Franz Schubert (1797-1828) – O Quinteto D.956

F.D.P. Bach, que apresenta claramente um fraco por Schubert, enciumou-se com minha postagem de anterior e resolveu vingar-se colocando no ar aquela que, talvez, seja sua maior obra de câmara. Não é pouca coisa escolher a “maior” na obra do compositor.

A gravação é a premiadíssima versão do Emerson String Quartet reforçado por ninguém menos do que o violoncelista Mstislav Rostropovich, que gravou a música mais de 4 vezes em sua carreira com os diferentes quartetos de cordas.

O cineasta Alain Corneau elevou o adágio deste quinteto ao status de personagem em seu filme Noturno Indiano – baseado no romance de Antonio Tabucchi.. Com ele, fez uma das mais estarrecedoras cenas de miséria que conheço.

E há um blogueiro metido a ficcionista que utilizou filme e música numa de suas histórias: aqui.

1. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Allegro ma non troppo
2. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Adagio
3. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Scherzo. Presto – Trio. Andante sostenuto
4. Streichquintett C-Dur D 956 (Op. Post.163): Allegretto

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Franz Schubert (1797-1828) – Os Trios Completos

Esta é uma gravação absolutamente notável do Trio Wanderer, um grupo de três jovens franceses que estão repetindo a competência e o sucesso dos veteranos do Beaux Arts. Outro destaque extraordinário é a qualidade do som do CD áudio original. Pelos intérpretes e pela qualidade da música, vale o investimento.

Além de gênio absoluto, poucos compositores deixam os musicólogos mais felizes. Sua obra é a maior confusão. Schubert deixou uma montanha de manuscritos incompletos por razões ignoradas. Começava trabalhos e deixava-os pela metade; finalizava trabalhos e não apresentava em publicava. Por exemplo, a Sinfonia Nº 8 é a Inacabada, mas a Nº 9 está completa. Nestes belíssimos trios, há o detalhe de Schubert ter escrito primeiro o Nº 2 e depois o Nº 1; além disto, há dois movimentos avulsos que fariam parte de futuros trios nunca compostos. Um deles, o Noturno que está no primeiro CD, é música de primeiríssima linha que devia estar esperando companhia musical adequada…

A interpretação do Wanderer é antológica, com destaque para o famoso Andante con Moto do Trio Nº 2.

A não perder!

1. Trio Nº 1, D898 En Si Bémol Majeur : Allegro Moderato
2. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Andante Un Poco Mosso
3. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Scherzo
4. Trio N°1, D898 En Si Bémol Majeur : Rondo
5. Nocturne En Mi Bémol Majeur, D897

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CD 2:
1. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Allegro
2. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Andante Con Moto
3. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Scherzando
4. Trio N°2, D929 En Mi Bémol Majeur : Allegro Moderato
5. Sonatensatz En Si Bémol Majeur, D28

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Trio Wanderer

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – As Suítes Francesas

Primeiro, um artigo sobre o pianista:
A Provocação de Glenn Gould
Por: Milton Ribeiro

Antigamente, a música – mesmo a mais grandiosa – era utilizada como pano de fundo para jantares e comemorações. Para nós é difícil conceber isto, mas a música de Vivaldi, por exemplo, era ouvida sob o provavelmente alegre som de comensais italianos alcoolizados… Excetuando-se os saraus privados, o único local onde podia-se ouvir música em silêncio era nas igrejas. O ritual de deslocar-se até uma sala de concertos a fim de ouvir e ver silenciosamente a performance de orquestras, cantores e recitalistas é relativamente recente – começou há uns 150 anos. Sob uma forma mais barulhenta, a música popular aderiu a este ritual no século XX, porém hoje seus concertos visam mais a celebração do artista do que a finalidades “expressivas” ou “interpretativas”. Alguns radicais, como o extraordinário pianista canadense Glenn Gould (1932-1982) – cujas interpretações de Bach são até hoje difíceis de superar – trilharam o caminho inverso chegando ao extremo de abandonar suas carreiras de concertistas por não acreditarem mais que o formato de concertos e shows fosse aceitável, quando comparado às vantagens oferecidas pelos estúdios de gravação. Não obstante o abandono dos holofotes e dos aplausos – em seu caso sempre entusiásticos -, Gould seguiu pianista e continuou produzindo discos cada vez melhores; mesmo sem ter marcado um mísero concerto em seus 27(!) últimos anos de vida.

