330 anos do gênio de Johann Sebastian Bach

A assinatira de Bach quando Kantor da Igraja de São Tomás, em Leipzig

A assinatura de Bach quando Kantor da Igreja de São Tomás, em Leipzig

Talvez, para o nosso tempo, seja difícil entender o homem que foi Johann Sebastian Bach. Ele nasceu há 330 anos, em 31 de março de 1685 (*), no que hoje é a Alemanha, numa família de músicos. Era um tempo em que era comum os filhos adotarem a profissão dos pais. Na região da Saxônia, o nome Bach era de tal forma relacionado à música que alguém com tal sobrenome só poderia ser músico e provavelmente trabalhava em alguma igreja. Seguindo a árvore genealógica da família Bach, dos 33 Bach, 27 foram músicos. Só que o talento explodiu espetacularmente no menino Johann Sebastian. É claro que ele, além de exercer outras funções, também trabalhou como Kapellmeister — termo que designa o diretor musical de uma igreja.

https://youtu.be/aCOKi4nFjpw

Durante um longo período de sua vida, escreveu uma Cantata por semana. Em média, cada uma tem 20 minutos de música. Tal cota, estabelecida por contrato, tornava impossível qualquer “bloqueio criativo”. Pensem que ele tinha que escrever a música e ainda ensaiar. Isso fez com que ele nos deixasse uma imensa obra vocal. Também escreveu muito para um instrumento fora de moda, o órgão. E, se em Weimar as obrigações de Bach estavam prioritariamente vinculadas ao serviço religioso e como organista na corte cristã, na corte calvinista de Köthen, Bach pode dedicar-se à música secular, criando um dos mais imponentes e impressionantes conjuntos de obras solo para teclado, violoncelo, flauta e violino da história da música ocidental. Deixou-nos mais de 1000 obras de todos os gêneros, à exceção da ópera.

Obs. sobre o vídeo acima: na época, era proibido que as mulheres cantassem em igrejas.

Clique aqui para continuar lendo e assistindo.

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Musik im Bachhaus: Historische Tasteninstrumente — Eisenach (Christine Schornsheim)

bachhausEste raro disco me foi dado por uma aluna que teve o privilégio de adquiri-lo ao visitar a Bachhaus em Eisenach. A peças são interpretadas nos instrumentos que lá estão expostos e que teriam pertencido ao bom Pai João Sebastião e à sua manada musical. Infelizmente me foi dada uma cópia sem a capa original, com apenas o repertório e a relação dos instrumentos utilizados em cada faixa. A impressão que me vem ao ouvi-lo, talvez devido ao afeto por J. S. Bach, é de um musical aconchego, que penso, talvez vocês também venham a senti-lo; especialmente ouvindo a obra tocado no órgão doméstico, a Partita diverse sopra il Corale O Gott du frommer Gott. Viva o Mestre Maior, que Ele nos abençoe a todos.

Compartilho com todos o meu Salmo Bachiano:

J. S. Bach é meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em sonoros pastos, guia-me mansamente por pautas tranquilas, afina minha alma, guia-me pelos compassos por amor do seu nome.

Ainda que eu tocasse pelas sombras da mídia não temeria mal algum, seu contraponto e sua harmonia me consolam.

Prepara uma tocata perante mim, unge meus ouvidos com cânons, meu espírito transborda.

Certamente que sua maestria e infinitude me seguirão todos os dias de minha vida, e habitarei em seu polifônico reino de sons por longos dias.

Assim Seja.

  1. J. S. Bach – Partita c-Moll BWV 826 *
  2. Johann Christian Bach – Sonate c-Moll opus 17/2 **
  3. J. S. Bach – Invenção F-Dur BWV 779 ***
  4. J. S. Bach – Invenção h-Moll BWV 786 ***
  5. J. S. Bach – Sinfonie G-Dur BWV 796 ***
  6. J. S. Bach – Menuett F-Dur BWV Anh. 113 ****
  7. J. S. Bach – Menuett G-Durr BWV Anh. 116 ****
  8. J. S. Bach – Partita diverse sopra il Corale O Gott du frommer GottBWV 767 *****
  9. Wilhelm Friedmann Bach – Fuge f-Moll ****
  10. Carl Phillipp Emanuel Bach – Fantasie Es-Dur Helm 348 *

Instrumentos:
Cembalo 1765 *
Clavecin royal (Hammerklavier) 1788 **
Cembalo 1715 ***
Spinett 1765 ****
Hausorgel, um 1750 *****

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Wellbach

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Richard Galliano – Bach

51so73WwRvLDefinitivamente, Richard Galliano é um grande instrumentista e não se intimida diante de projetos que o desafiam. Foi assim com Astor Piazzolla. Sua compreensão da obra do músico argentino o levou a ultrapassar as dificuldades não apenas técnicas, mas, principalmente culturais e nos mostrou, assim como Gidon Kremer, que um europeu pode sim tocar Piazzolla como um argentino.

Mas aqui o negócio é outro. Aqui trata-se de Bach. a dificuldade de adaptar a obra de Bach para o acordeon deve ter sido enorme. Nós, filhos de Bach, temos de tirar o chapéu para o desafio que ele encarou.

Fã que sou desse cara, sou até suspeito para classificar esse CD como IM-PER-DÍ-VEL!!!. Mas os clientes da amazon concordam comigo em lhe dar cinco estrelas:

“There’s more to the accordion than “Bella Notte;” Richard Galliano beautifully provides the proof.”
“A Bach Masterpiece”
“Bach de nuevo por las nubes”

Detalhe: foi seu primeiro disco de música clássica, e sua estréia no selo Deutsche Grammophon. Com certeza, uma estréia cinco estrelas.

