Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Sétima (CD 6 de 11)

A Sétima Sinfonia, “Leningrado”, talvez seja a obra mais famosa de Shostakovich. Ele dedicou-a “a nosso combate contra o fascismo, a nossa vitória sobre o inimigo em Leningrado, a minha cidade natal”. As circunstâncias em que foi escrita e estreada a fizeram famosíssima. Imaginem uma cidade cercada por alemães há 18 meses, uma orquestra improvisada vestida com suéteres e jaquetas de couro, todos magérimos pela fome, a rádio transmitindo o concerto, várias cidades soviéticas estreando a obra ao mesmo tempo, Arturo Toscanini – anti-fascista de cabo a rabo – pedindo a partitura nos Estados Unidos (ela foi levada de avião até Teerã, de carro ao Cairo, de avião à Londres, de onde um outro avião da RAF levou a música ao maestro), Shostakovich na capa da Time. Ou seja, a Sétima é importante. Nos EUA, em poucos meses, foi interpretada por Kussevítki, Stokovski, Rodzinski, Mitropoulos, Ormandy, Monteaux, etc. Um espanto.

Numa das maiores homenagens recebidas por uma obra musical, Anna Akhmátova escreveu o seguinte poema ao ser posta à salvo das bombas alemãs pelas autoridades soviéticas:

Todos vocês teriam gostado de me admirar quando,
no ventre do peixe voador,
escapei da perseguição do mal e,
sobre as florestas cheias de inimigos,
voei como se possuída pelo demônio,
como aquela outra que,
no meio da noite,
voou para Brocken.
E atrás de mim,
brilhando com seu segredo,
vinha a que chama a si mesma de Sétima,
correndo para um festim sem precedentes.
Assumindo a forma de um caderno cheio de notas,
ela estava voltando para o éter onde nascera.

Pois é. Mas falemos a sério: não é a maior sinfonia de Shosta. Fica atrás da oitava, décima, décima-primeira, décima-terceira, décima-quarta e décima-quinta. Mas que é famosésima, é.

Há grandes momentos nela: o primeiro é a preparação para receber o inimigo, baseada no Bolero de Ravel, é espantosa. Nota-se perfeitamente o significado do tema principal e do acompanhamento das cordas, cada vez mais ameaçador. O segundo é o espetacular finale, sempre ouvido pelo público em pé, e onde reaparece o tema inicial da sinfonia, demonstrando a tranqüilidade ansiada pelo povo russo após o sofrimento da guerra. Tem que conhecer. É cultura.

Informações em parte colhidas no livro sobre Shostakovich de Lauro Machado Coelho.

CD 6

SYMPHONY No.7 in C Major, Op.60 “Leningrad”

1. Allegretto
2. Moderato (poco allegretto)
3. Adagio
4. Allegro non troppo

Recorded: July 3, 1975
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 71:10

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Puccini une as pessoas

Em setembro de 1962, Igor Stravinski visitou a União Soviética por 3 semanas. Recebeu muitas homenagens e seu único encontro mais demorado foi com Shostakovich. Porém, quando foram apresentados, o mortalmente tímido Shostakovich respondia com monossílabos as muitas tentativas de conversação feitas por Stravinski. Isso só até o momento em que eles encontraram algo para detestar juntos. “Você gosta de Puccini?”, perguntou Stravinski. “Não o suporto”, respondeu Shostakovich. A partir daí, eles encontraram do que falar e conversaram animadamente a noite inteira.

Lauro Machado Coelho

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Igor Stravinski (1882-1971) – A História do Soldado (redução)

Este disco é um problema. Dele, eu apenas tenho a redução para clarinete, violino e piano da História do Soldado. A obra está completa. Vale a pena baixar. E como! É um CD de primeiríssima linha com o trio de mulheres checas dando tudo… A redução foi escrita pelo próprio Stravinski. A História do Soldado raramente consta dos programas de concerto e, quando aparece, é realizada somente em versão instrumental, ou seja, sem a parte cênica. Aqui, temos a redução da redução, pois em concertos é retirada a narração e as cenas, aqui temos também a retirada de alguns movimentos e uma radical redução do instrumental.

No CD original, há também obras de Bartók, Milhaud, Kachaturian…

Suíte de “A História do Soldado” – Redução de Igor Stravinski

1. Marcha do Soldado
2. O Violino do Soldado
3. Pequeno Concerto
4. Tango – Valsa
5. A Dança do Diabo

Ludmila Peterková – Clarinet
Gabriela Demeterová – Violin
Markéta Cibulková – Piano

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Sergei Prokofiev (1891-1953) – Sonatas para Violino e Piano e 5 Melodias

Esta é outra daquelas gravações que chegam e todos os bons críticos já a identificam imediatamente como definitiva, ao menos até a próxima que será considerada como tal. O trabalho que os Kremer e Argerich fazem aqui é de qualidade indiscutível e demonstra mais uma vez que Prokofiev é uma das preferências de Martita, que o compreeende como poucos. Bastará ouvir o Allegro Brusco da Sonata Nº 1 para se apaixonar imediatamente. CD para se ouvir dezenas de vezes sem cansar.

Sonata for Violin and Piano no.1 in F minor, op 80
1. Andante Assai
2. Allegro Brusco
3. Andante
4. Allegrissimo – Andante Assai, Come Prima

Five melodies for violin and piano, op. 35bis
5. Andante
6. Lento, Ma Non Troppo
7. Animato, Ma Non Allegro
8. Allegretto Leggero E Scherzando
9. Andante Non Troppo

Sonata for Violin and Piano no. 2 in D major, op. 94a
10. Moderato
11. Scherzo, Presto
12. Andante
13. Allegro Con Brio

Martha Argerich, Piano
Gidon Kremer, Violin

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Johannes Brahms (1830-1897) – Sinfonia nº 2, in D, op. 73

FDP Bach ficou muito satisfeito com a recepção ao cd do grande Carlos Kleiber que postou ontem. Foram 82 downloads em menos de 24 horas, um dos recordes do blog, se não estou enganado.
Por este motivo, então, tirarei de minha cartola outro momento glorioso deste grande regente, desta vez um registro ao vivo da Sinfonia nº 2 de Brahms, em minha modesta opinião, uma das mais sensíveis do mestre alemão. De um romantismo arrebatador, ela nos conquista pela beleza da melodia, e Kleiber já no primeiro movimento nos mostra a que veio.
Malcolm MacDonald, em sua biografia de Brahms, faz a seguinte colocação sobre esta sinfonia:
” Convencionalmente, ela (a segunda sinfonia) é considerada a mais luminosa e genial de Brahms, uma perspectiva cheia do mais tocante e sereno refrigério quando contrastada com o arrojo do dó menor da Primeira: de vez em quando ela tem sido apelidada sua “Pastoral”. (…) O op. 73, pelo menos em seus dois primeiros movimentos, sempre me tem parecido uma das mais escuras das sinfonias em tonalidade maior. Realmente, é uma escuridão rica e introspectiva (parcialmente produzida pela riqueza da harmonia, tingida de simbolismos da natureza, romântico), mas sua gravidade não é menor por isso. Os planos muito largos da Sinfonia, não obstante intrincadamente se bifurcando em caminhs de desenvolvimento, permitem um constante jogo de luz e sombra. E vislumbramos a luz como se do meio de uma floresta, onde forçosamente devemos nos perder em meio a algumas regiões muito tenebrosas.”

