Op. 132

De uma forma ou outra, os elogios são quase diários. E a gente faz questão deles, sim. É nosso salário moral e, na semana passada, recebemos um elogio especial. Veio num e-mail com o título acima: “Op. 132”. Nem mais, nem menos. Era de um visitante de nosso blog cujo nome não vou revelar por ainda não ter pedido permissão a ele. Dirige-se aos que fazem o PQP Bach: eu, FDP Bach, Clara Schumann, Blue Dog, CDF Bach e Ciço Villa-Lobos. Mas ele toca numa coisa da qual faço absoluta questão e do qual sou o maior falsário: os textos que acompanham as postagens. Quando inventei o blog, quis que ele fosse uma coisa minimamente pedagógica. Pensava que as pessoas deveriam ao menos saber — se quisessem — onde inserir a obra postada na história da música, sua importância, etc. Não faço isso, prefiro a diversão de expressar meu prazer ou não na audição da obra. Sei lá. O que sei é meus textos são escritos em dez minutos e olhem lá. Daí, o fato de ter utilizado a palavra falsário. De qualquer maneira, gostaria de dividir esta mensagem com os ouvintes-leitores do blog, pedindo que vocês reduzam à razoabilidade o volume dos elogios às vezes exagerados do autor.

Caro PQP,

Estou saindo de casa agora para tomar meu vôo para Praga, mas antes decidi responder o seu email. Eu fiquei muito contente com a sua mensagem, eu te acho um cara fascinante e ultimamente tenho frequentado mais o PQP para ler as resenhas do que para baixar música. Isto sim é revigorante!

Ah, caro PQP, eu te agradeço por muita coisa! Talvez como criador do blog você diminua a importância que ele tem para seus leitores. Isso seria normal. Mas acredite no que eu e todos os outros te falamos! Não é pelos downloads, não mesmo!

Eu, como já te disse, estudo composição e regência. Pretendo, assim que me estabelecer no Velho Mundo, criar um website com algumas partituras e mp3 de músicas minhas e, se isso realmente sair do papel, eu gostaria muitíssimo que você pudesse ouvir algo. Ando um tanto sem motivação para mostrar minhas músicas por aí, o último concerto com obras minhas foi um fiasco por parte dos executantes nervosos e da platéia desinteressada… mas a vida continua. Acredito que por lá encontrarei instrumentistas mais interessados, pelo menos assim espero.

E muito obrigado também pela doce imagem da pequena garota dançando uma valsinha que sempre me aparece quando ouço o último movimento do Op.132 do grande Ludwig. Sempre penso nisso sorrindo muito.

Um grande abraço! Mantenha contato.
X.

PQP

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J. S. Bach (1685-1750) – Cantatas BWV 10, 130 e 17

Eu nunca sonho com PQP Bach, porém hoje sonhei que tinha postado todas as Cantatas de Bach… Como minha integral é de 69 CDs mais 6 das Cantatas Profanas, vocês podem imaginar o porte da empreitada. Não vou entrar nisso. Bem, vocês sabem que tenho minhas manias e a menor delas certamente não é a de adorar Helmuth Rilling. Ah, as gravações são antigas; ah, Gardiner regravou todas entre 25 de dezembro de 1999 e o final de 2000; ah, há outras integrais mais “corretas”; ah, e a dupla Leonhardt e Harnoncourt?; ah, e Koopman?; ah, foda-se: se eu acordo feliz, meto Rilling no CD Player. O bom é o que nos satisfaz e a integral dele é mesmo excelente. Como acordei hoje muito feliz, fui direto a este volume 17 das Cantatas.

Tenho certeza que os bachianos que nos visitam irão sorrir quando ouvirem a abertura da Cantata BWV 10. É algo feliz que me deixa feliz, mesmo que hoje eu tenha que trabalhar como um cão em coisas bem burocráticas e chatas. Afinal, sonhei com Bach e minhas dores nas costas me abandonaram, ao menos temporariamente.

Estas Cantatas são espetaculares. Se você veio até aqui, aproveite para fazer o download.

Um bom dia para todos nós.

J. S. Bach – Cantatas BWV 10, 130 e 17

1. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 1. Chor (Verses 1 And 2) – Gachinger Kantorei Stuttgart/Helmuth Rilling
2. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 2. Aria – Arleen Auger
3. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 3. Recitative – Aldo Baldin
4. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 4. Aria – Wolfgang Schone
5. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 5. Duet – Verse 8 – With Chorale – Margit Neubauer/Aldo Baldin
6. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 6. Recitative – Aldo Baldin
7. This My Soul Exalts The Lord Now, BWV 10: 7. Chorale (Verses 10 And 11) – Gachinger Kantorei Stuttgart/Helmuth Rilling

8. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 1. Chor – Verse 1 – Figuralchor Der Gedachtniskirche Stuttgart/Helmuth Rilling
9. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 2. Recitative – Gabriele Schnaut
10. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 3. Aria – Wolfgang Schone
11. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 4. Recitative – Kathrin Graf/Adalbert Kraus
12. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 5. Aria – Adalbert Kraus
13. Lord God, We Praise Thee Eve’ry One, BWV 130: 6. Chorale – Figuralchor Der Gedachtniskirche Stuttgart/Helmuth Rilling

14. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, First Part, BWV 17: 1. Chor (Dictum) – Gachinger Kantorei Stuttgart/Helmuth Rilling
15. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, First Part, BWV 17: 2. Recitative – Gabriele Schreckenbach
16. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, First Part, BWV 17: 3. Aria – Arleen Auger
17. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, Second Part, BWV 17: 4. Recitative – Adalbert Kraus
18. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, Second Part, BWV 17: 5. Aria – Adalbert Kraus
19. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, Second Part, BWV 17: 6. Recitative – Walter Heldwein
20. Who Thanks Giveth, He Praiseth Me, Second Part, BWV 17: 7. Chorale – Gachinger Kantorei Stuttgart/Helmuth Rilling

Walter Heldwein
Wolfgang Schone
Hermann Herder
Kurt Etzold
Paul Gerhard Leihenseder
Helmut Veihelmann
Jurgen Wolf
Klaus-Peter Hahn
Harro Bertz
Manfred Graser
Thomas Lon
Peter-Lukas Graf
Hans-Joachim Erhard
Martha Schuster

Gächinger Kantorei Stuttgart
Stuttgart Bach Collegium
Helmuth Rilling

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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.: interlúdio :. Enrico Rava – The Pilgrim And The Stars

O trompetista Enrico Rava nasceu na cidade de Trieste em 1939. Começou no trombone, mas seu primeiro contato com Miles Davis foi como o primeiro sutiã da propaganda — Rava jamais esqueceu. Resolveu estudar mais a fundo aquela coisa e aproveitou para aderir ao instrumento de Miles. Normal, né? Ele faz um hard bop com episódios lentos, algo bossanovistas. No mais, é pauleira.

Neste CD da ECM de 1975, Rava aparece com dois integrantes do “Quarteto Escandinavo” de Keith Jarrett: Palle Danielsson — baixista de fundamental participação neste trabalho — e o baterista Jon Christensen, além de John Abercrombie, que divide os solos com o trompete de Enrico Rava. Este foi um dos discos que, nos anos 70, chamou minha atenção para aquela estranha gravadora de belas capas, a citada ECM. The Pilgrim And The Stars é um baita disco. Todas os temas foram escritos pelo italiano no tempo em que seus cabelos eram pretos.

