Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 4 de 7 – Amadeus Quartet

Inaugurando nosso novo espaço, trago então o quarto cd da magnífica coleção do Amadeus Quartet tocando os Quartetos de Corda de Beethoven. Este cd completa a série conhecida como “Quartetos Rasumovsky”, e também traz o op. 74.
Para nós do PQPBach, ou de qualquer outro blog especializado em música clássica, ou de qualquer outro estilo musical, o sucesso de uma postagem mede-se pelo número de downloads e claro, pela satisfação dos leitores/ouvintes expressa nos comentários. E quando vejo o número de downloads dos cds desta coleção (média de 350 por cada cd) e os comentários fico muito feliz em saber que de alguma forma estamos contribuindo para que um maior número de pessoas tenham acesso à estes verdadeiros tesouros da cultura humana. No caso destes quartetos, então, nem se fala.E quando se trata do Quarteto Amadeus tocando estes quartetos, aí o pacote de satisfação é completo.
Os problemas de conexão de minha internet continuam, e se depender de minha operadora, OI/Brasil Telecom, continuarão ad infinitum, sem possibilidades de melhoras. Upar um cd de 150 mb numa velocidade de 20 kbp/s tira o tesão de qualquer um, e para piorar a situação, a conexão cai no meio do caminho. Para este quarto cd já foram três tentativas sem sucesso.

Mas vamos ao que interessa.

Ludwig van Beethoven – String Quartets – CD 4 de 7 – Amadeus Quartet

01- String Quartet 09 ‘Rasumovsky’, Op.59 No.3 – I. Introduzione
02- String Quartet 09 ‘Rasumovsky’, Op.59 No.3 – II. Andante
03- String Quartet 09 ‘Rasumovsky’, Op.59 No.3 – III. Menuetto
04- String Quartet 09 ‘Rasumovsky’, Op.59 No.3 – IV. Allegro molto
05- String Quartet 10, Op.74 ‘Harp’ – I. Poco Adagio – Allegro
06- String Quartet 10, Op.74 ‘Harp’ – II. Adagio ma non troppo
07- String Quartet 10, Op.74 ‘Harp’ – III. Presto – attacca-
08- String Quartet 10, Op.74 ‘Harp’ – IV. Allegretto con Variazioni

Amadeus Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FDPBach

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos for Violin, Brass Quintet and Percussion

Faz dias que este CD tem divertido o pessoal lá em casa. Os belos e engenhosos arranjos de Donato De Sena para metais e percussão e a atuação do violinista Andrea Tacchi garantem a excelência do CD. Não o recomendo como uma introdução à música de Piazzolla, porém, para os iniciados no mundo do grande Piazzolla, ele certamente será adição bem-vinda a suas coleções.

Em “Las 4 estaciones Porteñas”, De Sena colocou muito, mas muito Vivaldi no violino de Tacchi enquanto o conjunto de metais segue no Piazzolla. Vale a pena ouvir o fascinante jogo de timbres contrastantes.

IM-PER-DÍ-VEL PARA OS INICIADOS EM PIAZZOLLA !!!!

Astor Piazzolla: Tangos for Violin, Brass Quintet and Percussion

1. Violentango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:04:26
2. Amelitango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:04:07
3. Tristango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:05:32

Las 4 Estaciones Portenas (The 4 Seasons in Buenos Aires) (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion)
4. No. 1. Verano Portena 00:04:57
5. No. 2. Otono Portena 00:04:30
6. No. 3. Invierno Portena 00:05:47
7. No. 4. Primavera Portena 00:04:18

8. Undertango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:04:30
9. Novitango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:03:49
10.Histoire du Tango (History of the Tango): I. Bordel 1900 (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion) 00:04:02
11.La Muerte del Angel (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion) 00:03:19
12.Meditango (arr. D. De Sena for brass quintet and percussion) 00:06:15
13.Ave Maria (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion) 00:02:42
14.Oblivion (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion) 00:03:49
15.Libertango (arr. D. De Sena for violin, brass quintet and percussion) 00:02:06

Total Playing Time: 01:04:09

Andrea Tacchi, violino
Quintetto di Ottoni e
Percussioni della Toscana

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

George Philipp Telemann (1681—1767): Darmstadt Overtures (Completas)

Os livros de Nikolaus Harnoncourt devem ser lidos por todos que queiram entender a música barroca e o classissismo. O Diálogo Musical e O Discurso dos Sons são grandes lições. Mas, se Harnoncourt escreve maravilhosamente e é um teórico de peso — sendo um dos caras que criaram a interpretação por instrumentos originais — , nem sempre acerta como regente. Não é o caso este CD duplo. Aqui, ele faz um golaço, tanto que estes CDs têm sido sistematicamente reeditados.

Apesar de muito mais popular do que Bach, Telemann foi bem menor. A distância que o separa de meu pai não é tão grande quanto o abismo que há entre Michel Teló e Chico Buarque ou entre Philip Glass e Steve Reich, contudo os dois foram muito diferentes. O humor de Bach é muito sutil, o de Telemann é escancarado; Bach compunha às pressas, porém com extremo cuidado; enquanto Telemann publicava indiscriminadamente. Sua produção foi imensa — 3000 peças — e seus biógrafos gostam de elogiar este ponto, mas… vai lá ouvir! Não dá.

Aqui temos uma das várias exceções. Nas Aberturas (ou Suítes) Darmstadt, a música flui como poucas, dando razão à popularidade do moço. E, como dissemos, Harnoncourt dá seu show.

George Philipp Telemann (1681—1767) : Darmstadt Overtures (Completas)

Disc: 1
1. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4: Overture (Grave-Allegro-Grave)
2. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4: Rondeau (Gayement)
3. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Les Irresoluts (a discretion)
4. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Les Capricieux
5. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Loure
6. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Gasconnade
7. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Menuet I alternativement Menuet II

8. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Overture (Grave-Allegro-Allegro)
9. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Harlequinade
10. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Espagnol
11. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Bouree en Trompette
12. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Sommeille
13. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Rondeau
14. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: MenuetI alternativement Menuett II
15. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Gigue

16. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Overture (Grave-Allegro-Grave)
17. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Menuet I alternativement Menuet II
18. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Gavotte
19. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Courante
20. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Air
21. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Loure
22. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Hornpipe
23. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Canaries
24. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Gigue

Disc: 2
1. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Overture
2. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Prld (Tres vite)
3. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Gigue
4. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Menuet I-Menuet II
5. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Harlequinade
6. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Loure
7. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Rondeau
8. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Rejouissance

9. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Overture
10. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Les Plaisirs
11. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Air a l’Italien
12. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Menuet l Alternativement Menuet II
13. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Rejouissance
14. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Passepied I/II
15. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Polonaise

16. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Overture
17. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Menuet I alternativement Menuett II
18. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Rondeau
19. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Sarabande
20. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Passepied
21. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Plainte
22. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Allemande
23. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Chaconne
24. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Gigue

Vienna Concentus Musicus
Nikolaus Harnoncourt

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (5) Salvator Rosa (2004-Benini) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Se você entrou no P.Q.P.Bach algumas vezes hoje, vai ver que o post foi mudando, foi crescendo. Ele já havia ido ao ar quando pude acrescentar o texto. Coisas que acontecem depois do carnaval, quando colocamos a vida em ordem…
Sem mais delongas e desculpas em andrajos, apresentamos a vocês nesta semana mais uma versão da ópera Salvator Rosa, de Antonio Carlos Gomes, esta, uma luxuosa montagem ocorrida no Festival del Valle D’Itria em 2004, sob a batuta de Maurizio Benini, contando a história (romanceada) do pintor, ator e poeta italiano (1615-1673). Acredito que seja a gravação mais recente de uma ópera de Gomes.
Uma coisa que me dá uma ponta de ânimo é ver que, mesmo havendo poucas execuções e gravações da obra de Nhô Tonico, elas vêm ocorrendo com uma frequência maior de uns 15 anos pra cá, muito por conta das comemorações do centenário de falecimento do compositor, em 1996, que ajudaram a tirar um pouco a poeira que há tempos vinha cobrindo e obscurecendo sua belíssima obra: tivemos aí as gravações búlgaro-brasileiras d’O Guarani, Maria Tudor, Fosca e duas desta Salvator Rosa, ambas italanas, além da restauração das partituras e montagem da nunca gravada Joanna de Flandres (e, pouco antes, a montagem de Neshling com Plácido Domingo para O Guarani). Ainda é pouco, se compararmos com nomes grandes, como Verdi, Wagner ou Puccini, mas há pequenos avanços e ver que as montagens foram feitas no exterior dá-me o conforto de perceber que o nome de Antonio Carlos Gomes tem recebido um pouco mais do merecido reconhecimento que lhe é devido, afinal, em seu tempo era o segundo operista mais executado e assistido na Itália, atrás somente de Verdi, que reinava absoluto no cenário operístico de então.
Já afirmei na postagem passada que Salvator Rosa foi um tremendo sucesso em sua estreia. Reafirma Marcus Góes:

Tal foi o sucesso do “SALVATOR ROSA” em 1874 em Gênova, que foi com essa ópera que a Scala de Milão abriu sua temporada no mesmo ano. Gomes se tornou figura popular da capital lombarda. Todos falavam de sua vasta cabeleira, apelidaram-no de “testa di leone” (cabeça de leão), os restaurantes ofereciam pratos “à Carlos Gomes” e uma taça de sorvetes “Peri e Cecilia” com sorvetes de chocolae e creme lado a lado. Os humoristas diziam que quem então fazia música em Milão era um índio…

Sobre a peça em si não irei comentar muito, pois tanto já foi dito na postagem anterior. Posso lhes afirmar que esta montagem é muito boa! Boa orquestra, grandes solistas, apenas com aqueles problemas advindos da gravação ao vivo, o que não compromete o todo, ou seja, uma grande ópera de Carlos Gomes numa ótima apresentação, portanto, IM-PER-DÍ-VEL!!!

