J. S. Bach (1685-1750): Várias obras para teclado com… ahhhh

Sabem de uma coisa? A gente tem exigências sobrehumanas para com os músicos que gravam. Primeiro, porque estamos viciados na edição. Segundo, porque em nossa casa a gente pode ter o melhor. É justo. Porém, se eu ouvisse esta interpretação de Hélène Grimaud ao vivo, sairia muito feliz do concerto, mesmo que ela tenha concepções estranhas acerca de papai. Mas aí a gente põe a bunda na cadeira de nossa casa, liga o som e espera que venha um Pollini ou uma Argerich ou, no caso de Bach ao piano, um Gould ou um Schiff. A gente tem pouco tempo e não quer saber de nada de segunda linha. E aí, ouvindo este CD, cadê a pianista? Eu nada tenho contra mulheres bonitas — MUITO PELO CONTRÁRIO –, aliás, nada tenho contra mulheres em geral, mas o fato da Deutsche Grammophon apostar apenas na beleza é um escândalo inaceitável que tem se repetido. Há um verdadeiro harém na gravadora. Há meninos bonitos também: alguns agradam às mulheres, outros são tão jovens que devem estar mais ao gosto clerical.

Grimaud é ótima pianista, mas não era para ser uma estrela da DG. Este disco é agradável, apesar de Hélène acentuar as vozes sem lei de formação e sem nos dar aquela gloriosa sensação de descoberta que nos dão os enormes pianistas. O cara bisonho que escreve na Dicta & Contradicta sobre música deve gostar, mas para o PQP não serve. Mas eu comia. A pianista, bem entendido, não o crítico.

Não sou amante das transcrições, mas gostei da Chaconne. Ignoro a autoria. A transcrição de Liszt para o BWV 543 é, como sempre, meio descabelada e me diverti com ela por esta razão. Na verdade, dei risadas, mas ouvi muitas vezes, deliciado com a loucura.

Bach: Obras para teclado com… ahhhh

Das Wohltemperierte Klavier: Book 1, BWV 846-869
1. Prelude in C minor BWV 847
2. Fugue in C minor BWV 847

3. Prelude in C sharp minor BWV 849
4. Fugue in C sharp minor BWV 849

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.1 in D minor, BWV 1052
5. I. Allegro
6. II. Adagio
7. III. Allegro

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
8. Prelude in D minor BWV 875
9. Fugue in D minor BWV 875

Partita for Violin Solo No.2 in D minor, BWV 1004 – Atualização posterior: Transcrição de FERRUCCIO BUSONI (1866–1924)
10. Chaconne in D minor

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
11. Prelude in A minor BWV 889
12. Fugue in A minor BWV 889

Prelude and Fugue in A minor, BWV 543
13. Prelude and Fugue (transcribed for piano by Franz Liszt)

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
14. Prelude in E major BWV 878
15. Fugue in E major BWV 878

Partita for Violin Solo No.3 in E, BWV 1006 (arr. for piano by Rachmaninov)
16. I. Preludio

Hélène Grimaud, piano

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PQP

26 comments / Add your comment below

  1. O problema que vejo é que as gravadoras apresentam os virtuoses como “pop stars”, com os ditos cujos fazendo as mais variadas poses nas capas dos CD´s e DVD´s. Tem muito virtuose que parece BICHA e muitas donzelas que parecem putas, de luxo ma non troppo.
    Emanuel Pahud, Fábio Biondi, Hilary Hank, Maxim Vengerov,Lang Lang, Anne S.Mutter,Anna Nebresko, a Heleninha acima, e a “velha guarda” de Yo Yo Ma a Simon Rattle chamam mais a atenção pela produção das capas do que pelas gravações. Vc olha a capa e vê o(a) “donzelo(a)” olhando para vc com cara de “eh aí, vamos fazer um programinha?” com direito a poses pretensamente sensuais.
    Claro que não são todas as capas tipo “garoto(a) de programa”, tem aquelas metidas a “introspectivas”, com o artistas de olhos fechados e cabeça baixa, ou olhando o horizonte… Ou ainda aquelas que os interpretes simplesmente estão olhando pra camera e fazendo caras, bocas, gestos “neutros”, sem querer passar nada a não ser honestidade. Estas são as menos desagradáveis.
    O caso é que se pretende vender uma interpretação pela figura do interprete, baseando-se na fama dele, na “beleza” da capa, com os nomes escritos em letras garrafais. Dá a impressão que o interprete

  2. É O AUTOR da obra. Tanto que o nome do compositor aparece pequeno e quase escondido, como se não tivesse tanta relevância assim (ou nenhuma mesmo). Essa estratégia “pop”, a meu ver, só serve para engrandecer o ego dos envolvidos com a pretensão de vender mais.
    Droga, apertei sem querer o enter e o que era para ser um virou dois.