The Pilgrim And The Stars – 1975

1. The Pilgrim And The Stars 9:43
2. Parks 1:45
3. Bella 9:18
4. Pesce Naufrago 5:12
5. Surprise Hotel 1:52
6. By The Sea 4:46
7. Blancasnow 6:44

Enrico Rava, trumpet
John Abercrombie, guitar
Palle Danielsson, bass
Jon Christensen, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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Reinhard Keiser (1674-1739) – Croesus – Harmonia Mundi – 50 years of music exploration – CDs 18, 19 e 20 de 29

Eu juro que não gosto de postar óperas. Em primeiro lugar, sei pouco a respeito; em segundo lugar, sou casado com uma erudita na matéria e ela acha que, após o DVD, não faz mais sentido apenas ouvir uma ópera, pois o gênero é música, berro, atuação, luz e encenação. Tal opinião me afastou ainda mais do gênero, pois se ouço diariamente umas cinco ou seis horas de música, esta serve como trilha sonora enquanto faço coisas relacionadas a meu ganha-pão. Não me interesso muito por “ver” música e se fosse obrigado a isso, não sei se aceitaria roubar meu tempo de leitura, que já acho escasso. Para piorar, fico tentado a narrar toda a ópera de Keiser, conhecido também como “o primeiro homem do mundo”… Mas, se faço um post em 30 minutos, isto é impossível. Nestes 30 minitos não está incluído o upload, que acontece enquanto trabalho em outra coisa.

Peço ajuda à Wikipedia:

Creso foi o último rei da Lídia, da Dinastia Mermnada, (560–546 a.C.), filho e sucessor de Aliates que morreu em 560 a.C.. Submeteu as principais cidades da Anatólia (salvo a cidade de Mileto).

No entanto perante o inquietante avanço do rei Ciro II da Pérsia, Creso enviou um mensageiro ao oráculo de Delfos que lhe respondeu que se conduzisse um exército para Este e cruza-se o rio Hális, destruiria um grande império. Tentado pelo que disse o Oráculo, Creso Organizou uma aliança com Nabonidus da Babilónia, Amasis II do Egito e a cidade grega de Esparta e partiu para a guerra, no entanto a guerra não correu como esperado, sem esforço for vencido pelas forças de Ciro, batalha do rio Hális, Timbra em 547 a.C. e feito prisioneiro em Sardes.

Desta forma se completou o vaticinado pelo oráculo, mas pela destruição do império lídio. Depois de perdida a guerra, Creso refugiou-se na sua capital, Sardes, onde no ano seguinte, em 546 a.C. seria capturado e deposto por Ciro.

Ciro no entanto foi condescendente, concedendo-lhe honras e a oportunidade de viver na corte persa. Creso fora famoso pela sua riqueza, a qual foi atribuída à exploração das areias auríferas do Pactolo, rio afluente do Hermo onde, segundo a lenda, se banhara o Rei Midas (que transformava em ouro tudo o que tocava).

É isso aí. Croesus narra a defesa da Lídia (561-547 AC) contra o rei da Pérsia, Ciro. De acordo com Heródoto, Cresus considerava-se o homem mais feliz do mundo, mas Sólon o advertiu que alguém só poderia dizer-se feliz após a morte. Bem, Cresus quase acaba numa fogueira, mas, como Ciro foi legal, acabou numa relativa felicidade, como subordinado…

Claro que a música é belíssima, inovadora, extraordinária, colorida e me deixa feliz por sua qualidade e, muitas vezes, agitação e “efeitos especiais” (afinal, há drama e guerra). E René Jacobs é um gênio, nunca perde a viagem. Vale a pena baixar, só que é bom ter ao menos o libretto com traduções, etc., senão os recitativos tornam-se mero blá-blá-blá. Se alguém encontrar por aí o libretto, me avise que eu ponho no post.

Importante: Cantores e orquestra maravilhosos.

KEISER: Croesus (complete opera)

Disc: 18
1-01 Sinf Avanti L’opera Croesus
1-02 Act I, Scene I. Coro_ Croesus H
1-03 Act I, Scene I. Recitativo_ Ihr
1-04 Act I, Scene I. Aria_ Prangt Di
1-05 Act I, Scene II. Aria_ Hoffe No
1-06 Act I, Scene II. Recitativo_ Du
1-07 Act I, Scene II. Arietta_ Empfi
1-08 Act I, Scene III. Aria_ Lieben,
1-09 Act I, Scene III. Recitativo_ P
1-10 Act I, Scene IV. Aria_ Wahre Tr
1-11 Act I, Scene V. Aria_ Er Erweck
1-12 Act I, Scene VI. Recitativo Con
1-13 Act I, Scene VI. Recitativo_ Wa
1-14 Act I, Scene VI. Aria Con Recit
1-15 Act I, Scene VII. Recitativo_ D
1-16 Act I, Scene VIII. Duetto_ Ich
1-17 Act I, Scene IX. Duetto_ Blinde
1-18 Act I, Scene X. Aria_ Traure Ni
1-19 Act I, Scene X. Recitativo_ Ors
1-20 Act I, Scene XI. Recitativo Con
1-21 Act I, Scene XII. Recitativo_ D
1-22 Act I, Scene XIV. Recitativo_ M
1-23 Act I, Scene XIV. Aria_ Liebe,
1-24 Act I, Scene XV. Recitativo Con
1-25 Act I, Scene XV. Chaconne_ Ball
1-26 Act I, Scene XVI. Aria_ Lass Ic
1-27 Act I, Scene XVI. Recitativo_ I
1-28 Act I, Scene XVI. Ballet Von Pe
1-29 Act I, Scene XVII. Recitativo_
1-30 Act I, Scene XVIII. Ritornello
1-31 Act I, Scene XVIII. Recitativo_.mp3

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – CD 1

Disc: 19
2-01 Act II, Scene I. Ritornello
2-02 Act II, Scene I. Duetto_ Kleine
2-03 Act II, Scene II. Recitativo_ O
2-04 Act II, Scene III. Recitativo_
2-05 Act II, Scene III. Ballett Von
2-06 Act II, Scene IV. Duetto_ Freun
2-07 Act II, Scene V. Recitativo_ Ka
2-08 Act II, Scene V. Aria_ Ihr Stum
2-09 Act II, Scene V. Recitativo_ Du
2-10 Act II, Scene V. Aria_ Soll Dan
2-11 Act II, Scene VI. Recitativo_ S
2-12 Act II, Scene VI. Duetto_ Die R
2-13 Act II, Scene VII. Recitativo_
2-14 Act II, Scene VIII. Recitativo_
2-15 Act II, Scene VIII. Aria_ Liebe
2-16 Act II, Scene IX. Recitativo_ H
2-17 Act II, Scene IX. Aria_ Alle Fr
2-18 Act II, Scene X. Recitativo_ Wa
2-19 Act II, Scene XI. Aria_ Ich Lie
2-20 Act II, Scene XI. Recitativo_ P
2-21 Act II, Scene XI. Aria_ Ist Nie
2-22 Act II, Scene XI. Recitativo_ W
2-23 Act II, Scene XI. Aria_ Mir Gef
2-24 Act II, Scene XII. Recitativo_
2-25 Act II, Scene XIII. Recitativo
2-26 Act II, Scene XIV. Aria_ Nieman
2-27 Act II, Scene XIV. Recitativo_
2-28 Act II, Scene XIV. Aria_ Ihr Ta
2-29 Act II, Scene XIV. Entree, Pass

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – CD 2

Disc: 20
3-01 Act III, Scene I. Aria_ Die Fla
3-02 Act III, Scene I. Recitativo_ F
3-03 Act III, Scene II. Recitativo_
3-04 Act III, Scene III. Recitativo_
3-05 Act III, Scene III. Recitativo_
3-06 Act III, Scene IV. Recitativo_
3-07 Act III, Scene IV. Aria_ Waffne
3-08 Act III, Scene V. Aria_ Elmir!
3-09 Act III, Scene V. Recitativo_ P
3-10 Act III, Scene V. Aria_ Mich Ve
3-11 Act III, Scene VI. Recitativo_
3-12 Act III, Scene VI. Recitativo_
3-13 Act III, Scene VII. Ritornello
3-14 Act III, Scene VII. Recitativo_
3-15 Act III, Scene VII. Aria_ Sollt
3-16 Act III, Scene VIII. Arietta_ Z
3-17 Act III, Scene VIII. Recitativo
3-18 Act III, Scene VIII. Aria_ Schm
3-19 Act III, Scene IX. Duetto_ Nein
3-20 Act III, Scene X. Recitativo_ P
3-21 Act III, Scene X. Aria_ Dieses
3-22 Act III, Scene XII. Aria_ Gotte
3-23 Act III, Scene XIII. Recitativo
3-24 Act III, Scene XIII. Recitativo
3-25 Act III, Scene XIII. Aria_ Solo
3-26 Act III, Scene XIII. Recitativo
3-27 Act III, Scene XIII. Gluckliche

