Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonie nº 9, in D Minor, op. 125

Falar sobre a Nona sinfonia de Beethoven é chover no molhado. Existem quase dois séculos de pesquisa sobre a obra, uma das últimas de Beethoven, composta quando o mestre já se encontrava surdo. Não entrarei em detalhes mais específicos. Basta digitar sobre o assunto na Wikipedia, no Google, ou onde quer que seja, se encontrarão inúmeras análises, sejam musicais, sejam antropológicas, sejam históricas, ou sei lá mais o que.

Em minha opinião, e creio que esta opinião seja quase unânime (e aí não me importa com a unanimidade burra, de que falava Nelson Rodrigues), é uma das maiores produções do ser humano, uma das maiores obras que o homem já criou desde que botou o pé sobre a terra. Um atestado de que, apesar de tudo, ainda temos esperança. Esperança de um mundo melhor, sem guerras, assassinatos, etc., etc., etc.
Beethoven fecha seu ciclo de sinfonias com chave de ouro, e até hoje ninguém foi capaz de suplantá-la. E nem será… essa obra é a obra maior de um gênio da humanidade. Daqueles que surgem a cada século, e olha lá.
Harnoncourt presta sua homenagem com uma interpretação coerente, firme, sem cair em tentações. O “Arnold Schoenberg Choir” é magnífico, e todos os solistas, apesar de desconhecidos para FDP Bach, sabem o que fazem, e o fazem com muita competência.
Me permitam citar estas belas palavras de Mainard Solomon, em sua clássica biografia:

“A Nona foi percebida por gerações subseqüentes como um modelo insuperável de cultura afirmativa, uma cultura que, por sua beleza e idealismo, acreditam alguns, anestesia a angústia e o terror da vida moderna, interpondo-se assim no caminho de uma percepção realista da sociedade. (…)se perdemos a nossa percepção dos domínios transcendentes de alegria lúdica, beleza e fraternidade que são retratados nas grandes obras afirmativas de nossa cultura, se perdemos o sonho da Nona Sinfonia, não resta um contrapeso para os terrores abissais da civilização, nada a opor a Auschwitz e Vietnã como paradigma das potencialidades da humanidade.” (SOLOMON, Maynard. Beethoven. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987. p. 419)

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonie nº 9, in D Minor, op. 125

1 – Symphony N°9 en D minor – Allegro ma non troppo, un poco maestoso
2 – Symphony N°9 en D minor – Molto vivace
3 – Symphony N°9 en D minor – Presto, allegro assai
4 – Symphony N°9 en D minor – Presto recitativo – allegro assai alla marcia – allegro ma non troppo

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt

Charlotte Margiono – Soprano
Birgitt Remmert – Contralto
Rudolf Schasching – Tenor
Robert Holl – Baixo

Arnold Schoenberg Chor
Erwin Ortner – Chorus Master

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15 comments / Add your comment below

  1. ora, já q vcs estão postando os últimos quartetos de Beethoven,pq nao postar os op 77 de Haydn?são dignos de figurar ao lado dos de Beethoven.fiquei surpreso com o fato do blog de vcs nao ter um só quarteto de Haydn. Eu recomento os Quartetos Op.20, Op.33 e Op. 77 são grandes obras q hoje quase nao se ouvem mais…agora, mudando um pouco de assunto, essa interpretação da Nona de Beeethoven com o Hanoncourté muito boa. Só existe um termo técnico para expressar a perfeição dela: F O D A.um abraço

  2. Pelo post, lhe dou os parabéns, essa interpretação está muito boa, recomendo também a nona com Jochum.PQP Bach, como não sei como te contactar, vou escrever aqui mesmo, esperando que você leia hehehe…você, pelo visto, gosta bastante de Bartok, queria então, se você tivesse, disponibilizar a seguinte obra: Música para cordas, percussão e celesta, se não me engano, Sz 106 esonata para dois pianos e percussão, essa não me lembro o número.abraços

  3. Creio que a Sonata para Dois Pianos e Percussão não. Vou providenciar. Ontem, subi alguns CDs e vou antes postá-los. Depois veremos a Sonata.PQP Bach.

  4. A 9a é de fato a maior obra de um dos maiores gênios da humanidade. E essa versão com o Harnoncourt está realmente maravilhosa. Parabéns aos idealizadores do blog.

  5. Olá, PQP!Assim como o anônimo acima, eu também não sabia como contactar, então também deixei minha solicitação na postagem mais recente.É o seguinte: tem duas coisas que gosto e não tenho quase nada: o espanhol Joaquín Rodrigo e o armênio Georg Ivanovich Gurdjieff (que compunha em dupla com Thomas de Hartmann).Se puderem fazer esse agrado, fica aí a sugestão!Obrigado!

  6. Prezado Matienzo,Já postei a “Fantasia para un Gentilhombre”, na interpretação do próprio Segóvia, para quem a obra foi composta. O Concierto de Aranjuez está a caminho, só faltam algumas definições sobre intérpretes (gosto muito do John Williams). COm relação ao Gurdjieff lamento não possuir nada, apesar de ter tido contato com um cd do Keith Jarrett interpretando alguns hinos de sua autoria. José Daniel, realmente Toscanini é o mestre desta sinfonia. Quem sabe mais à frente eu venha a postar esta sua versão da Nona. A seu dispor, FDP Bach.

  7. Nossa, adorei essa interpretação da Nona :)! Só por curiosidade: acho que li em algum lugar que o Harnoncout opta por usar instrumentação e tamanho de orquestra similares aos empregados na época em que as peça regidas por ele foram publicadas; isso ocorre também com essa integral das sinfonias de Beethoven?

  8. Gorgonzola, sugiro dares uma olhada no texto do link abaixo:http://www.classicalnotes.net/reviews/harnoncourt.htmlCreio que ele irá tirar as suas dúvidas. Além desse: “Editorial ReviewsAmazon.comWhen it was first released in 1991, this set created a furor. Nikolaus Harnoncourt is famous as one of the pioneers of the “authentic instrument” movement, but he is also a musician of deep insight and strong, sometimes willful, interpretive gifts. He opts here for modern instruments played in period style for strings and winds, but mixes them with antique brass and percussion. The result is a truly fresh look at Beethoven that has worn well over time. Harnoncourt naturally excels in the early works–the ones closest to his 18th-century period of specialization. But he succeeds equally in the Big Conductor Test pieces, like the Fifth and Seventh. The performances of the Sixth and Ninth are more controversial, one being extremely relaxed (it is the Pastoral symphony after all), the other a bit lightweight. The sum total, however, remains a major statement by one of the most provocative and important conductors of our time.” –David HurwitzA seu dispor, FDP Bach.

  9. Olá, PQP!

    Essa interpretação da nona ficou belíssima, não é a toa
    que essa obra tem sido estudada ao longo dos séculos.
    Mas acabei de ver um erro notável, no terceiro movimento
    não seria (Adagio molto e cantabile)?
    Abraços e parabéns sempre pelo blog.

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