”. Kreutzer teve boa sorte póstuma. Em primeiro lugar porque colocou seu nome na melhor das Sonatas para Violino e Piano e, em segundo lugar, porque. em 1889, Tolstói escreveu uma novela chamada Sonata Kreutzer a qual grudou definitivamente o nome do violinista na Sonata Nº 9.  O tema da novela é a morte, as relações de casal e é uma reafirmação dos valores do espírito. Nem deus sabe qual foi a intenção de Tolstói ao dar este título à novela. Mas vala a pena ouvir este CD.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos. 9 “Kreutzer”, 4 & 2

Violin Sonata No. 9 in A Major, Op. 47 “Kreutzer”
1 I. Adagio sostenuto – Presto 13:37
2 II. Andante con variazioni 14:20
3 III. Finale. Presto 8:40

Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23
4 I. Presto 7:04
5 II. Andante scherzoso, più allegretto 7:37
6 III. Allegro molto 5:11

Violin Sonata No. 2 in A Major, Op. 12 No. 2
7 I. Allegro vivace 6:01
8 II. Andante, più tosto Allegretto 5:20
9 III. Allegro piacevole 5:10

Lorenzo Gatto, violin
Julien Libeer, piano

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Lorenzo: um violinista que é gato

Lorenzo: um violinista que é gato

PQP

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Robert Schumann – Piano Quintet in E-flat major, Op.44, Piano Quartet in E-flat major, Op.47,

71MMtb3vkUL._SL1087_Mais uma vez vos trago uma gravação histórica do Beaux Arts Trio. Começa com o magnífico Quinteto op. 44, que considero uma das mais belas obras escritas para esta formação, e logo em seguida encaram outra obra prima, o Quarteto op. 47. Em seguida, os três encaram os três trios que Schumann escreveu. Lhes garanto que vale cada minuto dedicado à audição destes CDs.
Já comentei anteriormente que provavelmente o Op. 44 foi a primeira obra de câmara que ouvi em minha vida, há pelo menos uns quarenta anos, em uma rádio que só tocava música clássica. Claro que não vou me lembrar de quem eram os intérpretes, mas a música ficou gravada em minha cabeça, principalmente a marcha do segundo movimento. Um primor de concisão e explosão emocional, em um dos momentos mais criativos da vida de Schumann. Podem-se ouvir ecos de Brahms se refletindo neste movimento, ou vice versa.

01. PIANO QUINTET in E-flat major, Op.44 I. Allegro brillante
02. II.  In modo d’una marcia. Un poco largamente
03. III. Scherzo. Molto vivace
04. IV. Allegro, ma non troppo
05. PIANO QUARTET in E-flat major, Op.47 I. Sostenuto assai–Allegro ma non troppo
06. II.  Scherzo. Molto vivace
07. III. Andante cantabile
08. IV.  Finale. Vivace
09. PIANO TRIO No.1 in D minor, Op.63 I. Mit Energie und Leidenschaft
10. II.  Lebhaft, doch nicht zu rasch

Beaux Arts Trio
Dolf Betelheim, Samuel Rhodes

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CD 2

01. (cont.) PIANO TRIO No.1 in D minor, Op.63 III. Langsam, mit inniger Empfindung
02. IV.  Mit Feuer
03. PIANO TRIO No.2 in F major, Op.80 I. Sehr lebhaft
04. II.  Mit innigem Ausdruck
05. III. In M..iger Bewegung
06. IV.  Nicht zu rasch
07. PIANO TRIO No.3 in G minor, Op.110 I. Bewegt, doch nicht zu rasch
08. II.  Ziemlich langsam
09. III. Rasch
10. IV.  Kr.ftig, mit Humor

Beaux Arts Trio

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J. S. Bach (1685-1750): Missa em Si Menor, BWV 232

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Céus, que coisa linda este registro da Missa em Si Menor! A maior obra já escrita por um ser humano ganha aqui uma versão arrasadora de cabo a rabo, de cima a baixo. Nesta gravação destacada pela Gramophone inglesa, o que me deixou abobado foi a profunda compreensão da utilização dos corais. Nunca tinha-os ouvido tão claros. A Missa é uma obra para solistas e coral das mais espetaculares e o desempenho do Dunedin Consort permite um nível de clareza e de expressão que não são normais. Os cinco solistas, os sopranos Susan Hamilton e Cecilia Osmond, o contralto Margot Oitzinger, o tenor Thomas Hobbs e o baixo Matthew Brook, respondem com performances prenhes de musicalidade. Também as texturas orquestrais são perfeitas, transparentes. Uma coisa de louco. É CD para se ouvir muito e demais.

J. S. Bach (1685-1750): Missa em Si Menor, BWV 232

Disc 1
1 Kyrie eleison (Chorus) 9:39
2 Christe eleison (Soprano 1 and 2) 4:33
3 Kyrie eleison (Chorus) 2:45
4 Gloria in excelsis Deo (Chorus) 1:42
5 Et in terra pax (Chorus) 4:23
6 Laudamus te (Soprano 2) 4:08
7 Gratias agimus tibi (Chorus) 3:04
8 Domine Deus (Soprano 1, Tenor) 5:10
9 Qui tollis peccata mundi (Chorus) 2:45
10 Qui sedes ad dextram Patris (Alto) 3:57
11 Quoniam tu solus Sanctus (Bass) 4:09
12 Cum Sancto Spiritu (Chorus) 3:47

Disc 2
1 Credo in unum Deum (Chorus) 1:46
2 Patrem omnipotentem (Chorus) 1:54
3 Et in unum Dominum (Soprano 1, Alto) 4:11
4 Et incarnatus est (Chorus) 2:55
5 Crucifixus (Chorus) 3:02
6 Et resurrexit (Chorus) 4:02
7 Et in Spiritum Sanctum Dominum (Bass) 5:27
8 Confiteor unum baptisma (Chorus) 3:40
9 Et expecto resurrectionem mortuorum (Chorus) 2:07
10 Sanctus (Chorus) 4:58
11 Osanna (Double Chorus) 2:38
12 Benedictus (Tenor) 4:55
13 Osanna – Da capo (Double Chorus) 2:39
14 Agnus Dei (Alto) 4:26
15 Dona nobis pacem (Double Chorus) 3:15

Matthew Brook
Susan Hamilton
Thomas Hobbs
Cecilia Osmond
Margot Oitzinger
Dunedin Consort
Dunedin Players
John Butt

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Como conseguiste isso, Butt?

Como conseguiste isso, Butt?