  3. Imagino que para merecer uma gravação da DG, ela tenha estudado bastante, gasto horas de treinos e ensaios, broncas de mestres e produtores, etc. etc., portanto eu entendo que alguma qualidade foi vista na sua arte. É preciso ser um pouco mais tolerante – afinal de contas os maiores males do mundo estão concentrados na intolerância… De qualquer forma eu gostaria de ouví-la mas não consegui o download (me aparece uma mensagem de que eu já estou fazendo um downloado – o que não é verdade…) Poderia me ajudar???

  4. Oi 21º!
    Nada contra que você enfeite o visual de suas postagens com figuras simpáticas bonitas e sedutoras como Mme. Grimaud.
    Só que, em foto, a figura fica muito estática o que é um desperdício de sensualidade.

    Tá!! Tudo bem! Mme.Grimaud obtém sonoridades extremamente sensuais das obras que interpreta.

    Mas… …então que tal postar um video como o do Dr. Cravinhos aí de cima???

    Bem. Se este for o caso… …que tal postar a bela Grimaud, tocando o Nº2 de Rachmaninof sob a regência do Abbado?

    Talvez, até mesmo apresentá-la enquando ela comenta e exemplifica suas “trouvailles et faiblesses” estudando o Primeiro Movimento da Sonata para Violino e Piano (acho que é a Op.105) de Robert Schumann para, depois, apresentar em público com R. Capucon ao violino.
    Sua voz, quente e flexível, seduz ainda mais por expressar–se com o charme de sua língua natal.
    Aí ela se torna, realmente cativante…

    Tem mais!
    Aí ela está morena e bem magrinha (mas continua sardenta).

    Mas… …oh! 21º!…parece não ser um problema apenas com seu Pai…

    Parece… …sei não… …parece ser mais genérico…

    Então? Quem sabe seria bom filmar Mme Grimaud refrescando-se em uma bela praia enquanto nós, daqui mesmo, ouvimos o seu Pai sendo interpretado pelo Gleen Gould… ….

    …mas…

    …será que combina???

    Não, 21º! Você vai acabar estragando o seu blog com milhares de pianistas bonitas banhando-se em praias deslumbrantes!

    …acho que vou deixar o seu Papai ai cochilando e vou para a praia conhecer, pessoalmente, “La Belle Grimaud”

    É!
    Então?
    Vou ficando por aqui.
    Sem problemas! É realmente divertido. Ainda bem que você já riu antes.
    Um grande abraço.
    Edson
    PS- Não é por intolerância… …é para termos refúgios…

  5. Rachmaninov: Piano Concerto no. 2, Études-Tableaux etc. / Hélène Grimaud
    Teldec | 2001 | 8 tracks | mp3 | 192 kbps

    Sergei Rachmaninov:

    Piano Concerto No. 2 in C minor, Op. 18
    Philharmonia Orchestra
    dir. Vladimir Ashkenazy

    Étude-Tableau in F minor, Op. 33 No. 1
    Étude-Tableau in C major, Op. 33 No. 2
    Étude-Tableau in C sharp minor, Op. 33 No. 9
    Prelude in G sharp minor, Op. 32 No. 12
    Variations on a theme of Corelli, Op. 42

    Hélène Grimaud, piano

    http://rapidshare.com/files/146319922/grmd-rachmaninov.rar
    senha: gv80

  6. Ela é bonita e toca muito bem, ponto final! Quanto as capas apresentarem os interpretes como pop star, acho que cada época imprime sua marca na estética e hoje tudo é redutível a mercantilização. Ou seja, grande parte do público valoriza os aspectos da “embalagem” para, depois, pensar no conteúdo. Desafortunadamente, a música enquanto produto industrializado e reproduzido em massa, não escapa dessa “casca” de beleza que guia o comportamento impulsivo do consumo. Por outro lado, essa é uma das virtudes civilizatórias do capitalismo, que torna capaz a partir da vulgarização da arte, que pé rapados como eu possam baixar CDs da Grimaud e apreciar a beleza da música associada a beleza estética da pianista. É essa vulgarização que permite a todas as formas de arte escapar hoje um pouco da prisão das elites econômicas.