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – CD 3

Dorothea Röschmann
Werner Güra
Klaus Häger
Roman Trekel
Salomé Haller
Johannes Mannov
Markus Schäfer
Brigitte Eisenfeld
Kurt Azesberger
Kwangchul Youn
Graham Pushee

RIAS Chamber Choir
Akademie fur Alte Musik Berlin
René Jacobs

PQP

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.: interlúdio :. Backhand – Keith Jarrett

Acho que a gente pode resumir a carreira de Keith Jarrett desta maneira: início fulgurante com Miles Davis, fundação de seu “quarteto americano”, três anos de gravações na Impulse, ida para a ECM, muitos discos com o “quarteto americano”, fundação e mais CDs com o “quarteto escandinavo”, álbuns solo aos montes, música erudita — basicamente Bach — tocando cravo, fundação do trio com Peacock e De Johnette, O Cravo Bem Temperado, CDs do trio aos montes, mais álbuns solo e doença.

É uma ironia especialmente trágica — um pianista que, aos 51 anos, tinha centenas de discos gravados e que estudava música erudita, ou seja, alguém que trabalhava muito –, tivesse caído vítima da Síndrome de Fadiga Crônica, doença que o fez primeiramente fazer um esforço notável para tocar e que depois retirou-o dos palcos e das gravações. Hoje, Jarrett toca e grava pouco, ainda em luta contra a doença. Mas… há um CD para ser lançado com Concertos para Piano e Orquestra de Mozart. Torço muito por Jarrett, claro. Um troço desses devia acontecer com o Bush, sei lá, não com cara meio amalucado mas produtivo no melhor sentido.

Este CD é do Jarrett inicial, pré-ECM. É um CD meio selvagem que conta com o “quarteto americano” + o percussionista Guilhermo Franco devidamemente endiabrados. Destaque para Inflight e Backhand.

Backhand

1. Inflight
2. Kuum
3. Vapallia
4. Backhand
5. Victoria

Keith Jarrett (piano, flute, drums)
Dewey Redman (tenor sax, musette, maracas)
Charlie Haden (accoustic bass)
Paul Motian (drums, percussion)
Guilhermo Franco (percussion)

Atlantic Recording Studios, NYC, October 9-10, 1974
Tony May (sound engineer)
Ed Michel (producer)
Impulse AS-9305

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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Padre Penalva (1924-2002) – Ágape II e Drummondianas

Caminhando aqui em Curitiba, soube através de um amigo que, bem pertinho da Catedral e da filial do Café do Rato Preto, havia um sebo superlegal. Lá, achei essa raridade do Padre [José de Almeida] Penalva, natural de Campinas, mas radicado na capital paranaense. Pensei que, apesar de contemporâneo, fosse escutar algo à la Padre José Maurício, já que ambos foram sacerdotes (são aquelas imagens que formamos para preencher nosso vazio de informações e que ao virem à realidade se mostram equivocadas).

Que surpresa ao ouvir o Ágape II, principalmente pelo turbulento movimento final e pelo recitante, que intercala orações em grego inteligível ao texto cantado em latim. Depois vi que no encarte do CD que o compositor dizia que essa era a peça que melhor o retratava. Lendo-se as palavras do próprio Padre Penalva (no programa do I Festival Penalva, em 2003), percebe-se que ele não tinha a menor cara de conservador, pelo menos na estética musical:

“Passei pela Vanguarda. Vivi e me decidi por ela. Depois, me apaixonei pela Pós-Vanguarda, que significou uma revolução contra o exclusivismo da Vanguarda. Hoje estamos num paraíso: cada um pode compor da maneira que quiser: pode-se escrever um acorde perfeito ao lado de um cluster, empregar melodias folclóricas dentro de um tecido atonal! Durante muito tempo escrevi música não figurativa que nem eu mesmo entendia, uma música hermética. Hoje prefiro uma música que comunique, que atinja. Acho que a música tem que passar emoção. Eu mesmo sou assim: eu preciso da emoção, eu sinto emoção! Sempre usei todos os meios novos não por eles mesmos, mas subjugando-os à idéia, ao texto, à mensagem. As novas técnicas servem para aumentar a palheta, os recursos usados em direção a este objetivo maior que é a idéia”.
(José Penalva, 1993)

Padre Penalva pertenceu a uma linha de clérigos brasileiros ligados à composição erudita e que foram também membros da Academia Brasileira de Música, linha que inclui o pernambucano Padre Jaime Diniz (antecessor de Penalva na Cadeira 27), o Frei Pedro Sinzig, austríaco naturalizado brasileiro, e o Padre João Batista Lehmann, alemão (sucessor de Sinzig na Cadeira 05).

Por sinal, vocês sabiam da existência da ABM? Pois é, ela (fundada por meu pai em 1945) nunca cogitou a admissão de Roberto Marinho em suas fileiras, daí a falta de mídia da qual não sofre sua correlata na área das Letras. Por sinal, apesar de ela não ser de música clássica ou popular, nominalmente, só entram maestros, compositores, intérpretes e musicólogos de extensa trajetória, ou seja, é preciso no mínimo ser musicalmente alfabetizado. Uma vez perdida, entra um crítico (Luiz Paulo Horta, recentemente admitido na ABL, é membro da ABM há anos e passou a ser a primeira pessoa a integrar ambas as instituições).

As seis Drummondianas, a outra obra original de Penalva no CD, são belas canções para coro feminino com piano ou coro misto à capela. Dentre as cantadas por coro misto, Sub usa um recurso de estilo ouvido de Cromorfonética de Jorge Antunes, chiados diversos imitando um fundo acusmático sobre o qual pairam as vozes principais, e Sinal de apito, peça de música-teatro, segue a trilha das peças corais de Gilberto Mendes.

No mais, as outras peças deste CD do competente Madrigal Vocale não são muito inspiradas. Le regard de Dieu é uma adaptação coral de “um tema do terceiro movimento do segundo concerto para piano” de Scriabin com texto de Teilhard de Chardin. O resto são arranjos de canções folclóricas e populares – na Mini-suíte Arlequim, uma releitura de três clássicos da MPB, tem até uma descaracterização total de Menina, de Paulinho Nogueira. Dá pra passar sem essa.

O texto abaixo também foi extraído do programa do I Festival Penalva.

“José de Almeida Penalva nasceu em Campinas, São Paulo, a 15 de maio de 1924 e faleceu em Curitiba, Paraná, a 20 de outubro de 2002. Sacerdote, compositor, professor, musicólogo, escritor, foi, para todos os que tivemos o privilégio de conhecê-lo, um exemplo de vitalidade e vigor na sua busca por abrir novos caminhos para os seus contemporâneos em direção a uma música sem fronteiras ou preconceitos.

“Na sua grandeza tanto na música quanto na sua humanidade, deixou-nos um modelo de seriedade, sinceridade e simplicidade. Foi um dos mais importantes compositores brasileiros da segunda metade do século XX. Sua música apresenta uma singularidade especial, principalmente quanto à exploração das linguagens (antiga e nova, sacra e secular) e à densidade e à intensidade expressivas.

“Construiu um discurso próprio e inserido no seu tempo, em que comenta e compreende a realidade humana no seu lirismo, na sua leveza e, ao mesmo tempo, no seu drama e na sua busca pela verdade. Autor de uma obra extremamente expressiva, compôs desde música de câmara e peças solísticas para piano até obras orquestrais e corais.

“Usa os mais diversos idiomas contemporâneos, como a música tonal orgânica e inorgânica, dodecafônica, atonal, tonal/modal livre e matérica, que combina a elementos da música brasileira e de épocas passadas, como o canto gregoriano, a polifonia renascentista, o romantismo de Brahms, a música de Schönberg e Webern. Sua produção mais recente integra, ainda, elementos da música de Ligeti, Penderecki e, principalmente, o ecletismo de Schnittke.

