Stephen Hartke (1952): The Horse with the Lavender Eye – Piano and Chamber Music

Uma joia, uma maravilha esse CD. Música moderna do melhor nível. Fiquei entusiasmado com a qualidade do que ouvi e dos reconhecimentos que fiz. Ouvi My favorite things distorcida em meio às belas invenções desse Hartke. Não sabia nada acerca do autor e fui ver se havia alguma notícia biográfica ou entrevista do sujeito. Encontrei e a qualidade do ser humano não nega sua música. Um postura impecável frente à religião e… Bem, copio abaixo a entrevista e peço para vocês prestarem atenção a sua resposta para a pergunta de número 12.

Hartke is one of the most exciting contemporary composers, writing orchestral and chamber music that blends the most experimental aspects of concert music with simpler elements of folk songs, and the comprehensible structures of song forms. Listen to his piece “The King of the Sun.”

1. What’s the first piece of music you listened to today?
The sound of finches dive-bombing the windows of my house to pick off the moths that had taken refuge on the glass during the night.  I know this sounds rather like a John Cage sort of answer, and, to be honest, I don’t have much use for John Cage. The fact is, I don’t listen to recorded music every day. I rather think we hear too much music nowadays, and it ceases to be special. When I was younger, I certainly did listen to recordings a lot, and attended far more concerts, but now I’m more inclined to sit quietly and remember pieces or to flip through a score or play something. Later this morning, after the finch attack was over, I played through a couple of the Bach English Suites and a few Scarlatti sonatas.

2. What are your vices?
My musical vices include a fondness for unison orchestral doublings of flutes, oboes and clarinets. Some folks think I am overfond of natural harmonics in the strings, but there’s no twelve-step program for that (most string instruments can’t get past the eighth step partial anyway). I also take perverse and anachronistic delight in the vibraphone with the motor on.

3. What is one of your prejudices?
I heartily dislike popular culture, especially rock and roll.

4. In what way do you think music has the ability to change the way people live their lives?
This question suggests that you think that such an ability might be a good thing. I’m not so sure. Music makes life worth living, but I don’t know if it is because it might have a power to change someone’s life. Certainly most music written with a political purpose does not achieve its aim. The Three-Penny Opera was intended as a work of musique-engagee and was tremendously successful as a work of musical theater, but it did nothing to alter the course of German political or social life, more’s the pity.

5. At what age did you first feel distrust?
At the age of 54 when I was first posed this question by you.

6. What is the best piece of music you’ve ever created, in your opinion?
My favorites shift according to my mood and my ever-evolving perspective as I write more. However, at the moment I’m inclined to say “Cathedral in the thrashing rain.”

7. Right now, how are you trying to change yourself?
By relaxing.

8. If you had the time, what else would you do?
Learn a few more languages.

9. What social cause do you feel the most strongly about (negative or positive)?
Bringing an end to all superstition and releasing mankind from the thralldom imposed by religion.

10. What are your fears?
That religionists will hasten the demise of life on this planet through their vainglorious belief that the world was created for them by some sort of uber-parent.

11. What is your favorite joke (tasteful or tasteless)?
A nice old lady meets a 9-year old child and starts an innocent little chat.  “What do you want to be when you grow up?” she asks. The kid replies: “A dry-cleaner.”

12. Who is your favorite author?
Joaquim Machado de Assis

13. What is your favorite movie?
Fellini’s Eight and a Half

14. Favorite album(s) from the last few years?
The Complete Sacred Music of Henry Purcell (Hyperion)

15. What would you like to know more about?
Just about everything.

16. What is one thing you would like to do/see/accomplish before you die?
I’d like to visit Japan.

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Stephen Hartke (1952):
The Horse with the Lavender Eye – Piano and Chamber Music

The Horse with the Lavender Eye (1997)
Episodes for Violin, Clarinet and Piano
1 I Music of the Left. Left-handed
2 II The Servant of Two Masters. Quite manic
3 III Waltzing at the Abyss. Gingerly, but always moving along
4 IV Cancel My Rumba Lesson. Two Left Feet

Selections from ‘Post-modern Homages’ (1984-92)
for Piano
5 Sonatina-Fantasia (1987). Giubilante
6 Gymnopédie No. 4 (1984). Suave
7 Template (1985). Presto
8 Estudo-Scherzo (1992). Presto-leggiero
9 Sonatina DCXL (1991). Boppin’ along

Sonata (1997-98)
for Piano
10 I Prelude. Massive
11 II Scherzo. Epicycles, Tap-dancing, and a Soft Shoe. Deft and lively
12 III Postlude. Floating

The King of the Sun (1988)
Tableaux for Violin, Viola, Cello and Piano
13 I Personage in the night guided by the phosphorescent tracks of snails. Stealthily
14 II Dutch interior. Phantasmagorical
15 III Dancer listening to the organ in a Gothic cathedral. Granitic
16 Interlude. Tempo of Movement I
17 IV The flames of the sun make the desert flower hysterical. Fiery
18 V Personages and birds rejoicing at the arrival of night. Quietly energetic, with an air of innocence

Richard Faria: clarinet
Xak Bjerken: piano
Ellen Jewett: violin
Los Angeles Piano Quartet

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PQP

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José Siqueira (1907-1985) – Peças para Quarteto de Cordas: Tríptico Negro I, Toada e Louvação

IM-PER-DÍ-VEL !!!, como não poderia deixar de ser, em se tratando de José Siqueira!

Meu acervo de José Siqueira, parco que só, já estava no fim, mas eis que levantei meu clamor aos céus e aos ouvintes/usuários deste blog e o maestro Harry Crowl abriu seu baú de preciosidades para compartilhar conosco mais algumas pérolas que fazem parte de seu acervo-tesouro musical. Por isso ainda temos hoje um último suspiro, um alento, um afago terno e singelo da música deste grande brasileiro alijado na história e que tentamos sofregamente recuperar.

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Na postagem de hoje, de Peças para Quarteto de Cordas, podemos ver muito bem como José Siqueira era um grande melodista. As peças deste álbum seguem suas vertentes de pesquisa mais destacadas: sobre música nordestina e música negra e… São lindas! São melodias que, se você ouvi-las por uma ou duas vezes, vão voltar e visitar sua memória e se repetir na sua cabeça. Mas não ache que isso ocorre porque as músicas são fáceis. Pelo contrário, se por um lado são de uma estrutura singela, sem muitos incrementos, possuem aquela profusão de síncopas característica dos ritmos brasileiros e tão apreciada e valorizada por Siqueira, e estão amarradas, todas elas, por melodias muito redondas, cantabiles, ricas em beleza.
Admito que o quarteto não é dos melhores que já ouvi, há momentos em que algumas notas não estão perfeitas, mas como ocorre comumente com música erudita brasileira, é a única gravação que conhecemos (com exceção da Toada, que está aqui): não há muito como escolher… De qualquer forma, as peças são interessantíssimas e valem (meu Deus, como valem) demais o download e a audição!

Agradecimento especial ao Harry Crowl que, sempre solícito aos nossos apelos, cedeu os fonogramas via Avicenna! Valeu muito vocês dois!

É coisa linda! Um primor! Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Peças para Quarteto de Cordas

01. Louvação
02. Toada para Cordas
03. Triptico Negro I – 1. Calmo e Recitado
04. Triptico Negro I – 2. Calmo e expressivo
05. Triptico Negro I – 3. Apressado

Quarteto Brasileiro da UFRJ
Santino Parpinelli e Henrique Morelenbaum, violinos
Jacques Nirenberg, viola
Eugen Ranevsky, violoncelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (37Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui

Ouça! Deleite-se! … E não se esqueça de nos escrever umas letrinhas amigas…


José Siqueira regendo na URSS na década de 1980: repare no texto em cirílico…

Bisnaga

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J. S. Bach (1685-1750): As 6 Partitas

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Como estou sem muito tempo, vai o texto da Wikipedia, certo?

