Serguei Prokofiev (1891-1953): Os 5 Concertos para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é daqueles discos que você tem por dois motivos: pela qualidade dos concertos e por amor a sua coleção ou discoteca. Bavouzet não é Argerich, mas é excelente e faz jus aos concertos de Prokofiev. Estes concertos pedem um alongamento espiritual que nem todo pianista alcança. Vão do rapidíssimo ao lerdo, do selvagem ao sublime muito subitamente. Parece que existe uma gravação da mesma parceria para os Concertos de Bartók. Gostaria de ouvir, imagina se não. O problema que vejo em Bavouzet é o sotaque francês — mais delicado e eufônico — que ele imprime mesmo quando a música pede agressividade e pauladas.

Serguei Prokofiev (1891-1953): Os 5 Concertos para Piano

Piano Concerto No. 1 in D-Flat Major, Op. 10

1 Allegro brioso – 3:27
2 Meno mosso – 3:16
3 Andante assai – 4:20
4 Allegro scherzando – 4:28

Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 16

5 I. Andantino – Allegretto – 11:09
6 II. Scherzo. Vivace – 2:31
7 III. Intermezzo. Allegro moderato – 6:19
8 IV. Finale. Allegro tempestoso – 11:22

Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26

9 I. Andante – Allegro – 9:18
10 II. Tema con variazioni – 8:57
11 III. Allegro ma non troppo – 9:35

Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53

1 I. Vivace – 4:25
2 II. Andante – 9:33
3 III. Moderato – 8:09
4 IV. Vivace – 1:35

Piano Concerto No. 5 in G Major, Op. 55

5 I. Allegro con brio – 4:54
6 II. Moderato ben accentuato – 3:41
7 III. Toccata. Allegro con fuoco – 1:54
8 IV. Larghetto – 7:07
9 V. Vivo – 5:32

Jean-Efflam Bavouzet, piano
BBC Philharmonic
Gianandrea Noseda

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Jean-Efflam Bavouzet observa seu piano: funciona bem

Jean-Efflam Bavouzet observa seu piano: funciona bem, sim

PQP

.: interlúdio: Charlie Parker & Stars of Modern Jazz at Carnegie Hall (Christmas 1949) :.

Link revalidado por PQP

Na Amazon —-> Carnegie Hall: X-Mas ’49 <—-

Este seria um disco obrigatório na coleção de qualquer jazzófilo, não estivesse esgotado há tanto tempo e se perdido no catálogo da Jass Records. Há 60 anos, numa noite de natal, Charlie Parker reuniu os maiores nomes do bebop no Carnegie Hall para um grande concerto. Adequadamente chamado de Charlie Parker & Stars of Modern Jazz, o evento tornou-se uma bela fotografia do estado do jazz no final da década de 40: Parker, Powell e Getz estabelecidos, Davis chegando, Sarah Vaughan com sua classe espontânea, e mais alguns nomes que a história ainda não louvou como deveria — como Lennie Tristano, brilhante pianista de Chicago, cego desde criança e um dos maiores tutores da época, incluindo Mingus; e Kai Winding, trombonista dinamarquês de toque bastante refinado, que fez seu nome na era do swing e, depois de passar pelo antológico Miles Davis Nonet (assim como Lee Konitz), montou um grupo com quatro trombones.

Apesar do clima descontraído, que inclui duas jam sessions, quem inflama a apresentação é mesmo o quinteto de Bird, esbanjando técnica. O trumpetista Red Rodney parece ameaçar Parker constantemente em seus solos; seja em números velozes como “Koko”, ou cadenciados como “Bird of Paradise”, seus improvisos rivalizam com a técnica do band leader e promovem equilíbrio — o que é um feito pra quem toca ao lado de Charlie Parker.

Coberto pela baixa fidelidade e camada de chiados que uma gravação ao vivo de 1949 deve trazer, esse disco é um grande e raro registro histórico. Não deixem passar!

Charlie Parker & Stars of Modern Jazz at Carnegie Hall (Christmas 1949) (256)

01 Bud Powell Trio – All God’s Chillun Got Rhythm (Jurman, Kahn, Kaper)
02 Miles Davis – Move (Best)
03 Jam Session – Hot House (Dameron)
04 Jam Session – Ornithology (Harris, Parker)
05 Stan Getz/Kai Winding – Always (Berlin)
06 Stan Getz/Kai Winding – Sweet Miss (Garren, Winding)
07 Stan Getz Quartet – Long Island Sound (Getz)
08 Sarah Vaughan – Once in a While (Edwards, Green)
09 Sarah Vaughan – Mean to Me (Ahlert, Turk)
10 Lee Konitz Sextet/Lennie Tristano – You Go to My Head (Coots, Gillespie)
11 Lee Konitz Sextet/Lennie Tristano – Sax of a Kind (Tristano)
12 Charlie Parker Quintet – Ornithology (Harris, Parker)
13 Charlie Parker Quintet – Cheryl (Parker)
14 Charlie Parker Quintet – Koko (Parker)
15 Charlie Parker Quintet – Bird of Paradise (Parker)
15 Charlie Parker Quintet – Now’s the Time (Parker)

Charlie Parker Quintet (Charlie Parker, alto sax; Red Rodney, trumpet; Al Haig, piano; Tommy Potter, bass; Roy Haynes, drums). Bud Powell Trio (Bud Powell, piano; Max Roach, drums; Curly Russell, bass). Miles Davis, trumpet; Stan Getz, tenor sax; Kai Winding, trombone; Serge Chaloff, baritone sax; Bennie Green, trombone; Jimmy Jones, piano; Lee Konitz, alto sax; Wayne Marsh, tenor sax; Jeff Morton, drums; Joe Shulman, bass; Sonny Stitt, alto sax; Lennie Tristano, piano; Sarah Vaughan, vocals

download parte1/88MB + parte2/45MB

Boa audição!

Charlie Parker

Charlie Parker

Blue Dog

Pyotr Goncharov (1888-1970), Alexei Lvov (1798-1970), Pavel Chesnokov (1877-1944), Alexander Grechaninov (1864-1956), Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) e Dimitry Bortnyansky (1751-1825) – Baixo Profundo da Velha Rússia

SHOW DE BOLA !!!

Tem na Amazon: aqui.

Pessoal, se vocês gostaram dos graves emanados do Panitchida do Chesnokov (aqui), entrarão em verdadeiro êxtase com as notas de baixíssima frequência desse coro russo! Os solistas parecem verdadeiros apitos de navio (póóóóóóóóó)!

Não é porque falo nesse tom jocoso, caros ouvintes, que isso desmereça esse conjunto de canções. Há vários trechos que são de arrepiar, de tremer as colunas das igrejas ortodoxas!

Fenomenal! Ouça! Ouça! Deleite-se!

Palhinha: Ouça a segunda faixa, We bow down before Your Cross:

Basso Profondo fron Old Russia

Anônimo séc. XVIII
01. Verily, He is worthy
Pyotr Goncharov (1888-1970)
02. We bow down before Your Cross
Alexei Fydorovich Lvov (1798-1970)
03. Standing by the Cross
Anônimo séc. XV
04. We Hymn Thee
Pavel Chesnokov (1877-1944)
05. Blessed is the man, Op. 37/2
06. Do not cast me off in the time of old age (Ne otverzhi mene vo vremya starosti)
Alexander Tikhonovich Grechaninov (1864-1956)
07. Liturgia Domestica for soloists, chorus & orchestra, Op. 79: The litany of supplication
Grigory Smirnov (arr.)
08. Anathema
Anônimo de Kiev
09. Ethernal Memory
10. (*deu pau: perdemos a faixa 10*)
Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893)
11. Song Of Penitence For Russia
Alexander Tikhonovich Grechaninov (1864-1956)
12. Lord of my days
Alexei Fydorovich Lvov (1798-1970)
13. God save the Tsar
Dimitry Stepanovich Bortnyansky (1751-1825)
14. Great and Glorious Is the God of Zion (Kol’ slaven nash)
Anônimo, texto de Nikolai Alekseevich Nekrasov (1821-1878)
15. The Twelve Brigands (Dvenadsat’ razboynikov)
Anônimo, texto de Alexander Pushkin (1799-1837)
16. Oleg the wise

Viktor Kroutchenkov (faixas 6 e 16)
Boris Tchepikov (faixas 6, 7, 15 e 16)
Yuri Wishniakov (faixas 1, 6 e 16)
Protodiácono Andrey Papkov (faixas 8, 9 e 10)
The Ortodox singers
Grigory Smirnov, regente
Rússia, 2004

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Mediafire 113Mb

Sabe aquela coisa de fazer um comentário? Eu ainda gosto. Pode comentar, pessoal!

Puuutz! Fui deixar a barbona como os russos fazem, acabei ficando a cara do Brahms!

Bisnaga

Lobo de Mesquita: Missa em Fá Maior + Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 + Antiphona de Nossa Senhora (Acervo PQPBach)

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Os sons antigos de Minas estão de volta. O Coral Cidade dos Profetas, de Congonhas, MG, lançou um CD em homenagem a um dos maiores compositores brasileiros do período colonial: José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, nascido no Serro, em 1746. O CD reúne algumas das mais belas obras do artista.

.Para marcar a ocasião, o grupo fez uma série de concertos gratuitos, em Congonhas, Belo Horizonte e São Brás do Suaçuí, sob a regência do maestro Herculano Amâncio, com acompanhamento de orquestra e solistas convidados. Os CDs foram distribuídos também gratuitamente para os presentes.

