J.S. Bach (1685-1750) – A Arte da Fuga

Muitos músicos dizem que A Arte da Fuga é uma daquelas obras da arte universal diante da qual só é possível calar-se. A obra seria a profissão de fé musical de meu pai, e seu conteúdo metafísico a colocaria no limiar de outro mundo. Ela seria “a abstração em música”, “a forma pura”, “um sopro de ar claro e gelado”, “uma caixa fria” repleta de invenções melódicas cheias de vida. Para muitos, a obra seria praticamente inexeqüível. O compositor Wolfgang Rihm escreveu: “O único espaço sonoro para a realização desta música continua sendo aquele reservado ao pensamento, situado abaixo da caixa craniana. Esse espaço, porém, é o mais amplo de todos, desde que se possa conceber em pensamento tal realidade sonora”.

Adorno chamou A Arte da Fuga de economia de motivos. para ele, o tema é esgotado até em seus mínimos componentes e disso resulta algo perfeito. A obra seria “a arte da dissecação”. O resultado é uma forma de insuperável precisão: a fuga. O cruzamento magistral da grande e pequena ordem, das grandes e pequenas formas. Com A Arte da Fuga, Johann Sebastian Bach, meu pai, teria se voltado para o passado e para o futuro. Nela, porém, o mais importante não seria a técnica, nem as leis do ofício da música, mas a expressão musical.

(Copiado, com adaptações minhas, de 48 variações sobre Bach, de Franz Rueb.)

P.Q.P. Bach (em Bach vocês não me pegam, tenho a obra completa com variações e variações…).

A Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge)
Musica Antiqua Köln
Reinhard Goebel

1. Contrapunctus 1
2. Contrapunctus 2
3. Contrapunctus 3
4. Contrapunctus 4
5. Canon alla Ottava
6. Contrapunctus 5
7. Contrapunctus 6, a 4, in Stylo Francese
8. Contrapunctus 7, a 4, per Augmentationem et Diminutionem
9. Canon alla Duodecima in Contrapuncto alla Terza
10. Contrapunctus 9, a 4, alla Duodecima
11. Contrapunctus 10, a 4, alla Decima
12. Contrapunctus 8, a 3
13. Contrapunctus 11, a 4
14. Canon alla Duodecima in Contrapuncto alla Quinta
15. – rectus
16. – inversus
17. – rectus
18. – inversus
19. Fuga a 2 Clavicembali
20. Alio modo Fuga a 2 Clav.
21. Canon per Augmentationem in contrario motu
22. Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus 14)

Musica Antiqua Köln
Reinhard Goebel

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La Casa del Diavolo – Vários compositores

Um CD divertido do extraordinário conjunto italiano Il Giardino Armonico. O grupo de Giovanni Antonini está afiadíssimo. E é coisa do demônio, que sempre é mais interessante do que anjinhos bonitinhos, etc. Se que querem comprovação, basta ler Doutor Fausto de Thomas Mann… Livro, aliás, que todos, mas todos mesmo, deveriam ler.

Notem o belo trabalho que Boccherini (faixa 20, a última) fez sobre a Dança das Fúrias (faixa 1). de Gluck. Vale a pena ouvir um logo após o outro. O concerto do mano Friede é igualmente maravilhoso, com um arrebatador Andante.

P.Q.P. Bach

La Casa del Diavolo – Il Giardino Armonico:

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Dance of the Spectres and the Furies, Allegro non troppo (1761) [4:07]
1. I. Allegro Non Troppo

Carl Philip Emanuel BACH (1714-1788)
Sinfonia Wq. 182/5 in B minor for strings and continuo [10:36]
2. I. Allegretto
3. II. Largo
4. III. Presto

Pietro Antonio LOCATELLI (1695-1764)
Concerto Grosso Op. 7/6 in E flat major “Il pianto d’Arianna” for violin, strings and continuo (1741) [17:35]
5. I. Andante, Allegro
6. II. Adagio
7. III. Andante, Allegro
8. IV. Largo
9. V. Largo Andante
10. VI. Grave
11. VII. Allegro
12. VIII. Largo

Wilhelm Friedemann BACH (1710-1784)
Concerto in F minor for harpsichord, strings and continuo [17:48]
13. I. Allegro Di Molto
14. II. Andante
15. III. Prestissimo

Luigi BOCCHERINI (1743-1805)
Sinfonia Op. 10/4 in D minor “La casa del diavolo” for two oboes, two horns, strings and continuo (1771) [19:18]
16. I. Andante Sostenuto
17. II. Allegro Assai
18. III. Andantino Con Moto
19. IV. Andante Sostenuto
20. V. Allegro Assai Con Moto

Il Giardino Armonico
Reg.: Giovanni Antonini
Enrico Onofri (violin)
Ottavio Dantone (harpsichord)

Recorded in March, August and October 2004, Pieve di Palazzo, Pignano, Cremona, Italy.

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.: interlúdio – Duofel :.

Manter um duo de violões por mais de duas décadas já é por si só um feito notável. Ainda mais com a integridade artística de Fernando Melo e Luiz Bueno, instrumentistas e compositores do Duofel, que desde seu primeiro encontro, em 1977, têm priorizado a qualidade musical e a investigação sonora. (da biografia no eJazz)

Colei a descrição porque é bastante apropriada. Não apenas a virtuose, os arranjos delicados e vigorosos, a musicalidade de diversas vertentes – também a inquietação, o caminho harmônico menos usado, as cromias exploratórias. São afilhados de Hermeto e por aí se pode saber por onde andam, andaram e andardão.

Este Atenciosamente, de 1999, foi lançado pela gravadora Trama – o que tornou mais acessível o trabalho do duo. São doze faixas, homenagens aos muitos músicos com quem trabalharam ao longo da carreira (no encarte, cada música ganha pequena história e dedicatória), em uma espécie de showcase do jazz contemporâneo brasileiro. Álbum fácil em algumas faixas (O Amigo da Chuva, Floresta dos Elfos – em homenagem à Tetê Espíndola, de quem foram músicos de apoio no começo dos 80), intrépido em outras (É pra Jards, Jazz à Vienne), ainda tem fôlego para ser poético (Azul da Cor da Manteiga) e abstrato (Fax para Uakti). Um disco cheio, de produção cristalina, perfeito para ocupar todos os espaços da casa quando precisamos renovar os ânimos.

