Clint Mansell – Requiem for a Dream (LINK REVALIDADO)

Postado inicialmente em 12/04/2010.

Nas últimas duas semanas, o número de postagens com música contemporânea tem sido considerável aqui no PQP Bach. Para não quebrar essa lógica, resolvi postar este Cd, pois ele é uma desafio para mim. É importante deveras ser surpreendido por desafios aparentemente inexpugnáveis. Parafraseando Nietzsche posso afirmar que há músicas que são admitidas com o tempo. Ouvi há quase um ano este cd e a impressão primeira não foi boa. Voltei a ouvi-lo ontem e eis que fui acometido por sensações misteriosas. Confesso que desde ontem estou aturdido com as músicas deste CD. É música profunda, cheia de desafios assustadores, quase que fantasmágoricos. O CD é a compilação da trilha sonora do filme Réquiem para um sonho, que ainda não assisti. Todavia, li algumas informações sobre a produção e tive a curiosidade despertada.  Interessante é que tenho o filme. A trilha foi composta por Clint Mansell e pelo fantástico, prolífico, Kronos Quartet. Esteticamente, sinto-me grávido de impressões confusas, distantes, quando ouço esta música. Há música eletrônica, desvarios sonoros, paisagens cheias de efeitos e um cello que me transmite a ideia de um deserto desolado, afastado, silencioso, de sol amarelecido. É ouvir para conferir.

Clint Mansell & Kronos – Requiem for a Dream

1. Summer Overture 2:35
2. Party 0:28
3. Coney Island Dreaming 1:04
4. Party 0:36
5. Chocolate Charms 0:25
6. Ghosts of Things to Come 1:33
7. Dreams 0:44
8. Tense 0:37
9. Dr. Pill 0:42
10. High on Life 0:11
11. Ghosts 1:21
12. Crimin’ & Dealin’ 1:44
13. Hope Overture 2:31
14. Tense 0:28
15. Bialy & Lox Conga 0:45
16. Cleaning Apartment 1:26
17. Ghosts-Falling 1:11
18. Dreams 1:02
19. Arnold 2:35
20. Marion Barfs 2:22
21. Supermarket Sweep 2:14
22. Dreams 0:32
23. Sara Goldfarb Has Left the Building 1:17
24. Bugs Got a Devilish Grin Conga 0:57
25. Winter Overture 0:19
26. Southern Hospitality 1:23
27. Fear 2:26
28. Full Tense 1:04
29. The Beginning of the End 4:28
30. Ghosts of a Future Lost 1:51
31. Meltdown 3:56
32. Lux Aeterna 3:56
33. Coney Island Low 2:13

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Carlinus

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Fréderic Chopin (1810-1849) – Complete Edition – CDs 11 e 12 de 17

Esta última semana foi de fortes emoções, envolvendo desde a perda dos arquivos armazenados no Mediafire, até “mudança” de emprego. Por este motivo, o PQPBach foi deixado de lado por alguns dias.
Como os senhores poderão notar, troquei de servidor, e optei pelo Uploaded. Tenho usado ele como usuário free para baixar coisas de outros lugares, e até agora ele foi bem eficiente. Está estabelecido na Suiça, talvez uma segurança para nós. Vamos ver até onde vai.
Temos neste sexto volume desta Chopin Complete Edtion da DG os Prelúdios e os Scherzos, além de alguns Rondós. Temos três ntérpretes muito conhecidos por aqui. Nos Prelúdios, nossa querida Martha Argerich, nos Scherzos, Maurizio Pollini, e uma participação especial de Mikhail Pletnev em um dos Rondos. Não tenho muita certeza, mas deve ser uma das primeiras gravações deste excelente pianista russo, mais dedicado à regência nos últimos anos. Destaco ele pois pertence à excelente escola russa de pianistas românticos, vide Gilels, Richter, Ashkenazy, entre outros.

CD 1 –

1 -24 – Preludes, op. 28
25 – Prelude in c# Op 45 – Sostenuto
26 Prelude in Ab Op posth

Martha Argerich – Piano

27 Impromptu 1 in Ab Op 29 – Allegro assai quasi Presto
28 Impromptu 2 in F# Op 36 – Andantino
29 Impromptu 3 in Gb Op 51 – Tempo giusto
30 Impromptu 4 ‘Fantaisie-Impromptu’ in c# Op posth 66 – Allegro agitato

Stanislav Bunin – Piano

CD 2
1 Scherzo 1 in b Op 20 – Presto con fuoco
2 Scherzo 2 in B-flat minor Op 31 – Presto
3 Scherzo 3 in c# Op 39 – Presto con fuoco
4 Scherzo 4 in E Op 54 – Presto

Maurizio Pollini

5 Rondo in c Op 1 – Allegro
6 Rondo à la mazur in F Op 5 – Vivace
Lilya Zilberstein – Piano

7 Rondo in Eb Op 16 – Introduzione. Andante – Rondo. Allegro vivace
Mikhail Pletnev – Piano

8 Rondo for Two Pianos in C Op Posth – Veloce – Sostenuto e legato
Kurt Bauer – Heidi Bung – Pianos

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

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Sergei Prokofiev (1891-1953) & Camille Saint-Saens (1835-1921): Pedro e o Lobo & Carnaval dos Animais

Publicado originalmente em 2 de novembro de 2009

O dia das crianças já passou, mas o presente só veio agora! Em homenagem a eterna criança que somos, ofereço essas três peças de cunho infantil, de Prokofiev e Saint-Saens.

As peças

Sergei Prokofiev escreveu “Pedro e o Lobo” para o Teatro Infantil de Moscou em 1936. Esta história foi criada para ser narrada enquanto a música toca e para entendê-la precisamos, antes de mais nada, sabermos que: O Pássaro é representado pelo som de uma flauta; o Pato, um oboé; o Gato, uma clarineta; o Avô, um fagote; o Lobo, cornetas francesas; os Caçadores, tímpanos. Pedro é representado pelas cordas. Nessa versão não temos o narrador, fica a cargo de cada um, fechar os olhos e deixar a imaginação florar.

“Histórias de uma Velha Avô”, quatro peças para piano, escritas pouco depois da estreia em Nova York de Prokofiev em 1918, não têm enredo especial, mas são permeadas de lembranças russas.

Escutar “Carnaval dos Animais” de Camille Saint-Saens é como fazer uma viagem musical ao zoológico. Em primeiro lugar, após a introdução, surge a “Marcha Real do Leão”, rugindo nas cordas e pianos. Depois surgem galinhas cacarejando e ciscando (cordas e piano) precedendo galos cantando (clarinete). Os “Jumentos Selvagens” da Mongólia, famosos por sua notável velocidade, aparecem retratados pelos dois pianos. Para fazer uma piada, Saint-Saens, em “Tartarugas”´pegou dois temas vistosos de Offenbach (incluindo o seu famoso “Can-Can”) e os colocou num andamento de passo de tartaruga. Outra paródia surge com o “Elefante”, onde as melodias suaves e semelhantes a contos de fada da “Dança das Sílfides” de Berlioz e de “Sonho de uma Noite de Verão” de Mendelsohn são executadas por cantrabaixos duplos.

