Claudio Monteverdi (1567-1643) – Vespro della Beata Vergine (Savall) [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quanto mais eu ouço, mais acho Claudio Monteverdi genial!

Os especialistas consideram que foi ele o responsável pela formação da orquestra moderna, que une os quatro grupos de instrumentos – cordas, madeiras metais e percussão – quando organizou os músicos para a execução de sua ópera L’Orefo, de 1607, postada aqui abaixo.

Monteverdi praticamente criou o que levou o nome de orquestra, criou o que hoje chamamos de ópera e (ô, homem abençoadamente sem sossego!) organizou o que é considerado o primeiro grande oratório: estas Véspera da Beata Virgem , ou no original, Vespro della Beata Vergine.

Creio que eu postaria mais cedo ou mais tarde esta obra aqui, por mais que ela já figure entre as mais de 3 mil postagens que temos no PQPBach no esplendoroso post (e de riquíssimo texto) do Monge Ranulfus (aqui), por dois motivos:

– por ser obra pioneira e essencial para compreendermos a história da música,

– porque este oratório é lindíssimo (e este motivo suplanta o anterior)!

Monteverdi usa tudo que conhece ao seu redor. Não se limita a reunir a orquestra, muito maior do que as formações instrumentais de seu tempo, com coro e solistas: ele também une as formas e tipos de música de seu tempo, mescla-as, cria fusões. Você perceberá solos que se aproximam dos cantos de trovadorismo, coros que são pura polifonia renascentista, momentos de canto gregoriano e, como é de seu feitio, acompanhamento instrumental cheio dos volteios já barrocos. E essa aparente salada ficou muito boa! Coisa que só gênio, mesmo, pra fazer.

Desta vez, a obra de Monteverdi vai interpretada por… Savall de novo!

Não teve jeito, pessoal: ouvi de novo as versões (todas muito bem acabadas e criteriosas) de gente de peso como Harnoncourt, Garrido, Gardiner e Christina Pluhar, mas a batuta de Jordi Savall torna a música de Monteverdi vibrante de forma tal que não há concorrência… Além de tudo, dos pesos muito bem calculados em todos os trechos das músicas, a orquestra, coro e os solistas são excelentes. Mais uma montagem que se pretende ser definitiva!

Palhinha: as Vésperas à Beata Virgem, na versão desta postagem com imagens da Basílica de São Marcos de Veneza! (depois tem a lista de reprodução da obra completa):

Show de bola, não? Então não titubeie: ouça, ouça! Deleite-se!

Claudio Monteverdi (1567-1643)

Vespro della Beata Vergine (1610)
01. Intonatio: Deus in adiutorium – Francisco.
Responsorium: Domine ad adiuvandum
02. Antiphona: Angelicam vitam – Psalmus 109: Dixit Dominus
03. Concerto: Nigra sum
04. Antiphona: In Dei orto sata – Psalmus 112: Laudate pueri
05. Concerto: Pulchra es
06. Antiphona: Paterni oblita amoris – Psalmus 121: Laetatus sum
07. Concerto: Duo Seraphim
08. Antiphona: In Sancte Trinitatis – Psalmus 126: Nisi Dominus decem vocibus
09. Concerto: Audi Coelum
10. Antiphona: Trinitate venerata – Psalmus 147: Lauda Jerusalem
11. Sonata sopra Sancta Maria
12. Hymnus: Ave maris stella
13. Antiphona_ Hodie beata Barbara – Magnificat, parte 1
14. Magnificat, parte 2

Montserrat Figueras, Soprano
Guy Mey, Tenor
Livio Picotti, Contratenor
Daniele Carnovich, Baixo
Elisabetta Tiso, Soprano
Gian Fagotto, Tenor
Roberto Abbondanza, Barítono
Paolo Costa, Contratenor
Maria Kiehr, Soprano
Pietro Spagnoli, Baixo
Gerd Türk, Tenor
Ulrike Wurdak, Soprano
Patrizia Vaccari, Soprano

La Capella Reial de Catalunya
Padua Centre for Ancient Music Chorus
Jordi Savall, regente

Mântua, 1988

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (119Mb)

Seja legal e bonzinho com a gente! Não nos deixe sós: comente!

Jordi Savall: chatão! Que toque de Midas esse cara tem, meu!
Montserrat Figueras: voz e técnica tão perfeitas que me indago se ela é humana!

Bisnaga

29 comments / Add your comment below

  1. Essa versão é realmente imbatível.

    Nesse ritmo monteverdiano, torço por uma postagem do livro 8 de madrigais, que contenha Il Ballo Delle Ingrate.

    Saludos

  2. Gostou do Monteverdi, hein, Bisnaga! Não sabia que ele tinha composto o primeiro oratório da história, ainda bem que você me libertou dessa ignorância. rsrsrs Dica: se tiver mais coisa do Monteverdi… (acho que você já sabe o resto).

  3. Uma das maiores obras sacras da história, sem dúvida. Mas também creio ser importante lembrar que as “Vésperas…” não foram compostas como um todo único, mas surgiu da reunião de várias peças menores baseadas no tema mariano, ou seja, sobre a Virgem Maria. Posteriormente foram reunidas em uma obra só.

