Charles Tessier (1550-1604) – Carnets de Voyages

1Um CD belíssimo o deste Charles Tessier que desconhecia uma semana atrás. É melodioso, engraçado e muito bem interpretado pelo Le Poème Harmonique. Só depois de ouvi-lo – e de me surpreender – é que soube que o CD comemorava o 100º da extraordinária gravadora Alpha. Como diz este blog português aqui:  

“A Alpha acaba de fazer 100 discos. Assinala o feito um colorido “caderno de viagens” de Charles Tessier (séc. XVI, contemporâneo de John Dowland e alaudista como este), com navegação a cargo do agrupamento mais emblemático da editora: Le Poème Harmonique, dirigido por Vincent Dumestre. Porque é Dumestre, volta a ser de mestre. E difícil seria igualmente conceber melhor súmula daquilo que constitui o perfil musical que a Alpha baralha aqui para nos dar por muitos mais discos.”

Já estava na hora de falar na Alpha, não? É uma gravadora tão boa quando as duas Harmonia Mundi. Que nos dê muitos CDs!

Na espetacular execução do Le Poème, um compositor na passagem do século XVI para o XVII – Charles Tessier, compositor da corte francesa de Henrique IV e que, fora da França, conheceu apenas a Alemanha e Londres – transforma em música suas viagens reais ou imaginárias: França, Inglaterra, Itália, Espanha, Império Otomano, Arábia. É curiosa a variação de ritmos, formas e instrumentação utilizada. Destaque especial para as faixas 2 e 3.

Imperdível!

Charles Tessier (1550-1604) – Carnets de Voyages

Performer: Le Poème Harmonique

1. Chansons turcquesques : Hel vel Aqueur & Tal lissi man
2. Air espagnol : No ay en la tierra
3. Chanson suisseee : Mattone mie care
4. Bransle de village (manuskrit Philidor)
5. Bransle de Lorraine (manuskrit Philidor)
6. Junckfraw deine schöne gstalt erfreüt mich sehr ( Leo Hassler)
7. Pavana del Sgr. Guilhelmo Keudelio (Maurice de Hesse)
8. Villanelle italienne : Madonna di Coucagna
9. Villanelle italienne : Vita di voria dar
10. Air de court : Me voilà hors du naufrage
11. The earle of Essex galiard (John Dowland)
12. Burth foth my tears (John Dowland)
13. Les Gascons (manuskrit Philidor)
14. Chanson : Je suis par trop longtemps pucelle
15. Air de court : Quand le flambeau du monde…

Playing time: 59′

Enregistrement du 28 octobre au 1er novembre 2005 à la chapelle Notre-Dame de Bon-Secours, Paris.

Le Poème Harmonique:
Claire Lefilliâtre, soprano
Bruno le Levreur, haute-contre
Jan van Elsacker, ténor
Arnaud Marzorati, basse

Catharina Andres, Johanne Maitre, bombarde, flûte
Franck Poitrineau, sacqueboute
Stéphane Tamby, Mélanie Flahaut, flûte et dulciane
William Dongois, cornet
Kaori Uemura, dessus de viole
Sylvia Abramowicz, Isabelle Saint-Yves, basse de viole
Françoise Enock, violone
Michèle Claude, percussions
Vincent Dumestre, guitare, théorbe & direction

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18 comments / Add your comment below

  1. Este é um problema grave, realmente.

    Da Alpha saiu também aquelas excelentes gravações das Suítes para Violoncelo de Bach (Bruno Cocset) e o Avison de que eu esquecera. Apenas um CD que comprei deles não era de primeira linha.

    Beijos desde uma Porto Alegre quente, quente, quente, um horror.
    (É ir do ar condicionado para o cinema (tb com ar), do cinema para casa ligar o ar… No caminho, o carro vai com ar ligado…)

  2. Selo Alpha é garantia de qualidade. Tenho um Dufay brilhante aqui (Mille Bonjours!). Pena que, por mais que minha vontade me impila a baixar o 100º álbum, o rapidshare, feito usuário gratuito, não irá me auxiliar no momento.

    Agora tenho uma dúvida sem graça, que se não quiserem, não precisam responder:

    PQP e Clara, só por curiosidade, quais seus compositores favoritos? E mais: há algum deles que, mesmo postando aqui, vocês não possuam apreço?

