Sir Paul McCartney (1942) – Ecce cor meum

Graças a Händel, o oratório – seja sacro, seja profano – transformou-se em um gênero de composição inglês por excelência, tanto pelas características que adquiriu quanto pela predileção de compositores e público. Por isso mesmo, quando Paul se aventurou pelas searas da música de concerto decidiu seguir o caminho mais previsível, através do Oratório de Liverpool. Não foi lá essas coisas todas, mas rendeu o encorajamento suficiente para não parar. Depois vieram Standing Stone, o CD A garland for Linda e Working Classical, até surgir este segundo oratório, Ecce cor meum (Eis meu coração), que – se não chega a ser Händel (“é, né?”) – ficou muito bem acabado. O álbum acabou rendendo a Paul o Classical British Award de melhor CD em 2007, numa votação em que o segundo lugar foi Canções do Labirinto, de Sting. Tudo bem, foi voto popular, mas eu também daria esse crédito ao ex-Beatle pelo esforço. Vejamos o que vocês dizem.

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Ecce cor meum

1. I. Spiritus
2. II. Gratia
3. Interlude (Lament)
4. III. Musica
5. IV. Ecce Cor Meum

# Performer: David Theodore, Colm Carey, Mark Law, Kate Royal
# Orchestra: Academy of St. Martin-in-the-Fields
# Conductor: Gavin Greenaway

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CVL

7 comments / Add your comment below

  1. Muito bom que vc tenha postado isso, CVL. Só assim pude ter certeza de que este é um dos compositores que prefiro em formação camerística: no caso, um ou dois solistas vocais, 2 violi… ops, guitarras, e o contínuo moderno: baixo e bateria.

    E depois o comprador da Amazon deixa resenha do balé do Gilberto Gil chamando de ‘trivial’ por não conter nenhuma pop song…

    Sem falar que ECCE COR MEUM mesmo é o próprio Gil e o Mílton elevando à trigésima potência a canção de Fito Páez “Quien dijo que todo está perdido: yo vengo a ofrecer mi corazón” – eita, que nóis é mais!!

    Mas isto não é uma queixa: posta estas coisas SIM, a gente precisa CONHECER!! Valeu!

    1. Adorei sua ironia, Ranulfus. Mas digo que dei um voto de confiança a Paul (tenho tudo dele na música erudita) e garanto que ele, no melhor sentido da palavra, evoluiu – até culminar nesse Ecce cor meum (que por sinal está sem bem recebido no número de dloads). Baixei o balé de Gilberto Gil e ainda vou dar uma ouvida nele pra comentar. Aproveito para agradecer os comentários recebidos abaixo.

      1. Eu quis ser mais brincalhão que propriamente irônico, não queria nenhum tom destrutivo. Eu GOSTEI BASTANTE em muitos pontos, embora em outros, quando se aproxima mais de um tom pop, aí eu preferisse sem orquestra ou órgão. Não sou preconceituoso, mas são poucas as tentativas de fundir essas duas linguagens que me descem bem. Uma são as ‘3 peças para blues band e orquestra’ de William Russo. Outra: confesso que gosto muito de Andrew Lloyd Weber, Jesus Christ Superstar… Não sei explicar onde está a diferença, mas gosto!

        Quanto ao balé do Gil, mencionei por causa da cobrança do tal comprador de que fosse algo pop. É outro extremo do universo. Em contraste com isto aqui soa como se fosse… Webern, algo assim.

        E realmente não fui irônico ao agradecer: a possibilidade de conhecer as coisas, seja pra gostar ou não, me parece ser realmente a maior aventura da existência. O que vale a vida. A sério 😀

  2. Tinha curiosidade por esta obra de Paul, e agradeço a oportunidade que me deram de conhece-la.
    Foi uma surpresa agradável. Ótima postagem.

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