Francis Poulenc (1899-1963) – Le bal masqué e outras obras

Foi mais rápido do que pensei: obrigado, Velox 300!

Eis Le bal masqué, de Poulenc, compositor que parte de vocês conhece e cuja obra é de uma alegria toda pessoal e invulgar, como poucos lograram na História da Música (Poulenc foi quem melhor herdou a veia satírica de Erik Satie, por mais que tentem encher a bola de Milhaud).

Tem outras peças bacanas no CD, mas a principal é esse “baile de máscaras” doideca, cuja letra de Jean Cocteau é deveras engraçada.

(Atualização do post: o visitante Egberto Gustavo Carmo nos escreveu para corrigir que a letra não é de Cocteau e sim de Max Jacob, além de fazer uma ótima descrição da obra, que transcrevemos abaixo)

Olá, gostaria de retificar o informado.
Baile de máscaras resulta numa cantata secular que aproveita textos originais de poemas de M. Jacob (1876-1944), e não de Jean Cocteau como citado, e foi escrita no início de 1932 sendo estreada em Abril desse ano. Foi composta para um spectacle-concert organizado por Marie-Laure e Charles Noailles na sua mansão em Hyères. Trata-se de uma obra que deixou o compositor particularmente orgulhoso, sobretudo por ter conseguido “…encontrar os meios para glorificar a atmosfera suburbana que tanto gosto. Tudo isto graças ao texto de Jacob […] e ao material instrumental utilizado”. O “Préambule et Air de bravoure” é pleno de dinâmica e ironia, aliás, traços característicos de Poulenc. O “Intermède”, instrumental, de carácter mais lírico, apresenta uma continuidade rítmica que torna melíflua a sucessão de eventos que vão tomando lugar na partitura. Depois da toada cigana da valsa “Malvina”, segue a “Bagatelle” que, à guisa de um capricho virtuosístico, faz lembrar o estilo de N. Paganini (1782-1840), ainda que numa linguagem do século XX. Ao escrever La Dame aveugle, Poulenc teve como inspiração uma mulher muito rica que costumava observar durante a sua adolescência em Nogent-sur-Marne. O seu aspecto espalhafatoso terá impressionado de tal forma o compositor que esta foi a forma que encontrou para a retratar. O Finale pretende ser “estupendo
e terrifico”, segundo suas proprias palavras, trata-se da chave da obra reunindo os diferentes estilos ouvidos até o mesmo.”O auto-retrato perfeito de Max Jacob conforme o conheci pessoalmente em Montmartre em 1920″.

Este post é para o CDF, o cultuador da música do séc. XX neste blog.

***

Poulenc – Le bal masqué

Vide a lista de faixas e intérpretes no mesmo link da Amazon – muito extensa até pra editar e copiar aqui.

BAIXE AQUI

CVL

5 comments / Add your comment below

  1. Puxa, foi rápido mesmo! Achei que iria esperar pelo menos uma semana! Está novamente de parabéns CVL.
    Muito obrigado por mais este esplendoroso post!

  2. Olá, gostaria de retificar o informado.
    Baile de máscaras resulta numa cantata
    secular que aproveita textos originais
    de poemas de M. Jacob (1876-1944), e não de Jean Cocteau como citado, e foi escrita no início de 1932 sendo estreada
    em Abril desse ano. Foi composta para
    um spectacle-concert organizado por Marie-
    -Laure e Charles Noailles na sua mansão
    em Hyères. Trata-se de uma obra que deixou
    o compositor particularmente orgulhoso,
    sobretudo por ter conseguido “…encontrar
    os meios para glorificar a atmosfera
    suburbana que tanto gosto. Tudo isto
    graças ao texto de Jacob […] e ao material
    instrumental utilizado”. O “Préambule
    et Air de bravoure” é pleno de dinâmica
    e ironia, aliás, traços característicos
    de Poulenc. O “Intermède”, instrumental,
    de carácter mais lírico, apresenta uma
    continuidade rítmica que torna melíflua
    a sucessão de eventos que vão tomando
    lugar na partitura. Depois da toada cigana
    da valsa “Malvina”, segue a “Bagatelle”
    que, à guisa de um capricho virtuosístico,
    faz lembrar o estilo de N. Paganini
    (1782-1840), ainda que numa linguagem
    do século XX. Ao escrever La Dame aveugle,
    Poulenc teve como inspiração uma mulher
    muito rica que costumava observar durante
    a sua adolescência em Nogent-sur-Marne.
    O seu aspecto espalhafatoso terá
    impressionado de tal forma o compositor
    que esta foi a forma que encontrou para
    a retratar. O Finale pretende ser “estupendo
    e terrifico”, segundo suas proprias palavras,
    trata-se da chave da obra reunindo os diferentes
    estilos ouvidos até o mesmo.”O auto-retrato perfeito
    de Max Jacob conforme o conheci pessoalmente em
    Montmartre em 1920″.

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