Francis Poulenc (1899 – 1963): Complete Works for 2 Pianos

Poulenc junto com Villa-Lobos e Britten talvez tenham sido os melhores compositores off-road do século XX. O compositor francês foi o principal membro do “grupo dos seis”, grupo anti-romântico fortemente influenciado pela leveza de Eric Satie e o neo-clacissismo de Stravinsky. No concerto para dois pianos ouvimos Mozart, mas não do século XVIII e sim um Mozart com maneirismos modernos. Não podemos negar que há inevitavelmente um modernismo nessa volta ao passado. Basta lembrar também dos Kammermusik de Hindemith que são os Concertos de Brandenburgo do século XX. Essa transposição da leveza e humor do classicismo, de certa forma perdidos no romantismo, para o período moderno, foi um marco para a história da música. Mas ao contrário de Hindemith, que deixou inúmeros discípulos, Poulenc não criou escola.
Como ocorria no período clássico, Poulenc escreveu inúmeras sonatas para quase todo tipo de instrumento. Aqui vamos ouvir uma das suas melhores obras – a sonata para dois pianos. É uma obra difícil e dramática, com toques sutis daquela religiosidade que já conhecemos, com absurdos contrastes entre explosões e calmarias. Paradoxalmente, a mais romântica de suas peças.
Depois ouvimos muito da influência de Eric Satie em peças despretenciosas, mas inesquecíveis (o Capriccio para dois pianos é lindo).

CDF

Faixas:

1. Concerto for 2 pianos & orchestra, FP 61 – Allegro ma non troppo
2. Larghetto
3. Finale: Allegro molto
4. Sonata for 2 pianos, FP 156 No. 1, Prologue (Extremement lent et calme)
5. No. 2, Allegro molto (Tres rythme)
6. No. 3, Andante Lyrico (Lentement)
7. No. 4, Epilogue (Allegro giocoso)
8. Sonata for piano, 4 hands, FP 8 No. 1, Prelude (Modere)
9. No. 2, Rustique (Naif et lent)
10. No. 3, Final (Tres vite)
11. Capriccio for 2 pianos (after Le bal Masqué), FP 155
12. L’embarquement pour Cythère
13. Élégie (en accords alternés), for 2 pianos, FP 175

Performed by Love Derwinger and Roland Pöntinen
Malmo Symphony Orchestra
Conducted by Osmo Vanska

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14 comments / Add your comment below

  1. é um belíssimo post. poulenc é encantador. tive a oportunidade de assistir à ópera “mulher ao telefone” de poulenc. é uma ópera com uma personagem somente. a mulher passa todo o tempo da peça falando com o namorado ao telefone, este, aliás, nunca aparece. a orquestra sustenta o diálogo em contraposição respondendo, perguntando, e ilustrando as sensações. é uma peça extremamente dramática, de profunda aflição. o texto é de qualidade literária bastante boa, bem ao gosto do século XX. é uma peça totalmente moderna. é um poulenc bem rigoroso e vigoroso em minha opinião. quem tiver oportunidade de assistir essa ópera, faça-o. é de curta duração.

  2. Excelente postagem, CDF!
    Poulenc é realmente um compositor peculiar. Suponho que vocês conheçam o esplêndido sexteto para sopros e piano e as sonatas para oboé, flauta e clarinete. São todas lindíssimas.
    Quem tiver interesse na música de câmara de Poulenc, pode encontrar aqui no Blogger Musical:
    http://i-bloggermusic.blogspot.com/search/label/Poulenc
    Estive dando uma olhada no acervo de Hindemith aqui no blog e vi que só temos os Kammermusik números 1, 4 e 5. Fica a sugestão de postagem para o CDF.

    Abraços!
    GS.

  3. Olá,
    primeiro gostaria de parabenizar este site, que frequento muito: parabéns.
    segundo, gostaria de fazer um pedido um tanto inusitado, se é que tenho direito. não sei se já ouviste as gravações de Poulenc acompanhando no piano um barítono na minha opiniao excelente de nome Pierre Bernac. nao sao musicas convencionais, mas eu recomendo que as busquem, nem que somente para ver o que acham. e se possivel, postá-las aqui, pois nao as consigo encontrar em lugar nenhum…
    obrigado, e sorte!

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