Salvator Rosa (1874)
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Libreto: Antonio Ghislanzoni
Baseado na novela Masaniello, de Charles Jean-Baptiste Jacquot

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Mia Piccirella
Ato I – 03 Vero Figliuol do Napoli
Ato I – 04 All’armi! Addio Io Vuol!
Ato I – 05 Forma sublime, etérea
Ato I – 06 Salvator! Celaveti Figute
Ato I – 07 Via l’arte e l’alegria
Ato I – 08 Delle truppe rispondi
Ato I – 09 Padre, a te il grido innalzasi
Ato I – 10 Quel dolce resguardo m’ha beato il cor!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 13 Di Masanielo il mensagier
Ato II – 14 Sulle rive della Chiaia… L’acento dell’amor
Ato II – 15 Per questa augusta imagin del Dio
Ato II – 16 A festa! A festa!
Ato II – 17 Poichè vi piace udir
Ato II – 18 Largo! Largo a Masanielo
Ato II – 19 Povero Nacqui, e ai perfidi
Ato II – 20 Viva! Viva! Su! Accorriamo!
Ato II – 21 Dov’è l’eroe del popolo
Ato III – 22 Le tazze Colmiamo
Ato III – 23 Strane parole mormorar le intensi
Ato III – 24 Di quelle sale il lezzo uccide
Ato III – 25 Là sù quel fragil legno
Ato III – 26 Si cerchi Masanielo
Ato III – 27 D’aura di luce ho d’uopo
Ato III – 28 Alla infelice suora sol rea d’amor
Ato III – 29 Sola il mio bianco crine
Ato IV – 30 Serenata
Ato IV – 31 Purchè ci sia del vino
Ato IV – 32 Al Ballo alle mense la notte
Ato IV – 33 Salvator! Libero sei!
Ato IV – 34 Ah! Ti trovo, Gennariello!
Ato IV – 35 Padre, in quela chiesa una strage si compie

Salvator Rosa – Mauro Pagano, tenor
Gennariello, jovem servo de Salvator – Sofiya Solovey, mezzo soprano
Duque dos Arcos, vice-rei de Napoli – Francesco Ellero D’Artegna, tenor
Isabella, sua filha – Francesca Scaini, soprano
Masaniello – Gianfranco Cappelluti, barítono
Conde de Bajadoz – Leonardo Gramegna, tenor
Fernandez, comandante das tropas espanholas – Salvatore Cordella, tenor
Bianca, dama espanhola – Annalisa Carbonara, soprano
Irmã Inês – Tiziana Spagnoletta, soprano
Fra Lorenzo, traidor – Emil Zhelev, baixo

Coro da Camera di Bratislava
Pavol Prochazka, regente do coro
Orchestra Internazionale d’Italia
Maurizio Benini, regente
Festival del Valle D’Itria
Palazzo Ducale, Martina Franca, 2004

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (118Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)
Ah, seja legal conosco: não deixe de deixar um comentário.

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) – The Complete Ballets – Swan Lake, Sleeping Beauty e The Nutcracker – Ansermet (6 CDs)


Tchaikovsky foi o mago das melodias perfeitas. Poucos compositores foram capazes de tão belas catedrais sonoras como as erigidas por ele. E o que dizer dos seus ballets? Certamente um dos momentos mais sublimes de sua obra. Em seus ballets há ritmo, cadência, mistério, força, beleza, evocação e sonho. Três são os seus ballets: O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra Nozes. O desejo de postar essas obras me instigou há alguns dias atrás quando eu tive a oportunidade de assistir ao filme O Cisne Negro, do diretor americano Darren Aronofsky. A película me causou funda impressão. A bela encenação da atriz Natalie Portman me deixou completamente absorvido pelos ballets de Tchaikovsky. Lembrei que dispunha dessa caixa com seis CDs com o gigante Ernest Ansermet, um dos grandes regentes do século XX. Disponho também de uma bela caixa com esses mesmos ballets sob a direção de Karajan. Mas os ballets de Tachaikovski por Karajan perto dos de Ansermet não passam de folclore. As gravações dos ballets por Ansermet foram realizadas na década de 50 do século passado, dispondo de mais de 60 anos. Mas o interessante é que a qualidade é notável. Os timbres dos sopros causam um efeito especial. Ansermet mostra a sua mestria nesses trabalhos que devem ser revisitados sempre que estivermos em busca de fantasia e beleza. Há alguns cortes nos ballets, mas o conjunto é fabuloso! Uma boa apreciação!

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) – The Complete Ballets – Swan Lake, Sleeping Beauty e The Nutcracker – Ansermet (6 CDs)

DISCO 01

Swan Lake

01. Introduction – No. 1 Scene (Allegro giusto)
02. No. 2 Waltz
03. No. 4 Pas de trois
04. No. 7 Subject – no. 8: Dance with Goblets
05. No. 10 Scene
06. No. 11 Scene No. 12 Scene No. 13 Scene
07. I. Tempo di Valse
08. V. Pas d’action: Odette et le prince
09. IV. Dans de petis cygnes
10. VI. Danse generale
11. II. Odette solo
12. VII. Coda
13. No. 15 Scene
14. No. 17 Scene: Entrance and Waltz of the Special Guests
15. No. 18 Scene
16. No. 21 Spanish Dance
17. No. 22 Neapolitan Dance
18. No. 23 Mazurka
19. No. 20 Danse Hongroise
20. No. 5 Pas de deux

DISCO 02

01. No. 28 – Scene (Allegro agitato)
02. No. 29 – Finale

Variations on a Rococo-Theme op. 33
03. Variations on a Rococo-Theme op. 33

Symphony No. 6 op. 74
04. I Adagio – Allegro non troppo
05. II Allegro con gracia
06. III Allegro molto vivace
07. IV Finale

DISCO 03

Sleeping Beauty

01. Introduction
02. No. 2 Dance scene
03. Introduction – adagio
04. Variation I – The Fairy of the Crystal Fountain
05. Variation II – The Fairy of the Enchanted Garden
06. Variation III – The Fairy of the Woodland Glades
07. Variation IV – The Fairy of the Songbirds
08. Variation V – The Fairy of the Golden Vine
09. Variation VI – The Lilac Fairy of the
10. Coda
11. No. 4 – Finale
12. No. 5 – Scene
13. No. 6 – Waltz
14. No. 7 – Scene
15. Rose Adagio
16. Dance of the Maids of Honour and the Pages
17. Aurora’s Variation
18. Coda
19. No. 9

DISCO 04

01. No. 10 – Entr’acte and Scene
02. No. 11 – Blind man’s Buff – No. 12 – Scene: Dances of the Courtiers
03. Scene
04. Dance of the Duchesses
05. Dance of the Baronesses
06. Dance of the Countesses
07. Dance of the marchionesses
08. No. 13 – Farandole: Scene – Dance
09. No. 14 – Scene: Prince Florimund and the Lilac Fairy – no. 15 – Pas d’action
10. Pas d’action: Aurora and Florimund
11. Aurora’s Variation
12. Coda
13. No. 16 – Scene
14. No. 17 – Panorama
15. No. 19 – Symphonic Entr’ acte – No. 20 – Finale: The Awakening
16. No. 21 – March
17. No. 22 – Polonaise: Procession of Fairy Tale Characters – no. 23 – Pas de quatre
18. Introduction
19. Variation I – The Golden Fairy
20. Variation II – The Silver Fairy
21. Variation IV – The Diamond Fairy – Coda
22. No. 24 – Pas de caractere: Puss-in-boots and the White Cat – no. 25 – Pas de quatre
23. Introduction
24. Variation I – Cinderella and Prince Charming
25. Variation II – The Bluebird and Princess Florine
26. Coda
27. No. 26 – Pas de caractere: Red Riding Hood and the Wolf
28. No. 27 – Tom Thumb –
29. No. 28 – Cinderella and Prince Fortune
30. Entree
31. Variation I – Florimund
32. Variation II – Aurora
33. Coda
34. No. 29 – Sarabande – no. 30 – Finale and Apotheosis
35. Finale
36. Apotheosis

DISCO 05

The Nutcracker

01. Miniature Overture
02. No. 1 – The Decoration of the Christmas Tree
03. No. 2 – March
04. No. 3 – Children’s Galop and Entry of the Parents
05. No. 4 – Arrival of Drosselmeyer
06. No. 5 – Grandfather’s Dance
07. No. 6 – Scene: Clara and the Nutcracker
08. No. 7 – Scene: The Battle
09. No. 8 – Scene: In the Pine Forest
10. No. 9 – Waltz of the Snowflakes

Act II

11. No. 10 – Scene: The Kingdom of Sweets
12. No. 11 – Clara and the Prince – No. 12 – Divertissement
13. Chocolate: Spanish Dance
14. Coffee: Arabian Dance
15. Tea: Chinese Dance
16. Trepak: Russian Dance
17. Dance of the Reed Pipes
18. Mother Gigogne
19. No. 13 – Waltz of the Flowers

DISCO 06

01. No. 14 Pas de deux
02. Variation I – Tarantella
03. Variation II – Dance of the Sugar Plum Fairy
04. Coda
05. No. 15 Final Waltz and Apotheosis

Suite for Orchestra No. 3 op. 55
06. I Elegie
07. II Valse melancolique
08. III Scherzo
09. IV Theme et variations

Suite for Orchestra No. 4 op. 61
10. I Gigue
11. II Menuet
12. III Preghiera
13. IV Theme et variations

Orchestre de la Suisse Romande
Ernest Ansermet, regente

BAIXAR AQUI CD01 / BAIXAR AQUI CD02
BAIXAR AQUI CD03 / BAIXAR AQUI CD04
BAIXAR AQUI CD05 / BAIXAR AQUI CD06

null

Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896) – Symphony No. 5 in B flat, WAB 105, Sinfonia No. 7 em Mi Maior, Symphony No. 8 in C minor, WAB 108 e Sinfonia No. 9 em Ré menor (4 CDs) – Van Beinum (Reupload)

null

Postado inicialmente em 4/12/2011.