Bela descrição, e dificilmente alguém irá discordar dela. Ainda mais depois de ouvir esta interpretação de Carlos Kleiber.

Esta gravação foi extraída de um DVD.

Johannes Brahms (1830-1897) – Sinfonia nº 2, in D, op. 73

1 Symphony No.2 in D, Op.73 – 1. Allegro non troppo
2.Symphony No.2 in D, Op.73 – 2. Adagio non troppo – L’istesso tempo, ma grazioso  
3.Symphony No.2 in D, Op.73 – 3. Allegretto grazioso ( Quasi andantino) – Presto ma non assai  
4.Symphony No.2 in D, Op.73 – 4. Allegro con spirito

 Wiener Philarmoniker

Carlos Kleiber – Conduktor

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – Sinf. Nro. 6 (CD 5 de 11)

Lauro Machado Coelho faz uma notável defesa desta estranha Sexta em seu calhamaço Shostakovich – Vida, Música, Tempo (Ed. Perspectiva). É uma sinfonia curta, de considerável originalidade estrutural: é formado por um longo, belo e mórdido Largo, seguido de dois scherzi (Allegro e Presto). O Presto, muito circense, foi bisado na estréria, em 1939, sob a regência do genial Mravinski. Já a crítica oficial condenou como “Formalista” esta sinfonia “sem pé nem cabeça”: um Largo de vinte minutos e duas brincadeiras de 5 minutos cada… Eu acho esplêndido o primeiro movimento, que possui contatos com o Largo da Quinta e com trabalhos de Mahler e Sibelius, mas alguns especialistas admiram o grotesco e a cínica zombaria do finale. Ou seja, há controvérsias.

Não a vejo como uma obra menor, mas como uma quase não-sinfonia.

O quinto Cd desta coleção traz a Sexta junto à Décima. São obras tão diferentes que optei por separá-las, obedecendo a ordem cronológica. Então, este arquivo ficou bem pequeno.

CD 5

SYMPHONY No.6 in B Minor, Op.54

1. Largo
2. Allegro
3. Presto

Recorded: September 15, 1967

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Franz Schubert, Johannes Brahms, Richard Wagner – Tribute to a Unique Artist

Esta postagem é um pouco diferente, pois o destaque é o maestro Carlos Kleiber. A DG lançou este cd por ocasião de sua morte, em 2004. É uma espécie de “Best Of”, mas o que se tem aqui são interpretações impecáveis, que demonstram um maestro finíssimo, que, apesar de não ser muito chegado em estúdios de gravação, quando lá esteve, mostrou uma competência tremenda. Que o digam suas versões para as sinfonias beethovinianas de nºs 5 e 7, cd já postado aqui no blog.

O que este cd traz são outros momentos memoráveis deste grande maestro: uma “Sinfonia Inacabada” de Schubert com um registro maravilhoso, uma 4ª de Brahms que entrou para os anais da história como uma das melhores de todos os tempos, e dois momentos igualmente belíssimos do “Tristão e Isolda” de Wagner. Segundo um comentário do site da amazon, “Kleiber brings the same insights of his classic recording of Beethoven’s 5th to bear on Brahms’s 4th symphony. This is an all-time great recording, probably the most furious and passionate performance since Furtwangler’s transcendental account during World War II.”

O texto biográfico abaixo foi retirado do site da Deutsche Grammophon:

“With the passing of Carlos Kleiber on 13 July 2004, the world of music lost one of its most charismatic and enigmatic figures. He was known as a conductor who didn’t like to conduct: “Only when his freezer was empty did he deign to pick up the baton, reported Herbert von Karajan (who, like many of his other colleagues, called him a “genius” – they were a two-man mutual admiration society). He lavished his genius on no more than a handful of symphonies by Beethoven, Haydn, Mozart, Schubert and Brahms, and a scarcely longer list of operas by Verdi, Wagner, Puccini and the Strausses, Johann and Richard – a fragment of the repertoire conducted by his equally famous father Erich, another titan, who tried to thwart his son’s musical career (yet Carlos used his annotated scores).

A recluse who spoke six languages fluently but never granted interviews because he claimed that “when I talk, it’s rubbish”, Kleiber would repeatedly leave orchestral musicians notes filled with polite suggestions (these became known as “Kleibergrams”). Players and singers respected and revered him. “He notices everything,” Plácido Domingo declared. “I try to please him all the time, not just because I want to please him but because I know he’s right.”

Once his career was established, Kleiber refused to accept a permanent position and even declined the Berliner Philharmoniker’s invitation to become Karajan’s successor. He once told Leonard Bernstein that he wanted to grow old in a sun-drenched garden, only eating, drinking, sleeping and making love. Much critical ink has been spilled over the precious few engagements to which he grudgingly consented – principally with the Wiener Philharmoniker and Amsterdam Concertgebouw orchestras and at some of the world’s operatic shrines: Vienna, Munich, Bayreuth, London, Milan, and New York – reviews couched almost exclusively in superlatives bestowed on few other musicians of the late 20th century. Kleiber was truly – and for once the tired cliché is apt – a legend in his own time.

Carlos Kleiber was born in Berlin on 3 July 1930 but grew up in Argentina after his family (who were not Jewish) fled Nazi Germany in 1935. Following the war, he studied chemistry in Switzerland, but an overwhelming love for music led inexorably to his 1954 debut, conducting an operetta in Potsdam, East Germany under a pseudonym. He served as répétiteur of the Deutsche Oper am Rhein in Düsseldorf from 1956, becoming its conductor two years later, was at the Zurich Opera from 1964-66 and first Kapellmeister at the Württembergisches Staatstheater in Stuttgart for three years from 1966. He first appeared at the Vienna State Opera in 1973 conducting Tristan, the work with which he made his Bayreuth debut the following year, debuted in 1974 at Covent Garden and La Scala (conducting Der Rosenkavalier, one of his father’s specialities); he made his Berliner Philharmoniker debut in 1982 and his first appearance at the Met in 1988.

