Dmitri Shostakovich (1906 – 1975): Integral dos Quartetos de Cordas com o Emerson String Quartet

Há muitos anos acredito que os 15 quartetos de Shostakovich rivalizam com suas 15 sinfonias em qualidade. Sinto-me instado a ouvi-los sempre com a mesma ou maior atenção que dou às sinfonias. São certamente obras mais íntimas, mas quem disse que o intimismo deva ser menos considerado que os grandes painéis?

Esta é a quinta série completa que conheço. Tenho as dos quartetos Fitzwilliam, Borodin, Shostakovich e Éder (Naxos) e, olha, somando e pesando as qualidades de todos, acho que ficou com o Emerson, apesar do fundamental 8º Quarteto não ser tão DEVASTADOR quanto eu gostaria. Mas a musicalidade do grupo e seu grande senso de estilo dão-lhe o título provisório de campeões. Abaixo, algumas anotações que fiz ao longo dos anos. Não comento todos os quartetos. Minha escolha não significa que goste mais dos que comentei e menos dos outros, é puramente casual.

Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)

Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.

É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?

Quarteto de Cordas Nº 6, Op. 101 (1956)

Talvez apenas aficionados possam gostar deste esquisito quarteto. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)

Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa jóia de onze minutos.

Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 e Sinfonia de Câmara, Op. 110a – Arranjo de Rudolf Barshai (1960)

Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964),
Quarteto Nº 10, Op. 118 (1964) e
Quarteto Nº 11, Op. 122 (1966)

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manterem por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um inusitado quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre no máximo belíssimos e no mínimo curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Certamente é uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que os finais quietos, nada grandiosos, podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)

Um pouco menos funéreo que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adágio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto cuja tranquilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático em um dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em seqüência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma só música.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a Sonata para Viola, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer — separadamente ou não do resto do quarteto — em gravações orquestrais.

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Dmitri Shostakovich (1906 – 1975): Integral dos Quartetos de Cordas com o Emerson String Quartet

CD 1:
String Quartet No.1 in C major, Op.49
1. 1. Moderato [3:56]
2. 2. Moderato [3:59]
3. 3. Allegro molto [2:23]
4. 4. Allegro [3:44]
String Quartet No.2 in A major, Op.68
5. 1. Overture (Moderato con moto) [7:58]
6. 2. Recitative & Romance (Adagio) [9:05]
7. 3. Valse (Allegro) [5:29]
8. 4. Theme & Variations [10:44]
String Quartet No.3 in F major, Op.73
9. 1. Allegretto [6:52]
10. 2. Moderato con moto [4:22]
11. 3. Allegro non troppo [3:50]
12. 4. Adagio [4:44]
13. 5. Moderato [8:19]

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

CD 2:
String Quartet No.4 in D major, Op.83
1. 1. Allegretto [3:51]
2. 2. Andantino [6:23]
3. 3. Allegretto [4:35]
4. 4. Allegretto [9:31]
String Quartet No.5 in B flat major, Op.92
5. 1. Allegro non troppo [11:19]
6. 2. Andante [8:29]
7. 3. Moderato [10:22]
String Quartet No.6 in G major op.101
8. 1. Allegretto [6:44]
9. 2. Moderato con moto [4:59]
10. 3. Lento – attacca: [3:58]
11. 4. Lento – Allegretto – Andante – Lento [6:33]

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

CD 3:
String Quartet No.7 in F sharp minor, Op.108
1. 1. Allegretto [3:42]
2. 2. Lento [2:49]
3. 3. Allegro [5:06]
String Quartet No.8 in C minor, Op.110
4. 1. Largo [4:34]
5. 2. Allegro molto [2:38]
6. 3. Allegretto [4:05]
7. 4. Largo [4:46]
8. 5. Largo [3:34]
String Quartet No.9 in E flat major, Op.117
9. 1. Moderato con moto [4:24]
10. 2. Adagio [3:47]
11. 3. Allegretto [4:02]
12. 4. Adagio [3:00]
13. 5. Allegro [9:29]
String Quartet No.10 in A flat major, Op.118
14. 1. Andante con moto [4:13]
15. 2. Allegretto furioso [3:58]
16. 3. Adagio [4:49]
17. 4. Allegretto – Andante [8:41]

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

CD 4:
1. Adagio (Elegy) for String Quartet [4:35]
2. Allegretto (Polka) for String Quartet [2:47]
String Quartet No.11 in F minor, Op.122
3. 1. Introduction: Andantino [2:12]
4. 2. Scherzo: Allegretto [2:42]
5. 3. Recitative: Adagio [1:08]
6. 4. Etude: Allegro [1:15]
7. 5. Humoresque: Allegro [1:02]
8. 6. Elegy: Adagio [4:12]
9. 7. Finale: Moderato [3:39]
String Quartet No.12 in D flat major, Op.133
10. 1. Moderato – Allegretto [6:29]
11. 2. Allegretto – Adagio – Moderato – Allegretto [19:24]
12. String Quartet No.13 in B flat minor, Op.138 [19:09]

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

CD 5:
String Quartet No.14 in F sharp major Op.142
1. 1. Allegretto [8:14]
2. 2. Adagio [8:52]
3. 3. Allegretto [7:59]
String Quartet No.15 in E flat minor, Op.144
4. 1. Elegy [12:37]
5. 2. Serenade [5:47]
6. 3. Intermezzo [1:38]
7. 4. Nocturne [4:30]
8. 5. Funeral March [4:36]
9. 6. Epilogue [6:18]

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Emerson String Quartet

Apoie os bons artistas, compre suas músicas.
Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Ferruccio Busoni (1866-1924) – String Quartet in C, Op.19 e String Quartet in D, Op.26

