Leonard Bernstein Discusses and Conducts XX-Century Music

Leonard Bernstein foi um mestre em quase tudo. Homem de vastíssima cultura musical, músico com repertório extenso e memorável. Mas um dos pontos que merecem destaque foi sua habilidade como divulgador da música clássica. Há uma série famosa feita para televisão nos anos 1960, os concertos para juventude, que são muito prazerosos de ver link. É impressionante contemplar o Carnegie Hall lotado de crianças e Bernstein dando um show como professor, aulas com exemplos brilhantes e cativantes. Nunca caindo na simplificação, ou desmerecendo a inteligência de seus pequenos ouvintes.

Creio que muito de nós aqui no Brasil nunca tiveram a chance de encontrar um personagem parecido com o Bernstein na nossa juventude, alguém que apresentasse o vasto mundo musical, sem doutrinação do que é certo ou errado. Gostamos de música clássica (ou Jazz) simplesmente por nossos próprios méritos, e isso é louvável, principalmente num país que preza a mediocridade. No entanto, ainda pagamos um preço alto por isso. Não gostaria de colocar como exemplo, a obra 4´33´´ de Cage. Achar ridícula uma peça é um julgamento que deve caber ao próprio ouvinte mesmo. Devemos realmente conviver com este tipo de diversidade de opinião. Mas é importante, antes de tudo, conhecer a obra em profundidade, ou mesmo ler a respeito antes de ouvi-la, e só depois podemos condená-la ao nosso limbo musical ou, como costumo fazer, dá uma outra oportunidade no futuro.

Como a música que defendo é mesmo de difícil digestão, achei necessário pedir a ajuda do Leonard Bernstein. Esse disco-aula realizado também nos anos 1960, Bernstein se desdobra para divulgar a famigerada música que se fazia em seu tempo. Apresenta exemplos de obras bem importantes e complexas para uma platéia adulta e inquieta (aplausos e vaias no fim de cada obra). Percebemos que aquele registro foi feito num momento decisivo e tenso para história da música, uma crise fascinante tratada com brilhantismo por Bernstein. Comentários muito interessantes sobre o novo espectro que o mundo musical vislumbrava. Mesmo sendo um registro feito há mais de 40 anos atrás, é atualíssimo para o ouvinte brasileiro.

Obras de Xenakis, Boulez e Cage são analisadas por Bernstein antes de cada perfomance, num inglês fácil de entender.

A obra que abre o disco é de Copland e foi feito para uma audiência mais jovem, apenas um pequeno refresco.

Copland – An Outdoor Overture
1. Introduction by Bernstein
2. Perfomance
3. Post- perfomance

Xenakis – Pithoprakta
4. Introduction by Bernstein
5. Perfomance
6. Post- perfomance

Henry Brant – Antiphony One
7. Introduction by Bernstein
8. Perfomance

Boulez – Improvisation sur Mallarmé I
9. Introduction by Bernstein
10. Perfomance

Cage – Atlas Eclipticalis
11. Introduction by Bernstein
12. Perfomance

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE
BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE

19 comments / Add your comment below

  1. CDF,
    seria bom que você postasse os outros cd’s dessa coleção. Sei que não é finalidade desse blog ser didático, mas algum didatismo as vezes faz bem.
    De qualquer forma obrigado!
    Luciano

  2. Caro CDF
    parabens pela contribuição da musica contemporênea a esse blog. Parabens por postar Cage do qual admirava a longa data. O problema no brasil é que as pessoas acham que as obras de arte devem ir aos espectadores, e não ao contrário, por que as obras de artes partem do principio que haja um conhecimento
    (sensibilidade) prévia para sua usufuição. Num país populista como o nosso a obra 4´33´´ de Cage é ainda considerada aberração. Daqui duzentos essa classe média evolui e vai usufrui-la. O problema que a música estará duzentos anos à frente. No brasil tudo vale a pena deste que a bolsa familia não seja pequena.
    Dr. Cravinhos

