Radamés Gnattali (1906-1988) – Braziliana nº 13 e outras obras para violão solo

O grande Maestro Radamés fez frutífero contato com o violonista Rafael Rabello (1962-1995) numa época em que ressurgia o choro no Rio de Janeiro. Radamés foi um dos mestres mais requisitados nesse período, demonstrando uma jovialidade que encantou novos chorões como Joel Nascimento, Rafael Rabello e Maurício Carrilho. Nasceram assim amizades que geraram muitos encontros e parcerias. Em 1986, Rafael gravou este excepcional registro de obras do mestre gaúcho.

01 Braziliana nº 13: Samba bossa nova
02 Braziliana nº 13: Valsa
03 Braziliana nº 13: Choro
04 Tocata em ritmo de samba I
05 Tocata em ritmo de samba II
06 Dança brasileira
07 Estudo I – Presto possibile
08 Estudo V – Alegretto
09 Estudo VII – Comodo

Violonista: Rafael Rabello

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J. S. Bach (1685-1750) – Cantatas Profanas (3 de 8 CDs)

A Cantata BWV 205, que leva o nome, traduzido por mim, de Éolo Aplacado é uma das belas que meu pai fez. Trata-se de uma encomenda; foi escrita para comemorar o onomástico do respeitado acadêmico da Universidade de Leipzig August Friedrich Muller e é do ano de 1725. O libreto de Picander é levemente baseado em Virgílio, o qual deve ter dado cabeçadas em sua cova ao ver o que ele e meu pai fizeram de com seus versos da Eneida…

Éolo, deus dos ventos, está nervoso e soprando tudo, há sofrimento no mar e na terra, pois o homem não estava para brincadeiras. Zéfiro, filho de Éolo com tendências gays, ventinho suave como a brisa, mensageiro da primavera, protetor dos marinheiros, mais chegado a um hálito refrescante, foi lá tentar acalmar o pai, mas este não quis nem saber. Outros deuses também foram lá mas o homem estava incontrolável e mandava furacões pra todo lado. Porém…, Palas Atena, a deusa da sabedoria, conversou com Éolo utilizando mortal argumento. Disse ela:

– Olha, Éolo. O negócio é o seguinte: pára com esse coisa porque hoje é o onomástico do Dr. August Friedrich Muller, da Universidade de Leipzig. Não é legal fazer isso num dia em que tão ínclita pessoa está em festa recebendo os amigos, etc.

Éolo aceita o irrefutável, indiscutível e inteligente argumento da deusa e suspende a ventania. Isto em música? Vocês não imaginam! Uma obra-prima sensacional!

Anos depois, meu pai reutilizou a música para outro Augusto, este um advogado, também em data de onomástico. Mas não ficou tão bom quanto o original. O novo libreto ficou muito ruim. Éolo e Palas perderam seus respectivos élans quando tiveram de homenagear um advogado. Talvez naquela época eles já fossem tão preguiçosos, caros, complicados e sensíveis quanto são hoje.

Cantata Profana BWV 205 & Quodlibet BWV 524

1. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Chor der Winde: Zerreißet, zersprenget, zertrümmert die Gruft 5:53
2. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Ja, ja! Die Stunden sind nunmehro nah 1:44
3. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Wie will ich lustig lachen 4:03
4. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Gefürcht’ter Äolus 0:45
5. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Frische Schatten, meine Freude 3:39
6. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Beinahe wirst du mich bewegen 0:39
7. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Können nicht die roten Wangen 3:36
8. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: So willst du, grimmger Äolus 0:48
9. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Angenehmer Zephyrus 3:51
10. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Mein Äolus, Ach! 2:22
11. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Zurücke, zurücke, gerflügelten Winde 3:13
12. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Was Lust! Was Freude! Welch Vergnügen! 1:27
13. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Aria: Zweig und Äste 2:51
14. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Recitativo: Ja, ja! Ich lad euch selbst zu dieser Feier ein 0:39
15. BWV 205 – Der zufriedengestellte Aeolus: Chor der Winde: Vivat! August, August vivat! 2:52

com Sibylla Rubens , Yvonne Naef , Christoph Genz , Andreas Schmidt,
Gächinger Kantorei Stuttgart,
Bach-Collegium Stuttgart.
Dirigiert von Helmuth Rilling