Os “Cangurus” destaca os dois pianos como que pulando em derredor. No “Aquário” vislumbram-se brincadeiras de peixes na água proporcionada pelos pianos e, originalmente, uma harmônica de vidro (invenção de Benjamim Franklin em que copos de diferentes tamanhos são mergulhados numa calha com água). Em “Personagens com Grandes Orelhas” Saint-Saens não estava somente se referindo a jumentos, mas talvez, também a asnos humanos.

O “Cuco” em duas notas incessantes da clarineta é ouvido nas florestas sombrias (pianos). O “Viveiro de Aves” é um “tour de force” para a flauta. O tratamento de Saint-Saens ao talvez mais tranquilo de todos os animais, os “Pianistas”, de forma bem humorada critica as escalas e exercícios iniciais dos estudantes. “Fósseis” desencava quatro antigas canções francesas, uma parte do “Barbeiro de Sevilha”, bem como “Dança Macabra” do próprio Saint-Saens. O “Cisne” do violoncelo é o mais famosos dos animais e, talvez, o trabalho mais reputador de Saint-Saens. O momento mais sublime não só da peça, mas, provavelmente de toda a obra do compositor.

O “Finale”, outro can-can, reapresenta muitos mebros do zoológico musical, terminando de forma magistral com um último “relinchar” do asno.

Fonte: Misto de palavras minhas e encarte do CD.

.oOo.

Sergei Prokofiev & Camille Saint-Saens: Obras Infantis

Sergei Prokofiev

Peter and the Wolf, Op. 67
01. Andantino (1:00)
02. Allegro – Andantino come prima (1:29)
03. L’istesso tempo – Piu mosso (2:24)
04. Moderato – Allegro ma non troppo – Moderato (1:47)
05. Poco piu andante (1:03)
06. Andantino, come prima (1:07)
07. Andante molto (1:24)
08. Nervoso – Allegro – Andante (1:40)
09. Allegretto – Moderato (1:34)
10. Andantino, come prima – Meno mosso (1:05)
11. Vivo – Andante molto – Vivo – Andante (1:17)
12. Allegro – Poco meno mosso – Moderato (Meno mosso) (1:56)
13. Allegro moderato (1:16)
14. Andante (0:36)
15. Moderato – Poco piu mosso (Allegro moderato) – Sostenuto – L’istesso tempo – Poco piu mosso (4:04)
16. Andante – Allegro (0:30)

The Tales of an old Grandmother, Op. 31
17. I. Moderato (3:24)
18. II. Andantino (1:52)
19. III. Andante assai (2:33)
20. IV. Sostenuto (3:38)

Camille Saint-Saens

Carnival of the Animals
21. No. 1: Introduction and Royal March of Lion (2:24 )
22. No. 2: Hens and Roosters (0:57)
23. No. 3: Wild Donkeys (0:40)
24. No. 4: Tortoises (2:00)
25. No. 5: The Elephant (1:21)
26. No. 6: Kangaroos (0:50)
27. No. 7: Aquarium (2:13)
28. No. 8: Personages with long ears (0:55)
29. No. 9: The Cuckoo in the Heart of the Woods (1:59)
30. No. 10. Aviary (1:17)
31. No. 11: Pianists (1:26)
32. No. 12: Fossils (1:15)
33. No. 13: The Swan (3:04)
34. No. 14: Finale (2:00)

St. Peterburg Radio & TV Symphony Orchestra
Stanislav Gorkovenko

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Marcelo Stravinsky

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Francisco Tárrega (1852-1909): Recuerdos De La Alhambra; Lágrima; Danza mora; Etc.

IM – PER – DÍ – VEL!!!! Este CD é um super-clássico da discografia de todos os tempos. Não sei quantas vezes foi reeditado. Francisco Tárrega foi um gênio espanhol que não julgava necessário refrigerar o violão abanando-o loucamente. É o anti-Al Di Meola, o calorento norte-americano que, quando não sabe o que fazer, usa a mão direita como leque. No violão, claro. Tárrega revolucionou a composição para o instrumento. Defendeu uma metodologia diferente da que era usada em sua época. Segundo ele, o toque realizado pela mão direita no violão devia ser feita num ângulo de 90º, e com a parte “macia” do dedo, ou seja, a unha não deveria ser utilizada. Tárrega justificava essa metodologia afirmando que o toque do dedo “nu” causava uma sensação de maior “controle emocional” e técnico da obra em execução.

Deve ter razão, pois aqueles abanos à base de unhadas — as quais apenas incentivam as dançarinas a matar todas as baratas do salão a sapatadas fulminantes — são detestáveis.

A obra mais famosa música de Tárrega é conhecida não é conhecida integralmente pela maioria das pessoas… Mas todas já ouviram um pedaço: é o toque padrão do celular Nokia…

Aqui estamos da mão de outro gênio: Narciso Yepes.

Abaixo, uma nota biográfica do violonista. Vai em inglês, acho que tudo lê, né?

Yepes was born into a family of humble origin in Lorca, southern Spain. His father gave him his first guitar when he was four years old. He took his first lessons from Jesus Guevara, in Lorca. Later his family moved to Valencia when the Spanish Civil War started in 1936.

When he was 13, he was accepted to study at the Conservatorio de Valencia with the pianist and composer Vicente Asencio. Here he followed courses in harmony, composition, and performance.

On December 16th 1947 he made his Madrid début, performing Joaquin Rodrigo’s Concierto de Aranjuez with Ataúlfo Argenta conducting the Spanish National Orchestra. The overwhelming success of this performance brought him renown from critics and public alike. Soon afterwards, he began to tour with Argenta, visiting Switzerland, Italy, Germany and France. During this time he was largely responsible for the growing popularity of the Concierto de Aranjuez.

In 1950, after performing in Paris, he spent a year studying interpretation under the violinist George Enesco, and the pianist Walter Gieseking. He also studied informally with Nadia Boulanger. This was followed by a long period in Italy where he profited from contact with artists of every kind.

In 1952 a song Yepes wrote when he was a young boy became the theme to the film Forbidden Games (Jeux interdits) by René Clément. However, the piece, Romance, has often speculatively been attributed to other authors, without conclusive evidence that can stand up to scientific scrutiny, and despite the fact that Yepes confessed to being its composer. If you have a good look at the credits of the movie “Jeux Interdits” however, you will see that Romance is credited as “Traditional: arranged – Narciso Yepes.” Yepes also performed other pieces for the “Forbidden Games” soundtrack. His later credits as film composer include the soundtracks to La Fille aux Yeux d’Or (1961) and ‘La viuda del capitán Estrada’ (1991). He also starred as a musician in the 1967 film version of El amor brujo.