  3. Como saber se a defesa de Cage é um ato racional ou não? A modernidade institucionalizou-se, e defendê-la, hoje, é um conservadorismo. Vocês apontaram os críticos como “imaturos” e “incultos”, mas não acredito que seus comentários sejam mais meditados, mas sim inerciais e emotivos, pois continham inclusive (algo que não existiu na crítica) insultos e tentativas de humilhar a outrem (tá certo, na critica houve também, mas mais leves). Pensem na “obra” que ironicamente sugeri nos cometários do post de Cage. Se ela realmente fosse apresentada, diversas interpretações, racionalizações, filosofias, sentimentos, etc, etc, etc, poderiam ser tiradas dela (talvez mais do que de 4’33”), dizendo que é uma crítica ao desenvolvimento, um engrandecimento desse, uma construção polirrítmica que representa as diversas facetas da realidade, uma obra que força o ouvinte a olhar para si mesmo e para sua realidade, ou qualquer outra lorota que se queira dizer. Esse fato não faz por me torna um gênio. 4′ 33” pode ser uma grande obra, pois seus ouvintes (desculpe, acho que o termo não é adequado ao contexto) assim a tornaram com suas interpretações, mas isso não torna Cage um gênio, pois não vejo nele mérito algum por isso.
    E termino dizendo que não sou um ativista anti-modernismo, pois sou fissurado em dodecafonismo, Stockhausen, etc…, apenas acho que alguns artistas aproveitam-se da inércia para conseguir fama sem merecimento. E também não tenho “dificuldades” de enfrentar o silêncio, pois já passo horas assim por semana, sem que nenhum artista venha a inventá-lo. E (agora sim terminando) antes de responderem à esse comentário (se se derem esse trabalho) lembrem-se de que todo insulto, por si só, representa um ato instintivo e não racional.

  4. E em momento algum tive o intuito de insultar C.D.F ou qualquer outro. Ele está fazendo o que se propôs a fazer, e o está fazendo muito bem. Inclusive, ainda estou esperando as demais postagens de Anton Weber, que muito me agradaram, e acredito que a outros “cultos” também (uma vez que, quem não gosta de dodecafonismo também é inculto. Certo?)

  5. Sr. Dr. Cravinhos,
    Acompanho seus comentários, e sempre os acho inteligentes e bem colocados. Portanto, creio que seja de boa valia compreender a frase: “por que as obras de artes partem do principio que haja um conhecimento (sensibilidade) prévia para sua usufuição”
    1- O povo brasileiro acredita que, para que uma obra tenha valor, o artista tenha posto nela alguma intenção (motivo, sentimento, razão etc.), o que demanda habilidade por parte desse. OU;
    2-A arte (abstrata e generalizada) exige do povo algum conhecimento prévio, para que possa ser admirada.
    Concordo que, para que se possa usufruir de uma obra de arte, não seja necessário uma intenção do autor, uma vez que características da apresentação, as interpretações sobre a obra, os significados e sensações inerentes à audição de cada um, etc., conferem a ela valor diferente para cada ouvinte que entrar em contato com uma mesma música (ou ausência dela no caso da obra em discução). Mas isso agrega à uma melodia desafinada, entoada ou assoviada por um garoto no período barroco, o mesmo valor de uma “Paixão de Cristo, segundo Mateus”? Acredito que ambas as obras, de mesma época, não tem o mesmo valor, e não demandam a mesma atenção. Por que 4’33” o faria?

  6. Fechando o raciocínio: 4’33” tem algo de especial, ou são os intelectuais que fazem alarde sobre ela, assim como poderiam fazer sobre uma melodia entoada ou assoviada por um garoto no períiodo barroco, ou sobre qualquer outra coisa que queiram engrandecer ? Afinal, um bom advogado encontra bons argumentos para tudo, não importando qual seja a verdade. Estendendo o raciocínio: Quais obras modernas tem algum valor real? Quais obras, de qualquer período, tem algum valor real? Como definir valor?
    Como é impossível fazê-lo, sempre fica a cargo de cada um definir o que quer ou não ouvir, e eu me acharia um idiota ligando o radio para ouvir 4’33” de Cage, sendo que poderia fazê-lo sem fazê-lo(referindo-se a verbos diferentes é claro). Sei que sim, porque já “ouvi” a obra a vários anos atrás, e percebi (perto de uns 3 min) minha situação ( na mesa, olhando fixamente para o nada e prestando muita atenção ao silêncio do computador), e instantaneamente pensei em tudo o que aqui transcrevi.