16. BWV 524 – Quodlibet 10:11

com Sibylla Rubens , Ingeborg Danz , Marcus Ullmann , Andreas Schmidt , Michael Gross , Harro Bertz , Michael Behringer
Gächinger Kantorei Stuttgart,
Bach-Collegium Stuttgart.
Dirigiert von Helmuth Rilling

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Edvard Grieg (1843-1907) – Peer Gynt

F.D.P. Bach escreve:

Para manter o clima escandinavo, minha próxima contribuição é de uma gravação estupenda do “Peer Gynt”, de Grieg, nas competentes mãos de Esa-Pekka Sallonen, regendo a Orquestra Filarmônica de Oslo, com seu respectivo coral e com a maravilhosa voz de Barbara Hendricks. Essa gravação se destaca exatamente pelas partes cantadas, que poucos conhecem. Geralmente o que é gravado são as duas suítes, se deixando de lado estas preciosidades vocais. Comprei este CD há muitos anos atrás, e nunca mais tive oportunidade de encontrá-lo em outro local. É uma gravação fora dos catálogos da Sony. Em minha opinião, as partes que se destacam, escolha difícil diante da beleza desta obra, são as conhecidas “Canção de Solveig”, interpretada por Hendricks, e o coral na conhecida passagem “In the Hall of Mountain King”. De qualquer forma, é uma gravação maravilhosa. Espero que seja devidamente apreciada, pois é um registro um tanto quanto raro.

1 Act one – Prelude : In the wedding garden
2 Act one – The bridal procession passes
3 Act one – Halling
4 Act one – Springar
5 Act two – Prelude : The abduction of the bride – Ingrid’s lament
6 Act two – In the hall of the mountain King
7 Act two – Dance of the mountain King’s daughter
8 Act three – Prelude : Deep in the coniferous forest
9 Act three – Solveig’s song
10 Act three – Ase’s death
11 Act four – Prelude : Morning mood
12 Act four – Arabian dance
13 Act four – Anitra’s dance
14 Act four – Solveig’s song
15 Act five – Prelude : Peer Gynt’s journey home
16 Act five – Solveig’s song in the hut
17 Act five – Whitsun hymn
18 Act five – Solveig’s lullaby

Barbara Hendricks
Oslo Philharmonic Chorus
Oslo Philharmonic Orchestra
Esa-Pekka Salonen
Data de gravação: mai 1989

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Obs: Estou enviando o link para o booklet que converti para .pdf do CD. AQUI

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Carl Nielsen (1865-1931) – Os Três Concertos

Os escandinavos, muito organizados, parecem ter acertado que cada país teria seu compositor importante de música erudita. A Noruega ficou com Grieg, a Suécia com Berwald, a Finlândia com Sibelius e a Dinamarca com Nielsen.

Carl Nielsen é mais conhecido como grande sinfonista. É justo e eu, P.Q.P., poderia postar a integral aqui, comprada há muitos anos e bastante ouvida por mim. Mas seus concertos – que receberam poucas gravações – não são de se jogar fora. São belos trabalhos. O longo concerto para violino, o instrumento de Nielsen, foi dedicado ao enteado do compositor, o violinista Emil Telmáyi. O concerto para clarinete é bastante bom, assim como o para flauta. Nielsen escrevia muito bem para sopros e isto pode ser notado em suas sinfonias assim como em seu famoso quinteto para sopros, que infelizmente só tenho em vinil.

Importante: Nielsen escreveu apenas estes 3 concertos: um para violino, o segundo para clarinete e o terceiro para flauta. Temos aqui, portanto, mais uma integral. Afinal, este blog parece ter viciado nelas…

Violin Concerto, Op. 33
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Jonathan Carney, violin
1. Praeludium: Largo – Allegro cavalleresco 18:54
2. Poco adagio 06:26
3. Rondo: Allegretto scherzando 10:36

Clarinet Concerto, Op. 57
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Kevin Banks, clarinet
4. Clarinet Concerto, Op. 57 24:41

Flute Concerto (1926)
Performed by: Bournemouth Symphony Orchestra
Conducted by: Kees Bakels
Gareth Davies, flute
5. Allegro moderato 11:06
6. Allegretto 07:14

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Johannes Brahms (1833-1897) – Sinfonia Nº 1, Op. 68

Retirado – ainda que levemente alterado – de um e-mail de F.D.P. Bach:

Creio que a décima sinfonia de Beethoven, ops, a primeira de Brahms, seja um contraponto interessante para os últimos quartetos publicados.