01 – Badinerie
02 – Violin Concerto BWV1041
03 – Violin Concerto
04 – Violin Concerto
05 – Air
06 – Prelude
07 – Harpsichord Concerto
08 – Harpsichord Concerto
09 – Harpsichord Concerto
10 – Siciliano
11 – Allemande
12 – Concerto for Oboe and violin
13 – Concerto for Oboe and Violin
14 – Concerto for Oboe and Violin
15 – Contrapunctus 1
16 – Aria

Richard Galliano – Acordeon, accordina, bandóneon
Jean-Marc Phillips, Sebastien Surel – Violins
Jean-Marc Apap – viola
Raphael Pidoux – Cello
Stéphane Logerot – Double Bass

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FDP

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Brandenburg Concertos – Claudio Abbado, I solisti dell’orchestra del Teatro alla Scala

81RE8Ur14sL._SX425_Para marcar os 330 anos de nascimento de Johann Sebastian Bach, no dia de hoje, 31 de março, estamos postando uma série de gravações do gênio de Leipzig.

Minha contribuição até então estava sendo um tanto quanto modesta, com um CD de Richard Galliano tocando Bach no acordeon. Por este motivo resolvi preparar outra postagem, esta mais “substancial”, nunca jamais desprestigiando o belo CD de Richard Galliano. E também serve de homenagem ao nosso querido maestro Claudio Abbado, falecido há pouco mais de um ano.

Claudio Abbado nasceu em 1933 e morreu em 2014, com 81 anos de idade. Esta gravação dos Concertos de Brandenburgo foram realizadas em 1976, quando o maestro tinha 43 anos de idade e era Diretor Artístico do famoso Teatro Alla Scalla, em Milão, sua terra natal. Se utiliza de um pequeno conjunto de câmara, formado por músicos da própria orquestra do teatro. Trata-se de uma gravação rara, que estava fora de catálogo, até ano passado, quando o selo Sony resolveu tirar a poeira de cima e relançá-lo junto com uma caixa com 39 CDs com todas as gravações que Abbado realizou pelo selo.

CD 1

01-Concerto_No_1_in_F_Major_BWV_1046_Allegro
02-Concerto_No_1_in_F_Major_BWV_1046_Adagio
03-Concerto_No_1_in_F_Major_BWV_1046_Allegro
04-Concerto_No_1_in_F_Major_BWV_1046_Minuet
05-Concerto_No_2_in_F_Major_BWV_1047_Allegro
06-Concerto_No_2_in_F_Major_BWV_1047_Andante
07-Concerto_No_2_in_F_Major_BWV_1047_Allegro
08-Concerto_No_3_in_G_Major_BWV_1048_Allegro
09-Concerto_No_3_in_G_Major_BWV_1048_Allegro

CD 2
01-Concerto_No_4_in_G_Major_BWV_1049_Allegro
02-Concerto_No_4_in_G_Major_BWV_1049_Andante
03-Concerto_No_4_in_G_Major_BWV_1049_Presto
04-Concerto_No_5_in_D_Major_BWV_1050_Allegro
05-Concerto_No_5_in_D_Major_BWV_1050_Affettuoso
06-Concerto_No_5_in_D_Major_BWV_1050_Allegro
07-Concerto_No_6_in_B-Flat_Major_BWV_1051_A
08-Concerto_No_6_in_B-Flat_Major_BWV_1051_Adagio ma non tanto
09-Concerto_No_6_in_B-Flat_Major_BWV_1051_Allegro

I solisti dell’orchestra del Teatro alla Scala
Claudio Abbado – Conductor

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FDP

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J. S. Bach (1685-1750): As Sonatas para Viola da Gamba

Este é um repertório pouco percorrido dentro da obra de Johann Sebastian. A Viola da Gamba é um instrumento difícil de manter afinado e inexistente na música moderna. Quem se aventura a este repertório costuma fazê-lo empunhando um violoncelo. Mas isso não significa que estamos num terreno de obras menos importantes de Bach. Elas também são do período de Köthen. A interpretação que mostramos aqui está a cargo de especialistas do assunto. Divirtam-se porque não sempre que se postam essas Sonatas.

J. S. Bach (1685-1750): As Sonatas para Viola da Gamba

1 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: I. Adagio 4:07
2 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: II. Allegro ma non tanto 3:42
3 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: III. Andante 2:22
4 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: IV. Allegro moderato 3:15

5 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: I. Arioso – Adagio 2:03
6 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: II. [ ] 1:18
7 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: III. Adagiosissimo 3:36
8 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: IV. [ ] 0:39
9 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: V. Adagio poco – Aria de il Postiglione 1:06
10 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: VI. Fuga al Imitatione di Posta 2:45

11 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: I. Adagio 1:59
12 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: II. Allegro 4:00
13 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: III. Andante 4:43
14 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: IV. Allegro 4:07

15 Capriccio in E Major, BWV 993 6:39

16 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: I. Vivace 5:36
17 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: II. Adagio 5:16
18 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: III. Allegro 3:54

Jaap ter Linden, viola da gamba
Richard Egarr, cravo

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Jaap ter Lindem mandando bala com sua afinada gamba

Jaap ter Lindem mandando bala com sua afinada gamba

PQP

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Feliz aniversário, J S Bach!

Hoje é o dia em que Johann Sebastian Bach completa 330 anos… Durante o dia de hoje, haverá postagens alusivas.

Clique na imagem para ampliar.

QoK

Feliz aniversário, J S Bach!

Avicenna

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Antonin Dvorák (1841-1904) – Piano Concerto in G Minor, op. 33, Franz Schubert (1797-1828) – Fantasy, D. 760 ‘Wanderer’ – Sviatoslav Richter, Kleiber, BRO

FrontO Concerto para Piano de Dvorák não é uma das mais populares obras do compositor tcheco, talvez por ser pouco interpretado, mas tem seus bons momentos. Soa por vezes monótono, burocrático, mesmo quando interpretado por um músico do quilate de Sviatoslav Richter. Curioso, pois no mínimo esperamos uma obra no nível de seu Concerto para Cello, mas infelizmente não é bem assim. Nem Carlos Kleiber consegue desamarrar os nós que atam essa obra. Mas volto a repetir que tem seus bons momentos. Sujeito a levar pedradas, diria que a dupla Kleiber/Richter tira leite de pedra com sua leitura precisa e coesa, bem balanceada.

Para compensar, a outra obra presente no CD é um dos monumentos da literatura pianística, a Fantasia in Dó Maior, também conhecida como “Wanderer”, de Franz Schubert. Aqui Richter está em seus domínios, não por acaso é considerado um dos maiores intérpretes schubertianos do século XX. Papa finíssima …!!

