Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 4 em Sol e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Exsultate, Jubilate, K. 165

Costumo afirmar que a Quarta Sinfonia é uma “porta dimensional” para o mundo de Gustav Mahler. Ela é, didaticamente, uma janela que se abre para que enxerguemos as planícies infinitas da música do compositor astríaco e nos assustemos com isso. A música de Mahler é grande, imensa. Ouvi-la é ser convidado para experimentar o conflito, a libertação e o êxtase. Escutar Mahler é abrir uma janela, prafraseando Mario Quintana. O poeta gáucho costumava dizer que quem “escreve um poema, abre uma janela”. Ou seja, a música de Mahler provoca em nós aquela sensação de liberdade, alívio e esperança, que são experimentados quando abrimos uma janela e recebemos um borrifo de vento. Didaticamente, poderia sugerir ao ouvinte pouco afeito à textura provocante e filósofica e que busca ingressar pelos portões do mistério e caminhar nas trilhas largas da música do compositor, que deva começar a sua caminhada pela Quarta Sinfonia e depois a Primeira, a Quinta, a Sexta, a Terceira, a Segunda, A Oitava, a Sétima e a Nona. Essa seria um trilha segura, sem sobressaltos e sustos. Quando quero perceber uma certa gradação, uma escadaria poética, geralmente disponho as sifonias do austríaco dessa forma. Esse CD que posto é uma joia. Já ouvi umas cinco vezes essa semana. Ainda temos Mozart com a sua deliciosa Exsultate, Jubilate. Verdadeiramente uma baita CD! Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 4 em Sol

01. I. Bedächtig. Nicht eilen
02. II. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
03. III. Ruhevoll
04. IV. Das himmlische Leben. Sehr behaglich

Rafael Druian, violino solo
Judith Raskin, soprano

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Exsultate, Jubilate, K. 165
I. Allegro
II. Andante
III. Allegro

Judith Raskin, soprano

Cleveland Orchestra
George Szell, regente

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Carlinus

9 comments / Add your comment below

  1. Há uma curiosidade sobre Mahler: ele chegou a marcar uma consulta com Freud, em 1910, mas parece que ambos começaram a andar pela cidade, por várias horas, sendo que em seguida Freud mandou a conta, deixando-o furioso, – mediante a falta do que se chama de “setting”, para a consulta.
    Segundo me disseram, no entanto, o que mais deixou Mahler furioso foi que sua queixa era em relação ao fato de sua música ter passagens gloriosas, mas decair logo em seguida para momentos “acidentados”, faltando uma resolução, o que Freud interpretaria como uma dificuldade com o orgasmo. Freud teria querido “inovar” o modelo de sua consulta, seguindo inconscientemente os passos do compositor, que desejava abraçar o mundo e, no final, conseguia bem menos que isso…
    Mas a música de Mahler é maravilhosa; um pouco mortífera e até perigosa para a saúde, como na sexta sinfonia, ou mesmo na segunda; porém, uma das grandes realizações do homem! Mahler tentou avançar para muito além do que era viável ao humano, em sua época, e é um modelo para a nossa própria época, em que teremos de voltar atrás em muitas coisas… Mas passemos por ele, sempre, com cuidado, muito cuidado, porque é um ser perigoso para si mesmo e para os outros! Juntemo-lo a Brahms e Beethoven, se não for viável saltarmos diretamente a Ravel ou algo ainda mais leve. E mais moderação ainda se for com Tennstedt e até com Bernstein.

  2. Impagável o comentário do Hipólito, e fecha perfeitamente com o texto do Carlinus. E diria também que complementa.
    E coincidentemente também passei a semana ouvindo esta Quarta Sinfonia, mas com o Ozawa, e por pouco não a postei.
    Resumo da ópera, um Baita CD, ainda mais com o grande Gerge Szell, um dos maiores regentes do século XX.

  3. Mahler me tirou da escuridão, foi o autor que me apresentou a música clássica, em um momento especialmente difícil da minha vida. Assim, tenho uma relação estreita com os seus abismos sombrios, suas montanhas íngremes e luminosas…Não me assusta, não me faz mal, tampouco me indica a moderar-me. Pelo contrário. Passam-se os anos, diversificam-se cada vez mais as experiências musicais, mas sempre quando ouço Mahler parece que estou voltando para casa.

  4. mahler reinventou a música. Ao meu ver. De tudo o que ouvi, eu não consigo pensar em nomes mais fortes que reinventaram e influenciaram muito a música além desses nomes, como os grandes marcos:

    – Bach
    – Beethoven
    – Bruckner
    – Stravinsky
    – Mahler
    – Shostakovich

    alguem concorda comigo?

  5. O mundo vai avançando, Evandro, e a música deve ser sempre reinventada. Mas a questão brahmsiana do “para onde vamos?” precisa ser sempre lembrada, eu procuro manter meu pé no chão.

    Há outros marcos, também, como o nosso amigo Haydn, que foi o primeiro expoente naquele processo do Classicismo, bem como Wagner e Schöemberg, mas eu não gosto demais de nenhum desses três, prefiro Beethoven, Brahms, Mahler, volto um pouco para Bach, de vez em quando vou para Mozart, algum aperitivo shostakovichiano. Do século XX, Stravisnky é o grande expoente, com seu neo-classicismo seco, fora aquela violência da Sagração, que é uma das minhas músicas preferidas. Shosta revolucionou, também, mas foi uma revolução meio cubana e porca, eh, eh!!!

  6. Com o MegaUpload fora do ar, precisamos começar a restauração. No outro post o Rafael disse que o Carlinus era quem mais tinha coisa no MU, então busquei meus arquivos para ver o que tinha baixado dele. Alguns posts, infelizmente não todos, mas tenho duas óperas de Wagner, a integral de Dvorak com Kubelik e um ou outro post. Comecei por este aqui, Quarta de Mahler com Exsultate de Mozart:

    http://www.mediafire.com/?6z4ev23akozx7zf

    Amanhã de manhã mando mais quando os uploads terminarem.

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