A perfectionist in extremis, Carlos Kleiber disliked recordings – he once said that “every unproduced record is a good record” – but those he made have naturally come to occupy a special place in the medium’s history. Deutsche Grammophon had the good fortune to be the label with which he was associated, a collaboration that began in 1973, when he agreed to overcome his antipathy to the microphone and travel to Dresden to record Weber’s Freischutzwith the great Staatskapelle, an orchestra that had enjoyed a close relationship with his father. London’s Daily Telegraph, typifying the praise showered on it from all quarters, described the new set in terms that could well be applied to every work this artist touched: “Kleiber … brings such vitality, freshness of tone and buoyancy of rhythm to the orchestral score and his choice of tempi shows that he has rethought this music … by discovering how to be faithful to the composer’s spirit without transgressing the letter.”

Subsequent releases over the next several years spread the appreciation of his phenomenal gifts to an adoring international public and fellowship of music critics: Beethoven’s Fifth from Vienna in 1975 (about which one reviewer wrote that “it was as if Homer had come back to recite the Iliad”), Beethoven’s Seventh from Vienna and Johann Strauss’s Fledermaus from Munich in 1976, Verdi’s Traviata from Munich in 1977, Schubert’s Third and “Unfinished” from Vienna in 1979, Brahms’s Fourth from Vienna in 1981 and, finally, a return to Dresden for Wagner’s Tristan und Isolde (which he had conducted at Bayreuth from 1974-76) in 1982.

It is from those last three studio productions that the performances collected here have been taken. When Kleiber’s extraordinarily concentrated reading of the “Unfinished”, recorded in the Musikverein’s Golden Hall in September 1978, was last reissued, the English critic Richard Osborne wrote: “The genius of Kleiber’s performance is his willingness to characterize both the music’s profound melancholy and its bustling energy: in other words, to sense its physical chronology and its spiritual one.”

In December 1979 the German critic Peter Cossé was in the Musikverein when Kleiber conducted Brahms’s Fourth Symphony at the Wiener Philharmoniker’s subscription concerts. “One experienced the four movements,Ó he wrote, “as a great concentrated Passion of compositional logic and integrity and, in the same moment, as a network of emotions and images, whose richness and atmospheric ambivalence seemed to find a miraculous sense of consolidation or, more precisely, reconciliation in the final Passacaglia.Ó CossŽ happily found that the “fascinating details and solemn splendour of the interpretation were captured without any loss of tension or spontaneity” when Deutsche Grammophon recorded it three months later, between 12-15 March 1980.

And, finally, the Dresden Tristan. Kleiber was dead set against a live recording, with – as DG’s then Head of Production Hans Hirsch recalled – all its imponderables, such as the dangers of singer fatigue and inevitable compromise solutions in the final takes that would disadvantage the orchestra (seated, incidentally, with violins divided left and right, violas half-left behind the first fiddles, cellos half-right behind the seconds, and basses in a reduced half-circle behind the seconds and cellos). Kleiber’s demands were extreme and unprecedented, even for him: 10 full orchestral rehearsals beginning in August 1980 in Dresden’s Lukaskirche, 20 sessions in October with the whole cast present at all of them, recording the work in sequence from beginning to end (with, as is customary, the preludes to Acts I and III left to last).

Perhaps the only surprise in casting was that of Margaret Price in a role she was never to sing on stage, but this turned out to be pure inspiration: the youthful freshness, ardour and lyricism (as well as flawless German diction) of the Welsh soprano’s Isolde, as Hans Hirsch notes, dovetailed with Kleiber’s conception of the work, and indeed, by general consensus, the part has not been sung on record before or since with such sheer, unremitting vocal beauty.

Kleiber’s nerves were famously exposed whenever he made music, and, inevitably, in an undertaking as gruelling for him as committing Wagner’s Tristan to disc, they frayed – sadly – towards the end of the sessions. In the midst of René Kollo’s recording of Tristan’s delirium in Act III, the conductor stormed out, and the passage had to be synchronized later, though no trace of that would be apparent to listeners. Presciently, his producer Werner Mayer had let the tape machines run during rehearsals of the preludes in August. Carlos Kleiber never entered a recording studio again.”

Franz Schubert (1797 – 1828) Symphony No.8 in B minor, D.759 – “Unfinished”

1. Allegro moderato
2. Andante con moto

Johannes Brahms (1833 – 1897) Symphony No.4 in E minor, Op.98

1. Allegro non troppo
2. Andante moderato
3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
4. Allegro energico e passionato – Più allegro

Wiener Philharmoniker

Carlos Kleiber

Richard Wagner (1813 – 1883) Tristan und Isolde

7. Act 3 “Tod und Hölle”

Dietrich Fischer-Dieskau, Wolfgang Hellmich, Brigitte Fassbaender, Werner Götz, Kurt Moll, Staatskapelle Dresden, Carlos Kleiber

8. “Mild und leise wie er lächelt” (Isoldes Liebestod)

Margaret Price

Staatskapelle Dresden, Carlos Kleiber

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Schnittke (1934 – 1998) – Concerto Grosso No.1 – Quasi una Sonata – Moz-art à la Haydn – A Paganini

Por pouco deixei que minhas idéias sobre música moderna limitassem as minhas experiências sonoras. “Não entendo esta música”. Claro, um ouvinte sempre salvo pelo tom dominante; não poderia se sentir seguro quando esta luz era apagada. Mas a música de Schnittke, mesmo quando tonal, é escura, angustiosa e macabra. O ouvinte não terá conforto com esta música. Mas neste disco, além disso, temos o virtuosismo e o humor.

Com o concerto grosso n.1 de Schnittke (talvez sua obra mais importante) caímos na música pós-moderna (ou pós-tudo) que muitas vezes é chamada de poli-estilística. Aqui Schnittke coloca Vivaldi, Webern, Mozart, Beethoven, Cage (piano preparado) e até tango num liquidificador e faz uma música única, uma obra de primeira grandeza, um resumo de tudo, mas com um humor negro típico de Schnittke. A formação é simples: dois violinos solistas, um cravo, uma orquestra de cordas e um piano preparado (basicamente um piano comum com pregos, bacias com água e outras coisitas sobre as cordas). A estrutura segue o velho estilo barroco à la Corelli com 6 movimentos. Música empolgante e perturbadora.

Este disco está recheado de obras-primas, pois a próxima peça, Quasi uma sonata, está entre as mais importantes composições das últimas décadas. Originalmente escrita para violino e piano (sonata n.2), neste disco encontramos o formato violino e orquestra de câmara. Schnittke vai desconstruíndo a forma sonata com extremo virtuosismo, humor (negríssimo, claro) mas sem entregar uma obra retalhada. Dificilmente uma obra de Schnittke não tem unidade.