Essa é a versão que eu ouvia em fita cassete quando morava em São Paulo, até o dia em que a fita arrebentou. Um grande regente, uma grande orquestra, um compositor genial, e uma música simplesmente fantástica. Com uma combinação de talentos como essa, é difícil as coisas não darem certo. Karajan tinha o timing perfeito para Brahms. Conduz a orquestra com uma força e uma energia impressionantes e dá à obra uma grandiosidade que lhe é inerente. Não há como ficar indiferente.

1. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 1. Un Poco Sostenuto – Allegro
2. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 2. Andante Sostenuto
3. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 3. Un Poco Allegretto E Grazioso
4. Symphonie Nr. 1 C-moll Op. 68: 4. Adagio – Allegro Non Troppo Ma Con Brio

Orquestra Filarmônica de Berlim
Herbert von Karajan

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quartetos Nros 15 e 16 – Op. 132 e 135

Curto e grosso: eu simplesmente não vejo, na história da música, obras superiores aos últimos quartetos de Beethoven. Vejo iguais, superiores não. Antes de publicarmos a integral deles, publicamos dois num extraordinário registro. Os “últimos” são os quatetos de Nº 12 à 16. Você terá de procurar muito se quiser encontrar música mais bela (e importante) que o Molto Adagio e o Alegro Appassionato do Op. 132. O Op. 135 é o famoso e enigmático Muss es sein? Es muss sein (É preciso? É preciso.)

Quando lhe disseram que alguns destes quartetos haviam sido mal acolhidos, o compositor respondeu: “Gostarão mais tarde”. Tinha inteira razão.

Toda a série foi composta entre o verão de 1824 e o outono de 1826.

1. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Assai Sostenuto, Allegro
2. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Allegretto Ma Non Tanto
3. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Molto Adagio
4. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Alla Marcia, Assai Vivace…
5. String Quartet N 15 In A Minor, Op 132 : Allegro Appassionato
6. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Allegretto
7. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Vivace
8. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Lente Assai E Cantate Tranquillo
9. String Quartet N 16 In F Major, Op 135 : Allegro, Grave Ma Non Tratto…

Quarteto Prazak

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Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Completando os Trios

F.D.P. Bach escreve sobre Brahms:

Sempre fui apaixonado pela obra de Brahms, desde que ouvi o Concerto para Piano nº 2, em uma gravação que nunca mais vi, com a dupla Kovacevich Bishop/Colin Davis. Passei horas ouvindo a Sinfonia nº1, até arrebentou a fita cassete de uma gravação do Karajan, e sua grandiosidade sempre me emociona. Brahms tinha uma incrível capacidade de dizer muito com poucas notas. Para alguns, isso seria uma falha, mas para a imensa maioria esse detalhe apenas comprova sua genialidade. Ouvindo qualquer uma de suas obras, vemos um eterno ir e voltar aos temas originais, com variações múltiplas. Ele trabalha com poucas notas, mas sabe exatamente como escolhê-las, e onde encaixá-las.

Abaixo, P.Q.P. falou em sua postagem que ele era “um compositor que parece ter nascido maduro e basta ouvir seus primeiros opus para se ter certeza disto.” Em minha opinião essa maturidade vem de duas causas principais: Seu nível de exigência para consigo mesmo era altíssimo, não publicava suas obras antes de ter certeza de que estava tudo em seu lugar. Outro ponto era sua veneração por Beethoven. Ele achava que não havia necessidade de compor outras sinfonias, pois o mestre de Bonn havia esgotado todas as possibilidades. Seu primeiro Concerto para Piano também foi tão trabalhado, reescrito e analisado que acabou saindo já quando ele tinha seus 40 e poucos anos. Ele era antes de tudo seu principal crítico. . Não, ele nunca se utiliza de artifícios vulgares ou concertísticos, como P.Q.P. coloca. Creio que para resumir, sua genialidade reside exatamente nesta característica: a certeza de que estava tudo no lugar certo, e nada sobrando. E, ao utilizar um mínimo de recursos, conseguiu criar uma obra única. Ouçam a Sinfonia nº 1 e depois me digam se não estou certo.