Post ampliado + links revalidados out/2011. O disco ao vivo é excelente, e quer mais? Conta com Hermeto Paschoal entre as participações. Não coloquei indicação na tracklist de propósito; quando ele chega, o ouvinte sabe de imediato. Perdoem os links em duas partes.


Duofel – Atenciosamente /1999 [320]
download – mediafire parte1 parte2

01 Procissão
02 Subindo o Tapajós
03 Floresta dos Elfos
04 Azul da cor da manteiga
05 Fax para Uakti
06 Norwegian Wood
07 O amigo da chuva
08 É pra Jards
09 Boissucanga
10 Atenção: Lombada!
11 Jazz à Vienne
12 Garoando no Bixiga


Duofel – 20 /2000 [320]
download – mediafire parte1 parte2

01 Calypso nervoso
02 No caminho das Pedras
03 Pede, Moleque!
04 É pra Jards
05 Subindo o Tapajós
06 Lamento Noturno
07 Do outro Lado do Oceano
08 Diálogo
09 Fax para Uakti
10 Surfando no trem
11 Azul da cor da manteiga
12 Espelho das águas
13 Gismontada

Boa audição!
Blue Dog

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J.S. Bach (1685-1750) – Árias para Soprano e Violino

É um cedezinho legal, um divertimento de duas grandes estrelas da DG – Kathleen Battle e Itzhak Perlman – de resultado agradável. Serve também como guia para algumas grandes árias de meu pai. Battle vai muito bem, mas lamento dizer que meu grande ídolo Perlman abusa um pouco nos ornamentos. Se fosse mais discreto e não tentasse às vezes disputar com Battle, seria melhor. Já Battle esta divina.

(Não adianta, querido Itzhak, é como no CD postado abaixo: divas são divas e aqui o repertório é de árias…)

P.Q.P. Bach

The Bach Album – Kathleen Battle e Itzhak Perlman

1. Kantate BWV 197 No. 8: Vergnügen und Lust
2. Kantate BWV 58 No. 3: Ich bin vergnügt in meinem Leiden
3. Kantate BWV 204 No. 4: Die Schätzbarkeit der weiten Erden
4. Kantate BWV 97 No. 4: Ich traue seiner Gnade
5. Kantate BWV 115 No. 4: Bete aber auch dabei
6. Kantate BWV 171 No. 4: Jesus soll mein erstes Wort in dem neuen Jahre heißen
7. Messe h-moll, BWV 232 No. 23: Benedictus, qui venit in nomine domini
8. Messe h-moll, BWV 232, No. 5: Laudamus te
9. Kantate BWV 202 No. 5: Wenn die Frühlingslüfte streichen
10. Kantate BWV 36 No. 7: Auch mit gedämpften, schwachen Stimmen
11. Kantate BWV 187 No. 5: Gott versorgt alles Leben
12. Kantate BWV 84 No. 3: Ich esse mit Freuden mein weniges Brot
13. Kantate BWV 105 No. 5: Kann ich nur Jesum mir zum Freunde machen

Performers:
Kathleen Battle (Soprano)
Itzhak Perlman (Violin)
Stephen [oboe] Taylor (Oboe d’amore)
Melanie Feld (Oboe d’amore)
Anthony Newman (Harpsichord)
Fred Sherry (Cello)
Lewis Paer (Double Bass)

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Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Concertos nº 1 in D Minor, op, 15 e nº 2 B Flat major

Nossa leitora/ouvinte Laís gentilmente nos enviou o texto que segue abaixo. Achei interessante postá-lo, claro que pedindo a devida autorização á autora. O texto sintetiza muito bem o que deve ser dito a respeito desta gravação.

“Gente, olha que noticia boa e interessante:

“O Brahms que todos aguardavam”, diz a Gramophone.

Saiu hoje no site da revista inglesa Gramophone (a bíblia da música clássica, junto com a francesa Diapason) a resenha do CD com os dois concertos de Brahms tocados pelo Nelson. O (temido) crítico Jed Distler inicia a avaliação dizendo: “Esta é a gravação dos concertos para piano de Brahms que todos esperávamos”. Vou postar a crítica, na íntegra, numa próxima mensagem.

O álbum duplo (lançado este ano pela Decca, no Brasil inclusive) já tinha sido muito elogiado pelo site americano Classics Today (www.classicstoday.com) e por jornais brasileiros. Agora foi coroado com a crítica da Gramophone. Vale a pena adquiri-lo, e não por motivos patrióticos. As interpretações de ambos os concertos são realmente primorosas. Eu as comparei com o registro clássico de Gilels/Jochum (que considero a ‘versão padrão’ dessas obras) e, para minha própria surpresa, gostei mais da do Freire com o maestro Chailly. Os tempi são mais fluentes que os de Jochum e, ainda assim, a clareza orquestral não é sacrificada. Ao contrário: Chailly (e os técnicos da Decca) nos faz(em) ouvir coisas que passam despercebidas em outras gravações. Freire está endiabrado e prova que é um pianista de primeira linha, pois dá conta do recado sem fazer a orquestra pisar no freio e sem embolar as notas. Ele usa, sim, mais pedal do que Gilels, tendo assim mais legato no seu som. Mas não usa esse recurso para esconder imperfeições técnicas. É questão de estilo… e Brahms permite isso (muito mais que Mozart ou Bach). Enfim, quem for fã do Nelson ou desses concerti de Brahms, pode comprar o CD sem medo.

Ah, eu não sou funcionário da Decca, nem vendedor da Amazon. Sou apenas um admirador do Nelson e de Brahms.”

Laís copiou esta crítica de um site, e pediria à ela a gentileza de citar a fonte.

Confesso que estou ouvindo a gravação pela primeira vez, e já fazem umas duas semanas que baixei esse material. Já postei anteriormente estes mesmos concertos com o Pollini, e futuramente, à pedidos de nossa querida Clara Schumann irei postá-los com o seu
Brendelzinho (Brendelzão, eu diria). E também confesso que estou adorando. A Orquestra do Gewandhaus de Leipzig é fantástica, e o Freire está no apogeu de sua forma.

