A Família das Cordas – Violino Piccolo – Grigori Sedukh

gscd– Um álbum só de violino piccolo, Vassily?

Quase.

Desde a primeira vez em que escutei os Concertos de Brandenburg de Bach, chamou-me a atenção aquele violininho serelepe e pungente a buscar espaço com valentia em meio aos tantos sopros do Concerto no. 1:

Nunca mais ouvi falar do tal violino piccolo, de tamanho a um violino 3/4 para jovens, com algumas diferenças de construção e que soa uma terça acima dos violinos convencionais, até encontrar alguns vídeos do ucraniano Grigoriy Sedukh tocando o que chamava de piccolo em peças convencionais do repertório violinístico.

Sem ler muito as letras miúdas, comprei seu CD (lançado pelo pitorescamente batizado selo “The Catgut Acoustic Society Co.”) para só depois descobrir – mais surpreso, talvez, que decepcionado – aquela história do gato comprado por lebre.

Pois aqui Sedukh não toca exatamente o instrumento de que Bach lançara mão, mas sim num chamado “violino sopranino”, que soa uma oitava acima do violino convencional e que tem, guardadas as proporções, as mesmas proporções deste. A gravação inclui somente uma faixa com um instrumento semelhante ao piccolo barroco, o  “Adagio” de Grazioli, executado num violino dito “soprano” (uma quarta acima do convencional, mais ou menos como o piccolo), além de uma peça num “mezzo” (afinado exatamente como o convencional).

O repertório é um balaio de gatos que, obviamente, não tem razão outra de ser que não a de exibir as qualidades dos instrumentos e do intérprete. Eu acho estranho abrir uma gravação com a Polonaise de Bach, que é uma obra que parece já começar no meio, mas depois as coisas melhoram bastante. Sedukh é bom violinista e, neste pequeníssimo nicho musical, mostra-nos um bom cartão de visitas.

GRIGORYI SEDUKH – VIOLIN SOLOIST

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Suíte Orquestral no. 2 em Si menor, BWV 1067
01 – Polonaise
02 – Badinerie

Giovanni Battista  GRAZIOLI (1756-1820)
03 – Adagio*

Niccoló PAGANINI (1782-1840)
04 – Sonatina no. 1 para violino e violão
05 – Sonatina no. 3 para violino e violão

Joseph Joachim RAFF (1822-1882)
06 – Cavatina, Op. 85 no. 3

Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
07 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Entrée et Adagio
08 – Álbum para a Infância, Op. 39 – no. 22: Canção da Cotovia
09 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Adagio †
10 –  O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Dança Russa

Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
11 – Thaïs – Méditation

Nikolay Andreyevich RIMSKY-KORSAKOV (1844-1908)
12 – A Lenda do Czar Saltan – O Vôo do Zangão (Шмель, Mamangaba)

Riccardo Eugenio DRIGO (1846-1930)
13 – Les Millions d’Arlequin – Adagio

Friedrich (Fritz) KREISLER (1875-1962)
14 – Marcha dos Soldados de Brinquedo

Grigoryi Sedukh, violinos sopranino, *soprano e † mezzo
Inga Dzektser, piano

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Vassily Genrikhovich

Dzektser, Sedukh - e violinos para todos os gostos
Dzektser, Sedukh – e violinos para todos os gostos

 

A Família das Cordas: Violoncello Piccolo – Anner Bylsma

61NLGHcQ7ML._SY355_Encerramos a série d’A Família das Cordas e voltamos à nossa programação normal?

Nah-nah: temos que postar alguma coisa do violoncello piccolo, que não será estranho àqueles que escutaram o bonito O Tenor Perdido, álbum duplo de Dimos Goudaroulis e Nicolau de Figueiredo.

Quem entre vós outros se dá o trabalho, entre os cliques frenéticos nos links de download, de prestar um pouquinho de atenção nos textos que escrevemos, vai lembrar que já contamos algo da história desse instrumento na postagem d’O Tenor Perdido. Como supomos, no entanto, que vocês sejam poucos, tamanho o disparate entre o número de downloads e o de comentários que recebemos, vou repetir. Aliás, eu não: deixo o próprio Goudaroulis repetir (até porque o Estadão não me deixa colar aqui seu interessante texto).

O ótimo Anner Bylsma lança mão deste tenor de bonito timbre e irrisório repertório para tocar transcrições de obras de Johann Sebastian Bach para flauta e violino solo. Bylsma usaria o mesmo instrumento para fazer, junto com o cravista Bob van Asperen, uma maravilhosa gravação das Sonatas BWV 1027 a 1029, originalmente para a viola da gamba, que algum dia será polinizada por este muito acessado, mas pouco comentado blogue.

ANNER BYLSMA – VIOLONCELLO PICCOLO – JOHANN SEBASTIAN BACH

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Partita no. 3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006

01 – Prelude
02 – Loure
03 – Gavotte en rondeau
04 – Gavotte I-II
05 – Bourrée
06 – Gigue

Partita em Lá menor para flauta solo, BWV 1013 (transposta para Sol menor)

07 – Allemande
08 – Courante
09 – Sarabande
10 – Bourrée anglaise

Sonata no. 2 em Lá menor para violino solo, BWV 1003

11 – Grave
12 – Fuga
13 – Andante
14 – Allegro

Anner Bylsma, violoncello piccolo e transcrições

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Algumas pessoas que conhecem Bylsma só pelo nome acham que ele seja uma mulher. O rapaz que me vendeu este CD também achava o mesmo e, imaginando uma neerlandesa pernuda, ficou um pouco chateado com a revelação. Bylsma, pelo jeito, também ficou.
Algumas pessoas que conhecem Bylsma só pelo nome acham que ele seja uma mulher. O rapaz que me vendeu este CD também achava o mesmo e, imaginando uma neerlandesa pernuda, ficou um pouco chateado com a revelação.
Bylsma, pelo jeito, também ficou bicudo.

Vassily Genrikhovich

A Família das Cordas: Der Arpeggione – Gerhart Darmstadt

CD esgotado!
CD esgotado!

Pensaram que tínhamos esgotado a família dos arcos? Nah: nós nos lembramos do esquecido arpeggione, que gozou de breve voga no começo do século XIX, quando um visionário fabricante de violões teve a ideia, que certamente considerou brilhante, de construir um violão que se tocava com um arco.

Sim, ideia medonha.

E não fosse um Schubert a lhe dedicar uma ótima sonata (que hoje faz parte do repertório de violistas e violoncelistas), hoje ninguém sequer se lembraria da criação de Herr Johann Georg Stauffer.

Taí o bicho.
Ei-la

 

Não pensem, entretanto, que esse ostracismo do arpeggione foi imerecido: o som do instrumento é acanhado, o que dificultava tanto seu uso em grandes salas de concerto quanto seus duos com outros instrumentos. Além disso, os trastos – exatamente iguais aos dos violões – e a pouca tensão nas cordas acarretavam problemas de articulação, que são notórios nas poucas gravações disponíveis no mercado, e mesmo nas mãos de especialistas. Um deles é Nicolas Deletaille, que já deu o ar de sua graça aqui a tocar a Sonata “Arpeggione” de Schubert com acompanhamento do incansável Paul Badura-Skoda e, depois de trocar seu arpeggione por um violoncelo, juntar-se a um quarteto de cordas no maravilhoso Quinteto D. 956 do mesmo compositor.