PQP

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Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonia Nº 2, Op. 43 & Sinfonia Nº 7, Op. 105

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Thomas Søndergård (1969), ex-regente da Orquestra da Rádio Norueguesa, representa a chegada de uma nova era na Orquestra da BBC de Gales. Sua estupenda estreia por lá está repetida nesta gravação de estúdio. A coisa é espetacular mesmo. Não adianta. A questão da etnia é cada vez mais clara para mim. O dinamarquês dá de relho na maior parte da concorrência. Esqueçam as clássicas gravações antigas. Guardadas as honrosas exceções e aqueles clássicos que todos sabem como tocar, melhor ouvir russos por russos, escandinavos por escandinavos, brasileiros por brasileiros e estamos conversados. É uma questão de sotaque. Søndergård é convincente por conhecer o folclore e ter nascido ali do ladinho do tio Siba, entendem? Ele tem o SOTAQUE. Isso aqui é Sibelius, gritam meus ouvidos.

A música? Bem, estas sinfonias de Sibelius são esplêndidas. Tenho especial amor pela 7ª, mas a 2ª não lhe fica nada a dever. E o a perfeição desta orquestra… Nossa!

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonia Nº 2, Op. 43 & Sinfonia Nº 7, Op. 105

1 Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: I. Allegretto 9:29
2 Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: II. Tempo andante, ma rubato 13:51
3 Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: III. Vivacissimo 5:54
4 Symphony No. 2 in D Major, Op. 43: IV. Finale. Allegro moderato 12:47

5 Symphony No. 7 in C Major, Op. 105 20:33

BBC National Orchestra of Wales
Thomas Søndergård, regente

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Thomas Søndergård, baita regente dinamarquês

Thomas Søndergård, baita regente dinamarquês

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J.S. Bach (1685-1750): 6 Sonatas para Violino e Piano BWV 1014-19

Um excelente álbum duplo. Surpreende um pouco a opção de Jarrett pelo piano já que ele fez diversas gravações de Bach ao cravo. Mas ficou bonito. Michelle Makarki é uma excelente violinista, profunda conhecedora de Bach e o senso rítmico das Sonatas é mantido com brilhantismo. Penso que o conjunto esteja um degrau abaixo do registro da dupla inglesa Rachel Podger e Trevor Pinnock e do pessoal do Musica Antiqua Köln. Talvez minha escolha seja ditada por minha absoluta preferência pelo cravo nestas peças, mas talvez haja mais coisas. Ouvi apenas uma vez os CDs. Então, achei uma gravação digna, mas não uma first choice.

J.S. Bach (1685-1750): 6 Sonatas para Violino e Piano

Sonata No. 1 In b Minor BWV 1014
1-1 I Adagio 4:11
1-2 Il Allegro 2:57
1-3 Ill Andante 3:08
1-4 IV Allegro 3:18

Sonata No. 2 In A Major BWV 1015
1-5 I Dolce 3:01
1-6 Il Allegro 3:05
1-7 Ill Andante Un Poco 2:54
1-8 IV Presto 4:21

Sonata No. 3 In E Major BWV 1016
1-9 I Adagio 4:36
1-10 Il Allegro 2:53
1-11 Ill Adagio Ma Non Troppo 4:56
1-12 IV Allegro 3:40

Sonata No. 4 In c Minor BWV 1017
2-1 I Largo 4:42
2-2 Il Allegro 4:19
2-3 Ill Adagio 3:06
2-4 IV Allegro 4:41

Sonata No. 5 in f Minor BWV 1018
2-5 I (Largo) 8:06
2-6 Il Allegro 4:17
2-7 Ill Adagio 3:14
2-8 IV Vivace 2:40

Sonata No. 6 In G Major BWV 1019
2-9 I Allegro 3:32
2-10 Il Largo 1:45
2-11 Ill Allegro (Cembalo Solo) 4:43
2-12 IV Adagio 3:17
2-13 V Allegro 3:10

Violin – Michelle Makarski
Piano – Keith Jarrett

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Makarski parece meio apavorada com o que faz Jarrett, não?

Makarski parece meio apavorada com a calma de Jarrett, não?

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Béla Bartók (1881-1945) / Luciano Berio (1925-2003): 44 duos para dois Violinos / Duetos para dois Violinos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Andava eu meio borocoxô, quando esse CD duplo cruzou na minha frente justo hoje. Olha, é um magnífico trabalho, uma joia. Desde a qualidade de som até a interpretação, desde a inspiração folclórica até as composições, desde a origem até nossos ouvidos, o que incluiu pesadas doses de etnomusicologia bartokiana e do indiscutível talento de Berio, que não é só uma Sinfonia. Na boa, fiquei encantado e entusiasmado com este grande CD. Eu tinha essas músicas em vinil, mas os intérpretes não chegavam aos pés desses Crow & Berick aê.

Béla Bartók (1881-1945) / Luciano Berio (1925-2003):
44 duos para dois Violinos / Duetos para dois Violinos

Disc: 1
1. teasing song1. andante
2. maypole dance. andante
3. menuetto. moderato
4. midsummer night song. risoluto
5. slovakian song 1. molto moderato
6. hungarian song 1. moderatamente mosso
7. walachian song 1. allegro moderato
8. slovakian song 2. andante
9. play song. allegro non troppo
10. ruthenian song. andante
11. cradle song. lento
12. haymaking song. lento religioso
13. wedding song. adagio
14. pillow dance. allegretto
15. soldier’s song. maestoso
16. burlesque. allegretto – un poco piu tranquillo – tempo 1
17. hungarian march 1. tempo di marcia, allegramente – piu mosso
18. hungarian march 2. tempo di marcia
19. a fairy tale. molto tranquillo
20. a rhythm song. allegretto – meno mosso
21. new year’s song 1. adagio – molto tranquillo
22. mosquito dance. allegro molto
23. bride’s farewell. lento rubato
24. comic song. allegro scherzando – meno mosso
25. hungarian song 2. allegretto, leggiero – meno mosso
26. teasing song 2. scherzando
27. limping dance. allegro non troppo – piu mosso
28. sorrow. lento, poco rubato
29. new year’s song 2. tempo giusto
30. new year’s song 3. allegro -meno mosso – tempo 1
31. new year’s song 4. allegro non troppo
32. dancing song from maramaros. allegro giocoso
33. harvest song. lento – piu mosso, parlando – tempo 1 – tempo 2
34. counting song. allegramente
35. ruthenian kolomejka. allegro – meno mosso – tempo 1
36. 1. the bagpipe . allegro molto 2. variation of no. 36.allegro molto
37. prelude and canon. lento – un poco piu lento – molto tranquillo – risoluto, non troppo vivace – allegro molto
38. rumanian whirling dance. allegro
39. serbian dance. allegro molto
40. walachian dance. comodo – piu lento – tempo 1 – piu mosso
41. scherzo. vivace
42. arabian song. allegro
43. pizzicato. allegretto
44. transylvanian dance (ardeliana). allegro moderato – piu moderato