Meu irmão PQP quando soube que eu já estava de posse deste estupendo cd imediatamente sacou de um de seus inúmeros cartões de crédito internacionais e acionou seus contatos europeus para consegui-lo. Aparentemente ainda não o conseguiu. Então, para satisfazer sua ansiedade estou postando, e também atendendo à sutil solicitação da Laís, que soube fazer a solicitação, mesmo não a fazendo.

Também volto a reinterar que sou apaixonado por estes concertos, principalmente pelo segundo, o qual embalou minhas paixões adolescentes, como já salientei.

Mas vamos ao que interessa…

Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Concertos nº 1 in D Minor, op, 15 e nº 2 B Flat major

CD 1
1 Piano Concerto nº1 in D Minor, op. 15 – I Maestoso
2 Piano Concerto nº1 in D Minor, op. 15 – II Adagio
3 Piano Concerto nº1 in D Minor op. 15 – III Rondo – Allegro ma non troppo

CD 2

01 – Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83, I Allegro non troppo
02 – Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83, II Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83, III Andante
04 – Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.83, IV Allegretto grazioso – Un poco piu presto

Nelson Freire – Piano
Gewandhausorchester
Riccardo Chailly – Director

CD 1 – Baixe Aqui
CD 2 – Baixe Aqui

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonias nº 1 e nº 3

FDP Bach começa então a postar a integral das sinfonias do gênio de Bonn, mas em uma gravação um pouco diferente daquelas á que estamos acostumados. Trata-se da aclamada série dirigida por Nikolaus Harnoncourt, à frente da Europe Chamber Orchestra, vencedora do Prêmio “Grammophone” de 1992. Escolhi esta dentre outras que possuo, devido á dois fatores: a qualidade da interpretação – já explicamos que somos fãs de Harnoncourt – e além disso, quase todos já possuem alguma outra versão destas sinfonias, principalmente as famosas versões de 1962 e de 1976 de Herbert von Karajan. Na verdade, talvez pelo fato de termos associado estas sinfonias à Karajan acabamos nos esquecendo de outras preciosidades, como a belíssima versão de Gardiner, ou até mesmo a correta leitura de Abbado, em um de seus últimos registros frente à Filarmônica de Berlim. Reproduzo abaixo o comentário da conceituada revista Gramophone à respeito desta gravação:

“Harnoncourt’s set of the Beethoven symphonies was timed to perfection on its release in 1991. Just when record-buyers were getting used to Beethoven on period instruments, Harnoncourt’s account managed to combine the shock of the new with an uncanny sense of familiarity. His readings manage remarkably to balance freedom with a sense of firm control; the impetus and urgency of the fast movements are particularly thrilling. This was considered one of the most consistently inspiring and exciting Beethoven sets to have appeared for many years. “

Enfim, vai ser esta a versão que estarei postando a partir de hoje.

A Sinfonia nº 1, em C Maior, ainda está presa aos moldes haydnianos, mas já conseguimos enxergar nela um compositor que procura se desvencilhar dos grilhões, procurando encontrar sua verdadeira identidade. O gênio desperta. Reparem que Harnoncourt em certos momentos dá claramente uma visão haydniana à obra.

A Sinfonia Nº3, bem, quem nunca se emocionou até quase chegar lágrimas com a “Marcia Funebre” do segundo movimento? Chamada “Eroica”, e em princípio dedicada á Napoleão Bonaparte, reza a lenda que Beethoven teria rasgado a página com a dedicatória da obra ao general francês ao saber que este havia se coroado imperador… mas com esta sinfonia se rompem definitavamente as ligações com Haydn e Mozart e se define aquilo que iremos conhecer de estilo Beethoven de compor sinfonias. Quebra-se a estrutura tradicional e ignoram-se os movimentos tradicionais (principalmente os por muitos considerados aborrecidos minuetos). Beethoven mostra aí um espírito livre, que não se importa com as críticas, (principalmente do já idoso Haydn, que considerou a obra longa demais, mas gênio que era, também a reconhece revolucionária).

Symphony No.1 in C, Op.21

1 – Adagio Molto – Allegro con brio
2 – Andante cantabile com molto
3 – Menuetto (allegro molto e vivace)
4 – Finale (Adagio-Allegro Molto e Vivace)

Symphony Nº 3, in E Flat, op. 55 “Eroica”

1 – Allegro con Brio
2 – Marcia Funebre (adagio assai)
3 – Scherzo (Allegro vivace)
4 – Finale (Allegro Molto)

Europe Chamber Orchestra
Nikolaus Harnoncourt – Direktor

BAIXE AQUI

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.: interlúdio :.

P.Q.P. Bach retorna ao jazz por causa de Charlie Mingus.

Este CD é atual e mostra o trabalho de três grupos dedicados a manter a música altamente revolucionária e – por que não? – erudita de Mingus. Ouçam e depois falem comigo! O 14-man group The Mingus Big Band, que já apareceu em várias formações, divide o CD com a pouco convencional 10-man group Mingus Orchestra e com o mais conhecido septeto Mingus Dynasty. O CD inaugura o novo selo de propriedade da viúva do compositor, Sue Mingus.

A lista de instrumentistas é impressionante: trompetistas como Jack Walrath e Randy Brecker, saxofonistas como Craig Handy, trombonistas como Ku-umba Frank Lacy, e mais as extraordinárias novidades Orrin Evans (piano), Kenny Rampton (trompete) e Miguel Zenon (saxofonista).

Há muita coisa a ouvir. Minhas preferidas são Song With Orange, Orange Is The Color Of Her Dress e Wednesday Night Prayer Meeting. Notáveis também são Todo Modo, escrita para o cinema italiano, mais exatamente para a versão em filme da esplêndida novela homônima de Leonardo Sciascia, Tensions onde o baixista russo Boris Kozlov reencarna Mingus de forma arrepiante e Pedal Point Blues, em que o exuberante sax barítono Ronnie Cuber, repete o show que já apresentara em Song with Orange.

A Downbeat deu a este CD quatro em cinco estrelas, a Jazztimes deu cinco em cinco.

Ah, o nome do CD é I am Three.