O outro é Gerhart Darmstadt, que estrela este álbum que, logicamente, serve a “Arpegionne” como prato principal, junto com um punhado de outras peças originais para o instrumento e de uma pitada de outras transcrições – algumas delas feitas por um certo Vincenz Schuster, que foi amigo de Schubert e carrega a distinção de ter sido o único, er, ARPEGGIONISTA profissional de toda a história do planeta. O acompanhamento – a cargo de um pianoforte de som bem menos robusto que um piano moderno e de uma guitarra romântica com cordas de tripa – tem o mérito de não sufocar o algo fanhoso protagonista.

DER ARPEGGIONE – GERHARDT DARMSTADT

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

01 – Sonatina (Adagio) em Dó menor, WoO 43a
02 – Árias Nacionais, Op. 107 – no. 7: Ária russa em Lá menor

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

03 – Quatro Canções do “Wilhelm Meister” de J. W. von Goethe, D. 877 – no. 4: Lied der Mignon em Lá menor

Franz Peter SCHUBERT

Sonata para arpeggione e pianoforte em Lá menor, D. 821

04 – Allegro moderato
05 – Adagio
06 – Allegretto

Louis (Ludwig) SPOHR (1784-1859)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

07 – Tempo di Polacca em Lá maior, da ópera “Faust”

Bernhard Heinrich ROMBERG (1767-1841)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

08 – Adagio em Mi maior

Folclore UCRANIANO
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra

09 – Schöne Minka – Moderato em Lá menor

Johann Friedrich Franz BURGMÜLLER (1806-1874)

10 – Noturno em Lá menor para arpeggione e guitarra

Gerhardt Darmstadt, arpeggione
Egino Klepper, pianoforte
Björn Colell, guitarra romântica

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Se fosse para reviver o arpeggione com esse formato, ele seria um sucesso instantâneo - ainda mais com esse gorrinho
Se fosse para reviver o arpeggione com esse formato (e com esse gorrinho) ele seria um sucesso instantâneo.

Vassily Genrikhovich

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra


Bernstein, faltou o quê? A Filarmônica de Viena? O Fischer-Dieskau? Faltou o quê, hein? Leonard Bernstein, um maestro que tinha especialíssima vinculação e compreensão de Mahler, gravou duas vezes A Canção da Terra (Das Lied von der Erde): em Viena (1966) para a Decca e em Israel (1972) para a CBS. Da primeira vez foi absolutamente sublime, da segunda… sei lá. Meus ouvidos dizem que a gravação de 1966 é BEM superior. Não que esta seja ruim, é que o nome do cara é Lenny e a gente sempre espera dele o melhor. Ouçam aí e me digam.

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

1. Gustav Mahler: Das Trinklied vom Jammer der Erde
2. Gustav Mahler: Der Einsame im Herbst
3. Gustav Mahler: Von der Jugend
4. Gustav Mahler: Von der Schonheit
5. Gustav Mahler: Der Trunkene im Fruhling
6. Gustav Mahler: Der Abschied

Christa Ludwig
Rene Kollo
Israel Philharmonic Orchestra
Leonard Bernstein

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Bernstein: prefiro mil vezes os aqueles austríacos disciplinadom a esses judeus
Prefiro mil vezes aqueles austríacos disciplinados

PQP

A Família das Cordas: Per la Viola da Gamba – Hille Perl

51KabaD+lcL._SY355_Se dependesse de mim, cretino gambista subamador, vocês teriam gamba aqui todos os dias.

Como isso acarretaria meu desterro deste pago bloguístico que tanto prezo, eu tento me coordenar. Hoje, entretanto, tenho um bom pretexto: estou a falar dos membros em desuso da Família das Cordas e, ei, a viola da gamba anda, infelizmente, menos em voga do que mereceria.

A situação, claro, já foi pior. É uma lástima, sem dúvidas, que o lindo timbre e som ricamente ressonante da gamba tenham sido preteridos em prol do também belo, mas bem mais robusto violoncelo com cordas de metal, espigão, e outros aditivos mais apropriados a amplas salas de concerto. Por outro lado, é impossível reclamar da qualidade dos gambistas em atividade. Já lhes apresentamos anteriormente o Midas catalão Jordi Savall e o mago italiano Paolo Pandolfo. Hoje, trazemos para vocês Hildegard Perl – Hille, para os íntimos.

Se essas peças todas de Bach serão familiares à maior parte das senhoras e dos senhores, asseguro-lhes que sua roupagem é bastante diferente. A Suíte BWV 1011, transposta para Ré menor, ganha muita riqueza, especialmente nos fugatos do prelúdio. O novo arranjo da Sonata/Suíte BWV 1025, originalmente para violino e cravo e baseada em uma obra para alaúde de Sylvius Leopold Weiss, soa muito mais convincente aqui como trio-sonata, com o alaúde a tocar a parte original de Weiss, e a viola da gamba. Por fim, a Sonata BWV 1029, a única das obras de álbum concebida para a gamba, ganha uma roupagem concertística que a deixa ainda mais parecida com o terceiro Concerto de Brandenburg.

PER LA VIOLA DA GAMBA – HILLE PERL

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 5 para violoncelo solo em Dó menor, BWV 1011
(transcrita para viola da gamba por Hille Perl, transposta para Ré menor)

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Gavotte I-II
06 – Gigue

Sonata (Suíte) em Lá maior para violino e cravo, BWV 1025
(baseada numa Suíte para alaúde de Sylvius Leopold Weiss e transcrita por Hille Perl para alaúde, viola da gamba e contínuo)

07 – Fantasia
08 – Courante
09 – Rondeau
10 – Sarabande
11 – Menuett
12 – Allegro

Sonata para viola da gamba e cravo no. 3 em Sol menor, BWV 1029
(arranjo de Hille Perl para violino, viola da gamba e contínuo)

13 – Vivace
14 – Adagio
15 – Allegro

Hille Perl, viola da gamba baixo
Lee Santana, alaúde
Andrew Lawrence-King, harpa cruzada*
Veronika Skuplik, violino
Barbara Messmer, viola da gamba baixo

* o termo “harpa cruzada” foi o melhor que encontrei para descrever a harpa sem pedais (em inglês, “double harp”). Se houver tradução melhor, peço a gentileza de me fazerem saber.

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Além de boa, é linda. A gamba, claro.
Além de boa, é linda.
A gamba, claro.

Vassily Genrikhovich

A Família das Cordas: Antonio Vivaldi (1678-1741) – Concertos para viola d’amore – Rachel Barton Pine

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Começamos pelos mais velhos, seguimos pela primogênita vítima de bullying, passamos pelo pequeno notável, pelo robusto e pelo brutamontes.

Terminamos?

Claro que não!

Continuamos nossa minissérie sobre a família das cordas abordando aqueles primos afastados, meio esquecidos, de quem quase nunca se ouve falar e dos quais, apesar de nos parecerem esquisitos, sempre tem quem goste.

viola d’amore já tinha quase saído de voga quando Vivaldi escreveu estes concertos que hoje são o cerne de seu repertório. Suas seis a sete cordas tocadas com o arco, e outras tantas ressonando por simpatia sob elas, garantem-lhe um timbre rico e algo, digamos, anasalado, que foi gradualmente preterido em favor daquele mais brilhante do violino.

Em primeiro plano, as sete cordas principais da viola d'amore, que são tocadas com o arco. Sob elas, as sete cordas que ressoam por simpatia.
Em primeiro plano, as sete cordas principais da viola d’amore, que são tocadas com o arco. Sob elas, as sete cordas que ressoam por simpatia.