É curioso este fato, mas ouvir Bruckner é ser remetido a galáxias luminosas e de profundo recolhimento. Nunca ouvi música tão luminosa, tão repleta por sensos de devoção elevante. A consequência da relação com a música de Bruckner nos engravida de um idealismo espiritualizante. Sentimo-nos nas altas montanhas, verdadeiros monges; um anacoreta, fugitivo dos mundos mesquinhos. Isso é tão bom que chega a nos fazer mal! É esse paradoxo que cria, em muitos casos, simpatias e antipatias pela música do compositor austríaco. Já fui bastante contestador da música desse seguidor de Wagner, mas aos poucos aprendi a reverenciá-lo. Suas sinfonias são tratados gigantes, serpentes com corpos elásticos, que se estendem por galáxias e galáxias. Essas sinfonias podem nos conduzir a mundos magicizantes ou nos esmagar por completo. Tudo depende da relação que estabelecemos com elas. Já tive os ossos esmagados uma porção de vezes, mas aprendi a me deixar levar por elas, nesse balanço, nessa viagem prolixa, que se repete, que se replica, que se repisa e nos mostra abismos, céus, paraísos, zonas escuras. É preciso aprender a ouvir Bruckner para poder suportar Bruckner. Resolvi postar estes quatro CDs como um convite ao aprendizando. As sinfonias aqui apresentadas são hinos a cultos e reverências sacralizantes. Van Beinum é o sacerdote que realiza liturgia. Bruckner é o querubim que nos faz viajar e conhecer o eterno, o puro, o santo. Uma boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Symphony No. 5 in B flat, WAB 105, Sinfonia No. 7 em Mi Maior, Symphony No. 8 in C minor, WAB 108 e Sinfonia No. 9 em Ré menor (4 CDs) – Van Beinum

DISCO 01

Symphony No. 5 in B flat,, WAB 105
01. 1. Introduction: Adagio – Allegro
02. 2. Sehr langsam
03. 3. Scherzo: Molto vivace – Trio
04. 4. Finale: Adagio – Allegro molto

DISCO 02

Sinfonia No. 7 em Mi Maior
01. I. Allegro moderato
02. II. Adagio (Sehr feierlich und sehr langsam)
03. III. Scherzo (Sehr schnell) & Trio (Etwas lang
04. IV. Finale (Bewegt, doch nicht zu schnell)

DISCO 03

Symphony No. 8 in C minor, WAB 108
01. I. Allegro moderato
02. II. Scherzo. Allegro moderato
03. III. Adagio. Feierlich langsam_ doch nicht schleppend
04. IV. Finale. Feierlich, nicht schnell

DISCO 04

Sinfonia No. 9 em Ré menor
01. I. Feierlich, Misterioso
02. II. Scherzo. Bewegt, lebhaft – Trio. Schnell
03. III. Adagio. Langsam, Feierlich

Você pode comprar este CD na Amazon Inglesa

Royal Concertgebouw Orchestra
Eduard van Beinum, regente

BAIXAR AQUI CD01
BAIXAR AQUI CD02
BAIXAR AQUI CD03
BAIXAR AQUI CD04

Carlinus

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violino (Mullova + Giardino Armonico)


Dizer o quê? Viktoria Mullova + Il Giardino Armonico + Giovanni Antonini + Vivaldi = Brilhantismo total. Como vocês sabem, FDP Bach sente o maior tesão pela sanguínea Mullova (OK, eu também). E ela toca muito. O conjunto que a acompanha não poderia ser mais adequado. Irreverente e atlético, o Giardino é um grupo notável e aqui dá um banho de competência, bem no espírito da esplêndida russa que parece preferir mulheres no lugar de homens — OK, fazer o quê? A mim, basta a fantasia. Mas… Ouçam bem o ataque das cordas do Giardino Armonico… Aquele tsc me deixa alucinado, é lindo! Os caras me deixam feliz quando tocam. Este é um disco absolutamente obrigatório para os numerosos amantes do barroco que seguem nosso blog.

IM-PER-DÍ-VEL !!!! É óbvio.

Vivaldi: Concertos para Violino (Mullova + Giardino Armonico)

1. Vivaldi – Concerto in D Major “Grosso Mogul” RV 208: I Allegro 5:40
2. Vivaldi – Concerto in D Major “Grosso Mogul” RV 208: II Recitativo: Grave 2:25
3. Vivaldi – Concerto in D Major “Grosso Mogul” RV 208: III Allegro 4:54

4. Vivaldi – Concerto in B Minor for 4 Violins, Op. 3 no.10 RV 580: I Allegro 3:33
5. Vivaldi – Concerto in B Minor for 4 Violins, Op. 3 no.10 RV 580: II Largo – Larghetto – Largo 2:06
6. Vivaldi – Concerto in B Minor for 4 Violins, Op. 3 no.10 RV 580: III Allegro 3:14

7. Vivaldi – Concerto in C Major RV 187: I Allegro 4:29
8. Vivaldi – Concerto in C Major RV 187: II Largo ma non molto 3:02
9. Vivaldi – Concerto in C Major RV 187: III Allegro 4:19

10. Vivaldi – Concerto in D Major “L’inquietudine” RV 234: I Allegro molto 1:59
11. Vivaldi – Concerto in D Major “L’inquietudine” RV 234: II Largo 1:29
12. Vivaldi – Concerto in D Major “L’inquietudine” RV 234: III Allegro 2:53

13. Vivaldi – Concerto in E Minor “Il favorito” RV 277: I Allegro 4:39
14. Vivaldi – Concerto in E Minor “Il favorito” RV 277: II Andante 3:40
15. Vivaldi – Concerto in E Minor “Il favorito” RV 277: III Allegro 4:37

Viktoria Mullova, violino
Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Handel: Ode for St. Cecilia's Day


Handel escreveu vários sambas-enredo. Há Messias, por exemplo, onde ele fantasia coisas sobre um personagem ficcional, e há muitas daquelas coisas que chamamos de óperas, mas que sabemos do que se trata. A Ode para Santa Cecília — porta-bandeira da música — é uma tremenda obra que deixará os pequepianos boquiabertos. Os sambas são fenomenais. Cuidem a dolência de What passion cannot Music raise. É espetacular, perfeito. Ouçam os corais como estão afinados ao puxador de samba, sem atravessar nunca. Tudo isto é uma Cantata escrita por John Dryden. O tema é menos fantasioso do que os dos sambas-enredo habituais: trata da teoria de Pitágoras da Harmonia Mundi, onde a música era uma força central na criação da Terra. Tudo bem, né? Fazer o quê? Baita e…

IM-PER-DÍ-VEL CD da Naxos. (Além de perfeito para um domingo de Carnaval).

Handel (sobre texto de John Dryden): Ode for St. Cecilia’s Day, HWV 76

1. Overture 00:03:35
2. Interlude 00:01:23
3. Recitative: From harmony, from heav’nly harmony 00:03:20
4. Chorus: From harmony 00:03:27
5. Air: What passion cannot Music raise 00:08:19
6. Air and chorus: The trumpet’s loud clangour 00:03:25
7. March 00:02:02
8. Air: The soft complaining flute 00:05:08
9. Air: Sharp violins proclaim 00:04:10
10. Air: But oh! what art can teach 00:04:15
11. Air: Orpheus could lead the savage race 00:01:46
12. Recitative: But bright Cecilia 00:00:42
13. Air and chorus: As from the powers of sacred lays 00:07:11

Total Playing Time: 00:48:43

Dorothee Mields
Mark Wilde
Alsfelder Vocal Ensemble
Concerto Polacco
Wolfgang Helbich

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Apoie os bons artistas, compre suas músicas.
Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 3 e 4 de 6 – Amadeus Quartet


O terceiro CD desta coleção traz dois dos famosos “Quartetos Razumovsky”, conjunto de três quartetos que Beethoven compôs por encomenda do embaixador russo em Viena. São peças muito executadas em que o compositor continua explorando as possibilidades de um quarteto de cordas. Não preciso dizer que são obras primas do repertório, obrigatórias em qualquer discoteca e que muitos dos senhores já devem conhecer de cor.
Infelizmente a conexão de minha internet não ajuda, senão postaria mais. Mas é preciso ter uma paciência de Jó para esperar quase uma hora e meia para subir um arquivo de 150 mb para o mediafire, rezando para que a conexão não caia.
Espero que apreciem este CD. Os números dos downloads dos dois primeiros cds foram bem animadores.

CD 3
1 String Quartet No.7 in F, Op.59 No.1 – “Rasumovsky No. 1” 1 1. Allegro
2 2. Allegretto vivace e sempre scherzando
3 3. Adagio molto e mesto
4 4. Thème russe (Allegro)
5 String Quartet No.8 in E minor, Op.59 No.2 -“Rasumovsky No. 2” -5 1. Allegro
6 2. Molto adagio
7 3. Allegretto
8 4. Finale (Presto)

BAIXE AQUI – D0WNLOAD HERE

Amadeus Quartet

FDPBach

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola


O Carnaval está aí e nada melhor para celebrar do que a boa música finlandesa. Olha o Sibelius chegando aí, gente!!! Todos sabem que a Finlândia é o país do Carnaval. Muitas loiras, vikings, malemolência, vodka e cerveja para acompanhar o salmão fresco defumado, o arenque do Báltico, as ovas de lota, a carne de alce e as frutas de fevereiro da Escandinávia. A terra do Papai Noel fica linda durante o Carnaval. Gansos sobrevoam lagos congelados, ouve-se o grasnar dos grous e escuta-se ecos do choro dos curleus sobre os brancos campos. Sibelius dizia que sua 6ª Sinfonia lhe lembrava “a queda dos primeiros flocos de neve”, mas isso é uma coisa pré-carnavalesca.

Paavo Berglund é um grande regente finlandês e, como tal, está extremamente associado ao Carnaval. Morreu faz mais ou menos de 20 dias, em 25 de janeiro e foi um imenso divulgador de Shostakovich em suas passagens por Bournemouth, pela Escócia, pela Orquestra de Câmara da Europa, por Helsinque, etc. Mas seu nome grudou mesmo em Sibelius. Berglund gravou 3 vezes o ciclo completo de sinfonias e poemas sinfônicos do bardo finlandês. Berglund foi um grande carnavalesco, porém não resistiu à depressão contraída após a morte de Joãosinho Trinta.

Este álbum duplo é uma joia que você deveria baixar e ouvir neste sábado de Carnaval.