1. Song With Orange 11:48 (Mingus Big Band)
2. MDM 5:16 (MBB)
3. Chill Of Death 3:48 (Mingus Orchestra)
4. Paris In Blue 3:49 (MBB)
5. Tensions 7:54 (MBB)
6. Orange Is The Color Of Her Dress 10:52 (MBB)
7. Cell Block F ‘Tis Nazi Usa 5:55 (Mingus Dynasty)
8. Todo Modo 12:36 (MO)
9. Wednesday Night Prayer Meeting 5:23 (MD)
10. Pedal Point Blues 9:04 (MBB)

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Johann Christian Bach (1735-1782) – Sinfonias de Londres

Fim de semana ensolarado, sábado lindo. Perfeito para este refrescante CD de meu irmão, grande influência do estilo galante, levado à maiores conseqüências por Mozart. O som do Collegium Aureum – com Franzjosef Maier em sua melhor forma – é espantoso.

Vale a pena ouvir esta gravação do Bach de Londres.

P.Q.P. Bach.

1. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Allegro Spiritoso
2. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Andante
3. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Allegro

4. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Allegro con Spirito
5. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Andante
6. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Rondo. Presto

7. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegro con spirito
8. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Andante
9. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegretto
10. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegro

11. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Allegro
12. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Andante piu tosto Adagio
13. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Allegro Molto

Composer: Johann Christian Bach
Performer: Collegium Aureum

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Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) – Stabat Mater / Salve Regina (link revalidado)

Este tremendo registro do Stabat Mater de Pergolesi é a primeira contribuição de meu outro irmão renegado e deserdado: F.D.P. Bach. Ele acaba de unir-se a mim.

Gravação imperdível com Emma Kirby (soprano) e James Bowman (contra-tenor), sob a regência de Christopher Hogwood e a Academy of Ancient Music.

Pergolesi concluiu seu Stabat Mater no mosteiro franciscano de Pozuolli durante a fase aguda de sua enfermidade, possivelmente tuberculose. Os duetos são uma preciosidade. Vi o canal Film&Arts apresentar esta peça com o mesmo Hogwood, porém com solistas diferentes. Hogwood acerta em cheio. Foi paixão à primeira audição. A gravação que estou disponibilizando é mais especial ainda por ter a presença da Emma Kirkby, voz criada por Deus no oitavo dia para tê-la ao seu lado eternamente. Se meu pai a tivesse conhecido, talvez não perdesse tempo com Marias Bárbaras e Annas Magdalenas.

Stabat mater

Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby, James Bowman
Conducted by Christopher Hogwood

1. Stabat Mater: I. Stabat Mater – Emma Kirkby/James Bowman
2. Stabat Mater: II. Cujus animam gementem – Emma Kirkby
3. Stabat Mater: III. O Quam tristis et afflicta – Emma Kirkby/James Bowman
4. Stabat Mater: IV. Quae moerebat et dolebat – James Bowman
5. Stabat Mater: V. Quis est homo – Emma Kirkby/James Bowman
6. Stabat Mater: VI. Vidit suum dulcem Natum – Emma Kirkby
7. Stabat Mater: VII. Eja, mater – James Bowman
8. Stabat Mater: VIII. Fac ut ardeat cor meum – Emma Kirkby/James Bowman
9. Stabat Mater: IX. Sancta mater – Emma Kirkby/James Bowman
10. Stabat Mater: X. Fac ut portem – James Bowman
11. Stabat Mater: XI. Inflammatus et accencus – Emma Kirkby/James Bowman
12. Stabat Mater: XII. Quando corpus – Emma Kirkby/James Bowman

Salve regina in C minor
Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby
Conducted by Christopher Hogwood

13. Salve Regina: I. Salve Regina – Emma Kirkby
14. Salve Regina: II. Ad te clamamus – Emma Kirkby
15. Salve Regina: III. Eja ergo – Emma Kirkby
16. Salve Regina: IV. Et Jesum – Emma Kirkby
17. Salve Regina: V. O clemens – Emma Kirkby

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Béla Bartók (1881-1945) – Concerto para Violino Nº 2 e Rapsódias Nº 1 e 2

Hoje, gostaria de compartilhar com vocês um CD que comprei na semana passada e que – puxa! – vale indiscutivelmente a pena. Trata-se de mais uma abordagem de Pierre Boulez à obra de Béla Bartók, desta vez com o violinista Gil Shaham e a Orquestra Sinfônica de Chicago. Tudo de primeira linha. É uma novidade apenas para mim, já que é um lançamento de 1999 da DG. Acho que você deveria adquiri-lo também.

Como escreve Shaham no encarte do CD a música ali gravada “é poderosa e sensível, séria e bem humorada, revolucionária e clássica. Tudo ao ‘nth degree’ (não me arrisco a traduzir… enésima potência?). Apesar de Boulez, o grande trabalho é realmente de Shaham. Sua cadenza no primeiro movimento do Concerto é absolutamente arrebatadora. Posso esquecer inteiramente as outras gravações que tenho, todas por violinistas mulheres orientais. Nada contra elas, mas Shaham dá um tal baile na concorrência que é melhor esquecê-las para sempre.
O concerto de Bartók, mas também as duas rapsódias, são tão boas que nem vou me arriscar… Mas talvez vocês queiram ver e ouvir Shaham interpretar os primeiros dez minutos deste espetacular Concerto no YouTube – com outra orquestra e regente. Também no YouTube e na mesma tela referida, podemos encontrar a continuação do concerto.

Enjoy e aproveite! :))

P.Q.P. Bach

1. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Non Troppo
2. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Andante Tranquillo
3. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Molto

4. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Moderato
5. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Allegretto Moderato

6. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Moderato
7. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Allegro Moderato

Composé par Béla Bartók
Joué par Chicago Symphony Orchestra
avec Gil Shaham
Dirigé par Pierre Boulez

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Os mais baixados de agosto e julho

Como curiosidade e com a devida distância temporal, noticiamos o pódium de agosto:

J.S. Bach : 348 downloads
Chopin: 154
Vivaldi: 141

E o de julho:

Villa-Lobos: 408 downloads (o CD1 das Bachianas, postado em junho, está em 479…)
Villa-Lobos: 310
Concertos para flauta com Rampal: 181

É uma curiosa análise de quem vem aqui.

