Witold Lutoslawski (1913 – 1994): Concerto for Cello / Livre pour orchestre

Quando por muito tempo um nome de importância não surge, é inevitável perguntar se a arte dá sinais de seu fim. Claro que tal pensamento apocalíptico não soa bem na boca de um crítico pançudo, cuja carreira sempre se baseou no fatalismo das coisas. Quantos críticos em diferentes épocas esbravejaram este fim, mesmo diante de nomes como Stravinsky, Picasso ou Joyce? Mas quando, por algum tempo, nenhum nome vem à cabeça, alguém que balance as estruturas e que mostre uma nova direção, o ar se enche mesmo é de pessimismo.

Talvez o nome de Lutoslawski não esteja entre os grandes transformadores, pois o compositor polonês teve sempre sua música muito próxima, inicialmente, a Szymanowski e Bartok, e depois, à música mais avançada dos anos 50 e 60. Enfim, a originalidade não foi seu grande trunfo. Mas será que isso é motivo de pessimismo? Ser original é mesmo importante? Conhecendo bem a obra de Lutoslawski, acredito realmente que ele foi sim um grande mestre, pois ao contrário de alguns criadores revolucionários, sua música não é artificial, ela é absolutamente sincera mesmo em estruturas complexas como o atonalismo ou aleatoriedade.

O concerto para violoncelo dedicada a Rostropovich é daquelas obras nascidas para ficar. É tão dramaticamente estruturada como se fosse um concerto de Brahms. Lembro de Brahms, pois o compositor foi de certa maneira chamado de conservador (não por Schoenberg). Brahms não trouxe uma linguagem revolucionária, mas quem ousaria diminuir o valor de sua música por isso? Penso o mesmo do compositor polonês. Esta obra escrita no fim dos anos 1960 está ao lado de qualquer concerto já escrito para este instrumento. É mesmo uma obra-prima.

Outra fantástica obra neste disco é Livre pour orchestre que também, como o concerto, permite que os músicos usem a imaginação em certos momentos bem limitados, ou seja, aqui vemos uma forte presença de John Cage rondando sua obra. Mas a sonoridade de Lutoslawski é tão inconfundível quanto a de Brahms.

Novelettes para orquestra, escrita no fim dos anos 1970, é vista por alguns como um retrocesso. Lutoslawski tinha certos momentos de crise. Ficava em dúvida no caminho que deveria seguir. Essa obra fica justamente numa dessas fases de transição. Apesar de ser uma obra menor e menos avançada que as duas obras anteriores, ela tem momentos encantadores.

Chain 3 para orquestra foi escrita após esta crise. O resultado é absolutamente fantástico. Para o meu pobre conhecimento de música contemporânea, uma das últimas grandes obras escritas. Talvez os pessimistas possam ver finalmente o fim da jornada da música ocidental. Mas Chain 3 foi escrita em 1986. Bem, não faz tanto tempo assim.

1. Livre pour orchestre
2. Concerto for Cello and Orchestra
3. Novelette: Announcement
4. Novelette: First Event
5. Novelette: Second Event
6. Novelette: Third Event
7. Novelette: Conclusion
8. Chain No. 3

Performed by Katowice Polish Radio Orchestra & Chorus
cello: Andrzej Bauer
Conducted by Antoni Wit


BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE (Part 1)

BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2)

9 comments / Add your comment below

  1. Você não sabe o quanto eu sou grata pela existência deste site. Tenho procurado durante muito tempo álbuns para fazer download, e finalmente encontrei este lugar todo organizado. Gostei bastante! Fiz recentemente download de um dos Jazz de Louis Armstrong simplesmente excelente!
    Continuem trazendo essas preciosidades para os amantes da música! 😀

  2. será q vcs não tem o Requiem do Fauré???

    sabe (sem querer abusar) até q vcs poderiam postar uma série de Requiens…
    o de Mozart (já postado)
    o de Brahms (já postado, mas sem divisão de faixas)
    o de Verdi
    o de Fauré
    até o de Stravinski

    to meio suicida por esses dias… falta um pouco de morte neste Blog…

  3. o Requiem operista de Verdi e o Requiem impressionista do Gabriel Fauré até q estão faltando no blog e o Deutches Requiem de Brahms é lindo, angustiante mas lindo, bem que poderiam re-postar aquela mesma versão (belíssima!!!) do Gardiner, mas com as faixas separadas.

    um abraço.

  4. Gabriel Fauré, não só no Requiem, dá sempre aquela impressão de impressionista… parece às vezes um precursor de Debussy, um Debussy menos ousado, um compositor de trilhas sonoras pra quadros de Monet. seria uma boa postagem o seu Requiem Op.48. é angelical, na minha opinião dá de 1000 a 0 nos requiens de Mozart e Verdi (melodramáticos demais!!!) só perde pra o de Brahms.

    adorei este blog, um amigo me apresentou ele a uma semana e estou a uma semana me sentindo no paraíso.
    um abraço aos organizadores do blog.

  5. Organista, recentemente postaram uma grande gravação do réquiem de Fauré no Orkut, comunidade “música clássica/sinfônica”

    a gravação é de Ansermet

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