In 1958 he married Marysia Szumlakowska, then a young Polish Philosophy student. They had two sons, Juan de la Cruz (deceased), Ignacio Yepes, an orchestral conductor and flautist, and one daughter, dancer and choreographer Ana Yepes.

In 1964, Yepes performed the Concierto de Aranjuez with the Berlin Philharmonic Orchestra, premièring the ten-string guitar, which he invented in collaboration with the renowned guitar maker José Ramírez III.

Yepes’ 10-string guitar tuning

The instrument made it possible to transcribe works originally written for baroque lute without deleterious transposition of the bass notes. However, the main reason for the invention of this instrument was the addition of string resonators tuned to C, A#, G#, F#, which resulted in the first guitar with truly chromatic string resonance – similar to that of the piano with its sustain/pedal mechanism.

After 1964, Yepes used the ten-string guitar exclusively, touring to all six inhabited continents, performing in recitals as well as with the world’s leading orchestras, giving an average of 130 performances each year.

Aside from being a consummate musician, Yepes was also a significant scholar. His research into forgotten manuscripts of the sixteenth and seventeenth centuries resulted in the rediscovery of numerous works for guitar or lute. He was also the first person to record the complete lute works of Bach on period instruments (14-course baroque lute). In addition, through his patient and intensive study of his instrument, Narciso Yepes developed a revolutionary technique and previously unsuspected resources and possibilities.

He was granted many official honours including the Gold Medal for Distinction in Arts, conferred by King Juan Carlos I; membership in the Academy of “Alfonso X el Sabio” and an Honorary Doctorate from the University of Murcia. In 1986 he was awarded the National Music Prize of Spain, and he was elected unanimously to the Real Academia de Bellas Artes de San Fernando.

Since 1993 Narcisco Yepes limited his public appearances due to illness. He gave his last concert on March 1st 1996, in Santander (Spain).

He died in Murcia in 1997, after a long battle with lymphoma.

Tárrega – Recuerdos de la alhambra

01. Lagrima – Andante
02. Estudio en forma de Minuetto
03. La Cartagenera
04. Danza mora
05. Columpio – Lento
06. Endecha – Andante
07. Oremus – Lento
08. La Mariposa – Allegro Vivace
09. Recuerdos de la Alhambra – Andante
10. Preludio in G major – Allegretto
11. Adelita – Lento
12. Sueno
13. Minuetto
14. Pavana – Allegretto
15. Estudio de velocidad – Allegro
16. Jota – Andante-Allegro-Tempo primo-Lento, expressivo-Cantabile

Narciso Yepes, violão

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PQP

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Late String Quartets (LINK REVALIDADO)

Postado inicialmente em 1 de junho de 2011.

Havia postado dois outros conjuntos com os quartetos de corda de Beethoven. Agora, sai o último pacote com os trabalhos finais do mestre alemão.

Gostei desse depoimento repleto de reminiscências, verbalizado por um sujeito pródigo em intenções poéticas chamado Milton Ribeiro. Servirá de introdução a essas obras graúdas, geniais, para os quais os adjetivos são insuficientes. Leia o depoimento abaixo:

É sempre difícil escrever sobre uma música que amamos muito e que nos faz lembrar fatos pessoais. A primeira coisa que me vem à mente quando penso no Opus 132 foi aquele momento mágico em que eu, sentado na pior sala de meu passado, ouvi iniciar o Allegro Appassionato (último movimento do quarteto) e vislumbrei que, logo aos primeiros compassos, minha filha, aos cinco anos de idade, entrava girando na sala, improvisando uma valsa que dançava sozinha, de olhos fechados, por puro prazer de ouvir a música… Foi tão marcante que hoje soa-me hipócrita dizer que o movimento principal deste quarteto é o imenso Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart, um agradecimento à divindade pela recuperação que Beethoven obteve após grave enfermidade. Mas é, claro que é. O terceiro movimento, com suas duas explosões de alívio é o centro e razão de ser desta grande e fundamental obra.

Quando os últimos quartetos foram apresentados pela primeira vez, não foram bem recebidos pelo público. Ao receber a notícia, Beethoven deu a célebre resposta:

– Gostarão mais tarde.

Como ele sabia que estava escrevendo para o futuro é algo que consigo mais ou menos entender observando a evolução de sua música. Outro fato que chama a atenção é que, estética e conceitualmente, estes quartetos parecem projetar-se na evolução da história da música para colocarem-se quase 100 anos sua época, talvez logo antes dos grandes quartetos de Schoenberg e Bartók. É um mundo à parte. Ouço a Claudia dizer que, na opinião dela, ISTO é Beethoven, e não seus concertos ou sonatinhas iniciais. Ela refere-se aos últimos quartetos, às últimas sonatas para piano, às Diabeli e certamente à Nona Sinfonia. O restante seria grandioso, mas menos pessoal e significativo. Lembro que quando era adolescente, nós tínhamos que nos aproximar destes quartetos respeitosamente e o Dr. Herbert Caro dizia que talvez fosse necessária maior maturidade para que um jovem pudesse entendê-los. Discordo postumamente do grande Dr. Caro, meu amigo e tradutor de Doutor Fausto, da Montanha Mágica, de Auto-de-Fé e outras tantas obras-primas; acho que sempre ouvi o Op.132 e 130 (o último acompanhado de sua Grande Fuga) da mesma forma e o respeito que sempre tive por estes quartetos emanava deles e não de minha atitude. O fato é que o Op. 132 é uma música que passou a fazer parte de mim muito cedo. Eu, um adolescente na casa de meus pais, costumava ficar deitado, antes de dormir, tentando reproduzir nota a nota o terceiro movimento. Cronometrava para ver se chegava perto de seus 15 minutos… Às vezes, pensava conseguir reproduzi-lo por inteiro. Mas nunca ninguém pode comprovar, nem eu.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Late String Quartets

DISCO 01

String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127:
1. Maestoso – Allegro
2. Adagio, ma non troppo e molto cantabile
3. Scherzando vivace – Presto
4. Finale

String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131
5. Adagio, ma non troppo e molto espressivo
6. Allegro molto vivace
7. Allegro moderato
8. Andante, ma non troppo e molto cantabile – Piu mosso
9. Andante moderato e lusinghiero
10. Adagio
11. Allegretto
12. Adagio, ma non troppo e semplice
13. Allegretto
14. Presto
15. Molto poco adagio
16. Adagio quasi un poco andante
17. Allegro

DISCO 02

String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130
1. Adagio ma non troppo – Allegro
2. Presto
3. Andante con moto, ma non troppo
4. Alla danza tedesca. Allegro assai
5. Cavatina. Adagio molto espressivo
6. Finale. Allegro

Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133
7. Overtura. Allegro – Fuga
8. Meno mosso e moderato
9. Allegro molto e con brio
10. Meno mosso e moderato
11. Allegro molto e con brio
12. Allegro