Moz-art à la Haydn já é um clássico? Possivelmente. Aliás, Schnittke talvez seja o compositor de sua geração mais executado atualmente. Claro que aqui Schnittke segue a velha tradição russa dos mestres Prokofiev e Shostakovich que usavam o humor em obras refinadas.

Quem lembra das variações sobre aquele famoso tema dos caprice de Paganini? Claro, Brahms, Rachmaninov, Lutoslawski…Mas aqui Schnittke se aproxima do método de Paganini: ferrar o violinista. A Paganini é uma obra pra violino solo insuportavelmente difícil, mas nem de longe uma obra só virtuosística. Gidon Kremer dá um show. Enfim, o disco todo é uma obra-prima e merece ser comprado. Um marco da música pós-moderna (todas as obras são pós-anos 60).

Este foi praticamente meu primeiro disco de música moderna, e todas aquelas minhas idéias preconcebidas foram pro ralo.

1. Con grosso No.1: 1. Prelude: Andante
2. Con grosso No.1: 2. Toccata: Allegro
3. Con grosso No.1: 3. Recitativo: Lento
4. Con grosso No.1: 4. Cadenza [without tempo marking]
5. Con grosso No.1: 5. Rondo. Agitato
6. Con grosso No.1: 6. Postludio. Andante-Allegro-Andante
7. Quasi una sonata
8. Moz-Art a la Haydn
9. A Paganini

Gidon Kremer, Yuri Smirnov, Tatiana Grindenko,
The Chamber Orchestra of Europa
Conducted by Heinrich Schiff

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.: interlúdio :.

Este cão ficou feliz ao ver a postagem recente de FDP Bach, trazendo o Concierto de Aranjuez de Joaquin Rodrigo. Não só pela oportunidade de escutar uma versão fiel da peça, como também por ver aberta a brecha para postar a leitura que Miles Davis e Gil Evans realizaram 21 anos depois.

Historinha: 1959, Davis havia acabado de gravar “Kind of Blue” e dispensado Coltrane e Adderley da banda. Naquele ano, conheceu o Concierto na casa de um amigo baixista. Apaixonou-se e juntou esforços pela terceira vez com Gil Evans (já haviam colaborado em “Miles Ahead”/1957 e “Porgy and Bess”/58) para realizar uma adaptação e compor faixas em torno do tema espanhol. O resultado é uma obra de arte ao mesmo tempo popular e moderna. Mas que foi rejeitada por alguns críticos – que perguntavam isso é jazz? …ao que Miles respondeu: é música, e eu gosto. E eu também. Não só da peça principal – mas também faixas como Saeta, um solo absolutamente fantástico de Davis, e o balé sincopado de Manuel de Falla, Will o’ the Wisp, que é uma das minhas canções favoritas de jazz de todos os tempos. Às vezes deixo a faixa rodando no repeat várias e várias vezes, sonhando com uma gravação ao vivo com jams e 23 minutos de duração. (Há algo de mim que se sente visceralmente atraído pela simplicidade e afetividade hipnótica de balés e valsas, vou descobrindo aos poucos; colecionando esta faixa, e “My Favourite Things” de Coltrane, e “The Black Priest and the Sinner Lady” de Mingus…)

Atmosférico e acessível, este é também um grande álbum para congregar novos ouvidos. Portanto, mesmo que o amigo leitor seja avesso ao jazz, eis uma boa nova oportunidade. Ouça com carinho, que ele retornará. Os arquivos são independentes e em 320k, respeitando a excelente remasterização da edição apresentada aqui – com três faixas bônus, sendo duas delas um take alternativo do Concierto.

Antes da ficha técnica e dos links, uma análise mais criteriosa da peça e sua polêmica – Joaquin Rodrigo teria detestado a adaptação – encontrada na Amazon, para aqueles que quiserem um comparativo entre original e versão.

Sketches of Spain has its genesis in the slow movement of the Rodrigo Concierto di Aranjuez, one of the most beloved pieces of classical music out of Spain. Both Miles and Gil Evans were taken with the piece when they were introduced to it and it forms the centerpiece of the album, and the number that seems to register the greatest number of complaints. Purists in the classical world dislike it’s fast and loose treatment of the original work, and in fact, Rodrigo was on record as detesting the final product. And jazz musicians felt the work to be pretentious, with not enough room for Miles to solo, and not enough out and out swing. There was also a feeling that the work was just blatantly copied from it’s origins and that any brilliance in the work was due to Rodrigo, not to Evans.

A careful hearing, especially a side-by-side comparison with the original Concierto, can dispel much of the criticism of this work. Evans does not merely imitate the piece; he imaginatively rethinks it for wind ensemble. Instead of the spare English Horn and strings with which Rodrigo opens the work, Evans creates a shimmering bed of castanets and harp, over which he layers low flutes and French horns an muted brass, moving in a dense carpet of parallel fourths. While the main points of the original form are followed, with Miles taking mostly the guitar parts, there are many sections that illustrate the genius of Evans, the arranger. Particularly impressive is Evans rethinking of the guitar cadenzas. For the first cadenza Evans contrasts Miles in his dark low register, with beautifully balanced chords in the flutes and low brass, characterized by unusual voicings that include tense dissonances at the top of the chord. Also stunning is the original section that Evans uses to replace the second cadenza. The bass begins an understated vamp. Miles solos over it with his typical cool understatement and the orchestra builds to the climax of the work.

Sketches Of Spain Miles Davis

Miles Davis – Sketches of Spain (320)
Arranjado e conduzido por Gil Evans
Produzido por Teo Macero e Irving Townsend para a Columbia

Miles Davis (trumpet, flugelhorn); Gil Evans (arranger, conductor); Paul Chambers (bass); Jimmy Cobb (drums); Elvin Jones, Jose Mangual (percussion); John Barrows, James Buffington, Tony Miranda, Joe Singer, Earl Chapin (french horn); Johnny Coles, Bernie Glow, Taft Jordan, Ernie Royal, Louis Mucci (trumpet); Dick Hixon, Frank Rehak (trombone); Jimmy McAllister, Bill Barber (tuba); Danny Bank (bass clarinet); Albert Block (flute); Eddie Caine (flute, flugelhorn); Harold Feldman (clarinet, flute, oboe); Jack Knitzer (bassoon); Romeo Penque (oboe); Janet Putnam (harp)

download – parte 1 84MB parte 2 40MB
01 Concierto de Aranjuez (Adagio) (Joaquín Rodrigo) 16’19
02 Will o’ the Wisp (Manuel de Falla) 3’47
03 The Pan Piper (Evans) 3’52
04 Saeta (Evans) 5’06
05 Solea (Evans) 12’15
06 Song of Our Country (Evans) 3’23
07 Concierto de Aranjuez [alt take; part 1] (Rodrigo) 12’04
08 Concierto de Aranjuez [alt take; part 2 ending] (Rodrigo) 3’33

Boa audição!