A violinista Rachel Barton Pine, uma apaixonada pela viola d’amore, esperou muito tempo para finalmente por suas mãos num desses instrumentos, como conta nessa entrevista (em inglês). Depois de muito estudo, e de breves experimentos com o repertório, que incluíram alguns bis de viola d’amore em recitais dedicados ao violino, ela resolveu estrear com a gravação que ora lhes apresento, lançada no mês passado. A discografia desses concertos de Vivaldi, que já contava com ótimas versões de Fabio Biondi e Catherine Mackintosh, enriqueceu sobremaneira com este CD, particularmente pelo adorável, elegante uso que Pine faz do rubato.

VIVALDI – THE COMPLETE VIOLA D’AMORE CONCERTOS
RACHEL BARTON PINE – ARS ANTIQUA

Antonio Lucio VIVALDI (1678-1741)

Concerto em Ré maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 392
01 – Allegro
02 – Largo
03 – Allegro

Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 393
04 – Allegro
05 – Largo
06 – Allegro

Concerto em Fá maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 97
07 – Largo – Allegro
08 – Largo
09 – Allegro

Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 394
10 – Allegro
11 – Largo
12 – Allegro

Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 395
13 – Allegro
14 – Andante
15 – Allegro

Concerto em Lá maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 396
16 – Allegro
17 – Andante
18 – Allegro

Concerto em Lá menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 397
19 – Vivace
20 – Largo
21 – Allegro

Concerto em Ré menor para viola d’amore, alaúde, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 540*
22 – Allegro
23 – Largo
24 – Allegro

Rachel Barton Pine, viola d’amore
*Hopkinson Smith
, alaúde
Ars Antiqua

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Vassily Genrikhovich

Rachel e seu instrumento: "amore" antigo.
Rachel e seu instrumento: “amore” antigo.

 

A Família das Cordas: The Glory of Cremona – Ruggiero Ricci

FrontSerá que um Stradivarius vale tudo o que pedem por ele?

E um Amati? Ou um Guarneri?

Talvez este álbum possa ajudá-los a responder.

Nele, o virtuoso ítalo-americano Ruggiero Ricci (1918-2012) toca, em quinze famosos violinos, várias peças curtas que considera adequadas às características de cada instrumento. Depois, no que é talvez a parte mais interessante do álbum, ele toca o mesmo trecho – o início solo inicial do Concerto no. 1 de Max Bruch – com as mesmíssimas condições de estúdio em cada um dos violinos, a maior parte dos quais leva apelidos que remetem a ex-proprietários célebres. Apesar da overdose de Stradivari, o xodó de Ricci era seu inseparável Guarneri del Gesù (o “Ex-Huberman”, que surpreendemente não aparece nesta gravação), que foi, depois de sua morte, adquirido por uma companhia japonesa e cedido à violinista japonesa Midori Gotō.

A “Glória de Cremona” a que se refere o título é a rica tradição de luteria daquela cidade, que teve seu pináculo entre os séculos XVI e XVIII através de luthiers da estirpe de Stradivari, Guarnieri, Bergonzi, Amati e da Salo, cujos preciosos instrumentos são, há já muito tempo, o privilégio dos maiores virtuosos.

THE GLORY OF CREMONA – RUGGIERO RICCI

Jean-Antoine DESPLANES [Giovanni Antonio Piani] (1678-1760)
01 – Intrada [violino de Andrea Amati, c. 1560-170]

Pietro NARDINI (1722-1793)
02 – Larghetto [violino de Antonio Stradivari, “ex-Rode”, 1733]

Antonio Lucio VIVALDI (1678-1741)
03 – Praeludium [violino de Nicolò Amati, 1656]

Niccolò PAGANINI (1782-1840)
04 – Cantabile e Valzer [violino de Antonio Stardivari, “Il Monasterio”,1719]

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
arranjo de Carl Friedberg (1872–1955)
05 – Adagio [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Plowden”, 1735]

Dmitri Borisovich KABALEVSKY (1904-1987)
06 – Improvisation, Op. 21 no. 1 [violino de Antonio Stradivari, “Il Spagnolo”, 1677]

Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
07 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 2: Mélodie [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Lafont”, 1735]

Francesco Maria VERACINI (1690-1768)
08 – Largo [violino de Gasparo da Salo, ca. 1570-80]

Maria Theresia von PARADIS (1759-1824)
arranjo de Samuel Dushkin (1891-1976)
09 – Sicilienne [violino de Carlo Bergonzi, “Il Constable”, 1731]

Jenő HUBAY (1858-1937)
10 – The Violin Maker of Cremona  [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Bériot”, 1744]

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)
11 – Larghetto [violino de Antonio Stradivari, “El Madrileño”, 1720]

Robert SCHUMANN (1810-1856)
arranjo de Fritz Kreisler (1875-1962)
12 – Romance em Lá maior [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Vieuxtemps”, 1739]

Johannes BRAHMS (1833-1897)
13 – Dança Húngara no. 20 [violino de Antonio Stradivari, “Ex-Joachim”, 1714]
14 – Dança Húngara no. 17  [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Gibson”, 1734]

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN-Bartholdy (1809-1847)
arranjo de Fritz Kreisler
15 – Lieder ohne Wörte, Op. 62 – No. 1: “Mailüfte” (“Brisas de Maio”) [violino de Antonio Stradivari, “Ex-Ernst”, 1709]

Ruggiero Ricci, violinos
Leon Pommers, piano

Max Christian Friedrich BRUCH (1838-1920)

Concerto para violino e orquestra no. 1 em Sol menor, Op. 26
I – Vorspiel. Allegro moderato
Excerto do solo de abertura
Executado por Ruggiero Ricci nos seguintes instrumentos:

16 – Andrea Amati (c. 1560-70)
17 – Nicolò Amati (1656)
18 – Antonio Stradivari, “Il Spagnolo” (1677)
19 – Antonio Stradivari, “Ex-Ernst” (1709)
20 – Antonio Stradivari, “Ex-Joachim” (1714)
21 – Antonio Stradivari, “Il Monasterio” (1719)
22 – Antonio Stradivari, “El Madrileño” (1720)
23 – Antonio Stradivari, “Ex-Rode” (1733)
24 – Gasparo da Salo (c. 1570-80)
25 – Carlo Bergonzi, “Il Constable” (1731)
26 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Gibson” (1734)
27 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Lafont” (1735)
28 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Plowden” (1735)
29 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Vieuxtemps” (1739)
30 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Bériot” (1744)

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Quebre um, e passe reencarnações pagando.
Quebre um, e passe reencarnações pagando.

 

Vassily Genrikhovich

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Um belo CD. É um prazer sempre renovado ouvir o Concerto Campestre de Poulenc. A Sinfonietta, idem. E a dupla Rogé-Dutoit sai-se maravilhosamente. A música de Poulenc é eclética, pessoal e melodiosa, ornamentada por dissonâncias do século XX. Tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo que são derivados da uma personalidade entre o alegre e o melancólico. Poulenc é ainda um compositor bastante desconhecido, que aguarda o reconhecimento público. Ele não abriu uma nova escola de composição, causou poucos escândalos — apesar de sua declarada homossexualidade –, mas sua alegria, qualidade e ousadia mereciam um público maior.

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto Campestre / Suíte Francesa / Sinfonietta, etc.

