Modest Mussorgsky (1839-1881): Quadros de uma Exposição (ao piano e em versão orquestral)


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu acho este CD extraordinário. Primeiro, Ashkenazy dá sua interpretação aos Quadros no piano, onde dá um show; depois rege a Philharmonia Orchestra numa versão orquestral que não é a de Ravel, é sua. Não tenho a versão de Ravel em meus ouvidos para poder fazer comparações, porém digo que a versão de Ashkenazy é muito boa. Certamente sua versão fica mais próxima ao estilo de Mussorgsky — vide a ópera Boris Godunov cuja sonoridade voltei a ouvir neste Quadros — do que a orquestração também brilhante, mas muito mais limpa e ocidental, de Ravel.

Quadros de uma Exposição foi moda nos anos 70. Foram feitas dezenas de gravações — na versão original e na de Ravel — a partir de um surpreendente trabalho realizado por Emerson, Lake & Palmer. Voltei a ouvi-la também ontem. Totalmente ELP, mas nada má e com momentos bastante divertidos.

Mussorgsky: Quadros de uma Exposição (ao piano e em versão orquestral)

1. Pictures at an Exhibition – for Piano – Promenade – Gnomus 4:06
2. Pictures at an Exhibition – for Piano – Promenade – The Old Castle 5:10
3. Pictures at an Exhibition – for Piano – Promenade – The Tuileries – Bydlo 3:48
4. Pictures at an Exhibition – for Piano – Promenade – Ballet of Unhatched chicks – 2 Polish Jews 4:11
5. Pictures at an Exhibition – for Piano – The Market Place at Limoges – The Catacombs 6:36
6. Pictures at an Exhibition – for Piano – The Hut on Fowls Legs – The Great Gate of Kiev 8:28

Vladimir Ashkenazy, piano

7. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – Promenade – Gnomus 4:02
8. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – Promenade – The old castle 5:24
9. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – Promenade – Tuileries – Bydlo 3:54
10. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – Promenade – Ballet of the unhatched chicks – 2 Polish Jews 4:33
11. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – Promenade – The Market Place at Limoges 7:03
12. Pictures at an Exhibition – Orchestrated by Vladimir Ashkenazy – The Hut on Fowls Legs – The Great Gate of Kiev 9:09

Philharmonia Orchestra
Vladimir Ashkenazy, regente

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Vladi no piano e na regência
Vladi no piano, na regência e vestindo a camiseta de Sibelius, que faz 150 anos de nascimento este ano.

PQP

23 comments / Add your comment below

  1. A orquestração do Ashkenazy é excelente! Vários momentos são inclusive mais bem bolados que a orquestração raveliana, como “Bydlo”, por exemplo.

    No “Guía del Mundo Clásico” (link ao lado) há mais orquestrações diferentes do “Quadros”: a do Stokowski, que é ótima; a do Naoumoff para piano e orquestra, bem esquisita; e um pot-pourri maluco costurado pelo Slatkin, em que cada quadro ganha uma orquestração de um autor diferente.

    Tenho cá um gosto meio mórbido pelos arranjos do velho Stoki. Mas reconheço a versão do Ashkenazy como das melhores orquestrações “alternativas” que já ouvi dessa obra-prima. Pergunta: seria a versão de Ravel insuperável?

  2. É impressionante mesmo.

    Aliás, tenho curiosidade de ouvir a orquestração do nosso Mignone. Dizem que existe. Será?

    Falando em Mignone: Ciço, estou ouvindo o “Maracatu do Chico Rei” e “Festa das igrejas”, música lindíssima!

  3. Achei essa orquestração bem interessante, baixei este CD no Avax há uns meses e me surpreendi, pois implico um pouco Ashkenazy – talvez seja pelo seu estranho beethoven.

    O Rach que postou com ele também é muito bom, não conhecia as obras. Também gosto do seu Sibelius.

    Seria interessante também orquestrações do Korsakov e de Tchaikovsky, gosto do estilo deles.

  4. Esta versão é realmente excelente, e fica com uma vantagem muito boa: Ashkenazy seguiu a risca o original de piano de Mussorgsky, ao contrário de Ravel (que omitiu uma Promenade, além de erros em Bydlo – que NÃO começa pp, mas ff; e uma nota errada no final de “dois judeus-rico e pobre”)…

    Ravel era um orquestrador nato, e sua versão é maravilhosa, mas pouco “Mussorgskyana”… A de Styokowski talvez seja a mais russa (mas com muitas omissões) e a de Ashkenazy a mais precisa.

    Mas… (puristas, NÃO leiam o que vou escrever a seguir!!!) a MELHOR adaptação de Gnomo é a.. do EMRSESON, LAKE & PALMER !! Mussorgsky deveria ter adorado !!!! Nenhuma outra tem o clima fantasmagórico tão forte, como a maquete de quebra-nozes em forma de gnomo sugere, como a do ELP ! Neste ponto, sua versão original (ao vivo em 1971) é fantástica, mas a reunião da banda em 1992 tem uma versão melhor ainda (DVD Live at Royal Albert Hall)

    Abraço a todos, Eduardo

  5. Eu ouvi falar que na partitura original para piano, um trecho chamava a atenção o fato de pedir um ‘crescendo’.
    Talvez o Moussorgsky já pensava em orquestrar a obra.

  6. Por falar em Mussorgsky, que tal postar a “Feira de Sorochintsy” e “Uma Noite no Monte Calvo”(com versão orquestral do próprio Mussorgsky)? São obras interessantes na mesma medida em que são raras (e são bastante raras).

    1. Eu não sou muito fã do Yamashita, mas tenho que concordar. Acho que essa sua adaptação é mais importante pelas suas contribuições para o avanço das técnicas do violão, do que pela versão que faz da peça de Mussorgsky. No mundo violonístico, essas contribuições ainda não foram totalmente digeridas.

  7. Bom dia!!
    Primeiramente gostaria de agradecer o teu maravilhoso trabalho na divulgação dessas preciosidades, tão necessarias neste cenario de hoje.
    Gostaria de saber se eu poderia ter disponivel novamente a obra de Mussorgsky “Pictures at an Exibitin” na versão para piano, pois o que existe no seu site esta desativado
    Agradeço
    Marcos

  8. Eu sou maluco pelo Mussorgsky. Engraçado que convencionou-se sempre que se fala no ELP, abrir um mas… explicativo, como se se desculpando. No romance do Chabon, Telegraph Avenue, os fanáticos em jazz da loja de vinis usados tinham o maior preconceito contra ELP. Eu até entendo porque (isso veio dos exageros de posuras do Emerson, com seu lança-foguetes e seu Moog balançando de um lado para outro em cima da mola de sustentação_ e da capa ridícula do Love Beach, claro). Mas os caras eram fantásticos! Seus seis primeiros álbuns tem uma qualidade musical inigualável. E o experimento jazzístico dos dois volumes de Works são bastante respeitáveis. (Eu gosto muito também da emulação meio açucarada que o krautrock fez para eles: a banda Triumvirat.)

    Abraços.

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