O Coral Cidade dos Profetas
Fundado em 1988, por um grupo de pessoas interessadas em aprender música, o coral surgiu com a preocupação em aliar arte musical à arte arquitetônica barroca, grande patrimônio da cidade histórica de Congonhas. Ao se especializar na interpretação de música sacra antiga, notadamente a Colonial Mineira, o grupo se tornou um dos principais em atividade a divulgar este inigualável patrimônio imaterial de Minas Gerais
(http://serromg.blogspot.com.br/2009/02/coral-cidade-dos-profetas-lanca-cd-com.html)

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, hoje Serro, MG, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
01. Missa em Fá Maior – 1. Kyrie
02. Missa em Fá Maior – 2. Gloria – Gloria
03. Missa em Fá Maior – 3. Gloria – Cum Sancto Spiritu
04. Missa em Fá Maior – 4. Credo – Credo
05. Missa em Fá Maior – 5. Credo – Et incarnatus
06. Missa em Fá Maior – 6. Credo – Crucifixus
07. Missa em Fá Maior – 7. Credo – Et ressurrexit
08. Missa em Fá Maior – 8. Credo – Et expecto
09. Missa em Fá Maior – 9. Credo – Et vitam
10. Missa em Fá Maior – 10. Sanctus – Sanctus
11. Missa em Fá Maior – 11. Sanctus – Benedictus
12. Missa em Fá Maior – 12. Aguns Dei
13. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 1 – 1. Tam quam ad latronem
14. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 1 – 2. Quotidie apud vos eram
15. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 1 – 3. Cumque injecissent
16. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 1 – 4. Quotidie apud vos eram
17. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 2 – 1. Tenebrae
18. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 2 – 2. Et inclinato capite
19. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 2 – 3. Exclamans Jesus
20. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 2 – 4. Et inclinato capite
21. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 3 – 1. Anima mea dilectam
22. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 3 – 2. Quia non est
23. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 3 – 3. Insurrexerunt
24. Matinas de Sexta-Feira: Noturno nº 2 – Responsório 3 – 4. Quia non est
25. Antiphona de Nossa Senhora – Salve Regina

Coral Cidade dos Profetas Interpreta Lobo de Mesquita – 2013
Coral Cidade dos Profetas e artistas convidados
Regente: Herculano Amâncio


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XLD RIP | FLAC 296,0 MB | HQ Scans 9,5 MB |

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MP3 320 kbps – 119,8 + 9,5 MB – 48 min
powered by iTunes 11.1.5

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(Links hospedados experimentalmente no nosso server PQPShare. Deixe sua opinião sobre esta experiência.)

Um CD do acervo do musicólogo Prof. Paulo Castagna. Não tem preço !!!

 

 

 

 

 

 
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Boa audição.

Avicenna

J.S.Bach: a São Mateus por Karl Richter (1958) – Passio Secundum Matthæum

S.Mateus, Richter, 1958

Postado originalmente em 12.09.2010, com o título J.S.Bach: a São Mateus por Karl Richter e com Fischer-Dieskau: uma Paixão das antigas (mais devocional que romântica). Republicado como parte da homenagem iniciada ontem pelo PQP e Gilberto Agostinho, com a postagem da Winterreise de Schubert, e republicado mais uma vez agora devido à excelência do texto e da obra.

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Já faz várias semanas que o Avicenna preparou cuidadosamente os arquivos para esta postagem, convidando-me honrosamente a mais uma parceria no texto… e eu venho vergonhosamente adiando mais do que seria aceitável!

A razão é que tanto eu quanto o Avicenna não acharíamos graça em fazer esta postagem em particular sem um texto consideravelmente substancioso acompanhando-a – e já contei pra vocês que a saúde vem me impedindo de me jogar muito a fundo em atividades de tecelagem verbal.

Mas a vontade também é forte, e aí decidi que não deixaria a coisa passar deste penúltimo domingo de inverno. Aí vai, então: não é pra ser um tratado, mas também não deixará de tocar em duas ou três áreas que nos instigam em especial.

A ABORDAGEM DE KARL RICHTER (1926-1981) A J.S.BACH (1685-1750): É lugar-comum dizer que Richter foi um dos últimos a empregar uma abordagem “romântica” em Bach, numa época em Harnoncourt e tantos outros já haviam partido para a abordagem “histórica”, que se caracteriza basicamente por: (a) uso de instrumentos construídos na época, ou construídos hoje segundo modelos da época; (b) sobretudo nas obras sacras, emprego das vozes de contratenores homens no lugar da de contraltos mulheres, e de meninos antes da mudança de voz no lugar de sopranos mulheres; (c) tamanho menor dos grupos instrumentais e corais; (d) tempos mais acelerados (i.é, velocidade), articulação e agógica mais dinâmicas (jogo de ligado x destacado, fraseado, irregularidades expressivas no tempo etc).

Richter de fato não usou nada disso: usou instrumentos modernos, mulheres solistas, grupos consideravelmente volumosos… porém seus tempos não são só lentos: são sobretudo rigorosamente regulares - como de metrônomo ou relógio do princípio ao fim de cada trecho.

Isso me faz perguntar sobre a adequação de chamar “romântica” a sua abordagem… se o que talvez mais caracterize o romantismo seja o rubato, ou seja: um determinado tipo de irregularização expressiva do tempo. Em Richter inexistem tanto a “inegalité” e a agógica barrocas quanto o rubato, e nesse sentido eu chamaria sua abordagem de “classicista”, não de romântica.

Mas além disso Richter era filho de pastor luterano, e sua formação se deu fundamentalmente no espaço eclesiástico – diferente de regentes como um Klemperer, de quem também se diz ter abordado a São Mateus “romanticamente”. Minha impressão é que Richter foi mostrar no teatro o que se fazia nas igrejas… e isso embasaria o clima litúrgico e devocional que parecemos encontrar aqui, em contraste com abordagens mais teatrais, operísticas e/ou “de concerto”.

ALGUNS DESTAQUES DA REALIZAÇÃO E DA OBRA: Antes de mais nada, o coro – ou melhor: os coros (a obra inteira é composta para 2 coros a quatro vozes, 2 orquestras e 2 conjuntos de solistas, que se respondiam da frente e dos fundos da igreja, e ainda uma nona voz coral: um grupo de meninos em uníssono, que intervém somente nas faixas 1 e 35). Impressionam nesta realização a textura veludosa, a precisão e a qualidade expressiva das massas corais, quer nos COROS (peças livres) quer nos CORAIS (nome para “hinos” na tradição luterana).

Segundo, a participação do que foi talvez o melhor barítono do século 20: Dietrich Fischer-Dieskau (28.05.1925-18.05.2012). Destaque para os dois pares recitativo-e-ária que são as faixas 65-66 e 74-75. Para mim só essas quatro faixas já justificariam a preservação desta gravação e nossa atenção a ela!

Falar das diferentes árias maravilhosas da São Mateus é um assunto infinito em que não quero entrar – mas por afinidades pessoais não quero deixar de chamar atenção para o dueto soprano-alto com coro quase no final da primeira parte (faixa 33), e para a ária Aus Liebe (‘É por amor…’ – faixa 58) – esta especificamente porque para mim é um inegável CHORO – quero dizer no sentido musical brasileiro da palavra - com os volteios sentimentais da flauta apoiados (?) em acordes flutuantes de 2 oboés e um corne inglês mais ou menos na mesma tessitura de um cavaquinho, sem baixo nenhum. Como diria o filho do véio: IM-PER-DÍ-VEL!

SOBRE A RELAÇÃO COM O TEXTO: Hoje o interesse pela música de Bach é mais freqüente entre pessoas intelectualizadas… e justo entre essas não é freqüente conseguirem levar a sério o enredo e os sentidos teológicos que essa música se propõe a ilustrar. Surge daí com freqüência uma proposta de audição assim: “a composição musical é maravilhosa, mas os textos são uma baboseira superada que é melhor a gente nem ficar sabendo”.

Por um lado considero perfeitamente válido que para apreciar esta música ninguém precise acreditar que estaria condenado a assar no inferno pela eternidade caso Jesus não tivesse se disposto a sofrer para apaziguar um Deus-Pai capaz de determinar isso… Mas por outro lado acho que há uma inegável perda de experiência estética quando não nos dispomos a experimentar como é sentir isso - no mínimo do mesmo modo como nos dispomos a sentir os terrores e esperanças dos gregos ou dos indianos diante dos seus deuses e heróis, quando vamos conhecer a Ilíada ou o Mahabhárata.

Para mim o bonito dos tempos pós-modernos é justamente isso: o convívio entre múltiplas formas diferentes de experimentar a mesma coisa, formas muitas vezes incompatíves mas que nem por isso precisam incorrer na infantilidade de lutar para suprimir umas às outras. No caso: há gente que irá ouvir só pela música; alguns pela música e pelo mito entendido como fantasia; outros pelo mito entendido como verdade sagrada; outros ainda por nostalgia em relação aos seus queridos passados que cultivavam essa forma de religiosidade – etc. etc. etc.