Glenn Gould acreditava que a tecnologia oferecida pelos estúdios o colocava mais próximo de seu ideal artístico, que colocava a técnica pianística em segundo plano. Apesar de ser um instrumentista absolutamente preciso e hábil, a impressão mais forte que temos ao ouvi-lo não é a do virtuosismo, mas a da expressividade. Com ele, pode-se ouvir a música. Gould pensava que existia somente uma interpretação perfeita de cada obra e que esta só poderia ser obtida em estúdio com auxílio da tecnologia.

A verdade é que as gravações revolucionaram inteiramente nossa abordagem à música. Em menos de um século, passamos do sarau ao CD, fomos do amadorismo afetuoso e comovedor de nossas residências (que bom se pudéssemos voltar no tempo, não?) ao sampler. Vejamos como:

1877: Thomas Edison constrói e dá nome ao primeiro fonógrafo, um aparelho que registra e reproduz sons, utilizando um cilindro de parafina.

1888: O disco envernizado substitui o cilindro de Edison.

1925: Aparece o primeiro toca-discos elétrico, que funcionava com discos de 78 rpm. Um movimento – cheio de chiados – de uma sonata de Beethoven poderia ocupar vários discos… Meu pai tinha o Op. 111 do compositor alemão em 8 discos ou 16 lados de discos 78 rpm!

1940: O acetato e o verniz começam a ser substituídos pela fita magnética.

1948: Surge o LP, que podia receber até 30 minutos de música (uma sinfonia de Mozart!) de cada lado. Todos os discos de 78 rotações deveriam ser jogados fora. (Este é outro assunto…)

1958: O som estereofônico torna obsoletas as gravações anteriores, feitas em mono. Chegou a vez de jogar fora tudo o que não era estéreo.

1965: A fita cassete ameaça o disco, mas não o vence.

1979: Aparecem as fitas digitais (DAT) com som semelhante ao do CD; isto é, muito mais claras do que tudo o que já havia surgido antes.

1983: Chega o CD, mais uma vez desvalorizando todas as outras gravações realizadas em outros meios.

Gould falava em quão recente era a supostamente eterna tradição das salas de concerto e ridicularizava vários de seus aspectos. Por que haveria de ser necessário atravessar a cidade – talvez com chuva ou sem a vestimenta adequada -, para ir sentar- com hora marcada -, em cadeiras normalmente piores do que as de nossas casas, a fim de ouvir o mesmo velho e conhecido repertório tocado com acompanhamento de sussurros e tosses? Segundo ele, a única coisa que mantinha viva a tradição dos concertos era a oligarquia do mundo dos negócios musicais, acrescida do que Gould chamava de “uma afetuosa, ainda que às vezes frustrante, característica humana: a relutância em aceitar as conseqüências de uma nova tecnologia.”

Eu, modestamente, adoro ir a concertos. Amo aquela celebração dedicada aos músicos e à música; mas concordo com Gould em muitas coisas. É complicado sair de casa para ver, muitas vezes, concertos constrangedoramente inferiores àquilo que temos em nossa discoteca. Outra coisa triste é o conservadorismo do repertório apresentado: principalmente no Brasil, considera-se que estejamos eternamente “educando o público para a música erudita”. Com este argumento, as orquestras obtém o aval para apresentarem somente o mainstream do repertório. (Há as exceções, mas são raras…) Enquanto isto, o LP e o CD abriram um leque de opções que mudaram nosso conhecimento musical. Obras extraordinárias puderam voltar a fazer parte de nossa cultura, grande parte da música de câmara (música escrita para pequenos grupos de instrumentistas) e da música antiga, inadequadas para as grandes salas, voltaram através dos discos.

Houve uma importante alteração na maneira de tocar a música e, por conseguinte, de ouvi-la e compreendê-la. Uma vez que, no estúdio, os músicos não tinham mais de preencher os grandes espaços das salas de concerto com som, todo o processo de fazer música passou a colocar mais ênfase na clareza e beleza do fraseado. Os microfones que fizessem o resto! Os antigos instrumentos – de som mais fraco – retornaram à vida e surgiram as gravações com interpretações históricas, utilizando instrumentos de época, que respeitam a dinâmica e a forma original das obras.