As Partitas, BWV 825–830, são um conjunto de seis suítes de cravo escritas por Johann Sebastian Bach, e publicadas entre 1726 e 1730, em Leipzig, sob o título da primeira parte dos trabalhos publicados durante a sua vida, e que se chamaram: Clavierübung. Elas foram as últimas das suas suites compostas para teclado as outras sendo, as Seis Suites Inglesas, BWV 806-811 e as Seis Suites Francesas, BWV 812-817.

As partitas, que foram publicadas na primeira parte da publicação de quatro partes total do Clavierübung, durante a vida de Bach, são consideradas o sumo do exercício da técnica extrema da composição de Bach para o teclado.

Exatamente como as outras duas suites prévias, as francesas e as inglesas, todas as “Seis Partitas” seguem o esquema básico da suíte: “allemande-courantesarabanda e giga“. Neste esqueleto (cada uma possui variedade em seu próprio formato), primeiramente, colocando um movimento de abertura distinto (um prelúdio, uma sinfonia ou fantasia, ou mesmo uma abertura) que determinaria a cor e o temperamento de cada suite e, em seguida, pelas galantarias—danças opcionais—que ele adicionava opcionalmente nos finais das suítes. A variedade sempre aumenta mais em não colocar peças especificamente para danças, como um rondeau e burlesca, o que contribuiu muito para a continuidade da música e caráteres em cada suíte. Na “Partita nº2”, Bach escolheu um capríccio para colocar no final da giga.

Bach mistura, o que parece ser aleatoriamente, as tonalidades para cada grupo de partita, sendo elas “Si bemol Maior; do menor; lá menor; Ré Maior; Sol Maior; e mi menor.” Pelo menos assim parece ao primeiro olhar. Mas, olhando mais profundamente, a gente vê que Bach tem um esquema muito complexo, e ele escolhe expandir os intervalos para cima e para baixo, assim: 2ª (para cima), 3ª (para baixo), 4ª (cima), 5º (baixo), 6ª (cima) (isto é: de Sib a do menor é o intervalo de 2ª para cima; de do a lá menor, é o intervalo de 3ª para baixo; de lá a Ré, é 4ª (cima), assim por diante dando um caráter híbrido (crescendo) de dupla dimensão.

Bach, obviamente gostou desta experiência toda, pois nos próximos dez anos ele compôs e publicou em prestações, mais 3 coletâneas do Clavierübung (“livro para o cravo”)—o mais completo estudo explorando a arte dos instrumentos de teclado que já foi publicado dos compositores barrocos alemães.

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Partitas

Disc: 1
1. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Praeludium
2. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Allemande
3. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Corrente
4. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Sarabande
5. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Menuet I – Menuet II – Menuet I da capo
6. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Giga

7. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Sinfonia: Grave adagio – Andante – Allegro
8. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Allemande
9. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Courante
10. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Sarabande
11. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Rondeaux
12. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Capriccio

13. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Ouverture – Allegro
14. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Allemande
15. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Courante
16. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Aria
17. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Sarabande
18. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Menuet
19. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Gigue

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Disc: 2
1. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Fantasia
2. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Allemande
3. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Corrente
4. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Sarabande
5. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Burlesca
6. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Scherzo
7. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Gigue

8. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Praeambulum
9. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Allemande
10. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Corrente
11. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Sarabande
12. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Tempo di Minuetta
13. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Passepied
14. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Gigue

15. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Toccata – (Fugue)
16. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Allemande
17. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Corrente
18. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Air
19. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Sarabande
20. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Tempo di Gavotta
21. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Gigue

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Angela Hewitt, piano

PQP

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Antonin Dvorák (1841-1904) – Concerto for Cello & Orchestra in B Minor – Richard Strauss (1864-1949) – Don Quixote – Maisky, Mehta, BPO


Trago mais uma versão do maravilhoso Concerto para Cello, de Dvorák, para desespero do mano PQPBach, que simplesmente não suporta a música do tcheco. Mas fazer o que, né? Ele é minoria, e como em uma democracia, a maioria vence, então, eis outra versão do Concerto para Cello. E desta vez, ao contrário da anterior, com o Rostropovich, da qual declarei não me sentir muito entusiasmado, o papo aqui é outro. Para começar, é gravado ao vivo. Só isso garante diversão. E traz Mischa Maisky, que também já gravou este concerto em outras ocasiões, e que também o conhece muito bem. E Maisky está muito inspirado. Traz sangue para a música, emoção. Quem já teve a oportunidade de assistir alguma apresentação dele ao vivo, nem que seja pela televisão, sabe o quanto ele se entrega à música. Começando pelo visual, com os cabelos sempre compridos, não se preocupando muito em penteá-los, sua maca registrada, por sinal. Mas o som que sai de seu instrumento é de alguém que realmente ama o que faz. De alguém que sabe o que está fazendo. E esta sua leitura de Dvorák é absolutamente apaixonante. Para ajudá-lo, tem “apenas” a Filarmônica de Berlim, regida pelo sempre competente Zubin Mehta. Por se tratar de uma gravação ao vivo, temos rangidos de cadeira, tosses, etc, mas a engenharia de som da DG é perfeita, nada atrapalha a audição, ao contário, até traz um certo charme.
Richard Strauss não aparece com muita frequência por aqui. Admiro muito sua obra, porém na hora de postar alguma coisa, acabo esquecendo dele. Como a proposta é postar aquilo que estamos ouvindo, reconheço portanto que não o estou ouvindo com muita frequência. Mas cubro esta ausência trazendo a bela versão ao vivo do Maisky.

01 – Applause
01 – Dvorak – Cello Concerto in b, Op.104 – I Allegro
02 – Dvorak – Cello Concerto in b, Op.104 – II Adagio, ma non troppo
03 – Dvorak – Cello Concerto in b, Op.104 – III Finale_ Allegro moderato
04 – 17 – Richard Strauss – Don Quixote, Op.35
18 – Applause

Mischa Maisky – Cello
Berliner Philharmoniker
Zubin Mehta – Conductor

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FDPBach

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J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas completas e mais

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um disco também muito bom — é outro dos que me foram enviados por FDP Bach, mas que confusão fez a grande, enorme, imensa e admirável Hyperion? Que mistureca foi essa de enfiar Pequenos Prelúdios, Sonatas e outras coisas antes, entre e depois das verdadeiras estrelas dos CDs, as Suítes Francesas? Não creio que alguém possa me explicar o motivo desta bisonha opção. Os CDs? Bá, a interpretação é excelente. Baixe logo. Tá esperando o quê?

Em comentário à potagem anterior desta série, Barto Lima resumiu tudo e disse mais:

Muito bem PQP! Essa Pianista é realmente estrondosa, estupenda! Técnica perfeita e “muitíssimo” musical. Ela consegue realçar motivos, partes do fraseado ou notinhas que a maioria deixa “prá lá”, dando um equilíbrio musical maravilhoso por onde ela mexe. É precisão rítmica, sentido dos andamentos, dinâmica tocante, deixa a gente todo “embasbacado”, mas feliz!
E quanto a essa questão de pronúncia… Tudo bem, já que ela é canadense! Mas na Alemanha qualquer um dirá “Ânguela Hê-Vit” e nem por isto ela deixa de “ficar” também por lá. Certas “preciosidades” com o inglês… será que valem a pena? Em outras línguas, que não a nativa, se pronuncia, por aqui e por toda parte, quase tudo “errado” (sobretudo os americanos!). E aí?