Minha forma pessoal, se alguém se interessar em saber, eu classificaria como um tanto antropológica: entendo como essência do mythos cristão a admissão, por parte do ser humano, de um descompasso ou insuficiência de sua parte frente a uma ordem maior – e quem diz que isso se refere a um velho barbudo que diz que você não pode pensar no que tem por baixo da saia ou calça da/do coleguinha da escola, ou duvidar de que a mãe de Jesus era virgem ou coisas assim? A realidade da destruição ambiental do planeta, ou das crianças lançadas à fome por conta de disputas de poder-pelo-poder, não são amostras de que o ser humano realmente pisa na bola frente àquilo que ele mesmo é capaz de conceber como o bom e o desejável? E será assim tão ridículo dispor-se a deixar ressoar em cada um de nós o que é o sofrimento de um outro que tem raiz em atos nossos? E ainda: aspirar por que essa compreensão respeitosa do sofrimento do outro, e admissão de culpa, gere um desejo de superação das nossas insuficiências em questão – um desejo tal que se torne força capacitadora de uma tal superação?…

Essa é, no humilde ver de Ranulfus, uma tradução antropológica do mythos cristão – e não tenho dúvidas de que era com esse magma de emoções que Bach trabalhava, independente de se com pura intuição ou com maior ou menor dose de consciência. E quem se dispõe a empreender uma viagem através de imagens simbólicas desse drama fundamental da admissão de culpa e aspiração por redenção, com certeza irá extrair de Bach uma experiência estética ainda muito mais profunda que aquele que diz “a música é divina, os textos são pura baboseira”.

Foi assim que eu entendi o impulso que o colega Avicenna teve de não postar esta obra sem colocar à disposição o texto com tradução em português (mesmo se não há nenhuma poeticamente satisfatória!), bem como os títulos das faixas em português: contribuições para uma experiência mais integral desses “Autos de Mysterio” que são as Paixões de Bach -

… experiência para quê a atitude menos teatral e mais litúrgico-devocional adotada por Karl Richter talvez possa ser uma contribuição, apesar de todas as suas infidelidades musicológicas.

J.S. Bach: PASSIO SECUNDUM MATTHÆUM, BWV 244
1.ª das gravações dirigidas por Karl Richter: 1958, Herkules-Saal, München
Münchener Bach-Chor & Münchener Chorknaben (diretor do coro: Fritz Rothschuh)
Münchener Bach-Orchester

Tenor [Evangelista, árias]: Ernst Haefliger
Baixo [Jesus]: Kieth Engen
Soprano [árias]: Irmgard Seefried
Soprano [1.ª criada; esposa de Pilatos]: Antonia Fahberg
Contralto [árias, 2.ª criada]: Hertha Töpper
Baixo [árias]: Dietrich Fischer-Dieskau
Baixo [Judas, Pedro, Pilatos, Sumo Sacerdote]: Max Proebstl

LISTA DAS FAIXAS

Jesus ungido em Betânia (São Mateus 26: 1-13)
01 Vinde, filhas, auxilia-me no pranto (Kommt, ihr Töchter)
02 Quando Jesus terminou estas palavras (Da Jesus diese Rede vollendet hatte)
03 Amado Jesus (Herzliebster Jesu)
04 Então se reuniram em conselho (Da versammleten sich die Hohenpriester)
05 Que não seja em dia de festa (Ja nicht auf das Fest)
06 Estando Jesus em Betânia (Da nun Jesus war zu Bethanien)
07 Para que este desperdício (Wozu dienet dieser Unrat)
08 Os advertindo, Jesus os falou assim: (Da das Jesus merkete, sprach er zu ihnen)
09 Tu! Salvador bem amado! (Du lieber Heiland du)
10 Contrição e arrependimento (Buss’ und Reu’)

Última Ceia (São Mateus 26: 14-35):
11 Então um dos doze (Da ging hin der Zwölfen einer)
12 Sangra, querido coração! (Blute nur, du liebes Herz)
13 Então no dia dos primeiros ázimos (Aber am ersten Tage der süssen Brot)
14 Onde quer que façamos (Wo willst du, dass wir dir bereiten)
15 Ele os disse ide a cidade (Er sprach-Gehet hin & Rez (Ev)-Und sie wurden)
16 Sou eu. Deveria expiá-lo (Ich bin’s, ich sollte büssen)
17 Ele os respondeu (Er antwortete und sprach)
18 Apesar de que meu coração (Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt)
19 Quero entregar-te meu coração (Ich will dir mein Herze schenken)
20 E tendo proclamado o hino de ação de graças (Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten)
21 Reconhece-me, meu Guardião (Erkenne mich, mein Hüter)
22 Porém Pedro, respondendo, lhe disse (Petrus aber antwortete)
23 Quero permanecer aqui junto de Ti (Ich will hier bei dir stehen)

No monte das Oliveiras (São Mateus 26: 36-56):
24 Então marchou Jesus com eles (Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe)
25 Oh, dor! Como treme seu coração angustiado (O Schmerz & Chor-Was ist die Ursach’)
26 Quero velar ao lado do meu Jesus (Ich will bei meinem Jesu wachen & Chor-So schlafen unsre)
27 Avançou alguns passos (Und ging hin ein wenig)
28 O salvador cai de joelhos (Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder)
29 Com prazer queria eu levar sua cruz (Gerne will ich mich bequemen)
30 E ao retornar até onde estavam seus (Und er kam zu seinen Jüngern)
31 Que se cumpra sempre a vontade de meu Senhor (Was mein Gott will, das g’scheh allzeit)
32 E retornando, os encontrou novamente (Und er kam und fand sie aber schlafend)
33 Assim meu Jesus é preso (So ist mein Jesus nun gefangen)
34 E eis que um dos que estavam com Jesus (Und siehe, einer aus denen)
35 Oh homem! Chora teu grande pecado (O Mensch, bewein dein Sünde gross)

Falso Testemunho (São Mateus 26: 57-63):
36 Ah! Meu bom Jesus já não está aqui! (Ach, nun ist mein Jesus hin!)
37 Os que prenderam a Jesus o conduziram (Die aber Jesum gegriffen hatten)
38 O mundo me julgou cruelmente (Mir hat die Welt trüglich gericht’t)
39 Apesar de tê-lo tentado com numerosos testemunhos falsos (Und wiewohl viel falsche Zeugen)
40 Meu Jesus guarda silêncio ante as calúnias (Mein Jesus schweigt zu falschen Lügen stille)
41 Paciência! Se línguas mentirosas me ofenderem (Geduld! Wenn mich falsche Zungen Stechen)

Jesus ante Caifás e Pilatos (São Mateus 26: 63-75; 27: 1-14):
42 O Sumo Pontífice o respondeu dizendo (Und der Hohepriester antwortete)
43 Então começaram a cuspir-lhe no rosto (Da speieten sie aus)
44 Quem te golpeia assim (Wer hat dich so geschlagen)
45 Pedro estava sentado fora (Petrus aber saß draussen)
46 Então se pôs a maldizer e a jurar (Da hub er an, sich zu verfluchen)
47 Tem piedade de mim, Meu Deus (Erbarme dich, mein Gott)
48 Ainda que me separe de Ti (Bin ich gleich von dir gewichen)
49 Pela manhã, todos os príncipes (Des Morgens abre)
50 Então ele lançou as moedas de prata no templo (Und er warf die Silberlinge)
51 Devolva-me o Meu Jesus! (Gebt mir meinen Jesum wieder!)
52 E depois de terem discutido (Sie hielten aber einen Rat)
53 Dirige teu caminho (Befiehl du deine Wege)

Entrega e Flagelação (São Mateus 27: 15-30):
54 Durante a festa era costume que o governador (Auf das Fest aber hatte der Landpfleger Gewohnheit)
55 Que incompreensível é este castigo! (Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe!)
56 O governador replicou (Der Landpfleger sagte)
57 Ele fez o bem a todos (Er hat uns allen wohlgetan)
58 Por amor quer morrer meu Salvador (Aus Liebe will mein Heiland)
59 Porém eles, elevando a voz, gritavam (Sie schrieen aber noch mehr)
60 Piedade. Senhor! (Erbarm’ es Gott!)
61 Se as lágrimas do meu rosto (Können Tränen meiner Wangen)
62 Então os soldados do governador tomaram a Jesus (Da nahmen die Kriegsknechte)
63 Oh, cabeça lacerada e ferida (O Haupt voll Blut und Wunden)

A Crucificação (São Mateus 27: 31-54):
64 E depois de tê-lo humilhado (Und da sie ihn verspottet hatten)
65 Sim, ditosa a hora em que a carne e o sangue humanos (Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut)
66 Vem, doce cruz (Komm, süsses Kreuz)
67 E então chegaram ao lugar chamado Gólgota (Und da sie an die Stätte kamen)
68 Até os mesmos bandidos que haviam sido crucificados (Desgleichen schmäheten ihn auch die Mörder)
69 Ah, Gólgota (Ach, Golgatha)
70 Veja, Jesus estende sua mão (Sehet, Jesus hat die Hand)
71 E desde a hora sexta até a hora nona (Und von der sechsten Stunde)
72 Quando eu tiver que partir (Wenn ich einmal soll scheiden)
73 E eis que o véu do templo (Und siehe da)

O enterro (São Mateus 27: 55-66):
73b Estavam também ali, um pouco afastadas (Und es waren viel Weiber da)
74 Ao entardecer, quando refrescou (Am Abend, da es kühle war)
75 Purifica-te, Meu coração (Mache dich, mein Herze, rein)
76 José tomou o corpo e o envolveu em um lençol (Und Joseph nahm den Leib)
77 Agora o Senhor descansa (Nun ist der Herr zur Ruh gebracht)
78 Chorando nos prostramos ante teu sepulcro (Wir setzen uns mit Tränen nieder)

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Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4Parte 5
É NECESSÁRIO BAIXAR TODOS PARA DESCOMPACTAR

TEXTO (original alemão + português)
Encarte/booklet da edição em vinil: incluído em PDF no download
Tradução um pouco menos ruim que a do encarte:
http://www.bach-cantatas.com/Texts/BWV244-Por2.htm

Monge Ranulfus: texto & inspiração
Avicenna: digitalização, layout & mouse conductor

Pavel Grigorievich Chesnokov (1877-1944) – Panitchida (Requiem)

SHOW DE BOLA !!!