Ainda dá para brigar a favor ou contra estas opiniões de Gould ou estão definitivamente superadas?

Observação: A maior parte dos argumentos aqui colocados livremente estão sistematizados no livro de Otto Friedrich Glenn Gould: A Life and Variations.

Agora, a qualidade do pianista:

Bach: French Suites, BWV 812-817

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 1 in D Minor, BWV 812
I. Allemande 1:31
II. Courante 1:03
III. Sarabande 2:50
IV. Menuett I 1:12
V. Menuett II 2:28
VI. Gigue 2:07

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 2 in C Minor, BWV 813
I. Allemande 2:35
II. Courante 2:08
III. Sarabande 2:16
IV. Air :54
V. Menuett :50
VI. Gigue 1:41

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 3 in B Minor, BWV 814
I. Allemande 1:34
II. Courante 1:10
III. Sarabande 1:39
IV. Menuett – Trio 2:01
V. Anglaise :49
VI. Gigue 1:39

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 815
I. Allemande 1:09
II. Courante 1:08
III. Sarabande 2:09
IV. Menuett, BWV 815a :56
V. Gavotte :45
VI. Air 1:04
VII. Gigue 1:53

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 5 in G Major, BWV 816
I. Allemande 1:47
II. Courante 1:16
III. Sarabande 2:52
IV. Gavotte :40
V. Bourée :48
VI. Loure 1:07
VII. Gigue 2:25

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)Suite No. 6 in E Major, BWV 817
I. Allemande 1:33
II. Courante 1:00
III. Sarabande 2:38
IV. Gavotte :36
V. Polonaise :54
VI. Menuett :47
VII. Bourée :58
VIII. Gigue 2:03

Glenn Gould, piano

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Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 1 de 11) Trio Nº 1, Op. 8, e Trio para Trompa, Op. 40

Com este link, F.D.P. Bach inicia de forma sistemática a integral da obra de câmara de Brahms.

O fato de eu não lembrar do Trio Nº1 não significa que ele seja inferior. Mas garanto que o Trio para Trompa, Violino e Piano é uma obra-prima!

Em tempo: F.D.P. Bach vem em meu auxílio. A composição do Trio nº1, op. 8 foi iniciada com Brahms iniciou ainda jovem, quando frequentava a casa do casal Schumann em Düsseldorf. Ele nunca a apresentou em público, apenas alguns trechos para amigos mais próximos, incluíndo aí, é claro, o casal Schumann. Porém, nunca ficou satisfeito com o resultado. Ele o refez muitos anos mais tarde, 35 anos depois, para ser mais exato. De acordo com seu biógrafo Malcom MacDonald, a única idéia que permaneceu do original foram os acordes iniciais do piano, ainda no primeiro movimento. O restante foi todo refeito. Considero-a uma obra maior, de extrema profundidade e de um romantismo contido, porém facilmente perceptível. O Beaux Arts Trio dispensa apresentações. Creio que seja a melhor interpretração desta peça. Boa audição.

Como sempre faz, F.D.P. capricha na escolha da gravação. Leiam a relação dos músicos que executam os trios e sinta-se tranqüilo, pois não há outro jeito: qualquer gravação com esta turma sempre será referência para as outras.

Horn Trio in E flat, Op. 40:
1. Andante
2. Scherzo: Allegro
3. Adagio Mesto
4. Finale: Allegro Con Brio
Arthur Grumiaux (violin), Francis Orval (horn), Gyorgy Sebok (piano)

Piano Trio No. 1 in B major, Op. 8:
1. Allegro con brio
2. Scherzo: Allegro molto
3. Adagio
4. Allegro
Bernard Greenhouse (cello), Daniel Guilet (violin) e Menahem Pressler (piano); ou seja, o Beaux Arts Trio em sua formação original.

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Georg Friederich Händel (1685-1759) – O Triunfo do Tempo e do Desengano

O anúncio da estréia dizia:

IL TRIONFO DEL TEMPO E DEL DISINGANNO

Oratorio in 2 parti
Libretto di Benedetto Pamphili

Musica di Georg Friedrich Händel

Roma, Collegio Clementino , giugno 1707

PERSONAGGI VOCI
BELLEZZA Soprano (Beauty)
PIACERE Soprano (Pleasure)
DISINGANNO Alto (Disillusion)
TEMPO Tenor (Time)


Direttore: Arcangelo Corelli

Com este nome, poderia ser um oratório existencialista com o tempo e o desengano (ou verdade, ou desilusão) triunfando sobre a beleza e o prazer.