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas completas e mais

Disc: 1
1. Sonata In D Minor, BWV964: Adagio
2. Sonata In D Minor, BWV964: Fuga: Allegro
3. Sonata In D Minor, BWV964: Andante
4. Sonata In D Minor, BWV964: Allegro

5. French Suite No. 1 In D Minor, BWV812: Allemande
6. French Suite No 1 In D Minor, BWV812: Courante
7. French Suite No. 1 In D Minor, BWV812: Sarabande
8. French Suite No. 1 In D Minor, BWV812: Menuet I And II
9. French Suite No. 1 In D Minor, BWV812: Gigue

10. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Allemande
11. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Courante
12. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Sarabande
13. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Air
14. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Menuet I And II
15. French Suite No. 2 In C Minor, BWV813: Gigue

16. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Allemande
17. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Courante
18. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Sarabande
19. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Anglaise
20. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Menuet And Trio
21. French Suite No. 3 In B Minor, BWV814: Gigue

22. Six Little Preludes: Prelude In C Major, BWV 924
23. Six Little Preludes: Prelude In G Minor, BWV 930
24. Six Little Preludes: Prelude In D Major, BWV 925
25. Six Little Preludes: Prelude In D Minor, BWV 926
26. Six Little Preludes: Prelude In F Major, BWV 927
27. Six Little Preludes: Prelude In F Major, BWV 928

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Disc: 2
1. Six Little Preludes: Prelude In C Major, BWV 933
2. Six Little Preludes: Prelude In C Minor, BWV 934
3. Six Little Preludes: Prelude In D Minor, BWV 935
4. Six Little Preludes: Prelude In D Major, BWV 936
5. Six Little Preludes: Prelude In E Major, BWV 937
6. Six Little Preludes: Prelude In E Minor, BWV 938

7. Six Little Preludes: Prelude In C Major, BWV 939
8. Six Little Preludes: Prelude In D Minor, BWV 940
9. Six Little Preludes: Prelude In E Minor, BWV 941
10. Six Little Preludes: Prelude In A Minor, BWV 942
11. Six Little Preludes: Prelude In C Major, BWV 943
12. Six Little Preludes: Prelude In C Minor, BWV 999

13. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Praeludium
14. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Allemande
15. French Suite No. 4 In E Flat Majoe, BWV815: Courante
16. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Sarabande
17. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Gavotte I
18. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Gavotte II
19. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Menuet
20. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Air
21. French Suite No. 4 In E Flat Major, BWV815: Gigue

22. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Allemande
23. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Courante
24. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Sarabande
25. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Gavotte
26. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Bourree
27. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Loure
28. French Suite No. 5 In G Major, BWV816: Gigue

29. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Allemande
30. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Courante
31. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Sarabande
32. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Gavotte
33. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Polonaise
34. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Bourree
35. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Menuet
36. French Suite No. 6 In E Major, BWV817: Gigue

37. Prelude And Fugue In A Minor, BWV894: Prelude
38. Prelude And Fugue In A Minor, BWV894: Fugue

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Angela Hewitt, piano

PQP

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Antonin Dvorák (1841-1904) – Cello Concerto in B Minor, op. 104 – Camille Saint-Säens (1835-1921) – Cello Concerto nº1 in A Minor, op. 33 – Rostropovich, Giulini, LPO

Rostropovich gravou o concerto de Dvorák diversas vezes, e é dele a gravação considerada a definitiva, realizada ainda nos anos 60 com Karajan e já postada aqui. Não vou entrar nos méritos da discussão, gosto é gosto e não se discute. A verdade, e vantagem, é que existem diversas gravações excelentes destes dois concertos que ora trago e que podemos apreciá-las devidamente. Uma gravação antiga de Pierre Fournier me acompanhou durante anos, ainda nos tempos do LP, Janos Starker também tem uma versão excelente, assim como Jacqueline Du Pré. Sem esquecer do excepcional russo Misha Maisky, parando por aqui a lista, sabendo que vou esquecer de muitos, e que sei que serão citados nos comentários. Mas Mstislav Rostropovich era o cara. Mesmo em pleno século XXI ele é considerado o grande nome do instrumento. E dominava estes dois concertos como poucos, o de Dvórak e o de Saint-Saens.

Mas tem alguma coisa nesta gravação que não me convence. Poxa, os senhores podem perguntar, Rostropovich, Giulini e Filarmônica de Londres fora de sintonia? Sei lá, pode ser frescura minha, e deve ser mesmo. Ouçam e me digam que estou errado. Sinto falta da alma russa de Rostropovich falando mais alto, mais emoção, mais sangue. Me soa burocrática, meio automática. Espero estar errado e que possa mudar de opinião à medida em que ouvir este cd mais vezes. Os leitores e clientes da amazon lhe deram cinco estrelas. Eu daria quatro. Mas gosto é gosto. Talvez seja esta a gravação que os senhores aguardavam.

1 – Dvorák – Concerto for Cello in B Minor, op. 104 – 1 – Allegro
2 – Adagio ma non troppo
3 – Finale (Allegro moderato)
4 – Saint~Säens – Cello Concerto nº1 in A Minor, op. 33 – 1 – Allegro ma non troppo
5 – Allegreto com moto
6 – Un peu moins vite

Mstislav Rostropovich – Cello
London Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini – Conductor

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FDPBach

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Late String Quartets

Não pretendo mentir para vocês. Eu tenho problemas com o Melos. Acho que lhes falta sangue, pulso. É claro que eles são ótimos, mas estou falando nas melhores versões dos últimos quartetos de Beethoven, estou falando de música de ordem superior, de Beethoven falando para o futuro, decidindo que o que devia ser, seria.  A gravação é boa? Sem dúvida! Tanto que a ouvi inteirinha ontem sem grande sofrimento, mas não me venham compará-la com as versões do Alban Berg, do Emerson e do Kodály String Quartet, por exemplo.

Por que comecei a postar a integral dos quartetos de Beethoven pelo final? Ora, porque gosto mais dos últimos, simples assim. Ah, tenho que terminar a postagem das 75 cantatas de Bach gravadas pelo Richter e os CDs que restam da Hewitt, não? Bem, acho que posso ir alternando. Ninguém vai morrer por isso.

Enquanto isso, em Porto Alegre, aguardamos o fim do verão e o retorno das temperaturas CIVILIZADAS.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Late String Quartets

Disc: 1
1. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 1. Maestoso – Allegro
2. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 2. Adagio, ma non troppo e molto cantabile – Andante con moto – Adagio molto espressi
3. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 3. Scherzando vivace – Presto
4. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 4. Finale

5. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 1. Adagio, ma non troppo e molto espressivo – attacca:
6. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 2. Allegro molto vivace – attacca:
7. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 3. Allegro moderato – attacca:
8. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 4. Andante, ma non troppo e molto cantabile –
9. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Andante moderato e lusinghiero
10. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Adagio –
11. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Allegretto –
12. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Adagio, ma non troppo e semplice –
13. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Allegretto
14. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 5. Presto –
15. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Molto poco adagio – attacca:
16. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 6. Adagio quasi un poco andante – attacca:
17. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 7. Allegro

Disc: 2
1. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 1. Adagio ma non troppo – Allegro
2. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 2. Presto
3. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 3. Andante con moto, ma non troppo
4. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 4. Alla danza tedesca. Allegro assai
5. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 5. Cavatina. Adagio molto espressivo – attacca:
6. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 6. Finale. Allegro

7. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Overtura. Allegro – Fuga:
8. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Meno mosso e moderato
9. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro molto e con brio
10. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Meno mosso e moderato
11. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro molto e con brio
12. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro

Disc: 3
1. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 1. Assai sostenuto – Allegro
2. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 2. Allegro ma non tanto
3. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 3. Molto Adagio — Andante — Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart. Molto adagio — Neue Kraft fühlend. Andante — Molto adagio — Andante–Molto adagio. Mit innigster Empfindung
4. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 4. Alla marcia, assai vivace – Più allegro – attacca:
5. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 5. Allegro appassionato

6. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 1. Allegretto
7. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 2. vivace
8. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 3. Lento assai e cantante tranquillo
9. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 4. “Der schwer gefaßte Entschluß (The difficult decision).” Grave, ma non troppo tratto (Muss es sein?/Must it be?) — Allegro (Es muss sein!/It must be!) — Grave, ma non troppo tratto — Allegro

Melos Quartet

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Coisa horrível esta montagem, credo.

PQP

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J. S. Bach (1685-1750): As Suítes Inglesas (completas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ouvi este álbum duplo ontem à noite. É realmente de entusiasmar, principalmente se pensar que sempre coloquei as Inglesas após as Partitas e as Suítes Francesas, obras análogas em formato. Desta vez, fiquei até com vontade de rever meus conceitos. Tudo muito elegante, fluido e musical. Hewitt veio realmente para ficar. Confiram e me digam se não é verdade.