Jan Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola

Disc 1:
1. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: I. Tempo molto moderato – Allegro moderato – Presto 13:40
2. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: II. Andante mosso, quasi allegretto 8:00
3. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: III. Allegro molto – Un pochettino largamente 8:48

4. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: I. Allegro molto moderato 8:14
5. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: II. Allegretto moderato 5:31
6. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: III. Poco vivace 3:55
7. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: IV. Allegro molto 11:11

Disc 2:
1. Symphony No. 7 in C Op. 105: Adagio 7:15
2. Symphony No. 7 in C Op. 105: Un pochettino meno adagio 3:01
3. Symphony No. 7 in C Op. 105: Poco rallentando al adagio 6:48
4. Symphony No. 7 in C Op. 105: Presto – Poco a poco rallentando al adagio 4:24

5. The Oceanides Op. 73 8:38

6. Finlandia Op. 26 7:26

7. Tapiola Op. 112 14:52

Paavo Berglund
Helsinki Philharmonic Orchestra

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Stefan Niculescu – Dois álbuns

Há pouco mais de quatro anos morreu Stefan Niculescu, compositor romeno pouco conhecido, pouco gravado, sobretudo fora da Romênia, a quem tento, dentro das minhas parcas possibilidade, divulgar um pouquinho mais. Não sei bem por quê, mas a Radio România Muzical e um blog estavam por estes dias homenageando o compositor. Fizeram uma semana de programação na rádio, postaram algumas coisas no Youtube, publicaram uma entrevista inédita (em romeno, tristemente). Por que depois de quatro anos, não sei muito bem. Fico a imaginar aqui que talvez a ficha tenha caída e tenham resolvido prestar as devidas homenagens (que não aconteceram, pelo que pude notar, logo após sua morte), mas a gente sempre duvida do milagre. De qualquer forma, aproveitando que, com as “festividades”, andei escutando Niculescu demais (e sempre me surpreendendo, pois mesmo uma nova gravação de uma peça conhecida sempre carrega, pela forma como é escrita e pela liberdade de inflexão que permite ao intérprete, um sabor de coisa nova), resolvi postar aqui material de dois vinis que tentei com o maior carinho transferir para mp3 (embora o resultado sempre deixe a desejar). Espero que estejam a contento. Converti só um lado de cada LP, pois o outro de cada foi lançado em cd pela Olympia. Já postei esses cds (com as sinfonias 2 e 3), mas só para ficar o álbum completo, posto novamente aqui.

São — as peças aqui apresentadas — músicas pelas quais tenho um carinho sem fim. Niculescu sabe como nenhum outro compositor trafegar no escuro e no claro. Com doçura e violência. E a doçura é de uma intensidade tão impressionante quanto a violência. Acho que já disse isso aqui, mas me repito porque o argumento é importante para mim. Ao contrário de tantos compositores que escuto por aí, vários inclusive muito bons, alguns dos quais ainda pretendo postar aqui, a doçura, a comunicabilidade de uma peça como a Sincronia II não se apresenta em nenhum momento como um passo para trás. Ao contrário, é desbragada e ousada, uma coisa de quem não tem medo nem de abandonar os clichês da vanguarda (aproveitando-se de sua bagagem) nem resolve retroceder para o lugar protegido de um teórico público resistente a novidades.

Não comento as sinfonias 2 e 3, sobre as quais já falei anteriormente. As outras peças caminham mais claramente para a escuridão, conforme retrocedem no tempo (a Sincronia é de 1980; Unisonos II, de 1972; Tastenspiel, de 1968; e Heteromorfia, de 1967). As obras me interessam menos conforme retrocedem, o que não deixa de ser uma deliciosa prova de avanço e amadurecimento. Ainda assim, é bem verdade, tanto Unisonos II quanto Heteromorfia são peças fabulosas, cheias de sabor. Unisonos II parece brincar com a violência e a aspereza, guarda assim um fundinho delicioso do não levar a sério o clima que constrói, jogando com a ambiguidade (neste sentido, me lembra aquelas peças melancólicas do Villa, nas quais o que mais sobressai é o prazer, um prazer de melancolia que nos faz desconfiar de ser realmente melancolia, ainda que se derrame candente). Heteromorfia é, em vários apectos, um estudo de heterofonia, técnica que foi cara a Niculescu, com incursões numa aleatoriedade controlada (num esquema um pouco diferente do de Lutoslawski, já que, de fato, as peças mudam muito conforme a interpretação); é uma peça de materialização, de moldar o som. Ainda mais violenta que Unisonos II, não há aqui qualquer nesga de ambiguidade, só um afundar-se no mundo denso da música.

Boa diversão!

Stefan Niculescu (1927-2008)

ST-ECE 02036
01 Sinfonia nº2 “Opus Dacicum” (1979-80), para orquestra
02 Eteromorfie (Heteromorfia) (1967), para orquestra
03 Tastenspiel (O jogo das teclas) (1968), para piano

Alexandrina Zarleanu, piano (faixa 3)
Orquestra Filarmônica “Banatul”de Timisoara (faixa 1)
Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Romena (faixa 2)
Remus Georgescu (faixa 1)
Iosif Conta, regente (faixa 2)

ST-CS 0197
01 Sinfonia nº3 “Cantos” (1984), para sax e orquestra
02 Sincronia II “Homenagem a Enesco e Bartók” (1980), para orquestra
03 Unisonos II (1972), para orquestra

Daniel Kientzy, saxofones (faixa 1)
Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Romena
Iosif Conta, regente (faixa 1)
Cristian Brâncusi, regente (faixas 2 e 3)

BAIXE AQUI

itadakimasu

Gostou? Compartilhe:


!function(d,s,id){var js,fjs=d.getElementsByTagName(s)[0];if(!d.getElementById(id)){js=d.createElement(s);js.id=id;js.src=”//platform.twitter.com/widgets.js”;fjs.parentNode.insertBefore(js,fjs);}}(document,”script”,”twitter-wjs”);

(function(d, s, id) {
var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];
if (d.getElementById(id)) return;
js = d.createElement(s); js.id = id;
js.src = “//connect.facebook.net/pt_BR/all.js#xfbml=1”;
fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);
}(document, ‘script’, ‘facebook-jssdk’));

Phillip Glass (1937-) – Itaipu and Three Songs (LINK REVALIDADO)

Este CD maravilhoso estava comigo há mais de um ano, mas foi somente hoje que eu o escutei.  A Cantata Itaipu foi composta por Glass no ano de 1989 em homenagem à hidrelétrica de mesmo nome, construída sobre o Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O trabalho foi encomendado pela Orquestra Sinfônica de Atlanta. Atualmente, o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer “um preço de mercado justo” (palavras dele) pela energia que o Paraguai vende ao Brasil. Mas isso é outra história. O texto da cantata de Glass foi composta em guarani, com tradução feita por Daniela Thomas, por informações não oficiais, parece que ela é filha do cartunista Ziraldo. Corrijam-me se estiver errado. Aproveitem!

Phillip Glass (1937-) – Itaipu and Three Songs

01. Mato Grasso [11:54]
02. Itaipu – The Lake (O Lago) [8:23]
03. Itaipu – The Dam (A Represa) [11:17]
04. Itaipu – To the Sea (Ao Mar) [4:52]

Los Angeles Master Chorale
Grant Gershon, regente

05. There are Some Men (Leonard Cohen) [2:52]
06. Quand les Hommes (Raymond Levesque) [2:59]
07. Pierre de Soleil (Octavio Paz) [4:02]

Crouch End Festival Chorus
David Temple, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Carlinus (Revalidado por PQP)

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (5) Salvator Rosa (1977-Blech) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Depois de conhecer somente sucessos estrondosos com A Noite do Castelo, Joanna de Flandres e Il Guarany, Antônio Carlos Gomes ficou apreensivo com a recepção mediana do público e dura da crítica em Fosca. Já casado e com uma vida de ostentação (morava em um palacete num subúrbio de elite de Milão) que lhe exigia elevados custos para sua manutenção, Gomes se viu necessitado de compor rapidamente uma nova peça para obter renda e manter seu alto padrão de vida. Mais que isso, para “recuperar” sua imagem, que ele via como que manchada ante o público pela recepção não tão boa de Fosca.
Assim, apenas um ano após sua estreia da quarta ópera, Carlos Gomes fazia subir ao palco sua quinta obra do gênero: Salvator Rosa, que traz a história do personagem-título (que existiu realmente: Rosa era pintor, músico, ator e poeta e criou um importante círculo artístico em sua cidade), envolvido numa revolta popular em Nápoles contra os dominadores espanhóis e, cruel coincidência, apaixonado por Isabella, filha do governante hispânico, Duque d’Arcos.
Carlos Gomes desta vez abriu mão de inovações e cedeu ao gosto do público e dos padrões italianos. Abandonou o leitmotiv que havia aparecido em Fosca e buscou, com o prestigioso libretista Ghislanzoni, daquela mesma obra, apresentar uma história com a qual os italianos se identificassem mais. O personagem principal é um pintor e revolucionário muito querido no imaginário da Itália. Somam-se a isso os trechos dos insurgentes, cheios de patriotismo, as cenas de festas, bailes e bons duetos, além da tradicional e recorrente história de amor arrebatador que, levado às últimas consequências, culmina em morte… E depois da densa, escura e dramática Fosca, Gomes fez de Salvator Rosa, mesmo se tratando de tragédia, uma ópera muito mais leve, talvez a mais leve por ele escrita até então, com um fraseado mais simples e claro e com a presença de personagens cômicos, como Gennariello, divertido ajudante adolescente de Salvator interpretado por uma soprano travestida de homem. Sua ária, “Mia Piccirella”, se tornaria muito popular na Itália daquele tempo.
Com tantos elementos favoráveis, Salvator Rosa agradou imensamente ao público e teve uma estreia verdadeiramente estrondosa, a ponto de Carlos Gomes ter que retornar ao palco nada menos de 36 vezes para receber os incessáveis aplausos da plateia!!!