  4. Olá! Já baixei as Vésperas de Monteverdi mas ainda não as escutei. Tenho essa obra numa gravação que comprei há alguns anos atrás, com orquestra e coral da Universidade de Cambridge. A obra é belíssima e bem ao estilo grandiloquente de Monteverdi.
    Obrigado por esta versão do Savall; e sendo comandada por Savall, deve ser tão original quanto a obra em si…
    Um abraço,
    Raul.

  5. Sr Bisnaga… estou FELICÍSSIMO por ganhar uma versão das Vésperas (uma das 10 obras que eu levaria para uma ilha deserta) COM SAVALL! Obrigado!!

    Mas que história é essa de que ainda não tinhamos as Vésperas no blog? Tínhamos, sim, a também magnífica versão de Paul McCreesh, desde maio de 2010 – confira aí… hehehe

    De modo que talvez o sr possa retificar esse pequeno detalhe no seu texto de apresentação…

    http://pqpbach.sul21.com.br/2010/05/15/claudio-monteverdi-1567-1643-vespro-della-beata-vergine-vesperas-de-1610-ou-os-400-anos-do-barroco/

    1. Ó, Monge Ranulfus, obrigado por me trazer a luz e o reconhecimento.
      Cada vez mais eu me convenço que sou o pequepiano mais atrapalhado… kkkk. Realmente, fiz confusão. O que não tinha aqui era a ópera Orfeo, ainda…

      Vou mexer lá e ainda deixar meu reconhecimento de falha aqui, ó Monge.

      Abrações

  6. oi gente.
    aviso.
    As faixas do” Vésperas” caíram todas misturadas e não batem com a ordem apresentada no PQP. Para vocês colocarem na ordem é preciso verificar na propriedade de cada faixa e lá em detalhes vocês vão ver a numeração correspondente e depois é só colocar na ordem. Vocês aí então terão a obra na íntegra. Gosto muito da versão de Savall. gosto também da de Gardiner e o PQP tem também uma muito bacana que é a de Paul McCreesh em 2 CD com 40 faixas ao todo mas a que eu gosto mesmo é a antiga gravação de Robert Craft pela Odyssey em vinil. abração

    1. Realmente, eu retirei o número da faixa dos nomes dos arquivos e deixei apenas em propriedades.
      Se abrires no iTunes, ele reconhece o número das faixas, se abrires no Windows Explorer, por exemplo, è possível, com o botão direito do mouse, habilitar uma nova coluna (número da faixa) nas propriedades quando o arquivo é visto no modo “detalhes”.

  7. Deus abençoe por essa postagem! O trecho do vídeo conheço desde a tenra infância, e sempre me despertou muita emoção. Agora encontro a obra para ouvir na íntegra…

  8. Celestial, muito obrigado. As melhores gravações que conheço dos Livros de Madrigais é com La Venexiana. Esta é a melhor Beata Virgem que já ouvi, dez a zero em William Christie. Mas… é Savall e sua Santa. Não é de espantar.

  9. De vez em quando vou visitando posts e páginas antigas deste blog, à cata de alguma novidade, algo que me tenha passado despercebido… e cheguei a esta postagem espetacular: Savall efetivamente arrasa (como sempre faz) também aqui. Mas nesse caso acredito que ele tenha um competidor que fica pelo menos à altura: o improvável Pearlman com seu conjunto de Boston. Quem puder e quiser dê uma verificada já na faixa 1, na abertura da obra: a leitura do grupo americano mostra como e por que nesta obra estamos na inauguração da música moderna ocidental. Enquanto isso escuto de novo a versão do catalão aqui disponibilizada: obrigado, e abraços!

  10. Olá, sei que o post é antigo, e que eu poderia ter feito isso antes… mas estou tentando baixar essa obra mas o link não “funciona”. Esse e alguns outros também antigos. Se for possível disponibilizar novamente os links eu adoraria, estou fazendo uma busca por obras de Monteverdi e essa é de uma importância ímpar.
    Obrigado.

    1. Olá, Lucas, a manutenção da validade dos links é de fato um dos maiores desafios para os que fazem este blog.

      Fui verificar, e de fato todas as nossas três versões das Vésperas de Monteverdi: a de Paul McCreesh, postada por mim logo em 2010; a de Herreweghe, postada pelo Avicenna no volume 9 da série “História da Música Sacra”; e esta aqui, de Jordi Savall, postada pelo Bisnaga.

      O colega Bisnaga está afastado, mas vou lhe perguntar se se ele não pode atualizar este link, pois eu infelizmente não tenho como.

      Mas uma coisa eu posso fazer: atualizar o link da minha postagem, a versão de Paul McCreesh – e acabo de fazê-lo. Se lhe interessar, vai aqui o link: http://pqpbach.sul21.com.br/2016/12/10/claudio-monteverdi-1567-1643-vespro-della-beata-vergine-vesperas-de-1610-ou-os-400-anos-do-barroco/

      Espero que aprecie!

    2. Olá, Lucas,
      Demorei, mas estou repostando a obra. Como perdemos o que tínhamos hospedado no PQPShare, estamos mudando de HD e temos que repostar tudo de novo. Eu tenho 200 links para atualizar, por isso a demora.
      Mas chegou a vez de atualizar as vésperas! Espero que ainda lhe sirva.
      Um abraço

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