Não tenho conseguido parar de ouvir estes quartetos do compositor italiano Ferruccio Busoni. Ele apareceu pouco por aqui. Busoni era filho de músicos e possuía habilidades incomuns. Deu o seu primeiro concerto público aos sete anos de idade, o que o coloca na categoria de um Mozart ou de um Mendelssohn. Sua música é complexa. A wikipédia diz que a música de Busoni “é feita de diversas linhas melódicas entremeadas. Ainda que sua música não seja jamais de fa(c)to atonal no sentido schönbergiano do termo, suas obras tardias distinguem-se freqüentemente por uma tonalidade indeterminada, como as últimas de Franz Liszt. Nas notas de programa para sua Sonatina seconda de 1912, Busoni descreve sua peça como sendo senza tonalità (italiano para: sem tonalidade). Johann Sebastian Bach e Franz Liszt são regularmente citados como tendo tido uma influência decisiva sobre o compositor italiano, pois sua música contém elementos de neoclassicismo, e inclui melodias que se assemelham à aquelas de Wolfgang Amadeus Mozart. Busoni escreveu numerosas peças para piano”. Ouça e tire as suas conclusões. Uma boa experimentação.

Ferruccio Busoni (1866-1924) – String Quartet in C, Op.19 e String Quartet in D, Op.26

String Quartet in C, Op.19
01. I. Allegro moderato, patetico
02. II. Andante
03. III. Menuetto
04. IV. Finale. Andante con moto, alla marcia

String Quartet in D, Op.26
05. I. Allegro energico
06. II. Andante con moto
07. III. Vivace assai
08. IV. Andantino – Allegro con brio

Pellegrini-Quartett
Antonio Pellegrini, violino
Thomas Hofer, violino
Charlotte Geselbracht, viola
Helmut Menzler, cello

BAIXAR AQUI

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Antonio Salieri (1750-1825) – Ouvertures

Salieri é um caso curioso de incompreensão. A importância do compositor para a música do século XIX é grandiosa. Sua relevância foi minimizada em decorrência de boatos históricos. Sua música, entretanto, foi bastante conhecida à época em que o compositor viveu. Salieri não foi, historicamente, o sujeito invejoso e mesquinho retratado pelo cinema – mais precisamente no filme Amadeus (1984), de Milos Forman. O compositor gozou de um prestígio social considerável. Foi preceptor de Liszt, Mozart, Schubert, Meyerbeer, Beethoven, Hummel, entre outros. Esse quadro pintado por mim é uma pequena amostra do talento de Salieri. Talvez ele não possua a versatilidade de Mozart; a prodigalidade de Haydn; ou a passionalidade de Beethoven, mas Salieri merece ser conhecido por aquilo que fez. Não deixe de ouvir!

Antonio Salieri (1750-1825) – Ouvertures

01 – La secchia rapita
02 – Les Danaides
03 – Palmira Regina di Persia
04 – La fiera di Venezia
05 – Axur Re d’Ormus
06 – La Grotta di Trofonio
07 – Ouverture in Re maggiore
08 – Europa Riconosciuta
09 – Variazioni sulla Follia di Spagna

Moldavian National Symphony Orchestra
Silvano Frontalini, regente

BAIXAR AQUI

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Balaio de Preconceitos

Lembro bem que minha primeira experiência como ouvinte atento foi com esse disco ao vivo de Chuck Mangioni. Foi uma revolução, pois na época eu só ouvia o que passava nas rádios (imaginem!). Não sei como foi parar em minhas mãos. Mérito meu não foi, meu miolo era mole demais para isso na época. Lembro, contudo, que as faixas 2 à 6, eu ouvia quase todos os dias, e claro, o clássico “Round Midnight”. O disco ainda me agrada, não sei se pela qualidade dos músicos (participações especiais de Dizzy Gilespie e Chick Corea) ou pelas lembranças de minha época de fedelho. Mas quem sabe outro menino desavisado acesse esse disco e sofra do mesmo impacto prazeroso e transformador.

Daí pra frente, descobri que a música não foi feita só pra dançar, tomar cachaça ou pensar na namorada. Depois de muitos anos intensos, ainda continuo desfazendo alguns dos meus preconceitos no mundo musical. Um bem antigo e ainda atual é sobre a importância de Telemann para história da música. Quem aqui já não leu que esse compositor alemão escreveu mais de 3000 trabalhos? Quase o que todos os outros grandes compositores escreveram em todas as épocas juntos. Um verdadeiro compositor de “quantidade”. Não era aceitável que Telemann, na época, pudesse ser mais famoso e importante que o velho papai Bach. Mas a vingança não tardou, Telemann caiu feio nas épocas seguintes, enquanto Bach subia no pedestal. Essa justiça dos tempos, no entanto, é imperfeita, nega a possibilidade de entendermos a fama e importância de Telemann na época.Trago para vocês três discos para mostrar um pouco da diversidade e qualidade desse grande compositor. O primeiro disco traz uma micro-ópera chamada Pimpinone, que costumava ser apresentada nos intervalos das grandes óperas de Handel. A obra é musicalmente divertidíssima e empolgante com apenas duas personagens, o chefe da casa Pimpinone e sua empregada Vespeta. Algo muito próximo de La Serva Padrona de Pergolesi. Pimpinone é uma ópera italiana em língua alemã. No segundo disco já vamos ver Telemann fazendo música religiosa, com aquele tom sombrio e ao mesmo tempo esperançoso da música alemã. São cantatas intimistas com poucos instrumentos que, sem exagerar, estão em pé de igualdade com algumas cantatas de Bach. No terceiro disco, vamos para a Espanha, onde Telemann com maestria única e original faz uma pequena peça musical sobre o “cavaleiro da triste figura” – Don Quichotte auf der Hochzeit des Comacho. Uma obra-prima ainda desconhecida da maioria dos ouvintes.