Sinfonietta, FP 141
1 I Allegro Con Fuoco 8:37
2 II Molto Vivace 5:54
3 III Andante Cantabile 7:23
4 IV Finale 6:25

Concert Champêtre, FP 49
5 I Allegro Molto 10:36
6 II Andante 6:04
7 III Finale 8:07
8 Pièce Brève Sur Le Nom D’Albert Roussel, FP 50 2:07
9 Bucolique, FP 160 (From “Variations Sur Le Nom De Marguerite Long”) 2:26
10 Fanfare, FP 25 2:51

Deux Marches Et Un Intermède, FP 88
11 I Marche 189 1:35
12 II Intermède Champêtre 1:50
13 III Marche 1937 1:51

Suite Française, FP 80
14 I Bransle De Bourgogne 1:22
15 II Pavane 2:25
16 III Petite Marche Militaire 1:07
17 IV Complainte 1:29
18 V Bransle De Champagne 1:42
19 VI Sicilienne 1:53
20 VII Carillon 1:37

Pascal Rogé, cravo
Orchestre National De France
Charles Dutoit

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Poulenc e um amigo
Poulenc e um amigo

PQP

A Família das Cordas: Zoltán Kodály (1882-1967) – Sonata para violoncelo solo – Duo para violino e violoncelo – János Starker

61mGSh+SZ5L._SL1107_Se alguém aí achava que a série “A Família das Cordas” traria mais uma interpretação das Suítes de Bach no violoncelo, haha, se enganou. O que trazemos é a demoníaca, espumante, lúbrica Sonata para violoncelo solo de Zoltán Kodály, que carrega tanto a distinção de conseguir dizer algo num nicho em que as Suítes de Bach reinam supremas há séculos, quanto a de parecer esgotar todas as capacidades técnicas do instrumento, bem como o próprio instrumento, partindo-lhe as cordas e incendiando a crina dos arcos.

O intérprete aqui é o colosso János Starker (1924-2013), conterrâneo do compositor, e longamente associado a essa sonata. Ele gravou-a diversas vezes e tocou-a diante do próprio Kodály em várias ocasiões (a primeira com meros quinze anos – sim, eu lhes disse que o homem era um colosso). Na última, em 1967, Kodály disse a Starker que, se ele corrigisse detalhes agógicos no terceiro movimento, sua performance seria “Bíblica”. Starker o fez e, em 1970, realizou a gravação considerada definitiva da obra – precisamente esta que eu ora alcanço a vocês.

Completam o álbum um duo para violino e violoncelo, também da lavra de Kodály, e as variações do violoncelista Hans Bottermund sobre o tema do Capricho no. 24 de Paganini, que Starker fez questão de adaptar para seu gosto e virtuosismo, complicando-as ainda mais. Comparando-as com apocalíptica Sonata op. 8, elas parecem um couvert e o cafezinho.

STARKER PLAYS KODÁLY

Hans BOTTERMUND (1892-1949)
arranjo de János Starker (1924-2013)

01 – Variações sobre um tema de Paganini, para violoncelo solo

Zoltán KODÁLY (1882-1967)

Sonata para violoncelo solo, Op. 8

02 – Allegro maestoso ma appassionato
03 – Adagio con gran espressione
04 – Allegro molto vivace

János Starker, violoncelo

Zoltán KODÁLY

Duo para violino e violoncelo, Op. 7

05 – Allegro serioso, non troppo
06 – Adagio
07 – Maestoso e largamente, ma non troppo lento

Josef Gingold, violino
János Starker, violoncelo

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Finale da Sonata de Kodály
Finale da Sonata de Kodály

 

Vassily Genrikhovich

A Família das Cordas: Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Três Suítes para violoncelo solo, executadas no contrabaixo – Edgar Meyer

51lHuDMX0YLTemos trocentas gravações dessas Suítes para violoncelo em nossos porões, mas já que chegou a hora do contrabaixo em nossa minissérie, ei-las então executadas no grandalhão.

Não é qualquer um que se dispõe a tal empreitada, e Edgar Meyer, realmente, não é qualquer um. Sua técnica impecável e tremenda musicalidade resultaram numa gravação melíflua das Suítes, que soa mais delicada que muitas feitas no violoncelo (sim, Mstislav: estou olhando pra ti!)

Para esta gravação, Meyer escolheu as suítes primeira (em Sol maior), segunda (em Ré menor) e quinta (em Dó menor). A preferência pelas suítes mais meditativas e em tons menores parece justificar-se num instrumento maior e com cordas menos responsivas – e a singela Sarabande da Suíte no. 5, que Rostropovich considerava o non plus ultra da obra de Bach, soa como uma revelação. Não obstante, Meyer – que certamente confia em seu arco – intercalou-as com a radiante Suíte no. 1, que passa  tocando quase sem transposição, no registro agudo de seu instrumento e sem quaisquer dificuldades aparentes, para volta e meia chamar o baixo profundo dos registros graves, daqueles que fazem até vibrar os sisos de quem os tem.

Se Meyer gravou as demais suítes, eu desconheço. Tomara que sim.

BACH – UNACCOMPANIED CELLO SUITES
Performed on Double Bass – Edgar Meyer

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 2 em Ré menor, BWV 1008

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I-II
06 – Gigue

Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I-II
12 – Gigue

Suíte no. 5 em Dó menor, BWV 1011

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I-II
18 – Gigue

Edgar Meyer, contrabaixo

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Camiseta, bermuda, papete - e MUITO talento.
Edgar Meyer: camiseta, bermuda, papete – e MUITO talento.

Vassily Genrikhovich

Arvo Pärt (1935): Tabula Rasa – Gidon Kremer, Keith Jarrett, Alfred Schnittke

Arvo Pärt (1935): Tabula Rasa – Gidon Kremer, Keith Jarrett, Alfred Schnittke

coverReconheço que ao fazer uma postagem como esta estou adentrando em terras desconhecidas, e um tanto quanto temerosas. Não conheço a obra de Arvo Pärt, nem tenho alguma familiaridade com sua vida. Estou aqui apenas como o fornecedor do CD, que adquiri há alguns anos atrás, não me perguntem onde nem quando. O que me chamou a atenção foi a reunião de dois de meus ídolos, Gidon Kremer e Keith Jarrett para a interpretação de “Frates”, uma peça um tanto quanto minimalista, eu arriscaria dizer. Mas não quero me mover muito no meio desta areia movediça, por isso deixo maiores detalhes para o novo integrante da família PQPBach, Luke D. Chevalier.


Comentários de Luke D. Chevalier

Nos bastidores desse blog, existe uma discussão que não quer cessar: Pärt se pronuncia Piart ou Pért? Cada um apresenta seus argumentos para fundamentar suas “hipóteses”, digamos assim, mas nada que dê um fim à discussão. Essa discussão se soma às outras grandes questões deste blog que os senhores podem perceber nas postagens e nos comentários que vocês leitores fazem: Vivaldi pegava ou não pegava as menininhas do orfanato? E Brahms, comia ou não comia Clara Schumann? São questões que cada um toma seu lado. Eu, como bom sociólogo que sou, cito Max Weber e fingo exercer uma “neutralidade”.

Mas vamos ao álbum prezados leitores. Provavelmente essas são as melhores interpretações para essas obras que qualquer um poderia querer. Gidon Kremer assume o violino e faz muito bonito como lhe é de costume (a obra Tabula Rasa, pivô deste álbum, foi de certa forma uma recomendação do violinista para Pärt). O interessante do álbum é Alfred Schnittke tocando o piano preparado em Tabula Rasa; um compositor inovador tocando a música de outro compositor inovador de seu tempo. Pena que Schnittke já se foi, Pärt, para nossa alegria, ainda está ai. E falando de idas e vindas, o belíssimo Cantus… é justamente em homenagem à outro compositor que já se foi, Benjamin Britten. Pärt diz que se entristece com o fato de Britten ter morrido logo quando ele tinha percebido a beleza de sua música, e que assim não poderia mais se encontrar com ele. Sentimento parecido sofri eu ao ler este ano o livro “Ostra Feliz Não Faz Pérola” de Rubem Alves. Enquanto lia achava que o autor ainda estava vivo, mas quando descobri que ele havia falecido no ano anterior, 2014, fiquei muito triste, pois havia gostado tanto do livro que estava pensando em ir visitá-lo em Campinas.