Mas não, é um belíssimo oratório de Händel, muito pouco divulgado. O compositor, aos 22 anos, estava na Itália quando escreveu este que foi o primeiro de seus muitos oratórios. Curiosamente, foi também o último, pois ele o reescreveu, traduzindo-o para o inglês com o nome de The Triumph of Time and Truth. No texto do oratório as personagens Beleza, Prazer, Desengano (ou Verdade) e Tempo discutem. É um tema bastante comum no repertório cheio de alegorias do barroco.

CD 1

1. Prima Parte. Son: Allegro – Adagio – Allegro
2. Prima Parte. Aria: Fido Specchio…
3. Prima Parte. Recitativo
4. Prima Parte. Aria: Fosco Genio, E Nero Duolo Mai Non Vien Per Esser Solo…
5. Prima Parte. Recitativo
6. Prima Parte. Aria: Se La Bellezza Perde Vaghezza…
7. Prima Parte. Recitativo
8. Prima Parte. Aria: Un Schiera Di Piaceri
9. Prima Parte. Recitativo
10. Prima Parte. Aria: Urne Voi, Che Racchiudete Tante Belle…
11. Prima Parte. Recitativo
12. Prima Parte. Duetto: Il Voler Nel Fior Degl’anni…
13. Prima Parte. Recitativo
14. Prima Parte. Aria: Un Pensiero Nemico Di Pace…
15. Prima Parte. Recitativo
16. Prima Parte. Aria: Nasce L’uomo, Ma Nasce Bambino…
17. Prima Parte. Aria: L’uomo Sempre Se Stesso Distrugge…
18. Prima Parte. Recitativo
19. Prima Parte. Son
20. Prima Parte. Aria: Un Leggiadro Giovinetto…
21. Prima Parte. Recitativo
22. Prima Parte. Aria: Venga Il Tempo…
23. Prima Parte. Aria: Crede L’uom Ch’egli Riposi…
24. Prima Parte. Recitativo
25. Prima Parte. Aria: Folle, Dunque Tu Sola Presumi…
26. Prima Parte. Recitativo
27. Prima Parte. Qt: Se Non Sei Piu Ministro Di Pene…

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CD 2

1. Seconda Parte. Recitativo
2. Seconda Parte. Aria: Chiudi, Chiudi I Vaghi Rai…
3. Seconda Parte. Recitativo
4. Seconda Parte. Aria: Io Sperai Trovar Nel Vero…
5. Seconda Parte. Recitativo
6. Seconda Parte. Aria: Tu Giurasti Di Mai Non Lasciarmi…
7. Seconda Parte. Recitativo
8. Seconda Parte. Aria: Io Vorrei Due Cori In Seno…
9. Seconda Parte. Recitativo
10. Seconda Parte. Aria: Piu Non Cura Valle Oscura…
11. Seconda Parte. Recitativo
12. Seconda Parte. Aria: E Ben Folle Quel Nocchier…
13. Seconda Parte. Recitativo
14. Seconda Parte. Qt: Voglio Tempo Per Risolvere…
15. Seconda Parte. Recitativo
16. Seconda Parte. Aria: Lascia La Spina…
17. Seconda Parte. Recitativo
18. Seconda Parte. Aria: Voglio Cangiar Desio…
19. Seconda Parte. Recitativo
20. Seconda Parte. Aria: Chi Gia Fu Del Biondo Crine…
21. Seconda Parte. Recitativo
22. Seconda Parte. Aria: Ricco Pino Nel Cammino…
23. Seconda Parte. Recitativo
24. Seconda Parte. Duetto: Il Bel Pianto Dell’aurora Che S’indora…
25. Seconda Parte. Recitativo
26. Seconda Parte. Aria: Come Nembo Che Fugge Col Vento…
27. Seconda Parte. Recitativo Accompagnato
28. Seconda Parte. Aria: Tu Del Ciel Ministro Eletto…

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Il trionfo del Tempo e del Disinganno, oratorio, HWV 46a
Composé par George Frideric Handel
Joué par Les Musiciens de Louvre
avec Nathalie Stutzmann, Jennifer Smith, John Elwes, Isabelle Poulenard
Dirigé par Marc Minkowski