P.Q.P. Bach (que hoje não está com vontade de postar música)

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Frases encontradas ao acaso (II)

Se há alguém que deve tudo a Bach esse alguém é Deus. Afinal, a teologia é desprovida de objeto e toda a criação é fictícia sem Bach.

Emil Cioran

(Postado provocativamente por P.Q.P. Bach…)

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Frases encontradas ao acaso (I)

Meus alunos relativistas se sentem valorizados por uma teoria niveladora que põe sua banda de rock favorita em pé de igualdade com Bach e Mozart; mas repare como uma hierarquia qualitativa lhes volta correndo quando, em nome da coerência, você sugere que sua banda de rock favorita também não pode ser melhor que os Backstreet Boys (…). As velhas dicotomias entre o que é elitista e o que é popular, entre alta e baixa cultura, podem estar mesmo corrompidas por privilégios injustificáveis, mas sem uma nova linguagem de mérito para as artes os pós-modernistas são forçados a viver numa paisagem achatada onde Barry Manilow e Beethoven são iguais.

Stephen T. Asma na revista americana The Chronicle of Higher Education

(Postado provocativamente por P.Q.P. Bach…)

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Antonio Vivaldi (1678-1741) – Concert pour piccolo, P.78, P.83, P.79 e P.77 ; George Phillip Telemann – Sept Fantasies

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Os pedidos para obras para piccolo foram tão insistentes, que resolvi colaborar. Mas que não se pense que o atendimento às solicitações serão tão freqüentes e imediatas. Curiosamente FDP Bach recém havia conseguido este belíssimo e curioso cd com obras para piccolo e orquestra. Por isso resolveu atender á solicitação.
Dentre as inúmeras e infrutíferas tentativas de se tornar músico, ou pelo menos de aprender a tocar um instrumento, FDP Bach se aventurou pelo mundo da flauta. Não a transversal, com a qual nunca conseguiu sequer pegar a embocadura, e sim aquele singelo e equivocadamente considerado simplório instrumento chamado de flauta doce. Se não me engano sua afinação era em Mi. Enfim, aprender até que aprendeu um pouco, graças à insistência de uma freira, professora de música onde FDP estudou em uma época que remete ainda ao século passado… recorrendo a um velho clichê, bons tempos que não voltam mais… enfim, até que chegamos a ensaiar uma apresentação em um evento qualquer, mas FDP não teve coragem, e desistiu… nosso pai deve ter se revirado na tumba, tanto de raiva quanto de vergonha. E por falar em Albinoni, até hoje arrisco assoprar na velha Yamaha (sim, ainda a tenho) aquele tradicional adágio, assim como uma despudorada e desavergonhada versão do Jesus, Alegria dos Homens, a tradicional cantata BWV 140 de nosso pai.. . vergonhoso dizer, mas até que toco direitinho… mas sem público, por favor… a timidez não permite encarar multidões.
Gravação curiosa essa que estou liberando… confesso que fui enganado, mas depois considerei esse equívoco até que compensador. Afinal, o nome que mais chama atenção na capa é o de Jean Pierre Rampal, ao qual já dediquei algumas postagens, mestre soberano deste instrumento tão maravilhoso. Mas o que chamo de equívoco compensador é o fato de que Rampal nessa gravação apenas é o regente da Orchestre National de France. O solista se chama Jean-Louis Beaumadier, do qual nunca tinha ouvido falar até então. E o dito cujo toca muito bem… também, imagina a pressão de tocar flauta ao lado do maior flautista do século XX, um dos maiores instrumentistas do século… e o que é pior, ou melhor, dependendo do ponto de vista, tendo-o como orientador… que moral… sua interpretação, tanto dos concertos para piccolo de Vivaldi, quanto as fantasias para flauta de Telemann, é segura, correta, sem equívocos. Um belo resultado, num cd agadabilíssimo de se ouvir.. FDP espera que seus ouvintes/leitores sintam-se tão recompensados quanto ele ao ouvirem essas obras.
Inicio com esta postagem algo que eu e Clara Schumann nomeamos como Festival Barroco… Vivaldis, Telemanns, Handels, nosso pai Bach, claro, nossos irmãos CPE e Wilhelm, com certeza estarão presentes… mas chega de blá, blá, blá…

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Concert pour piccolo, P.78, P.83, P.79 e P.77 ; George Phillip Telemann – Sept Fantasies

01 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en do majeur P.78- 1. Allegro
02 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en do majeur P.78- 2. Largo
03 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en do majeur P.78- 3. Allegro molto
04 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en la mineur P.83- 1. Allegro
05 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en la mineur P.83- 2. Larghetto
06 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en la mineur P.83- 3. Allegro
07 Antonio Vivaldi- Concerto pour piccolo en do majeur P.79- 1. Allegro non molto
08 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en do majeur P.79- 2. Largo
09 Antonio Vivaldi – Concerto pour piccolo en do majeur P.79- 3. Allegro molto
10 Antonio Vivaldi – Concerto pour flute en la mineur P.77- 1. Allegro molto
11 Antonio Vivaldi – Concerto pour flute en la mineur P.77- 2. Largo
12 Antonio Vivaldi – Concerto pour flute en la mineur P.77- 3. Allegro molto
13 George P. Telemann – Fantaisie No.1 en la majeur (Vivace-Adagio-Allegro)
14 George P. Telemann – Fantaisie No.2 en la majeur (Grace-Vivace-Adagio-Allegro)
15 George P. Telemann – Fantaisie No.4 en si bémol majeur (Andante-Allegro-Presto)
16 George P. Telemann – Fantaisie No.5 en do majeur (Presto-Largo-Presto-Largo-Allegro-Allegro)
17 George P. Telemann – Fantaisie No.8 en mi mineur (Largo-Spirituoso-Allegro)
18 George P. Telemann – Fantaisie No.9 en mi majeur (Affettuoso-Allegro-Grave-Vivace)
19 George P. Telemann – Fantaisie No.12 en sol mineur (Grave-Allegro-Grave-Allegro-Dolce-Allegro-Rondeau (presto)

Orchestre National de France
Jean-Pierre Rampal – Conductor
Jean-Louis Beaumadier – Flute, picollo Haynes

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Johann Joachim Quantz (1697-1773) – 7 Sonatas para Flauta e BC

Quantz, então! Te mete!