01 – Piano Concerto in G Minor, Op. 33 – I. Allegro agitato
02 – Piano Concerto in G Minor, Op. 33 – II. Andante sostenuto
03 – Piano Concerto in G Minor, Op. 33 – III. Allegro con fuoco
04 – Fantasy in C Major, D.760 ‘Wanderer’ – I. Allegro con fuoco ma non troppo
05 – Fantasy in C Major, D.760 ‘Wanderer’ – II. Adagio
06 – Fantasy in C Major, D.760 ‘Wanderer’ – III. Presto
07 – Fantasy in C Major, D.760 ‘Wanderer’ – IV. Allegro

Sviatoslav Richter – Piano
Bayerisches Staatsorchester München
Carlos Kleiber – Conductor

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Música dos sumérios, egípcios e gregos antigos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Se alguém reclamasse que temos postado pouca música antiga, eu teria que aceitar a crítica. Então, pago parcialmente a dívida com um disco muito especial. Dizem que se trata de uma das melhores recriações da música antiga. Ou da pré-antiga… Porque estamos falando em até 1000 anos antes de Cristo. A avaliação dos musicólogos sobre este trabalho é a mais favorável possível. Trata-se de um disco absolutamente notável do ponto de vista histórico.

Music of the Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks

Music from c. 1950 B.C. to 300 A.D.
A.D. é Anno Domini ou depois de Cristo
(Including the world’s oldest notated music)
performed on voice, lyres, kithara, pandoura, double reed pipes,
flutes & other ancient instruments.

1. Musical Excerpts….Anon. (2nd c. AD)
2. Lament…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
3. Fragment 1…Anon. (2nd c. AD)
4. Paean…Anon. (3rd or 4th c. AD)
5. Trochaic fragment….Anon. (3rd c. AD)
6. Four settings of a line from “Epitrepontes” by Menander…Anon.(3rd c.AD)
7. Excerpts mentioning Eros and Aphrodite…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
8. Musical excerpt…Anon. (3rd c. AD)
9. Hypolydian excerpt…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
10. Fragment 3…Anon. (3rd c. AD)
11. A zaluzi to the gods…Anon. (c. 1225 BC)
12. Hurrian Hymns 19 and 23…Anon. (c.1225 BC)
13. Hurrian Hymns 13 and 12…Urhiya/Anon. (c. 1225 BC)
14. Hurrian Hymn 2…Anon. (c. 1225 BC)
15. Hurrian Hymn 8…Urhiya (c. 1225 BC)
16. Hurrian Hymn 5…Puhiya(na) (c. 1225 BC)
17. Hurrian Hymns 4, 21 and 22… Anon. (c. 1225 BC)
18. Hurrian Hymns 7 and 10…Anon. (c. 1225 BC)
19. Hurrian Hymns 16 and 30…Anon. (c.1225 BC)
20. Musical Instructions for “Lipit-Ishtar, King of Justice” (c. 1950 BC)
21. Trumpet call…Anon./Plutarch
22. Isis sistrum rhythm…Anon./Apuleius
23. Theban banquet scene…Anon. (14th c. BC)
24./25. Harp pieces (A) (B)…Anon. (7th or 6th c. BC)

Gayle Stuwe Neumann (strings, voice, percussion)
Philip Neuman (winds, strings, percussion, voice)
Ensemble De Organographia

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Um músico sumério toca uma lira 11 cordas

Um músico sumério toca uma lira 11 cordas

PQP

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El Eco de Indias: Villancicos del Barroco Americano – Obras de compositores de Cuba, Peru, Colômbia, Bolívia, México e Espanha dos séculos XVII e XVIII

Vocês vão adorar este álbum!

El Eco de Indias

Villancicos del Barroco Americano

Ars Longa de La Havana

.

Essa postagem estava dobrada: uma com o álbum comprado em Havana pelo Bisnaga e outra com o álbum cedido pelo Professor Paulo Castagna ao Avicenna. Repostamos hoje unindo ambas.

La música es la verdadera historia viviente de la humanidad. (Elias Canetti, Bulgaria, 1905 – Suiza, 1994, Premio Nobel de Literatura)

…E a internet resolveu fazer Avicenna novamente de vítima (esta postagem foi ao ar inicialmente em uma segunda-feira em que nosso amigo estava sem internet)…

Por sorte o telefone ainda funcionava e ele me ligou em busca de um socorro: não era admissível deixar que a segunda-feira ficasse vazia de música colonial! Não sei por que cargas d’água ele foi telefonar justo para mim, que devo ter o menor acervo dentre os colegas pequepianos, mas, já que estou aqui, vamos ver o que acho no meio das minhas coisas… Foi então que me veio uma luz celeste dourada e uma voz grave, impostada e poderosa disse-me: “posta aquele CD cubanoooo“!

Sim, sim! Com essa iluminação, resolvi preencher este espaço com El Eco de Indias: Villancicos del Barroco Americano, adquirido em Havana, Cuba, numa escala de dois dias feita numa viagem que me levava a um congresso. Foi uma aquisição movida pela curiosidade, totalmente despretensiosa. Nunca achei que um dia divulgaria este álbum!

Bom, e do que se trata? Como o nome diz, el Eco de Indias é resultado de um belíssimo trabalho do grupo Ars Longa, de resgate de Cânticos do Barroco Hispano-Americano, com obras de compositores de seis países: Cuba, Peru, Colômbia, Bolívia, México e Espanha. O mais interessante é a preocupação do conjunto de recuperar cantos profanos, que são a maior parte dos que compõem o álbum. Geralmente a música religiosa era mais organizada, mais oficiosa: as igrejas tinham seus mestres de capela, seus maestros e compositores e, por isso, a grandessíssima maioria das composições do período colonial americano que chegou até nossos dias é a que ficou registrada em partitura e foi arquivada, feita para e guardada pela Igreja. A música popular existia e era executada em grande número, porém, essa música era mais casual e muitas vezes os executores apenas a reproduziam por memorização, sem que houvesse qualquer registro físico da melodia. Poucas eram as músicas profanas transcritas em partitura e muito raras as que foram preservadas e chegaram aos dias de hoje. Neste álbum, até mesmo as músicas de Natal e Corpus Christi são de caráter popular, ou seja, têm características diversas das estritamente religiosas e não foram encomendadas pela Igreja para tais festividades. Eram cantadas nas casas, nas ruas, nas festas familiares e, por um felicíssimo acaso do destino, acabaram escritas seus registro sobreviveram. E não por coincidência, mas com muita pesquisa, esses cânticos foram encontrados aqui e ali, em arquivos, em salas poeirentas nos fundos de igrejas, misturados a partituras sacras, e foram primorosamente selecionados e executados pelo Ars Longa, com instrumentos de época e todos os cuidados para reconstituir suas sonoridades originais da forma mais fiel possível.

Cantar los villancicos de América nos acerca a un interesante mundo de transculturaciones que dieron diferentes estilos a un mismo género. La expresión musical en las nuevas tierras conquistadas, aún bajo el influjo de las escuelas europeas, va adquiriendo poco a poco determinados matices y rasgos autóctonos que le confieren una identidad enteramente americana.
Ars Longa, partiendo de una incesante labor de investigación, nos propone en el presente disco una selección de villancicos americanos de los siglos XVII y XVIII. Estos no se hallan asociados solamente a la tradicional festividad de la Navidad, sino que también se dedican a la Virgen, la celebración del Corpus Christi y otras festividades populares con obras exponentes de las diferentes variantes del villancico como son: de negros, juguetes, rorros y jocosos.
En España, ya desde finales del siglo XV y principios del XVI, los villancicos eran cantados como parte del oficio divino, intercalados entre los responsorios de la hora de maitines durante las fiestas de Navidad. Esta costumbre permaneció hasta entrado el ochocientos. En el siglo XVII el villancico, tradicionalmente polifónico, incorpora rasgos estilísticos del barroco como la monodía, la policoralidad, el bajo continuo y la composición de partes instrumentales.
La tradicional estructura estribillo-copla-estribillo, se amplía en el siglo XVIII – época de auge del villancico religioso – hasta semejar la estructura de una especie de cantata barroca que incorpora introducción instrumental, recitados y arias.
El trasplante a América del villancico produjo, como en toda nuestra música, un proceso de interinfluencias que de acuerdo al acervo cultural de cada país aportó a este género una amplia gama de modos de hacer en la melodía, el ritmo, y otros medios expresivos.
Existe una encarnizada polémica sobre la manera en que se deben interpretar las obras del barroco americano en cuanto a los medios expresivos y al acompañamiento. Se discute acerca de si es correcto o no añadir instrumentos que no aparezcan originalmente en la partitura. Sobre este tema coexisten dos criterios fundamentales: uno aboga por la ejecución exacta de la partitura y otro añade instrumentos de la época o justificados por él carácter festivo y danzado de la obra, como sucede con la percusión que se añade a los villancicos de negros, de Corpus y juguetes.
Ars Longa, evadiendo un principio arqueológico, reinterpreta los villancicos con una visión musical contemporánea que trata de acercarnos a lo real maravilloso del mundo sonoro ameriano. No se trata de reconstruir con un criterio museable los cantos entonados en nuestras iglesias y catedrales en los siglos XVII y XVIII, sino de que a las puertas del siglo XXI y a cuatrocientos años de distancia sonora de estas obras, disfrutemos la música de Nuestra América.
(Miriam Escudero Suástegui, extraído do encarte)

O álbum inteiro é uma grande raridade: as músicas são raras e nem encontramos o CD no Amazon para venda; seria necessário viajar para Cuba para adquiri-lo. Para poupá-los de tão extensa viagem (embora a recomende fortemente), lhes trago hoje estes sonoros ecos das Índias.

Ouça com muita atenção estas pérolas! Inestimáveis!

Acha que eu tô brincando? Escute essa faixa:
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Ars Longa

El Eco de Indias: Villancicos del Barroco Americano
Anônimo (Peru, séc. XVIII)
01. Pasaqualyto – Anônimo (Peru, século XVIII)
Tomás de Torrejón y Velazco (Espanha, 1644 – Peru, 1728)
02. Desvelado dueño mío
Anônimo (Peru, séc. XVIII)
03. Un Juguecito de fuego
Juan Gutiérrez de Padilla (Espanha, 1590 – México, 1664)
04. Oíd Zagales Atentos
Juan de Herrera (Colômbia, c. 1665 – 1738)
05. A la Fuente de Bienes
Juan de Araujo (Espanha, 1646 – Peru, 1712)
06. Ay andar, andar
Anônimo (Peru, séc. XVIII)
07. Un monsieur y un estudiante
Esteban de Sala y Castro (Cuba, 1725 – 1803)
08. Un musiquito nuevo
09. Que niño tan bello
Anônimo (Bolívia, séc. XVIII)
10. El día del Corpus
Antonio de Salazar (México, 1650 -1715)
11. Digan, digan quien vio tal
Alonso Torices (Espanha, séc. XVIII)
12. Toca la Flauta

Ars Longa, Conjunto de Música Antiga (Cuba)
Tereza Paz, soprano e flautas doces
Gertrudis Vergara, soprano e flautas doces
Raquel Rubí, Mezzo-soprano e percussão
Iván César Morales, Tenor e percussão
Alain Alfonso, contratenor, contrabaixo, flautas doces
Ariel Sarduí, violino
Reinier Guerrero, violino
Aland Lopez, viola de mão
Judith Jardines, harpa
Taylis Fernándes, viola da gamba
Tereza Paz, direção
1998

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XLD RIP | FLAC 278,8 MB | HQ Scans 1,2 MB |

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MP3 320 kbps – 135,4 + 1,2 MB – 56 min
powered by iTunes 11.2.1

Depois nem precisamos mais ir a Cuba: o musicólogo Prof. Paulo Castagna nos emprestou. Não tem preço !!!

…Mas comente… O álbum é supimpa, merece um retorno…

O Grupo cubano Ars Longa

Não tem a ver com a postagem, mas achei tão divertido…

P.Q.P.Bach: 8 anos polinizando beleza!

Avicenna & Bisnaga

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Conlon Nancarrow (1912-1997) / George Antheil (1900-1959): Música para Piano


O pianista Herbert Henck tem uma série de CDs na grande ECM que vale muito a pena explorar. Este disco une duas importantes figuras — por muito tempo ignoradas — da música americana moderna. Sabemos que muitas vezes se passam anos entre a inovação e a sua aceitação geral. Hoje, nós tiramos de letra o distorcido jazz dos anos 30 presente nas composições eruditas modernosas de Nancarrow e Antheil.

Ficou complicado levar George Antheil (1900-1959) a sério nos EUA após o fracasso de seu Méchanique Ballet. Ele foi um ser humano severamente multifacetado. Escreveu muita música e também foi escritor. Sua excelente e divertida autobiografia, “O Bad Boy da Música”, é elogiadíssima. Sua música alegre e cheia de invenção fazia discreto sucesso… na França. Esta é uma seleção bem dele, e mostra seu amor pelo ritmo e o interesse pelo jazz. Vários dos títulos aludem às máquinas. Leiam abaixo, a relação de obras mais parece um rol de equipamentos industriais. Há uma Sonatina para rádio (?) e outra chamada de “O Aeroplano”, mas também uma Sonata Sauvage… E aquele monte de “Acelerandos” ali?

Conlon Nancarrow (1912-1997) é conhecido por seus estudos para o piano, que também incluía aquelas pianolas mecânicas das quais acabo de esquecer o nome. Algumas de suas obras são tão complexas em termos de ritmo que é melhor programar o piano com aqueles rolos de papel (ei, alguém me ajude!). Somente em seus últimos anos de vida, Nancarrow desfrutou de fama internacional e seus estudos chegaram ao status de cult. (Ouvi uma vez a música programada em rolos de papel, achei mais apaixonante do que bela).

A capa do CD da ECM traz uma vaquinha tão triste quanto o destino da música moderna em nossos dias — vejam o ocorre com o pianista na imagem que finaliza o post. Triste fiquei eu ao notar que o CD tem apenas 38 minutos!

Conlon Nancarrow (1912-1997) / George Antheil (1900-1959): Música para Piano

1. Nancarrow – Three 2-part studies – I. Presto
2. Nancarrow – Three 2-part studies – II. Andantino
3. Nancarrow – Three 2-part studies – III. Allegro
4. Nancarrow – Prelude (Allegro molto)
5. Nancarrow – Blues (Slow Blues Tempo)

6. Antheil – Sonatina für Radio (allegro moderato)
7. Antheil – Second Sonata, ‘The Airplane’ – I. To be played as fast as possible
8. Antheil – Second Sonata, ‘The Airplane’ – II. Andante moderato
9. Antheil – Mechanisms
10. Antheil – A machine
11. Antheil – Sonatina (Death of the Machines) – I. Moderato
12. Antheil – Sonatina (Death of the Machines) – II. Accelerando
13. Antheil – Sonatina (Death of the Machines) – III. Accelerando
14. Antheil – Sonatina (Death of the Machines) – IV. Accelerando
15. Antheil – Jazz Sonata (Sonata No. 4)
16. Antheil – Sonata Sauvage – I. Allegro vivo
17. Antheil – Sonata Sauvage – II. Moderato
18. Antheil – Sonata Sauvage – III. Moderato/Xylophonic, Prestissimo
19. Antheil – (Little) Shimmy

Herbert Henck, piano

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Nancarrow e seus rolos

Nancarrow e seus rolos

PQP

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Jan Sibelius – Kullervo, op. 7 – Karitta Matila, Jorma Hynninen, Gothenburg Symphony Orchestra, Neeme Järvi

frontSibelius denominou essa obra como um “Poema Sinfônico para Orquestra, Solistas e Coro”. Trata-se de obra de juventude, o compositor tinha pouco mais de vinte e cinco anos de idade quando o compôs, e estava fortemente inspirado na época pelo folclore e cultura de seu pais.
Gostei muito dessa versão do maestro Neeme Järvi, nos tempos em que ele dirigia a Sinfônica de Gothenburg. A orquestra pode ser sueca, o maestro pode ser letão, mas tanto o magnífico coral quanto os solistas são finlandeses. O booklet que segue em anexo traz maiores detalhes sobre a obra e sobre os solistas.

1. Introduction. Allegro Moderato
2. Kullervo’s Youth. Grave
3. Kullervo And His Sister. Allegro Vivace
4. Kullervo Goes To War. A La Marcia
5. Kullervo’s Death. Andante

Karita Mattila – Soprano
Jorma Hynninen – Baritone
The Laulun Ystävät Male Choir
Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

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Claude Debussy – La Mer, Prelude a l’Apres Midi d’un Faune, Jeux – Boulez, New Philharmonia Orchestra

51qd4kO8axL._SL500_AA300_Este foi um dos primeiros cds que postei, lá nos primórdios do PQPBach, e lá se passaram ao menos uns oito anos e meio. Sempre foi o minha gravação favorita, tanto do “Prelude a l’Apres Midi d’un Faune” quanto de “La Mer”. Comprei esse LP nos tempos em que vagava solitário pelas ruas de São Paulo, ainda no começo dos anos 90. A vida era um tanto quanto difícil, morava longe da família, dos amigos, e esse belíssimo disco ajudou a combater a solidão. Criei uma certa cumplicidade com ele e consequentemente com a magnífica música de Debussy.

Mas a vida dá voltas, e agora, vinte e poucos anos depois, eis-me aqui, oferecendo essa verdadeira jóia da indústria fonográfica aos senhores. Podem apreciar sem moderação. É música de primeira, interpretada por um dos maiores especialistas em Debussy dos últimos tempos.

1 La Mer – 001 De l’aube a midi sur la mer Tres lent
02-002 Jeux de vagues- Allegro
03-003 Dialogue du vent et de la mer Anime et tumultueux
04-Prelude a l’Apres Midi d’un Faune
05-Jeux

New Philharmonia Orchestra
Pierre Boulez – Conductor

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Franz-Joseph Haydn (1732-1809) – Die Jahreszeiten – Karajan, Janowitz, Berry, BPO

81u4SDWOpBL._SL1300_Chegou o outono, e para comemorar a troca das estações nada melhor que ouvir a obra prima de Haydn, “Die Jahreszeiten”, ou traduzindo, “As Estações”, minha obra haydniana favorita. É alegre, festiva, seus corais são divinos, quase celestiais, e nos deixa muito bem com a vida.
Karajan montou um timaço para realizar essa gravação, lá nos idos de 1972, dentro de uma igreja, onde aliás, realizou inúmeras gravações com a Filarmônica de Berlim. Gundula Janowitz e Walter Berry lideram o time de solistas, em uma gravação cinco estrelas.

Vale muito a pena conferir.

CD 1

01. Der Frühling – Seht, wie der strenge Winter flieht!
02. Komm, holder Lenz!
03. Vom Widder strahlet jetzt
04. Schon eilet froh der Ackersmann
05. Der Landmann hat sein Werk vollbracht
06. Sei nun gnadig, milder Himmel
07. Erhort ist unser Flehn
08. O wie lieblich ist der Anblick
09. Ewiger, machtiger, gutiger Gott!
10. Der Sommer – Im grauen Schleier ruckt heran
11. Der muntre Hirt versammelt nun
12. Sie steigt herauf, die Sonne
13. Nun regt und bewegt sich alles umher
14. Die Mittagssonne brennet jetzt
15. Dem Druck erlieget die Natur
16. Willkommen jetzt, o dunkler Hain
17. Welche Labung fur die Sinne!
18. O seht! Es steigt in der schwulen Luft
19. Ach, das Ungewitter naht
20. Die dustern Wolken trennen sich

CD 2

01. Der Herbst – Einleitung
02. Was durch seine Blute
03. So lohnet die Natur
04. Seht, wie zum Haselbusche dort
05. Ihr schonen aus der Stadt, kommet her!
06. Nun zeiget das entbloset Feld
07. Seht auf die breiten Wiesen hin
08. Hier treibt ein dichter Kreis
09. Hort das laute Geton
10. Am Rebenstocke blinket jetzt
11. Juchhe! Juchhe! der Wein ist da
12. Der Winter – Einleitung
13. Nun senket sich das blasse Jahr
14. Licht und Leben sind geschwacht
15. Gefesselt steht der breite See
16. Hier steht der Wandrer nun
17. So wie er naht, schallt in sein Ohr
18. Knurre, schnurre, knurre!
19. Abgesponnen ist der Flachs
20. Ein Madchen, das auf Ehre hielt
21. Vom durren Osten dringt ein scharfer Eishauch
22. Erblicke hier, betorter Mensch
23. Wo sind nun, die hoh’n Entwurfe
24. Dann bricht der grose Morgen an!

Gundula Janowitz – Soprano
Werner Hollweg – Tenor
Walter Berry – Bass
Chor der Deutsches Oper, Berlin
Berliner Philharmoniker

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

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André Campra (1660-1744) e François Couperin (1668-1733): Salve Regina (Petits Motets)

Um bonito disco de música sacra francesa da época de Rameau e Lully. Campra escreveu várias “tragédias em música”, mas seu principal mérito foi o de ser o criador de um novo gênero, a ópera-ballet, que deve ser ainda pior do que a ópera… Ele também escreveu três livros de cantatas, bem como música religiosa, incluindo um réquiem. Já Couperin — muito mais famoso —  era um “músico poeta” que acreditava na “habilidade da música para expressar-se em “sa prose et ses vers” (sua prosa e sua poesia). Ele acreditava que se entrássemos na poesia da música, descobriríamos que ela é “plus belle encore que la beauté” (mais bela que a beleza).

Um disco para quem ama este período francês, o que está longe de ser o meu caso.

André Campra (1660-1744) e François Couperin (1668-1733): Salve Regina (Petits Motets)

André Campra
1 Salve Regina 5:50

François Couperin
2 Audite Omnes Et Expavescite (Meditatio De Passione Christi) 10:09
3 Respice In Me 5:46
4 Salve Regina 10:48
5 Usquequo, Domine 6:38

André Campra 8:50
6 Insere Domine 8:50

François Couperin
7 Quid Retribuam Tibi Domine 6:23

André Campra
8 Quemadmodum Desiderat Cervus 9:12
9 Florete Prata 9:10

Paul Agnew
Anne-Marie Lasla
Les Arts Florissants
William Christie

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O franco-norte-americano Willam Christie dirige seu Les Arts Florissants

O franco-norte-americano Willam Christie dirige seu Les Arts Florissants

PQP

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Béla Bartok (1881-1945): Concerto para Violino & Orquestra Nº 2 / Norbert Moret (1921-1998): En Rève

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Só elogios. Um tremendo CD! O Concerto para Violino Nº 2 de Béla Bartók, escrito entre 1937 e 1938, foi dedicado ao violinista virtuoso húngaro Zoltán Székely, que pediu a composição em 1936. Trata-se de um exemplo de primeira qualidade do estilo verbunkos. Verbunkos é um gênero musical e dança húngaros do século XVIII, atribuído aos ciganos. Bartók compôs o concerto em uma difícil situação de vida. Havia na Hungria uma grande preocupação pela força crescente do fascismo. Ele tinha uma firme posição antifascista, e por isso tornou-se o alvo de vários ataques na Hungria pré-guerra. Entretanto, a composição está escrita com uma atmosfera particularmente otimista.

Talvez seja esta a melhor versão disponível do 2º Concerto de Bartók. Mutter e Ozawa trazem toda a beleza de uma das peças preferidas de PQP Bach. O primeiro movimento é uma peça difícil de levar a cabo. De início simples e melodioso, complica muito depois. Mutter dá andamento natural a toda a música sem perder o contato com seus aspectos ciganos. Eles estão sempre lá. Grande intérprete da música contemporânea, Mutter gravou um grande número de obras compostas especialmente para ela. En Rève (Sonhando) é um exemplo típico. É uma estreia muito boa de Moret em nosso blog. O competente Seiji Ozawa faz um trabalho impecável.

Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117
1 Allegro non troppo 16:16
2 Andante tranquillo – Allegro scherzando – Tempo I 9:58
3 Allegro molto 12:21

Concerto for violin & orchestra “En rêve”
4 Lumière vaporeuse. Mystérieux et envoûtant 7:13
5 Dialogue avec l’Étoile 5:44
6 Azur fascinant (Sérénade tessinoise). Exubérant, un air de fête 6:40

Anne-Sophie Mutter
Orquestra Sinfônica de Boston
Seiji Ozawa

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Mutter e Ozawa: imbatíveis neste repertório

Mutter e Ozawa: imbatíveis neste repertório

PQP

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Almeida Prado (1943-2010): Victoria Kerbauy canta Almeida Prado

kerbauyEste CD foi produzido após um minucioso processo de recuperação e remasterização de fitas cassetes de diversas épocas com gravações particulares que registraram informalmente os concertos. Essas gravações careciam de qualidade técnica, mesmo porque não foram utilizados equipamentos profissionais. Alguns ruídos, defeitos e distorções não puderam ser eliminados por completo, mas certamente o material aqui apresentado possui irrefutável valor histórico.

Victoria Kerbauy canta Almeida Prado

1. Modinha nº 1 “A saudade é matadoura”, opus 1
2. Trem de ferro
3. A minha voz é nobre
4. Rosamor
5-7. Lembranças do coração
8-10. Três canções: I. Manhã molhada; II. Bem vinda; III. O Luandê-luá
11-13. Três episódios de animais: I. Sinimbu; II. Tamanduá; III. Anta
14-25. Portrait de Nadia Boulanger
26-28. Livro Brasileiro – II caderno: I. à noite; II. à manhã; III ao sol
29-32. Quatro poemas de Manuel Bandeira: I. Andorinha; II. Teu nome; III. Belo belo; IV. A estrela
33-42. Espiral II

Victoria Kerbauy, soprano
Almeida Prado, piano

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José Antônio Rezende de Almeida Prado (1943-2010)

José Antônio Rezende de Almeida Prado (1943-2010)

PQP

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Pablo de Sarasate (1844-1908) – Sarasate – Julia Fischer, Milana Chernyavska

51izaybKDrLEntão Julia Fischer gravou um cd inteiro dedicado a Pablo de Sarasate, o grande violinista espanhol do século XIX, um dos maiores instrumentistas de todos os tempos.

Confesso que até então conhecia dele apenas a “Carmen Fantasy”, baseado na famosa ópera de Bizet. Dez entre cada dez violinistas tem eu seu repertório alguma peça do espanhol para o bis. Suas peças são difíceis, extremamente técnicas, e exigem do solista muito virtuosismo. Digamos que Sarasate tenha sido o Paganini da segunda metade do século XIX, em matéria de fama e sucesso enquanto violinista. Outra cusiodade sobre ele é que o compositor Camile Saint-Säens compôs em sua homanagem sua famosa a “Introduction and Rondo Capriccioso”.

Estou anexando ao arquivo o booklet onde Julia Fischer explica os motivos por ter gravado um CD inteiro dedicado ao violinista espanhol. A alemãzinha já é conhecida aqui no PQPBach, e seu talento é mais que reconhecido. Vale a pena conhecer esse CD.

01. Danzas españolas 4 Helf, op.26 – VII. Vito
02. VIII. Habanera
03. Jota Aragonesa, op.27
04. Serenata andaluza, op.28
05. El canto del ruiseñor, op.29
06. Danzas españolas 1 Helf, op.21 – I. Malagueña
07. II. Habanera
08. 2 Helf, op.22 – III. Romanza Andaluza
09. IV. Jota Navarra
10. 3 Helf, op.23 – V. Playera
11. VI. Zapateado
12. Caprice Basque, op.24
13. Zigeunerweisen, op.20

Julia Fischer – Violin
Milana Chernyavska – Piano

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Julia Fischer tem um belo sorriso, não tem?

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Estevão de Brito (1575-1641) – Officium Defunctorum

COISA LINDA !!!

Tem na Amazon: aqui.

Devido à escassez dos arquivos causada pelo terramoto de 1755, pelas invasões francesas e pelas várias revoluções, poucas referências temos à vida de Estevão de Brito em Portugal. Sabemos apenas que terá nascido em Serpa, cerca de 1575, tendo depois ido para Évora, onde estudou com Filipe de Magalhães. Assim, Brito é um dos representantes da chamada terceira geração da escola de Évora, a par de figuras como Lopes Morago, Frei Manuel Correia (igualmente alunos de Magalhães), António Fernandes e Manuel Machado (discípulos de Duarte Lobo). A grande qualidade da sua obra é atestada pelo seu percurso profissional, inteiramente decorrido em Espanha, numa época em que teve de competir com compositores formados pelas escolas das grandes catedrais de Espanha, incluindo a Catedral Flamenga de Madrid. Estevão de Brito foi nomeado Mestre de Capela da Catedral de Badajoz em 1597, sendo no entanto provável que já lá desempenhasse funções desde finais do ano anterior. Em 1605, Brito regressa a Évora, convalescendo de uma doença, e trazendo uma mensagem do cabido da catedral para o Arcebispo de Évora, pedindo concordância para a sua ordenação. Foi efectivamente ordenado em 1608 tendo sido, no mesmo ano, nomeado capelão do coro. As obras mais importantes escritas por Brito nos seus anos em Badajoz são, provavelmente, os seus vilancicos para as festas do Natal e Corpo de Deus. Como se tornou hábito no séc. XVII, o mestre de capela era dispensado das suas funções habituais para ter tempo para a composição dos vilancicos, cujas primeiras audições eram aguardadas ansiosamente. Assim, Brito obteve sistematicamente dispensas dos cabidos de Badajoz e Málaga durante toda a sua vida para este efeito. Infelizmente, e apesar de constarem trinta e um, de três a dez vozes, do catálogo da Livraria del Rey D. João IV, não chegaram até nós quaisquer vilancicos da autoria de Estevão de Brito.
Em 1613, Estevão de Brito foi eleito entre cinco candidatos (sendo os outros Francisco Paéz, Juan Gutiérrez, Martínez Avalos e Fulgencio Méndez) para o posto de mestre de capela da Catedral de Málaga, sucedendo a Francisco Vázquez. E importante não esquecer que no séc. XVI Cristóbal de Morales tinha também estado em Málaga, razão pela qual Brito tomou contacto com a obra deste grande mestre espanhol da Renascença.
Apesar de lhe ter sido oferecido o posto de Mestre de Capela da Capela Real, em Madrid, Brito permaneceu em suas funções em Málaga até à sua morte, em 1641, conservando-se na Catedral desta cidade toda a sua produção musical que chegou até nós.