Enfim, já deu pra ver que tem muita coisa boa aqui. A única coisa ruim nesse álbum é a capa, mas como vocês perceberão ao longo das minhas próximas postagens com obras de Pärt, a ECM nunca foi criativa com elas, quando não são feias, são sem graça. Mas confesso que eu até gosto da simplicidade de algumas delas (não é o caso da capa deste álbum).

Arvo Pärt (1935): Tabula Rasa

01.Fratres

Gidon Kremer – Violino
Keith Jarrett – Piano

02.Cantus in Memory of Benjamin Britten

Staatsorchester Sttutgart
Dennis Russel Davis – Regente

03.Fratres

Os 12 violoncelistas da Berlin Philharmonic Orchestra

04.Tabula Rasa

Gidon Kremer, Violino
Tatjana Gridenko, Violino
Alfred Schnittke, Piano preparado

Lithuanian Chamber Orchestra
Saulus Sondeckis – Regente

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O defeito do scanner até que caiu bem nessa foto.
O defeito do scanner até que caiu bem nessa foto.

A Família das Cordas: Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas e Partitas para violino solo, executadas na viola – Scott Slapin

MI0001030013Folheando o álbum de família das cordas, chegamos à nobre viola.

Antes que os violinistas venham com piadas e mais piadas, mando chumbo grosso para calar preemptivamente qualquer bullying: uma gravação das sonatas e partitas para violino solo de Johann Sebastian Bach, transcritas e executadas pelo violista Scott Slapin.

Se em sua versão original essas obras fizeram até o grande Sarasate tocar como um estudante em pânico no seu exame, na viola – maior e com cordas mais robustas – elas parecem inexequíveis.

Pareciam: o trabalho de Slapin é notável, e de tal maneira que alguns movimentos, especialmente os adágios e fugas das sonatas, chegam a soar mais idiomáticos na viola. Não há lentificação significativa dos andamentos originais, que são amplamente respeitados. As sonatas e partitas chegam mesmo a caber separadas em discos, ao contrário da praxe que, por questões de tempo, as coloca intercaladas. Sobraram energia e espaço, vejam só, até para tocar uma transcrição da partita para flauta solo – que disposição, ahn?

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

THE SONATAS AND PARTITAS FOR SOLO VIOLIN and THE UNACCOMPANIED PARTITA FOR FLUTE
Transcribed and played on viola by Scott Slapin

DISCO 1 – THE SONATAS

SONATA NO. 1, BWV 1001

01 – Adagio
02 – Fugue
03 – Siciliano
04 – Presto

SONATA NO. 2, BWV 1003

05 – Grave
06 – Fugue
07 – Andante
08 – Allegro

SONATA NO. 3, BWV 1005

09 – Adagio
10 – Fugue
11 – Largo
12 – Allegro assai

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DISCO 2 – THE PARTITAS

PARTITA NO. 1, BWV 1002

01 – Allemande
02 – Double
03 – Courante
04 – Double
05 – Sarabande
06 – Double
07 – Bourrée
08 – Double

PARTITA NO. 2, BWV 1004

09 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Gigue
13 – Chaconne

PARTITA NO. 3, BWV 1006

14 – Prélude
15 – Loure
16 – Gavotte en Rondeau
17 – Menuet I-II
18 – Bourrée
19 – Gigue

PARTITA, BWV 1013

20 – Allemande
21 – Courante
22 – Sarabande
23 – Bourrée Anglaise

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SCOTT SLAPIN, viola

- Por que as violas são maiores que os violinos? - Elas são menores: as cabeças dos violinistas é que são maiores!
Rindo sei lá do quê.

Vassily Genrikhovich

A Família das Cordas: La Lira d’Esperia – Jordi Savall

51DGT6SWMXLAo longo da próxima semana – e na falta de outra ideia para navegar a pantagruélica discoteca arquivada no PQP Share – apresentaremos uma breve minissérie dedicada à família das cordas.

Já que a cortesia manda sempre começarmos com os mais velhos, deixo-lhes esta gravação em que o Midas Jordi Savall maneja alguns ancestrais dessa família, entre os quais a viela (vieille, antecedente imediata da lira da braccio que eventualmente chegaria à viola) e o rebab mourisco. O eclético repertório compõe-se de cantigas e danças medievais de vários lugares da Europa, incluindo peças do Norte da África e canções sefarditasacompanhadas de toques muito econômicos de percussão.

LA LIRA D’ESPERIA – JORDI SAVALL

01 – Rotundellus (Galícia – Cantiga 105)
02 – Lamento (Adrianopoli, sefardita)
03 – Danza de las Espadas (Argel, El Kantala)
04 – Istampitta – In Pro (Itália, manuscrito do século XIII)
05 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
06 – Ritual (Argel, Zendani)
07 – El Rey de Francia (Esmirna, sefardita)
08 – Danza Ritual (Galícia, Cantiga 353)
09 – Istampitta – La Manfredina (Itália, manuscrito do século XIII)
10 – Trotto (Itália, manuscrito do século XIII)
11 – Albra (Castellón de la Plana)
12 – Paxarico tu te llamas (Sarajevo, sefardita)
13 – Danza del Viento (Argel, berber)
14 – Istampitta – Lamento di Tristano (Itália, manuscrito do século XIII)
15 – Saltarello (Itália, manuscrito do século XIII)
16 – Ductia (Galícia, Cantiga 248 – Gasconha)

JORDI SAVALL, viela, rebab, rebel mourisco
PEDRO ESTEVAN, percussão

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Vassily Genrikhovich

Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio. Ah, mas deveria.
Até onde sei, Savall jamais gravou com essa lira da braccio.
Só lamento.

 

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e em menor escala de Mahler, com orquestra reduzida e virtualmente nenhum efeito grandioso. É também a mais curta da série. Não se pode falar em ingenuidade em relação a uma composição tão sutil, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico. Pensou em chamá-la de Humoresque. Os movimentos estão tematicamente inteligados à maneira usual de Mahler. “Eu queria realmente escrever um humoresque sinfônico que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando quis escrever a Segunda e Terceira sinfonias, acabei escrevendo cada uma delas com o tamenho de três.”

Sua composição demorou muito tempo para os padrões de Mahler: o quarto movimento Das Leben Himmlische (Vida Celestial) foi tomado do Des Knaben Wunderhorn, ciclo de lieder escrito em 1892. Este movimento deveria ser parte, inicialmente, da Terceira Sinfonia. Como esta já estava imensa, Mahler então decidiu colocá-lo no final da sua Quarta Sinfonia e escreveu seus três primeiros movimentos.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4

1. Bedächtig, nicht eilen
2. In gemächlicher Bewegung, ohne Hast
3. Ruhevoll, poco adagio
4. Sehr behaglich

Sylvia McNair
Berlin Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink

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mahler2

PQP

Terezín – Theresienstadt – Anne Sofie von Otter – Bengt Forsberg – Christian Gerhaher – Daniel Hope

Terezín_-_Theresienstadt_(Anne_Sofie_von_Otter_album)Este magnífico álbum seria tocante mesmo sem as circunstâncias que, a seguir, passo a lhes descrever – e se o leitor-ouvinte é daqueles que prefere apreciar apenas o que escuta, sem se abalar com circunstâncias extramusicais, sugiro que passe direto ao download.