Disc: 2
1. béla (bartok)
2. shlomit (almog)
3. yossi (pecker)
4. rodion (schedrin)
5. maja (pliseckaja)
6. bruno (maderna)
7. camilla (adami)
8. peppomp (di giugno)
9. marcello (panni)
10. giorgio federico (ghedini)
11. valerio (adami)
12. daniela (rabinovitch)
13. jeanne (panni)
14. pierre (boulez)
15. tatjana (globokar)
16. rivi (pecker)
17. leonardo (pinzauti)
18. piero (farulli)
19. annie ( neuberger)
20. fiamma (nicolodi)
21. vinko (globokar)
22. franco (gulli)
23. aldo ( bennici)
24. carlo (chiarappa)
25. henri (pousseur)
26. alfredo (fiorenzani)
27. igor (stravinsky)
28. alfred (schlee)
29. massimo (mila)
30. mauricio (kagel)
31. maurice (fleuret)
32. lorin (maazel)
33. lele (d’amico)
34. edoardo (sanguineti)

Jonathan Crow e Yehonatan Berick, violinos

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Bartók era um um homem extraordinariamente elegante, mas aqui no PQP a gente sempre consegue avacalhar.

Bartók era um um homem extraordinariamente elegante, mas aqui no PQP a gente sempre consegue avacalhar.

PQP

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“Renaissance Brass” – Scheidt (1578-1654), Weelkes (1576-1623) etc.: canzone, madrigais etc. em quinteto de metais

RenaissanceBrass CAPA-FRENTEGosto demais deste disco! É verdade que o nome e a imagem da capa são enganosos: os instrumentos de metal que temos aqui não são renascentistas: são dois trompetes, uma trompa, um trombone e uma tuba, todos modernos, que constituem o quinteto da Eastman School of Music, de Rochester, estado de New York.

Mas ao dizer que a capa não corresponde ao conteúdo, não estou dizendo que o conteúdo seja de má qualidade: dentro de sua proposta, é impecável!

Transcrevendo das notas de Joel Israel Cohen na capa deste vinil de 1967:

   Para os puritanos meados do século XX, a ideia de transcrever música de um meio para outro é definitivamente suspeita: a memória de um passado recente em que orquestras de bandolins tocavam rondós de Mozart e pianolas martelavam a Nona de Beethoven ainda persiste e causa estremecimentos embaraçados. Queremos nossa música pura e precisa, com os legatos do segundo oboé exatamente como o compositor os escreveu.

   Outras épocas, no entanto, foram decididamente indiferentes a isso. Durante a Idade Média, Renascimento e Barroco inicial a troca (interchangeability) dos meios de execução era antes a regra do que exceção. Uma composição podia ser cantada, soprada, dedilhada ou friccionada, dependendo das forças que houvesse à mão; nem parece ter existido a ideia da coloração sonora real, verdadeira e autêntica para uma determinada peça. Os madrigais de Thomas Weelkes, por exemplo: embora tenham sido escritos como música vocal, podiam ser e provavelmente eram executados também por instrumentos, e embora o compositor não fosse familiarizado com o timbre dos instrumentos de metal modernos, é improvável que ele fizesse objeção à presente reencarnação de suas obras.

Enfim: o monge Ranulfus acha isso extraordinariamente bonito, e sente algo assim como um efeito tranquilizante, consolador, ao ouvir essas frases com esses timbres. E espera que entre nossos leitores também haja quem venha a gostar!

“Renaissance Brass”
German and English music of the late renaissance “for brass”

  • MÚSICA ALEMÃ: Samuel Scheidt (1587-1654)
    A01 Canzona Gallicam 04’45
    A02 Benedicamus Domino 5’12
    A03 Galliard Battaglia 01’32
    A04 Wendet euch um ihr Äderlein 02’00
    A05 Canzona Aethiopicam 04’36
    A06 Canzona Bergamasca 04’35
  • MÚSICA INGLESA: Thomas Weelkes (1576-1623)
    B01 In Pride of May 01’58
    B02 O Care, Thou Wilt Despatch Me 02’15
    B03 Sit Down and Sing 01’09
    B04 Death Hath Deprived Me 04’43
    B05 As Wanton Birds 01’24
  • MÚSICA INGLESA: diversos
    B06 William Simmes (1575-1625): Fantasie 02’08
    B07 Alphonso Ferrabosco Jr (1575-1628): Four Note Pavan 02’12
    B08 Anthony Holborne (1545-1602): Galliard 01’54
    B09 John O’Koever (?-?): Fantasie 02’28
    B10 Orlado Gibbons (1583-1625): In Nomine 03’34

EASTMAN BRASS QUINTET
Daniel Patrylak and Philip Collins, trompetes
Verne Reynolds, trompa
Donald Knaub, trombone
Cherry Beauregard, tuba

Gravado em Nova York em setembro de 1967
Digitalizado por Ranulfus em junho de 2016

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. . . . . . . BAIXE AQUI (download here) – MP3 320 kbps

Ranulfus

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Brahms, Bach, Ravel, Chausson, Waxman: Música para violino e piano

Este disco é bom demais, mas tem limitações, sabem? O Brahms é MESMO NOTÁVEL, o Bach é LINDO DE MORRER, o Ravel é EXTRAORDINÁRIO, mas depois o pequepiano de verdade deverá desligar o computador ou o CD Player porque a coisa fica suspeita. Após uma transição meio estranha a cargo de Chausson — um francês que achei mela-cueca — , o tal Waxman faz um medley de Carmen que é das piores coisas que ouvi ultimamente. OK, o CD tem cara de recital. Daquele gênero de recital que começa com o filé e termina com aquela concessão ao gosto do público mais vulgar. É um estilo do qual não gosto. Mas, como diz Milton Ribeiro, futebol é bola na rede e o resto é secundário. Então ouçam o que e como quiserem. Mas de uma coisa tenham certeza, esses armênios aê são bons pra caralho.