Tem na Amazon: aqui.

Ah, como os sons da Igreja Ortodoxa são transcendentes! A característica marcante de suas melodias – os coros com aquela pesada base, com poderosos baixos profundos – é coisa que parece que só a Rússia consegue proporcionar com categoria aos ávidos ouvidos do ocidente, que parecem se ressentir do excesso de agudos vocais e de uma base, muitas vezes, tênue (pelo menos se a gente compara com a russa).

Mas como este Panikhida, ou Requiem, do Pavel Chesnokov é arrepiante! Não é pungente como seria tradicional a uma obra latina. É mais contido, mais profundo… Pesado, até. E essas características que o tornam transcendente! Ah, é bem difícil de descrever. Só ouvindo, mesmo!

(Amanhã postarei um álbum de baixos profundos da Rússia.)

Mas muito bom, mesmo! Ouça! Ouça! Deleite-se!

Resolvi colocar aqui na palhinha a faixa 3, “Thou Art Blessed, O Lord”, da qual o Avicenna afirmou abaixo, nos comentários: “não tenho palavras”. É bem isso:

Pavel Grigorievich Chesnokov (1877-1944)
Panikhida (Requiem)

Pavel Grigorievich Chesnokov (1877-1944)
01. Requiem No 2, Op. 39: The Great Litany
02. Requiem No 2, Op. 39: Alleluia
03. Requiem No 2, Op. 39: Troparion “Thou Art Blessed, O Lord”
04. Requiem No 2, Op. 39: The Small Litany
05. Requiem No 2, Op. 39: Psalms and Prayers to the Mother of God
06. Requiem No 2, Op. 39: Give Peace, O Lord
07. Requiem No 2, Op. 39: Irmos, Chant 3
08. Requiem No 2, Op. 39: The Small Litany
09. Requiem No 2, Op. 39: Give Peace, O Lord
10. Requiem No 2, Op. 39: Irmos, Chant 6
11. Requiem No 2, Op. 39: The Small Litany
12. Requiem No 2, Op. 39: Soul of Thy Servant
13. Requiem No 2, Op. 39: Troparion “Spirits of the Righteous”
14. Requiem No 2, Op. 39: The Augmented Litany
15. Requiem No 2, Op. 39: Eternal Memory
Anônimos
16. Selected Orthodox Chants: The Lord’s Prayer
17. Selected Orthodox Chants: The Good Thief
18. Selected Orthodox Chants: Troparion “Thou Art Blessed, O Lord”
19. Selected Orthodox Chants: Eternal Remembrance
20. Selected Orthodox Chants: Let All Flesh Be Silen, Op.27

Padre Alexei Godunov
Padre Konstantin Semyonov
Olga Slovesnova (faixas 3, 13, 14)
Mikhail Falkov (2, 3, 6, 9 13, 14)
Cantus Sacred Music Ensemble
Ludmila Arshavskaya, regente
Rússia, 2004

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Mediafire 113Mb

Sabe aquela coisa de fazer um comentário? Eu ainda gosto. Pode comentar, pessoal!

Coisa de louco essa sonzeira que os baixos russos fazem!

Bisnaga

Beethoven: Missa Solemnis, op. 123 – Coro e Orquestra do 8º Festival Internacional de Música do Paraná – 1975

Missa Solemnis, op. 123
Coro e Orquestra do 8º Festival Internacional de Música do Paraná

Então, eis que o destino conspira contra … será contra?

Mas que conspira, conspira!

Esta postagem está pronta faz um tempão, esperando que o Monge Ranulfus, inspiradíssimo confrade do PQP, construa um texto para esta obra em que ele participou como membro do coral. (Sim, aquela voz maviosa é a dele!!!!).

Pois eis que chego em casa, acesso o nosso site e vejo esta postagem no ar. Quem programou-a para agora?  Quem?? Quem??

Somente os ventos do Oriente sabem…

Nada mais nos resta senão deixar rolar, como tantas coisas na vida, e que acabam dando certo! Só troquei o texto.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Missa Solemnis, op. 123
1. Missa Solemnis, op. 123 – 1: Kyrie
2. Missa Solemnis, op. 123 – 2: Gloria
3. Missa Solemnis, op. 123 – 3: Credo
4. Missa Solemnis, op. 123 – 4: Sanctus, Benedictus
5. Missa Solemnis, op. 123 – 5: Agnus Dei

8º Festival de Música de Curitiba e 8º Curso Internacional de Música do Paraná -Vol. 3 – 1975
Coro e Orquestra do 8º Festival Internacional de Música do Paraná.
Maestro Roberto Schnorrenberg
Soprano: Maria Kallay
Contralto: Margarita Zimmermann
Tenor: Aldo Baldin
Baixo: Edilson Costa

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC 326,5 MB | HQ Scans 1,3 MB |

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps – 181,6 + 1,3 MB – 1h 15min
powered by iTunes 11.1.3

Boa audição.

Ranulfus: idealização e integrante do Coral
Avicenna: digitalização do LP e mouse conductor

.: interlúdio :. SaGrama – Tenha modos (NOVO LINK)

Postado por CVL num passado longínquo, repostado por PQP em 14 de abril de 2012 e trepostado agora por Bisnaga

Dia desses postei um CD do Mawaca, um dos dois grupos mais originais que vi aparecer no Brasil nos últimos anos. O outro é o SaGrama, que assinou a trilha sonora do filme e seriado O auto da Compadecida e já lançou sete CDs. O sexto deles é este daqui, misturando composições de músicos pernambucanos e do próprio grupo [o conjunto é formado por músicos recifenses e nasceu no Conservatório Pernambucano de Música] relacionadas ao rico carnaval de Pernambuco.

Achei uma matéria do dia do lançamento do CD, para maiores informações.

Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Sa Grama faz concerto aberto
Michelle de Assumpção
Da equipe do Diário

O teatro Santa Isabel recebe esta noite um grupo mais que sintonizado com os ensinamentos da música folclórica de leitura erudita. Um representante armorial, digamos, mesmo que seus integrantes não vistam essa bandeira de forma a sintonizar com a política cultural do governo do estado de Pernambuco. O fato é que, formado por professores e músicos eruditos em sua maioria, o Sa Grama montou seu repertório a partir de releituras do cancioneiro popular. O CD mais recente, Tenha modos, traz muitas composições próprias do flautista Sérgio Campelo, que foram baseadas nesse universo, mais voltado especificamente para o carnaval. O grupo também contextualiza este momento reeditando alguns clássicos da música carnavalesca, como Evocação nº 1, de Nelson Ferreira, Último dia, de Levino Ferreira, além de músicas contemporâneas, como o afoxé Olinda, de Alceu Valença e o Frevo centenário, de Luiz Guimarães.

O show contará com os convidados especiais que fizeram parte do CD, tais como Spok (nos frevos-de-rua), Maciel Salu (com a rabeca, nos bois de carnaval), Maíra Macedo (bandolim e bandola nos frevos de bloco), Nilsinho Amarante (trombone), Quebra-Baque (grupo do percussionista do Sa Grama, Tarcísio Rezende, que encerra o espetáculo) e da Cia. de Dança Perna de Palco. “A gente já tinha feito exploração de outros gêneros, como do círculo junino e natalino, então resolvemos concentrar no disco o frevo, o maracatu e o afoxé, porque tem gêneros bem interessantes. Pegamos la ursa, boi de carnaval, samba de terreiro – fizemos um samba de terreiro bem rústico, que é de onde vem o samba pernambucano – caboclinhos, frevos de rua e de bloco”, diz Campelo.

Sérgio afirma que o show no Santa Isabel é natural pela origem do próprio Sa Grama, já que dos nove integrantes do grupo, cinco são da Sinfônica do Recife, que tem o teatro como sede. Sobre estarem em sintonia com o movimento armorial, o líder do grupo não acredita que isso possa ser visto como uma conveniência, na era Ariano Suassuna. “Nós temos influência quase que direta do armorial. O Sa Grama passa pelas músicas modais, que é uma característica maior da música armorial, a escala nordestina, a gente passa por esse lado, mas a gente não é um grupo essencialmente armorial, fazemos frevo e isso não está no contexto, Mas somos fãs, somos influenciados”, confessa.

SaGrama
Tenha modos

01. Matruá – Sérgio Campelo
02. Limpa de Cacimba – Cláudio Moura
03. Samba Caboclo – Roberto J Silva, Sérgio Campelo
04. Boi Cipó – Sérgio Campelo
05. Evocação nº1 – Nelson Ferreira
06. Maracatu Nassau – Sérgio Campelo
07. Cintura Amarrada – Sérgio Campelo
08. Olinda – Alceu Valença
09. Banzo Maracatu – Dimas Sedícias
10. Frevo Centenário – Luiz Guimaraes
11. Mordido – Alcides Leão
12. Último Dia – Levino Ferreira
13. Tenha Modos – Sergio Campelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Mediafire 54Mb

CVL
Repostado por PQP
Trepostado por Bisnaga

Henry Purcell (1659-1695): Music for a While – Improvisations on Purcell (2014)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um disco inacreditável. Um grupo de música antiga reuniu-se a um grupo de jazz (piano, baixo e bateria) para tocar algumas obras do imenso compositor inglês Henry Purcell. Quando comecei a ouvir, detestei a primeira faixa, mas depois fui inteiramente tomado pelo bom gosto do grupo organizado por Christina Pluhar. Os arranjos para Music for a whileWhen I am laid in earth, Here the deities approve e O let me weep, por exemplo, são espetaculares. Os cantores são todos eruditos, mas tratam de amenizar a empostação. A partir da faixa dois, tudo funciona maravilhosamente neste disco, até a faixa bônus, com uma incompreensível canção de Leonard Cohen. Eu gosto de Cohen, mas por quê?