A fortaleza austro-húngara de Theresienstadt (em tcheco, Terezín), foi criada no século XVIII nas proximidades de Ústí nad Labem, ao norte de Praga. Afora sua função defensiva, também serviu como centro de detenção para prisioneiros políticos, mas foi durante o sombrio período da ocupação alemã da Boêmia (1939-1945) que o nome de Terezín foi definitivamente escrito na História da Infâmia.

"Todos tinham fome" - Liana Frankl, 9 anos
“Todos tinham fome” – Liana Frankl, 9 anos

Depois da anexação do território tcheco dos Sudetos (1938) e de garantir a influência sobre o estado-fantoche da Eslováquia (1939), o Reich transformou o restante do território da então Tchecoslováquia no Protetorado da Boêmia e Morávia, nominalmente autônomo e governado por tchecos colaboracionistas. Na prática, quem mandava no Protetorado era um Reichsprotektor, cargo que coube, entre outros, a dois dos mais truculentos membros dos quadros do Partido Nazista: Richard Heydrich (assassinado em 1943) e Wilhelm Frick (executado em Nürnberg em 1945).

Josef Novak, 7 anos
Josef Novak, 7 anos

Tão logo tomaram as rédeas do poder, os nazistas começaram a esmagar os movimentos de resistência e expulsar os então mais de cem mil judeus tchecos de suas residências. A maior parte deles foi parar na cidadela de Terezín, que rapidamente viu sua população inflar para quase sessenta mil pessoas, amontoadas em condições degradantes e num espaço preparado para receber menos de sete mil. Além dos judeus da Boêmia, Morávia e Eslováquia, Terezín também recebeu deportados da Alemanha, Áustria, Países Baixos e Dinamarca, bem como prisioneiros de outros países.

Helga Weiss, 13 anos
Helga Weiss, 13 anos

Enquanto a fome, o frio e as epidemias ceifavam vidas entre os prisioneiros, o eficiente aparato de propaganda nazista vendia a imagem de Terezín como uma cidade-modelo, em que os judeus viviam em liberdade e celebravam sua cultura dentro do Reich: o emblema de um tratamento humano e respeitoso que era o antônimo exato do que recebiam. Numa ocasião especialmente infame, os nazistas “embelezaram” Terezín para uma inspeção da Cruz Vermelha e para um filme de propaganda, amontoando os prisioneiros famélicos e doentes em galpões para deixar à vista tão só os pouquíssimos internos em estado razoável de saúde. O resultado da medida, no auge de uma epidemia de tifo, foi mortífero.

"Não no gueto" - Dorita Weiser, 9 anos
“Não no gueto” – Dorita Weiser, 9 anos

Com o advento da “Solução Final”, os guetos foram evacuados, e seus moradores, transportados para campos de extermínio. Além das 33.000 mortes devidas às péssimas condições de vida em Terezín, outras 88.000 pessoas que por lá passaram foram levadas para Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Sobibor, ao encontro da morte. No total, das mais de 150.000 vítimas do fascismo que viveram em Terezín, menos de 18.000 sobreviveram – entre os quais apenas 240 das 15.000 crianças.

Ella Liebermann, 16 anos
Ella Liebermann, 16 anos

Apesar da extrema dureza da vida no gueto, e dos abusos e censura rigorosa dos nazistas, a vida e a Arte floresceram em Terezín tanto quanto puderam. Artistas deportados continuaram a escrever, compor, pintar e esculpir suas obras. A pintora Friedl Dicker-Brandeis, notavelmente, deu aulas de Pintura e Desenho para muitas crianças, com o intuito de aliviar-lhes a opressão em que viviam. Estes jovens artistas, que em sua maioria encontraram a morte nos anos subsequentes, deixaram para a posteridade um pungente legado que não só descreve melhor do que quaisquer palavras os horrores que presenciaram, mas que também preservou seus nomes para a posteridade. Alguns destes preciosos desenhos, a um só tempo tocantes e perturbadores, ilustram esta postagem.

Ella Liebermann, 16 anos
Ella Liebermann, 16 anos

Sensibilizada com a história de Terezín, a diva sueca Anne Sofie von Otter rodeou-se de colaboradores para produzir este disco, inteiramente devotado a obras compostas por prisioneiros do gueto. Se algumas delas transpiram alegria, serenidade e escracho, é difícil nossas faringes não se apertarem ante a constatação de que a maior parte de seus compositores faleceu em 1944 – o ano da liquidação de Terezín. O que à primeira vista parece uma colagem com os gêneros mais diversos – de canções de cabaré a Lieder em tcheco e em iídiche, e até uma sonata para violino solo – ganha uma coesão admirável graças às interpretações muito sensíveis e reverentes.

No fim, ao extinguir-se a última nota do violino, o silêncio cala fundo, e é como se uma voz nos sussurrasse:

– Esquecer… é repetir.

NUNCA, pois, esqueçamos Terezín.

"A chega do trem com deportados" - Edita Pollak, 9 anos
“A chegada do trem com deportados” – Edita Pollak, 9 anos

TEREZÍN/THERESIENSTADT

Anne Sofie von Otter, mezzo-soprano
Christian Gerhaher,
barítono
Daniel Hope,
violino
Bengt Forsberg e Gerold Huber,
piano
Ib Hausmann,
clarinete
Philip Dukes,
viola
Josephine Knight,
violoncelo
Bebe Risenfors,
violão e acordeão

Ilse WEBER (1903-1944)

01 – Ich wandre durch Theresienstadt
Anne-Sophie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Karel ŠVENK (1917-1945)
arranjo de Moshe Zorman

02 – Pod destnikem
03 – Vsecho jde!
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Ilse WEBER

04 – Ade, Kamerad!
Christian Gerhaher, Gerold Huber

05 – Und die Regen rinnt
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Adolf STRAUSS (1902-1944)
arranjo de Moshe Zorman

06 –  Ich weiß bestimmt, ich werd Dich
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Emmerich KÁLMÁN (1882-1953)

07 – Gräfin Mariza – Opereta em três atos: Terezín-Lied
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Martin ROMAN (1910-1996)

08 – Karrussell
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Ilse WEBER

09 – Wiegala
Anne Sofie von Otter, Bebe Risenfors

Hans KRÁSA (1899-1944)

Três Canções sobre poemas de Arthur Rimbaud, traduzidas por Vítězslav Nezval:

10 – Čtyřverší
11 – Vzrušení
12 – Přátelé
Christian Gerhaher, Ib Hausmann, Philip Dukes, Josephine Knight

Carlo Sigmund TAUBE (1897-1944)

13 – Ein jüdisches Kind
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Ib Hausmann

Viktor Ullman (1898-1944)

14 – Drei jiddische Lieder (Brezulinka), Op.53 – no. 1: Berjoskele
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Seis Sonetos de Louize Labané, Op.34

15 – No. 1: “Claire Vénus”
16 – No. 2: “On voit mourir”
17 – No. 3: “Je vis, je meurs…”
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Pavel HAAS (1899-1944)

Quatro Canções sobre Poemas Chineses

18 –  Zaslechl jsem divoké husy
19 – V bambusovém háji
20 – Daleko měsíc je domova
21 – Probděná noc
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Erwin Schulhoff [Ervín ŠULHOV] (1894-1942)

Sonata para violino solo (1927)

22 – Allegro con fuoco
23 – Andante cantabile
24 – Scherzo
25 – Finale
Daniel Hope

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Vassily Genrikhovich

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para piano e orquestra No.1 em Ré menor, Op. 15

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para piano e orquestra No.1 em Ré menor, Op. 15

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Post revalidado do Carlinus.