  7. É isto sim Germanico.
    Não sei se a humanidade já estava preparada para fazer face à Televisão, Ditadora e Invasiva e, logo em seguida, à Internet, falsamente submissa mas extremamente dominadora.
    Como resultado temos isto aí.
    A censura saiu das mãos do Governo e foi empunhada pelo Poder Econômico que, por sua vez, é comprado pelos governos que, também, compra a Economia (vide crise econômica escancarada (sem querer) por alguns gananciosos demais)
    O que significa esta ciranda de “compra e venda”?
    Significa que Governo e Poder Econômico são figuras de linguagem.
    São eufemismos que traduzem, em linguagem palatável, os Césares e os Coronéis.
    Césares e Coronéis existem, desde que o mundo é mundo.
    E onde fica o comum dos mortais?
    Para eles? Pão e Circo!!!
    Atualmente, o comum dos mortais é facilmente seduzido pelas belas imagens.
    Deslumbra-se com elas e não mais aceita qualquer coisa que não as tenha por base.
    Vai daí que a Música deixou de ser ‘auditiva”.
    Passou a ser “videotiva”.
    O que não pode faltar?
    As “lindas e buliçosas” imagens, já que ninguém é idiota de ter que ficar “paradão” ouvindo aquele sonzinho chato (ops!!!)
    E tome experimentos! Tudo vale! Tanto helicópteros quanto lindas e magérrimas modelos de qualquer coisa.
    De fato, hoje quase ninguém mais sabe ouvir.
    Apenas vê o que lhe enfiam vista a dentro.
    Por isto, podem desfigurar a Índia, a vontade, pois, ninguém está nem aí pra isto.
    Detalhes como expressividade sonora?
    Que besteira!Mas o que é que é isto?
    De onde é que saiu esse maluco?
    Fora de sua época e incapaz de apreciar uma Linda Modelo que, além do mais, toca piano?
    O que é?
    Ele quer falir as produtoras e desempregar milhares de arrimos de família em todo o mundo?
    É!
    Sempre submissos às diferentes formas de ditadura.
    Que é dureza isto é!
    Infelizmente, é assim e quem quiser que mude de galáxia.
    Abração.
    Edson

  8. Creio que está havendo uma confusão de julgamento aqui. Alguns estão generalizando, tomando o todo pela parte. Então quer dizer que se a capa traz um intérprete bonito com alguma pose que destoa do “universo erudito” então sua interpretação é inferior? Ao menos essa é a impressão que alguns textos acima nos passam.

    Grimaud deu sorte de nascer bonita, e azar de ser numa época em que usam isso pra vendar mais discos. Fim dessa história. Falando da música: Grimaud é uma excelente pianista, isso é inegável, à parte de gostarem ou não de sua visão de Bach. E isso não tem nada a ver com sua beleza, ou falta dela. Vejam, por exemplo, o caso da Mme. Netrebko, que – penso – é ainda mais bonita que Grimaud, mas não chega a ser uma grande cantora, apesar da técnica “certinha” e do timbre bonito. Ao mesmo tempo, há outras beldades do canto que são legítimos talentos, como Kozena e Garanca. Procurem na Amazon as capas dos discos do Ivo Pogorelich… Quando era novo tinha cara de “modelo de revista”, e a D.G. da mesma forma explorou sua figura, com fotos estilosas. E isso já faz um bom tempo. Mas também não quer dizer nada. Pogorelich é, provavelmente, o melhor pianista de sua geração, um grande pianista da atualidade. E aí?

    Cada caso é um caso. Essa tendência a generalizar e carimbar algumas situações é bastante limitadora e até cansativa.

  9. Oi Ticiano.
    Concordo com você quando você chama a atenção sobre a tendência a generalização de um pequeno fato o qual pode tornar-se em “fato essencial”.
    Acho, também, que essa espécie de brincadeira que rolou por aqui (pelos exagerados enfeites visuais que foram dadas às aparições de Mme Grimaud neste blog e no marketing da gravadora) fez com que se exigisse mais “da pianista” do que ela poderia oferecer.
    Como ela é, realmente, muito mais bonita do que excelente pianista a brincadeira quase tornou-se séria.

    Efetivamente, na minha opinião, ela é uma pianista razoável.

    Ser uma pianista razoável, neste inferno de concorrência atual na qual os asiáticos continuam a ocupar espaços e mais espaços, já é bastante bom.

    Porém, como marcou demais o marketing visual da mesma, a “Pianista Razoável” desapareceu e sobrou, apenas, sua beleza.

    Foi isto.
    Apenas isto ou “tudo isto” como se queira enfocar o fato.

    Se ela fosse, porém, realmente uma extraordinária intérprete, isto jamais teria ocorrido porque suas qualidades de extraordinária musicista ter-se-iam somado às de extasiante beleza.