Ligeiramente adaptado daqui:

Johann Joachim Quantz nasceu em 30 de janeiro de 1697, em Oberscheden (próximo a Gottingen, Alemanha). Filho de um modesto ferreiro, seu destino provavelmente seria seguir a profissão do pai. Entretanto, iniciou-se muito cedo na música, e com a morte de seu pai quando tinha apenas dez anos, passou a estudar violino com o seu tio Julios Quantz, músico da cidade de Mersebourg. Estudou sucessivamente oboé e trompete. Durante este período também conheceu os trabalhos dos principais compositores barrocos.

Em 1716, aos dezenove anos, tornou-se membro da orquestra de Dresden, a mais famosa da Europa na época. Alargando os seus horizontes musicais, estudou contraponto em Viena e composição (1727) com Johann Georg Pisendel. Em 1718, instalou-se novamente em Dresden, onde foi designado oboísta, pela orquestra do rei da Polônia, Augusto II, de 1718 a 1723.

Dresden era um centro cosmopolita para as artes e ciências, e possuía uma das maiores casas de óperas e capelas musicais da Europa. Naquele tempo, a corte de Dresden teve em seu meio alguns grandes nomes, como Silvius Leopold Weiss, o flautista Buffardin e os violinistas Veracini e Pisendel (aluno de Vivaldi). Temendo que o oboé lhe trouxesse muitas limitações, Quantz preferiu estudar flauta, tendo aulas (1719) com o melhor flautista de sua época, Pierre Gabriel Buffardin.

Seu interesse pela composição começou a crescer, especialmente para os trabalhos com flauta, e em 1720 escreveu suas primeiras composições. De 1724 a 1727, teve muitas oportunidades de tocar para as realezas da Europa, nas grandes cidades como Varsóvia, Praga, Roma, Nápoles, Milão, Turim, Lion, Paris, Londres. Conheceu os maiores músicos de seu tempo, como Vivaldi, Scarlatti, Tartini (1723, Praga), Gasparini, Farinelli (1725), Händel (1726).

Após esta grande excursão, foi oferecido a Quantz um posto de flautista solo na orquestra da capela real de Dresden. Em 1727, tornou-se, segundo os seus biógrafos, o maior flautista da Europa.

Em 1728, durante uma visita a Berlim, Quantz tocou para o príncipe da Prússia. Frederico, 16 anos mais velho, ficou tão encantado com o músico que resolveu ter aulas de flauta com o ele, apesar das objeções de seu pai, o rei Frederico Guilherme I que considerava a música como um passatempo “para mulheres”. Durante os próximos treze anos, Quantz iria duas vezes por ano dar aulas ao futuro rei.

Quando Frederico subiu ao trono em 1741, tornando-se Frederico II, Quantz foi convidado a morar na residência real de Potsdam, onde o novo monarca vivia rodeado por músicos como Benda, Graun, e Carl Philipp Emmanuel Bach. Quantz tornou-se o compositor da corte, diretor da orquestra, professor do rei e fabricante de flautas. Em 1747, conheceu J.S.Bach, em Potsdam – NESTA CIRCUNSTÂNCIA NASCE “A OFERENDA MUSICAL” (JÁ POSTADA AQUI) DE J.S. BACH, MEU PAI -, e em 1750, conheceu Voltaire.

Frederico II, o Grande, foi um gênio político e militar. Trouxe muitas reformas nos campos da lei, da educação e da economia. Suas preocupações intelectuais e de sua corte foram fortemente influenciados pela França. Quantz serviu ao rei Frederico II até o dia de sua morte, em 12 de julho de 1773, em Potsdam (Alemanha).

Quantz viveu um período importante da história musical. Pertenceu à chamada “Escola de Berlim”, vivendo num período de transição entre o barroco e o classicismo. Também foi responsável por muitas inovações no desígnio da flauta, inclusive a adição de chaves para melhorar a entonação e a invenção de um novo afinador.

A produção de Quantz é extraordinária. Compôs músicas de câmara para flauta, violino e baixo contínuo, 204 sonatas para flauta, 12 duetos, etc.

Quantz escreveu cerca de 300 concertos para flauta. O Concerto para flauta em sol maior, é o seu mais conhecido concerto para flauta. É um trabalho modelar, de uma vivacidade invulgar, tanto na parte solista como na parte orquestral e muito bem estruturado no seu todo, revelando o porque, ter sido Quantz, o escolhido mestre de Frederico II. Digno de nota a extraordinária pulsação rítmica deste concerto.

Quantz não foi somente um músico excelente, mas também um grande observador das cenas musicais de seu tempo. Em 1752, publicou o seu famoso tratado A arte de tocar flauta, que não só oferece interesse considerável pela prática da flauta, mas também para muitos outros instrumentos.

P.Q.P. Bach.

Sonata in B minor QV 1-167 (Dresden)
1. Siciliana
2. Allegro assai
3. Vivace

Sonata in D major QV 1-47 D-dur (Potsdam)
4. Cantabile ma con affetto
5. Allegro di molto, ma fiero
6. Vivace

Sonata in C major QV 1-12 (Potsdam)
7. Grave
8. Vivace di molto
9. Presto

Sonata in C minor QV 1-15 (Dresden)
10. Larghetto
11. Vivace
12. Allegro

Sonata in F major QV 1-86 (Dresden)
13. Vivace
14. Cantabile
15. Allegro

Sonata in E minor QV 1-73 (Dresden)
16. Affettuoso
17. Allegro
18. Con Brio

Sonata in G major QV 1-105 (Potsdam)
19. Largo ma con Tenerezza
20. Allegro di molto, ma fiero
21. Presto

Benedek Csalog – Baroque Flute
Rita Papp – Harpsichord

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Franz Joseph Haydn (1732-1809) Sinfonias nº 103 e nº 104

Concluindo o ciclo das sinfonias de Haydn (as que me propus postar), trago agora as duas últimas, de nº 103 e nº 104, sempre a cargo do excelente regente austríaco Nikolaus Harnoncourt, à frente da belíssima Orquestra do Concertgebouw, de Amsterdam.
Encerro este ciclo pedindo licença para me ausentar por algum tempo do blog, talvez uns dez ou quinze dias, devido a motivos pessoais e de trabalho. Quando voltar, terei preparado outra integral com o mesmo Harnoncourt, desta vez a das sinfonias de Beethoven, já prometida á algum tempo atrás. Aguardem, pois vai valer a pena a espera.