Brahms, Bach, Ravel, Chausson, Waxman: Música para violino e piano

Brahms:
1. Violin Sonata No. 3 in D minor Op. 108: I. Allegro
2. Violin Sonata No. 3 in D minor Op. 108: II. Adagio
3. Violin Sonata No. 3 in D minor Op. 108: III. Un poco presto e con sentimento
4. Violin Sonata No. 3 in D minor Op. 108: IV. Presto agitato
Bach:
5. Ciaccona from Partita No.2 in D minor, BWV 1004 for violin solo
Ravel:
6. Tzigane, Rhapsodie de Concert
Chausson:
7. Poème Op. 25
Waxman:
8. Carmen Fantasie for Violin and Piano base on Themes from the Opera of Georges Bizet

Sergey Khachatryan, Violino
Lusine Khachatryan, Piano
Vladimir Khachatryan, Piano

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Sergey e Lusine Khachatryan, não encontramos Vladímir

Sergey e Lusine Khachatryan, não encontramos Vladímir

PQP

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.: intermezzo :. Besame Mucho: Dominick Farinacci

Nos ecos do trompete de Al Hirt, trazido, para meu enaltecimento e honraria pelo compadre mestre Avicena, trago um maravilhoso trompetista menos conhecido em nossas paragens. O formidável Dominick Farinacci, americano de Cleveland – Ohio; nascido em 3 de março de 1983, ou seja, na ponta do ramo de uma nova e brilhante geração de trompetistas. Também compositor e band-leader, Dominick foi um dentre apenas 18 classificados em todo mundo pela Julliard School num programa especial de bolsas para quatro anos de formação. Teve sua carreira impulsionada por Wynton Marsalis, seguindo-se então uma sucessão de êxitos e prêmios. Segundo nos conta Dominick, sua preferência de menino teria sido tornar-se baterista. Para nossa sorte ele não demonstrou talento nesse instrumento e o maestro de sua escola declarou que precisavam na verdade de trompetistas. Os êxitos de Dominick não turvaram sua modéstia. Digo isso por razões que explicarei a seguir. Particularmente falando, posso me orgulhar, como trompetista, de partilhar com ele duas coisas em comum: o trompete e o fato de termos sido inspirados por Louis Armstrong – como aconteceu com inúmeros outros músicos ligados ao Jazz no decurso do século XX. Explico o meu caso. Quem se lembra das velhas TVs Telefunken, aquelas em preto e branco, valvuladas, que passávamos os parcos canais naqueles botões para direita e para esquerda, trock-trock… pois é. Foi numa delas, na casa da minha avó em Caruaru – Pe, que em 1971 vi notícias sobre o falecimento de Satchmo, ou Pops, ou ainda Papa Louis. Aqueles sons e aquela figura incrível, com sua voz indescritível, me tomaram para sempre. Somente anos depois, devido a certa carência de informações no meu contexto, pude conhecer mais sobre ele, todavia, o gosto pelo instrumento permaneceu e acabei virando trompetista. Com Dominick, segundo ele mesmo, se deu algo similar. Suas inspirações foram Louis Armstrong e Harry James. Sei que em 1983, quando a cegonha o trouxe ao mundo, eu estava mergulhado no disco Hello Dolly e nos fascículos da ótima e misericordiosa série Gigantes do Jazz da Editora Abril. Especialmente no primeiro disco, de Louis, que ouvi até o vinil ficar branco. Não vem ao caso mas… vou contar que é divertido: Fascinado pelo jazz de New Orleans, em minha fantasia de moleque de 13, 14 anos, a cidade em que eu então vivia – no interior de Sergipe – era a própria New Orleans. Reuni uns colegas, clarineta, trombone, percussão, tuba; mostrava as gravações pra eles e tentávamos macaquear o que ouvíamos com resultados desastrosos mas empolgantes. Assim foi fundada a “Jass Band Itabaiana City” (SSs propositais, conforme as primeiras bandas do gênero). Todos tinham nomes de guerra: Lord Cotonete (eu), Kid Sacabuxa (o trombonista Roberto Millet), Zero (o clarinetista Aroldo Santos), Touro Sentado à bateria (meu pai Uéliton Mendes RIP) e por fim Salário Mínimo (meu irmão mais novo Saulo Mendes ao cavaquinho). Então fazíamos funerais de New Orleans pelas ruas, com uma grande caixa de papelão como um caixão de defuntos, que a molecada ajudava a carregar. Era um espanto. As pessoas não tinham ideia do que diabo era aquilo, espantávamos os cavalos na feira, choviam batatas sobre nós… é isso, contei. Adiante.

Falando então do que pontuei acima, a modéstia do artista. É encantador quando a um grande talento se soma a virtude da humildade. A música é muito reveladora, em diversos aspectos. Particularmente falando, abomino virtuosismo gratuito. Ou a habilidade serve à música, como no caso de Liszt, ou que o sujeito vá tocar suas mil notas por segundo numa corda bamba, com uma melancia na cabeça e um macaco hidrófobo dentro das calças. Francamente. Um trompetista renomado que me causa certa aversão é o magnífico cubano Arturo Sandoval, especialmente quando não está em seu habitat musical natural: os estilos de sua ilha natal. Ao jazz Arturo se empenha obsessivamente em demonstrar que é o pisto mais rápido do Oeste e que toca para além das estratosferas agudas como nenhum outro – sempre perderá para Jon Faddis e Maynard Ferguson. É algo deveras irritante. Faço essa extrema comparação para pontuar a sobriedade do estilo de Dominick. Fraseador formidável, mais afeito ao gênio de Chet Baker a ao comedimento cool de Miles Davis, sem ser glacial. Um maravilhoso melodista, que busca em suas improvisações o discurso eloquente, porém expressivo. Já realizou bom número de álbuns e continua a todo vapor em sua carreira, todavia não precisa expor nos seus encartes os dotes físicos, como andou fazendo o Chris Botti – possivelmente imitando as antológicas fotos de Chet Baker por William Claxton; mas também um bom trompetista.

Outro dom fundamental de Dominick é o bom gosto na escolha do seu repertório. Neste disco, a faixa título é um tema icônico das antigas, todos conhecem ‘Besame Mucho’, da pianista e compositora mexicana Consuelo Velásquez (1916-2005), peça de 1940; que já tive o prazer de tocar em mil e uma noites nas serestas de meus anos passados pelos interiores, sempre com prazer. De música bonita a gente não cansa. Consuelo disse que se inspirou em uma ária de ópera de Henrique Granados (fica o desafio pra quem quiser nos dizer qual é). Poucos sabem que até os Beatles gravaram Besame Mucho, numa fracassada sessão de gravações em 1961, porém, a faixa viria à tona em uma antologia futura. João Gilberto também gravou o tema, muito depois do suicídio do seu gato. O disco abre com ‘Ghost of A Chance’, baladíssima usual no repertório de inúmeros jazzistas, embora a suprema gravação seja de Clifford Brown em um dos zênites do jazz. A segunda faixa foi um ‘desconcerto’ quando ouvi pela primeira vez. Em que esquina de NY Dominick teria se batido com Herivelto Martins?! A antológica canção brasileira ‘Caminhemos’. Belíssimo tema aqui tratado com belo arranjo e maravilhosa interpretação. A quinta faixa também é do fundo do baú e também do repertório do Al Hirt no filme Candelabro Italiano – ‘Al Di La’. Em seguida, Piazzolla, o intenso ‘Libertango’. Na faixa 8 um clássico do repertório Bebop, o melódico tema Nostalgia, do soberbo trompetista Fats Navarro. Na décima faixa outra baladíssima, a sinatriana ‘You go to my head’.