(Todas estas postagens maravilhosas da Hewitt têm o patrocínio da extraordinária Hyperion e de FDP Bach, que as mandou num esperto pen drive para este que vos escreve).

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes Inglesas (completas)

Disc: 1
English Suite No 1 in A major BWV806
1. Prelude
2. Allemande
3. Courante I
4. Courante II
5. Sarabande
6. Bourree I And II
7. Gigue

English Suite No 2 in A minor BWV807
8. Prelude
9. Allemande
10. Courante
11. Sarabande Et Les Agrements De La Meme Sarabande
12. Bourree I And II
13. Gigue

English Suite No 3 in G minor BWV808
14. Prelude
15. Allemande
16. Courante
17. Sarabande Et Les Agrements De La Meme Sarabande
18. Gavotte I And II
19. Gigue

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Disc: 2
English Suite No 4 in F major BWV809
1. Prelude
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Menuet I And II
6. Gigue

English Suite No 5 in E minor BWV810
7. Prelude
8. Allemande
9. Courante
10. Sarabande
11. Passepied I And II
12. Gigue

English Suite No 6 in D minor BWV811
13. Prelude
14. Allemande
15. Courante
16. Sarabande
17. Gavotte I And II
18. Gigue

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Angela Hewitt, piano

PQP

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José Siqueira (1907-1985) – Concertos UFRJ

IM-PER-DÍ-VEL !!!     Com três exclamações!

José de Lima Siqueira nos vem hoje no P.Q.P.Bach em sua oitava aparição por essas bandas. E essa postagem me vem com um tom já nostálgico: é a última cartada que tenho para dar com obras deste gênio tão pouco conhecido. Acabou tudo o que eu tinha… Estou aceitando doações/indicações de nossos ouvintes de material sobre ele.

(Harry Crowl, por favor, ajude-me abrindo seu baú de preciosidades mais uma vez).

José Siqueira, para mim, foi amor à primeira audição. Mal o tomei contato com suas obras, em fins do ano passado, já fiquei desesperado para conhecer mais, encontrar tudo sobre ele e divulgá-lo, espalhar sua música. Pra se ter uma ideia, já estou fazendo busca em alfabeto cirílico – Жосэ Сикыйра – pra ver se acho algo de sua estada na URSS… Ainda não encontrei nada, mas quem sabe…

Bom, hoje teremos, nesta que eu espero não ser a derradeira postagem que faremos de José Siqueira aqui no P.Q.P.Bach, um apanhado de sua obra: uma edição do Concertos UFRJ, excelente programa da universidade carioca que apresenta obras de ex-professores da Escola de Música. Ainda que coletâneas não sejam nosso forte e nem me agradem pessoalmente, pra essa eu tiro meu chapéu. Dá pra se ter uma boa ideia da variedade melódica das obras de Siqueira, com intérpretes e formações orquestrais e de câmara os mais variados, todos de grande categoria. Há obras para canto e piano, clarinete e piano, orquestra de câmara, orquestra completa, tem de tudo. Show de buela!

Em tempo, tem mais quatro postagens de álbuns com músicas de José Siqueira no blog Música Brasileira de Concerto (aqui). Recomendo a ‘Tenda’, com o Quarteto Bessler.

Ouça mais um pouco (e tudo que puder) deste gênio! Ouça! Ouça! Ouça! Ouça!

José Siqueira (1907-1985)
Concertos UFRJ

01. Segunda Cantiga
02. Estudo para Clarineta e Piano nº1
03. Estudo para Clarineta e Piano nº2
04. Estudo para Clarineta e Piano nº3
05. Vadeia Cabocolinho
06. Madrigal
07. Concerto para violino, I movimento
08. Toada para Cordas
09. O Canto do Tabajara
10. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – I. Recitativo
11. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – II. Ária
12. Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orq de Cordas – III. Fuga
13. 3ª Valsa em Ré menor

Atílio Mastrogiovanni, piano (faixa 01)
Paulo Passos, clarineta/ Sara Cohen, piano (faixas 02 a 04)
Lia Salgado, soprano/ Alceo Bocchino, piano (faixa 05)
Maria Lúcia Godoy, soprano/ Murillo Santos, piano (faixa 07)
Orcar Borgerth, violino/ Orquestra Sinf. Nacional/ José Siqueira, regente (faixa 08)
Brasil Quarteto da Rádio Roquette Pinto (João Daltro de Almeida e José Alves da Silva, violinos, Nelson de Macedo, viola / Watson Clis, violoncelo) (faixa 09)
Fábio Presgrave, violoncelo/ Camerata Fukuda/ Celso Antunes, regente (f. 10 a 12)
Marcos Leite, piano (faixa 13) (bônus)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (190Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui

Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…


José Siqueira regendo na URSS na década de 1980.

Bisnaga

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Hermann Goetz (1840-1876): Concertos para Piano Nº 1 & 2

Fechando esta dupla de postagens dedicadas a românticos obscuros, lá vai um CD verdadeiramente excelente. Goetz, sim, Goetz. Quando você quiser impressionar alguém, diga que você é fascinado pelo sabor mendelssohniano de seu primeiro concerto e com o caráter lírico e nostálgico do segundo que, como disse um comentarista, parece prenunciar o fim do romantismo. Se a pessoa não conhecer Goetz, faça cara de surpresa e sugira que quem não conhece o compositor… Bem, o que importa é ter saúde, né?

Diga também que Goetz é uma mistura de Beethoven, Mendelssohn e Schumann e não esqueça de fazer referência à legenda da imagem abaixo, a qual deixará clara sua intimidade com o moço.

Hermann Goetz (1840-1876): Concertos para Piano Nº 1 & 2

Concerto No.1 in E flat
01. Andante – Allegro 7:06
02. Adagio – Tempo I 12:18

Concerto No.2, Op.18
03. Massig bewegt 14:46
04. Massig langsam 11:05
05. Langsam – Belebter 11:14

Volker Banfield, piano
Radio Philarmonie Hannover des NDR
Werner Andreas Albert

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Goetz tinha um ar meio songamonga, não?

PQP

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Reubke (1834-1858) e Schunke (1810-1834): Obras para piano

Ambos viveram 24 anos. Schunke foi amigo de Schumann e não teve tempo de amadurecer. Reubke tem uma obra importante para órgão, a Sonata sobre o 94º Salmo. E só. Morreram cedo os dois jovens românticos. Este CD não é nenhuma maravilha, mas também não é o horror descrito pelo único comentarista que escreveu a respeito na Amazon. Pode ser sem brilhantismo, mas é simpático. Julguem aí.

J. Reubke: Sonata in B flat minor (1857)
01. Allegro maestoso – Sostenuto – Quasi recitativo – Dolce e con espressione –
Animato – Allegro appassionato – Sostenuto – Quasi recitativo – Dolcissimo
con espressione – Animato – Allegro con fuoco – Maestoso 12:29

02. Andante sostenuto – Animato – Più lento – Adagio 7:22

03. Allegro assai – Allegro agitato – Meno mosso – Grave – Quasi recitativo –
Tempo primo – Presto – Allegro maestoso – Grave 8:26

04. Mazurka in E Major (1856)* 3:23

05. Scherzo in D minor (1856)* 5:24

C. L. Schunke: Grande sonata in G minor Op.3 (1832)
06. Allegro 7:42
07. Scherzo: Molto allegro 2:35
08. Andante sostenuto 4:48
09. Finale: Allegro 7:33

Mario Patuzzi, piano

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A única imagem de Ludwig Schunke já o representa morto.

PQP

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Altamiro Carrilho (1924-2012)

Ah, perdemos Altamiro Carrilho.
Talvez essa não seja uma boa oportunidade de homenagear esse grande cara… Já se passaram uns dias em que o único mal irremediável a qual todos estamos fadados lhe ocorreu. Já não estamos no calor do momento, mas não poderia deixar algumas linhas escritas e, ao menos, um vídeo mostrando um pouco de Altamiro (nem tenho um CD aqui para subir, estão todos na outra casa…).