Digam o que quiserem, mas não abro mão de determinados compositores. E um deles é Brahms. Há pessoas que tentam transformar opiniões pessoais em dogmas. Esse é o primeiro passo para a tirania. Mas há realidades que, digamos, é resultado de algo consensual. Por mais que não gostemos, temos que admitir que ali está algo de valor – mesmo que não simpatizemos ou não esteja consoante com as nossas preferências estéticas. Acredito que isso diga respeito aos dois concertos para piano e orquestra de Brahms. Juntamente com os cinco concertos para piano e orquestra de Beethoven e alguns de Mozart, julgo que se trata das peças mais belas e profundas que já escritas para o piano. O concerto no. 1 foi escrito quando Brahms era um jovem de 25 anos de idade. Como muitas das obras de Brahms, o compositor levou bastante tempo para concluir. Os acordes iniciais do concerto nos faz pensar numa sinfonia grandiosa. A tensão provocante, tonitruante, chega a nos assustar. Quando o piano aparece um mar de lirismo e uma amenidade trágica toma-nos pelas mãos e nos guia por mares de beleza. É preciso ouvir este CD. Traz um time poderoso: Karl Bohm e Maurizio Pollini. Boa apreciação!

P.S. Infelizmente não achei o CD exato na Amazon. (PQP)

Johannes Brahms (1833-1897) –
Concerto para piano e orquestra No.1 em Ré menor, Op. 15

Concerto para piano e orquestra No. 1 em Ré menor, Op. 15
01. Maestoso
02. Adagio
03. Rondo – Allegro non troppo

Wiener Philharmoniker
Karl Böhm, regente
Maurizio Pollini, piano

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Ah, Pollini!
Ah, Pollini! E Böhm mostrando novamente que não tinha nada a ver com o Karalanglang de Berlim (PQP)

Carlinus

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Dimos Goudaroulis

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Dimos Goudaroulis

05483Nossa cornucópia dessas maravilhosas Suítes traz agora sua primeira gravação brasileira em violoncelo barroco, feita por Dimos Goudaroulis.

O incansável artista grego, que já deu o ar de sua graça por aqui com um bonito álbum duplo de violoncello piccolo, devota recitais inteiros a essas obras seminais.

Tive o privilégio de assistir a dois deles. O primeiro, num teatro pequenino, com iluminação muito econômica e ambiente intimista, em meio a só um punhado de pessoas, deu-me a nítida sensação de estar com os ouvidos encostados na caixa de ressonância, tamanha a proximidade com o instrumentista.  No segundo, as Suítes – por definição, sequências de danças estilizadas – serviram de base para seis coreógrafos suarem suas malhas em torno de um impávido Goudaroulis.

Ismael Ivo e Goudaroulis numa "Pietà" coreográfico-violoncelística
Ismael Ivo e Goudaroulis numa “Pietà” coreográfico-violoncelística

Esta gravação reproduz com bastante fidelidade o que escutei nos recitais: prelúdios tocados com liberdade quase improvisatória, danças pulsantes, e uma proximidade que nos traz aos ouvidos a respiração do músico e, eventualmente, aquilo que o PQP Bach chama de “ruídos de marcenaria”. Goudaroulis executa a Suíte no. 6 num instrumento de cinco cordas, conforme instruções da partitura – o mesmo violoncello piccolo que, num lance de serendipidade, encontrou esquecido no ateliê de um luthier. No primeiro disco há uma faixa-bônus, com a transcrição da allemande da Partita BWV 1004, originalmente para violino solo.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

CD 01

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courrante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

PARTITA NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1004 (transcrita para violoncelo solo)

19 – Allemande

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CD 02

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012*

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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DIMOS GOUDAROULIS, violoncelo e *violoncello piccolo

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Vassily Genrikhovich

The Art of the Nocturne, CD 4 de 4 – Noturnos para piano de vários compositores

Nocturnes BoxAntes que nossos arretados leitores-ouvintes me intimem novamente a concluir a série, o cabra aqui apressa-se em fazê-lo.

O último álbum é um saco de gatos repleto de noturnos escritos por contemporâneos de Chopin. De Clara Schumann a Camille Pleyel (que faria fortuna como fabricante de pianos), e de Glinka ao boçal Kalkbrenner, que quase foi professor de Chopin e se considerava, após a morte de Haydn e Beethoven, “o último músico clássico vivo”, tem de tudo. Em sua maioria, são bombons tão untuosos e adocicados que farão até os mais ardentes anti-chopinianos querer escutar os noturnos do mestre e espocar fogos em homenagem ao gênio polonês.

Dignas de nota são as peças de Charles-Valentin Alkan (1813-1888), um compositor para piano extremamente original que, para minha total surpresa, faz sua estreia aqui no PQP Bach. Ele foi uma figura excêntrica, amigo de Liszt e Chopin e, ainda assim, tido por vários contemporâneos como o maior pianista de sua época. Daremos um jeito de trazer para cá, nas próximas semanas, um tanto de sua produção desenfreada, e muitas vezes prosopopeica, pelas mãos dos ótimos Marc-André Hamelin e Jack Gibbons.

THE ART OF THE NOCTURNE, volume IV

Joseph Étienne Camille PLEYEL (1788-1855)

01 – Noturno “alla Field” em Si bemol maior

Friedrich (Frédéric) Wilhelm Michael KALKBRENNER (1785-1849)

Noturnos para piano, Op. 121

02 – No. 1 em Lá bemol maior, “Les Soupirs de la Harpe Éolienne”
03 – No. 2 em Fá maior, a três mãos*

Clara Josephine SCHUMANN (1819-1896)

Soirées Musicales, Op. 6

04 – No. 2: Noturno em Fá maior

Louis James Alfred LEFÈBURE-WÉLY (1817-1870)

05 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 54, “Les Cloches du Monestère”

Edmond WEBER (1838-1885)

06 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 1, “Première Pensée”

Charles-Valentin ALKAN (1813-1888)

07 – Noturno em Si maior, Op. 22
08 – Esquisses, Op. 63 – no. 43: em Fá sustenido menor, “Notturnino Innamorato”

Mikhail Ivanovich GLINKA (1804-1857)

09 – Noturno em Mi bemol maior

Maria SZYMANOWSKA (1789-1831)

10 – Noturno em Lá bemol maior, “Le Murmure”

Ignacy Feliks DOBRZYNSKI (1807-1867)

Noturnos, Op. 21

11 – No. 1 em Sol menor
12 – No. 2 em Mi bemol maior

Noturnos, Op. 24

13 – No. 1 em Fá menor
14 – No. 2 em Ré bemol maior

15 – Noturno em Sol menor, “Pożegnanie” (“Despedida”)

Bart van Oort, piano Érard (1837)
* com Agnieska Chabowska

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Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.
Uma das duas únicas fotografias conhecidas de Alkan. Depois que vocês ouvirem sua música, não estranharão.