  7. Caro mano CDF, que beleza de material.. sempre foi um sonho de consumo. A minha dúvida é a mesma que o Luciano: você tem outros volumes desta série? E Luciano, tentamos ser didáticos, na medida do possível e de nosso conhecimento, é claro.
    Abraços,
    FDP Bach

  8. Oh! meu comentário foi apagado? Decerto foi um problema no servidor, não é mesmo? Sem problemas, aqui estão novamente:

    Como saber se a defesa de Cage é um ato racional ou não? A modernidade institucionalizou-se, e defendê-la, hoje, é um conservadorismo. Vocês apontaram os críticos como “imaturos” e “incultos”, mas não acredito que seus comentários sejam mais meditados, mas sim inerciais e emotivos, pois continham inclusive (algo que não existiu na crítica) insultos e tentativas de humilhar a outrem (tá certo, na critica houve também, mas mais leves). Pensem na “obra” que ironicamente sugeri nos cometários do post de Cage. Se ela realmente fosse apresentada, diversas interpretações, racionalizações, filosofias, sentimentos, etc, etc, etc, poderiam ser tiradas dela (talvez mais do que de 4’33”), dizendo que é uma crítica ao desenvolvimento, um engrandecimento desse, uma construção polirrítmica que representa as diversas facetas da realidade, uma obra que força o ouvinte a olhar para si mesmo e para sua realidade, ou qualquer outra lorota que se queira dizer. Esse fato não faz por me torna um gênio. 4′ 33” pode ser uma grande obra, pois seus ouvintes (desculpe, acho que o termo não é adequado ao contexto) assim a tornaram com suas interpretações, mas isso não torna Cage um gênio, pois não vejo nele mérito algum por isso.
    E termino dizendo que não sou um ativista anti-modernismo, pois sou fissurado em dodecafonismo, Stockhausen, etc…, apenas acho que alguns artistas aproveitam-se da inércia para conseguir fama sem merecimento. E também não tenho “dificuldades” de enfrentar o silêncio, pois já passo horas assim por semana, sem que nenhum artista venha a inventá-lo. E (agora sim terminando) antes de responderem à esse comentário (se se derem esse trabalho) lembrem-se de que todo insulto, por si só, representa um ato instintivo e não racional.

  9. Sr. Dr. Cravinhos,
    Acompanho seus comentários, e sempre os acho inteligentes e bem colocados. Portanto, creio que seja de boa valia compreender a frase: “por que as obras de artes partem do principio que haja um conhecimento (sensibilidade) prévia para sua usufuição”
    1- O povo brasileiro acredita que, para que uma obra tenha valor, o artista tenha posto nela alguma intenção (motivo, sentimento, razão etc.), o que demanda habilidade por parte desse. OU;
    2-A arte (abstrata e generalizada) exige do povo algum conhecimento prévio, para que possa ser admirada.
    Concordo que, para que se possa usufruir de uma obra de arte, não seja necessário uma intenção do autor, uma vez que características da apresentação, as interpretações sobre a obra, os significados e sensações inerentes à audição de cada um, etc., conferem a ela valor diferente para cada ouvinte que entrar em contato com uma mesma música (ou ausência dela no caso da obra em discussão). Mas isso agrega à uma melodia desafinada, entoada ou assoviada por um garoto no período barroco, o mesmo valor de uma “Paixão de Cristo, segundo Mateus”? Acredito que ambas as obras, de mesma época, não tem o mesmo valor, e não demandam a mesma atenção. Por que 4’33” o faria?