DISCO 03

String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132
1. Assai sostenuto – Allegro
2. Allegro ma non tanto
3. Heiliger Dankgesang eines Genesenden an die Gottheit, in der lydischen Tonart. Molto adagio
4. Alla marcia, assai vivace – Più allegro
5. Allegro appassionato

String Quartet No. 16 in F major, Op. 135
6. Allegretto
7. Vivace
8. Lento assai e cantante tranquillo
9. Der schwer gefaßte Entschluß. Grave (Muß es sein?) – Allegro (Es muß sein!) – Grave, ma non troppo tratto — Allegro

Melos Quartett
Wilhelm Melcher, 1. violino
Gerhard Voss, 2. violino
Hermann Voss, viola (alto)
Peter Buck, Violoncello

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BAIXAR AQUI CD2
BAIXAR AQUI CD3

Carlinus

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Cathy Berberian – Beatles Arias

Este post é de 24 de abril de 2009. Era uma época em que os integrantes do PQP se esmeravam em encontrar o Pior Álbum Clássico de Todos os Tempos. Foi dentro deste espírito que o desaparecido CVL Bach trouxe a AUTENTICAMENTE MEDONHA Cathy Berberian, mas acho que ela não venceu MALMSTEEN, que é APARENTEMENTE INVENCÍVEL E INVICTO. (Aliás, explico o “invicto”. Estou ofendido! Minha postagem com menos downloads foi baixada mais de 100 vezes. Mas a revalidação de Malmsteen tem 0 (ZERO) downloads após uma briga de mais de 100 comentários no post original! Tá certo que o público do PQP é muito QUALIFICADO, mas não precisa ser TANTO. Espero que alguma boa alma me tire aquele zero do placar. Conto com vossa BONDADE). Ela, a Berbarian, fica ao lado de ALBRECHTSBERGER em ruindade, pois ambos são LAMENTÁVEIS mas ainda provocam o riso, enquanto Malmsteen é capaz de irritar o mais tranquilo monge nepalês. Ah, falta uma faixa do disco de Berberian, mas talvez vocês deem graças a DEUS. Junte os três discos num CD e dê para seu maior inimigo. Abaixo, a postagem original.

PQP

-=-=-=- 

Se você não conhece Cathy Berberian (1925-1983) – a singular e versátil meio-soprano americana filha de armênios que foi casada com Luciano Berio – aviso logo que este CD é o pior cartão de visitas possível pois o estou postando por outra razão: para que ele venha a se somar a outros dois álbuns do blog e concorrer a “pior gravação da história”.

Caso você tenha saltado de rir com o esquitíssimo concerto para harpa de boca (marranzano) e orquestra de Albrechtsberger ou tenha achado um “nada a ver total” o Concerto para soprano coloratura (!) do russo Reinhold Glière (que mais parece um suíço, com esse nome) – ou caso você conheça ainda o abestalhado Concerto para uma voz de Saint-Preux, que não postamos por aqui porque é disponível em qualquer Lojas Americanas – prepare-se para exclamar com toda a estranheza: “Que porra é isso!?”

Há vários vídeos de Cathy no Youtube, incluindo um áudio de Xangô, de meu pai, que parece ter sido escrito pra ela, sob medida. Há também Stripsody, composição dela mesma, onde dá pra se ver seu vanguardoidismo assumido* (Cage escreveu coisas pra Cathy, por sinal). A “pá virada” é rodopiada de vez – “ou não”, diria Caetano – no presente álbum, de 1967, um atestado de fã dos Beatles que nitidamente causou risos desenfreados (as faixas finais são ao vivo).

Qualquer mico que algum cantor lírico tenha pago até hoje está redimido nessas Beatles Arias.

* Vale a pena também conhecer a partitura da peça.

***

Cathy Berberian – Beatles Arias

01.Ticket to ride
03.Michelle
04.Eleanor Rigby
05.Yellow Submarine
06.Help
07.You’ve got to hide your love away
08.Yesterday
09.Can’t buy me love
10.Girls
11.A hard day’s Night

Bonus tracks – Unreleased before

12.Interview (radio france- 1975)
13.Introduction (Live Avignon 1982)
14.Ticket to ride (Live Avignon 1982)
15.Yesterday (Live Avignon 1982)
16.Ticket to ride

PS.: No arquivo postado, eu editei a gravação e coloquei uma faixa a mais – uma introdução falada, antes de Ticket to ride, conforme consta na contracapa do CD.

BAIXE AQUI

CVL

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L. van Beethoven (1770-1827): Concerto Triplo / Aberturas Egmont, Coriolano e Fidélio

Não, apenas não. Esta “clássica” gravação de Karajan, com Mutter, Ma, etc. perde fácil para a postagem abaixo de Neeme Järvi. Concordo que Mutter e Ma são monstros absolutos, mas há o fator HvK e este às vezes pulveriza quaisquer esforços… É o caso.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Concerto for Piano, Violin, and Cello in C, Op.56
1) 1. Allegro [17:48]
2) 2. Largo – attacca [5:50]
3) 3. Rondo alla Polacca [12:32]
Anne-Sophie Mutter
Mark Zeltser
Yo-Yo Ma
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan

4) Music to Goethe’s Tragedy “Egmont” op.84 [8:21]
5) Overture “Coriolan”, Op.62 [9:00]
6) Overture “Fidelio”, Op.72c [6:55]

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan

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PQP

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Johannes Brahms (1833-1897): Haydn Variations · Waltzes · Sonata in F minor

Baita disco, baita disco. Argerich e Rabinovitch enfrentam esplendidamente as três peças de Brahms, todas transcrições de obras para um número maior de instrumentos. A grande surpresa, em minha opinião, é a transcrição do extraordinário Quinteto para Piano Op.34, que desconhecia. As Valsas são levadas com grande elegância e as Variações sobre Haydn — peça mais conhecida da coleção — há anos faz parte do repertório de Argerich, a qual gosta de parcerias pianísticas. Meses atrás, postamos a mesma obra com ela e Nelson Freire. Aqui, ela está mais sanguínea.

Baita CD!