Dentro de um discurso que o próprio Penalva classifica de pósvanguardista, faz uma releitura das formas e das linguagens do passado modificando-as, metamorfoseando-as e combinando-as com técnicas da vanguarda e da pós-vanguarda de maneira livre, individual e atual. Sua obra demonstra, de um lado, um compositor preocupado com o lado reflexivo e filosófico da criação; de outro, um músico de humor refinado e de profunda humanidade”.

Elisabeth Seraphim Prosser
Comissão Organizadora do I Festival Penalva

Ágape II

01. Metanóia
02. Doxa
03. Páter
04. Eirene

05. Le regard de Dieu
Scriábin – Transcrição para coro de Padre Penalva – Texto de T. de Chardin

Drummondianas

06. Hotel Toffolo
07. A qualquer tempo
08. A mulinha
09. Sub
10. Sinal de apito
11. Quero me casar

Arranjos de Padre Penalva

12. Casinha pequenina (Tradicional)
13. Cantiga por Luciana (Paulo Tapajós e Edmundo Souto)
14. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)

15. Mini-suíte Mania das pessoas

16. Mini-suíte Arlequim

Madrigal Vocale
Regência: Bruno Spadoni

BAIXE AQUI

CVL

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Wojciech Kilar (1932 -) – 70th Birthday Concert (2002)

Para mim, Kilar daria um bom nome de enceradeira ou batedeira, mas em vez de fabricar tais peças Wojciech Kilar PROVOU A ÁGUA DO MAR BÁLTICO. Em torno deste mar, reúne-se a grande parte dos maiores compositores de nosso tempo. Estônia, Lituânia e principalmente a grande Polônia banham-se no mar da música de nosso tempo. Krzysztof Penderecki, Henryk Górecki e o amigo de Kieslowski, Zbigniew Preisner formam a vanguarda mais ouvida de nosso tempo. NA QUALIDADE DE SUA MÚSICA, Wojciech Kilar não fica atrás de nenhum dos conterrâneos citados. Como Penderecki e Górecki, pertenceu à vanguarda polonesa dos anos 60, mas a consagração acabou vindo pelas telas dos cinemas. Conscientes que a grandiosidade de sua música era cinematográfica, Roman Polanski e Francis Ford Coppola, começaram a utilizá-la em seus filmes. Espertos. Hoje, Kilar tem duas carreiras: a de compositor erudito e a de criador de trilhas sonoras. Para o cinema, já realizou mais de 50 trilhas para filmes de todo o mundo. Se a maioria deles são filmes poloneses e russos, saiba que se você viu Drácula de Bram Stoker, The Truman Show ou The Portrait of a Lady, você ouviu Kilar.

ESTE CD ALGO MISTERIOSO É UM ACHADO. Gravado ao vivo, trata-se de um registro polonês do concerto comemorativo aos 70 anos de Kilar. Ele estava na platéia. Creio que a Naxos o lançou no Ocidente desmembrado ou misturado a outras obras, pois a mesma turma interpreta Kilar em diversos CDs da gravadora. Mas não há um CD Naxos com este ESPETACULAR REPERTÓRIO. A prova de que o CD existe está abaixo.

Viram? Eu não produzo capas. O CD é de verdade!

Kilar faz uma música absolutamente emocionante. Fiquei impressionado com seu Concerto para Piano e Orquestra (faixas de 2 a 4) e com a inteligência de Exodus. É música erudita moderna de primeira linha, sem maiores indícios de uma vida cinematográfica. Kilar cria movimentos estáticos cuja qualidade deveria deixar Pärt roxo de vergonha e ainda consegue movimentar-se, coisa que o estoniano (nada a ver com membros dos Rolling Stones…) simplesmente não consegue, pois botaram Super Bonder sob seus sapatos e o homem não consegue nem bater o pézinho… INDICO FORTEMENTE ESTE BAITA CD!

Kilar – 70th Birthday Concert

01 – Koscielec 1909 [1976]

02 – Koncert Fortepianowy – I Preludium – Andante Con Moto [1997]
03 – Koncert Fortepianowy – II Corale – Largo Religiosamente [1997]
04 – Koncert Fortepianowy – III Toccata – Vivacissimo [1997]

05 – Bogurodzica [1975]

06 – Exodus [1981]

Orquestra e Coro Filarmônico de Narodowy
Orquestra Filarmônica de Varsóvia
Waldemar Malicki, piano
Antoni Wit

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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Ainda helicópteros

Por CELSO LOUREIRO CHAVES

A música mais notória do alemão Karlheinz Stockhausen é o Quarteto de Cordas dos Helicópteros. Mais do que Carré para quatro orquestras e quatro coros ou Sternklangque ocupa um parque inteiro com eventos sonoros, essa música ficou célebre pela proposta improvável de colocar um quarteto de cordas dentro de um quarteto de helicópteros, transmitindo sons e imagens para uma sala de concertos em meio a evoluções aéreas. Só agora, anos depois da estréia de 1995 num festival de música nova na Holanda, foi lançado o DVD com o registro visual da peça, mostrando como tudo se passou, como foi possível transformar em realidade o que Stockhausen diz lhe ter sido revelado em sonho. Não é por nada que a palavra mais presente no documentário é precisamente esta: sonho.

O documentário, chamado simplesmente Helicopter String Quartet – nenhum outro título aguçaria tanto a curiosidade do espectador – foi dirigido por Frank Scheffer, cineasta que já se dedicou a vários outros compositores fundamentais na definição do modernismo musical. A Sinfonia de Luciano Berio foi dissecada por ele em todas as dimensões de texto e subtexto e o mesmo aconteceu com a descrição em vídeo de Éclat do francês Pierre Boulez. Com o seu talento para recolher o inusitado nas personalidade muito conflitantes dos compositores, Frank Scheffer é o cronista ideal do Quarteto dos Helicópteros, cuja proposta percorre simultaneamente o megalomaníaco, o ridículo e o sublime.

O filme de Scheffer deixa passar em branco os problemas de logística da estréia da peça, o desafio de unir instrumentistas e pilotos, violinos e rotores, espaço aéreo e espaço de concerto. A performance completa da peça também passa ao largo, a não ser quando o foco se fecha sobre os momentos finais em que os helicópteros pousam e a música se dissolve em dramaticidade e silêncio. O foco do documentário é a estratégia de ensaios e a motivação, o ímpeto mesmo, que deflagrou uma composição tão bizarra. Primeiramente os músicos são vistos numa mesma sala, conferindo suas partituras com o compositor, detalhe a detalhe. Depois, já separados, os músicos são guiados apenas por fones de ouvido, seguindo o passar do tempo, segundo a segundo. Por fim, os helicópteros entram em cena e a técnica dos instrumentistas tem que se adaptar rapidamente a condições precárias de equilíbrio. Antes de embarcar na aventura, um dos músicos do Quarteto Arditti define a situação: “É a primeira vez na história do universo que músicos voam…!”

Quanto a Stockhausen, autêntico babalorixá coordenando os acontecimentos, parece que nada lhe escapa. O Quarteto dos Helicópteros tem todos os ingredientes para ser apenas um golpe de teatro mas tem um requinte estrutural que só é compreensível porque a música foi escrita em cores diferentes a indicar cada instrumento – ao que os instrumentistas também embarcam em seus helicópteros vestidos com as cores de suas respectivas partituras. Um apressamento indevido aqui, um expressividade um pouco tímida ali – tudo é corrigido por Stockhausen, com um ouvido que se mantém atento mesmo diante de idéias musicais potencialmente absurdas. Perguntam a ele se é o seu primeiro quarteto de cordas. “Sim. Primeiro e último”. E, em seguida, confirma uma das marcas da vanguarda em música, o abandono explícito das formas clássicas dos séculos passados. Mesmo como pianista, Stockhausen nunca escreveu um concerto para piano e nunca aceitou encomendas para compor sinfonias ou sonatas. O próprio quarteto de cordas só foi possível porque um sonho franqueou ao compositor as portas da inventividade. Músicos voando. Era isso.