Vejamos um pouco sobre a música em si de Salvator Rosa:

Do ponto de vista da orquestração, Salvator Rosa é tão bem cuidada quanto a Fosca, embora harmonicamente possua texturas mais simples. O emprego freqüente dos tutti instrumentais, o cromatismo de certas passagens impetuosas, a veemência com que Carlos Gomes se expressa em determinados momentos já anunciam, à distância, a ênfase característica dos veristas. Uma página sinfônica especialmente bem escrita é a abertura, construída sobre os temas das árias e duetos principais. No artigo sobre a ópera para o já citado Carlos Gomes: uma Obra em Foco, Leo Laner faz cuidadosa análise dessa abertura, demonstrando – inclusive através de um gráfico que ajuda a visualizar seus três episódios e a ordem em que neles os temas se entrelaçam – o equilíbrio e a harmonia de proporções obtida pelo compositor.
Portanto, embora visando a cativar o favor do público com o retorno a moldes mais acessíveis, o compositor mostra também ter atingido, nessa ópera, um estágio de grande maturidade na utilização de seus recursos expressivos. É pena, portanto, que tantos trechos mais vulgares acabem empanando o brilho de outras páginas mais bem compostas (Lauro Machado Coelho)

Na gravação que disponibilizamos, a primeira integral desta ópera, estão nomes importantíssimos da cena lírica nacional, como Benito Maresca (falecido no ano passado), Ruth Staerke e Paulo Fortes. Só figurões de nossa música!
Em tempo, Salvator Rosa é a ópera mais conhecida de Carlos Gomes na Itália. Então, ouça-a: se o exigente público de lá obrigou Carlos Gomes a voltar tantas vezes ao palco, sob calorosas ovações, a peça só pode ser IM-PER-Dí-VEL!!!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Salvator Rosa (1874)
Libreto: Antonio Ghislanzoni
Baseado na novela Masaniello, de Charles Jean-Baptiste Jacquot

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Mia Piccirella
Ato I – 03 Vero Figliuol do Napoli
Ato I – 04 All’armi! Addio Io Vuol!
Ato I – 05 Forma sublime, etérea
Ato I – 06 Salvator! Celaveti Figute
Ato I – 07 Via l’arte e l’alegria
Ato I – 08 Delle truppe rispondi
Ato I – 09 Padre, a te il grido innalzasi
Ato I – 10 Quel dolce resguardo m’ha beato il cor!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 13 Di Masanielo il mensagier
Ato II – 14 Sulle rive della Chiaia… L’acento dell’amor
Ato II – 15 Per questa augusta imagin del Dio
Ato II – 16 A festa! A festa!
Ato II – 17 Poichè vi piace udir
Ato II – 18 Largo! Largo a Masanielo
Ato II – 19 Povero Nacqui, e ai perfidi
Ato II – 20 Viva! Viva! Su! Accorriamo!
Ato II – 21 Dov’è l’eroe del popolo
Ato III – 22 Le tazze Colmiamo
Ato III – 23 Strane parole mormorar le intensi
Ato III – 24 Di quelle sale il lezzo uccide
Ato III – 25 Là sù quel fragil legno
Ato III – 26 Si cerchi Masanielo
Ato III – 27 D’aura di luce ho d’uopo
Ato III – 28 Alla infelice suora sol rea d’amor
Ato III – 29 Sola il mio bianco crine
Ato IV – 30 Serenata
Ato IV – 31 Purchè ci sia del vino
Ato IV – 32 Al Ballo alle mense la notte
Ato IV – 33 Salvator! Libero sei!
Ato IV – 34 Ah! Ti trovo, Gennariello!
Ato IV – 35 Padre, in quela chiesa una strage si compie

Salvator Rosa – Benito Maresca, tenor
Isabella – Nina Carini, soprano
Masaniello – Paulo Fortes, barítono
Gennariello – Ruth Staerke, soprano
Duca d’Arcos – Edilson Costa, baixo
Conde de Badajoz – Aguinaldo Albert, tenor
Fernandez – Ayrton Nobre, tenor
Corcelli – Wilson Carrara, baixo
Bianca – Leyla Taier, soprano
Soror Ines – Leyla Taier, soprano
Fra Lorenzo – Boris Farina, baixo

Orquestra e Coro do Theatro Municipal de São Paulo
Simon Blech, regente
Theatro Municipal de São Paulo, 1977

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (228Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)
Mas comente. É muito importante para nós…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Gostou? Compartilhe:

Michael Daugherty (1954 – ): Metropolis Symphony

Quando um compositor não tem referências culturais em sua infância e junto a isso, uma vida entediante e normal, dificilmente sua obra terá características próprias e originais. Por outro lado, na nossa sociedade descartável, muitos compositores negam suas origens por vergonha mesmo. Que compositor teria coragem de colocar em suas obras traços influenciados pelas bailarinas do chacrinha ou da égua pocotó? Mas ao negar sua origem, o compositor abusa de referências alemãs serialistas e sonoridades stockhausianas. Por isso a música deste tipo de compositor soa travestida, esse mundo ele não viveu.
O compositor americano Daugherty não se acovarda, além de não esconder suas referências culturais, ele as homenageia. Fã do super-homem desde menino, escreveu uma sinfonia em comemoração aos cinquenta anos (1988) da criação deste personagem. Eu já tive a oportunidade de ver está a sinfonia Metropolis ser apresentada na Holanda. Todo o público ficou satisfeito com a riqueza orquestral, mas o melhor de tudo, e o público sabia disso, aquele mundo era nosso. Os movimentos sinfônicos estão nesta ordem: 1 – Lex, referencia ao super vilão Lex Luthor, aqui representado por um violino endiabrado; 2 – Krypton, o planeta destruído do super-homem. O movimento é sombrio, os detalhes percussivos são riquíssimos; 3 Mxyzptlk, o duende da quinta dimensão. Pelas firulas das flautas, este movimento representa o scherzo da sinfonia. 4- Oh Lois! é um movimento alucinante, um pequeno concerto para orquestra em 5 minutos. Referência óbvia à jornalista Lois Lane. 5 – Red Cape Tango, o último movimento, a trágica batalha do super-homem com Doomsday, o canto medieval Dies Irae é desenvolvido, assim como no final da sinfonia fantástica de Berlioz, para dá o tom fúnebre ao destino do super-homem.
Já a outra obra do disco, Deus Ex Machina (2007) para piano e orquestra, é um concerto dedicado aos trens. O concerto tem o padrão rápido-lento-rápido dos concertos clássicos, mas a orquestra e piano estão em pé de igualdade, podemos dizer que está peça está mais para uma sinfonia concertante para piano e orquestra. Muito empolgante.

Faixas:
1. Metropolis Symphony: I. Lex
2. Metropolis Symphony: II. Krypton
3. Metropolis Symphony: III. Mxyzptlk
4. Metropolis Symphony: IV. Oh, Lois!
5. Metropolis Symphony: V. Red Cape Tango
6. Deus ex Machina: I. Fast Forward (Di andata veloce)
7. Deus ex Machina: II. Train of Tears
8. Deus ex Machina: III. Night Steam

Orchestra Nashville Symphony
Conductor by Giancarlo Guerrero

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

cdf

Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704): Unam Ceylum (Sonatas para Violino)

Mais um CD de Biber. Mais uma surpresa deste grande e quase desconhecido compositor. Biber era um virtuose do violino e Kapellmeister. Seu grupo de “Sonatas Bíblicas” já fazem parte do repertório dos violinistas barrocos e, aqui, John Holloway resgata mais sonatas de Biber da imerecida obscuridade. O disco inclui duas sonatas inéditas e quatro da coleção Biber de 1681, a qual consolidou sua posição entre os seus contemporâneos, mas ainda não entre nós. Todas as obras estão cheias de deslumbrantes efeitos técnicos e reviravoltas inesperadas. A Sonata em Fá Maior (Nº 3), por exemplo, equilibra belas melodias com um monte de surpresas, tanto musicais quanto técnicas, concluindo com uma grande chaconne. Holloway está à altura das demandas que Biber impõe. Ele está acompanhado de cravo e órgão. Dá para dizer tranquilamente que este disco é uma escandalosa incursão na extravagância barroca. Biber voltou para restabelecer seu nome entre os maiores barrocos. Uma descoberta. Mais grande música aqui.

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Biber — Unam Ceylum (Sonatas para Violino)

1. Sonata III F major from Sonatae Violino solo 1681
2. Sonata IV D major from Sonatae Violino solo 1681
3. Sonata No. 81 A major – unpublished
4. Sonata VI C minor from Sonatae Violino solo 1681
5. Sonata VII G major from Sonatae Violino solo 1681
6. Sonata No. 84 E major: Adagio – unpublished

John Holloway: violin
Aloysia Assenbaum: organ
Lars Ulrik Mortensen: harpsichord

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

Cada vez que penso no Máli não consigo deixar de lembrar que a primeira caracterização desse país que uma enciclopédia me ofereceu começava dizendo: “um dos países mais pobres do mundo” – afirmação seguida, naturalmente, de uma série de números que, pela mentalidade ocidental dominante, resumem tudo o que existe de relevante no real.

Por isso vocês hão de imaginar meu espanto quando mais tarde descobri que há não tantos séculos assim esse era o nome de um nos impérios mais extensos e poderosos do mundo. Ao ver fotos de crianças lindas e evidentemente bem nutridas às margens do Rio Níger. Ao saber da imensa diversidade étnica e cultural que a região contém, e que se mostra exuberantemente todos os anos no Festival sur le Niger, na cidade de Segu ou Ségou. Diante da espantosa arquitetura em adobe de Djenné ou de Mopti, e dos 600 mil manuscritos remanescentes da universidade medieval de Tombúktu – etc. etc. E, talvez mais que tudo, diante da sutil e refinada tradição de música instrumental que se expressa, por exemplo, em Toumani Diabaté, de que já fiz uma postagem aqui.

O som que trago hoje parecerá menos “clássico” – quem sabe já por envolver palavra cantada em vozes não impostadas -, e não estranharei se alguém disser que “parece tudo igual”. Caso isso aconteça, pedirei antes de mais nada que o ouvinte lembre de conceitos como “minimalismo” antes de descambar pra palavras como “primarismo”; e em segundo lugar que microscopize um pouco mais sua atenção e seus ouvidos, lembrando que, segundo dizem, não apenas o diabo mas também Deus mora nos detalhes (hora em que cabe invocar o desafio de não lembro qual compositor dos anos 60-70 que o Padre Penalva lançava sempre aos seus alunos: “quando estiver achando uma música monótona, desconfie de si mesmo”).

Bassekou Kouyaté já trabalhou com Toumani Diabaté mas não toca a espécie de harpa que é a kora, toca ngoni, instrumento de cordas com braço. Seu conjunto de ngonis, percussão e voz se chama Ngoni Ba, e conta com a participação vocal da sua mulher Ami Sacko. O CD, premiado como o melhor de “world music” em 2007 pela BBC3, tem “blue” no nome. Um disco de blues?

Não. Ou… quem sabe talvez. Ou talvez de certa forma sim… Querem saber? Ouçam! Mas sugiro que também “ouvejam” o primeiro dos vídeos abaixo: no calor da interpretação ao vivo diante da multidão, parece gritante um caráter de blues – e na quietude “cool” da gravação de estúdio onde é que ele foi parar? É a mesma música… Minha impressão é que o tal caráter não está ausente, mas como que “virado para dentro”; ou em estado latente, potencial.