    Isto, porém, não ocorreu. Mas, deve ter ocorrido com os intérpretes que você citou, como, por exemplo, o “modelo de revista” que pode ser considerado, de acordo com sua opinião, “o melhor pianista de sua geração” (exageros a parte, compreensíveis para dar maior vigor à sua tese que é uma tese defensável)

    Por isto, foi bom você haver chamado a atenção sobre este aspecto da questão.
    Isto pode alertar para que os postes busquem sempre valorizar mais os predicados musicais dos postados do que suas qualidades físicas e estéticas (não as estéticas corporais e sim as musicais).
    Você tem razão em chamar a atenção sobre este fato.
    Um grande abraço
    Edson

  10. Edson,

    sem querer discutir com você, algo que nunca deu certo entre nós, apenas insisto em minhas avaliações. E, claro, continuamos a discordar:

    1. Na minha opinião Grimaud é uma excelente pianista. Se é mais bela ou mais pianista, não sei, até porque penso que seja impossível fazer esse tipo de comparação;

    2. Na minha opinião o Pogorelich é SIM o melhor pianista de sua geração (precisamos apenas definir bem o que é geração, claro. Ele é de 1958. Se considerarmos geração como toda a década, daí precisarei reconsiderar e colocar o Andras Schiff ao seu lado em primeiro lugar, já que ele é de 53). Não exagerei para “tornar minha tese defensável”. Essa é uma avaliação sua.

    Só quis reforçar meus pontos, e limpar sua leitura sobre uma afirmação minha. Acho que não precisamos discutir.

  11. Oi Ticiano.
    Apenas um fato continua a despertar minha curiosidade em tudo isto que você afirma com ênfase ai em cima!
    Como é que você faz para classificar tal ou qual intérprete como sendo “o melhor pianista de sua geração”?
    Ou que fulano, junto com beltrano, são os melhores pianistas da década?
    Estou perguntando porque eu jamais consegui fazer isto e fico imaginando como isto poderia se possível.
    Eu penso, pór exemplo, que Horowitz, tocando Scarlatti, foi um pianista fabuloso. Mas vejo, bem em seu calcanhar, o Artur Bendetti Michelangeli.
    O Gleen Gould, tocando Bach, é o que existe de maravilhoso! Mas, tocando Rachmaninof? …é um Deus nos acuda.
    Portanto, minha dificulade é que eu não consigo definir que eles sejam os melhores pianistas em tudo o que tocam simplesmente porque eles não são.
    A Martha Argerich é magnífica fazendo Música de Câmera.
    Mas dai a classificá-la como sendo a melhor do mundo é um passo que eu não consigo dar.
    Pode ser ignorância minha, mas, eu não consigo encontrar quais são os esquemas de pesquisa capazes de mensurar que “aquele é o melhor de todos e aquele outro é o vice-melhor”.
    É fantástico isto que você é capaz de fazer.
    É preciso conhecer e ouvir tudo e todo o mundo, catalogar, mensurar, coletar dados, tabular, analisar etc etc etc e no fim?
    Fulano é o melhor da década!

    Se não for assim sempre me vem à mente o Luiz Gonzaga sendo eleito o Homem de Cultura do Milênio!!!
    Há!!! Eu não acredito nessas metodologias de BIGH BROTHER!
    Mas se você não quiser perder tempo e não quiser me informar, tudo bem, Ticiano.
    Ficarei sem saber.
    Um grande abraço.
    Edson

  12. Simples, Edson.

    Eu faço isso exatamente da mesma maneira que você classifica Grimaud como “muito mais bonita do que excelente pianista” e como “pianista razoável”.

    Ora, se você tem cacife pra julgar Grimaud como “pianista razoável”, eu tenho cacife para julgar Pogorelich como o “melhor pianista de sua geração”, conforme explicado acima.

    Simples assim.

    Agora, se eu não posso omitir uma opinião baseado no tanto que conheço e já ouvi, você também não pode.

    E, parabéns!, você novamente saiu do foco da discussão apelativamente, trazendo à luz, com ironia, esta “barbaridade” que você, e todos nós, fazemos, ou seja, julgamentos baseados no que conhecemos e no que gostamos.

    Só me resta discordar de você quanto a Grimaud, assim como você pode discordar de mim quanto ao Pogorelich. Mas questionar meus motivos e meus meios com essa ironia furada, isso soa apelativo, uma vez que você também tem seus motivos e seus meios para fazer suas comparações. Aliás, você é até capaz de comparar “beleza” com “pianismo”, isso sim algo bem mais complexo do que comparar pianistas com pianistas. Depois de falar que a moça é “muito mais bonita do que excelente pianista” (!!!), você jamais poderia ter me questionado desta maneira lamentável.

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