E, bem, Purcell é o cara, né?

Henry Purcell (1659-1695): Music for a While – Improvisations on Purcell (2014)

01. The Mock Marriage, Z. 605/2: “Twas within a furlong” 2:54
02. Oedipus, King of Thebes, Z. 583/2: “Music for a while” 5:54
03. Come, ye sons of art away (Birthday Ode for Queen Mary), Z. 323/5: “Strike the viol” 3:58
04. “Now that the sun hath veiled his light” (An Evening Hymn on a Ground), Z. 193 6:06
05. Hail! bright Cecilia (Ode for St. Cecilia’s Day), Z. 328/10: “In vain the am’rous flute” 4:34
06. Who can from joy refrain? (Birthday Ode for the Duke of Gloucester), Z. 342/3: “A prince of glorious race descended” 4:40
07. “O solitude, my sweetest choice”, Z. 406 5:24
08. Dido and Aeneas, Z. 626/38: “When I am laid in earth” 5:03
09. Hail! bright Cecilia (Ode for St Cecilia’s Day), Z. 328/8: “Wondrous machine” 3:42
10. Welcome to all the pleasures (Ode for St Cecilia’s Day), Z. 339/3: “Here the deities approve” 4:48
11. Dido and Aeneas, Z. 626/3: “Ah! Belinda” 4:10
12. Timon of Athens, Z. 632/2: “Hark! how the songsters of the grove” 2:49
13. Secresy’s Song, from The Fairy Queen, Z. 629/13: “One charming night” 4:40
14. The Mock Marriage, Z. 605/3: “Man is for the woman made” 1:18
15. The Fairy Queen, Z. 629/40: “O let me weep” (The Plaint) 7:19
16. Timon of Athens, Z. 632/13: “Curtain Tune on a Ground” 2:56
17. Leonard Cohen: Hallelujah 6:04

Philippe Jaroussky, countertenor
Dominique Visse, countertenor
Raquel Andueza, soprano
Vincenzo Capezzuto, alto

L’Arpeggiata
Christina Pluhar

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

L`Arpeggiata em ação em Music for a While

L`Arpeggiata em ação em Music for a While

PQP

Capiba (1904-1997) – Grande Missa Armorial, Suíte sem lei nem rei [Acervo PQPBach]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postado originalmente em 28 de agosto de 2009 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

Nada melhor que começar o Domingo de Ramos com uma baita obra religiosa!

Aproveitando a vibe de missas de viés etnográfico, contribuo com esta aqui, que pode não ser tão importante quanto à Kewere de Marlui Miranda (aqui) ou a Crioula de Ariel Ramirez (aqui,com Mercedes Sosa, ou aqui, com José Carreras), mas que se destaca entre as obras sacras brasileiras por quebrar de modo respeitoso o excesso de sobriedade que às vezes irrefletidamente cerca a música litúrgica, mostrando que o serviço (a missa) pode ser uma celebração de júbilo do início ao fim e se aproximar das manifestações da cultura de seus fiéis.

Digo isso porque a missa de Capiba é, exceto pelo terno Benedictus, toda calcada em ritmos de forró (xote, xaxado e baião), como prescreviam as diretrizes da estética armorial, embora o texto usado seja em latim – pois os compositores armoriais não simpatizaram muito naquela época com o Concílio Vaticano II.

No final do ano passado postei a Grande missa nordestina, de Clóvis Pereira (aqui), num CD duplo do festival Virtuosi (vide categoria Música armorial). Enquanto a missa de Clóvis é sinfônica (requer uma orquestra mozartiana), esta de Capiba, de 1982, é camerística e quase usa a formação-tipo da Orquestra Armorial: cordas, duo de flautas, percussão pé-de-serra (zabumba, caixa e triângulo) – faltou somente o cravo.

Completa o CD a suíte Sem lei nem rei, de 1970, inspirada num romance armorial de Maximiniano Campos, pai do atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Convém esclarecer que a Orquestra Armorial neste álbum – gravado em 1994, para celebrar os 90 anos de Capiba (que apesar de ser um notório compositor de frevos escreveu lá suas peças eruditas) – é um revival daquela que surgiu e atuou na década de 70, ainda que regida pelo mesmo Cussy de Almeida.

O coral, os solistas e a orquestra podem estar longe do ideal, mas bem sabemos que as grandes obras de arte passam por cima dos desvios acidentais. Espero que apreciem.

De minha parte – Bisnaga: Ouçam! Ouçam! Deleitem-se, que é uma obra e tanto!

Capiba (Lourenço da Fonsêca Barbosa, 1904-1997)
Capiba 90 anos

01. Grande Missa Armorial, I. Kyrie
02. Grande Missa Armorial, II. Gloria
03. Grande Missa Armorial, III. Credo
04. Grande Missa Armorial, IV. Credo: Et Incarnatus est
05. Grande Missa Armorial, V. Credo: Et ressurexit
06. Grande Missa Armorial, VI. Credo: Et in Spiritum Sanctum
07. Grande Missa Armorial, VII. Sanctus
08. Grande Missa Armorial, VI. Benedictus
09. Grande Missa Armorial, VII. Agnus Dei
10. Suíte Sem lei nem rei, I. Chamada (Moderato)
11. Suíte Sem lei nem rei, II. Aboio (Largo)
12. Suíte Sem lei nem rei, III. Galope esporeado (Allegro)

Julie Cássia, soprano
Alexandre Borba, tenor
Eduardo Xavier, barítono
Coro e Orquestra Armorial
Henrique Lins, regente do coro
Cussy de Almeida, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE:

Mediafire – FLAC (168Mb)
Mediafire – MP3 (65Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui

POR FAVOR… NÃO ESQUEÇA DE ESCREVER UMAS LETRINHAS. Não se esqueça de mim…

Capiba feliz: “essa Missa Armorial ficou fuderosa!”

CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

Marie-Juliette Olga Lili Boulanger (1893-1918) – Psaums 24, 129, Vieille Prière bouddhique, “Du fond de l´abime (Psaum 130), Igor Stravinsky (1882-1971) – Symphony of Psalms – Gardiner, Bruce-Payne, Podger, Monteverdi Choir, LSO

frontDia destes nosso colega Carlinus postou este mesmo cd lá em seu blog. Na verdade, eu já tinha um desejo antigo de postar esse cd aqui no PQP, principalmente por causa dessa Sinfonia dos Salmos de Stravinsky, e então pensei, porque postá-lo, por que não postá-lo? Ei-lo aqui, então, senhores.
Lili Boulanger viveu pouco, porém intensamente, e era a irmã mais nova de Nadia Boulanger, também compositora e professora de composição. Morreu com apenas 24 anos de idade, porém mesmo assim influenciou diversos compositores que vieram a se destacar no século XX, como Arthur Honneger.
O genial Igor compôs essa sua Sinfonia dos Salmos em 1930, por encomenda, para as comemorações dos cinquenta anos da Sinfônica de Boston, na época dirigida por seu editor, o grande maestro russo Serge Koussevitzky.
John Eliot Gardiner dirige com maestria, como sempre, a Sinfônica de Londres e o Monteverdi Choir. Espero que apreciem. Eu particularmente, gostei muito desse cd.

01. Lili Boulanger Psaume 24
02. Lili Boulanger Psaume 129
03. Lili Boulanger Vieille Prière bouddhique
04. Lili Boulanger ‘Du fond de l’abime’ (Psaume 130)
05. Stravinsky Symphonie de Psaumes – I. Exaudi orationem meam, Domine
06. II. Exspectans exspectavi Dominum
07. III. Alleluia, laudate Dominum

Sally Bruce-Payne – Mezzo-Soprano
Julian Podger – Tenor
The Monteverdi Choir
London Symphony Orchestra
John Elliot Gardiner – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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Lili Boulanger (1893-1918)

PQP

.:Interlúdio:. Candinho (1934) – Mergulhador

Postado originalmente em 1º de fevereiro de 2011 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

Não tenho a menor ideia da origem deste disco, que é mais para o perfil do Um que tenha do que pro nosso. Foi apenas fruto de uma garimpada no arquivo de CDs de um colaborador do blog que mora em Recife.

Estava na minha casa de praia em Maceió e dei um pulinho em Pernambuco quando soube que mais de 30 gravações copiadas em CDs estavam à minha espera – pois o dono achou que ficaria melhor se fossem divulgadas no PQP Bach.

Como não se trata nem de música clássica nem especificamente de música armorial (o que era de se esperar de Cussy), é bom vocês darem uma ouvida para decidir se querem realmente baixar o disco. Me parece que se trata do único registro fonográfico comercial do Stradivarius que o violinista potiguar teve (a história picaresca desse instrumento é um caso à parte).

Em tempo, agora já sabemos alguma coisa sobre Candinho (José Candido de Mello Mattos Sobrinho – Alambari, MG, 1934).