Não sei se Dominick reclamaria disso, mas o disco tinha apenas 11 faixas e acrescentei mais três. O fiz, a princípio, porque são temas que ele interpreta maravilhosamente; também porque havia pensado em somente duas faixas e isso daria um número azarento, assim acrescentei mais uma e ficaram 14 faixas. Não são quaisquer temas. Na faixa 12, eu diria que Dominick dá um ‘ciao’ – seu sobrenome Farinacci (que se ele não fosse um cara modesto poderia ter mudado), evidencia sua origem italiana. O tema de Nino Rota ‘Speak Softly Love’ do poderoso Chefão, que todos conhecem… Olha lá, não quero dizer que o Dominick seja afilhado de nenhum Dom Corleone (mas também nada contra, quem me dera!); seja como for, olhando para ele podemos considerar que ficaria ótimo como um talentoso e simpático ragazzo trompetista na trilogia de Coppola. A outra faixa acrescentada é o bonito tema Estate, de Bruno Martino e por fim um lindo tema imortalizado no jazz por John Coltrane: Say It.

Após estas considerações nas quais figuraram apreciações, confidências e diatribes, vamos à música, com o talentoso Dominick Farinacci.

Besame Mucho: Dominick Farinacci

1 Ghost of A Chance
2 Caminhemos
3 It’s all right with me
4 Besame Mucho
5 Al Di La
6 Libertango
7 Shmoove
8 Nostalgia
9 Jimmy two times
10 You go to my head
11 Down to the wire
12 Speak Softly Love
13 Estate
14 Say It

Dominick Farinacci, (trumpet)
Adam Birnbaum (piano)
Peter Washington (bass)
Carmen Intorre,jr. (drums)
Recorded: NYC, April 17-18,2004

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trompetista

Wellbach

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Leevi Madetoja (1887-1947): Symphony No. 2 in E-Flat Major, Op. 35 / Kullervo / Elegy

Madetoja foi aluno de Sibelius e isto fica claro logo que começamos a ouvi-lo. Mas Madetoja é muito mais grandioso e menos dotado de talento Porém, não é suplício manter contato com este CD.  A orquestração é excelente, a orquestra de Helsinki é maravilhosa e a gente acaba engolindo tudo facilmente. Mas não é um gênio como foi seu professor. Sua maior obra é esta Sinfonia Nº 2 e é curioso notar como há nela tanto Sibelius quanto Tchaikovski. O final da Sinfonia, triste e resignado, é seu ponto alto. Ele escreveu três sinfonias e sua inspiração secou. Havia uma quarta sinfonia totalmente pronta, mas ela foi perdida numa estação ferroviária de Paris em 1938. Madetoja ficou muito deprimido. Exausto, morreu aos 60 anos de doença cardíaca.

Leevi Madetoja (1887-1947): Symphony No. 2 in E-Flat Major, Op. 35 / Kullervo / Elegy

1 Kullervo, Op. 15 14:23

Symphony No. 2 in E-Flat Major, Op. 35
2 I. Allegro moderato 13:24
3 II. Andante 13:36
4 III. Allegro non troppo 09:40
5 IV. Epilogue: Andantino 05:05

6 Sinfoninen sarja (Symphonic Suite), Op. 4: I. Elegia (Elegy) 05:54

Helsinki Philharmonic Orchestra
John Storgårds

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Leevi Madetoja: grandiloquente

Leevi Madetoja: grandiloquente, mas com belo final de Sinfonia

PQP

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.: interlúdio :. Al Hirt – Memories – 1999

Screen Shot 2016-06-20 at 3.41.58 PM Al Hirt
Memories 1999

CD lançado logo após a morte do excepcional trompetista Al Hirt. Dedico esta postagem ao nosso grande trompetista Wellbach, cuja pena produz textos tão saborosos quanto um trompete tocando Ciribiribin, e a todos os semi-novos que tiveram a felicidade de dançar ao som do Al Hirt durante os anos dourados.

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Al Hirt – Memories
01. I Can’t Get Started
02. Stardust / The Man With The Horn
03. Ciribiribin
04. Tuxedo Junction
05. Gonna Fly Now
06. Tenderly
07. Java
08. Toy Trumpet
09. Cherry Pink And Apple Blossom Wine
10. And The Angels Sing
11. Feels So Good
12. Boy Meets Horn
13. Rhapsody In Blue

Memories – 1999
Al Hirt

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC | 253,9 MB

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MP3 | 320 kbps | 88,8 MB

powered by iTunes 12.4.1 | 40,6 min

Boa audição

vida é curta

 

 

 

 

 

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Avicenna

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G. F. Handel (1685-1759): Water Music

Tantas vezes postamos a Música Aquática que desta vez vamos apenas aos detalhes históricos e um pouco de opinião depois. Música Aquática (em inglês: Water Music) é uma coleção de movimentos orquestrais, frequentemente divididos em três suítes — but not here –, compostas por Handel. Sua estreia se deu em 17 de julho de 1717, após o rei Jorge I encomendar um concerto para ser executado sobre o rio Tâmisa. O concerto foi executado originalmente por cerca de 50 músicos, situados sobre uma barca nas proximidades da barca real, a partir da qual o monarca escutava a peça com seus amigos mais próximos, incluindo Anne Vaughan, Duquesa de Bolton, a Duquesa de Newcastle, a Condessa de Darlington, Condessa de Godolphin, Madame Kilmarnock, e o Earl das Órcades. As barcas dirigiam-se a Chelsea ou Lambeth. O rei Jorge teria gostando tanto das suítes que pediu a seus músicos, já esgotados, que tocassem-na por três vezes durante o tempo do percurso.

A Akademie für Alte Musik Berlin dá esplêndida interpretação às obras. Os caras parecem ter certa predileção por suítes, pois já fizeram misérias em obras análogas de Telemann.