Outro injustiçado que até virou motivo de piada – Muzio Clementi. Em 1780, o pobre Clementi participou de uma pequena “competição” com Mozart para ver quem melhor interpretava e improvisava. Nem preciso dizer quem causou mais forte impressão. Mozart escreveu ao pai “ ele toca até bem…mas não tem bom gosto…muito mecânico” e depois em 1783 escreveu “Clementi é um charlatão, assim como todos os italianos”. Clementi foi basicamente um compositor para piano, e muito das suas sonatas iniciais apresentam, apesar do virtuosismo cativante, um pouco desse característica “mecânica” apontada por Mozart. No entanto, creio que Mozart teria mudado de opinião se ouvisse as sonatas do último período de Clementi. São sonatas beethovianas, com aquelas transições inesperadas e inspiradas. Prestem atenção na harmonia inicial da sonata op.40 n.2. As sonatas op.50 são às vezes mais inspiradas que as sonatas de Mozart (quem diria?).

Falo agora não apenas de um compositor desconhecido ou injustiçado, mas de uma época toda – a nossa. A música pós-1945 não convenceu o público e ainda não continua convencendo, com raríssimas exceções. Britten, Shostakovich, Arvo Part entre outros que estão fora do mainstream moderno, não contam. Falo dos compositores que estão na ponta da locomotiva, aqueles que escreveram a história do modernismo, esses estão na corda bamba da imortalidade. Citados em livros, porém desconhecidos nos palcos. “Culpa deles?” Só se a exploração de novos mundos for considerada um defeito. George Crumb é um compositor americano, um grande experimentador de possibilidades sonoras, abriu um novo espectro sonoro e pessoal, mas sem perder o foco de sua inspiração, aliás, inspiração muito ligada a poesia de Garcia Lorca. Esse disco trata de estudos moderníssimos para piano, algo que deixaria Chopin ou Liszt assustados. Na minha primeira audição imaginei ouvir um pequeno ensemble de músicos, mas foi engano meu, temos apenas o pianista e seu piano. Makrokosmos (1972-1973) é composto de dois volumes com 12 fantasias cada um sobre os símbolos do zodíaco. É preciso ouvir para acreditar. Absolutamente imperdível.

Baixe Aqui – Chuck Mangione- Tarantella
Baixe Aqui – Telemann-Pimpinone
Baixe Aqui – Telemann-Cantatas
Baixe Aqui – Telemann-Don Quichotte
Baixe Aqui – Clementi-Piano Sonatas (2cds)
Baixe Aqui – Crumb-Makrokosmos I+II

cdf

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

.: interlúdio :. Pat Metheny – Zero Tolerance for Silence (1992)

Se você não suporta o free jazz, a Segunda Escola de Viena e as liberalidades de uma forma geral, fuja deste disco. Não se engane, o brilhantíssimo guitarrista Pat Metheny tem outra criatura dentro dele, mas não como você, leitor que sexualiza tudo, pensou. Há Dr. Jeckyll: o Metheny doce, melódico, brando, que poderia criar um trabalho com o titulo de Zero Tolerance for Noise; e Mr. Hyde: o parceiro de Ornette Coleman de Song X e autor deste agressivíssimo Zero Tolerance for Silence.

“A gravação mais radical da década…”. “Um novo marco na música para guitarra elétrica…”. “O instrumento queima, voa, são fragmentos retorcidos da imaginação de um incendiário mestre do imprevisível, um desafio para aqueles que se aventuram…”. Estes foram alguns trechos escritos para Zero Tolerance for Silence pelo guitarrista do Sonic Youth, Thurston Moore, em sua crítica. E é difícil expressar melhor a sensação — porque trata-se disso, de sensação — de ouvi-lo.

Em dezembro de 1992, Pat entrou no New York Power Station armado apenas com uma guitarra elétrica, pôs nela toda a distorção possível e gravou as cinco partes que compõem este disco absolutamente selvagem. Nele, o caos impera de forma especialmente arbitrária: são acordes quebrados, métricas inviáveis, conversas entre duas guitarras que lembram Frank Zappa — mas sem suas confusas influências eruditas, porque aquilo são apenas influências — , escalas inexistentes e todo o arsenal que você pode imaginar para um processo rigoroso de desconstrução que deixaria o free jazz tonto. Muitos, virando-lhe as costas, chamariam o CD de vanguardista ou o acusaria de ter apenas ruído como conteúdo, mas, desculpem, o fato é que há uma lógica estrutural nesta estranha suíte. A “situação” da primeira parte (18 minutos) torna-se logo depois mais agradável e melódica — de uma forma canhestra pra caralho — na parte 2, trazendo de volta lembranças de uma outra composição, “Parallel Realities” (com Jack DeJohnette, 1990), não ortodoxa. Neste mundo cheio de referências é dífícil ser totalmente original e os acordes de Metheny passam a lembrar Jimi Hendrix. Depois, o tema cerne do CD está agonizando e as notas se parecem com o movimento das garras de um animal morrendo… A parte 4 recebe um toque decididamente roqueiro reforçado pela presença de um terceira guitarra largando seus acordes em meio ao desarticulado diálogo dos dois principais instrumentos.

Um CD absolutamente radical, indicado apenas àquelas pessoas que não nada de varizes e conservadorismo em seus ouvidos.

IM-PER-DÍ-VEL, mas, repito, só para radicais !!!