Iniciou sua carreira profissional em 1955, atuando como violonista, ao lado de Sylvinha Telles, no espetáculo “Gente bem e champanhota”, do comediante Colé, apresentado no Teatro Follies, no Rio de Janeiro. Gravou no primeiro 78 rpm lançado pela cantora, contendo as canções “Amendoim torradinho” (Henrique Beltrão), destaque do show, e “Desejo” (Garoto). O sucesso do disco lhe valeu um contrato com a Rádio Mayrink Veiga, onde integrou, ao lado de Luiz Eça (piano) e Jambeiro (contrabaixo), o Trio Penumbra. Algum tempo depois, passou a atuar como artista solista, apresentando-se em clubes, teatros e programas de Rádio e TV.
Em 1956, casou-se com Sylvinha Telles, com quem apresentou, nesse ano, o programa “Música e romance” (TV Rio), no qual os dois artistas recebiam convidados, como Garoto, Dolores Duran, Tom Jobim, Johnny Alf e Billy Blanco, e cuja música-tema era “Tu e eu” (Altamiro Carrilho e Armando Nunes). De sua união com Sylvinha Telles nasceu uma única filha, Claudia, hoje também cantora. O casal veio a se separar ainda na década de 1950.
Em 1959, bacharelou-se em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas. Nesse mesmo ano, abandonou a carreira de músico profissional embora tenha mantido a atividade de compositor, tendo participado de duas edições do Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com suas músicas “Mergulhador” e “Na roda do vento”, ambas em parceria com Lula Freire.
Constam da relação dos intérpretes de suas canções vários artistas, como Elizeth Cardoso, Copinha, Déo Rian, Miúcha e Tom Jobim, Alaíde Costa, Roberto Menescal, Claudette Soares, Nelson Gonçalves, Jacob do Bandolim e Altamiro Carrilho, entre outros, além de sua filha, Claudia Telles.
Exerce a função de Assistente Jurídico da União, no Ministério da Agricultura. (Dicionário CravoAlbin)

Sivuca (1897-1986)
Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (1999)

Candinho (José Candido de Mello Mattos Sobrinho – Alambari, MG, 1934)
1. Dorme (parceria com Ronaldo Boscoli)
2. Arraial do Cabo
3. Mergulhador (parceria com Lula Freire)
4. Tema para Nelly
5. Canção do velho cais (parceria com Paulo César Pinheiro)
6. Farol de Olinda
7. Tema para Cussy
8. Sonhando (parceria com Lula Freire)
9. Sem mais chorar (parceria com Lula Freire)
10. Madrugada (parceria com Marino Pinto)

BAIXE AQUI - Mediafire 49Mb

***

Como brinde, outra preciosidade: uma homenagem de Cussy de Almeida a Pixinguinha (um de seus compositores favoritos) realizada durante o Virtuosi 2001 – portanto há nove anos e dois meses, mais ou menos. Nesse tributo, ao lado da Orquestra Virtuosi regida por Rafael Garcia e do pianista Stephen Prutsman, ele executa uma paganiniana paráfrase de sua autoria sobre o Carinhoso. Me parece que essa partitura sofreu uns retoques antes de ser difundida em sua versão definitiva, hoje conhecida no Recife (embora tocada por somente dois intérpretes: Jerzy Milewski e Gilson Cornélio Filho, amigo e ex-pupilo de Cussy, respectivamente).

BAIXEAQUI- Link inativo: o Bisnaga não conseguiu achar…

***

Por fim, um pequeno brinde: uma breve gravação, de uns dois minutos, onde Ariano Suassuna responde o que é música armorial a um programa da Rádio Universitária de Pernambuco. Cussy transcreveu essa fala frisando todos os lapsos de pensamento do escritor, de quem era desafeto público desde o início dos anos 70, e entregou a transcrição junto com o CD. Ariano até acha as palavras certas, mas a muito custo e fornecendo uma definição em termos estritamente musicais. Disponibilizo a gravação porque, a despeito disso, ela serve de referência.

BAIXE AQUI - Link inativo: o Bisnaga não conseguiu achar…

PS.1: Todos os CDs deste post, cópias caseiras, foram dados de presente por Cussy de Almeida ao camarada que mos repassou.

PS.2: Peço atenção aos dados complementares, valiosos para fins históricos, acrescentados nos comentários deste post.

CVL
Repostado por Bisnaga

Cussy de Almeida (1936 -2010), Clóvis Pereira (1932), César Guerra-Peixe (1914-1993), Waldemar de Almeida (1904-1975), Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979) – Orquestra Armorial (1994) (NOVO LINK – Faixas 14 a 16 corrigidas)

SHOW DE BOLA !!!

Postado originalmente em 11 dezembro de 2009 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

Pra quem se lembra do CD com a Grande Missa Armorial de Capiba [calma, calma que o Bisnaga está preparando a repostagem da missa, que sai no domingo], aqui vai outro CD lançado pela Orquestra Armorial revival em 1994, sob regência de Cussy de Almeida.

Sivuca (1897-1986)
Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (1999)

Cussy de Almeida (1936 -2010)
1. Aboio
Clóvis Pereira (1932)
2. Cantiga
Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979)
3. Asa Branca - Arr. Cussy de Almeida
César Guerra-Peixe (1914-1993) e Clóvis Pereira (1932)
4. Mourão
Cussy de Almeida (1936 -2010)
5. Kyrie, da Missa Nordestina
6. Gloria, da Missa Nordestina
7. Reino da Pedra Verde
Waldemar de Almeida (1904-1975)
8. Dança de índios
César Guerra-Peixe (1914-1993)
9. Galope, no estilo de cantoria
Cussy de Almeida (1936 -2010)
10. Cipó branco de Macaparana
César Guerra-Peixe (1914-1993)
11. Velame
Cussy de Almeida (1936 -2010)
12. Cirandância
César Guerra-Peixe (1914-1993)
13. Terno de pífanos
Capiba (1904 -1997)
14. Suíte sem lei nem rei – I. Chamada (moderato)
15. Suíte sem lei nem reiII. Aboio (Largo)
16. Suíte sem lei nem reiIII. Galope esporeado (Allegro)
(as faixas 14 a 16 estavam corrompidas e coloquei a mesma suíte de outra gravação, com a mesma orquestra e regente, para que vocês não fiquem sem a obra)

(Solistas não identificados no Kyrie e no Gloria)
Orquestra e Coro Armorial
Cussy de Almeida, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Mediafire 103Mb

CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

Antonio Vivaldi (1678-1741) – As quatro estações, com Cussy de Almeida


Postado originalmente em 10 de março de 2011 pelo CVL. Repostado por Bisnaga.

Hoje, Cussy de Almeida faria 75 anos como bem lembrou um de nossos visitantes que quis permanecer anônimo (“Sinceramente e sem falsa modéstia, não tenho necessidade de receber créditos pelos arquivos”). Por isso, ele nos mandou uma gravação do violinista potiguar radicado no Recife tocando a célebre peça de Vivaldi – compositor no qual era especialista – ao lado da Osesp e do maestro Diogo Pacheco (que por sinal está chegando aos 90 anos de idade). De brinde, uma entrevista de Cussy ao próprio Diogo ilustrada por um pequeno trecho da mesma obra, mas tocada por Cussy com a Orquestra Armorial em ocasião anterior à da Osesp. As linhas abaixo são do nosso visitante-colaborador.

Era uma noite fria e úmida no inverno de 1984. No teatro Cultura Artística de São Paulo, Cussy de Almeida – com um violino (1750) de Tommaso Balestrieri – apresentou as Quatro Estações, de Vivaldi; com Terezinha Saghaard ao cravo e a Orquestra Sinfônica de São Paulo regida por Diogo Pacheco.

Conforme comentários do próprio maestro, algum tempo depois, o frio e a umidade prejudicaram a afinação dos instrumentos. Sofreram, então, o violino de Cussy e o cravo de Terezinha (nada tranquila na ocasião).

Cussy de Almeida, então com 48 anos, concedeu uma entrevista ao maestro Diogo Pacheco uma semana depois, no programa “Ligue Para um Clássico” da TV Cultura de São Paulo. Antecede a entrevista um trecho (com falha) das “Quatro Estações”, de Vivaldi, (também gravado pela TV Cultura, anos antes) com Cussy e a Orquestra Armorial.

As gravações aqui postadas têm 26 anos e foram feitas de transmissão da TV Cultura, com recursos limitados. Foi utilizado um monitor de TV Sony com dois canais monaurais, gravador Sony TC-129 e fita cassette Sony CHF90. Na gravação da entrevista foi utilizado o mesmo equipamento com fita cassette Basf C60. A conversão para MP3 recebeu um tratamento mínimo. Entretanto, é a oportunidade de ouvir Cussy de Almeida e homenagear sua alma nordestina, que certamente estará agradecida.

Antonio Vivaldi (1678-1741)
As quatro estações

01. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘A Primavera’, em Mi (As Quatro Estações Nº 1), I. Allegro
02. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘A Primavera’, em Mi (As Quatro Estações Nº 1), II. Largo
03. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘A Primavera’, em Mi (As Quatro Estações Nº 1), I. Allegro Pastorale
04. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Verão’, em Sol Menor (As Quatro Estações Nº 2), I. Allegro non molto
05. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Verão’, em Sol Menor (As Quatro Estações Nº 2), II. Largo – Presto
06. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Verão’, em Sol Menor (As Quatro Estações Nº 2), III. Presto (tempo impetuoso de’state)
07. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Outono’, em Fá (As Quatro Estações Nº 3), I. Allegro
08. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Outono’, em Fá (As Quatro Estações Nº 3), II. Adagio molto
09. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Outono’, em Fá (As Quatro Estações Nº 3), III. Allegro
10. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Inverno’, em Fá Menor (As Quatro Estações Nº 4), I. Allegro non molto
11. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Inverno’, em Fá Menor (As Quatro Estações Nº 4), II. Largo
12. Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo ‘O Inverno’, em Fá Menor (As Quatro Estações Nº 4), III. Allegro
Faixa Bonus: entrevista de Cussy de Almeida a Diogo Pacheco.