Eu o conheci em uma apresentação no interior de São Paulo. Consegui um autógrafo dele ao fim do espetáculo e, como o senhorzinho, na época com 81 anos estava meio desarvorado esperando a van que o levaria ao hotel e que não chegava, o convidei, em tom de brincadeira, para que se juntasse à nossa roda de amigos e fôssemos todos tomar uma cerveja.

Altamiro se aproximou, negou a cerveja (não bebia), mas uniu-se ao grupeto de jovens estudantes e conversamos de muitas coisas, desde música até as qualidades das pessoas e seu caráter. A prosa ia alta e animada quando, infelizmente a condução chegou e tivemos que nos despedir. E a conversa, ampla, eterna no sentido viniciano, durou apenas meia hora.

Parecíamos velhos amigo! Ele unia, de forma inacreditável, jovialidade e sagacidade espantáveis ao peso de sua experiência de pessoa vivida. Uma frase que nos disse eu nunca esquecerei:

“Não somos nada mais do que aquilo que deixamos de nós nos outros.”

Altamiro Carrilho deixou muita coisa boa naquela curta meia hora que conversamos. Era, para além de um dos maiores flautistas que o mundo já assistiu, de compositor de mão cheia, autor de mais de 200 músicas, um grande coração, um imenso ser humano.

Ê, seu Altamiro, já tá deixando Saudade…

Bisnaga

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Johannes Brahms (1833-1896) – Violin Concerto, op 77 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, op.61, Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Preludio from Partita n°3 in E


Os dois cds aqui postados fazem parte de minha cdteca já há mais de 20 anos, e tenho muito carinho por eles. Os motivos são muitos e óbvios: são duas versões top de linha dentre todas as que já ouvi destes concertos, e Nigel Kennedy com o grande regente Klaus Tennstedt estão impecáveis. A versão do concerto de Brahms é a mais escancaradamente romântica que já ouvi, e o andamento dos movimentos só reforçam o que digo, mas não há como não se emocionar com o adagio, o violino de Kennedy quase chora de emoção. E como se trata de Nigel Kennedy, não podemos nem nos surpreender com suas escolhas. E este romantismo exacerbado que destaco não faz mal a ninguém, ao contrário, só realça a beleza do concerto.


E reconheço também que para alguns, este excesso de romantismo, de quase se chegar às lágrimas, pode até prejudicar a obra, mas não é o caso aqui, exatamente por se tratar de um músico tão sem medo de arriscar e ousar como Nigel Kennedy em sua juventude. Não sei se ele continua tão ousado e sempre disposto a quebrar convenções quanto em seus vinte e poucos anos, mas em minha modesta opinião de fã incondicional destes dois concertos, tendo já os ouvido dezenas, quiçá centenas de vezes, estas duas gravações com certeza estão entre as minhas Top-ten, junto de Oistrakh, Szering, Grumiaux, Perlmann, Heifetz, entre tantas outras.

Ludwig van Beethoven – Violin Concerto, op.61, Johann Sebastian Bach – Preludio from Partita n°3 in E 

01 Applause
02 Violin Concerto in D, op. 61 – Allegro ma non troppo
03 Larghetto
04 Rondo (Allegro)
05 Bach – Preludio from Partita n°3, BWV1006
06 Bach – Allegro assai from Sonata n°3 in C, BWV1005

Nigel Kennedy – Violin
Sinfonie-Orchester des NDR
Klaus Tennstedt – Conductor

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Johannes Brahms (1833-1896) – Violin Concerto, op 77

01 Violin Concerto in D major, Op. 77- Allegro non troppo
02 Violin Concerto in D major, Op. 77- Adagio
03 Violin Concerto in D major, Op. 77- Allegro giocoso, ma non troppo vivace

Nigel Kennedy – Violin
The London Philharmonic Orchestra
Klaus Tennstedt – Conductor

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FDPBach

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J.S. Bach (1685-1750): Concerto Italiano / Caprichos / Duetos / Abertura Francesa

Mais um presente de nosso querido FDP Bach. Inicia com o espetacular Concerto Italiano para teclado solo, segue por algumas peças pouco conhecidas como o belíssimo Capricho para a partida de seu amado irmão, mais um Capricho, os 4 Duetos e finaliza com a extraordinária Abertura Francesa. Nada mal para um sábado quente deste falso inverno de Porto Alegre.

J.S. Bach (1685-1750): Concerto Italiano / Caprichos / Duetos / Abertura Francesa

1-3. Italian Concerto, BWV971
4-9. Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo, BWV992
10. Capriccio in E major, BWV993
11-14. Duets Nos. 1-4, BWV802-805
15-28. French Overture in B minor, BWV831

Angela Hewitt, piano

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Abaixo, o Presto do Concerto Italiano de Bach com Angela Hewitt:

PQP

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

IM-PER-DÍ-VEL !!! Uma estupenda gravação da décima de Shosta.

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo. Sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

1. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : I. Moderato 22:45
2. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : II. Allegro 4:05
3. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : III. Allegretto 12:11
4. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : IV. Andante – Allegro 12:56

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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PQP

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J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg em gravação pirata com Angela Hewitt

Hoje, um amigo escreveu no Facebook:

— Aliás, música limpinha cada vez menos me interessa. Tirando João Gilberto e Bach…

E eu respondi:

— Idem. No mesmo sentido, cresce minha preferência por gravações ao vivo. Hoje, no PQP, entrará uma gravação pirata das Goldberg ao vivo onde a Angela Hewitt erra bastante. E daí? A qualidade da interpretação e o contexto concertístico estão inteirinhos lá. É sensacional.

Encontrei esta gravação no rapidlibrary, espécie de index do rapidshare. Fiquei desagradavelmente surpreso ao ver que ela vinha numa faixa só. E felicíssimo ao ouvi-la. Trata-se de uma gravação amadora de boa qualidade, feita num concerto. Adoro gravações ao vivo e sem tratamento. A plateia tossindo é horrível, mas o importante, é claro, é a música, e nela Angela Hewitt toca e erra maravilhosamente. Há variações onde ela se perde MESMO, prova que mesmo os pianistas mais geniais têm seus momentos de absoluta bocabertice. Já a interpretação, a concepção, reafirma Hewitt como a maior pianobachiana viva. Na minha opinião, IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ah, vêm aí 9 gravações de Hewitt. Todas da Hyperion. Um tesouro.

J.S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988, em gravação ultra pirata com Angela Hewitt

1. Aria
2. Variation 1
3. Variation 2
4. Variation 3
5. Variation 4
6. Variation 5
7. Variation 6
8. Variation 7
9. Variation 8
10. Variation 9
11. Variation 10
12. Variation 11
13. Variation 12
14. Variation 13
15. Variation 14
16. Variation 15
17. Variation 16
18. Variation 17
19. Variation 18
20. Variation 19
21. Variation 20
22. Variation 21
23. Variation 22
24. Variation 23
25. Variation 24
26. Variation 25
27. Variation 26
28. Variation 27
29. Variation 28
30. Variation 29
31. Variation 30
32. Aria da capo

Angela Hewitt, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

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A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.2 de 2

Alice Ribeiro, Alice Ribeiro…

É, Alice Ribeiro já está se tornando uma figurinha carimbada aqui no Blog: esse é o sexto trabalho dela que postamos (ela já apareceu aqui em Xangô, Cangerê, Candomblé, Chants du Brésil e A voz de Alice Ribeiro vol.1, tudo isso está aqui). Mas isso tem seus motivos: a soprano era dona de uma técnica e de uma pureza na voz impressionantes. Seu casamento com José Siqueira foi uma feliz união de duas pessoas competentíssimas na música e, se por um lado o fato de Siqueira escalá-la costumeiramente para executar suas músicas foi uma forma de proteção a Alice Ribeiro, a perfeição da moça nas interpretações das peças também muito ajudou a divulgar o trabalho do marido. Dupla pra lá de boa essa! Nem vou me alongar muito nos elogios porque eles vão acabar sendo redundantes depois das postagens já realizadas.