Pat Metheny – Zero Tolerance for Silence (1992)

1. Part 1
2. Part 2
3. Part 3
4. Part 4
5. Part 5

Pat Metheny, guitarras

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Apoie os bons artistas, compre suas músicas.
Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Wofgang Amadeus Mozart – Sinfonia Concertante, K. 364, Rondo in C Major, K.373, Adagio in E major, K. 261, Concerto for Violin and Orchestra n°2, in D Major, K. 211 – Dumay, Hagen, Camerata Salzburg

Mozart novamente, e mais um CD belíssimo. Amo a Sinfonia Concertante, já há ouvi milhares de vezes em minha vida, com diversos outros intérpretes. A parceria Dumay & Hagen é de uma tal cumplicidade que beira a perfeição. Tudo bem, convenhamos, com uma música desta qualidade, até eu…. ouçam o Andante que vocês vão entender o que estou falando. Como ando muito “reflexivo” nos últimos tempos, pensando na vida e nas escolhas que fiz, confesso que não encontrei trilha sonora melhor para tal reflexão.
Ok, o cabelo do Dumay é muito esquisito com aquele topete, lembra o ex presidente Itamar Franco,não lembra? Para nosso azar, ou sorte, o Itamar não toca violino, até onde sei. Mas esse tal de Augustin Dumay é muito bom. Toca e conduz a Camerata Academica Salzburg com competência e naturalidade. É Mozart em sua essência. Sua parceira, Veronica Hagen, também é uma baita violista, e não se intimida perante as dificuldades e “pegadinhas” da obra.
Enfim, um baita disco, usando uma expressão que já está se tornando comum aqui no PQP. Sei que vocês irão gostar.

01. Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 (320d) 1. Allegro maestoso
02. Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 (320d) 2. Andante
03. Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 (320d) 3. Presto
04. Rondo in C major, K 373 Allegretto grazioso
05. Adagio in E major, K. 261
06. Concerto for Violin and Orchestra no. 2 in D major, K. 211 1. Allegretto mode
07. Concerto for Violin and Orchestra no. 2 in D major, K. 211 2. Andante
08. Concerto for Violin and Orchestra no. 2 in D major, K. 211 3. Rondeau. Allegro

Veronica Hagen – Viola
Camerata Academica Salzburg
Augustin Dumay – Violin & Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia No. 3 em Mi bemol maior, Op. 55 – "Heróica"

null

Depois de uma semana de silêncio pleno, estou de volta com um baita CD, daqueles que fazem a gente perder a voz e ouvir com absurda devoção. Afinal, trata-se de Beethoven, do inominável Beethoven. Entre as sinfonias do alemão, a de número 3 é uma das minhas preferidas. Ela constitui uma plêiade de sentimentos morais. É um micro-mundo, uma representação da existencialidade complexa de Beethoven. O compositor era um campo de batalha. Este CD é um portento. Uma maravilha. É uma gravação realizada no ano de 1958 por Ferenc Fricsay à frente da Filarmônica de Berlim. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia No. 3 em Mi bemol maior, Op. 55 – “Heróica”
01. Allegro con brio
02. Marcia funebre: Adagio assai
03. Scherzo: Allegro vivace
04. Finale: Allegro molto

Berliner Philharmoniker
Ferenc Fricsay, regente

BAIXAR AQUI

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) – Missa S. Emidio, Laudate pueri Dominum, Salve Regina in F minor – Abbado – Orchestra Mozart

Ando por demais barroco nos últimos tempos. Não me perguntem o motivo, não sei explicar. Só sei dizer que minhas próximas postagens serão barroco e mais barroco. Deixarei o romantismo de lado por um tempo. A não ser que apareça alguma coisa me pareça imprescendível por algum motivo.
A incrível capacidade de Claudio Abbado de se reciclar é algo que merece elogios. Quem diria que depois de velho o grande Claudio Abbado, ex poderoso diretor da Filarmônica de Berlim, que gravou discos antológicos de compositores do século XX, iria se tornar um adepto das gravações de época, com orquestras e coros menores, e se dedicar ao classicismo e ao barroco? Pois é, estes cds que ele gravou nos últimos anos, tocando com esta Orchestra Mozart, são imperdíveis. Recomendo todos eles.
Neste CD que ora posto, dando prosseguimento ao “Ciclo Pergolesi” a que me propus, temos uma belíssima “Missa de S. Emidio”, que recomendo com todas as letras. Como sempre, este tipo de CD tem de ser ouvido com calma, de preferência sentado em sua melhor poltrona, e degustando um bom vinho. Serve para refletirmos sobre os mistérios da natureza humana e divina. Um bom livro também faz boa companhia. Tem chovido muito aqui na minha região, e não dá vontade de sair de casa com esse tempo. Pergolesi, desta forma, se torna uma excelente companhia.
Espero que apreciem.

Giovanni Battista Pergolesi – Missa S. Emidio, Manca la guida al piè, Laudate pueri Dominum, Salve Regina in F minor – Abbado – Orchestra Mozart

01 Missa S. Emidio – Kyrie
02 Christe
03 Kyrie
04 Gloria in excelsis Deo
05 Laudamus te
06 Gratias agimus tibi
07 Domine Deus
08 Qui tollis peccata mundi
09 Qui tollis peccata mundi
10 Qui sedes ad dexteram Patris
11 Quoniam tu solus sanctus
12 Cum Sancto Spiritu
13 Salve Regina in F Minor – Salve Regina
14 Ad te clamamus
15 Eia ergo
16 Et Jesum benedictum
17 O clemens, o pia
18 È dover che le luci
19 Manca la guida al piè
20 Laudate pueri Dominum – Laudate pueri
21 A solis ortu
22 Excelsus super omnes
23 Quis sicut Dominus
24 Suscitans a terra
25 Gloria patri
26 Sicut erat in principio

Sarah Mingardo
Rachel Harnisch
Teresa Romano
Coro della Radio Svizerra
Orchestra Mozart
Claudio Abbado – Conductor

BAIXE AQUI – DONWLOAD HERE
FDPBach

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

No podía faltar el inmenso P. Q. P. Bach, referencia de todos los blogs musicales

Mais um para a categoria Tão chato ser gostoso.