  10. Fechando o raciocínio: 4’33” tem algo de especial, ou são os intelectuais que fazem alarde sobre ela, assim como poderiam fazer sobre uma melodia entoada ou assoviada por um garoto no períiodo barroco, ou sobre qualquer outra coisa que queiram engrandecer ? Afinal, um bom advogado encontra bons argumentos para tudo, não importando qual seja a verdade. Estendendo o raciocínio: Quais obras modernas tem algum valor real? Quais obras, de qualquer período, tem algum valor real? Como definir valor?
    Como é impossível fazê-lo, sempre fica a cargo de cada um definir o que quer ou não ouvir, e eu me acharia um idiota ligando o radio para ouvir 4’33” de Cage, sendo que poderia fazê-lo sem fazê-lo(referindo-se a verbos diferentes é claro). Sei que sim, porque já “ouvi” a obra a vários anos atrás, e percebi (perto de uns 3 min) minha situação ( na mesa, olhando fixamente para o nada e prestando muita atenção ao silêncio do computador), e instantaneamente pensei em tudo o que aqui transcrevi.

  11. PQP Bach, gostaria de saber se posso colocar alguns de seus posts no meu blog…eu o criei ontem (11/07) e é focado na música de vanguarda. Muito material postado aqui me seria útil e somaria à finalidade do blog, que é divulgar a música do século passado, negligenciada e, muitas vezes, não compreendida…gosto muito do seu blog, consegui todas as sinfonias de Mahler aqui, conheci Bartok entre outros…Muito obrigado.

    Ah, o link do blog recém-criado é: http://ionizacao.blogspot.com/

  12. Caro Serial Listener
    vc se esquece de algo fundamental em 4’33” de Cage essa obriga o ouvinte a perceber o próprio ritmo.

    Lembre-se de que 4’33” de Cage foi feita dentro de um estúdio fechado e descobriu-se com isso que o silêncio não existe, que a pulsação do coração de Cage (logo pulsação permeia toda e qualquer música). Cage parte da filosia Zen.

    Sugiro que leiam os artigos de Augusto de Campos que pode ser encontrados no arquivo do Suplemento Literário de Minas Gerais sobre Cage.

    Há coisas horriveis de Cage, concordo em gênero numero e degrau. Há coisas muito ruins. E coisas que podem ser escultadas. Cage não é musico para se ouvir a toda hora. Não é Bach. A abstração de Picasso tb.
    Cage infelizmente parte do pressuposto teorio pois é musica de programa. E olha eu não sei tocar (achar) um dó no piano daqui de casa.
    Dr Cravinhos

  13. De fato, Cage percebeu que a absoluta ausência de sons não existe para algum ser que escute, dado que, num suposto silêncio, este ser ouvirá sons produzidos por ele mesmo e pelo ambiente que o cerca. Uma reflexão sofre o tema daria um bom livro.

    De meu ponto de vista, o problema está no fato de Cage creditar a esses sons o título de “música”, e ainda de ele se apoderar desses sons como se fossem obra musical dele. Afinal, a obra 4’33” é, por ela própria, apenas silêncio. Mas é comum dizerem que os sons produzidos por seus espectadores fazem parte da peça – nada mais errado, na minha opinião, pois os sons duma platéia são alheios aos sons de uma peça musical tocada.

    Afinal, caso sons exteriores possam fazer parte da peça, todas as músicas que existem serão diferentes a cada apresentação.

    Exemplificando: Num dia de apresentação do K.453 de Mozart, há 143 tosses, 2 espirros, 5 sons de cachorros latindo, 832 aplausos; noutro, há 113 tosses, 15 espirros, 16 sons de cachorros latindo, 799 aplausos.