Brahms · Haydn Variations · Waltzes · Sonata in F minor

Haydn Variations for two pianos, Op.56b
1. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Chorale St. Antoni: Andante
2. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 1: Andante con moto
3. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 2: Vivace
4. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 3: Con moto
5. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 4: Andante
6. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 5: Poco presto
7. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 6: Vivace
8. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 7: Graziosos
9. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Var. 8: Poco presto
10. Variations On A Theme by Joseph Haydn For Two Pianos, Op. 56b: Finale: Andante

Sonata for two pianos in F minor, op.34b
11. Sonata For 2 Pianos In F Minor, Op. 34b: Allegro non troppo
12. Sonata For 2 Pianos In F Minor, Op. 34b: Andante, un poco adagio
13. Sonata For 2 Pianos In F Minor, Op. 34b: Scherzo: Allegro – Trio
14. Sonata For 2 Pianos In F Minor, Op. 34b: Finale: Poco sustenuto – Allegro non troppo

Waltzes, op.39 Version for two pianos
15. Waltzes, Op. 39: No. 1 In B Major: Tempo giusto
16. Waltzes, Op. 39: No. 2 In E Major
17. Waltzes, Op. 39: No. 3 In B Minor
18. Waltzes, Op. 39: No. 4 In G Sharp Minor
19. Waltzes, Op. 39: No. 5 In A Flat Major

Martha Argerich & Alexandre Rabinovitch, pianos

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PQP

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Comunicado

No meio da tarde deste domingo acessei um blog que admiro muito, “The Music for Piano”,  e de onde baixo muita coisa. Eis que de repente sou surpreendido ao ler que o Mediafire havia suspendido sua conta.

E agora no final desta tarde, é a minha vez de receber um email do Mediafire dizendo que minha conta havia sido suspensa por ter violado diversos termos de utilização.  Portanto, todos as minhas postagens feitas com links do Mediafire foram canceladas.

O que significa que eles também não resistiram à pressão e sumiram com todo o meu acervo, assim como o de milhares de outros usuários que logo, logo também estarão reclamando. A vantagem no meu caso é que minha conta era de free user, ou seja, não pagava mensalidade. A única coisa que perdi foi meu tempo subindo arquivos para aquele servidor.

O que irei fazer? Não sei. Dar um tempo, com certeza. E obviamente, por absoluta falta de tempo e de paciência, não tenho como respostar os links, assim como aconteceu com o MegaUpload e com o Rapidshare.

Abraços a todos e obrigado pelo tempo que os senhores dedicaram às minhas pretensiosas e mal escritas linhas.

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Luigi Boccherini (1743 – 1805): Concertos para Violoncelo – Sinfonias

Publicado originalmente em 5 de dezembro de 2008

Um bom CD, sem chegar ao altíssimo nível do Pisendel que postei anteontem. É o tal negócio: há orquestras e solistas que nos deixam de tal modo mesmerizados que só ouvindo muitas vezes para saber se a música é boa mesmo ou se o solista, por suas artes diabólicas, convenceu-nos disso. Bylsma e a Tafelmusik estão maravilhosos neste CD da Harmonia Mundi alemã; assim sendo, reconheço minhas dificuldades para julgar as obras postadas de Boccherini, para mim um compositor menor, simpático, daqueles para os quais cabe nossa indulgência.

A Sinfonia La Casa del Diavolo possui um tema do Orfeu e Eurídice de Gluck, não? O daquela célebre Dança das Fúrias que há antes dos balés do segundo ato, estou certo?

Então, música agradável, muito bem interpretada.

Boccherini: Concertos pour violoncello; Symphonies

Concerto Pour Violoncelle En Sol Majeur G 480
01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro

Sinfonia En Si Majeur G 497
04 – Allegro Spiritoso
05 – Andantino Con Moto
06 – Allegro Vivace Assai

Concerto Pour Violoncelle En Re Majeur G 483
07 – Allegro Maestoso
08 – Andante Lentarello
09 – Allegro E Con Moto

Sinfonia la Casa Del Diavolo En Re Mineur G 506
10 – Andante Sostenuto
11 – Andantino Con Moto
12 – Andante Sonstenuto

Anner Bylsma
Tafelmusik Baroque Orchestra
Jean Lamon

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PQP

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Histórias de uma orquestra brasileira

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Frederik Chopin – Complete Edition – CDs 9 e 10 de 17 – Polonaises


Enquanto preparava mais esta postagem, e aproveitava para ouvir estes cds também, tentei me lembrar de quando foi que ouvi a Polonaise nº1 e a em Lá Bemol pela primeira vez. Adentrando nas brumas do tempo, o que vem em mente é uma daquelas vitrolas pequenas, fáceis de carregar de um lado para outro. E também um LP de capa amarela. Creio que fazia parte de uma coleção da Editora Abril, Mestres da Música, ou algo assim. Mas como desde pequeno me ligava nestas questões de interpretação, lembro perfeitamente do nome do pianista: Peter Frankl. Ouvi aquele LP à exaustão. Não sei como foi parar lá em casa, talvez até mesmo minha mãe o tenha comprado. Meu pai não se ligava muito nestas questões de música. Mas nunca esqueço dos acordes iniciais da Polonaise nº1. Povoavam a imaginação fértil de uma criança de pouco mais de 10 anos de idade, vivendo em uma pequena cidade do interior, que tinha apenas uma loja de discos, loja essa que vendia apenas discos de música sertaneja, ou caipira. Nomes como Teixeirinha e Meri Terezinha, Mazaropi, José Rico e Milionário, entre tantos outros, enchiam as prateleiras da loja, e a vitrine da mesma, com umas capas medonhas. De vez em quando, em um cantinho escondido, encontravamos LPs de música clássica, ou até mesmo de rock.

É com estas lembranças em mente que trago mais um volume da Complete Edition de Chopin, da poderosa gravadora Deutsche Grammophon, lembrando das dificuldades de acesso a este material para quem vivia no interior. O intérprete desta vez é o imenso Maurizio Pollini, o ídolo do PQP. Gigante dos teclados, sem dúvida, nestas gravações das Polonaises fez um trabalho excepcional, para variar. Ah, e para ficar melhor, ainda temos a visceral Martha Argerich, também sensacional neste repertório e o para mim até então desconhecido Anatol Ugorski. Resumindo: o cerebral Pollini toca as mais célebres Polonaises, a visceral Argerich se encarrega da “Grande Polonaise Brillante”, e vindo diretamente das geladas estepes siberianas, Anatol Ugorski tenta esquentar um pouco mais este volume, tocando polonaises desconhecidas, com opus póstumos.
Pois então continuemos a nos enredar no complexo labirinto da música de Chopin.