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Johannes Brahms (1833-1897) – String Quartet in C menor, Op. 51 no. 1 e String Quartet in A menor, Op. 51 no. 2 (CD 1 de 5)

Já venho há dois meses com o intento de postar os quartetos de cordas de Brahms, uma joia, uma pérola, algo para qual nos falta palavras. Mas foi somente hoje que disse para mim mesmo: “Hoje a criança nasce!”. E como estou entusiasmado com estas postagens! Nutro uma profunda admiração pela música brahmsiana. Com o compositor não havia tempo para devaneios ou produções que fugiam àqueles elementos tão típicos da música genuinamente clássica. Deve ser por isso que ele não compôs balê ou ópera. Seus pés estavam fincados no terreno da música pura. Música-música (se é que existe esta expressão). Toda as vezes que vou postar Brahms corre dentro de mim certa expectação reverente. A alemão não era brincadeira. Sua música é um atestado de sua competência e seriedade. Em sua época o que vigorava eram as megalomanias de Wagner e dos compositores programáticos. Brahms conseguiu se impor compondo música absoluta – a mesma que compusera Beethoven, Mozart e Haydn. Tudo isso amalgamado ao espírito profundo do Romantismo. Resta-nos apenas ficar com o primeiro CD com os dois primeiros quartetos – O opus 51 no. 1 e 2. Estes quartetos são verdadeiras obras primas. Possuem uma capacidade de síntese, concentração e honestidade musical invejáveis, dificilmente encontráveis em outros compositores. Prestem atenção: falo “dificilmente”. Páro por aqui: é preciso ouvir para sentir estas duas maravilhas. Aprecie sem moderação, incontidamente!

Johannes Brahms (1833-1897) – String Quartet in C menor, Op. 51 no. 1 e String Quartet in A menor, Op. 51 no. 2

String Quartet in C menor, Op. 51 no. 1 [30:10]
01. Allegro
02. Romanze. Poco Adagio
03. Allegretto molto moderato e comodo – Un poco piu animato
04. Allegro

String Quartet in A menor, Op. 51 no. 2 [31:04]
05. Allegro non troppo
06. Andate moderato
07. Quasi Minuetto, moderato – Allegretto vivace
08. Finale. Allegro non assai

Amadeus Quartet

BAIXAR AQUI

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Johannes Brahms (1833-1897): Obra Completa para Violino e Piano

Amanhã, exatamente às 8h14, o Carlinus publicará outro Brahms. Sim, obedecendo ao rigoroso planejamento do blog capitaneado por este que vos escreve, ele deixou agendado para este horário. Pois tudo aqui segue uma lógica implacável, todas as nossas ações são planeadas nos mínimos detalhes. Por exemplo, sabemos que os amantes de Brahms acordam entre às 8h15 e às 9h13 da manhã de domingo e que logo vão a seus computadores a fim de responder seus e-mails e procurarem postagens de seus autores preferidos.

Já eu, que funciono em outra faixa, programei meu Brahms para às 18h07 com a finalidade de iludi-los. Acho que eles apenas me descobrirão após verem a postagem do Carlinus e ficarão surpresos e felizes, sabendo que terão de baixar os dois arquivos, sendo um melhor do que o outro.

Pois eu me garanto por aqui. A versão de Steinbacher e Kulek para as IRRETOCÁVEIS e PERFEITAS Sonatas de Brahms é digna dos melhores elogios. Steinbacher é uma dessas mocinhas bonitinhas que agora fazem sucesso na música erudita, mas não posso fazer nada: as feias que nos perdoem, mas belez… Não, é que a Arabella tem um toque muito sutil, sonoro, eufônico, sexy. Boa demais, sabem? Já o Kulek, olha, o Kulek é bão demais!

(Por falar em sexo, se há um compositor consensual, além de J.S. Bach, aqui no PQP, é Brahms. Com ênfase no trio que segue: Carlinus é apaixonado, mas eu, PQP, e FDP somos devotos de primeira hora. Aliás, já disse e repito: meus 3 compositores preferidos são Bach, Brahms, Beethoven e Bartók).

Por isso, pela segunda vez no mesmo dia, somos obrigados a utilizar nosso exclusivo selo de qualidade: IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Johannes Brahms (1833-1897)

Violin Sonata No. 1 in G major, Op. 78
1)I. Vivace ma non troppo [11:04]
2)II. Adagio [8:55]
3)III. Allegro molto moderato [9:22]

Violin Sonata No. 2 in A major, Op. 100
4)I. Allegro amabile [8:26]
5)II. Andante tranquillo – Vivace [7:32]
6)III. Allegro grazioso (quasi andante) [5:43]

Violin Sonata No. 3 in D minor, Op. 108
7)I. Allegro [8:11]
8)II. Adagio [4:53]
9)III. Un poco presto e con sentimento [3:05]
10)IV. Presto agitato [5:54]

Violin Sonata in A minor, “F-A-E”: III. Scherzo in C minor, WoO 2
11) Allegro
12) Trio – Più moderato – In tempo ma marcato [5:50]

Arabella Steinbacher, violin
Robert Kulek, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Apoie os bons artistas, compre suas músicas.
Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Antonio Vivaldi (1678-1741): Le Passioni dell'Uomo / Concertos para Violino

Esplêndido CD duplo da Deutsche Harmonia Mundi! Todos nós conhecemos e caracterizamos Totonho por seus concertos. Dos 241 concertos para violino que compôs, muitos deles têm títulos programáticos. O violinista barroco italiano Enrico Casazza, selecionou seis concertos cujos nomes referem-se às paixões humanas (L’Amoroso ou L’Inquietudine). O CD bônus inclui quatro concertos inicialmente compostos para outros instrumentos que não o violino. Estes trabalhos foram arranjados para violino e orquestra de cordas por Pablo Queipo de Llano. A orquestra de nome modestíssimo — La Magnifica Comunità — é, tá bom, bem boa mesmo.

