Erkki-Sven Tüür (1959): Symphony Nº 4 (Magma)

Sobre a polêmica, erudito e popular, que também lembra um pouco a relação ateu e teísta, não há muito que dizer, é mesmo um assunto interminável e muito controverso. Mas é inegável a coexistência entre aquele que afirma e o que nega. Por isso, nos assuntos musicais, só conheço Música e musiquinha; e nos assuntos religiosos, sou pós-teísta, aquele que não vê relevância no assunto. Mas é óbvio que certas “categorias” de músicos vivem na sombra dos grandes mestres, transformando belezas e inovações em clichês, e raramente fogem do meu padrão de musiquinha.

Sou extremamente crítico com relação às “misturas”. Não pela tentativa de encontrar uma linguagem inusitada, mas utilizar esse fato, o de misturar rock e clássico ou rock e jazz, como o principal elemento da obra musical; o que é um absurdo. No recife, o fator mais importante é misturar, mesmo que o resultado, na maioria das vezes, seja de uma mediocridade só. Temos um pianista famoso por aqui, que usa como logotipo – “quem disse que o erudito e o popular não podem se casar?” Claro que pode. Quem é um apaixonado por Villa, sabe que essa mistura funciona muito bem. Mas no caso particular do referido pianista, vejo apenas uma sombra distante de “erudito” (aliás, termo pedante que só existe no Brasil. Certo é música clássica ou Música, como costumo chamar).

Trago para vocês uma interessante tentativa. A sinfonia n.4, Magma, de 2002 escrita pelo compositor nascido na Estônia – Erkki-Sven Tüür (quem se habilita a pronunciá-lo?) . O cara tinha uma banda de rock, no fim dos anos de 1970, chamada “In Spe”, que já misturava elementos da música barroca. Na sinfonia ou sinfonia concertante para percussão é visível a forte influência do Rock e Jazz. Eu acho que ele foi bem sucedido, a peça é envolvente; apesar de certas passagens pouco inspiradas, levando minha concentração a se perder. Mas dessa nossa geração de “misturas”, poucos tem a competência de Tüür.

P.S.:A percussionista Evelyn Glennie é absolutamente incrível, e acreditem, a moça é surda.

Erkki-Sven Tüür (1959): Symphony Nº 4 (Magma)

Faixas:

1. – Igavik (Eternity) for male choir & orchestra (in memoriam Lennart Meri, 2006)
2. – Inquiétude du fini for chamber choir & orchestra (dedicated to Arvo Pärt, 1992)
3. – Symphony No.4 Magma for solo percussion & symphony orchestra (dedicated to Evelyn Glennie, 2002)
4. – The Path and the Traces for strings (2005)

Estonian National Symphony Orchestra
Conducted by Paavo Järvi

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Tüür
Tüür

CDF

16 comments / Add your comment below

  1. Olá CDF.
    Acabei de ouvir a sinfonia n.4, Magma, e achei-a muito boa, envolvente é um termo que define bem a sensação causada no ouvinte. Percebi também que a composição fica além de uma “mistura”, um termo usado de forma excessiva e incorreta por muitos. O contexto que você descreveu acima pode ser o início de uma boa discussão a respeito de erudito vs. popular e da busca de uma nova linguagem para a música, busca que já perdeu o sentido pois não há mais o conservadorismo e o formalismo dos séculos anteriores para ser questionado.
    Enfim, fica a boa impressão que causou-me esta sinfonia. Espero vindouras postagens dos mesmos artistas.
    P.S.: as postagens de hoje no site foram muito boas!

  2. Esse pianista é um tal de Tiago que diz que que gosta de Villa-Lobos, Edino Krieger e rock inglês, por que se for ele; bem é ridículo ao extremo eu cheguei a vê-lo pisar no piano, típica coisa de quem quer chamar a atenção da mídia e dos imbecís com uma coisa que é característica da arte que já foi moderna com o biltre do Duchamp que colocou aquele urinol num museu e que a critica de arte(não todos mas assim mesmo uma minoria)insiste em chamar de arte de vanguarda .

  3. Fato curioso é que Vítor envolveu-se numa polêmica com Marlos Nobre, que desautorizou as modificações no Frevo n° 1 que o jovem fazia.

    E em breve a Osesp estreará o Concerto para percussão n° 2 de Marlos, dedicado a (e interpretado por)… Evelyn Glennie.

  4. Gostaria de pedir mais obras de Erkki-Sven Tüür se for possivel …

    Até agora a peça que mais gostei dele é Insula Deserta …

  5. Muito diferente do que eu já tinha escutado! Não sou músico, mas sou um apreciador eclético, desde pequenino. A partir do momento em que comecei a acessar este blog, tenho conhecido muito sobre o infinito que é a música. Sou muito grato a vocês. Parabenizo-os, também, por disponibilizar outros links muito interessantes. Depois que comecei a acessar aqui, fiquei motivado a outras pesquisas na internet, o que me faz descobrir muita informação imperdível. A propósito, liguei o computador do meu filho, esses dias, e ouvi uma música que me prendeu completamente. Fiquei surpreso quando descobri que era a trilha sonora de um videogame: Chrono Trigger, composta pelo japonês Yasunori Mitsuda.

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