Franz Joseph Haydn (1732-1809) – Symphonies nº 103

1 Symphonie nº103 ES Dur – Adagio – Allegro com spirito
2 Symphonie nº103 ES Dur – Andante pió tosto Allegretto
3 Symphonie nº103 ES Dur – Menuet
4 Symphonie nº103 ES Dur – Finale – Allegro con spirito
5 Symphonie nº104 D Dur – Adagio – Allegro
6 Symphonie nº104 D Dur – Andante
7 Symphonie nº104 D Dur – Menueto – Allegro Trio
8 Symphonie nº104 D Dur – Finale Spirituoso

Concertgebouw Orchestra, Amsterdan
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

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Tomaso Albinoni (1671-1751) – Concertos para Oboé, Op. 9

Tomaso Giovanni Albinoni foi um compositor veneziano de música barroca. Escreveu mais de 40 óperas, mas é mais conhecido por sua música instrumental, especialmente por seus concertos para oboé.

Sua música instrumental atraiu a atenção de meu pai – sempre ligadíssimo – que chegou a escrever duas fugas sobre temas seus.

A fama de Albinoni aumentou quando, em 1910, foram encontradas num monatério muitas de suas partituras, entre as quais sua obra hoje mais famosa: um fragmento de um movimento lento de uma sonata. Este movimento foi reconstruído por Remo Giazotto em 1945 e acabaria conhecido como o Adagio de Albinoni. Ou seja, a obra mais famosa do compositor não é inteiramente de sua autoria… Há reconstruções mais sérias do que a de Giazotto.

Quando eu era menino, li que Vivaldi compusera quinhentas vezes o mesmo concerto. Hoje sabemos que isto é ridículo, mas talvez Albinoni seja merecedor da pecha. Neste CD, tudo é muito bonitinho – diria até que o No. 2 tem um outro adágio belíssimo -, porém o resto é facilmente confundível.

P.Q.P. Bach.

ALBINONI: Oboe Concertos

Oboe Concerto in C major, Op. 9, No. 5
I. Allegro 3:29
II. Adagio (non troppo) 1:59
III. Allegro 3:19

Oboe Concerto in F major, Op. 9, No. 3
I. Allegro 4:45
II. Adagio (non troppo) 2:12
III. Allegro 3:45

Oboe Concerto in D minor, Op. 9, No. 2
I. Allegro e non presto 04:33
II. Adagio 5:23
III. Allegro 3:07

Oboe Concerto in B flat major, Op. 9, No. 11
I. Allegro 4:13
II. Adagio 3:26
III. Allegro 3:13

Oboe Concerto in G minor, Op. 9, No. 8
I. Allegro 3:57
II. Adagio 2:15
III. Allegro 4:04

Oboe Concerto in C major, Op. 9, No. 9
I. Allegro 4:00
II. Adagio (non troppo)
3:02 III. Allegro 3:24

Total Playing Time: 01:04:06

Anthony Camden, oboe
Performed by:London Virtuosi
Conducted by:John Georgiadis

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Sergei Prokofiev (1891 – 1953) – Alexander Nevsky e Suíte Cita

As partituras “bárbaras”.

A esplêndida cantata Alexander Nevsky foi composta por Prokofiev para o filme homônimo de Sergei Eisenstein. São duas obras grandiosas, o filme e a música. Esta foi uma curiosa parceria entre o compositor e o cineasta. Prokofiev ia todas as noites à casa do diretor assistir às tomadas e/ou corrigia mais um trecho. Coisa de gênios.

A sinopse do filme, retirada daqui, é a seguinte: Em 1242, a Rússia sofria constantes invasões pelos cavaleiros mongóis, o príncipe-pescador Alexander Nevsky (Nicolay Cherkassov) soube da invasão pelos teutônicos ao país. O povo se mobiliza e o escolhe seu comandante. Apesar da maioria das vitórias serem teutônicas, quando estes dominavam a cidade Pskov, são batidos por Nevsky na Batalha do Gelo. Paralelamente a este cenário em 1938, a Rússia estava na eminência de ser atacada por Hitler, situação que espelha o ocorrido em 1242. Ironicamente, o filme foi tirado de circulação quando da assinatura do pacto Germânico-soviético em 1938.

E aqui temos mais: é um filme acerca de um príncipe russo do séc. XIII e do sucesso das suas batalhas contra as hordas invasoras de alemãs. Este monumental épico marca um dramático afastamento de Eisenstein em relação aos seus princípios de montagem e de tipagem. “Alexander Nevsky” foi um passo atrás deliberado, na direcção do teatro mais antiquado ou, pior ainda, no sentido das produções operáticas de que Eisenstein tinha sido um forte opositor na década de 20. Todavia, o filme demonstra as qualidades de Eisenstein em muitas sequências, como a famosa cena de batalha sobre o lago gelado. Também significativas foram as suas tentativas para atingir a síntese entre os elementos plásticos do filme e a música, contando com uma memorável banda-sonora de Sergei Prokofiev reflectindo, provavelmente, “a admiração prolongada de Eisenstein pelos desenhos animados de Walt Disney”.

O filme foi um sucesso monstruoso na URSS e no estrangeiro, parcialmente devido ao sentimento anti-alemão que se desenvolvia na altura e Eisenstein conseguiu assegurar uma posição de charneira no campo do cinema soviético, numa altura em que muitos dos seus colegas eram perseguidos e presos. A 1 de Fevereiro de 1939 foi premidado com a Ordem de Lenine por “Alexander Nevsky” e pouco depois envolveu-se nu novo projecto, “O grande canal de Fergana”, esperando criar um épico de uma escala semelhante à do seu projecto abortado no México. Contudo, após um intensivo processo de pré-produção, o trabalho no projecto foi cancelado logo a seguir à assinatura do pacto de não-agressão entre a URSS e a Alemanha nazi e “Alexander Nevsky” foi, por seu lado, arquivado de uma forma muito discreta.