<< contracapa do disco autografada por Alice Ribeiro (está no arquivo para download)

Vamos logo a este álbum que é uma delícia! O volume dois de A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil (e que voz!) é mais lento e tem uma característica mais de acalanto que o primeiro. É mais terno, mais intimista, mais maternal até. E segue com canções que estão exatamente no meio-fio entre o erudito (a música de concerto) e o popular: não são poucos os momentos em parece que estamos ouvindo uma daquelas músicas que apareciam nos antigos filmes dos estúdios da Atlântida. Isso se dá pela orquestração simples e pela leveza e clara dicção de Alice Ribeiro. Fica-se a questionar, novamente, se é que existe algo que divida o erudito do popular. As músicas aqui cantadas pela soprano, contemplando compositores cariocas (Lorenzo Fernandez, Roberto Duarte, Ricardo Tacuchian), paraibanos (os irmãos Siqueira) e paraenses (Waldemar Henrique, Jayme Ovalle), mostram exatamente isso, e são de um alto grau de pureza e de ligação com nossas canções.

Ouça a moça! Ouça a moça!

E, como o anterior, esse também leva o carimbo de IM-PER-DÍVEL!!!

Alice Ribeiro (1920-1988)
A Voz de Alice Ribeiro na Canção do Brasil – Vol.2

01. Toada Baré – Arnaldo Rebello (1905-1984), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
02. Foi Numa Noite Calmosa – José Siqueira (1907-1985)
03. Maracatu – Waldemar Henrique (1905-1995), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
04. Dorme Coração – Arnaldo Rebello (1905-1984), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
05. Dentro da Noite – Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), arr. Roberto Duarte (1941)
06. Você – José Siqueira (1907-1985)
07. Por Quê? – Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), arr. Ricardo Tacuchian (1939)
08. Toada para Você – Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), arr. Elza Lakschevitz
09. Modinha – Jayme Ovalle (1884-1955), arr. José Siqueira (1907-1985)
10. Banho de Cheiro – Osvaldo de Souza, arr. Odemar Brígido (1941)
11. Tamba Tajá – Waldemar Henrique (1905-1995), arr. Roberto Ricardo Duarte (1941)
12. Cantiga para Ninar – Haroldo Costa (1930), arr. Ricardo Tacuchian (1939)
13. Que Sorte, Que Sina – João Baptista Siqueira (1906-1992)

Alice ribeiro, soprano
(sem informação da orquestra)
José Siqueira, regente
Rio de Janeiro, 1968

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare (191Mb)

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Bisnaga

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Scott Joplin 'o rei do ragtime' (1867-1917), post 1/2: Piano Rags com Jeremy Rifkin *revalidado*

Para apresentar este post e o seguinte, permitam-me transcrever aqui um diálogo ficcional entre um grupo de músicos e dois personagens reais de diferentes séculos: o Chevalier de Saint-George (de quem postei aqui 6 CDs não faz muito tempo) e o estadunidense Scott Joplin (1867-1917), de um livro com intenções paradidáticas (mais detalhes no final).

– … permita-me dizer, Monsieur le Chevalier: a fama é uma senhora muito injusta. Escolhe alguns nomes para perpetuar, e deixa outros iguais ou melhores no esquecimento. É uma barbaridade que seus concertos sejam tão pouco executados nos tempos modernos, pois não são em nada inferiores aos de Mozart e Haydn.

Mais non, Monsieur! Agradeço sua intenção de me consolar, mas evidentemente o que o senhor diz não pode ser verdade! – protestou o Cavaleiro.

– Jamais buscaria consolá-lo com falsidades, Chevalier! É minha opinião sincera, e quem é do ofício e conhece sua música só pode concordar, estou certo.

“Sim, sim, é verdade”, apoiaram vários dos presentes, para evidente alegria do Cavaleiro. Era porém muito educado para permitir que a própria glória ocupasse mais que um momento na roda de amigos, de modo que logo desviou:

– Mas parece que a sua vida também foi das mais interessantes, Mr. Joplin! Gostaríamos muito de ouvi-lo!

– Nem de longe tão interessante como a sua, Chevalier. E, sinto dizer, não muito feliz.

– Ora – interveio um músico moderno – sua música teve grande sucesso popular, tanto na sua época quanto anos mais tarde. Quem não conhece a famosíssima The Entertainer, pelo menos da trilha sonora do filme Golpe de Mestre? – Cantarolou:

– Justamente: todo mundo conhece meus “ragtimes”, alegres, dançantes, mas a música de maior fôlego, quem conhece? Minhas óperas, quem quis ouvir?

– Fale um pouco da sua vida, Mr. Joplin. Assim poderemos entender melhor.

– Está bem, já que insistem…

… Nasci em 1868 no interior do Texas, respirando música: meu pai, ex-escravo, tocava violino – country music, bem entendido – enquanto minha mãe tocava banjo e cantava. Desde o início, porém, foi o teclado que me fascinou: onde existisse um piano na vizinhança, lá ia eu investigar.

… Minha mãe dava todo apoio que podia. Quando ficou sozinha e teve de se empregar em casas de família pra nos sustentar, pedia licença pra eu estudar no piano da patroa…

Por um instante tremulou na lembrança de Túlio a figura de sua própria mãe, Dona Aurora, e os olhos ameaçaram se molhar.

– E parece que o barulho de minhas experiências chamou atenção, e foi assim que o Professor apareceu. Era um alemão excêntrico que vivia lá em Texarkana, e me ofereceu aulas de piano e harmonia. Na verdade deu mais: deu pistas em todas as áreas do mundo do conhecimento, explodindo os limites do acanhado horizonte de Texarkana.

… Não que minha vida tenha ficado cosmopolita da noite pro dia! Adolescente, saí tocando pelos bares, às vezes pelos piores lugares, para ter o que comer.

Túlio ouviu na cabeça a voz de Milton Nascimento cantando: “foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão / que muita gente boa pôs o pé na profissão / de tocar um instrumento e de cantar / não se importando se quem pagou quis ouvir…”

– De vila em vila, cidade em cidade, fui chegando às maiores: Saint Louis, Chicago… Em Sedalia fiquei alguns anos e consegui me matricular em cursos de harmonia avançada e composição. Vendia aqui e ali meus ragtimes, até que em 1899 o Maple Leaf Rag explodiu no mundo todo. Virei o “Rei do Ragtime”. Casei, podia estar tranqüilo pra sempre.

… Mas eu queria mesmo era escrever para o palco, realizar coisas de fôlego. Achei que agora as portas estariam abertas, mas… mesmo sendo o Rei do Ragtime, de todos os lados só ouvia “não”.

… A muito custo montei uma pequena ópera-rag, cujo manuscrito depois se perdeu. Minha filha morreu, meu casamento acabou, saí pelo mundo de novo, fui parar em Nova York, onde vivi até 1917 – quer dizer, pelo resto da vida.

O diálogo (do livro O dia em que Túlio descobriu a África, de R.Rickli, 1997, esgotado, disponível em PDF AQUI) prosseguirá no post seguinte. Por enquanto deixo vocês com uma seleção de “piano rags”, ou ragtimes, tocados por Joshua Rifkin – mas não sem advertir que tenho certeza de que a música do “Ernesto Nazareth dos Estadis Unidos” pode ser tocada com muito mais bossa.

Não se trata da velocidade: Scott Joplin passou a vida advertindo os compradores de suas partituras contra a tentação de tocar acelerado; “o tempo do ragtime não é rápido”, insistia sempre. O branco Rifkin segue o conselho de Joplin quanto a isso, mas afora isso toca tudo inacreditavelmente igual. Só que essa é a única versão que consegui, e quero crer que “ruim com ela, pior sem ela”, espero que vocês concordem.

Joshua Rifkin plays Scott Joplin’a piano rags
01 Maple leaf rag
02 The entertainer
03 The ragtime dance
04 Gladiolous rag
05 Fig leaf rag
06 Scott Joplin’s new rag
07 Euphonic sounds
08 Elite syncopations
09 Bethena
10 Paragon rag
11 Solace
12 Pineapple rag
13 Weeping willow rag
14 The cascades
15 Country club
16 Stoptime rag
17 Magnetic rag

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Ranulfus

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Scott Joplin 'o rei do ragtime' (1867-1917), post 2/2: ópera Treemonisha (1910) *revalidado*

Dou continuidade aqui ao diálogo transcrito e explicado no post anterior:

… Não posso dizer que minha vida em Nova York tenha sido ruim. Não faltou sucesso pra meus ragtimes, nem um casamento novo e melhor. O problema foi minha ópera, Treemonisha, que ninguém queria ouvir.