Cussy de Almeida (1936-2010), violino
Orquestra Sinfônica de São Paulo
Diogo Pacheco, regente

BAIXE AQUI – Mediafire 132Mb

CVL
Repostado/guaribado por Bisnaga

Iánnis Xenákis (1922-2001): Orchestral Works, Vol.1

Talvez seja cedo falar sobre quem fica e quem sai do cenário musical nos próximos anos. Mas das injustiças cometidas no passado, já melhoramos muito. Quem ainda a pouco duvidava da excelência de um Haydn, hoje quebra a cara. Em qualquer lugar sério, sua maestria é reconhecida. São inúmeros os concertos e gravações em sua homenagem. Vivaldi também passou por situação semelhante. Telemann é outro mestre que sofreu muito pela maldita comparação com Bach, mas hoje há vastíssima discoteca dedicada a ele. Enfim, estamos falando da redenção de compositores bem antigos. E o que acontecerá com a música dos compositores pós-1945? Acho que todos concordam que ela nunca será popular, pois exige do ouvinte uma participação muitas vezes extenuante e pouco recompensadora. Toda vez que ouço Pli Selon Pli de Boulez perco alguns quilos. Como disse, ainda é cedo.

No entanto, não podemos dizer que este cenário pós-1945 foi homogêneo. Trago Xenakis para provar que sua música lembra muito a impetuosidade de um Beethoven, não é necessário pensar muito em ritmo ou texturas (apesar da música ser riquíssima nesse quesito), é como pular no precipício, você não tem muito o que fazer, mas nunca irá bocejar. Acredito que Xenakis vai permanecer conosco para sempre.

Iánnis Xenákis (1922-2001) – Orchestral Works, Vol.1

1 – Aïs, for amplified baritone, solo percussion & orchestra
2 – Tracées, for 94 musicians
3 – Empreintes, for 85 musicians
4 – Noomena, for 103 musicians
5 – Roáï, for 90 musicians

with Beatrice Daudin
Luxembourg Philharmonic Orchestra
Conducted by Arturo Tamayo

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Xenákis

Xenákis: impetuosidade e permanência

CDF Bach

Paul Hindemith (1895-1963): Violin Concerto, Violin Sonatas

Tenho especial predileção por Hindemith, um cara que fazia uma música moderna, muito contrapontística e bela. Suas obras foram consideradas degeneradas pelos nazistas, o que não deixa de ser um elogio. Neste concerto e nas sonatas que o seguem, está boa parte das características do compositor. Ele buscava uma “música utilizável”, e uma “música para brincar”. Vocês facilmente reconhecerão estas duas vertentes neste CD. Suas maiores obras são as peças intituladas “Música de Câmara” para várias formações, lembrando um pouco os Concertos de Brandenburgo de J. S. Bach.

Paul Hindemith (1895-1963): Violin Concerto, Violin Sonatas

1 Violin Concerto: I. Massig bewegte Halbe 00:09:05
2 Violin Concerto: II. Langsam 00:08:41
3 Violin Concerto: III. Lebhaft 00:09:45

Violin Sonata, Op. 31, No. 2, ‘Es ist so schones Wetter draussen’

4 Violin Sonata, Op. 31, No. 2, “Es ist so schones Wetter draussen”: I. Leicht bewegte Viertel 00:01:57
5 Violin Sonata, Op. 31, No. 2, “Es ist so schones Wetter draussen”: II. Ruhig bewegte Achtel 00:02:21
6 Violin Sonata, Op. 31, No. 2, “Es ist so schones Wetter draussen”: III. Gemachliche Viertel 00:01:10
7 Violin Sonata, Op. 31, No. 2, “Es ist so schones Wetter draussen”: IV. 5 Variationen uber deas lied “Komm, lieber Mai” 00:03:49

Violin Sonata in E flat major, Op. 11, No. 1

8 Violin Sonata in E flat major, Op. 11, No. 1: I. Frisch 00:04:20
9 Violin Sonata in E flat major, Op. 11, No. 1: II. Im Zeitmass eines langsamen, feierlichen Tanzes 00:04:31

Violin Sonata in E major

10 Violin Sonata in E major: I. Ruhig bewegt 00:03:39
11 Violin Sonata in E major: II. Langsam – Sehr Lebhaft 00:05:41

Violin Sonata in C major

12 Violin Sonata in C major: I. Lebhaft 00:02:11
13 Violin Sonata in C major: II. Langsam 00:03:59
14 Violin Sonata in C major: III. Fuge: Ruhig bewegt 00:07:02

Frank Peter Zimmermann, Violino
Enrico Pace, piano

Frankfurt Radio Symphony Orchestra
Paavo Jarvi

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Hindemith:

Hindemith: muita coisa saiu desta cabeça de ovo

PQP

Cussy de Almeida (1936 -2010), Nélson Ferreira (1902-1976), Lula Queiroga (1960), Luiz Gonzaga (1912-1989), Humberto Teixeira (1915-1979), Capiba (1904 -1997), César Guerra-Peixe (1914-1993) e Clóvis Pereira (1932) – Grupo Orange – Raízes Brasileiras (NOVO LINK)

MUITO BOM !!!

Postado originalmente em 31 de outubro de 2008 por CVL, repostado em 10 de março de 2011 pelo mesmo CVL e trepostado por Bisnaga, agora.

Diz-se bastante que não amamos aquilo que não conhecemos. Realmente, os CDs mais baixados até aqui, dentre os que postei, foram os de Copland e de Piazzolla (mais do que os das obras do Villa, pois Magdalena e A floresta do Amazonas completa, p. ex., são pouquíssimo conhecidas). Não reclamo por Jorge Antunes e por Padre Penalva, não tão acessíveis ao gosto predominante.

É que exortei vocês a baixarem o Réquiem Contestado de Eli-Eri Moura – porque vocês não vão encontrar essa obra, muito bela, nem em sebo – mas os downloads foram muito tímidos na semana em que o postei. Este CD aqui, do Grupo Orange, é meio ruim de achar (exceto no Recife, onde há de sobra) e também vai com minha efusiva recomendação. Portanto, aproveitem.

A melhor resenha que achei sobre o CD, que insere o Grupo Orange no contexto da música armorial e que, por sua vez, remete a outros links sobre o Movimento Armorial* e seus principais nomes na música, está neste blog.

Embora o Grupo Orange esteja desafinadinho que só (em algumas músicas em particular, como o Mourão), o repertório é excelente – principalmente Dom Cariongo, De rabeca em cantoria, Modinha, Assum Preto, De viola e de rabeca (título original de Mourão) e Galope.

Grupo Orange
Raízes Brasileiras

Cussy de Almeida (1936 -2010)
1. Dom Cariongo, Rei dos Congos
2. Caboclinhos
3. De rabeca em cantoria
4. Maracatucá
5. Modinha
Nélson Ferreira (1902-1976) e Lula Queiroga (1960). Arranjo de Maestro Duda
6. Adivinhações
Cussy de Almeida (1936-2010)
7. Cipó Branco de Macaparana
Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979) Arra. Benny Wolkoff
8. Assum Preto
Cussy de Almeida (1936-2010)
9. Cirandância
Capiba (1904 -1997). Arr. Maestro Duda
10. Minha Ciranda
César Guerra-Peixe (1914-1993) e Clóvis Pereira (1932)
11. De viola e de rabeca
Cussy de Almeida (1936-2010)
12. Aboio
13. Esquente de zabumba
Clóvis Pereira (1932), Cussy de Almeida (1936-2010) e Jarbas Maciel (1933)
14. Cavalo marinho
Clóvis Pereira (1932)
15. Terno de pífanos
César Guerra-Peixe (1914-1993)
16. Galope

Grupo Orange
Moema Macedo, bandolim (faixa 5)
Cussy de Almeida,regente

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Cussy de Almeida: um senhor violinista e um senhor compositor!

CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

Johannes Brahms (1833-1897): As 4 Sinfonias, Aberturas, Variações sobre um Tema de Haydn

Sim, resolvi partir para a ignorância. Todas as sinfonias de Brahms e mais as aberturas, “raposódias” e outros que tais com a Filarmônica de Berlim sob Claudio Abbado. Não pensem que vou ficar postando sempre os CDs de quatro em quatro. Não se acostumem, OK?

Comentar as obras? Mas pra quê, cara pálida? Baixa logo e cala a boca.