O Officium Defunctorum de Estevão de Brito encontra-se num livro de facistol, na catedral de Málaga e compreende três lições, do ofício de Matinas, a missa de defuntos, três motetos fúnebres e dois responsórios. O manuscrito contém ainda uma Pro Defundis Missa e um moteto da autoria de Cristóbal de Morales. As três lições, com textos do livro de Job, são a 1ª, 4ª e 7ª das Matinas, ou seja, a primeira de cada Nocturno. No entanto, não era intenção do autor que fossem executadas em liturgia no mesmo dia, destinando-se a primeira às segundas e quintas feiras, a segunda às terças e sextas feiras e a terceira às quartas feiras e sábados. Os textos do Breviarium Romanum tridentino são respeitados na íntegra. A nível musical notamos influências de Morales e de Victoria, cujo Officium Defunctorum contém também uma lição das Matinas, a 2ª Taeclet animam meam. Porém, Brito não é tão rígido na utilização da homofonia, utilizando, por vezes frases imitativas e madrigalismos. (…)
De acordo com o Prof. Dr. Aires Nascimento, a pronúncia do texto encontrar-se-ia na linha tradicional da pronúncia do latim. Excluímos assim a pronúncia italianizada ou romanizada utilizada nos meios eclesiásticos e que data do início deste século.
(extraído do encarte)

Mas muito, muito bom mesmo! Ouça! Ouça! Deleite-se!

Estevão de Brito (1575-1641)
Officium Defunctorum

01. Parce Mihi, Domine
02. Responde Mihi
03. Spiritus Meus Attenuabitur
04. Introitus – Requiem Aeternam
05. Kyrie
06. Graduale – Requiem Aeternam
07. Tractus – Absolve, Domine
08. Offertorium – Domine Jesu Christe
09. Sanctus
10. Agnus Dei
11. Communio – Lux Aeterna
12. Ad Dimittendum – Requiescat in Pace
13. Circumdederunt Me
14. Homo Natus de Muliere
15. Heu, Domine
16. Libera Me, Domine
17. Memento Mei
18. Ad Dimittendum – Requiescat in Pace

Grupo Vocal Olisipo
Armando Possante, regente
Saint Georges Church, Lisboa, 1995

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – PQPShare 154Mb

Sabe aquela coisa de fazer um comentário? Eu ainda gosto. Pode comentar, pessoal!

Bisnaga

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.:interlúdio:. Oliver Nelson & Eric Dolphy: Straight Ahead

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma obra-prima e ponto final. Um dos melhores discos que já ouvi. Talvez merecesse ser conhecido como O ELOGIO AO CONTRASTE. O disco original é de Oliver Nelson, mas, com o tempo, passou a ser creditado também ao genial Eric Dolphy. Com toda a razão. Nelson e Dolphy estavam em seus auges e é surpreendente que se entendessem tão bem a ponto de realizarem vários trabalhos juntos. Por quê? Ora, Oliver é um solista melódico, tranqüilo, desses que buscam um som puro e fluente; enquanto isso Eric, bem, Eric era de rigorosa selvageria. Uma maravilha.

Ouçam o belíssimo tema dissonante de Images, depois prestem bem atenção ao solo de Oliver Nelson e logo ouçam a invenção absolutamente anárquica na entrada em cena de Eric Dolphy. Na verdadeira luta travada entre o bem-comportado (e belo melodismo) de um e a assustadora imaginação de outro, está o melhor de Oliver Nelson como compositor e o melhor de Dolphy como solista de sax e clarone.

Images, ou a perfeição:

Oliver Nelson & Eric Dolphy: Straight Ahead

1. Images
2. Six And Four
3. Mama Lou
4. Ralph’s New Blues
5. Straight Ahead
6. 111-44

Oliver Nelson: alto saxophone, tenor saxophone, clarinet
Eric Dolphy: alto saxophone, bass clarinet, flute
Richard Wyands: piano
George Duvivier: bass
Roy Haynes: drums

Recorded at the Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey on March 1, 1961.

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Dolphy: espetacular contraste com Nelson

Dolphy: espetacular contraste com Nelson

PQP

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.: interlúdio :. Diana Krall – The Look Of Love

The Look Of Love 013A clássica canção de Burt Bacharach dá nome a este impecável CD, da nossa diva canadense Diana Krall. Além de linda, ela toca piano e canta divinamente. Entenderam o porque de “Diva”?  Sua voz parece sempre um sussurro, e ela sabe trabalhar seu timbre com uma sensualidade única, nunca forçada.

Os arranjos deste CD foram feitos pelo lendário maestro e produtor Claus Ogerman, que também conduz a Sinfônica de Londres além da Los Angeles Session Orchestra. E estes arranjos são um detalhe a parte deste CD. A canção de Burt Bacharach, ” The Look of Love” , é um primor de sensibilidade, clareza e objetividade. O grupo de músicos que acompanha Diana é de primeira, com brasileiros entre eles, como o percussionista Paulinho da Costa e Dori Caymmy.

Diana Krall – The Look Of Love

01. S’Wonderful
02. Love Letters
03. I Remember You
04. Cry Me A River
05. Besame Mucho
06. The Night We Called It A Day
07. Dancing In The Dark
08. I Get Along Without You Very Well
09. The Look Of Love
10. Maybe You’ll Be There

Diana Krall – Piano, Vocals
Christian McBride – Bass
Jeff Hamilton – Drums
Peter Erskine – Drums
Paulinho da Costa – Percussion
Dory Caymmy – Guitar
Russel Malone – Guitarra

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The Look Of Love 013

Diana Krall – Beleza e talento a serviço da música

 

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