… Foram anos e anos de composição. Não era ragtime, não era comédia: era uma ópera séria, com grandes partes de coro escritas no melhor contraponto… e ninguém queria ouvir. Um negro podia compor ragtime, diziam; que quisesse escrever ópera era muita pretensão.

… Todos os meus esforços foram em vão. O desgosto apertou o gatilho da doença, e fui perdendo a razão. Fui internado, e morri sem ouvir Treemonisha soando no ar nem ao menos uma vez.

Músicos que eram, os membros do grupo compreendiam bem. Por uns instantes só alguns suspiros furaram o silêncio, até que o próprio Scott Joplin sorriu e disse:

– Mas no fundo estou vingado. Sessenta anos depois de minha morte Treemonisha foi montada, e com sucesso. Foi gravada em disco, e o mundo todo pôde conhecer.

– E é uma bela ópera, posso garantir – disse um dos músicos. – Seu estilo é único; não há no mundo obra que se pareça com ela.

Já outro deles falou assim:

– Sou amigo de Gunther Schuller, o musicólogo que recuperou a partitura e regeu a montagem. Como se vê no nome, é de origem alemã, como seu primeiro professor. Não lhe parece curioso?

– Sem dúvida. É um traço bem curioso do meu destino.

– Isso não rouba a pureza negra da sua música?

– Esse tipo de idéia é uma grande bobagem. Neste mundo há lugar pra tudo:
Scott Joplin http://i1.wp.com/i52.tinypic.com/2vcsz7q.jpg?w=584para a expressão de todas as culturas “em estado puro”, e também pra todas as combinações que se possa imaginar.

… As coisas mais ricas, que abrem caminhos novos para a humanidade, acontecem onde os diferentes se encontram e, em vez de brigar ou de um calar a boca do outro, resolvem cantar juntos, com diferença e tudo. E aí, de repente, sem que ninguém possa prever como será, um caminho novo nasceu!

“Bravo, isso mesmo, é isso aí!”, aplaudiu todo o grupo – e nossos amigos sentiram que era hora de prosseguir.

Como dito no post anterior, o diálogo procede do livro O dia em que Túlio descobriu a África (R.Rickli, 1997, esgotado, disponível em PDF AQUI). Cabe registrar que a orquestração realizada pelo próprio Scott Joplin nunca foi encontrada, apenas a redução para piano cuja impressão ele pagou do próprio bolso. Gunther Schuller, autor de estudos clássicos e aprofundados sobre as origens do jazz, foi o primeiro a orquestrá-la e regeu sua estréia em 1972 – produção que foi lançada em vinil em 1976, e é a reproduzida aqui. De lá para cá foram feitas outras orquestrações e gravações, mas não cheguei a conhecer.

O arquivo postado inclui reprodução de capas e o libreto completo da ópera – também da autoria de Joplin, e por isso não vejo necessidade de maiores detalhes aqui.

Scott Joplin: Treemonisha – ópera em 3 atos (1910)
para solistas, coro, orquestra e ballet.
Gunther Schuller regendo o coro e orquestra da Houston Grand Opera Production
Carmen Balthrop, Betty Allen, Curtis Rayam: solistas principais
Gravação original: Deutsche Grammophon, 1976

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Ranulfus
publicação original: 31.08.2010

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Jean-Philippe Rameau (1682-1764): Hippolyte et Aricie

Post revalidado. Era de março de 2009.

Eu nem avisei vocês quando Clara Schumann pediu para retirar-se do blog, há cerca de dois meses. Passa por graves problemas de saúde em sua familia. Esperamos que ela um dia retorne com seu amor aos elisabetanos, à Schubert, à Brendel e à música francesa em geral. Hoje, ataco com outro CD enorme, um álbum triplo que posto em duas partes: a ópera Hippolyte et Aricie do grande Jean-Philippe Rameau. Ele é daqueles autores que sempre tem uma bela melodia e orquestração a mostrar e às vezes ainda coloca um colorido orquestral efetivamente escandaloso, o que me causa sempre euforia. Sim, eu adoro Jean-Philippe. Foi um grande gênio, com voz própria e distinta, tanto em sua obra instrumental quanto na vocal. Ele substituiu com vantagem Jean-Baptiste Lully como o maior compositor de óperas francês. Hippolyte et Aricie é sua estréia no gênero, ocorrida em 1733, causou alguma celeuma pelo uso revolucionário de harmonias inaceitáveis na época de Lully.

O homem é genial. Confiram!

Rameau: Hippolyte et Aricie

Disc 1

1. Hippolyte et Aricie – Overture Les Musiciens du Louvre 3:01
2. Hippolyte et Aricie / Prologue – Choeur des nymphes:”Accourez, habitants des bois!” Ensemble Vocal Sagittarius 1:12
3. Hippolyte et Aricie / Prologue – Entrée des habitants de la forêt Ensemble Vocal Sagittarius 2:01
4. Hippolyte et Aricie / Prologue – Sur ces bords fortunés je fais régner la paix Thérèse Feighan 1:06
5. Hippolyte et Aricie / Prologue – Vous êtes dans ces mêmes lieux Thérèse Feighan 0:30
6. Hippolyte et Aricie / Prologue – Quels doux concerts se font entendre? Thérèse Feighan 1:17
7. Hippolyte et Aricie / Prologue – Au doux penchant qui les entraîne Thérèse Feighan 1:25
8. Hippolyte et Aricie / Prologue – Duo: “Non, je ne souffrirai pas” Thérèse Feighan 0:50
9. Hippolyte et Aricie / Prologue – Invocation: “Arbitre souverain du ciel et de la terre” Thérèse Feighan 1:18
10. Hippolyte et Aricie / Prologue – Diane, j’étais prêt à défendre tes droits Thérèse Feighan 1:27
11. Hippolyte et Aricie / Prologue – Nymphes, aux lois du sort il faut que j’obéisse Thérèse Feighan 0:44
12. Hippolyte et Aricie / Prologue – Peuples, Diane enfin vous libre à ma puissance Annick Massis 1:40
13. Hippolyte et Aricie / Prologue – Plaisirs, doux vainqueurs Annick Massis 3:32
14. Hippolyte et Aricie / Prologue – A l’Amour rendez les armes Annick Massis 1:02
15. Hippolyte et Aricie / Prologue – La tranquille indifférence n’a que d’ennuyeux… plaisiplaisirs” Annick Massis 1:08
16. Hippolyte et Aricie / Prologue – Premier Menuet – Deuxième Menuet – Premier Menuet Annick Massis 1:32
17. Hippolyte et Aricie / Prologue – Par de nouveaux plaisirs couronnons ce grand jour! Annick Massis 1:06
18. Hippolyte et Aricie / Prologue – Marche Les Musiciens du Louvre 0:37
19. Hippolyte et Aricie / Prologue – Ent’racte: reprise de l’Ouverture Les Musiciens du Louvre 1:56
20. Hippolyte et Aricie / Act 1 – “Temple sacré, séjour tranquille” Veronique Gens 3:28
21. Hippolyte et Aricie / Act 1 – “Princesse, quels apprêts me frappent” Veronique Gens 2:26
22. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Hypolyte amoureux m’occupera sans cesse Veronique Gens 1:06
23. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Je vous affranchirai d’une loi si cruelle! Veronique Gens 0:30
24. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Duo:”Tu règnes sur nos coeurs” Veronique Gens 1:17
25. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Marche…Dieu d’amour Veronique Gens 1:58
26. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Choeur des prêtresses: “Dans ce paisible séjour” Ensemble Vocal Sagittarius 1:17
27. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Dieu d’amour, pour nos asiles Kiyoko Okada 2:56
28. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Rendons un éternel hommage Monique Simon 1:59
29. Hippolyte et Aricie / Act 1 – “Princesse, ce grand jour par des noeuds éternels” Veronique Gens 0:35
30. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Non, non, un coeur forcé n’est pas digne des dieux Bernarda Fink 1:07
31. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Du moins par d’injustes regueurs Ensemble Vocal Sagittarius 1:01
32. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Prélude: “Dieux vengeurs, lancez le tonnerre!” Ensemble Vocal Sagittarius 1:06
33. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Tonnerre -“Nos cris sont montés jusqu’aux cieux” Monique Simon 1:18
34. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Prélude…”Ne vous alarmez pas d’un projet téméraire” Thérèse Feighan 1:36
35. Hippolyte et Aricie / Act 1 – Prélude..”Quoi! La terre et le ciel contre moi” Bernarda Fink 1:15
36. Hippolyte et Aricie / Act 1 – G malheur! G funeste sort! Bernarda Fink 1:18
37. Hippolyte et Aricie / Act 1 – “C’en est assez”-Prélude – “Mes yeux commencent …” Bernarda Fink 2:15