Vivaldi (1678-1741): Le Passioni dell’Uomo / Concertos para Violino

Disco 1

01/03. Concerto for Violin in E minor, RV 277 “Il Favorito”
04/06. Concerto for Violin in D major, RV 234 “L’Inquietudine”
07/09. Concerto for Violin in E major, RV 271 “L’Amoroso”
10/12. Concerto for Violin in C minor, RV 199 “Il Sospetto”
13/15. Concerto for Violin in B minor, RV 387 “Per Signora Anna Maria”
16/18. Concerto for Violin in C minor, RV 761 “Amato bene”

Disco 2

01/03. Concerto for Violin in B minor, RV 378R
04/06. Concerto for Violin in G minor, RV 320
07/09. Concerto for Violin in B flat major, RV 432R (originally for Flute)
10/12. Concerto for Violin in G minor, RV 322 (reconstructed)

Enrico Casazza, Violino e regência
La Magnifica Comunità

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Béla Bartók – Sonatas para Violino e Piano

null

Bartok foi um dos maiores compositores do século XX. É preciso estreitar de forma sensível as relações com ele para passar a reverenciá-lo. Afirmo mais uma vez: Béla Bartók não é uma compositor fácil. Essa realidade é tão patente que o período em que ele morou em Nova York, EUA, ele não tinha público. As pessoas não afluíam para ouvir a sua música, por isso ele passou por maus bocados financeiros. Sobreviveu por causa da ajuda de amigos. Bártok era um pesquisador da música. Viajou pela Hungria e pela Romênia com Zoltan Kódaly, anotando possibilidades, registrando os elementos mais contundentes da música popular. Estes aspectos estão presentes em sua obra. Estas sonatas que posto são extraordinárias. Tem-se aqui uma excelente gravação. Uma boa apreciação!

Na Amazon Inglesa

Béla Bártok (1881 – 1945) – Sonatas For Violin and Piano

Sanata para violino e piano No. 1, Op. 21
01 – Sonate no. 1, 1. Allegro appassionato
02 – Sonate no. 1, 2. Adagio
03 – Sonate no. 1, 3. Allegro

Canções Populares Húngaras
04 – Chansons populaires hongroises, no. 6 Allegro
05 – Chansons populaires hongroises, no. 13 Andante
06 – Chansons populaires hongroises, no. 18 Andante non molto

David Oistrakh, violino
Frida Bauer, piano

Sonata para Violino e Piano No. 2
07 – Sonate no. 2, 1. Molto moderato
08 – Sonate no. 2, 2. Allegretto

Gidon Kremer, violino
Oleg Maisenberg, piano

BAIXAR AQUI

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Middle String Quartets

null

Tenho andado um pouco cansado. Trabalho e mais trabalho! Não tenho tido tempo nem para fazer uma das coisas que mais me agradam – ouvir música. Arranjei um pequeno espaço. Resolvi respirar e fazer esta postagem descompromissada. São mais três Cds com essa interpretação sui generis do Melos Quartett. Estes quartetos revelam muito daquilo que viria a ser a música no século XX. Beethoven é, assim, um compositor que “estreia” o futuro. Seus quartetos de cordas são forças geniais. O opus 59, Rasumowsky, é uma das faces mais belas e “ácidas” da música do século XIX. Belos, muito belos, quase trágicos – ao estilo do grande mestre. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Middle String Quartets

DISCO 01

String Quartet in F after the Piano Sonata in E, Op.14 no.1
01. I.Allegro
02. II.Allegretto
03. III.Rondo. Allegr0…

String Quartet in F, op.59 no.1 (Rasumowsky)
04. I.Allegro
05. II.Allegretto vivace e sempre sc…
06. III.Adagio molto e mesto – attacca
07. IV.Theme russe. Allegro

DISCO 02

String Quartet in E, op.59 no.2(Razumovsky)
01. .I.Allegro
02. II.Molto adagio. Si tratta questo…
03. III.Allegretto
04. IV.Finale. Presto

String Quartet in F, op.95
05. I.Allegro con brio
06. II. Allegretto ma non troppo – attacca
07. III.Allegro assai vivace ma serioso
08. IV.Larghetto espressivo – Allegretto agitato

DISCO 03

String Quartet in C, op.59 no.3(Razumovsky)
01. I.Introduzione. Andante con moto …
02. II.Andante con moto quasi Allegretto
03. III.Menuetto. Grazioso – attacca
04. IV.Allegro molto

String Quartet in E flat, op.74(‘Harp’)
05. I.Poco Adagio – Allegro
06. II.Adagio ma non troppo
07. III.Presto – attacca
08. IV.Allegretto con Variazioni

Comprar na Amazon

Melos Quartett
Wilhelm Melcher, 1. violino
Gerhard Voss, 2. violino
Hermann Voss, viola (alto)
Peter Buck, Violoncello

BAIXAR AQUI CD1
BAIXAR AQUI CD2

BAIXAR AQUI CD3

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) – Dixit Dominus – Confitebor tibi, Dominem – Chi non ode e chi non vede – Salve Regina in A minor – Abbado – Orchestra Mozart