G. F. Handel (1685-1759): Water Music

1 I. Overture. Largo – Allegro 3:12
2 II. Adagio e staccato 2:08
3 III. [Allegro] 2:08
4 IV. Andante – [Allegro] da capo 4:30
5 V. [Allegro] 2:47
6 VI. Air 3:11
7 VII. Minuet 2:23
8 VIII. Bourrée 1:10
9 IX. Hornpipe 1:30
10 X. [Allegro moderato] 3:41
11 XI. [Allegro] 2:00
12 XII. [Alla Hornpipe] 3:43
13 XIII. [Minuet] 2:49
14 XIV. [Rigaudon 1] 1:07
15 XV. [Rigaudon 2] – XIV. [Rigaudon 1] 1:28
16 XVI. Lentement 1:59
17 XVII. [Bourrée] 1:14
18 XVIII. Menuet [1] 0:56
19 XIX. [Menuet 2] 1:36
20 XX. [Gigue 1] – XXI. [Gigue 2] da capo 2:11
21 XXI. Minuet (Coro) 2:39

Akademie für Alte Musik Berlin

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Ponte de Westminster no dia da Música Aquática, de Canaletto, 1746 (detalhe)

Ponte de Westminster no dia da Música Aquática, de Canaletto, 1746 (detalhe)

PQP

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Mighty Aphrodite – music from the motion picture

Não vou contar o filme. Se o fizesse seria um infame, um vilão. Poderosa Afrodite é uma das obras mais deliciosas do cinema e uma das melhores e imaginativas criações de Woody Allen. Como poderia estragar o prazer de quem ainda não o viu? Além disso, é um filme fácil de se encontrar, felizmente está ao alcance de todos. Sua trilha é mais uma galeria de delícias de diversos autores. O disco, assim como o filme, abre ao som do Bouzouki – tradicional cordofone grego. Duas faixas bonitas, com a intensidade e a expressividade da música das plagas de Alexis Zorba. A segunda peça traz a assinatura de um mestre no gênero, George Zambetas. Sendo um filme de Woody Allen é natural que logo surja um jazz das antigas, na faixa 3, com o trombonista Wilbur de Paris – que não era parisiense, era sobrenome mesmo, tocando ‘I’ve found a new baby’. Benny Goodman, sem dúvida um dos ídolos do também clarinetista Woody Allen, aparece na faixa 4, com a famosa Whispering. Goodman que foi aclamado o Rei do Swing, mais tarde sabiamente penduraria as chuteiras com a derrocada do estilo big-band, indo tocar música erudita, a exemplo do concerto de Mozart, mais Bartok, Copland, Bernstein, Stravinsky… Na faixa 5, a joia de Rodgers & Hart: Manhattan, numa daquelas raras gravações que Allen costuma exumar para os seus filmes, uma versão de Carmen Cavallaro – embora de nome feminino, foi um famoso pianista em sua época. A faixa 7 é um dos ápices do disco. Li’l Darlin’, tema de Neal Hefti, com Count Basie e Orquestra. Apesar de Duke Ellington, como sabemos, ser o rei da elegância no jazz, nesse momento o duque tira a sua coroa para o conde. Uma das gravações mais bonitas e perfeitas do jazz. Ouvimos o lacônico piano de Basie, característica desenvolvida, segundo ele, devido ao fato de ter que revezar sua mão direita entre o teclado, o charuto, o copo de whisky e a mão direita dos que vinham cumprimentá-lo enquanto ele tocava nas noites de Kansas City e NY. Um absoluto primor. A faixa seguinte, de número 8, Errol Garner interpreta Penthouse Serenade, tema ‘utilizado’ pelo Djavan, que, até onde eu saiba, não foi devidamente creditado a Jackson & Burton – ilustres menos conhecidos. Garner também aparece na faixa seguinte de número 9 e na 10 o Ramsey Lewis Trio sacode os esqueletos com uma peça gravada nos anos 60, com um jazz já metamorfoseado em soul music – The ‘in’ crowd. As faixas 11 e 12 são verdadeiras delícias: o Dick Hyman Chorus com dois clássicos, primeiro o standard de Cole Porter, ‘You do something to me’ (que está num dos mais belos momentos do filme de Allen); e ‘When you’re smiling’, tema imortalizado por Billie Holiday e Louis Armstrong. A última faixa de número 13, é uma peça que apesar de constar no encarte do disco não consta no mesmo, talvez devido a algum problema com os direitos autorais, mas dei um jeito de constar e aqui temos o famosíssimo Take Five de Paul Desmond, naturalmente na sua versão consagrada, com o Dave Brubeck Quartet; destaque para o antológico solo de bateria do grande Joe Morello, eu diria, só ombreado pelo percussionista à caixa clara da Banda de Pífanos de Caruaru na faixa A Briga do Cachorro com a Onça – raridade que em breve estará também no PQP. Deliciem-se com esta maravilhosa trilha sonora. Dedico esta postagem tão saborosa ao nosso patriarca Mr. Avicena, com o abraço de todos nós.

Mighty Aphrodite – music from the motion picture

1 Neo Minore – Vassilis Tsitsanis in bouzouky solo
2 Horos Tou Sakena – George Zambetas in bouzouky solo
3 I’ve found a new baby – Wilbur de Paris
4 Whispering – Benny Goodman
5 Manhattan – Carmen Cavallaro
6 When your love has gone – Bert Ambrose Orchestra
7 Li’l Darlin’ – Count Basie Orchestra
8 Penthouse Serenade – Errol Garner
9 I handnt anyone till you – Errol Garner
10 The ‘in’ crowd – Ramsey Lewis Trio
11 You do something to me – Dick Hyman Chorus
12 When you’re smiling – Dick Hyman Chorus
13 Take Five – The Dave Brubeck Quartet

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Trilha sonora deliciosa de um filme impagável.

Trilha sonora deliciosa de um filme impagável.

Wellbach

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Johannes Brahms (1833-1897) – Vioin Concerto & Double Concerto – Perlman, Rostropovich, Haitink, Giulini, CSO, RCO

21V0KXQC1YLFaz tempo que o Concerto Duplo de Brahms não aparece por aqui, então resolvi traze-lo novamente, além do Concerto para Violino do mesmo Brahms,  duas gravações que entraram no panteão das grandes gravações e que trazem o maior violinista de sua geração, Itzhak Perlman muito bem acompanhado: no Concerto Duplo temos simplesmente Rostropovich, que dispensa apresentações, assim como Haitink e a excepcional Orquestra do Concertgebow de Amsterdam, considerada a melhor orquestra do mundo das últimas décadas. A gravação com o Giulini do Concerto para violino já apareceu por aqui, nos primórdios do blog.