Algum bluesman que tocou com Bassekou (não lembro qual, desculpem, li faz anos) saiu declarando que havia descoberto a região de origem do blues. Suspeito que seja exagero. Quando falo de “ancestralidade” no título não quero dizer que essa música do Máli seja avó do blues ou do jazz ou algo assim, e sim que têm ancestralidade em comum. Afinal, Bassekou Kouyaté vive hoje, nasceu quando Muddy Waters e Howlin’ Wolf já tinham mais de 50 anos (cada!), e as vias que unem a África ao resto do mundo não são de mão única. Bassekou é um cultor atual da música de raiz de sua terra, mas nesse cultivo não deixa de levar em conta o aroma dos frutos que a mesma árvore produziu quando transplantada a outros continentes. E muito mais que um avô, eu o veria como um primo dos jazzmen e bluesmen desse mundo.

Bom, essa a minha impressão – e agora é com vocês – nas palhinhas ao estilo do Avicenna e no CD para baixar.
 
Palhinha 1: Bassekou e seu grupo em apresentação na Alemanha
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=2zAcQPjkOkA[/youtube]
 
 
Palhinha 2: Bassekou visto de relance entre outros flashes do seu contexto cultural de origem (Festival sur le Niger, Segu, Máli, 2007)
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=OiNbmntBZzs[/youtube]
 
 
Bassekou Kouyate & Ngoni Ba: SEGU BLUE (2007)
01 Tabeli te
02 Bassekou
03 Jonkoloni
04 Juru nani
05 Mbowdi
06 The River Tune
07 Andra’s Song
08 Ngoni fola
09 Banani
10 Bala
11 Segu tonjon
12 Sinsani
13- Lament For Ali Farka
14- Segu Blue (Poyi)

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 2 de 7 – Amadeus Quartet

Antes de mais nada queria agradecer a recepção que o primeiro CD desta coleção teve. Foram 100 downloads em menos de 24 horas. E também quero agradecer a gentileza das pessoas que me mandaram votos de melhoras para a minha saúde. O meu agradecimento vai em forma de postagem do segundo CD desta magnífica coleção. Assim que coloquei para ouvir novamente o CD para preparar o texto já emocionei-me sobremaneira com a sensibilidade e delicadeza dos primeiros acordes do Quarteto n° 4. A cumplicidade dos músicos deste conjunto é algo emocionante. Não sei se os senhores sabem, três deles sairam da Áustria antes da Segunda Guerra Mundial devido à sua origem judia. Ou seja, um tremendo senso de amizade e de cumplicidade os acompanhou durante toda sua longeva carreira.
Este CD traz os três últimos quartetos classicados com o op. 18. O texto abaixo foi retirado da biografia de Beethoven escrita por Maynard Solomom:
“Foi a série de Quartetos de Cordas, op. 18, que Beethoven se dedicou quando quis realizar o mais ambicioso projeto de seus primeiros anos de Viena. Essa coleção foi iniciada em 1798, composta principalmente entre 1799 e 1800 e publicada em 1801 com uma dedicatória para o Príncipe Lobkowitz. O quarteto para cordas era um dos veículos favoritos dos salões vienenses. Viena era o centro mundial da composição dos quartetos para Cordas e Haydn tinha sido o mestre supremo da forma.
(…) Vários foram pacialmente reescritos antes da publicação. Todos eles aceitam essencialmente a usual estrutura em quatro movimentos e todos refletem o estilo clássico vienense, com uma mistura ocasional de melodia italianada – talvez sobre a influência de Salieri (…) (Pg 147)

Citando um outro autor, Solomon coloca: “Beethoven parece ter subitamente posto em dúvida a estrutura clássica. Todas essas peças contém experimentos com diferentes tipos e arranjos de movimentos”. (Pg 147)
Poderia me estender mais na descrição destas obras, mas existem análises mais interessantes na internet. Basta procurá-las. Portanto, vamos ao que interessa… espero que apreciem.

P.S. – Voltei a usar o Mediafire pois mesmo em conta free ele me oferece uma velocidade de upload superior á do Rapidshare.

1 String Quartet No.4 in C minor, Op.18 No.4 1 1. Allegro ma non tanto
2 2. Andante scherzoso, quasi allegretto
3 3. Menuetto (Allegretto)
4 4. Allegro
5 String Quartet No.5 in A, Op.18 No.5 1. Allegro
6 2. Menuetto
7 3. Andante cantabile
8 4. Allegro
9 String Quartet No.6 in B flat, Op.18 No.6 1. Allegro con brio
10 2. Adagio ma non troppo
11 3. Scherzo (Allegro)
12 4. La Malinconia (Adagio – Allegretto quasi allegro – Adagio – Allegretto – Poco adagio – Prestissimo)

Amadeus Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Paulo Costa Lima (1954) e Wellington Gomes (1960) – Outros ritmos

Um amigo meu que sempre manda CDs para eu postar aqui – isso quando não já tenho a gravação – me perguntou: “Você tem algo contra a Bahia e o Pará? Vejo você postar coisas de compositores do Sul, do Sudeste e de Pernambuco e Paraíba, mas nunca daqueles dois Estados”.

Pois é, faltou mencionar também compositores como o cearense Liduíno Pitombeira (de quem só divulguei uma única peça até hoje no PQP) ou o carioca radicado matogrossense Roberto Victorio, sem falar de um compositor standard [dentre os nacionais] nascido no Amazonas, que foi Claudio Santoro…

Tenho repertório para ficar postando por mais uns três anos, caso eu aparecesse todo dia por aqui [isso para não falar nos vinis que ainda não digitalizei – há coisas raras dos anos 60 e 70 que são espetaculares], mas, pelo contrário, tenho de anunciar hoje meu afastamento deste estimado blog devido a uma nova etapa profissional, que vai me obrigar a deixar o país.

Acabei escolhendo um CD que já estava disponível para download no Música Brasileira de Concerto. Mesmo assim, que é representativo da produção de câmara e orquestral de dois dos mais destacados compositores vivos baianos – alunos dos bambas que integraram a primeira geração do Grupo de Compositores da Bahia há cerca de 50 anos.

Se é verdade que todo grande criador musical brasileiro teve de botar um pé num terreiro, literalmente falando (vide Villa, Guerra, Guarnieri, Siqueira, acho que Mignone também…), em Salvador esse item parece ser estágio obrigatório na Escola de Música da UFBA, pois os baianos – incluindo os compositores mais novos – sabem como ninguém incorporar as matrizes rítmicas africanas a qualquer linguagem instrumental ou estrutural de forma orgânica, fluida.

No presente CD, a faixa que mais sintetiza essa simbiose, desde seu título, é Atotô do l’homme armé, de Paulo Costa Lima. Contudo, prestem atenção na Fantasia para violoncelo e orquestra de câmara, de Wellington Gomes, cuja escrita também é de primeiro nível.

No mais, evito despedidas e espero aparecer fortuitamente por aqui, nem que seja para contribuir com comentários. Quem sabe outro membro do blog ou um futuro novato não pegue meu acervo pra ir dando conta dele. Abraço a todos.

BAIXE AQUI (Não, não baixe aí. O fechamento do Megaupload ferrou tudo. Recorra ao link abaixo mesmo.)

CVL

Vocês também podem baixar o CD no blog parceiro Música Brasileira de Concerto, onde está a lista de faixas e intérpretes.


Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (4) Fosca (1997-Malheiro) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Estou ficando até sem graça de escrever isso sempre, mas não dá pra deixar de dizer: é IM-PER-DÍ-VEL!!!
Quando se aproximaram os anos para se completar o centenário de morte de Antonio Carlos Gomes (em 1996), ocorreram vários eventos, como o conjunto “A Música e o Pará”, que postamos no ano passado aqui, aqui, e aqui, e as montagens meticulosamente bem acabadas realizadas na Bulgária de Il Guarany, sob a batuta de Julio Medaglia, e de Maria Tudor e Fosca, estas sob a regência do competente Luís Fernando Malheiro.
Por essa época houve, no Brasil, um convênio com a Bulgária para megalômanas montagens aqui na terrinha da ópera Aída, de Verdi, com seus cenários gigantes, trazidos do país do Leste Europeu (foi executada em locais imensos: estádios e pedreiras de Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e Campinas). O intercâmbio rendeu frutos e nos anos que se seguiram, os búlgaros puderam conhecer as óperas de Carlos Gomes, tendo o conterrâneo Plamen Kartaloff como regisseur, músicos e solistas de sua terra e as regências sob a responsabilidade de grandes maestros brasileiros. Essas apresentações foram de enorme êxito e se registraram em CDs, dos quais temos esta Fosca para vos apresentar (mais pra frente teremos também a Maria Tudor de Malheiro)!
O que dizer desta montagem? Inevitavelmente vou compará-la com a de Armando Belardi, realizada por ocasião do centenário da peça, em 1973 (e que você pode conferir aqui). A versão de Belardi, creio que a primeira gravação mundial da ópera, é histórica, heróica e, também de alta qualidade: a orquestra a executa muito bem e foram reunidos alguns dos melhores solistas do país naquele tempo. Porém, eu tendo a gostar mais desta montagem de Malheiro por alguns motivos superficiais, como a melhor captação de som e a sua limpeza, sem os espocados do vinil (podem me tachar de insensível, mas prefiro sem os ruídos do bolachão); e por motivos musicais, mesmo: os solistas são tão bons quanto os da versão brasileira e a orquestra tem melhores cordas, o que não desabona a nacional, apenas constata uma característica dos grupos do Leste Europeu: a perfeição dos naipes de cordas. Se os aqui são bons, os de lá, sou forçado a admitir, são impecáveis.
Em suma, Fosca é uma ópera belíssima, é a melhor de Carlos Gomes e esta é a melhor montagem!
Ah, semana que vem teremos Salvator Rosa, a ópera mais conhecida de Carlos Gomes na Itália.
Confira! Não deixe de ouvir!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Fosca (1873)
Libreto: Antonio Ghislanzoni,
Baseado em Le Feste delle Marie: Storia Veneta del Secolo X, de Luigi Capranica