Vassily Genrikhovich

Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Concerto nº1 in D Minor, op. 15 – Curzon, Rubinstein, Beinum, Reiner, CSO, Concertgebow Orchestra

coverNão se trata de um comparativo, são apenas duas gravações históricas de um dos maiores concertos para piano já compostos, o de nº 1 de Brahms. E só tem fera aqui: Arthur Rubinstein com Fritz Reiner e a Chicago Symphony e Sir Clifford Curzon com a Concertgebow Orchestra, regida por Eduard van Beinum. Curiosamente as duas gravações são do mesmo ano, 1953, ou seja, ambas foram gravadas ainda em Mono. Mas a qualidade da remasterização é muito boa, os senhores nem vão sentir muito a diferença.

folderPor falar em diferença, a qualidade da interpretação é de tão alto nível que é quase impossível encontrar um ‘vencedor’. Os anos de Fritz Reiner frente à Sinfônica de Chicago elevaram o nível desta orquestra ao nível das melhores orquestras européias, e aqui a comparação é inevitável com a Orquestra do Concertgebow, de Amsterdam. Altíssimo nível, volto a repetir. Rubinstein é Rubinstein, e para mim sempre será o maior pianista do século XX, mas Sir Clifford Curzon também frequentou este patamar de qualidade e excelência.

Estes quatro dinossauros nos proporcionam aqui momentos de puro prazer e introspecção, pois conseguem extrair deste concerto aqueles principais elementos que o elevaram como um dos mais belos e perfeitos concertos para piano já compostos.

Então, vamos ao que viemos.

01. Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 I. Maestoso
02. Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 II. Adagio
03. Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 III. Rondo. Allegro non troppo

Arthur Rubinstein – Piano
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner – Conductor

Sir Clifford Curzon – Piano
Concertgebow Orchestra, Amsterdam
Eduard van Beinum – Conductor

RUBINSTEIN – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CURZON – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Eugène Ysaÿe (1858-1931) – Seis Sonatas para violino solo, Op. 27 – Oscar Shumsky

Eugène Ysaÿe (1858-1931) – Seis Sonatas para violino solo, Op. 27 – Oscar Shumsky

51Bi4DBVCULArrisco dizer que Oscar Shumsky (1917-2000) é o menos ouvido dos grandes violinistas do século passado. Sua longa e intensa dedicação à carreira pedagógica certamente contribuiu para essa relativa obscuridade: foram décadas ensinando no Curtis Institute de Filadélfia, em Yale e na Juilliard School, até que voltasse aos palcos e estúdios em 1981, sob intensa aclamação.

Apesar de ter nascido na Filadélfia, o pedigree musical de Shumsky é inteiramente europeu: filho de judeus russos, aluno do húngaro Leopold Auer (aquele mesmo que esnobou o Concerto para violino de Tchaikovsky e que foi professor de Heifetz no Conservatório de São Petersburgo) e, depois, do russo Efrem Zimbalist no Curtis Institute. Criança-prodígio, foi chamado por Stokowski (com quem estreou aos sete anos de idade) de “o mais espantoso gênio” que já ouvira. Ao contrário de muitos prodígios, sua carreira adulta correspondeu às expectativas, e foi um artista extremamente ativo e requisitado durante toda a vida.

As Sonatas para violino solo do belga Ysaÿe, concebidas como retratos musicais de violinistas amigos do compositor, são tão atraentes quanto horrendamente difíceis. A nobreza e habilidade com que Shumsky incorpora as enormes dificuldades técnicas ao fluxo sonoro certamente hão de atrair os leitores-ouvintes para o rol de seus fãs.

Eugène-Auguste YSAYE (1858-1931)

SEIS SONATAS PARA VIOLINO SOLO, Op. 27

Sonata no. 1 em Sol menor (para Joseph Szigeti)

01 – Grave
02 – Fugato
03 – Allegretto poco scherzoso
04 – Finale. Con brio

Sonata no. 2 em Lá menor (para Jacques Thibaud)

05 – Obsession
06 – Malinconia
07 – Danse des ombres
08 – Les furies

Sonata no. 3 em Ré menor, ‘Ballade’ (para George Enescu)

09 – Ballade: Lento molto sostenuto – Allegro in tempo giusto e con bravura

Sonata no. 4 em Mi menor (para Fritz Kreisler)

10 – Allemanda
11 – Sarabande
12 – Finale

Sonata no. 5 em Sol maior (para Mathieu Crickboom)

13 – L’Aurore
14 – Danse rustique

Sonata no. 6 em Mi maior (para Manuel Quiroga)

15 – Allegro giusto non troppo vivo

Oscar Shumsky, violino

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Oscar Shumsky: um excelente violinista que vocês encontrarão mais vezes aqui no PQP Bach
Oscar Shumsky: um excelente violinista que vocês encontrarão mais vezes aqui no PQP Bach

Vassily Genrikhovich

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphony No. 5 in B flat / Ala and Lolly (Scythian Suite)

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphony No. 5 in B flat / Ala and Lolly (Scythian Suite)

Simon Rattle faz uma esplêndida excursão através da 5ª Sinfonia de Prokofiev, sua segunda mais popular sinfonia. No meio da Segunda Guerra Mundial, Prokofiev escreveu esta sinfonia que é surpreendentemente otimista. Ela tem momentos de tensão, mas, em sua maior parte, é leve e luminosa, com os instrumentos de sopro e cordas fazendo a maior parte do trabalho. Há uma linda serenata no primeiro movimento.  O segundo movimento é para assobiar na rua. O terceiro movimento, o adagio, é bonito, suave e sensual, com os contrabaixos e violoncelos proporcionando um cenário sombrio. O movimento final, um allegro, é igualmente impressionante. Não é de admirar sua popularidade. A Suíte Cita (povo nômade da Eurásia ocidental, que remonta ao século 8 A.C.) era para ser um balé, mas foi rejeitado como tal. Prokofiev reformulou a peça como uma suíte. É muito boa. O Emerson, Lake & Palmer tratou de deixar famoso o terceiro movimento.

Serguei Prokofiev (1891-1953):
Symphony No. 5 in B flat / Ala and Lolly (Scythian Suite)

1. Symphony No. 5 in B Flat, Op.100: I. Andante 13:05
2. Symphony No. 5 in B Flat, Op.100: II. Allegro marcato 8:32
3. Symphony No. 5 in B Flat, Op.100: III. Adagio 12:24
4. Symphony No. 5 in B Flat, Op.100: IV. Allegro giocoso 9:45

5. Scythian Suite, Op.20: I. L’adoration de Vélè et de Ala 6:22
6. Scythian Suite, Op.20: II. Le dieu ennemi et la danse des esprits noirs 2:57
7. Scythian Suite, Op.20: III. La nuit 5:43
8. Scythian Suite, Op.20: IV. Le départ glorieux de Lolly et la cortèege de Soleil 5:11

City Of Birmingham Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle

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Prokofeiz aos 26 anos, num hotel de Chicago. O público norte-americano o ovacionou
Prokofiev aos 26 anos, num hotel de Chicago. O público norte-americano não lhe deu muita bola.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações sobre uma Valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Friedrich Gulda

410NB3FKKJLUm de nossos mais assíduos leitores-ouvintes pediu, dia desses, que repostássemos a gravação de Paul Lewis para as Variações Diabelli e a série das Sonatas para piano de Beethoven com Friedrich Gulda, por terem desaparecido no éter após o colapso dos servidores de compartilhamento.

Como não tenho a gravação de Lewis, e a caixa do Gulda tem um monte de CDs, vou usar o pedido do leitor-ouvinte como pretexto para postar a versão de Gulda para as Diabelli: elétrica e doida como o intérprete, e repleta do toque mágico desse bruxo do teclado, é das melhores que conheço para a obra genial.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três Variações para piano sobre uma Valsa de Anton Diabelli, em Dó maior, