J. Brahms (1833-1897) & J. Joachim (1831-1907): Concertos para Violino

J. Brahms (1833-1897) & J. Joachim (1831-1907): Concertos para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O húngaro Joseph Joachim é uma figurinha comum nas capas de discos. O cara escreveu notáveis cadenze para uma infinidade de Concertos para Violino românticos e clássicos. Muita gente as usa. Além de violinista, foi regente, compositor e professor. Grande amigo e intérprete de Schumann e de Brahms, foi um dos mais influentes instrumentistas de seu tempo. A carreira de Joachim foi profundamente marcada pela amizade com Brahms. A colaboração entre os dois músicos foi benéfica para ambos. A obra mais signficativa dessa amizade é seguramente este Concerto para Violino de Brahms, claro. Na composição desse concerto, Brahms foi muito auxiliado por Joachim, especialmente no tocante à técnica violinística. A cadenza do concerto foi escrita por Joachim, para variar. E há mais de uma escrita por ele.

Curiosidade: parece que sua mullher plantou-lhe um belo par de cornos… O maravilhoso Concerto Duplo para Violino, Violoncelo e Orquestra de Brahms, só existe porque… Bem, em 1884, Joachim e sua mulher se separaram depois que ele se convenceu que ela mantinha uma relação com o editor de Brahms, Fritz Simrock. Brahms, certo de que as suposições do violinista eram reles paranoias, escreveu uma carta de apoio a Amalie, que mais adiante ela usará como prova no processo de divórcio que Joseph movia contra ela. O fato motivou um esfriamento das relações de amizade entre Joachim e Brahms, que depois foram restabelecidas quando Brahms escreveu o Concerto Duplo e o enviou a Joachim para fazer as pazes. Em suma, o Concerto Duplo só existe em função dos cornos que Amalie pôs em Joseph Joachim. PQP Bach é Cultura! Porém, não misturem as coisas, Joachim foi traído, mas era um monstro em seu instrumento.

Por exemplo, em Berlim, no dia 17 agosto de 1903, o músico gravou um disco para a Gramophone Company (G&T), que chegou à nossa época como uma fascinante fonte de informações sobre o estilo violinístico do século XIX. Joachim foi o primeiro violinista a fazer uma gravação sonora. Sim, ele não era moleza.

Mas, bem, o disco ora postado abre com um Concerto para Violino e Orquestra de Joachim. Olha, se lhe sobravam galhos na testa e talento para executar peças de outros, faltava-lhe a centelha que faz de um ser humano normal um compositor. O Concerto, de quase 50 minutos, não é mau, mas também não é lá essas coisas. O que é legal neste CD duplo é que a excelente violinista Rachel Barton Pine faz quase uma tese sonora explorando a obra de dois amigos, pois também coloca versões alternativas das cadenze. Versões de Joachim e dela. Sim, Joachim e suas cadenze foram imortalizados, ele grudou-se para sempre à obra de Brahms, Beethoven e outros. Quanto à Barton Pine, o futuro dirá. Bobagem comentar o Concerto de Brahms. A gente só precisa ouvir. É impecável, perfeito, incrível.

J. Brahms (1833-1897) & J. Joachim (1831-1907): Concertos para Violino

Joseph Joachim: Violin Concerto in Hungarian Style in D minor, Op. 11
1. Joachim: Violin Concerto: 1st mvmt.: Allegro un poco maestoso
2. Joachim: Violin Concerto: 2nd mvmt.: Romanze: Andante
3. Joachim: Violin Concerto: 3rd mvmt.: Finale alla Zingara: Allegro con spirito

Johannes Brahms: Violin Concerto in D Major, Op. 77
4. Brahms: Violin Concerto: Allegro non troppo
5. Brahms: Violin Concerto: 1st mvmt. cadenza (by Joachim)
6. Brahms: Violin Concerto: 2nd mvmt.: Adagio
7. Brahms: Violin Concerto: 3rd mvmt.: Allegro giocoso, ma non troppo vivace
8. Cadenza by Rachel Barton-end of 1st mvmt. (Bonus Track)

Rachel Barton Pine, Violino
Chicago Symphony Orchestra
Carlos Kalmar

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Rachel Barton Pine esteve em Porto Alegre em 2013. Foi inesquecível.
Rachel Barton Pine esteve em Porto Alegre em 2013. Foi inesquecível.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, Romances for Violin and Orchestra, Accardo, Giulini, La Scala Philharmonic Orchestra

CoverTalvez esta seja a versão mais longa que já ouvi deste concerto de Beethoven. Até conhecê-la, era a versão de Nigel Kennedy, gravada com Klaus Tenstedt a campeã. Mas independente de tempos escolhidos pelo maestro e pelo seu solista, o que temos aqui é uma possibilidade de leitura que a muita gente pode parecer estranho. 25 minutos para o primeiro movimento pode até parecer uma eternidade.

A leveza e a sofisticação da regência de Giulini, já no final de sua vida, é bom lembrar, mostra nuances e detalhes da orquestração que podem passar desapercebidas em outras gravações com o andamento mais rápido. É como se Giulini e a excelente Filarmônica do Teatro Scala aproveitassem para explorar cada nota em toda a sua extensão. E Salvatore Accardo, com sua maestria de sempre, mostra-se totalmente à vontade em tocar seu violino com essa concepção diferente. Deixa de lado a técnica apuradíssima que sabemos possuir para nos envolver totalmente, às vezes parecendo um tanto quanto displicente, como comentou um cliente da Amazon. Não há pressa nenhuma. Apenas se utilizou de um caminho mais longo para chegar ao destino. Curiosamente, quando vi os nomes envolvidos nesta gravação, pensei, puxa, o que todo esse bando de italianos vai fazer com o sacrossanto concerto de Beethoven? Deve ser incendiária. Mas depois de ouvir atentamente, pensei com meus botões novamente: O que Carlo Maria Giulini e Salvatore Accardo ainda precisam provar? Já cumpriram e muito bem o seu “dever” na terra. Vamos então dar-lhes a oportunidade de mostrar outras facetas da genialidade de Beethoven.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto, Romances for Violin and Orchestra

1 Concerto for Violin and Orchestra in D major,Op.61, I. Allegro ma non troppo
2 Concerto for Violin and Orchestra in D major,Op.61, II. Larghetto
3 Concerto for Violin and Orchestra in D major,Op.61, III. Rondo.  Allegro
4 Romance for Violin and Orchestra No.1 in D major,Op.40
5 Romance for Violin and Orchestra No.2 in F major,Op.50

Salvatore Accardo – Violin
La Scala Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

.: interlúdio :. Trane + Mingus

.: interlúdio :. Trane + Mingus


Links revalidados por PQP.

Duplo interlúdio duplo? Culpa deste cão, que vai acumulando delícias (como quem enterra ossos) e depois tem dificuldades com o tempo para compartilhar tudo.

Embora nem sempre “mais” seja “melhor”, certamente não haverá reclamações com este conjunto: os novatos abaixo, (re)inventando moda, e um par de discos de dois preferidos da maison PQP Bach (para não dizerem que só falei de jovens). Diversão pra mais de metro de orelha comprida.

Live at Birdland precede Crescent e A Love Supreme, com o mesmo line-up e o inequívoco brilhantismo. Escolhido pela All About Jazz como um dos 10 melhores discos de jazz ao vivo de todos os tempos, este registro de John Coltrane possui, na verdade, apenas as três primeiras faixas registradas no clube Birdland. As outras duas são gravações de estúdio — incluindo “Alabama”, peça em homenagem a quatro crianças mortas num atentado da KKK à uma igreja batista. Ao contrário de muitos discos ao vivo de Trane, este não esgota o ouvinte; é um disco mais contido, a torrente frenética de solos freestyle que caracterizaria seu trabalho no final dos 60 ainda estava em gestação. É bem o período onde Coltrane está transicionando para seus trabalhos seminais, que mudariam os rumos do jazz; mais espaço para Tyner e Jones, que parecem ainda mais presentes, embora não se note o amálgama de grupo que atingiriam pouco tempo depois. Entre as composições, está a favorita “Afro-Blue”, do cubano Santamaría, já incluída no repertório ao vivo de Trane há bastante tempo.


De ainda antes na linha do tempo, vem Tonight at Noon, disco de Charles Mingus contendo outtakes dos discos The Clown e Oh Yeah. Apesar de pouco conhecidas, as faixas devem ser vistas não como rejeitos de dois discos seminais de Mingus; ao contrário, parecem terem sido deixadas de lado por serem provocadoras demais. Não bastasse isso, traz a dobradinha Booker Ervin e Roland Kirk nos saxofones; tem “Peggy’s Blue Skylight”, encantadora; e, é claro, é um disco de Mingus, o que por si só já é justificativa o suficiente.

John Coltrane – Live at Birdland /1963 (320)
download – 85MB

John Coltrane: tenor saxophone, soprano saxophone
Jimmy Garrison: bass
McCoy Tyner: piano
Elvin Jones: drums
Tracks 1–3 recorded October 8, 1963 at Birdland/NY
Tracks 4–5 recorded November 18, 1963 at Van Gelder Studios
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

01 Afro-Blue (Mongo Santamaría)
02 I Want to Talk about You (Billy Eckstine)
03 The Promise (Coltrane)
04 Alabama (Coltrane)
05 Your Lady (Coltrane)

Charles Mingus – Tonight at Noon /1961 (320)
download – 84MB

12/03/1957 (tracks 1, 2)
Charles Mingus, double bass; Jimmy Knepper, trombone; Dannie Richmond, drums; Shafi Hadi, alto sax; Wade Legge, piano
06/11/1961 (tracks 3-5)
Charles Mingus, piano; Booker Ervin, tenor sax; Rahsaan Roland Kirk, alto sax; Doug Watkins, bass; Jimmy Knepper, trombone; Dannie Richmond, drums
Todas as músicas de Charles Mingus. Produzido por Alfred Lion/Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 Tonight at Noon
02 Invisible Lady
03 Old’ Blues For Walt’s Torin
04 Peggy’s Blue Skylight
05 Passions of a Woman Loved

Boa audição!

Mingus, o homem, o mito
Mingus, o homem, o mito

Blue Dog

Franz Schubert – Arpeggione Sonate, 3 Sonatines, op. 137 – Pieter Wispelwey, Paolo Giacometti

frontAh, essa Sonata “Arpergionne” de Schubert é uma delícia. Não há como não nos emocionarmos com ela. A beleza das melodias é única, como diria nosso colega PQPBach, provavelmente Schubert foi um dos maiores dos melodistas da história da música.
A dupla Wispelwey / Giacometti faz aqui neste cd uma leitura mais contida, não tão romantizada da “Arpeggione”, como as que estamos acostumados a ouvir. Talvez seja a sonoridade do pianoforte de Giacometti que contenha o excelente violoncelista holandês, o fato é que a dupla funciona muito bem, e explora com maestria os meandros dessa obra prima do repertório do violoncelo.
No cd eles também tocam as Sonatinas, op. 137, que originalmente foram escritas para violino, e que já trouxemos aqui mesmo no blog. A transcrição foi feita pelo próprio Wispelwey.

01 Sonata in a minor D 821 Arpeggione -part1 Allegro moderato
02 Sonata in a minor D 821 Arpeggione -part2 Adagio
03 Sonata in a minor D 821 Arpeggione -part3 Allegretto
04 Sonatina in D major D 384 Opuis 137 No 1 -part1 Allegro molto
05 Sonatina in D major D 384 Opuis 137 No 1 -part2 Andante
06 Sonatina in D major D 384 Opuis 137 No 1 -part3 Allegro vivace
07 Sonatina in a minor D 385 Opus 137 No 2 -part1 Allegro moderato
08 Sonatina in a minor D 385 Opus 137 No 2 -part2 Andante
09 Sonatina in a minor D 385 Opus 137 No 2 -part3 Menuetto and Trio
10 Sonatina in a minor D 385 Opus 137 No 2 -part4 Allegro
11 Sonatina in g minor D 408 Opus 137 No 3 -part1 Allegro giusto
12 Sonatina in g minor D 408 Opus 137 No 3 -part2 Andante
13 Sonatina in g minor D 408 Opus 137 No 3 -part3 Menuetto and Trio
14 Sonatina in g minor D 408 Opus 137 No 3 -part4 Allegro moderato

Pieter Wispelwey – Cello
Paolo Giacometti – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Astor Piazzolla (1921-1992): Tango Ballet, Concierto Del Angel, Tres Piezas Para Orquesta De Camara

51wf9EFWttLLINK REVALIDADO !!!

Hoje, no Sul21, saiu um longo artigo sobre Piazzolla. Acho que vale a pena. Está cheio de vídeos e informações legais.

~o~

Este disco certamente é um os melhores de Piazzolla que foram lançados após a morte do compositor. Desconhecia o Tango Ballet e fiquei efetivamente APAIXONADO pela música. Já o Concierto Del Angel e as Tres Piezas são mais conhecidas e tão grandes quanto. A alegre orquestra de Gidon Kremer rende DEMAIS, ABSURDAMENTE, no Concierto Del Angel. Dá para sentir o tesão dos músicos, felizes de tocar Piazzolla. Sobre a qualidade deles… É o que eu sempre digo, deve ser a água do Báltico. Como tem músico bom naquela parte do mundo! Esses aí são uns animais, vou lhes contar.

AB-SO-LU-TA-MEN-TE  IM-PER-DÍ-VEL !!!

Piazzolla: Tango Ballet, Concierto Del Angel, Tres Piezas Para Orquesta De Camara

1. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: Titulos
2. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: La Calle
3. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: Encuentro-Olvido
4. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: Cabaret
5. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: Soledad
6. Tango Ballet For Violin And String Orchestra: La Calle

7. Concierto Del Angel For Violin, Bandoneon, Double Bass, Piano And String Orchestra: Introduccion Al Angel
8. Concierto Del Angel For Violin, Bandoneon, Double Bass, Piano And String Orchestra: Milonga Del Angel
9. Concierto Del Angel For Violin, Bandoneon, Double Bass, Piano And String Orchestra: La Muerte Del Angel
10. Concierto Del Angel For Violin, Bandoneon, Double Bass, Piano And String Orchestra: Resurreccion Del Angel

11. Tres Piezas Para Orquesta De Camara – For Piano And String Orchestra: Preludio: Lento
12. Tres Piezas Para Orquesta De Camara – For Piano And String Orchestra: Fuga: Allegro
13. Tres Piezas Para Orquesta De Camara – For Piano And String Orchestra: Divertimento: Allegro Molto

Astor Quartet
Kremerata Baltica
Gidon Kremer

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

PQP