9190b5UPPIL._SX522_Como diria nosso querido Carlinus, uma boa apreciação !!!

01 Double Concerto for Violin and Cello in A Minor, Op.102_ I. Allegro
02 Double Concerto for Violin and Cello in A Minor, Op.102_ II. Andante
03 Double Concerto for Violin and Cello in A Minor, Op.102_ III. Vivace non troppo

Itzhak Perlman – Violin
Sviatoslav Rostropovich – Cello
Royal Concertgebow Orchestra

04 Violin Concerto in D, Op.77_ I. Allegro non troppo
05 Violin Concerto in D, Op.77_ II. Adagio
06 Violin Concerto in D, Op.77_ III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace

Itzhak Perlman – Violin
Chicago Symphony Orchestra
Carlo Maria Giulini

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Igor Stravinsky (1882-1971) / Witold Lutoslawski (1913-1994): Violin Concerto / Chain 2 & Partita

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este disco de 1990 é uma joia. E é também um CD de grandes artistas celebrando a talentosa violinista Anne-Sophie Mutter. Temos o imenso Paul Sacher regendo o Concerto de Stravinsky e Witold Lutoslawski conduzindo sua própria música. Garanto-lhes que você não poderá obter performances melhores desta música em CD. Ao menos por enquanto. O conhecido Concerto de Stravinsky é a peça mais conhecida e fácil de compreender neste CD. Mutter é absurdamente brilhante neste concerto. Os Lutoslawski são mais difíceis mas nada agressivos. Eu os colocaria em algum lugar na transição entre a música erudita conservadora do século 20 conservadora e os casos mais intrincados. De qualquer maneira, o prazer de ouvir Mutter é algo.

Igor Stravinsky (1882-1971) / Witold Lutoslawski (1913-1994): Violin Concerto / Chain 2 & Partita

Igor Stravinsky (1882 – 1971)
Concerto en rPartie for violin and Orchestra
1) 1. Toccata [5:51]
2) 2. Aria I [4:09]
3) 3. Aria II [5:13]
4) 4. Capriccio [5:49]
Anne-Sophie Mutter
Philharmonia Orchestra
Paul Sacher

Witold Lutoslawski (1913 – 1994)
Partita (for Violin and Orchestra)
5) 1. Allegro giusto [4:14]
6) 2. Ad libitum [1:12]
7) 3. Largo [6:22]
8) 4. Ad libitum [0:47]
9) 5. Presto [3:51]
Anne-Sophie Mutter
Phillip Moll
BBC Symphony Orchestra

Witold Lutoslawski
Chain 2 Dialogue for Violin and Orchestra
10) 1. Ad libitum [3:48]
11) 2. A battuta [4:58]
12) 3. Ad libitum [4:58]
13) 4. A battuta – Ad libitum – A battuta [4:27]
Anne-Sophie Mutter
BBC Symphony Orchestra
Witold Lutoslawski

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Anne-Sophie Mutter em pode especial para o PQP Bach

Anne-Sophie Mutter em pode especial para o PQP Bach

PQP

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De Falla (1876-1946): Concierto para Clave – Orbón (1925-1991): 3 Cantigas del Rey; Partitas – Arauxo (1584-1654): Tiento – Selma y Salaverde (1595-1636): canzone, danze. Rafael Puyana, Heather Harper.

BISCOITO FINO, senhores! Fino e incomum. É até difícil escolher por qual aspecto começar a falar deste que talvez seja o mais ciumentamente conservado entre os vinis do Monge Ranulfus – então comecemos justamente pelo desafio que foi a digitalização.

É espantoso, antes de mais nada, que tão tremendo material nunca tenha sido relançado em formato digital, com remasterização profissional. Nossa luta para recuperar o conteúdo foi inglória: toda tentativa de reduzir o rumble de fundo resultou em distorção grotesca dos timbres, e até sumiço de notas essenciais. O que os senhores têm em mãos é portanto apenas uma “fotografia” de uma audição de vinil, onde há uma discreta porém contínua nota que os compositores não escreveram, introduzida pela mecânica do equipamento – além de algumas fantasmagorias eletroeletrônicas, que sequestrariam integralmente o som do cravo caso fossem removidas, especialmente na bela faixa 14. Espero que me perdoem porque poderia ser pior: poderíamos não ter essa música ao alcance!

A capa proclama orgulhosamente que, exceto o concerto de De Falla, todas as faixas são “primeiras gravações mundiais”. É uma produção complexa, envolvendo diferentes grupos de músicos, inclusive dois regentes de renome, tendo em comum apenas o cravista Rafael Puyana – por isso espanta que a Philips holandesa não tenha registrado local nem data das gravações, nem do lançamento. Podemos apostar em 1963 ou 64 apenas porque as “Partitas” de Julián Orbón aparecem sem numeração – e em sua lista de obras se encontram “Partitas nº 1” de 1963, e “Partitas nº 2” já de 1964.

Rafael Puyana, de certa forma o star da produção – não sem razão, mesmo se em boa parte do disco o cravo não é solista -, nasceu na Colômbia em 1931. Estreou como pianista aos 13 anos, foi estudar em Boston aos 16, e aos 19 estava em Paris, como aluno de cravo de ninguém menos que Wanda Landowska, e de composição da onipresente Nadia Boulanger.

O disco se abre com o paradoxal monumento que é o Concerto para Cravo, Flauta, Oboé, Clarinete, Violino e Violoncelo – composto por de Falla em 1926 e dedicado precisamente a Madame Landowska. Paradoxal porque atinge o lirismo através de aspereza e energia frenética, quase a patadas, e a monumentalidade em meros 13 minutos – e justamente por isso é um monumento. Se, como disse José Miguel Wisnik, A Sagração da Primavera for “heavy metal de luxo”, pra mim isto será “heavy metal de luxo de câmara, cool e cult” – algo assim.

Em contraste, o lado B traz música espanhola da renascença ou barroco inicial: um Tiento de Francisco Correa de Arauxo para teclado solo, e o resto são “canções” e danças instrumentais compostas ou arranjadas em contraponto pelo frei Bartolomé de Selma y Salaverde. Pense 1963, e verá que esse foi um trabalho pioneiro, anterior à prevalência dos instrumentos de época, mas feito com suficiente garra e bossa para não me soar inautêntico. O destaque vai para a faixa 14 (com perdão dos seus ruídos inexorcizáveis), onde os ‘due tenori’ que dialogam são feitos por um fagote moderno e por uma dulciana – de mesma tessitura, porém de timbre mais recolhido – num possível símbolo da passagem de bastão que se daria na abordagem à música antiga nas décadas seguintes.