No acúmulo das informações do documentário de Frank Scheffer, o que mais fica na memória é a sensação de literalidade que invade o Quarteto dos Helicópteros. Mesmo em 1995 já seria possível transformar o sonho de Stockhausen em videogame ou em simulação virtual. Mas não: o compositor é produto dos anos 1950 e, ao que indicam as evidências, só lhe interessava a realização literal da idéia. Helicópteros foram sonhados. Ali estão. Músicos voadores foram imaginados. Ali estão. Diálogos improváveis entre música e motores foi sonhado. Ali estão. Não deixa de ser perturbador que uma música aparentemente tão nova e inédita vá se revelando, na concretização de uma alucinação, tributária de princípios estéticos já superados, quase uma re-interpretação da obra de arte total wagneriana. Por isso, a crônica visual do Quarteto dos Helicópteros é reveladora: há a confirmação explícita dos princípios que nortearam a vanguarda musical mas há também a constatação de que, por modernas que queiram ser, muitas vezes as obras mais esdrúxulas tem mais a dizer do passado do que a apontar para o futuro.

PQP

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Banchieri (1558-1634), Telemann (1681-1767), Couperin (1727,1789), Schobert (1740?-1767) – Harmonia Mundi – 50 years of music exploration – CD 17 de 29

Como somos todos pessoas de boa índole, perdoaremos a grande Harmonia Mundi o fato de ter montado um CD com obras tão esplêndidas — verdadeiras redescobertas — e tão díspares. No livrinho que acompanha a caixa de 29 CDs, os CDs numerados de 16 a 20 têm o título geral de “50 anos de Redescobertas”. OK, de acordo; meu desacordo é porque este CD 17 parece um daqueles LP dos anos 70 ou 80 que vinham com gatinhos na capa… Não, Banchieri nada tem a ver com Telemann; Couperin tem pouco a ver com o último e Schobert possui zero de intersecções com todos os anteriores. Não obstante, as obras são todas excelentes e os intérpretes idem.

Disc: 17

BANCHIERI: Barca di Venetia per Padova
1. L’Umor Svegliato –
2. Strepito Di Pescatori –
3. Parone Di Barca E Ninetta –
4. Barcaruolo A Pasaggieri –
5. Libraio Fiorentino –
6. Mastro Di Musica Luchese –
7. Cinque Cantori In Diversi Lengaggi –
8. Venetiano E Thedesco –
9. Madrigale Affetuoso –
10. Madrigale Capriccioso –
11. Mattinata In Dialogo –
12. Dialogo –
13. Mercante Bresciano Et Hebrei –
14. Madrigale Alla Romana –
15. Madrigale Alla Napolitana –
16. Prima Ottava All’Improviso Nel Liuto –
17. Seconda Ottava All’Improviso Nel Liuto –
18. Aria A Imitazione Del Radesca Alla Piamoniese –
19. Barcaruoli Procaccio E Tutti Al Fine –
20. Soldato Svaligiato –
Ensemble Clément Janequin – Dominique Visse

TELEMANN – Overture “La Bizzare”
21. Ouverture –
22. Courante –
23. Gavotte En Rondeau –
24. Branle –
25. Sarabande –
26. Fantaisie –
27. Menuet I – Menuet II –
28. Rossignol –
Akademie für Alte Musik Berlin

L. COUPERIN: Symphony for Harpsichords
29. Allegro Moderato Et Marque –
30. Andante –
31. Presto –
William Christie / David Fuller, cravos

SCHOBERT: Piano Quartet
32. Andante –
33. Menuetto –
34. Allegro –
Luciano Sgrizzi, pianoforte / Chiara Banchini e Véronique Méjean, violins / Philipp Bosbach, cello

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PQP

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Georges Alexandre César Léopold Bizet (1838-1875) – Carmen – Victoria de Los Angeles, Nicolai Gedda, Thomas Beecham

FDP Bach sai de suas férias blogueiras para fazer uma postagem obrigatória, algo que estou prometendo já há mais de ano.
Quando me propus a postar uma série de óperas, a que me veio  imediatamente à cabeça foi Carmen, de Georges Bizet. E explico o porquê dizendo que é a minha ópera favorita. E não creio que precise dar maiores explicações. Victoria de Los Angeles é a minha Carmen favorita, e sei que muitos vão berrar falando de Callas, mas continuo tendo esta como a minha gravação favorita, que ouço desde que me conheço por gente.

Sinopse da ópera pode ser encontrada aqui.  Maiores informações sobre Bizet também serão encontradas na mesma Wikipedia.

Georges Alexandre César Léopold Bizet (1838-1875) – Carmen – Victoria de Los Angeles, Nicolai Gedda, Thomas Beecham

CD 1

1 Ouverture
2. Scène et Choeur: Sur la place
3 Choeur: Avec la garde montante
4. Récit: C’est bien là, n’est-ce pas
5. Choeur: La cloche a sonné…Dans l’ai, nous suivons des yeux la fumée
6. Récit & Habanera: Quand je vous aimerai?…L’amour est un oiseau rebelle
7. Scène: Carmen! sur tes pas, nous nous pressons tous!
8. Récit: Quels regards Quelle effronterie!
9. Duo: Parle-moi de ma mère!
10.Récit: Reste là, maintenant, pendant que je lirai
11.Choeur: Au secours! Au secours!
12.Chanson & Mélodrame: Mon officier, c’était un querelle
13.Séguedille & Duo: Près des ramparts de Séville
14.Final: Voici l’ordre; partez

Disc 2

1. Entr’acte
2. Chanson bohème: Les tringles des sistres tintalent
3  Récit: Messieurs, Pastia me dit
4. Choeur: Vivat! vivat le Toréro!
5. Couplets: Votre toast, je peux vous le rendre … Toréador
6. Récit: La belle, un mot
7. Récit & Quintette: Eh bien! vite, quelles nouvelles? Nous avons en tête un affaire
8. Récit: Mais qui donc attends-tu?
9. Chanson: Halte là!
10.Récit: Enfin c’est toi!
11.Duo: Tout doux, Monsieur, tout doux
12.La fleur que tu m’avais jetée
13.Duo: Non, tu ne m’aimes pas!…Là bas, là-bas, dans la montagne
14.Final: Holà Carmen! Holà! Holà!

Disc 3

1 Entr’acte
2.Sextuor & Choeur: Ecoute, écoute, compagnon, écoute
3. Récit: Reposons-nous une heure ici, mes camarades
4. Trio: Mêlons! Coupons!
5. Récit: Eh bien?
6. Morceau d’Emsemble: Quant ua douanier, c’est notre affaire
7. Récit & Air: C’est des contrabandiers le refuge ordinaire…Je dis, que rien ne m’épouvante    Janine Micheau/Orchestre National de la Radiodiffusion Française/Sir Thomas Beecham    6:20    $0.99    Buy Track
8. Récit: Je ne me trompe pas….c’est lui sur ce rocher

9. Final: Holà, holà! José

10. Entr’acte
11. Choeur: A deux cuartos! A deux cuartos!
12. Marche & Choeur: Les voici! voici la quadrille
13. Duo: C’est toi!…Carmen, il est temps encore
14. Choeur Final: Viva viva! la course est

Victoria de Los Angeles
Nicolai Gedda
Janine Micheau
Bernard Plantey
Chouers Nationals de la Radiodifusion Française
Petit Chanteurs de Versailles
Orchestre de la Radiodifusion Française
Sir Thomas Beecham – Director

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP Bach

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J. S. Bach (1685-1750) – A Arte da Fuga com membros do Collegium Aureum

As gravações da Arte de Fuga caracterizam-se por ser uma melhor que a outra. Vai ver que é a qualidade da obra, né? Esta é uma gravação realizada em 1962 que vem com o som absolutamente impecável — tanto do ponto de vista de engenharia sonora quanto dos membros do Collegium Aureum, um dos grupos precursores da interpretação com instrumentos originais de época. Não poderia deixar de postar aqui este álbum que comprei bem barato na Amazon e que vocês podem também adquirir.

Bach: Die Kunst der Fuge – Collegium Aureum – CD1

1. Contrapunctus I A 4
2. Contrapunctus Ii A 4
3. Contrapunctus Iii A 4
4. Contrapunctus Iv A 4
5. Contrapunctus V A 4
6. Contrapunctus Vi A 4
7. Contrapunctus Vii A 4
8. Contrapunctus Viii A 3
9. Contrapunctus Ix A 4
10. Contrapunctus X A 4

BAIXE AQUI O CD1 – DOWNLOAD CD1 HERE

Bach: Die Kunst der Fuge – Collegium Aureum – CD2

11. Contrapunctus Xi A 4
12. Contrapunctus Xii A 4
13. Contrapunctus Xiii A 3
14. Contrapunctus Xiiia 2
15. Contrapunctus Xiv
16. Contrapunctus Xv
17. Contrapunctus Xvi
18. Contrapunctus Xvii
19. Contrapunctus Xviii

BAIXE AQUI O CD2 – DOWNLOAD CD2 HERE

Ulrich Grehling
Johannes Koch
Gunter Lemmen
Reinhold Johannes Buhl
Fritz Neumeyer
Lilly Berger

PQP

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas Opp. 54, 57 “Appassionata”, 78 e 90 – CD BÔNUS!!!

Devo estar padecendo de uma enfermidade verdadeiramente grave pois NÃO VI que este CD da DG — que postei domingo passado e que vocês baixaram como se suas vidas dele dependesse — era duplo, ou seja, que continha um CD bônus com uma apresentação ao vivo, ocorrida em 4 de junho de 2002, no Musikverein em Viena… Sacanagem, né? Os caras da Deutsche Grammophon fizeram tudo para me enganar. O aviso 2 CD que tinha na capa era tão grande que não podia ser visto por pessoas de feições intelectuais, que gostam das letras pequenas! E o bônus é um CD pretinho, escondido lá atrás, pra gente não ver e não ouvir… Pura sacanagem. E é um bônus mesmo, são apenas duas sonatas, 33 minutos, tocadas daquele jeito frio e calculista que nos deixa perdidamente apaixonados.

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Beethoven – Sonatas Opp. 54, 57 “Appassionata”, 78 e 90

1. Piano Sonata No.24 in F sharp, Op.78 “For Therese” – 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
2. Piano Sonata No.24 in F sharp, Op.78 “For Therese” – 2. Allegro vivace

3. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 1. Allegro assai
4. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 2. Andante con moto
5. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 3. Allegro ma non troppo

Maurizio Pollini, piano

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PQP

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Richard Wagner – Gotterdammerung – Karajan

Eu havia comentado com o  mano pqpbach de que, devido a falta de tempo, e excesso de trabalho, iria dar um tempo no blog. Mas ao mesmo tempo, fiquei com pena daqueles que ficariam esperando pela conclusão do ciclo. Por isso, então, me propus fazer esta postagem no final deste domingo, e estarei entrando em “férias”por uns dias, talvez de dez a quinze dias.

A postagem de uma obra do porte do Anel dos Nibelungos é muito cansativa. Façam as contas, são 14 cds para ser upados para o rapidshare… haja paciência.. além, é claro, de ter de ouvir toda a obra, para verificar se não tem falhas. Claro que elas passam assim mesmo (as falhas, quero dizer), mas o que quero salientar é que dá muito trabalho, e que irei pensar dez vezes antes de encarar tal empreitada novamente.

Mas como se trata de Wagner, fazemos o esforço. Adoro esta obra, mas não tenho o mesmo conhecimento dela que muitos outros possuem, uma vida dedicada à causa, digamos assim. Minha intenção era torná-la acessível àqueles que ainda não a possuiam. Nada de querer discutir questões referentes à melhor interpretação, ou mesmo questões  ideológicas que a obra de Wagner costuma suscitar. Nada disso. E sempre estarei indicando o melhor lugar para análises mais aprofundadas  da obra, ou seja, minha fonte de informações será sempre a turma do RWB, comunidade especializada em Wagner do Orkut, e moderada pelo Velius. Ali os senhores poderão encontrar dezenas de outras gravações destas obras, inclusive em vídeo.

Em minha humilde opinião, esta gravação de Karajan é a melhor das realizadas em estúdio. Mesmo não tendo as estrelas  wagnerianas que Solti tinha na época em que gravou sua integral, Karajan compensa com uma regência de altíssimo nível, e claro, tendo à disposição um timaço de primeiríssima linha de cantores, alguns com um belíssimo currículo em Bayreuth.

Mas vamos ao que interessa.

Disco 1

01. – Einleitung zum Vorspiel
02. “Welch Licht leuchtet dort”
03. Orchesterzwischenspiel (Tagesanbruch)
04. “Zu neuen Taten, teurer Helde”
05. Mehr gabst du, Wunderfrau, als ich zu wahren weiß
06. Orchesterzwischenspiel (Siegfrieds Rheinfahrt)
07. Szene 1 “Nun hör, Hagen, sage mir, Held”
08. Was weckst du Zweifel und Zwist!
09. “Vom Rhein her tönt das Horn”
10. Szene 2 “Heil Siegfried, teurer Held”
11. Begrüße froh, o Held, die Halle
12. “Willkommen, Gast, in Gibichs Haus”

CD 2

01. Hast du, Gunther, ein Weib (Siegfried, Gunther)
02. Blut-Brüderschaft schwöre ein Eid!
03. “Hier sitz’ ich zur Wacht”
04. Orchesterzwischenspiel
05. Szene 3 “Altgewohntes Geräusch raunt meinem Ohr in die Ferne”
06. “Seit er von dir geschieden, zur Schlacht nicht mehr”
07. “Da sann ich nach Von seiner Seite durch stumme”
08. Blitzend Gewölk, vom Wind getragen, stürme dahin
09. Jetzt bist du mein, Brünnhilde, Gunthers Braut

CD 3

01. Orchestervorspiel
02. Szene 1 “Schläfst du, Hagen, mein Sohn”
03. Orchesterzwischenspiel – Szene 2 “Hoiho Hagen! Müder Mann!”
04. “Hoiho! Hoihohoho! Ihr Gibichsmannen”
05. Szene 4 “Heil dir, Gunther!”
06. “Brünnhild’, die hehrste Frau”
07. Was ist ihr Ist sie entrückt
08. Achtest du so der eigenen Ehre
09. “Helle Wehr! Heilige Waffe!”
10. Szene 5 “Welches Unholds List liegt hier verhohlen”
11. “Dir hilft kein Hirn, dir hilft keine Hand”
12. Muss sein Tod sie betrüben, verhehlt sei ihr die Tat
13. Orchestervorspiel
14. Szene 1 “Frau Sonne sendet lichte Strahlen”
15. Ich höre sein Horn

CD 4

01. Was leid’ ich doch das karge Lob
02. Szene 2 “Hoiho!”
03. “Mime hieß ein mürrischer Zwerg”
04. Was hör’ ich! (Gunther, Hagen, Mannen)
05. Brünnhilde, heilige Braut (Siegfrieds Tod)
06. Trauermarsch
07. Szene 3 “War das sein Horn”
08. “Schweigt eures Jammers jauchzenden Schwall”
09. “Starke Scheite schichtet mir dort”
10. “Mein Erbe nun nehm’ ich zu eigen”
11. Fliegt heim, ihr Raben! (Immolation Scene)
12. “Zurück vom Ring!”