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Franz Liszt (1811-1886) – Os Dois Concertos para Piano

Por FDP Bach: Sviastoslav Richter foi um grande pianista, um dos grandes do século XX. Esta gravação dos concertos de Liszt é histórica, realizada ainda na década de 60, ao lado de outro grande russo, Kiril Kondrashin, que rege a Filarmônica de Londres. Creio que o grande trunfo da dupla Richter/Kondrashin nestas gravações é seu pleno controle da execução, de uma meticulosidade impressionante. Richter não se deixa envolver por demais com a estrutura romântica da obra, a interpreta com racionalidade, diferentemente de outros intérpretes, que resolvem se jogar de corpo e alma na execução. Espero que apreciem.

Por PQP Bach: Curta nota sobre a obra pianística de Liszt: Apesar do pouco sucesso de quase todas as suas obras orquestrais e corais, Liszt seguiu com coerência ferrenha, certo de que estava a produzir para o futuro. E ele realizou-se plenamente apenas na música para piano, seu instrumento. Ainda assim é bom não levar em conta grande parte dela. As variações e fantasias sobre melodias de óperas são medonhas, assim como as danças e as valsas da moda. São músicas de virtuosismo vazio, que apenas serviam como suporte para os concertos do super-astro do teclado que foi Liszt durante boa parte de sua vida. Porém, os dois Concertos para Piano, as peças poéticas Années de péerinage e as Harmonies poétiques et religieuses e, principalmente, a incontestabilíssima Sonata para Piano em Si Menor, são outra conversa.

Liszt: The Two Piano Concertos

1. Piano Concerto No. 1 In E flat: 1. Allegro maestoso
2. Piano Concerto No. 1 In E flat: 2. Quasi adagio
3. Piano Concerto No. 1 In E flat: 3. Allegretto vivace – Allegro animato
4. Piano Concerto No. 1 In E flat: 4. Allegro marziale animato

5. Piano Concerto No. 2 In A: Adagio sostenuto assai – Allegro agitato assai
6. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro moderato
7. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro deciso – Marziale un poco meno allegro
8. Piano Concerto No. 2 In A: Allegro animato

Composed by Franz Liszt
Performed by London Symphony Orchestra with
Sviatoslav Teofilovich Richter
Conducted by Kiril Kondrashin

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J.S.Bach (1685-1750) – Cantatas Profanas (2 de 8 CDs)

Três excelentes cantatas-solo, principalmente a BWV 202 (Cantata do Casamento). Destaque especial para a primeira ária, em que “vê-se” o lento caminhar da noiva. Um espanto!

Weichet nur, betrubte Schatten, BWV 202, “Wedding Cantata”
01. Aria: Weichet nur, betrubte Schatten (Soprano) 06:00
02. Recitative: Die Welt wird wieder neu (Soprano) 00:27
03. Aria: Phoebus eilt mit schnellen Pferden (Soprano) 02:59
04. Recitative: Drum sucht auch Amor sein Vergnugen (Soprano) 00:34
05. Aria: Wenn die Fruhlingslufte streichen (Soprano) 02:20
06. Recitative: Und dieses ist das Glucke (Soprano) 00:37
07. Aria: Sich uben im Lieben (Soprano) 04:17
08. Recitative: So sei das Band der keuschen Liebe (Soprano) 00:25
09. Gavotte: Sehet in Zufriedenheit (Soprano) 01:38
Sibylla Rubens, soprano
Stuttgart Bach Collegium

Amore traditore, BWV 203
10. Aria: Amore traditore (Bass) 05:19
11. Recitative: Voglio provar (Bass) 00:40
12. Aria: Chi in amore ha nemica la sorte (Bass) 05:13
Dietrich Henschel, bass / Michael Behringer, harpsichord

Ich bin in mir vergnugt, BWV 204
13. Recitative: Ich bin in mir vergnugt (Soprano) 01:45
14. Aria: Ruhig und in sich zufrieden (Soprano) 06:41
15. Recitative: Ihr Seelen, die ihr ausser euch stets in die Irre lauft (Soprano) 02:05
16. Aria: Die Schatzbarkeit der weiten Erden (Soprano) 04:08
17. Recitative: Schwer ist es zwar, viel Eitles zu besitzen (Soprano) 01:57
18. Aria: Meine Seele sei vergnugt (Soprano) 05:32
19. Recitative: Ein edler Mensch ist Perlenmuscheln gleich (Soprano) 01:55
20. Aria: Himmlische Vergnugsamkeit (Soprano) 04:41
Sibylla Rubens, soprano

Stuttgart Bach Collegium
Helmuth Rilling, conductor

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Johannes Brahms (1833-1897) – Quarteto para Piano Op. 60

Tal como ameaçamos no penúltimo post, aqui está o op. 60 com o Beaux Arts Trio e Walter Trempler na viola.