Johannes Brahms (1833-1897): As 4 Sinfonias y otras cositas com Claudio Abbado

Disc: 1

1. Academic Festival Overture, Op 80 – Allegro – L’istesso tempo, un poco maestoso – Animato – Maestoso

2. Song of the Fates, Op 89 – Gesang der Parzen, Op.89 – Rundfunkchor Berlin, Dietrich Knothe

Sinfonia Nº 1
3. 1. Un poco sostenuto – Allegro – Meno allegro
4. 2. Andante sostenuto
5. 3. Un poco allegretto e grazioso
6. 4. Adagio – Piu andante – Allegro non troppo, ma con brio – Piu allegro

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Disc: 2

1. Alto Rhapsody – “Aber abseits wer ist’s?” Adagio-Poco Andante-Adagio – Marjana Lipovsek, Ernst Senff Chor

Sinfonia Nº 2
2. 1. Allegro non troppo
3. 2. Adagio non troppo – L’istesso tempo, ma grazioso
4. 3. Allegretto grazioso ( Quasi andantino) – Presto ma non assai
5. 4. Allegro con spirito

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Disc: 3

1. Tragic Overture, Op.81

2. Schicksalslied, Op.54 – Ernst Senff Chor

Sinfonia Nº 3
3. 1. Allegro con brio – Un poco sostenuto – Tempo I
4. 2. Andante
5. 3. Poco allegretto
6. 4. Allegro

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Disc: 4

1. Variations on a Theme by Haydn, Op.56a

2. Nänie von Friedrich Schiller, für Chor und Orchester, Op.82 – Rundfunkchor Berlin, Dietrich Knothe

Sinfonia Nº 4
3. 1. Allegro non troppo
4. 2. Andante moderato
5. 3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
6. 4. Allegro energico e passionato – Più allegro

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado

hbrtg

Saudades do Abbado

PQP

Sivuca (1930-2006), Jarbas Maciel (1933), Maestro Duda (1935), José Siqueira (1907-1985), Glória Gadelha (1947) e Abdon Felinto Milanez (1858-1927): Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (NOVO LINK)

SHOW DE BOLA !!!

Postado originalmente em 25 dezembro de 2011 pelo CVL. Repostado por Bisnaga

É época, entre outras coisas, de contribuir com a caixinha de natal dos funcionários de meu prédio. Moro no Leblon e meu porteiro é do Méier; minha primeira mulher mora no Leme e seu porteiro é mineiro de Carangola; o porteiro do empresarial onde tenho um escritório em Maceió é alagoano de Maceió mesmo… Já o síndico de meu edifício é um gerente de TI oriundo do Pólo Digital do Recife e é um branquelo filho de paranaense de forte sotaque “nortista” enquanto um “cabeça-chata” potiguar gerencia o empresarial de Maceió e se parece mais com o pressuposto que temos em mente quanto ao que seja um “nordestino”. Só não sei porque ninguém no Nordeste trata cariocas, capixabas, paulistas e mineiros como “sudestinos”. Bem, isso é o que rola por aí, fora do universo de visitantes de nosso blog pois por aqui nunca vi ninguém pensar nesses termos.

Se fosse para buscar uma lógica entre biótipos e estereótipos, o CD ora postado só poderia ser baixado por porteiros, camareiras, serventes e pedreiros, pois contém somente obras compostas por “paraíbas” (Jarbas Maciel é recifense, mas para boa parte da juventude do Sul e Sudeste, “do pescoço pra baixo, é tudo canela”). Como isso iria de encontro ao espírito natalino, e à própria mensagem de quem é lembrado no presente dia, desejo a todos vocês que visitam o PQP Bach que carreguem paz e amor em seus corações (pode soar piegas ou óbvio, mas é algo de efeito verdadeiro e eficiente) e curtam as gravações que vos deixo.
As peças são as seguintes:
Concerto sanfônico para ‘Asa branca’: Creio que seja a primeira obra sinfônica composta por Sivuca. Alguém, acho que um dos outros membros do blog, me disse que possui a partitura. Eu quero, hein?
Suíte miniatura no estilo armorial (dedicada a Ariano Suassuna): Linda suíte, toda construída em cima de um tema de contradança popular do interior paraibano e que resgata a instrumentação padrão da Orquestra Armorial. Destaque para o tratamento das cordas em pizzicato logo no início, como um imenso violão que faz a harmonia para o duo de flautas.
Suíte Monette: É a peça mais popularesca de todas. Sem mais comentários.
Abertura festiva das ‘Festas natalinas do Nordeste’: Obra razão de ser do presente post.
Feira de Mangaio: A segunda gravação dessa peça que posto aqui no blog. Muito interessante como Sivuca optou por incluir uma seção modificada em ritmo de valsa-choro antes de tocá-la como um baião.
Hino oficial do estado da Paraíba.

Sivuca (1897-1986)
Orquestra Sinfônica da Paraíba & Sivuca (1999)

Sivuca (Severino Dias de Oliveira – Itabaiana, PB, 1930 – João Pessoa, PB, 2006)
01. Concerto sanfônico para ‘Asa branca’
Jarbas Maciel (PE, 1933)
02. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, I. Chamada
03. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, II. Aboio
04. Suíte miniatura no estilo armorial ‘A pedra do Reino’, III. Cavalo marinho
Maestro Duda (José Ursicinio da Silva – Goiana, PE, 1935)
05. Suíte Monette, I. Ciranda
06. Suíte Monette, II. Balada
07. Suíte Monette, III. Valsa
08. Suíte Monette, IV. Boi-bumbá
José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
09. Abertura festiva das ‘Festas natalinas do Nordeste’
Glória Gadelha (Sousa, PB, 1947) e Sivuca (Itabaiana, 1930 – João Pessoa, 2006)
10. Feira de Mangaio
Abdon Felinto Milanez (Areia, PB, 1858 — Rio de Janeiro, RJ 1927)
11. Hino oficial do Estado da Paraíba (letra de Aurélio de Figueiredo)

Sivuca, sanfona
Nailson Simões, trompete (faixas 5 a 8)
Radegundis Feitosa, trombone (faixas 5 a 8)
Orquestra Sinfônica da Paraíba
Coral Collegium Pró-Música da Paraíba (faixa 11)
Osman Giuseppe Gioia, regente
João Pessoa, 1999

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Mediafire 61Mb

Ô, Sivuca… Fazes uma falta aqui embaixo…

CVL
Repostado/recauchutado por Bisnaga

Para conhecer e gostar da música clássica brasileira

Nosso ouvinte Gabriel Cezar perguntou ao Bisnaga quais as principais obras ele deve ouvir para conhecer e gostar da música clássica brasileira.

A resposta foi tão boa que a compartilho aqui:

Eu, particularmente, de uns anos pra cá, tenho me viciado cada vez mais em música erudita brasileira: consigo ver movimentos e expressões de nosso país, nossas sonoridades e me sinto representado nelas.

Mas há que se começar e, pra isso, vou pensado aqui pra você em obras belas, melodiosas e que são fáceis, que agradarão na primeira audição.

– Se você gosta de música instrumental, sem vozes, indico o Episódio Sinfônico (Francisco Braga), a Sinfonia em Sol (Alberto Nepomuceno), as aberturas de Maria Tudor e Odaléa (Carlos Gomes), o Noturno de Odaléa (Carlos Gomes), as aberturas Zemira e Abertura em Ré (Padre José Maurício Nunes Garcia), o Despertar da Montanha (Eduardo Moura), a Alvorada da ópera Lo Schiavo (Carlos Gomes) e o maravilhoso, estupendo Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras (Hekel Tavares).

– Ainda somente instrumental, mas de formação menor, para orquestras de câmara: a genial Sonata em Ré (Carlos Gomes), o Concerto para Harpa (Radamés Gnatali).

– Se você gosta de música do século XX, precisa conhecer Villa-Lobos, um dos grandes compositores do mundo nesse século. Recomendo dele: A Floresta do Amazonas (inteira), Choros nº10, Bachianas Brasileiras, especialmente as de nº 4, 5, 7 e 8, o Canto do Cisne Negro, o Concerto para Harmônica (gaita) e Orquestra e as Sinfonias 10 e 11, além dos 5 concertos para piano e Orquestra. Nossa, não poderia me esquecer do Estudo nº1 para Violão dele, é o toque do meu celular…Tem outras obras de compositores do século XX (ou da virada do XIX pro XX) que misturaram ritmos e sonoridades populares aos cânones clássicos, e saiu muita coisa boa como Mourão (César Guerra-Peixe), Maracatu do Chico Rei (Francisco Mignone), Congada (idem), Batuque (Alberto Nepomuceno), Batuque (Lorenzo Fernandez), Kyrie da Missa Armorial (Cussy de Almeida), o Capricho Medonho (Marcílio Onofre), a Missa de Alcaçuz (Danilo Guanais) e a sublime Ave Maria de Jorge Armando.

– Se gosta de solos vocais e ópera, comece com Il Guarany, Lo Schiavo e Maria Tudor, todas de Carlos Gomes. Veja primeiro os solos de soprano de Gomes, que são, a meu ver, os mais bonitos.

– Se, por fim, a sua praia for música com coral/sacra, ouça As Costureiras (Villa-Lobos), o Invitatório das Matinas de Natal (Pe. João de Deus de Castro Lobo – de arrepiar até os cabelos da nuca), o Credo (Inácio Parreira Neves), o Gloria da Missa a 5 Vozes (André da Silva Gomes), o estupendo Salmo 150 (Ernani Aguiar), o Requiem e a Missa de Santa Cecília (Padre Maurício Nunes Garcia), o Magnificat (Manoel Dias de Oliveira) e a portentosa Missa em Aclamação a Dom João VI (Neukomm).

Ainda pulei vários compositores bons, como Lobo de Mesquita, Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro e muitos, mas muitos outros!

Dê uma olhada em parte disso. Você vai mudar de ideia. Se não quiser sair baixando tudo, veja no youtube: tem boa parte. Querendo baixar, tudo isso tem aqui no P.Q.P.Bach ou no Música Brasileira de Concerto.

Espero ter te ajudado a desvendar esse universo imenso e maravilhoso da música brasileira. Ainda tem muita coisa pra gente tomar conhecimento…

Abraço e boa sorte,

Bisnaga