Com esta postagem e mais a do dia 22 de janeiro, você tem os Trios Completos de Brahms. Os três para a formação clássica de violino, violoncelo e piano, mais o para violino, trompa e piano e o para clarinete, violoncelo e piano. É grande música.

Estes são os dois primeiros CDs da tarefa que se impôs F.D.P. Bach – a de publicar aqui integralmente a obra de Brahms. Não tenho muito tempo para escrever porque estou organizando o CD com os Trios Completos… Além disto, acho que falar sobre Brahms é muito complicado. É um compositor que parece ter nascido maduro e basta ouvir seus primeiros opus para se ter certeza disto. Suas músicas sempre me impressionaram por sua profundidade e intensidade e por nunca – mesmo – utilizarem artifícios concertísticos ou vulgares. É uma opinião pessoal: Brahms me altera e me melhora.

1. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Allegro
2. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Adagio
3. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Andante grazioso
4. Trio In A Minor, Op. 114, For Piano, Clarinet And Cello: Allegro
5. Piano Trio in C, Op. 87: Allegro
6. Piano Trio in C, Op. 87: Andante con moto
7. Piano Trio in C, Op. 87: Scherzo (Presto)
8. Piano Trio in C, Op. 87: Finale (Allegro giocoso)
9. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Allegro energico
10. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Presto non assai
11. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Andante grazioso
12. Piano Trio In C Minor, Op. 101: Allegro molto

Faixas de 1 a 4:
Bernard Greenhouse (cello) ,
George Pieterson (clarinete) e
Menahem Pressler (piano).

Faixas de 5 a 12:
Beaux Arts Trio, em sua formação clássica:
Bernard Greenhouse (cello),
Daniel Guilet (violino) e
Menahem Pressler (piano).

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905

Esta sinfonia talvez seja a maior obra programática já composta. Há grandes exemplos de músicas descritivas tais como As Quatro Estações de Vivaldi, a Sinfonia Pastoral de Beethoven , a Abertura 1812 de Tchaikovski, Quadros de uma Exposição de Mussorgski e tantas outras, mas nenhuma delas liga-se tão completa e perfeitamente ao fato descrito do que a décima primeira sinfonia de Shostakovich.

Alguns compositores que assumiram o papel de criadores de “coisas belas”, vêem sua tarefa como a produção de obras tão agradáveis quanto o possível. Camille Saint-Saëns dizia que o artista “que não se sente feliz com a elegância, com um perfeito equilíbrio de cores ou com uma bela sucessão de harmonias não entende a arte”. Outra atitude é tomada por Shostakovich, que encara vida e arte como se fosse uma coisa só, que vê a criação artística como um ato muito mais amplo e que inclui a possibilidade do artista expressar – ou procurar expressar – a verdade tal como ele a vê. Esta abordagem foi adotada por muitos escritores, pintores e músicos russos do século XIX e, para Shostakovich, a postura realista de seu ídolo Mussorgsky foi decisiva. A décima primeira sinfonia de Shostakovich tem feições inteiramente mussorgkianas e foi estreada em 1957, ano do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro. Contudo, ela se refere a eventos ocorridos antes, no dia 9 de janeiro de 1905, um domingo, quando tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do Czar, em São Petersburgo. O protesto, feito após a missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição – sim um papel – ao czar, exatamente esta aqui, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos.

O primeiro movimento descreve a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno e a atmosfera soturna da praça em frente, coberta de neve. O tema dos trabalhadores aparecerá nos movimentos seguintes, porém, aqui, a música sugere uma calma opressiva.

O segundo movimento mostra a multidão abordar o Palácio para entregar a petição ao czar, mas este encontra-se ausente e as tropas começam a atirar. Shostakovich tira o que pode da orquestra num dos mais barulhentos movimentos sinfônicos que conheço.

O terceiro movimento, de caráter fúnebre, é baseado na belíssima marcha de origem polonesa Vocês caíram como mártires (Vy zhertvoyu pali) que foi cantada por Lênin e seus companheiros no exílio, quando souberam do acontecido em 9 de janeiro.

O final – utilizando um bordão da época – é a promessa da vitória final do socialismo e um aviso de que aquilo não ficaria sem punição.

Dmitri Shostakovich – Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905 (1957)

Concertgebouw Orchestra.
Bernard Haitink, regência.

1. The Palace Square (Adagio)
2. 9 January (Allegro)
3. In Memoriam (Adagio)
4. Alarme (Allegro non troppo).

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