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Agora sim vamos poder comparar e ter opiniões…

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Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia Nº 2 “Ressurreição”

Se Mahler, em toda a sua vida, tivesse escrito apenas o terceiro movimento da Ressurreição, já teria um lugar garantido na história da música. Mas há o resto, e que resto! Obra espetacular e fundamental na obra de Mahler, a Sinfonia Ressurreição se utiliza de um enorme contingente de músicos. A orquestra é ora tratada convencionalmente, ora separada em pequenos grupos de câmara, tornando-se de poderosa para rarefeita, de delicada para violenta, como se estivesse sofrendo a melhor das psicoses maníaco-depressivas.

Mahler foi o maior regente de seu tempo e sabia o que estava fazendo. A “Ressurreição” é obra cheia de surpresas e que não hesita em utilizar alguns recursos pouco convencionais. Há, por exemplo, grupos de instrumentos que tocam fora do palco. Explico o motivo: os dois últimos movimentos da sinfonia propõem-se a fazer uma representação exterior (se bem que, como Mahler dizia, tudo era representação interior…) de nada menos que o Dia do Juízo Final e da Ressurreição dos mortos. Para tanto, o autor manda alguns instrumentistas (trompetes, trompas, percussão) para fora do palco e de lá, dos bastidores, eles iniciam um conflito fantasmagórico com a orquestra que está no palco. Quando a orquestra do palco executa o suave tema da redenção, de fora vem o som das trompas e da percussão executando o que Mahler dizia representar “as vozes daqueles que clamam inutilmente no deserto”. Depois começa a marcha dos ressucitados no Juízo Final. Em meio a este tema, as trompas e os trompetes que estão lá atrás nos bastidores – representando agora a enorme multidão de almas penadas -, enchem o ar com seus apelos vindos de todos os lados do palco.

Todo este aparato propõe-se simplesmente a responder à pergunta: “Por que se vive?”.

Jorge de Sena, em 1967, escreveu o seguinte poema sobre esta música:

MAHLER: SINFONIA DA RESSURREIÇÃO

Ante este ímpeto de sons e silêncio,
ante tais gritos de furiosa paz,
ante o furor tamanho de existir-se eterno,
há Portas no Infinito que resistam?

Há infinito que resista a não ter portas
para serem forçadas? Há um paraíso
que não deseje ser verdade? E que Paraíso
pode sonhar-se a si mesmo mais real que este?

Sinfonia Nº2 “Ressurreição” de Gustav Mahler:

1. Allegro maestoso
2. Andante Moderato
3. In ruhig fliessender bewegung
4. Urlicht. Sehr feierlich, aber schlicht
5. Im Tempo des Scherzos. Wild herausfahrend
6. Wieder sehr breit
7. Ritardando…Maestoso
8. Wieder zuruckhaltend
9. Langsam. Misterioso
10. Etwas bewegter
11. Mit Aufschwung aber nicht eilen

Birmingham Symphony Orchestra with
Arleen Auger, Dame Janet Baker
Conducted by Simon Rattle

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Por amor ao contraditório

Tão infindáveis quanto as discussões sobre política ou futebol são as comparações entre interpretações de música erudita. Na opinião deste P.Q.P. Bach, tão bom quanto descobrir uma nova obra é comparar gravações. Àqueles estranhos a este mundo deve parecer curioso falar no “Beethoven de Karajan”, no “Bach de Gould”, no “Bruckner de Jochum” ou no “Mozart de Maria João Pires”. Eles também ignoram que há pessoas dispostas a matar ou roubar para defender Otto Klemperer ou qualquer outro como o maior de todos os maestros interpretando determinada obra… Os amantes da ópera costumam ser piores ainda neste quesito, pois são obrigados a recorrer a incríveis analogias a fim de descrever sua opinião acerca de um agudo de um soprano, por exemplo. Já vi pessoas romperem definitivamente por causa de Maria Callas.