    Perguntas:
    P: A peça em si modificou-se?
    R: Não, a partitura é absoluta, está lá escrita, certinha, da forma como deve ser tocada.
    P: Para os ouvintes, a peça modificou-se?
    R: Sim, claro. Num momento eles tiveram certas sensações, noutro tossiram, noutro aborreceram-se com o som dos cães – a experiência auditiva de um ouvinte modifica-se a cada audição, e é única para cada ouvinte.
    P: A peça 4’33” modifica-se, portanto, cada vez que é tocada?
    R: Não, a peça em si não. O meio externo modifica-se; não ela. Aquilo que cada ouvinte sente por ela modifica-se; mas, não ela.
    P: 4’33” é, portanto, relevante, enquanto música?
    R: Não! Pois ela, por si só, é nada, toda a interpretação deve-se ao ouvinte, que não ouve nada novo – afinal, o meio externo é sempre diferente, e, portanto, não é algo novo escutá-lo diferentemente.

    Mesmo que a intenção de Cage fosse esta – promover uma discussão interminável acerca do real significado da palavra “silêncio”; mesmo assim, 4’33” é uma peça ruim. Por que? Porque 4’33” não deve ser ouvida; deve ser interpretada. Logo, não deveria ser música, e sim, escrita. Deveria ser, conforme tanto insisto, um livro.
    Pois a cada apresentação de 4’33”, deixam de ser tocadas inúmeras peças de valor musical muito mais importante. Nesse tempo, por exemplo, poderiam ser tocadas: O primeiro movimento do Concerto Brandemburgo No. 1, de Bach; Ou o segundo movimento da sonata No. 14 “Moonlight” de Beethoven; ou a abertura do Ato. II de Parsifal, de Wagner; ou o estudo No. 12 do Op. 8 de Scriabin; e por aí vai.

    Percebem, o quanto se perde, musicalmente falando, devido a essa 4’33”?




    (Alguém diz assim: Mas… ela é polêmica!! Por isso Cage foi genial!! Vejam, já há 88,42 comentários (um ainda está sendo escrito) no post do Cage!!
    Eu respondo: então o Lacraia, a Britney Spears e o Datena são todos gênios!! :P)

  14. Só tenho um comentário: Bravo, CDF! Espero que alguns comentários “narrow minded” nao o desanimem a continuar postando essas raridades por aqui!
    Forte abraco!

  15. Abençoado seja CDF Bach! Obrigadíssimo por compartilhar isso!

    Faço-lhe uma proposta: Se o senhor postar “The unanswered question”, eu acendo um incenso por dia em sua homenagem enquanto estiver escutando a obra e ainda compartilho meu box com os Lieder da Hugo Wolf society, o que acha?

  16. Thank you so much, I just love Lenny teaching. I’mfollowing your blog w/ great interest. Unfortunately my Portugese is non-existant, so I cannot read your comments. Quite a shame.

    Best

  17. Minha humilde opinião, a quem interessar possa:

    Admito que o efeito de 4’33” só é alcançado em interpretação ao vivo, quando o elemento ritualístico da performance está envolvido. E o seu maior impacto vem na primeira audição … só nessa vez percebemos realmente o estatismo total do tempo (zero absoluto = ausência total de movimento atômico ou molecular = -273 graus = 4×60” + 33” = 4’33”)

    Toda música deveria ser interpretada. E na verdade toda ela o é, pelo menos pelos seres humanos. Mesmo que pareça que não a interpretamos, que ela entre “direto em nossa alma”, hehe, na verdade estamos interpretando, muitas vezes inconscientemente, pois já nos apropriamos do material utilizado. Se é assim, todas as músicas deveriam ter sido livros e não músicas?

    É relevante enquanto música: sim! Música é arte que se baseia em passagem do tempo e na conexão do fluxo temporal da interpretação com o fluxo de tempo interno do receptor/ouvinte. 4’33” faz isso de forma surpreendente.

    Mas confesso que não escutaria 433 de novo, num CD … nem o Concerto de Brandenburgo, nem a Moonlight. Há muita música nova exigindo nossa atenção. Claro que cada um escolhe suas prioridades. O que é um entretenimento travestido de bom gosto e intelectualismo pra um, pode ser o trivial e inútil para outro. Mas acho que ficar re-escutando essas peças citadas em especial não resolve os questionamentos sobre música que o nosso tempo nos impõe, nem nos coloca no caminho de qualquer crescimento nesse sentido, mas talvez 433 sim.

    Peter

Deixe uma resposta