Dando continuidade ao meu projeto de postar obras de Pergolesi, começo a postar a série de três CDs que Claudio Abbado gravou ente 2009 e 2010, com a excelente “Orchestra Mozart”, e neste cd, com o excelente “Coro della Radiotelevisione Svizzera”.
Adoro obras corais sacras. Claro que devido à clara influência de Bach e Handel, mas existem diversos outros compositores barrocos, contemporâneos de Bach, que também produziram magníficas obras, mas devido ao gigantismo de Johann e de Handel, ficaram um tanto quanto obscurecidos e esquecidos.  A índústria fonográfica vem tentando nos últimos tempos suprir estas carências e muitos músicos vêm se especializando nestes repertórios.
Desde a primeira vez que ouvi a voz celestial de Emma Kirkby cantando o “Stabat Mater” me apaixonei pela obra de Pergolesi. E nestes últimos anos venho procurando outras obras, mas trata-se de tarefa um tanto quanto difícil. Mas creio que com este projeto de Claudio Abbado, dedicando-se durante algum tempo ás obras principalmente sacras, um maior número de orquestras, ou músicos, venham a gravá-las. Inclusive, está sendo um sucesso a postagem da Anna Netrebko cantando o “Stabat Mater”, já são mais de 350 downloads em uma semana. Daí vemos o interesse de nossos leitores-ouvintes de terem acesso à estes cds, que de outra forma que não fosse esta, seria quase impossível adquirir. A não ser, é claro, que tenham cartão de crédito internacional, além de um bom saldo na conta corrente, e paciência para esperarem por até três meses para receber o produto.
Este CD que estou postando traz o magnífico “Dixit Dominus”,
Bem, problemas à parte, espero que apreciem a beleza destas obras. Em anexo, segue booklet com informações sobre as obras e as letras das mesmas.
1 – CONFITEBOR TIBI, DOMINE. I. Confitebor tibi, Domine
2 – II. Confessio et magnificentia opus eius
3 – III. Fidelia omnia mandata eius
4 – IV. Redemptionem misit populo suo
5 – V. Sanctum et terribile nomen eius
6 – VI. Gloria Patri
7 – VII. Sicut erat in principio

Julia Kleiter – Soprano
Rosa Bove – Contralto
Coro della Radiotelevisione Svizzera
Orchestra Mozart
Claudio Abbado – Conductor

8 – CHI NON ODE E CHI NON VEDE. I Aria_ Chi non ode e chi non vede
9 – II Recitativo_ Di costei parlo
10 – III – Largo_ Tu dovresti, Amor tiranno
11 – Recitativo_ Ma dove io mi rivolgo_
12 – Largo stentato_ Miseri affetti miei
13 – Aria. Presto_ Cadro contento

Rachel Harnisch – Soprano
Orchestra Mozat
Claudio Abbado

14 – SALVE REGINA a-moll. I. Salve Regina
15 – II. Ad te clamamus
16 – III. Eia ergo
17 – IV. O clemens, o pia

Julia Kleiter – Soprano
Orchestra Mozart
Claudio Abbado – Conductor

18 – DIXIT DOMINUS. I. Dixit Dominus
19 – II. Virgam virtutis
20 – III. Dominare
21 – IV. Tecum principium
22 – V. Juravit Dominus
23 – VI. Dominus a dextris tuis
24 – VII. Gloria Patri

Rachel Harnisch – Soprano
Lucio Gallo – Bass – Barítono
Coro dela Radiotelevisione Svizzera
Claudio Abbado – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FDPBach

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Coleção Grandes Compositores 15/33: Piotr Tchaikovsky (1840-1893) (2)

Queriam mais Tchaikovsky?! Pois bem, este é mais um daqueles raros compositores que mereceram bis nesta coleção. O repertório é semelhante ao volume anterior. Um concerto; desta vez temos o Concerto para Violino em Ré. Duas peças orquestrais avulsas; a Fantasia Romeu e Julieta e a Marcha Eslava. Uma suíte de balé; agora com O Quebra Nozes. Faltou uma sinfonia, mas temos a belíssima Serenata para Cordas em Dó para finalizar o álbum. Enfim, um excelente repertório e uma grande oportunidade para os iniciantes terem, um pouco mais, contato com as mais populares obras de um dos maiores compositores de todos os tempos.

Nascido de uma família russa de classe média, Tchaikovsky parecia destinado à carreira jurídica. Aos 19 anos, tendo completado seus estudos de direito, ele arranjou um emprego como funcionário do Ministério da Justiça. Mas a atração pela música, que ele sentia desde criança, demonstrou-se irresistível. Entrou para o conservatório musical de São Petersburgo e abandonou o emprego para dedicar-se inteiramente à arte.
Desde o início, ele foi uma voz musical forte e independente. Mantinha relações amistosas com Balakirev e Rimsky-Korsakov, compositores nacionalistas russos. Mas, ainda que com frequência Tchaikovsky buscasse inspiração nas canções folclóricas de sua terra, continuava a usar as formas e técnicas dos mestres clássicos de maneira absolutamente pessoal. Os primeiros anos que dedicou à música foram difíceis, mas trouxeram-lhe crescente reconhecimento. Apesar de inseguro sobre as suas habilidades e atormentado por sua homossexualidade, produziu uma série de composições famosas – óperas, sinfonias, balés e outras partituras -, que são o legado de sua genialidade.

Na última década do século XIX, Tchaikovsky já era reconhecido como o maior compositor russo. Fora condecorado pelo czar, suas obras eram aplaudidas por toda a Europa e até por plateias da América. O caminho para a fama e o sucesso, no entanto, havia sido tortuoso e marcado pelas angustiantes crises emocionais que continuariam a assombrar o compositor até o final de sua vida.

Fonte: Encarte do álbum.

Uma ótima audição!

.oOo.

Coleção Grandes Compositores Vol. 15 – Piotr Tchaikovsky (2)

DISCO A

Violin Concert in D,Op. 35
01 Allegro moderato (17:51)
02 Canzonetta: Andante; Finale: Allegro vivacissimo (16:43)
Kyung Wha Chung, violin
Orchestre Symphonique de Montréal, Charles Dutoit

Romeo and Juliet, Fantasy Overture
03 (19:36)
Cleveland Orchestra, Riccardo Chailly

Marche Slave, Op. 31
04 (10:46)
Orchestre Symphonique de Montréal, Charles Dutoit

DISCO B

Nutcracker Suite, Op. 71a
01 Miniature overture; Characteristic dances (3:13)
02 March (2:23)
03 Dance of Sugar-Plum Fairy (1:44)
04 Russian Dance (1:08)
05 Arabian Dance (Coffee) (3:54)
06 Chinese Dance (Tea) (1:05)
07 Dance of the Reed-Pipes (2:26)
08 Waltz of the Flowers (6:40)