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Étienne Henri (ou Nicholas) Méhul (1763 – 1817) – Aberturas

Parece que hoje é o dia das raridades… Vamos lá. Este Méhul é muito bom compositor. Ouçam! É autor do romantismo inicial e é tão interessante que nem francês parece ser. O cara compôs de tudo: sinfonias, óperas, aberturas, balés, sonatas para piano e obras para teatro. É claro que a Orquestra de Bretanha deve ter promovido um The Best of, porém este é muito satisfatório. Mais um para a galeria de raridades absolutas dos ouvintes-leitores do PQP. Agora, vocês podem dizer aos amigos que a música, na opinião de vocês, divide-se em A.M. e D.M. (antes e depois de Méhul…). Ninguém vai entender nada, mas talvez alguém lhes tome por supremamente eruditos, sei lá. Tentem.

Faixas:

1. Le trésor supposé: Overture
2. Le jeune Henri: Overture
3. Joseph: Overture
4. Ariodant: Overture
5. Mélidore et Phrosine: Overture
6. Horatius Coclès: Overture
7. Bion: Overture
8. Le jeune sage et le vieu fou: Overture
9. Les deux aveugles de Tolède: Overture

Orchestre de Bretagne
dir. Stefan Sanderling

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE (Part 1)

BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2)

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Giovanni Stefano Carbonelli (1690? – 1772) – Sonates pour violin et basse continue

(Ouvi este CD apenas uma vez.) Os discos da Alpha, vocês sabem, são quase sempre espetaculares. E eles matam a pau novamente com este desconhecido Carbonelli, do qual pouco se sabe mas que pode nos dar uma hora de esplêndida música. São várias peças escritas para instrumentos variados, havendo até coisas para um tipo qualquer de “guitar” e órgão. A última obra do disco é a melhor. Enjoy!

Algumas poucas coisinhas sobre o compositor: In 1719, young Giovanni Stefano Carbonelli arrived in London from Rome, where he was active, invited by the Duke of Rutland to enter his service. So little is known about Carbonelli’s life that we just have to make do with what we can imagine from his music and from the musical context in England at that time. He was probably born during the last decade of the seventeenth century. We know that he studied with Corelli and that like his most famous fellow students, Pietro Castrucci and Francesco Geminiani, he felt deawn to London and settled there. London at that time was astir with the resounding successes of Handel’s operas and boasted the very best of European misicians. So it is easy to imagine the pull of such a city for a young and adventurous musician(…)

A lista de faixas foi retirada de um site russo e, bem, é aquilo…

1 I. 0:02:26 Sonate X, Sol Mineur
2 II. 0:03:25 -“-
3 III. 0:02:12 -“-
4 IV. 0:02:35 -“-
5 I. 0:02:51 Sonate I, Re Majeur
6 II. 0:02:33 -“-
7 III. 0:01:56 -“-
8 IV. 0:01:56 -“-
9 I. 0:02:41 Sonate XII, Si Mineur
10 II. 0:03:35 -“-
11 III. 0:07:48 -“-
12 Prelude, Ayres Pour Guitare, (Nicola Matteis ? – Ap. 1685) 0:05:43
13 I. 0:02:12 Sonate VII, La Mineur
14 II. 0:02:44 -“-
15 III. 0:02:04 -“-
16 IV. 0:03:08 -“-
17 I. 0:04:24 Sonate VI, La Majeur
18 II. 0:02:31 -“-
19 III. 0:10:11 -“-

Hélène Schmitt, violon
Gaetano Nasillo, cello
Andrea Marchiol, harpsichord & organ
Karl-Ernst Schröder, guitar

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Jean Sibelius (1865-1957) – Integral das Sinfonias (CD 2 de 5)

As justas críticas recebidas pelo volume 1 desta coleção deverão diminuir muito na segunda parte de nossa empreitada sibeliana. Rattle faz uma contemplativa e tranqüila abordagem da Sinfonia Nº 2, uma das mais adequadas que ouvi. Talvez a opção de não ser tão especular assuste alguns desacostumados. Já a terceira é uma sinfonia que não me satisfaz. Tem lá seus momentos, mas parece-me uma longa – e boa – preparação para algo que não acontece. Ainda mais depois de ouvir, ontem à noite, duas que são absolutamente o máximo, da autoria de seu agitado vizinho Nielsen. É decididamente um período sinfônico de minha vida e pretendo postar a integral de Shosta, Sibelius, Nielsen e Mahler. Só gente parruda.

Porém, repito: o registro que Rattle faz da segunda sinfonia é tão acertado quando casar com a belíssima mezzo-soprano Magdalena Kožená, atual Sra. Sir Simon. Por uma perversão inteiramente normal em pessoas de meu sexo, sempre que vejo uma bela cantora lírica, imagino se seus gemidos seriam ou não impostados. O que vocês acham?

Simon Madge

Os tablóides ingleses não cansam de escrever que ela tem 18 anos a menos que Rattle. Então, outra pergunta: um cara de 53 anos que casa com uma de 35 deve ser classificado como pedófilo? Não, por favor, esqueçam!

Respondam apenas à primeira pergunta, muito mais interessante e antropológica.

Disc: 2

Sinfonia Nro. 2
1. I. Allegretto
2. II. Temp Andante, Ma Rubato
3. III. Vivacissimo
4. IV. Finale: Allegro Moderato

Sinfonia Nro. 3
5. I. Allegro Moderato
6. II. Andantino Con Moto, Quasi Allegretto
7. III. Moderato – Allegro, Ma Non Tanto

City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle

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Arnold Schoenberg (1874 – 1951) – Quartetos de Cordas n.3 e n.4

Agora estamos num terreno árido, mas não menos empolgante que os outros quartetos predecessores. Nesta época (1927) Schoenberg já havia criado o sistema dodecafônico (do grego dodeka: 'doze' e fonos: 'som'), no qual as 12 notas da escala cromática são tratadas como equivalentes, ou seja, sujeitas a uma relação ordenada e não hierárquica. Mas Schoenberg nunca foi tão radical assim, com excessão de uma pequena peça para piano, ele nunca escreveu uma obra inteiramente dodecafônica.