CD 1
1 Polonaise in C# minor Op.26 No.1 – Allegro appassionato
2 Polonaise in Eb minor Op.26 No.2 – Maestoso
3 Polonaise in A Op.40 No.1 – Allegro con brio
4 Polonaise in C minor Op.40 No.2 – Allegro maestoso
5 Polonaise in F# minor Op.44 – Tempo di polacca – doppio movimento, tempo di M
6 Polonaise in Ab Op.53 – Maestoso
7 Polonaise in Ab Op.61 – Allegro maestoso

CD 2
1 Andante Spianato,Op.22-In Eb
Martha Argerich – Piano

2 Grande Polonaise,Op.22-In Eb-Allegro moderato
3 Polonaises,Op.71-No.1 in Dm
4 Polonaises,Op.71-No.2 in Bb
5 Polonaises,Op.71-No.3 in Fm
6 Polonaise,[KK1188-1189]-In Bbm-=Adieu=
7 Polonaise,[KK1197-1200]-In Gb
8 Polonaise,[KK889]-In Gm
9 Polonaise,[KK1182-1183]-In Bb
10 Polonaise,[KK1184]-In Ab
11 Polonaise,[KK1185-1187]-In G#m-Moderato
12 Bourrées,[KK1403]-No.1 in Gm
13 Bourrées,[KK1404]-No.2 in A
14 Galop Marquis,[KK1240a]-In Ab
15 Album Leaf,[KK1240]-In E-Moderato
16 Cantabile,[KK1230]-In Bb
17 Fugue,[KK1242]-In Am
18 Largo,[KK1229]-In Eb

Anatol Ugorski – Piano

CD 1 – Baixe Aqui – Download Here
CD 2 – Baixe Aqui – Download Here

FDPBach

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Johannes Brahms (1833-1897): Cello Sonatas / Franz Schubert (1797-1828): Arpeggione Sonata

(Estava ouvindo este CD hoje. Quando fiz o upload, descobri que já o tinha postado com o textinho machista abaixo… :¬)))

É IM-PER-DÍ-VEL !!!

É o disco perfeito! )

Gostosíssima e pneumática, Nathalie Clein certamente provocará a ira daqueles não gostam de ver uma bela mulher de pernas abertas atrás de um cello. Bem, eu aprecio. Ademais, a moça tem estilo ao interpretar lindamente esse esplêndido programa de Brahms + Schubert. A gravação tem alguns detalhes que fazem a alegria de meu combalido coração: ouve-se claramente a carpintaria do cello. Clein tem bom som e parece não se importar muito em bater com o arco, nem com provocar alguns ronquinhos que me fazem pensar em sua intimidade. Ah, e ela respira bastante, de forma e audível, fato natural em seres humanos. Prefiro a atmosfera de um concerto ao vivo do que a perfeição técnica provocada por engenheiros de som ciosos de limpeza, higiene e segurança no trabalho.

Em 1994, aos 17 anos, a violoncelista Natalie Clein foi a primeira vencedora do concurso britânico Festival Eurovisão de Jovens Músicos. Ela não se apressou em correr para uma carreira solo, tendo se concentrado em estudos com o grande Heinrich Schiff, bem como em desenvolver uma reputação internacional de concertos com orquestras, executando e colaborando com gente como Martha Argerich, Ian Bostridge e Steven Isserlis.

Este é seu CD de estreia. Um desafio. As duas extraordinárias sonatas românticas de Brahms, juntamente com a Arpeggione.

BAITA CD !!!

Brahms: Cello Sonatas / Schubert: Arpeggione Sonata

1. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: I. Allegro vivace 8:54
2. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: II. Adagio affettuoso 6:45
3. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: III. Allegro passionato 6:59
4. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: IV. Allegro molto 4:18

5. Arpeggione Sonata in A minor D821: I. Allegro moderato 11:42
6. Arpeggione Sonata in A minor D821: II. Adagio – 4:10
7. Arpeggione Sonata in A minor D821: III. Allegretto 8:45

8. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: I. Allegro non troppo 13:46
9. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: II. Allegretto quasi Menuetto 5:51
10. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: III. Allegro 6:35

Natalie Clein, violoncelo
Charles Owen, piano

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Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

PQP

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York Bowen (1884-1961), Cecil Forsyth (1870-1941) – Concertos para Viola


UM SENHOR CD !!!

Desta vez apresentamos a vocês o inoxidável Lawrence Power, violista elogiado até pelo afiadíssimo ouvido de PQPBach, filho de Bach e pai deste Blog, que disse, sobre o rapaz: “Power é power mesmo, é genialaqui, nessa postagem do concerto para viola de Walton.

Aqui o inglês Power (1977-) se dedica aos concertos dos seus conterrâneos Edwin York Bowen e Cecil Forsith. E não é pouca coisa, não, coisa de só homenagear os compositores de seu país. Bowen e Forsith, apesar de não serem muito conhecidos por estas plagas, nos brindam com obras de altíssima categoria, com todas aquelas tensões mal resolvidas (e instigantes e, por que não dizer, contagiantes) dos compositores do modernismo da primeira metade do século XX. Suas orquestrações são muito vibrantes e, no caso deste álbum, há um brilho extra: o polimento que Lawrence Power dá às peças, com tenacidade, expressão e precisão.
Nem vou falar muito mais! Apenas dê-se ao prazer de ouví-lo! É muito, mas muito bom!

Edwin York Bowen (1884-1961)
Concerto para Viola em Dó Menor
01. I. Allegro Assai
02. II. Andante Cantabile
03. III. Allegro Scherzando

Cecil Forsyth (1870-1941)
Concerto para Viola em Sol Menor
01. I. Appassionato – Moderato
02. II. Andante un poco sostenuto
03. III. Allegro con fuoco

Lawrence Power, viola
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martin Brabbins, regente

Palhinha: Laurence Power executando o primeiro movimento do concerto de Bowen, dessa mesma gravação.
http://youtu.be/6cEW-OT41ys

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (134Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui
Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

Bisnaga

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Alfred Schnittke (1934-1998): Violin Concertos Nos. 2 & 3 / Stille Nacht / Gratulationsrondo

Aqui, Gidon Kremer em sua melhor forma artística. Um verdadeiro banho de competência ao violino. E a Orquestra de Câmara da Europa e Eschenbach embarcam juntos neste grande disco da Teldec.

E aqui eu peço licença a meu amigo Al Reiffer para dizer que Alfred Schnittke é, ao lado de Ligeti, o melhor compositor da segunda metade do século XX. Talvez nem precisasse pedir licença ao Reiffer, uma vez que ele disse que Penderecki era o melhor compositor do século XXI e um dos melhores do XX, dando lugar a minha avaliação…

Olha, este é um disco extraordinário! Schnittke faz uma música enormemente extrovertida e nada esquecível. Admirador de Shostakovich e ligado ao pós-modernismo, usa o chamado poliestilismo, que é o uso de múltiplos estilos e técnicas de composição musical… misturados. Ou seja, tudo pode mudar a qualquer momento. Fiel ao mestre Shosta, Schnittke é ultra-sarcástico, como podemos ouvir neste disco. Se você duvida, vá direto à brincadeira de Stille Nacht.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Schnittke (1934-1998): Violin Concertos Nos. 2 & 3 / Stille Nacht / Gratulationsrondo

1. Concerto pour violon no. 2

2. Stille Nacht

3. Gratulationsrondo

4. Concerto pour violon no. 3, 1. Moderato
5. Concerto pour violon no. 3, 2. Agitato
6. Concerto pour violon no. 3, 3. Andante

Gidon Kremer: violino
Chamber Orchestra of Europe
Christoph Eschenbach (cond./piano)

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O grande Alfred Schnittke

PQP

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"Ad Astra, per Aspera" de Harry Crowl – Estreia Mundial

Avicenna

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Elomar Figueira Mello (1937): Na Quadrada das Águas Perdidas (1978)

Com esta postagem do trovador renascentista do sertão baiano sinto que completo um ciclo de explorações sobre “o clássico fora do clássico” – ciclo que incluiu a kora ou harpa africana de Toumani Diabaté, as elaborações de cantos indígenas de Marlui Miranda, um balé instrumental de Gilberto Gil, os grupos instrumentais Quinteto Armorial e Uakti.