Serenade of Strings in C, Op. 48
09 Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo – Allegro moderato (8:52)
10 Waltz: Moderato (Tempo di valse) (3:37)
11 Elégie: Larghetto elegiaco (8:54)
12 Finale: (Tema Russo): Andante – Allegro con spirito (7:07)

Academy of St. Martin-in-the-Fields, Sir Neville Marriner

BAIXE AQUI – DOIS DISCOS / DOWNLOAD HERE – TWO DISCS

Marcelo Stravinsky

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Violin Concertos – Simon Standage – Christopher Hogwood – Academy of Ancient Music

Tudo indica que consegui resolver o problema de meu computador. Faltam apenas alguns detalhes de configuração para ele voltar ao que era antes. Creio que até o final de semana esteja tudo ok.
Muita gente tem pedido a repostagem destes concertos de Violino de Mozart com o Carmignola e com o Claudio Abbado, postagem de uns três anos atrás, creio. Porém, no momento, não é possivel fazer esta repostagem pelo simples fato de não ter mais este cd, devido a diversos problemas que tive nos últimos tempos com meu computador pessoal, onde ele estava armazenado.
Para os mais necessitados, digamos assim, por uma gravação histórica, resolvi tirar do baú esta gravação do Simon Standage, nos tempos em que ele era o spalla da “Academy of Ancient Music”, nos bons tempos do Christopher Hogwood. Esta gravação foi realizada em 1987, e o Standage ainda não tinha criado seu excelente conjunto “Colegium Musicum 90” . Sua parceria com o Hogwood nos anos 80 rendeu gravações antológicas, alimentando mais o comércio das gravações de orquestras que tocavam com instrumentos de época. Nesta gravação específica, o violino de Standage é uma réplica de um Stradivarius de 1703.
Adoro estes concertos, já devo tê-los ouvido umas cinquenta vezes cada um. Gosto muito das gravações do Oistrakh, realizadas ainda nos anos 60, se não me engano, e entre as recentes, a Julia Fischer fez um trabalho extraordinário. Não posso esquecer de nossa eterna musa, Anne-Sophie Mutter que há uns 5 anos atrás regravou os cinco concertos, além da Sinfonia Concertante.
Um detalhe interessante: as cadenzas são do próprio Standage. O homem não é fraco não, como diziam na minha terra.

Wolfgang Amadeus Mozart – Violin Concertos – Simon Standage – Christopher Hogwood – Academy of Ancient Music

CD 1

1 Violin Concerto n°1, in B Flat major, K. 207 – I – Allegro moderato
2 II – Adagio
3 III – Presto

4 Violin Concerto n°2, in D major, K. 211 – I – Allegro moderato
5 – II – Andante
6 – III – Rondeau

7 – Violin Concerto in G Major, K. 216 – I – Allegro
8 – II – Adagio
9 – III – Rondeau: Allegro
10 – Rondo in B Flat Major, K. 269

CD 2

1 – Violin Concerto n° 4, in D Major, K. 218 – I – Allegro
2 – II – Andante Cantabile
3 – III – Rondeau: Andante gazioso
4 – Violin Concerto n°5, in D Major, K. 219 – I – Allegro aperto
5 – II – Adagio
6 – III – Rondeau: Tempo de menuetto
7 – Adagio in E major, K. 261
8 – Rondo in C Major, K. 373

Simon Standage – Violin
The Academy of Ancient Music
Christopher Hogwood – Director

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DONWLOAD HERE
FDPBach

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Early String Quartets

Estes quartetos de cordas do mestre Ludwig van Beethoven estavam separados há muito tempo para serem postados. Não sei o porquê de não ter postado há mais tempo. O fato é que fui abandonando o empreendimento e uma certa omissão me tomou por completo. Mas como estou de bom humor no dia de hoje, resolvi-me por postar esta extraordinária caixa com os imortais quartetos do mestre de Bonn, tendo o Melos Quartett como porta voz. Na verdade, tratam-se de duas caixas, ambas com 3 CDs. A primeira chama-se The Early String Quartets e a segunda The Middle String Quartets. A primeira caixa sairá no dia de hoje e a segunda no próximo final de semana. Sobre os quartetos de cordas de Beethoven é importante dizer que estão entre as produções mais brilhantes e geniais do alemão. Sendo assim, comecemos a audição agora mesmo. Uma boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Early String Quartets

DISCO 01

String Quartet in F, op.18 No.1
01. I. Allegro con brio
02. II. Adagio affettuoso es appassionato
03. III. Scherzo. Allegro molto
04. IV. Allegro

String Quartet in G, op.18 No.2
05. I. Allegro
06. II. Adagio cantabile – Allegro – Tempo I
07. III. Scherzo. Allegro
08. IV. Allegro molto quasi Presto

DISCO 02

String Quartet in D, op.18 no.3
01. I. Allegro
02. II. Andante con moto
03. III. Allegro
04. IV. Presto

String Quartet in c, op.18 no.4
05. I. Allegro ma non tanto
06. II. Scherzo. Andante scherzoso quasi Allegretto
07. III. Menuetto. Allegretto
08. IV. Allegro – Prestissimo

DISCO 03

String Quartet in A, op.18 no.5
01. I Allegro
02. II Menuetto
03. III Andante canabile. Thema – Variationen I…
04. IV Allegro

String Quartet in B flat, op.18 no.6
05. I. Allegro con brio
06. II. Adagio ma non troppo
07. III. Scherzo. Allegro
08. IV. La Malinconia. Adagio – Allegretto …

Melos Quartett
Wilhelm Melcher, 1. violino
Gerhard Voss, 2. violino
Hermann Voss, viola (alto)
Peter Buck, Violoncello

BAIXAR AQUI CD1

BAIXAR AQUI CD2

BAIXAR AQUI CD3

Carlinus

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!