O quarteto de cordas n.3 já não é romântico e expansivo, mas sim clássico, o mais haydniano dos quatro quartetos. A sua estrutura em quatro movimentos (moderato, andante, intermezzo e rondo) segue a velha idéia de forma sonata com exposição, re-exposição, desenvolvimento,...mas com uma relação entre elas quase impossível de conceber para uma primeira audição. No último movimento, o rondo é estruturado da seguinte maneira: A-B-A2-C(+D)-A3-B2-A4-Coda. Onde a seção D é um desenvolvimento de temas anteriores. Enfim Schoenberg leva as últimas conseqüências o que um ouvinte menos atento chamaria de "caos" numa base rígida e perfeitamente controlada. O atonalismo por si só era um terreno muito movediço para Schoenberg, por isso o velho mestre encontrou no dodecafonismo uma forma segura de percorrer estas plagas. No entanto, o quarteto n.3 não é uma obra totalmente dodecafônica. Mas parece ser um consenso entre os críticos que este é o melhor dos quatro quartetos, e quem sabe o mais importante do século XX.

O quarteto n.4 é "mais agradável que o terceiro" (palavras de Schoenberg) e o mais difícil de todos (palavras minhas). Tentar identificar os temas e desenvolvimentos é loucura. Ouço esse quarteto com ouvidos soltos. Gostaria ter a partitura desse quarteto em minhas mãos e ver com meus próprios olhos toda a sua intrincada estrutura. Novamente Schoenberg retoma o velho modelo : allegro molto, scherzo, largo e allegro. É música para poucos.

Disco: 2
1. Quarteto n.3, Op. 30: I. Moderato
2. Quarteto n.3, Op. 30: II. Adagio
3. Quarteto n.3, Op. 30: III. Intermezzo, Allegro Moderato
4. Quarteto n.3, Op. 30: IV. Rondo, Molto Moderato
5. Quarteto n.4, Op. 37: I. Allegro Molto, Energico
6. Quarteto n.4, Op. 37: II. Scherzo (Comodo)
7. Quarteto n.4, Op. 37: III. Largo
8. Quarteto n.4, Op. 37: IV. Allegro

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Arnold Schoenberg (1874 – 1951) – Quartetos de Cordas n.1 e n.2

Como fiquei responsável pela música moderna, trazendo aos ouvintes algo um pouco mais radical, cerebral e às vezes indigesto, começo minha participação com um disco mais ou menos óbvio, pois foi a partir do segundo quarteto de Schoenberg que o mundo tonal foi perfurado.

Mas o sistema tonal já estava há algum tempo sofrendo uma série de ataques, diria até que o ínicio do quarteto dissonante de Mozart pode ser visto como um pequeno exemplo dessa procura do novo mundo. As fantásticas “monstruosidades” sonoras de Wagner e Strauss que deixaram o sistema tonal esgotadíssimo. O Adágio da Décima de Mahler. As últimas sonatas de Scriabin…Mas foi realmente Schoenberg quem atravessou a barreira. O sistema tonal é quebrado no último movimento do quarteto n.2, nele uma voz feminina inicia seu canto (texto do poeta Stefan George) com as célebres palavras: “Ich fuhle luft von anderem planeten…” (Eu sinto o ar de um novo mundo…). Não dá para ouvir isso sem ficar arrepiado. Todo o quarteto é belíssimo, um mundo se misturando com outro.

Mas devo confessar que minha maior paixão é mesmo o quarteto n.1. Aqui o sangue fervilha. Apesar de ter quatro movimentos (todos os quatro quartetos de Schoenberg tem 4 movimentos), o quarteto não tem pausa, um movimento conectado ao outro, temas iniciais que vão sendo revisitados até o fim. Nesta época (1905) Schoenberg estudava a sinfonia Eroica. Com Beethoven “eu aprendi como evitar a monotonia e o vazio, como criar variedade fora da unidade…”.

A interpretação do “arditti string quartet” é excelente. E a voz que sai da soprano Dawn Upshaw é assombrosa.

Disco: 1
1. Quarteto n.1, Op. 7: I. Nicht Zu Rasch (Pas Trope Vite)
2. Quarteto n.1 , Op. 7: II. Kraftig (Energique)
3. Quarteto n.1, Op. 7: III. Massig (Modere)
4. Quarteto n.1, Op. 7: IV. Massig (Modere)
5. Quarteto n.2, Op. 10: I. Massig (Moderato)
6. Quarteto n.2, Op. 10: II. Sehr Rasch (Tres Rapide)
7. Quarteto n.2, Op. 10: III. ‘Litanei’ Langsam (Lent) – Dawn Upshaw
8. Quarteto n.2, Op. 10: IV. ‘Entruckung’ Sehr Landsam (‘Eloignement’ Tres Lent) – Dawn Upshaw

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Mais um mano

Após exaustivas pesquisas históricas, descobrimos mais um caso de papai e, como sempre acontecia com ele, mais um filho. Não tinha jeito de ele aprender o coitus interruptus, bastante popular na época. Carl Dietrich Fritz Bach, também conhecido por C.D.F. Bach, resultou da ligação de nosso pai com a Condessa de Shortshot, amásia de Frederico II e personagem do Les Luthiers. O nome Dietrich foi uma homenagem ao tio Bux, claro.

Seu foco no P.Q.P. Bach será a música moderna, que sempre considerei injustamente desprezada por aqui, mas ele terá toda a liberdade dada aos outros, ainda mais sendo filho de uma Condessa e falso bastardo de um soberano iluminista.

Éramos quatro, agora somos outro Grupo dos Cinco.

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J. S. Bach (1685-1750) – Outra Oferenda Musical, BWV 1079

Uns sustos aqui e ali, mas é muito boa a versão da Ensemble Sonnerie. Não lembro das outras versões que postei, porém posso dizer que esta é muito superior à de Karl Münchinger – a qual lembro ter postado recentemente -, por exemplo. Excelente escolha de instrumentos.

Johann Sebastian Bach – A Oferenda Musical

1. Ricercar A 3
2. Canon Perpetuus Super Thema Regium
3. Canones Diversi Super Thema Regium: Canon 1. a 2 (Cancrizans)
4. Canones Diversi Super Thema Regium: Canon 2. a 2 Violini In Unisono
5. Canones Diversi Super Thema Regium: Canon 3. a 2 Per Motum Contrarium
6. Canones Diversi Super Thema Regium: Canon 4. a 2 Per Augmentationem, Contrario Motu…
7. Canones Diversi Super Thema Regium: Canon 5. a 2 (Canon Circularis Per Tonos) ‘Ascendente…
8. Fuga Canonica In Epidiapente
9. III Ricercar a 6
10. Canon a 2. Quaerando Invenietis
11. Canon a 4
12. Son Sopr’il Soggetto Reale: Largo
13. Son Sopr’il Soggetto Reale: Allegro
14. Son Sopr’il Soggetto Reale: Andante
15. Son Sopr’il Soggetto Reale: Allegro
16. Canon Perpetuus
17. Ricercar a 6

Frances Eustace
Wilbert Hazelzet
Gary Cooper
Paul Goodwin
Pavlo Beznosiuk
Monica Huggett

Ensemble Sonnerie

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Frédéric Chopin (1810-1849) – Mazurkas

Como já avisou inúmeras vezes meu irmão PQPBach, nosso SAC é uma porcaria, como os demais, simplesmente pelo fato de que a diretoria do blog não estar nem aí com as solicitações de seus leitores. Mas não somos tão cruéis. Quando podemos, atendemos. Se temos em nosso acervo, o que custa? Por exemplo, o leitor Carlos Eduardo Amaral solicitou valsas e outras obras de Strauss. PQP disse que não tinha, mas felizmente possuo uma gravação que irá satisfazer ao nosso leitor, e que deverá estar sendo postada nos próximos dias.