Finalmente, Julián Orbón: nascido na Espanha, fez o trajeto inverso a Puyana: aos 18 anos veio morar em Cuba, com a família também de músicos. Depois terminou se instalando nos EUA, onde foi alvo de altos elogios de Copland, com quem teve aulas. Nas Tres Cantigas del Rey o cravo e um quarteto de cordas dialogam de modo contemporâneo com as Cantigas de Santa Maria atribuídas a Dom Alfonso X, “el sabio”, rei de Castela, sendo os textos, no entanto, não em castelhano e sim em galego-português arcaico – dos mais antigos documentos da nossa língua, portanto. O resultado? Ouçam vocês mesmos. Comento apenas que minha preferida é a segunda.

Quanto às suas Partitas para cravo solo, tomei a liberdade de deslocar do final do lado A para o final geral do programa – pois para mim isso é música pra lá de séria. De uma profundidade introspectiva que exige silêncio depois, e não danças saltitantes. E afirma Orbón, para mim, como um compositor maiúsculo, substancial, que não era pra estar entre os “etcétera”, como se encontra agora. Quer dizer: qualquer pista para mais de Julián Orbón será bem-vinda!

Manuel de Falla (1876-1946): Concierto para Clave y cinco instrumentos (1926)
01 Allegro  03’15
02 Lento (giubiloso ed energico)  05’53
03 Vivace (fessibile, scherzando)  04’04

Julián Orbón (1925-1991): Tres Cantigas del Rey (1960)
04 A creer devemos que todo pecado (cantiga 65)  02’09
05 A Virgen en que é toda santidade (cantiga 134)  03’44
06 Resurgir pode et fazel os seus vivel (cantiga 133)  01’23

Fray Bartolomé de Selma y Salaverde (~1595 – ~1636)
07 Canzona a 4 (sopra Bataglia)  04’37

Francisco Correa de Arauxo (1584-1654)
08 Quinto Tiento de séptimo tono (cravo solo)  04’00

Fray Bartolomé de Selma y Salaverde (~1595 – ~1636)
09 Gagliarda a 2  01’40
10 Canzona per soprano solo  03’11
11 Balletto a 2 e a 3  01’57
12 Corrente a 3  00’35
13 Corrente a 4  01’00
14 Canzona a 3 (due tenori e basso)  04’06

Julián Orbón (1925-1991)
15 Partitas nº 1 (cravo solo) (1963)  09’37

  • Rafael Puyana, cravo
  • David Sandeman, Neil Black, Thea King, Raymond Cohen, Terence Weil, com direção de Charles Mackerras (faixas 01 a 03)
  • Heather Harper, soprano; London Symphony String Quartet; direção de Antal Dorati (faixas 04 a 06)
  • David Munrow, flauta doce e dulciana. Deirdre Dundas-Grant, fagote. Raymond Cohen, Nona Liddell, violinos. Patrick Ireland, viola. Terence Weil, violoncelo. Oliver Brookes, violone. Stephen Whittaker, percussão (faixas 07 a 14)

.  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here (MP3 320 kbps)

Ranulfus

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Carl Nielsen (1865-1931): Symphonies Nos. 1 & 3

Um excelente disco gravado por quem conhece profundamente Nielsen. Esta interpretação da Espansiva é realmente uma joia. O primeiro movimento, que parece ser tão difícil de ser entendido por algumas orquestras não escandinavas, aqui aparece com o brilho da alegria requerida pelo compositor. Das gravações que ouvi, apenas Bernstein acertou em cheio, mas Lenny sempre acertava. Oramo dá um show com a a orquestra de Estocolmo. Nielsen, segundo violino numa orquestra dinamarquesa, era capaz de grandes alegrias, como mostra a foto abaixo. E Oramo responde de forma… expansiva.

Carl Nielsen (1865-1931): Symphonies Nos. 1 & 3

Symphony No. 1 in G mino Op. 7
01. I. Allegro orgoglioso
02. II. Andante
03. III. Allegro comodo – Andante sostenuto – Tempo I
04. IV. Finale. Allegro con fuoco

Symphony No. 3, ‘Sinfonia espansiva’ Op. 27
05. I. Allegro espansivo
06. II. Andante pastorale
07. III. Allegretto un poco
08. IV. Finale. Allegro

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Sakari Oramo

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Carl Nielsen gostava de brincar com sua máquina fotográfica

Sim, este é Carl Nielsen em momento de bom humor

PQP

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Johann Stamitz (1717-1757) / Franz Xaver Richter (1709-1789): Early String Symphonies

Esta é uma tentativa de recriar uma época importante na história da música erudita, a do início da sinfonia clássica, entre os anos de 1745 a 1760. A música é do barroco tardio, mas quase já não é, se me entendem. Já estamos dando um passo para fora do estilo. Stamitz, um compositor checo, era um daqueles caras que escreveram quase cem sinfonias, a maioria delas no estilo atlético de Mannheim, onde serviu como concertino. Richter, austríaco, era um violinista, cantor, compositor, regente e teórico da música que também trabalhou em Mannheim mais ou menos na mesma época de Stamitz. Aí está a conexão entre ambos. A música vai agradar tanto os amantes do barroco como os ouvintes que desejam conhecer o início do desenvolvimento da sinfonia como forma de arte.

Johann Stamitz (1717-1757) / Franz Xaver Richter (1709-1789):
Early String Symphonies

1 Sinfonia a 4 in A Major: I. Allegro assai 4:35
2 Sinfonia a 4 in A Major: II. Andante 4:56
3 Sinfonia a 4 in A Major: III. Presto 2:25

4 Sinfonia a 4 in B-Flat Major: I. Spiritoso 3:48
5 Sinfonia a 4 in B-Flat Major: II. Andante 3:17
6 Sinfonia a 4 in B-Flat Major: III. Presto 3:38

7 Sinfonia a 4 in C Minor: I. Allegro ma poco 4:38
8 Sinfonia a 4 in C Minor: II. Tempo giusto 4:09
9 Sinfonia a 4 in C Minor: III. Allegro 2:05

10 Sinfonia a 4 in D Major: I. Presto 5:45
11 Sinfonia a 4 in D Major: II. Andante 7:05
12 Sinfonia a 4 in D Major: III. Presto 2:19

13 Symphony for Strings in D Major, Op. 11, No. 1: Andante non Adagio 5:44

The Chamber Orchestra of the New Dutch Academy
Simon Murphy

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Johann Stamitz, meio apressado para compor mais uma de suas 75 sinfonias

Johann Stamitz, meio apressado para compor mais uma de suas 75 sinfonias

PQP

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