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Coro e Scena – Buon di, compagni
Ato I – 03 Scena – Salute al capitano
Ato I – 04 Preghiera – Fratel, da, un fascino
Ato I – 05 Stretta e Scena – Ah Crudeli
Ato I – 06 Aria – D’amore l’ebbrezze
Ato I – 07 Scena e Duetto – Cara citta natia
Ato I – 08 Finale Primo – Scena e Terzettino – La tua rivale odiata
Ato II – 09 Atto Secondo – Scena d’amore e duettino – Soli, del mondo immemori
Ato II – 10 Dialogo e Canzone – Io vengo dai mondi
Ato II – 11 Terzetto – Mirate questa collana
Ato II – 12 Scena e frase – Bel cavaliero… sposa gentile
Ato II – 13 Duettino – Gia troppo al mio supplizio
Ato II – 14 Aria – Quale orribile peccato
Ato II – 15 Marcia e Coro Nuziale
Ato II – 16 Finale Secondo – Pezzo Concertato – Pazza! Pazza! É ver!
Ato III – 17 Atto Terzo – Scena ed Aria – Ad Ogni Mover Lontan di Fronda
Ato III – 18 Scena e Duetto – Orfana e Sola
Ato III – 19 Coro di Corsari – Dei Due Mente
Ato III – 20 Scena e Duetto – Tu La Vedrai Negli Impeti
Ato IV – 21 Scena del Consiglio e Strofe – Son Capitano
Ato IV – 22 Invettiva – Coro – Di Venezia la Vendetta
Ato IV – 23 Scenetta – Ti Allegra, o Giovane
Ato IV – 24 Romanza – Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Ato IV – 25 Gran Scena – Alfin Tremanti e Supllici
Ato IV – 26 Quartetto – Scena Finale – Non M’Aborrir, Compiangimi

Fosca, pirata da Ístria – Gail Gilmore, soprano
Paolo, capitão veneziano – Roumen Doykov, tenor
Delia – Kassimira Stoyanova, soprano
Cambro, escravo de Gaiolo – Niko Issakov, barítono
Gaiolo, irmão de Fosca – Svetozar Ranguelov, baixo
Doge de Veneza – Stoil Gueorguiev, baixo
Michele Giotta, pai de Paolo – Peter Bakardzhiev, baixo

Sophia National Opera Orchestra
Sophia National Opera Choir
Luís Fernando Malheiro, regente
Plamen Kartaloff, regisseur (diretor)
Sofia, 1997

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (201Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)

… Mas deixe um comentariozinho… Tenha coração…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Sergey Prokofiev (1891-1953) – Piano Concertos – Berman, Gutiérrez, Jarvi, RCO (LINK REVALIDADO)

(Botei estes cds no ar no final de novembro, mas os links se foram pois os arquivos estavam hospedados no Megaupload. Aí o PQP resolveu fazer uma caridade e se deu ao trabalho de juntar os dois cds em um só arquivo e subir para o RAPIDSHARE. Ou seja, só estou tendo o trabalho de juntar as duas postagens e colocar no ar.)

Estou devendo estes concertos desde o começo do ano, e confesso que por algum motivo acabei deixando-os de lado. Pois bem, aí estão a primeira parte dos Concertos para Piano de Prokofiev com o Neeme Järvi (lembrando que postei as sinfonias com este mesmo regente no começo do ano).
Como hoje é quinta feira e ficamos quase vinte e quatro horas fora do ar, resolvi fazer uma postagem rápida, daquelas vapt-vupt, aproveitando que o arquivo já estava no megaupload há pelo menos dez meses, aguardando pacientemente sua vez.
O solista é o excelente Boris Berman, um especialista na obra de Prokofiev.

01 – Piano Concerto No. 1 in D flat major Op. 10 – Allegro brioso
02 – Andante assai
03 – Allegro scherzando
04 – Piano Concerto No. 4 in B flat major Op. 53 – I. Vivace
05 – II. Andante
06 – III. Allegro moderato
07 – IV. Vivace
08 – Piano Concerto No. 5 in G major Op. 55 – I. Allegro con brio
09 – II. Moderato ben accentuato
10 – III. Toccata. Allegro con fuoco
11 – IV. Larghetto
12 – V. Vivo

Boris Berman – Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

Pois bem, senhores, concluindo esta caixa, aqui estão os dois Concertos para piano mais famosos de Prokofiev, o Segundo e o Terceiro. É difícil dizer qual deles é o meu preferido, creio que na verdade gosto dos cinco, mas esta introdução melódica do Segundo é de partir os corações mais duros.
Horácio Gutiérrez me era desconhecido até então, mas o rapaz é um assombro. É um virtuose de mão cheia que conhece muito bem seu instrumento, e não se deixa pegar nas armadilhas que Sergey colocou, e não são poucas. Os clientes da amazon foram quase unânimes em dar cinco estrelas à esta gravação, e com razão.

E porque hoje é sábado, usando uma frase muito usada no blog do nosso amigo Milton Ribeiro, vou deixá-los por aqui, e sair para aproveitar o dia.

Boa audição.

Sergey Prokofiev – Piano Concertos nº 2 in G Minor, op. 16, Piano Concerto nº3, in C Major, op. 26

01 – Piano Concerto No. 2 in G minor Op. 16 – I. Andantino – Allegro
02 – II. Scherzo. Vivace
03 – III. Intermezzo. Allegro moderato
04 – IV. Finale. Allegro tempestuoso
05 – Piano Concerto No. 3 in C major Op. 26 – I. Andante – Allegro
06 – II. Tema. Andantino – Variations 1-5 – Tema. L’istesso tempo
07 – III. Alegro ma non troppo

Horácio Gutiérrez – Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

José Alberto Kaplan (1935-2009) – Obras orquestrais

Até onde vão os limites da intertextualidade?

Tente responder a essa pergunta a partir de um exemplo hipotético: se eu escrevo uma peça que usa a mesma orquestração e a mesma estrutura, digamos, de O pássaro de fogo de Stravínski, mas remelodizando-a com escalas modais nordestinas e aplicando a respectiva harmonização, estou cometendo plágio, exercendo intertextualidade ou apenas expondo minha preguiça de começar do zero?

***

Pois bem, após vossa tentativa de resposta deem uma escutada no concerto para piano de Kaplan e vejam como ele se estrutura sobre o segundo concerto de Chostakóvitch, para não falar de como El Salón México de Copland transformou-se numa abertura festiva calcada em temas do folclore paraibano.

Não sei se as outras duas obras do presente CD – uma fantasia para violão, flauta e orquestra de câmara e um concerto para violino (talvez a peça mais interessante dentre as quatro) – têm relação com outras do cânone, porém fico muito desconfiado. Vale de toda forma a oitiva.

BAIXE AQUI (Update: esqueça esse link. O FBI que o diga.)

CVL

Se preferir (quer dizer, agora não tem mais preferência: é a única alternativa), baixe arquivo por arquivo neste link, que contém também o texto do encarte e a lista de faixas.


Ciarán Farrell (1969) – Perfect State [link atualizado 2017]

Enquanto eu estava convalescendo de uma cirurgia recente de hérnia, queria ouvir algum compositor que me fizesse revigorar e sair do tédio pelo qual eu haveria de passar no pós-operatório. Pensei no primeiro movimento da segunda sinfonia de Tippett…

…e em Aralume, com o Quinteto Armorial…

…mas passei a vista na minha relação de discos e acabei achando um meio termo entre o universo britânico e o nordestino. Não que eu procurasse tal meio termo, foi mera coincidência, mas Ciarán Farrell (não confundir com Cyll Farney) calhou em juntar os dois universos musicais em minha cabeça – a bem da verdade, essa impressão se deu por causa dos reflexos do modalismo irlandês, mais característico que o britânico para nós, no repertório do presente CD.

Ouvindo a faixa título, Perfect State, não tive como deixar de me lembrar de Toada e Desafio, de Capiba, particularmente pela estrutura da peça no esquema lento-rápido e pelo desenvolvimento de um único tema no segundo movimento quase que sem modulações. Aí vai um clipe bem pop sobre esse segundo movimento:

Mas não foi só isso que me impressionou: foi também a negação do compositor em querer soar modernoso – nada de clusters, nuvens, técnicas expandidas aqui e acolá etc. Confesso que, simultaneamente, durante a audição das cinco obras deste álbum, tive vez ou outra uma sensação démodé (a última peça, a mais longa, lhe fará pensar que você está assistindo a um filme, em inglês com Irish accent, sem imagens), porém procurei suspender meus julgamentos estéticos mais prementes e “entrei na vibe”.

Pena que é difícil preencher o tempo com obras desse vigor durante um dia inteiro. Não tenho discografia e conhecimento de repertório para isso.

Confiram trechinhos de outras peças no MySpace do compositor e depois…

Ciarán Farrell
Perfect State (2007)

1. “Perfect State”
2. “The Shannon Suite” –Craig Ogden, (guitar); Gerard McChrystal, (soprano saxophone)
3. “Around and About” –Sinead Farrell, (flute); Roger Moffat, (vibraphone)
4. “The Pilgrim’s Return” –Smith Quartet; and Gerard McChrystal, (soprano saxophone)
5. “Hopkins on Skellig Michael” (Poem by Paddy Bushe)

RTÉ Concert Orchestra,
David Brophy, regente
Barry McGovern, narrador

Pluckblow[edit]
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Já viu nossos mais de 100 endereços para baixar partituras? Clique aqui

CVL

Romanian Women Composers Vol.1

Para ser bem honesto, toda vez que vejo esses cds carregado de “gênero”, me bate uma desconfiança daquelas. Primeiro porque costumam ser ruins e parecem servir antes para mostrar que as mulheres são más compositoras, quando a função era para ser justamente inversa. Segundo porque são ainda mais carregados daquele ar chapa-branca que a média (motivo frequente para os cds serem ruins). E olha que a música clássica tem, pela maneira como evoluiu e pelos seus interesses, um enorme potencial chapa-branca (o que torna mais assustador me incomodar esse aspecto na confecção de um cd): o famoso “não há nada que possa me constranger aqui” que todos aqueles músicos bem alinhados tocando, no mais das vezes, com uma expressão impassível são capazes de criar. Apesar disso e tanto mais que é melhor calar, aqui estou eu a apresentar um desses cds e tecer tantos elogios quanto a seda me permite. Como sempre digo que os romenos têm alguma coisa de diferente na música contemporânea, as romenas também. Sem menoscabo de algumas compositoras pelas quais tenho carinho, como Ustvolskaya, Graciane Finzi, Marisa Rezende, Tatyana Mikheyeva, não tive a oportunidade de encontrar compositoras boas o suficiente para fazer um cd desses em nenhum outro lugar.