Mas por enquanto, irei atender ao nosso leitor do outro lado do mundo, diretamente da Nova Zelandia, que pediu Chopin, espeficificamente as Mazurkas. Aqui estão elas, então. Um aviso: antes que comecem as intermináveis discussões dos que irão defender Arrau, Horowitz, Ashkenazy, Pires, Polllini, sempre estarei postando Chopin com meu intérprete favorito, Arthur Rubinstein. E sei que terei a Laís Vogel para me defender, pois ela também é fã do bom velhinho. Talvez seja culpa de minha mãe, que já colocava os discos de Chopin sempre interpretados por ele, ou então, do bom programa “Concertos para a Juventude”, que a Globo transmitia nos idos dos anos 70, aos domingos de manhã. Quem é de minha geração (recém completei 43 anos ), ou mais velhos, há de se lembrar deste programa. Rubinsten, Karajan, Böhm, Amadeus Quartet eram freqüentadores assíduos do programa. Não me lembro se tinha um apresentador, (acho que o Karabitchevisky apresentou durante um período), enfim, foi o programa que apresentou a tal da música clássica à minha geração. Enfim, falei deste programa porque foi ali que ouvi as Polonaises e as Baladas de Chopin, e ali me fascinei por aquele velhinho empertigado sobre um Steinway, e tocando divinamente. Sempre me chamou a atenção sua postura, coluna ereta, olhos fechados, total concentração, e no final um sorriso discreto, de saber que tinha cumprido seu dever.

A Mazurka é originária do folclore polonês, e Chopin compôs 57. É um monte, mesmo. Mas são peças relativamente curtas, 3 minutos em média de duração. Estou postando os dois cds de uma só vez, pois infelizmente não estou podendo me dedicar muito ao blog atualmente, assim, deixo minha contribuição para alguns dias.

Frédéric Chopin (1810-1849) – Mazurkas

CD 1

01. mazurka op. 6 no. 1 in f- minor
02. mazurka op. 6 no. 2 in c- minor
03. mazurka op. 6 no. 3 in e major
04. mazurka op. 6 no. 4 in eb minor
05. mazurka op. 7 no. 1 in bb major
06. mazurka op. 7 no. 2 in a minor
07. mazurka op. 7 no. 3 in f minor
08. mazurka op. 7 no. 4 in ab major
09. mazurka op. 7 no. 5 in c major
10. mazurka op. 17 no. 1 in bb major
11. mazurka op. 17 no. 2 in e minor
12. mazurka op. 17 no. 3 in ab major
13. mazurka op. 17 no. 4 in a minor
14. mazurka op. 24 no. 1 in g minor
15. mazurka op. 24 no. 2 in c major
16. mazurka op. 24 no. 3 in ab major
17. mazurka op. 24 no. 4 in bb minor
18. mazurka op. 30 no. 1 in c minor
19. mazurka op. 30 no. 2 in b minor
20. mazurka op. 30 no. 3 in db major
21. mazurka op. 30 no. 4 in c- minor
22. mazurka op. 33 no. 1 in g- minor
23. mazurka op. 33 no. 2 in d major
24. mazurka op. 33 no. 3 in c major
25. mazurka op. 33 no. 4 in b minor
26. mazurka op. 41 no. 1 in c- minor

cd 2

01. mazurka op. 41 no. 2 in e minor
02. mazurka op. 41 no. 3 in b
03. mazurka op. 41 no. 4 in ab
04. mazurka op. 50 no. 1 in g
05. mazurka op. 50 no. 2 in ab
06. mazurka op. 50 no. 3 in c- minor
07. mazurka op. 56 no. 1 in b
08. mazurka op. 56 no. 2 in c
09. mazurka op. 56 no. 3 in c minor
10. mazurka op. 59 no. 1 in a minor
11. mazurka op. 59 no. 2 in ab
12. mazurka op. 59 no. 3 in f- minor
13. mazurka op. 63 no. 1 in b
14. mazurka op. 63 no. 2 in f minor
15. mazurka op. 63 no. 3 in c- minor
16. in a minor
17. in a minor (‘notre temps’)
18. mazurka op. 67, no. 1 in g
19. mazurka op. 67, no. 2 in g minor
20. mazurka op. 67, no. 3 in c
21. mazurka op. 67, no. 4 in a minor
22. mazurka op. 68, no. 1 in c
23. mazurka op. 68, no. 2 in a minor
24. mazurka op. 68, no. 3 in f
25. mazurka op. 68, no. 4 in f minor

Arthur Rubinstein – Piano

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J. S. Bach (1685-1750) – Cantatas BWV 131,73, 105, 39, 93, 107

Há alguns dias, postei as Missas Breves de papai. É um álbum de Philippe Herreweghe com 4 CDs e as Missas Breves estavam nos dois últimos. Posto agora os dois primeiros, em que temos as Cantatas numeradas acima. A qualidade do registro de Herreweghe faz-me sonhar em ouvir sua Missa em Si Menor. O homem é muuuuuito bom!

Excelentes cantatas, compreensiva regência, grandes cantores, orquestra perfeita.