Não se trata do mesmo conceito das postagens usualmente rotuladas como “interlúdio” neste blog, que incluem jazz, blues, algumas coisas da chamada MPB – coisas que a maior parte de nós sente, mesmo sem saber explicar por quê, serem uma outra arte, como que paralela ao “clássico”, embora não necessariamente de menor valor ou grandeza. E é do mesmo modo difícil de explicar que sinto que certas coisas deveriam ser reconhecidas como propriamente clássicas, embora venham de ou por fora fora da linhagem europeia a que se costuma atribuir a palavra.

A ideia de postar Elomar nesta série é antiga, mas – confesso – eu vinha adiando por medo de escrever sobre ele, cuja arte ao mesmo tempo me encanta e perturba, causa uma estranheza inquietante. Mas hoje, ao atender um pedido de revalidação do link do disco “Música Renascentista para Alaúdes, Vielas e Bandurra”, senti que não podia deixar passar a oportunidade: ouçam os dois discos, e acredito que “ouverão” que não foi sem razões sonoras que liguei Elomar ao rótulo “renascentista”.

Nem sem razões históricas que o liguei ao rótulo “trovador”: sugiro uma visita à sua página oficial e (mais rápido) uma lida na sua biografia na Wikipedia, de onde destaco: “Elomar, assim como Glauber Rocha e [seu primo] Xangai, é descendente direto do bandeirante e sertanista João Gonçalves da Costa, fundador em 1783 do Arraial da Conquista, hoje a cidade de Vitória da Conquista”. Além disso, embora formado em Arquitetura na UFBA – justo no período em que esta fez de Salvador um dos maiores polos de efervescência cultural do país – nosso artista sempre deu preferência a viver em uma ou outra das três fazendas que herdou.

Ou seja, engana-se quem o liga à palavra “menestrel” – na Idade Média e Renascença um cantador e entertainer pertencente às classes populares, geralmente itinerante: Elomar vincula-se literalmente à tradição dos trovadores, sempre “filhos de algo” (isto é: nobres, proprietários de terras) com condições de estudar e se dedicarem a experimentações artísticas sem preocupações de sobreviver disso. E seu uso da linguagem sertaneja não tem nada de brotação espontânea: trata-se de um projeto artístico-intelectual tanto quanto o de Guimarães Rosa.

Por favor: com isto não estou nem valorizando nem depreciando a arte e a pessoa de Elomar: estou apenas caracterizando, e isso numa dimensão que nada tem a ver com valor ou desvalor!

Termino com uma observação musical e uma literária facilitadas pela marcante canção “Arrumação” – tão marcante, aliás, que acrescentei no final mais três versões, além da original que constitui a faixa 5 do disco (sendo que a releitura pelo próprio Elomar, com coral, me parece a menos brilhante das três – aproveitando ainda pra confessar que não gosto muito das duas primeiras faixas do disco e peguei o hábito de começar a ouvir pela terceira – mas isso vai naturalmente do gosto de cada um!).

A observação musical: começo a suspeitar que boa parte da estranha pungência melódica de Elomar deriva do seu frequente uso da escala menor melódica, cujos 6º e 7º graus têm caráter de escala maior nas frases ascendentes e de menor nas descendentes – um recurso técnico do qual também Bach extraía efeitos de pungência.

A literária: não se confunda esta exploração literária do dialeto sertanejo por um estudado com um certo “fazer gênero ‘povo’ falando ‘errado'” – pois, antes de mais nada, quem estudou mesmo sabe que não há propriamente “errado” em línguas. Mas a coisa aqui vai além das variantes de classe social: está-se lidando com um falar que descende de um português migrado para o Brasil antes da codificação clássica da língua. Quem estudou um pouco de linguística românica sabe que há bem umas duas dezenas de falares derivados do latim além dos cinco oficializados como idiomas nacionais. E porque cargas d’água é chique quando um francês chama de ail (pronúncia “ái”) o tempero que em latim se chamava allium, e seria errado quando mãe Prudença pede a sua neta Jusefina “vai cuiê u ái, ái de tua vó”?

Pra mim, pelo menos, o que é é arrepiantemente belo.
E deixo vocês com Elomar.

Elomar Figueira Mello: NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS
LP duplo, 1978

1. A Meu Deus Um Canto Novo
2. Na Quadrada Das Aguas Perdidas
3. A Pergunta
4. Arrumacao
5. Deseranca
6. Chula No Terreiro
7. Campo Branco
8. Parcelada
9. Estrela Maga Dos Ciganos
10. Função
11. Noite De Santo Reis
12. Cantoria Pastoral
13. O Rapto De Joana Do Tarugo
14. Canto De Guerreiro Mongoio
15. Clariô
16. Bespa
17. Dassanta
18. Curvas Do Rio
19. Tirana
20. Puluxias
EXTRAS:
21. Arrumação – versão de 1989 (Elomar em Concerto)
22. Arrumação – versão de 1988 com Francisco Affa (Cantoria 2)
23. Arrumação – realização instrumental do grupo Uakti, 1996

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Ranulfus

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Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Sonatas para Piano

Imaginem um mundo ainda pior do que o nosso, um mundo onde Haydn (1732), Mozart (1756) e Beethoven (1770) tivessem sucumbido à alta mortalidade infantil de suas épocas. Bem, neste caso, Hummel seria muito famoso. OK, você, que é inteligente, dirá que se o trio fundamental acima não tivesse produzido nada, o Hummel que ouvimos seria outro, pois ele foi formado por Haydn e Mozart e foi contemporâneo de Beethoven. Concordo e peço que não levem tão a sério minha ficção. O que desejo dizer é que Hummel é um sub-Beethoven que não merece o pouco caso que nossa época dá a ele. Tudo porque ele é MUITO BOM.

Estas sonatas para piano gravadas por Stephen Hough para a sensacional Hyperion deveriam fazer parte do repertório usual de pianistas que tocam obras do período clássico. Peço a vocês que confiram. Se as sonatas de Hummel não superam as de Mozart e Beethoven, deixam longe as de Haydn e as de quase todos os compositores do período.

Ah, não acreditam? Então ouçam. BAITA CD.