Muitas vezes tais discussões advém realmente de diferenças de concepção deste ou daquele músico ou cantor, porém, outras vezes, alguns registros são defendidos apenas por alguns compassos em que fulano ou sicrano foi, na opinião do ouvinte, sublime.

A fim de este hábito não se perca, P.Q.P. Bach irá contrapor outra gravação ao Op. 25 de Brahms, recentemente disponibilizado por F.D.P. Bach. Deixo aqui para vocês a esplêndida interpretação do Trio Beaux Arts mais o violista Walter Trampler. Não sei se F.D.P. teria a gravação deste conjunto para o Op. 60. Se tivesse, gostaria que ele nos permitisse ouvir, pois… pois… bem, quero fazer uma comparação entre os andantes do Rubinstein e do Beaux Arts, ora.

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Johannes Brahms (1833-1897) – Quartetos para Piano Op. 25 e 60

F.D.P. Bach voltou impossível das férias e nos mandou uma gravação obrigatória. A célebre gravação do pianista romântico Artur Rubinstein com o Guarneri Quartet dos quartetos para piano de Brahms. É notável o quanto o estilo dos executantes adapta-se à música de Brahms. Estes quartetos prescindem de maiores comentários: são música profunda, de primeiríssima qualidade e merecidamente conhecidos e louvados. Estou ouvindo o Rondo alla zingarese do Op. 25 e sinto certa taquicardia. Que bom! FDP voltou a incluir no arquivo as imagens da capa e dos encartes do CD original. Olha, um show.

Em tempo: nas próximas semanas, F.D.P. Bach nos levará a um tour completo pela música de câmara de Brahms. Teremos as sonatas para piano, as para violino e piano, violoncelo e piano, clarinete e piano, os trios, os quartetos, quintetos, septetos, etc. Preparem-se; fugindo dos trocadilhos, será um verdadeiro porre brahmsiano. Afinal, sabemos que o que todo mundo quer é um carnaval com Brahms, o número 1 (ai, não resisti).

1. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Allegro
2. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Intermezzo: Allegro ma non troppo; Trio Animato
3. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Andante con moto: Animato
4. Piano Quartet No. 1 (Op. 25): Rondo alla zingarese: Presto; Meno presto; Molto presto
5. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Allegro ma non troppo
6. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Scherzo: Allegro
7. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Andante
8. Piano Quartet No. 3 (Op. 60): Allegro

Artur Rubinstein, piano;
Membros do Quarteto Guarneri.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Concerto para Piano, Trompete e Cordas, Op. 35 (1933)

Shostakovich foi excelente pianista. Poderia ter feito carreira como virtuose, mas, para nossa sorte, escolheu compor. Foi o vencedor do internacional Concurso Chopin de 1927 e fazia apresentações regulares executando seus trabalhos. O pequeno número de gravações do próprio compositor como pianista talvez deva-se ao fato de ele ter perdido parcialmente os movimentos de sua mão direita ao final dos anos sessenta.

Este concerto é realmente espetacular. Era uma boa época para os concertos para piano. O de Ravel aparecera um ano antes, assim como o 5º de Prokofiev. É coincidente que os três sejam alegres, luminosos, divertidos mesmo. Com quatro movimentos, sendo o primeiro muito melodioso e gentil, os dois centrais lentos e o último capaz de provocar gargalhadas, é um grande concerto. A participação de um trompetista meio espalhafatoso é fundamental, assim como de um pianista que possa fazer rapidamente a conversão entre a música de cabaré e a música militar exigidas no último movimento. Uma vez, assistindo a uma apresentação, vi como as pessoas sorriam durante a audição deste movimento. Não há pontos baixos neste maravilhoso concerto, que ainda traz, em seu segundo movimento, um lindíssimo solo para trompete, além de uma cadenza esplêndida, de ecos beethovenianos.

Shostakovich foi o pianista de sua estréia, em 1933, na cidade de Leningrado.

Piano Concerto No. 1 in C minor, Op. 35
Performed by:New Zealand Symphony Orchestra
Conducted by:Christopher Lyndon-Gee
Michael Houstoun, piano

I. Allegretto – Allegro Vivace – Moderato – 06:31
II. Lento – 08:31
III. Moderato 01:42
IV. Allegro con brio 06:54

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