A Suíte Cita é mais conhecida dos roqueiros por ter sido utilizada pelo baterista Carl Palmer no álbum Works I – The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness -, do grupo Emerson, Lake and Palmer.

Segundo a Wikipedia, os bárbaros citas formavam uma malha de tribos nômades de pastores eqüestres e invasores. Sua localização era principalmente o atual Irã e a Turquia. Eles invadiram muitas áreas nas estepes da Eurásia, incluindo áreas nos atuais Cazaquistão, Azerbaijão, sul da Ucrânia e da Rússia. Governados por um pequeno número de elites proximamente aliadas, tinham renome devido a seus arqueiros, e muitos ganhavam a vida como mercenários. Os guerreiros citas tinham duas paixões: seu arco assimétrico que podia atirar a até 500 metros de distância e uma espada reta de dois gumes, cuja lâmina possuia setenta centímetros de comprimento. Ao lutar, montavam cavalos velozes e eram ferozes combatentes.

Tal ímpeto guerreiro deu a Prokofiev a oportunidade para compor uma das orquestrações e melodias mais “bárbaras” de sua carreira. É importante salientar que os hunos – inclusive Átila – tinham provável origem cita.

P.Q.P. Bach.

Alexander Nevsky, cantata for mezzo-soprano, chorus & orchestra, Op. 78
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra, Scottish National Chorus (Edwin Paling, leader) with Linda Finnie (mezzo-soprano)
Conducted by Neeme Jarvi
1. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Russia Under The Mongol Yoke
2. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Song About Alexander Nevsky
3. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Crusaders In Pskov
4. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Arise, Ye Russian People
5. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Battle On Ice
6. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Field Of The Dead
7. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Alexander’s Entry Into Pskov

Scythian Suite, for orchestra, Op. 20
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra
Conducted by Neeme Jarvi
8. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Adoration Of Veless And Ala
9. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness
10. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: Night
11. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Glorious Departure Of Lolly And The Sun’s Procession

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Anton Bruckner (1824-1896) – Integral das Sinfonias – Sinfonia Nro. 5 (link corrigido)

Eu estava pensando numa bobagem. Ia iniciar esta apresentação me desculpando pela postagem desta sinfonia de Bruckner por Herbert von Karajan. Pura besteira, coisa de brasileiro que acha que todas as grandes estrelas têm problemas e o bom é o obscuro. Eu amo apaixonadamente esta sinfonia, acho que tenho decoradas todas as suas notas e parece-me às vezes que suas melodias já nasceram comigo. Ou vieram pré-instaladas em meu cérebro. Ouvi muitas gravações, mas a que bate mais fundo é a de HvK, sem dúvida.

Acho curioso que Karajan tenha recebido prêmios importantes por suas gravações de Beethoven (integral das sinfonias), Wagner (Parsifal), Mahler (Sinfonia Nro. 9) e outros, mas nunca por esta gravação de Bruckner, de resto tão elogiada por todos os comentaristas.

A outra bobagem é que escrevo este post em meu escritório, sem a vasta bibliografia que possuo acerca da monumental quinta. Obra escrita nos quatro habituais movimentos é uma demonstração do maior romantismo possível sem passar à mediocridade. Não é um romantismo meloso ou indulgente, é um romantismo grandioso e emocionante. O segundo movimento, Adagio é uma das partituras que mais gosto. Se Wand o dirige muito bem, ele acelera demais nas repetições e não tem em mãos o tremendo instrumento da Orquestra Filarmônica de Berlim de 1977. Karajan faz com que o rendimento de sua orquestra atinja o máximo neste movimento cujo segundo tema – altamente romântico e grave – fizeram com que as vidraças das minhas últimas quatro residências tremessem de… paixão. É absurdamente lindo.

Um amigo me disse uma vez que tal Adagio é o mais longo já composto para uma sinfonia, mas não tenho certeza da veracidade da informação. Longo ou não, por mim poderia durar dias!

É a sinfonia perfeita. Muito melodiosa, tonitruante e delicada na hora certa, tem seus três primeiros movimentos revisitados no Finale. O primeiro é extremamente equilibrado; o segundo, apaixonado; o terceiro, jocoso e o quarto resume tudo o que ouvido.

Se, após ouvi-la, alguém chamar Bruckner de simples ou musicalmente ingênuo, merece imediata internação.

P.Q.P. Bach.

Symphony No. 5 in B flat
Composed by Anton Bruckner
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Herbert von Karajan

1. Sinf No. 5 in B Flat: Introduction (Adagio)-Allegro
2. Sinf No. 5 in B Flat: Adagio (Sehr Langsam)
3. Sinf No. 5 in B Flat: Scherzo. Molto Vivace (Schnell)
4. Sinf No. 5 in B Flat: Finale. Adagio-Allegro Moderato

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE (Part 1) – 100 MB

BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2) – 14 MB

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C.P.E. Bach (1714-1788) – Keyboards Concertos

Nosso irmão Carl fez muito sucesso em sua época. Sua maior especialidade era o cravo, instrumento que ajudou a consolidar,escrevendo para ele centenas de obras, entre sonatas e concertos.
A partir de hoje irei postar alguns destes concertos.
A interpretação estará a cargo do jovem húngaro Miklós Spányi (nasceu em 1962), que gravou a integral da obra de CPE para o selo BIS. Possuo alguns cds desta integral e estarei disponibilizando-os com o correr do tempo. Interpretação de altíssima qualidade, diga-se de passagem.

C.P.E. Bach (1714-1788) – Keyboards Concertos

1 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [I] Allegro
2 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [II] Andante
3 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [III] Presto
4 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [I] Allegro non molto
5 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [II] Largo
6 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [III] Allegro assai
7 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [I] Allegro di molto
8 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [II] Adagio
9 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [III] Allegro

Miklós Spányi – harpsichord
Concerto Armonico
Péter Szutz – Conduktor

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