Disc 2

1. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Ritournelle Les Musiciens du Louvre 0:40
2. Hippolyte et Aricie / Act 2 – “Laisse-moi respirer, implacable Furie!” Russell Smythe 0:32
3. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Dieux, n’est-ce pas assez des maux j’ai soufferts? Russell Smythe 1:30
4. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Duo: “Contente-toi d’une victime!” Russell Smythe 0:44
5. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Prélude..Inexorable Roi de L’Empire infernal!” Russell Smythe 2:00
6. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Sous les drapeaux de Mars Russell Smythe 0:41
7. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Mais cette gloire, enfin, fallait-il la ternir? Russell Smythe 0:29
8. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Air mesuré: “Pour prix d’un projet téméraire” Russell Smythe 0:59
9. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Eh bien! je remets ma victime” Russell Smythe 0:22
10. Hippolyte et Aricie / Act 2 – “Qu’à servir mon courroux tout l’enfer se prépare!” Laurent Naouri 2:14
11. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Premier Air infernal Laurent Naouri 1:30
12. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Deuxième Air – Laurent Naouri 1:17
13. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Pluton commande, vengeons notre Roi! Ensemble Vocal Sagittarius 1:23
14. Hippolyte et Aricie / Act 2 – “Dieux! que d’infortunés gémissent” Russell Smythe 0:47
15. Hippolyte et Aricie / Act 2 – La mort, la seule mort a droit de vous unir Russell Smythe 0:27
16. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Trio des Parques: “Du destin le vouloir suprême” Jerome Varnier 1:36
17. Hippolyte et Aricie / Act 2 – “Ah! qu’on daigne du moins…Puisque Pluton” Jerome Varnier 3:00
18. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Choeur: “Non, Neptune aurait beau t’entendre” Ensemble Vocal Sagittarius 0:52
19. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Prélude…Neptune vous demande grâce” Laurent Naouri 0:53
20. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Air: “Jupiter tient les cieux sous son obéissance” Jean-Louis Georgel 0:34
21. Hippolyte et Aricie / Act 2 – C’en est fait, je me rends’ Laurent Naouri 1:22
22. Hippolyte et Aricie / Act 2 – Quelle soudaine horreur ton destin nous inspire! Jerome Varnier 3:16
23. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Prélude..”Cruelle mère des amours” Bernarda Fink 5:58
24. Hippolyte et Aricie / Act 3 – “Eh bien! viendra-t-il en ces lieux” Bernarda Fink 0:39
25. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Reine, sans l’ordre exprès qui dans ces lieux… ,’appell Bernarda Fink 2:41
26. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Ma fureur va tout entreprendre Bernarda Fink 1:37
27. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Terribles ennemis des perfides humains Jean-Paul Fouchécourt 0:19
28. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Ah! cesse, par tes voeus, d’allumer le tonnerre! Jean-Paul Fouchécourt 1:04
29. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Que vois-je? Quel affreux spectacle! Jean-Paul Fouchécourt 0:42
30. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Sur qui doit tomber ma colère? Jean-Paul Fouchécourt 0:42
31. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Quoi! tout me fuit, tout m’abandonne Russell Smythe 1:14
32. Hippolyte et Aricie / Act 3 – De mon heureux retour, au Dieu des vastes mers Russell Smythe 0:40
33. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Marche Les Musiciens du Louvre 0:50
34. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Que ce rivage retentisse Ensemble Vocal Sagittarius 2:41
35. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Premier Air des Matelots Ensemble Vocal Sagittarius 1:47
36. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Deuxième Air des Matelots Ensemble Vocal Sagittarius 1:07
37. Hippolyte et Aricie / Act 3 – L’amour comme Neptune invite à s’embarquer Ensemble Vocal Sagittarius 1:55
38. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Pour l’auteur de mes jours j’aime à voir votre zèle Russell Smythe 0:37
39. Hippolyte et Aricie / Act 3 – “Quels biens! Je frémis quand j’y pense” Russell Smythe 4:00
40. Hippolyte et Aricie / Act 3 – Mais de courroux l’onde s’agite Russell Smythe 1:11

Disc 3

1. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Prélude…”Ah! faut-il, en un jour” Jean-Paul Fouchécourt 3:15
2. Hippolyte et Aricie / Act 4 – “C’en est donc fait, cruel, rien n’arrête vos pas” Veronique Gens 1:16
3. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Air tendre:”Dieux! pourquoi séparer deux coeurs” Veronique Gens 1:01
4. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Eh bien! daignez me suivre! Veronique Gens 1:10
5. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Duo:”Nous allons nous jurer une immortelle foi!” Veronique Gens 1:26
6. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Le sort conduit vers nous ces sujets de Diane Veronique Gens 0:23
7. Hippolyte et Aricie / Act 4 – “Faisons partout voler nos traits!” Ensemble Vocal Sagittarius 1:19
8. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Amants, quelle est votre faiblesse! Meredith Hall 1:53
9. Hippolyte et Aricie / Act 4 – A la chasse, armez-vous! Meredith Hall 2:33
10. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Premier Menuet – Deuxième Menuet en Rondeau Meredith Hall 2:15
11. Hippolyte et Aricie / Act 4 – Quel bruit! Quels vents, ô ciel! Jean-Paul Fouchécourt 1:58
12. Hippolyte et Aricie / Act 4 – “Quelle plainte en ces lieux m’appelle?” Bernarda Fink 4:07
13. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Grands Dieux! de quels remords je me sens dechiré! Russell Smythe 1:59
14. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Arrête!..Pour un fils quelle pitié vous presse?” Russell Smythe 3:24
15. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Où suis-je? De mes sens j’ai recouvré l’usage” Russell Smythe 5:16
16. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Descendez, brillante immortelle” Veronique Gens 2:07
17. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Peuples toujours soumis à mon obéissance” Thérèse Feighan 1:06
18. Hippolyte et Aricie / Act 5 – G trop heureux bergers! Thérèse Feighan 1:03
19. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Vol des zéphirs Veronique Gens 0:20
20. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Où suis-je transporté? Veronique Gens 0:35
21. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Que mon sort est digne d’envie! Veronique Gens 0:30
22. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Les habitants de ces retraites Thérèse Feighan 0:31
23. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Marche…”Chantons sur la musette” Thérèse Feighan 2:06
24. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Bergers, vous allez voir combien” Thérèse Feighan 1:22
25. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Que tout soit heureux sous les lois Ensemble Vocal Sagittarius 1:30
26. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Chaconne Les Musiciens du Louvre 2:48
27. Hippolyte et Aricie / Act 5 – “Rossignols amoureux, répondez à nos voix” Annick Massis 5:12
28. Hippolyte et Aricie / Act 5 – Première Gavotte – Deuxième Gavotte – Première Gav. Annick Massis 1:31

Jean-Paul Fouchecourt
Veronique Gens
Bernarda Fink
Laurent Naouri
Annick Massis
Russell Smythe
Thérèse Feighan

Les Musiciens du Louvre
Marc Minkowski

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

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