Helge Briliot
Thomas Stewart
Zoltan Kelemen
Karl Ridderbusch
Helga Dernesch
Gundula Janowitz
Christa Ludwig

Chor der Deutsche Opera Berlin
Berliner Philarmoniker
Herbert von Karajan

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

ARQUIVOS CORRIGIDOS (CORRECTED FILES) – BAIXE AQUI

FDP Bach

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas Opp. 54, 57 “Appassionata”, 78 e 90

Eu não vou nem começar. Recebi o CD da Amazon na sexta-feira. Ouvi à noite. Pensei uma série de coisas. Depois, li a avaliação dos compradores na Amazon: 11 avaliações, todas elas dando 5 estrelas, ou seja, a nota máxima. Li algumas críticas avulsas. Todas altamente laudatórias. Pensei na pujança de nossa Fundação para Divulgação, Louvor, Discussão e Defesa da Obra e da Visão de Maurizio Pollini sobre a Obra de Compositores Clássicos e Românticos, Tão Hostilizada por Admiradores de Pianistas Mortos e… Dormi como um justo, na certeza de que faria a Alegria de minha co-gestora, co-fundadora e co-lega Lais Vogel, que já deve ter clicado pressurosamente no BAIXE AQUI antes mesmo de ler esta bobagem altamente sincera. O homem é o campeão!

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Beethoven – Sonatas Opp. 54, 57 “Appassionata”, 78 e 90

1. Piano Sonata No.22 in F, Op.54 – 1. In Tempo d’un Menuetto 5:06
2. Piano Sonata No.22 in F, Op.54 – 2. Allegretto 5:31

3. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 1. Allegro assai 9:21
4. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 2. Andante con moto 5:59
5. Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata” – 3. Allegro ma non troppo 8:01

6. Piano Sonata No.24 in F sharp, Op.78 “For Therese” – 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo 7:03
7. Piano Sonata No.24 in F sharp, Op.78 “For Therese” – 2. Allegro vivace 2:52

8. Piano Sonata No.27 in E minor, Op.90 – 1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck 5:23
9. Piano Sonata No.27 in E minor, Op.90 – 2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen 7:21

Maurizio Pollini, piano

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PQP

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Anton Webern (1883 – 1945) – Complete Works – Disco 3

Conversava com alguns amigos sobre grandes mestres das canções. E inevitavelmente os nomes foram surgindo: Tom, Chico, Djavan…, Schubert, Schumann, Brahms; mas quando falei sobre canções de Webern, o silêncio foi total. Boa parte das obras de Webern foi dedicada a este gênero musical tão comum nos dois mundos da música (popular e clássica). O alemão passou mais de dez anos só escrevendo canções, isso no seu mais importante período de amadurecimento musical, adotando com grande vigor as idéias dodecafônicas de seu mestre, Schoenberg. Talvez por isso, suas canções estão entre as mais difíceis obras do mestre, e mesmo entre aqueles de estômago forte, poucos se arriscam nessa música tão anti-melódica e árida.

A sensação que tenho é a do trovador dedilhando seu alaúde, cantando aquelas lindas canções de Dowland no pé da janela de sua amada. E de repente, da janela, sai uma mulher similar àquelas de um filme expressionista alemão, cantando canções místicas de sentimento denso e frio. Tão broxante que o trovador assustado se esquece para que veio. Mas não vai embora, uma força mantêm o rapaz no mesmo lugar. Para quem duvida, ouça o disco de Dowland postado pela Clara Schumann e, na seqüência, este terceiro disco de Webern da caixa Complete Works.

Mas não só de canções vive um grande mestre, há importantes obras instrumentais nesse disco, como as Five pieces for Orchestra op.10, aqui Webern utiliza praticamente todos os truques orquestrais existentes na época (trabalha com volume, dinâmica, intervalos, mudanças de ritmos) uma verdadeira aula de composição, e tudo isso em apenas 5 minutos. Um poeta sem rodeios que vai direto ao ponto (como a musa da janela). Outra importante obra é seu Quartet for violin, clarinet, tenor saxophone, and piano, Op. 22 (1928 -1930), música que mistura efeitos timbrísticos praticamente de uma nota a outra. A concentração do músico deve ser absurda. O mesmo acontece com o Concerto for 9 instruments, Op. 24 (1931-1934), obra-prima dedicada ao seu querido mestre, Schoenberg.

Destaco também o belíssimo e desconhecido Piano Quintet (1907), obra que abre este disco. Peça com um único movimento (Moderato), muito influenciada por Brahms, escrita pouco antes da Passacaglia op.1. É para aquele que pensa que está em terreno seguro só por saber que vai ouvir música tonal. Triste engano. A obra é forte e carrega um caráter sombrio angustiante (final arrebatador). Com certeza, mereceria ser o opus 1.

CDF

Disco 3:

1. Piano Quintet op.post. – Moderato
2. “Entflieht auf leichten Kähnen” op.2
3 – 4. 2 Songs op.8 for voice and eight instruments
5 – 9. 5 Pieces for Orchestra, Op.10
10 – 13. 4 Songs op.13 for voice and orchestra
14 – 19. 6 Songs op.14 for voice, clarinet, bass clarient,violin a.cello
20 – 24. 5 Sacred Songs op.15 for voice, flute, clarinet, bass clarinet, trumpet, harp, violin and viola
25 – 29. 5 Canons op.16 for high soprano, clarinet and bass clarinet
30 – 32. 3 Traditional Rhymes op.17 for voice, violin, viola, clarinet and bass clarinet
33 – 35. 3 Songs op.18 for voice, E clarinet and guitar
36 – 37. 2 Songs op.19 for mixed choir accompanied by celesta, guitar, violin, clarinet and bass clarinet
38 – 39. Quartet op.22 for violin, clarinet, tenor saxophone and piano
40 – 42. Concerto op.24 for flute, oboe, clarinet, horn, trumpet, trom- bone, violin, viola and piano

Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Pierre Boulez

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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.: interlúdio :.

11 de setembro é um dia de tristeza, perda.

Ora, faz um ano que Joe Zawinul nos deixou.

Já citei diversas vezes aqui no blog o apreço que tenho pelo pianista austríaco, sempre com seu respeitável bigodão. Não apenas eu; Zowy ganhou mais de 30 (sim, trinta) vezes o prêmio de ‘best keyboardist’ dos críticos da DownBeat. Um dos mais queridos músicos do jazz e muitas vezes homenageado com músicas por seus pares, militou em diversas frentes de vanguarda do jazz – incluindo vários sabores de bop, fusion (o seu Weather Report será sempre a referência) e também third stream, que é o disco desta postagem.

Também já falamos sobre third stream aqui, na postagem do Modern Jazz Quartet. E como é complexo definir esse desejado ponto de encontro entre música clássica e jazz, que o criador do termo diga o que não é:

It is not jazz with strings.
It is not jazz played on ‘classical’ instruments.
It is not classical music played by jazz players.
It is not inserting a bit of Ravel or Schoenberg between be-bop changes–nor the reverse.
It is not jazz in fugal form.
It is not a fugue played by jazz players.
It is not designed to do away with jazz or classical music.

Este Rise and Fall of the Third Stream foi gravado em 1965, durante a passagem de Zawinul pelo quinteto de Cannonball, e antes de seu encontro definitivo com o fusion – nas gravações com Miles a partir de 69. Lançado pela pequena Vortex, é sua segunda gravação como líder. Sua saída para contar a história do third stream foi aliar-se a William Fischer, maestro, arranjador e compositor. Fischer trouxe, além das composições, uma pequena seção de cordas para somar à jazz band, e o resultado é sublime. Música clássica? Eu não saberia dizer onde. Ouve-se jazz modal; sem a presença de temas, é verdade. Há poucos improvisos, e a maior parte das canções foi escrita; mas eles existem. Em muitos momentos até lembra o free jazz, em outras o cool, e também se ouve o elec piano que se tornou marca registrada da sonoridade de Zawinul (especialmente em “The Soul of a Village” – que, atentem, tem as duas partes unidas no mp3 trazido aqui). E o swing afro/black que o tornou famoso.

Rótulos à parte, temos aqui um gênio em formação, experimentando formatos e a si mesmo. Jamais deixaria de ser inquieto, até que um raro câncer de pele o impedisse de tocar. Apreciem. Zowy fazia música longa vida.