Johann Sebastian Bach – Cantatas BWV 131,73, 105, 39, 93, 107

CD 1

1. BWV 131 – Aus Der Tiefen Rufe Ich, Herr, Zu Dir –
2. BWV 131 – So Du Willst, Herr, Sunde Zurechnen –
3. BWV 131 – Ich Harre Des Herrn –
4. BWV 131 – Meine Seele Wartet Auf Den Herrn –
5. BWV 131 – Israel, Hoffe Auf Den Herrn –
6. BWV 73 – Herr, Wie Du Willt, So Schick’s Mit Mir –
7. BWV 73 – Ach, Senke Doch Den Geist Der Freuden –
8. BWV 73 – Ach, Unser Wille Bleibt Verkehrt –
9. BWV 73 – Herr, So Du Willst –
10. BWV 73 – Das Ist Der Vaters –
11. BWV 105 – Herr, Gehe Nicht Ins Gericht Mit Deinem Knecht –
12. BWV 105 – Mein Gott, Verwirf Mich Nicht Alt –
13. BWV 105 – Wie Zittern Und Wanken –
14. BWV 105 – Wohl Aber Dem, Der Seinen Burgen –
15. BWV 105 – Kann Ich Nur Jesum Mir Zum Freunde Machen –
16. BWV 105 – Nun, Ich Weiss, Du Wirst Mir Stillen –

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CD 2

1. BWV 39 – Brich Dem Hungrigen Dein Brot –
2. BWV 39 – Der Reiche Gott Wirft Seinem Uberfluss –
3. BWV 39 – Seinem Schopfer Noch Auf Erden –
4. BWV 39 – Wohlzutun Und Mitzuteilen –
5. BWV 39 – Hochster, Was Ich Habe –
6. BWV 39 – Wie Soll Ich Dir, O Herr –
7. BWV 39 – Selig Sind, Die Aus –
8. BWV 93 – Wer Nur Den Lieben Gott Lasst Walten –
9. BWV 93 – Was Helfen Uns Die Schweren Sorgen? –
10. BWV 93 – Man Halte Nur Ein Wenig Stille –
11. BWV 93 – Er Kennt Die Rechen Freudenstunden –
12. BWV 93 – Denk Nicht In Deiner Drangsalshitze –
13. BWV 93 – Ich Will Auf Den Herren Schaun –
14. BWV 93 – Sing, Bet Und Geh Auf Gottes Wegen –
15. BWV 107 – Was Willst Du Dich Betruben –
16. BWV 107 – Denn Gott Verlasset Keinen –
17. BWV 107 – Auf Ihm Magst Du Es Wagen –
18. BWV 107 – Wenn Auch Gleich Aus Der Hollen –
19. BWV 107 – Er Richt’s Zu Seinen Ehren –
20. BWV 107 – Drum Ich Mich Ihm Ergebe –
21. BWV 107 – Herr, Gib, Dass Ich In Dein’ Ehre –

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Agnes Mellon (Soprano),
Barbara Schlick (Soprano),
Gerard Lesne (Contratenor)
Christoph Pregardien (Tenor),
Howard Crook (Tenor)
Peter Kooy (Baixo),

Philippe Herreweghe
Collegium Vocale Ghent (Coral e Orquestra)

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Alberto Ginastera (1916-1983) e Reinhold Glière (1875-1956) – Concertos para Harpa e Orq.

Forte candidato a pior compositor de todos os tempos, Glière talvez não satisfizesse nem aquela sua tia romântica que ouve música só para revirar os olhos. É tudo excessivo, anacrônico, mais parecendo uma antologia de lugares-comuns. A harpa se presta. Já o concerto de Ginastera é aceitável, porém, depois de todo o caminhão de ciclamato soviético despejado por Glière tudo virou uma m..da e não conseguia ver graça em nada. Ô, cedezinho ruim! A tal Coloratura acabou comigo!

Reinhold Glière (1875-1956)
1. Harp Concerto in E flat major, Op. 74: I. Moderato Rachel Masters 10:40
2. Harp Concerto in E flat major, Op. 74: II. Tema con variazioni Rachel Masters 11:06
3. Harp Concerto in E flat major, Op. 74: III. Allegro giocoso Rachel Masters 5:19

4. Coloratura Soprano Concerto, Op. 82: I. Andante Eileen Hulse 8:58
5. Coloratura Soprano Concerto, Op. 82: II. Allegro Eileen Hulse 5:06

Alberto Ginastera (1916-1983)
6. Harp Concerto, Op. 25: I. Allegro giusto Rachel Masters 8:56
7. Harp Concerto, Op. 25: II. Molto moderato Rachel Masters 6:52
8. Harp Concerto, Op. 25: III. Liberamente capriccioso – Vivace Rachel Masters 7:50

Rachel Masters (Harpa)
Eileen Hulse (Soprano-sereia)
London Sinfonia (Orchestra)
The City of London Sinfonia (Orchestra)
Richard Hickox (Conductor)


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Henry Purcell (1659-1695) – Songs and Dialogues

Maravilhoso CD da Hyperion com Emma Kirkby, David Thomas e Anthony Rooley. É um CD para interromper os estudos de FDP Bach para o concurso que ocorrerá daqui um mês. Não sei vocês sabem que FDP ama Kirkby e sua voz de anjo. Anjo? Anjo coisa nenhuma! Aqui ela canta amorosamente com Thomas e faz perguntas como “What can poor females do?”. Ora, Emma.

Como diz o comentarista da Grammophone, é um disco inocentemente sexy na sua forma mais charmosa (e completa, FDP: Kirkby can never sounded more celestial…). Acho lindas essas canções do grande Purcell, mas elas ficam só fazem sentido com as letras. Aí é que fica clara a genialidade do compositor inglês. Então, ou procurem-nas na rede ou adquiram o CD. Vale a pena.

A gravação é de 1982. Ela cantava ainda melhor do que em 2007, quando a vi em Buenos Aires? Acho que sim.

Henry Purcell (1659-1695) – Songs and Dialogues

1 In all our Cynthia’s shining sphere, song, Z. 496
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

2 Tell me why my charming fair (from “Prophetess”), duet for soprano & bass, Z. 627/35
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

3 As Amoret and Thirsis lay, song (from “The Old Bachelor”), Z. 607/11
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

4 For Iris and her swain (from “Amphitryon”), song, Z. 572/11
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

5 Go tell Amynta, song, Z. 489
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

6 Why, my Daphne, why complaining? (A Dialogue between Thirsis and Daphne), song for soprano, bass & continuo, Z. 525
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

7 What can we poor females do? song for soprano, bass & continuo, Z. 518
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

8 Hence, fond deceiver, song for soprano, bass & continuo, Z. 492
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

9 In some kind dream, song, Z. 497
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

10 What a sad fate is mine, song, Z. 428 (2 versions)
with David [bass] Thomas, Anthony Rooley

11 Lost is my quiet forever, song, Z. 502
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

12 Stript of their green our groves appear, song, Z. 444
with Emma Kirkby, Anthony Rooley

13 You say ‘tis love (from “King Arthur”), soprano aria, Z. 628/35a
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

14 King Arthur, or, The British Worthy, semi-opera, Z. 628 For love ev’ry creature is formed by his nature
with Emma Kirkby, David [bass] Thomas, Anthony Rooley

Emma Kirkby (soprano)
David Thomas (bass)
Anthony Rooley (alaúde)

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