  3. Olá, primeiro gostaria de parabenizar o ótimo site com tantas boas gravações (todo dia, eu baixo uma). Será que vocês teriam como disponibilizar o disco “La Bonne Chanson”, da Anne Sofie von Otter? Já faz um tempo que tento baixá-lo, mas até hoje não o achei. Agradeço antecipadamente a atenção.

  4. Eu gosto de uns 200 compositores. Destacaria como preferidos JS Bach, Brahms, Bartók, Beethoven, Mahler, Shosta, Mozart, Bruckner, Haydn e Hindemith.

    Dificilmente você me verá postando Dvorak, Tchaikovski, Chopin, Rachmaninov e outros horrores escabeladamente românticos. Meu problema é com a glicose. Coisas muito melosas me fazem mal.

    Mas prefiro avaliar obra a obra. Schumann é autor de coisas pelas quais mereceria não ter nascido, mas o que dizer de seu Quarteto e Quinteto para piano? São maravilhosos. Até Beethoven é autor de alguns horrores, não?

    Só posto o que ouço.

  5. PQP, engraçado, eu gosto muito de Schumann. E de Chopin, Tchaikovski e Dvořák. Sou um romântico nato.
    Já não posso dizer o mesmo de Hindemith ou Shostakovich, que estou descobrindo ainda.

    Beethoven compôs alguns horrores? Quais, que ainda não sei?
    Preciso descobrir esse Beethoven… =)

  6. nicolas,
    qto a mim, acho q gosto, q idolatro, amo Schubert, todos os Renascentistas, Handel, Couperin, Monteverdi,Debussy, Satie, Ravel etc,etc!
    Detestar mesmo, detesto um compositor português chamado Joly Braga Santos.
    Depois,uma categoria dos menos apreciáveis, tenho alguns,mas sempre há q obra que gosto deles.
    E isto é bastante injusto, pq,tal cmo PQP, devo gostar de uns 200 compositores!:P
    Abraço!

  7. Ah, PQP, que maldade!
    Tenho duas gravações d’A Batalha de Wellington. =)
    Beethoven para mim é um caso raro, assim como Mozart: não há o que me desagrada. E de Beethoven eu tenho certeza em afirmar pois possuo todas as suas obras publicadas (de Mozart, faltam-me ainda umas 30 obras impossíveis de achar).

  8. Clara,
    Schubert ocupa o segundo degrau em meus favoritos, logo atrás do “trio de ouro”, formado pelos hors concours Bach, Mozart e Beethoven. Ele pertence ao meu segundo trio predileto e primeiro estritamente pessoal , já que se supõe que todos gostam dos três que citei (Bach, Mozart e Beethoven).
    São eles: Schubert, Brahms e Wagner.

  9. hum, hum (onomatopéias de tosse para quem não entendeu).
    caro Nícolas,
    Vim perseguir-te fora do post de Villa-Lobos. Quanto ao que disse que todos devem gostar do trio, encontrou alguem que quebra a regra.

    Iniciei-me na música erudita ouvindo Beethoven. Adorava tudo o que ouvia. Até que um dia… conheci o modernismo. Achei um horror! Aquilo não era música! Mas com o tempo fui parando de ter chiliques cada vez que ouvia um acorde meio manco (deduz-se, portanto, que antes tinha chiliques a audição inteira..), e passei a admirá-los. Como eram bonitos! Eles criavam todo um arranjo em volta do acorde central, enriquecendo-o significativamente. Hoje ainda gosto de Beethoven, mas as vezes acho algumas de suas obras particularmente irritantes, pelas constantes explosões supérfluas. Com algum tempo de audição fico com vontade de tirar o CD e colocar um barroco ou clássico, enfím, alguém menos hiperativo. As explosões de Wagnerianas, por exemplo, acho que são mais bem colocadas, pois não ocupam a peça inteira, mas sim longos trechos seguidos de outro longo trecho calmo.
    Mas gosto bastante do Beethoven maduro (dos ultimos quartetos, sonatas e da sinfonia 9), aí concordo que não deve haver quem fuja à regra de gostar do trio.

  10. Bela postagem. Mudando de assunto: PQP, ja’ lhe passou pela cabeca trazer-nos a’ apreciacao alguma obra de Preatorius, a Missa Luterana, por exemplo?

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