Joe Zawinul – The Rise and Fall of the Third Stream (256)
Joe Zawinul: piano, electric piano
William Fischer: tenor sax, arrangements
Jimmy Owens: trumpet
Alfred Brown, Selwart Clarke, Theodore Israel: violins
Kermit Moore: cello
Richard Davis: bass
Roy McCurdy, Freddie Waits: drums
Warren Smith: percussion

download aqui – 67MB
01 Baptismal (Fischer) 7’37
02 The Soul of a Village Part I (Fischer) 2’13
03 The Soul of a Village Part II (Fischer) 4’12
04 The Fifth Canto (Fischer) 6’55
05 From Vienna, With Love (Gulda) 4’27
06 Lord, Lord, Lord” (Fischer) 3’55
07 A Concerto, Retitled (Fischer) 5’30

Boa audição!

Blue Dog

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Vários Compositores – Lord Herbert of Cherbury´s Lute Book – Harmonia Mundi – 50 years of music exploration – CD 16 de 29

(Só PQP Bach dá a você um porre não programado de alaúde. É o terceiro post consecutivo em que tal instrumento é protagonista. Como vemos, o alaúde está na crista da onda… Há coisas que só aqui mesmo! Um dia, ainda vamos programar um ciclo de viela de roda!)

Quem mora no sul do Brasil sabe que Odete é um nome típico de nossas respeitadas trabalhadoras de prostíbulos. Então, creio que nosso alaudista Paul O`Dette teria sérios problemas se tivesse nascido em nosso ambiente cheio de preconceitos para com estas trabalhadoras — as quais preferem transferir-se para Portugal e arredores. Uma lástima.

Lord Herbert of Cherbury (1582-1648) era tudo o que Alexandre Soares Silva gostaria de ser. Era um verdadeiro homem da Renascença. Gentleman, diplomata (bem, então não serve para ser um sonho de ASS, pois trabalhava un peau), poeta, historiador, teólogo, soldado (opa!), compositor e alaudista, é mais lembrado por sua controversa autobiografia. Ele foi amigo dos grandes alaudistas e compositores franceses de sua época. Para os momentos de lazer, tinha um caderninho onde anotava suas pecinhas. Ah, também foi professor da Rainha Henriette-Marie na corte da Inglaterra. Neste ponto, cessam minhas informações históricas e peço ajuda à Clara Schumann para descobrir que Rainha é esta. Eu apenas suponho que Lord Herbert tinha um caso amoroso com ela. Ah, mais: ele tratou de importar o alaudista Jacques Gaultier para seu país. Após intensas negociações, Luís XIII vendeu o passe do atleta.

Escrevo todo este besteirol enquanto ouço o CD, que é muito bom. Finalizando aproveito para fazer uma saudação a O`Dette. Belo sobrenome, meu amigo!

LORD HERBERT OF CHERBURY’S LUTE BOOK – Paul O’Dette, lute

CD 16
Lord Herbert of Cherbury’s Lute Book – Various Composers – 76’32

Anônimo
1. ‘En Me Revenant’ – Paul O’Dette
Jacques Gaultier
2. Courante – Paul O’Dette
3. Courante ‘Son Adieu’ – Paul O’Dette
4. Courante Sur ‘J’Avois Brise Mes Fers’ – Paul O’Dette
Anônimo
5. Chacogne – Paul O’Dette
Luc Despond
6. ‘Filou’ – Paul O’Dette
Daniel Bacheler
7. Prelude – Paul O’Dette
8. Fantasie – Paul O’Dette
9. Galliard Upon a Galliard By John Dowland – Paul O’Dette
Robert Johnson
10. Pavin – Paul O’Dette
11. Almaine – Paul O’Dette
Lorenzini di Roma
12. Fantasia – Paul O’Dette
Diomedes Cato
13. Fantasia Sopra ‘La Canzon Degli Uceli’ – Paul O’Dette
Cuthbert Hely
14. Fantasia – Paul O’Dette
15. Fantasia – Paul O’Dette
Robert Johnson
16. Fantasie – Paul O’Dette
Jacob Polonais
17. Ballet – Paul O’Dette
Julien Perrichon
18. Courante – Paul O’Dette
Jacob Polonais
19. Courante Sur Le Courante De Perrichon – Paul O’Dette
20. Sarabande – Paul O’Dette
Cuthbert Hely
21. Fantasia – Paul O’Dette
22. Sarabrand – Paul O’Dette
Daniel Bacheler
23. Pavin – Paul O’Dette
24. Courante – Paul O’Dette
25. Courante – Paul O’Dette
26. Courante – Paul O’Dette
27. ‘La Jeune Fillette’ – Paul O’Dette
28. Pavan – Paul O’Dette

Paul O’Dette, Alaúde

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J. S. Bach (1685-1750) – Obras para alaúde

As peças de papai para alaúde eram tanto composições específicas para o instrumento como transcrições para violino ou violoncelo solo. As que foram concebidas para o alaúde foram a Suíte BWV 997 e o Prelúdio BWV 999, enquanto a Suíte BWV 995 foi transcrita da Suíte para cello BWV 1011 e a Fuga BWV 1000 foi tomada da Sonata para violino BWV 1001. Os executantes reclamam das dificuldades. Muitas destas peças seriam desconfortáveis para tocar, parecendo terem sido compostas para o cravo. Sei lá. A coisa se complica mais aqui, pois Andreas Martin escolheu tocá-las na tiorba ou alaúde baixo, o qual é mais utilizado no baixo contínuo de formações barrocas.

As performances de Andreas Martin são limpas e notavelmente expressivas, com o tom mais pesado e grave da tiorba. Outro dia, posto a obra completa para alaúde, mas, por ora, fiquem com este extraordinário CD.

Atenção para a belíssima fuga — faixa 8 — da Suíte BWV 997!

Bach – Obras para alaúde

1. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Prelude
2. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Allemande
3. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Courante
4. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Sarabande
5. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Gavotte
6. Suite for lute in G minor, BWV 995
– Gigue
7. Suite for lute in C minor, BWV 997 (BC L170)
– Prelude
8. Suite for lute in C minor, BWV 997 (BC L170)
– Fuga
9. Suite for lute in C minor, BWV 997 (BC L170)
– Sarabande
10. Suite for lute in C minor, BWV 997 (BC L170)
– Gigue
11. Prelude for lute in C minor, BWV 999 (BC L171)
12. Fugue for lute in G minor, BWV 1000

Andreas Martin, tiorba

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PQP

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Maurice Ravel (1875-1937) – Concerto para piano em G Maior, Gaspard de la Nuit, Sonatine

Não sou (ou melhor, não somos) de atender tão prontamente a um pedido feito a nosso SAC, mas como se trata de um cd já postado, estou quebrando este galho. E é um cd que gosto muito, com a gigante Martha Argerich tocando Ravel. Primorosa gravação, ainda dos anos 60, 1967, para ser mais exato, com uma jovem Martha ao lado de um jovem Abbado. Sangue novo … a gravação das obras para piano solo são de 1975.

Quando postei pela primeira vez este cd, ainda não tínhamos de colocar o selo da amazon, e nem tínhamos ligação alguma com o pessoal do O Pensador Selvagem. Eu, FDP, PQP e Clara nem imaginávamos que a coisa iria ficar tão grande… e hoje já somos seis colaboradores…

Bem, eis Ravel.. um grande concerto, uma pianista em começo de carreira mas já mostrando todo seu potencial, e um maestro também se consolidando entre os grandes: todos os ingredientes estão aí, para nos proporcionar uma grande audição.

01 Klavierkonzert G-dur – 1. Allegramente

02 Klavierkonzert G-dur – 2. Adagio assai

03 Klavierkonzert G-dur – 3. Presto

04 Gaspard de la Nuit – 1. Ondine. Lent

05 Gaspard de la Nuit – 2. Le Gibet. Très lent

06 Gaspard de la Nuit – 3. Scarbo. Modéré

07 Sonatine – 1. Modéré

08 Sonatine – 2. Mouvement de Menuet

09 Sonatine – 3. Animé

Martha Argerich – Piano

Berliner Philarmoniker

Claudio Abbado – Conduktor

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FDP

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Porque eles são o máximo

Sim, eles, Les Luthiers. Se quiser ouvir algo, clique acima em Mastropiero.

PQP

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