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Sonatas para Piano

Piano Sonata in F sharp minor, Op 81
1. Allegro
2. Largo Con Molt’espressione
3. Vivace

Piano Sonata in D major, Op 106
4. Allegro Moderato, Ma Risoluto
5. Un Scherzo All’antico: Allegro, Ma Non Troppo
6. Larghetto A Capriccio
7. Allegro Vivace

Piano Sonata in F minor, Op 20
8. Allegro Moderato
9. Adagio Maestoso
10. Presto

Stephen Hough, piano

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PQP

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Krzysztof Penderecki (1933-) – Concerto for cello and orchestra No. 1 , Concerto for cello and orchestra No. 2 e Concerto for viola and chamber orchestra

“Hoje cedo eu e PQP estabelecemos um rapido diálogo sobre o sábado mais polaco da história do PQP Bach. Já que apareceram Chopin e Szymanovsky, decidi postar um outro polonês da pesada – Penderecki. Acredito que Penderecki seja um dos compositores vivos mais renomados da atualidade. Esse respeito não se deve a aspectos gratuitos, mas a uma qualidade não encontrável em muitos compositores contempôraneos. Fiquei impressionado com a qualidade desse CD. Traz os dois concertos para cello e o concerto para viola e orquestra de câmera. É notável como o compositor polônes consegue produzir um tipo de música pessimista, com cintilações macabras; como se uma esponja estivesse apagando o céu; como se unhas invisíveis estivessem dilacerando os nossos ouvidos. É o que senti, por exemplo, quando estava ouvindo o concerto no. 1 para Cello. Olhe, esse é um dos melhores Cds que postei nos últimos tempos. Exige audácia e um entusiasmo blindado para quem quiser ouvi-lo. Não deixe de ouvir. Uma aboa apreciação!

Krzysztof Penderecki (1933-) – Concerto for cello and orchestra No. 1 , Concerto for cello and orchestra No. 2 e Concerto for viola and chamber orchestra

Concerto for cello and orchestra No. 1 (1967_1972)
01. Concerto for cello and orchestra No. 1

Concerto for cello and orchestra No. 2 (1982)

02. Concerto for cello and orchestra No. 2

Concerto for viola and chamber orchestra (1983)
03. Concerto for viola and chamber orchestra

Sinfonia Varsovia
Krzysztof Penderecki, regente
Arto Noras, cello

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Carlinus

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Karol Szymanowski (1882-1937): obras sinfônico-corais: Stabat Mater, Deméter, Litanias à Virgem, Sinfonia 3 [REVALIDADO]

PARA COMPLETAR A INVASÃO POLONESA AO BLOG NESTE SÁBADO! (Postagem original 31.05.2010)

Começo este post do polaco Szymanowski falando de samba – e nem é porque considero ‘As Rosas Não Falam’ um finíssimo prelúdio de Chopin tropicalizado, e sim devido à genial análise do sentido do samba feita por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1993: ‘o samba é pai do prazer / o samba é filho da dor / o samba é o grande poder / transforma-dor’.

E aí? Aí que, antes de mais nada, considero essas palavras uma teoria da arte em geral, e não apenas do samba. Segundo, que tratamos aqui de um polonês – ou seja, membro de um povo que (perdoem se generalizo, mas…) desenvolveu a arte de extrair sensações orgásticas do pranto – e não um pranto de lagriminha discreta, não, mas de irrigar plantações…

Verdade que não será essa a sensação de quem começar a audição pela 3.ª Sinfonia – a “Canção da Noite”, baseada em textos do poeta e místico persa Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī (1207-1273 – bendita Wikipedia!) – peça de 1914-16 que sinceramente me soa pouco pessoal, afim demais ao Zarathustra composto por Richard Strauss 20 anos antes. E, acreditem: soa sóbria. Mas esperem só chegar o Stabat Mater…

Stabat Mater é um poema em latim medieval, derivado inteiro da seguinte cena “Estava a mãe cheia de dor, / cheia de lágrimas, junto á cruz / de onde pendia seu filho” – e que chega lá pelas tantas à súplica: “Ó virgem das virgens, ilustre, não sejas dura ou pão-dura comigo (amara ou avara, discute-se): concede-me que chore contigo”. Querem prato mais cheio para um polonês – ainda por cima, ao que parece, com fixação pela mãe?

Mas não estou ridicularizando o poema nem a música! Não comecei falando do poder transforma-dor? Tenho essa obra entre as mais belas do século 20, não só em emoção mas também em invenção: combinando partes vocais neo-modais com partes orquestrais muitas vezes de extrema dissonância, consegue o milagre de fundir sentimentos de devoção mística autêntica e de experiência moderna também autêntica numa só voz, e desta vez uma voz pessoal. (Digo-o em contraste com a Sinfonia, à qual o Stabat Mater é uns 10 anos posterior).

Só não espere, quem está acostumado, reconhecer as palavras rimadas em latim: o texto – como nas demais peças do disco – está em polonês (mas se você quer acompanhar pelo poema latino, que também se encaixa na música, você acha aqui).

As outras duas peças são mais breves, embora não sem peso – nem sem mãe: as Litanias à Virgem Maria (1930-33, de linguagem mais afim à do Stabat Mater), e a cantata Deméter, um dos nomes gregos para Terra-Mãe – cujo mito também envolve perda de mãe, desta vez de uma filha, e ressurreição. Composta em 1917, a linguagem ainda é próxima da Sinfonia, embora os solos já pareçam anunciar o que virá depois. E bom proveito!

Szymanowski: obras sinfônico-corais: Stabat Mater, Deméter, Litanias à Virgem, Sinfonia 3

Sinfonia n.º 3, “Canção da Noite”, op.27 (1914-16)
sobre textos do poeta persa Jalal ad-Din Rumi

01 I. Moderato assai (O, nie spij, druhu, nocy tej!)
02 II. Vivace, scherzando
03 III. III. Largo (Jak cicho. Inni spia…)

Solista: Wieslaw Ochman – Coro da Rádio Polonesa de Krakow
Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa
Regência: Jerzy Semkow

04 Litanias à Virgem Maria, op. 59 (1930-33)
Dois fragmentos para soprano, coro feminino e orquestra
Solista: Jadwiga Gadulanka
Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa
Regência: Antoni Wit

05 Deméter, op.37b (1917)
Cantata para contralto, coro feminino e orquestra
sobre textos de Z. Szymanowska
Solista: Jadwiga Rappé
Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa
Regência: Antoni Wit

Stabat Mater op. 53 (1925-26)
para solistas, coro misto e orquestra

06 I. Stala Matka bolejaca (Stabat Mater dolorosa)
07 II. I któz widzac tak cierpiaca (Quis est homo qui non fleret)
08 III. O Matko, zródlo wszechmilosci (Eia Mater, fons amoris)
09 IV. Spraw, niech placze z Toba razem (Fac me tecum pie flere)
10 V. Panno slodka racz mozolem (Virgo virginum praeclara)
11 VI. Chrystus niech mi bedzie grodem (Christe, cum sit hinc exire)

Solistas: Jadwiga Gadulanka, Jadwiga Rappé, Andrzej Hiolski
Coro da Rádio Polonesa de Krakow
Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa
Regência: Antoni Wit

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Ranulfus

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