Irinel Anghel, compositora de Fascination II, nasceu em 1969 e é muito interessada em meios alternativos e sonoridades um tanto incomuns. Abundam em suas peças instrumentos exóticos e sons eletrônicos. Em Fascination II, tudo isso está m,uito presente e contribui para uma música muito delicada (apesar de umas sonoridades às vezes ásperas) e introspectiva, beirando o estático (no que me recorda seu professor, Octavian Nemescu, de quem já postei uma peça chamada rouaUruauor, linda, linda, hehe).

O contraste é enorme com a entrada de Umbre II, de Doina Rotaru (compositora nascida em 1951 e de quem já apresentei algumas peças aqui também). Ainda que continuemos numa atmosfera introspectiva, aqui a violência e a agitação predominam, e a placidez a que nos levava a peça de Anghel torna ainda mais violenta a ruptura a que somos trazidos. O emprego de sonoridades inusuais nos três instrumentos (piano, cello e violino) é soberbo: me cativa a construção da atmosfera densa, coesa e dinâmica, ou seja, tanta maturidade e virtuosismo arquitetônicos, dentro de uma linguagem tão atípica. Em minha modesta opinião, esta peça é a cereja do bolo delicioso que é este cd.

Maia Ciobanu (nascida em 1952) é, comparativamente, mais romântica, mais melódica. O uso de fitas magnéticas com instrumentos solos me parece ser uma constante em seu trabalho, e o resultado costuma me agradar muito. Em It shall come!, a fita magnética tem um quê um tanto cinematográfico, o que confere uma dramaticidade interessante para o clarinete solista.

Myriam Marbé, compositora que já apresentei no PQP Bach (nasceu em 1931 e morreu em 1997), é de uma geração mais antiga, da linha de frente da vanguarda romena surgida em meados dos anos 1950. Entre tantas coisas que me agradam, compôs um concerto para viola da gamba e orquestra que é de uma simplicidade e uma beleza candentes. Ainda que a música aqui apresentada seja bastante interessante (mereceria entrar no repertório dos flautistas por aí), Haykus começa num tom pouco ligeiro (ligeiro dentro dos padrões tipicamente espirituais que essas peças para flauta e piano costumam ter, sabe-se lá por quê), mas vai ganhando interesse e riqueza conforme avança.

Finalmente Mihaela Stanculescu-Vosganian, nascida em 1961, deixa-nos aqui a única peça cantada do cd, Armenian Interferences. A compositora escreveu diversas interferências, mas cada uma tem um formato um pouco diferenciado (embora eu creia que todas são para grupos de câmara). Como o título já deixa claro, é uma música de forte influência popular armênia, o que fica, dentro do possível de cantores líricos, óbvio mesmo na maneira de posicionar a voz no conjunto. Embora de maneira diferente, a peça de Vosganian se coaduna com a Ciobanu numa linguagem mais macia, menos agressiva (muito embora Ciobanu procure muita dramaticidade, enquanto Armenian Interferences seja uma peça mais relaxada, apaixonada).

Boa degustação!


Irinel Anghel

01 Fascination II, para cello, gu zheng, flauta baixa, khaen, udu, water gongs (se alguém souber a tradução, agradeço) e fita magnética

Doina Rotaru
02 Umbre II, para violino, cello e piano

Maia Ciobanu
03 It shall come!, para clarinete e fita magnética

Myriam Marbé
04 Haykus, para flauta e piano

Mihaela Stanculescu-Vosganian

05 Armenian Interfaces, para mezzosoprano, clarineta/clarone e quarteto de cordas

BAIXE AQUI

itadakimasu

Argerich Collection – Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Schumann, Liszt, Prokofiev e Ravel

Martha Argerich é com certeza uma das maiores pianistas da história. Exagero? Não. Senso profundo de um discernimento apurado. Suas interpretações geralmente são eivadas de expressividade, energia e paixão. Existe um frescor latente em sua perfomance. Posso notar, por exemplo, nesse momento enquanto escuto o concerto no. 1 de Beethoven isso que acabei de enunciar. Esse box que ora posto com 4 CDs, traz os principais concertos para piano já escritos. Senti falta de Brahms e Grieg, já que o repertório é em quase sua totalidade romântico. Os quatro CDs nos levam a mais de quatro horas de música da mais alta qualidade, com esta argentina polida e apaixonada. Um bom deleite!

DISCO 01

Ludwig van Beethoven (1770-1827) –

Piano Concerto No.1 in C major, Op.15
01. I.Allegro con brio
02. II.Largo
03. III.Rondo Allegro

Piano Concerto No.2 in B flat major, Op. 19
04. I.Allegro con brio
05. II.Adagio
06. III.Rondo Allegro molto

Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 02

Frédéric Chopin (1810-1849) –

Piano Concerto No.1 in e minor, Op.11
01. I.Allegro maestoso
02. II.Romance-Larghetto
03. III.Rondo-Vivace

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

Piano Concerto No.2 in f minor, Op.21
04. I.Maestoso
05. II.Largetto
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 03

Peter I. Tchaikovsky (1840-1893) –

Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23
01. I.llegro non troppo e molto maestoso-Allegro con sp
02. II.Andantino semplice
03. III.Allegro con fuoco

Royal Philharmonic Orchestra
Charles Dutoit, regente
Martha Argerich, piano

Robert Schumann (1810-1856) –

Piano Concerto in a minor Op.54
04. I.Allegro affettuoso
05. II.Intermezzo Andantino-attacca
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 04

Franz Liszt (1811-1886) –

Piano Concerto No.1 in E flat major
01. I.Allegro maestoso
02. II.Quasi Adagio
03. III.Allegretto vivace-Allegro animatto
04. IV.Allegro marziale animato

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, regente

Serge Prokofiev (1891-1953) –

Piano Concerto No.3 in C major
05. I.Andante-Allegro
06. II.Thema Andantino
07. III.Allegro ma non troppo

Maurice Ravel (1875-1937) –

Piano Concerto in G major
08. I.Allegramente
09. II.Adagio assai
10. III.Presto

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

BAIXAR AQUI CD01
BAIXAR AQUI CD02

BAIXAR AQUI CD03

BAIXAR AQUI CD04

null

Carlinus

Kientzy interpreta Doina Rotaru (LINK REVALIDADO)

O presente cd é uma contribuição do Sensemaya, que encarecidamente nos enviou os arquivos e pediu que postássemos alguns comentários dele sobre a obra. Mas, antes de passar a eles, gostaria de fazer também eu alguns comentários.

É particularmente impressionante a quantidade de excelentes compositoras na Romênia. Não sei bem o motivo (e sei que o comentário tende a ser bastante subjetivo e embasado de maneira um tanto torta), mas elas me parecem ser em maior número e de uma qualidade difícil de ver por aí. Enquanto eu costumo achar uma ou duas interessantes por país, na Romênia me cativam vários nomes, entre as quais eu destacaria a aqui presente, Doina Rotaru, o primeiro nome da música contemporânea romena que conheci, Mihaela Stanculescu-Vosganian, Maia Ciobanu, Violeta Dinescu, Irinel Anghel, Myriam Marbé. Aos poucos pretendo postá-las aqui para ver se concordam comigo.

Rotaru trabalha de uma maneira impressionante com diferentes sonoridades, dando sentido e  concatenações lógicas e expressivas inesperadas para sons que costumam aparecer aqui e ali na música de vanguarda com um ar de alheamento. É uma música que carrega um forte peso onírico, mítico, que vai nos envolvendo numa ambiência cheia de referências folclóricas e orientais.

Seguindo agora com a apresentação do Sensemaya:

Doina Rotaru está entre os compositores romenos vivos mais significativos. Nasceu em Bucareste, em 1951, e estudou com Tiberiu Olah [nome central da vanguarda romena dos anos 50/60, junto com Niculescu, Vieru e Stroe] em sua cidade natal e com Theo Loevendie em Amsterdã.

Sua ampla produção é sobretudo de sinfonias, concertos e peças solo com especial preferência pela flauta e pelo saxofone. É considerada representativa de música arquetipalista, isto é, música baseada em símbolos, números e fórmulas musicais folclóricas. Este disco contem obras escritas e interpretadas por Daniel Kientzy.

Masques et Miroires- Concerto nº2 para saxofone e orquestra (2006) é vagamente inspirado pelo conto filosófico de Borges “O espelho e a máscara”. Há variações musicais e emocionais do mesmo material, refletindo conceitos de beleza, sacrifício e pecado.

Colinda (2005) é uma peça curta e simples, baseada em canções de natal romenas.

Matanga (2005) é inspirado por um elefante (matanga em sânscrito). A obra foi escrita para saxofone contrabaixo e seis percussionistas.

Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos, é também baseado em conceitos de variação emocional de um motivo musical circular, repetido durante a obra.

Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos, é baseado em em conceito de doina romena – um canto de saudade. O trabalho é dedicado a Reina Portuondo e seu marido, Daniel Kientzy.

En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos, é baseado em um texto de Malraux. A obra trabalha com a capacidade emocional da música, tornando “calorosa” uma ideia musical fria e plácida.

Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Duas ideias residem na base deste concerto: a ascensão da alma, passando por sete níveis de céu superpostos para que se alcance paz, e a ideia de um único som que ouvimos no início.

Boa audição!


Doina Rotaru (1951- )

01 Masques et miroires (2006), Concerto n° 2 para saxofone(s) e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (sopranino, alto, barítono)
Horia Andreescu, regente
Orchestra Camera Radio

02 Colinda (2005) para saxofone, harpa, celesta, percussão e trio de cordas
Daniel Kientzy, saxofone (barítono)
Ensemble Pentruloc
Bogdan Voda, regente

03 Matanga (2005), para saxofone contrabaixo e 6 percussionistas
Daniel Kientzy, saxofone (contrabaixo)
Ensemble Game
Alexandru Matei, regente

04 Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos
Trio PROmoZICA:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Cornelia Petroiu, viola

05 Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos
Meta Duo:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano)

06 En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos – Texto de André Malraux
Meta Trio:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Yumi Nara, voz

07 Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (barítono, soprano, alto)
Orchestra Filarmonica de Stat “Transilvania”
Emil Simon, regente

BAIXE AQUI

itadakimasu/Sensemaya