Sacra Vox – Música coral sacra contemporânea brasileira

sacra voxPelo título do CD, percebe-se o nicho de repertório no qual o grupo coral carioca Sacra Vox é especializado. Estive no concerto de lançamento deste álbum – em junho de 2007, na Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro – e fiquei contentei por um segmento tão específico ter conseguido fazer florescer obras tão boas quanto as deste disco. Se seus ouvidos são abertos às linguagens contemporâneas, quando bem utilizadas, eis uma boa experiência à qual você pode se lançar sem receios.

Porém, se você acha que tudo que se faz aqui no Brasil é reciclagem do que se faz no resto do mundo, que as gravações sempre deixam a desejar, que as interpretações idem etc. etc. não discordo totalmente – apenas lamento que isso seja muitas vezes um ponto de partida para não se experimentar a música clássica brasileira. Fiz esse adendo porque, por exemplo, ainda me surpreendo com a relativamente baixa quantidade de downloads dos concertos para violino de Guarnieri ou das obras de Amaral Vieira em geral (ainda que este tenha uma claque fiel no blog). Se não consigo ser persuasivo o suficiente pra quebrar uma resistência irracional ou pelo menos para fazer alguém experimentar e me dizer “não gostei” (no caso do Concerto para piano de Hekel Tavares), só me resta forjar dados nas próximas postagens, tal qual: José Siqueira com a Filarmônica de Berlim, Radamés Gnatalli por Maurizio Pollini ou Francisco Mignone nas mãos de Martha Argerich (risos).

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Sacra Vox – Música coral sacra contemporânea brasileira

1-2. Kyrie & Gloria – Rodrigo Cicchelli
3. Árvore da vida – Eduardo Biato
4-7. Atalanta Fugiens II – Pauxy Gentil Nunes
8. Buscando a Cristo – Marcos Vinicio Nogueira
9-12. Missa Brevis in honorem Sancti Francisci Assisiensis – Ernani Aguiar
13. Glória – Roberto Macedo Ribeiro
14-18. Sacra Cantilena – João Guilherme Ripper
19. Ave Maria – Jorge Armando

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Sacra Vox: alto nível de interpretação
Sacra Vox: alto nível de interpretação

CVL

10 comments / Add your comment below

  1. Acho que o problema está mesmo na cabeça dos brasileiros e não pode ser atribuído à qualidade da música ou dos intérpretes nacionais. Temos ainda mentalidade de país colonizado, que considera “bom e ótimo” somente aquilo que vem de fora, da “matriz”. Nossos compositores e intérpretes têm valor intrínseco e isto tem pode ser facilmente comprovado através das muitas gravações postadas neste site. É baixar e ouvir (nem que seja para depois dizer “não gostei”, como bem escreveu o CVL). Mas sem baixar e (consequentemente) sem escutar, a coisa fica complicada. Continuarei baixando todas as postagens de música brasileira, com grande prazer. Obrigado pela atitude corajosa, CVL. Podemos ser poucos, mas seremos eternamente gratos por você ter abraçado esta causa.

  2. Como diz um ditado hungaro “a cada um é dado o direito de sua idiota opinião” ou alguma coisa assim. O problema, em minha “idiota opinião”, é o perigo de sermos reacionários ou colonialistas. Ambos os lados trouxeram prejuízos para a nossa cultura no passado, bem como atualmente. Podemos considerar o caso de Henrique Oswald, que de Brasileiro tinha “apenas” a alma, mas cujas composições se distanciavam do ideal nacional pregado por nomes como Oswald de Andrade e Vila-Lobos e seguido cegamente como se o brasileiro fosse apenas negro ou indio, renegando a influencia cultural recebida por heranca de nossos antepassados europeus, sejam eles imigrantes portugueses, italianos ou suicos, ou mesmo negros escravos “importados”. O fato é que o Brasileiro é composto de uma mistura abençoada de “raças” e culturas, o que nos torna tão ecléticos, ou pelo menos há aí o potencial.
    Mas como Jesus diz “Não há profeta sem honra a não ser em sua própria terra”. Mas de qualquer forma, continuemos a “contagiar” nossos conterrâneos e viva a música Brasileira!

  3. Entre risos fiquei a imaginar se isto realmente acontecesse:
    “só me resta forjar dados nas próximas postagens, tal qual: José Siqueira com a Filarmônica de Berlim, Radamés Gnatalli por Maurizio Pollini ou Francisco Mignone nas mãos de Martha Argerich “.
    Que fantástico seria… Talvez complementando este hipotético e forjado post com Rostropovich interpretando Camargo Guarnieri!

  4. Entre risos fiquei a imaginar se isto realmente acontecesse:
    “só me resta forjar dados nas próximas postagens, tal qual: José Siqueira com a Filarmônica de Berlim, Radamés Gnatalli por Maurizio Pollini ou Francisco Mignone nas mãos de Martha Argerich “.
    Que fantástico seria… Talvez complementando este hipotético e forjado post com Rostropovich interpretando Camargo Guarnieri!

  5. Grato por restaurar, não escutei ainda mas vou escutar e baixar tudo de brasileiro que tiver. Quem não baixa por que é música brasileira não é brasileiro, é estrangeiro disfarçado.

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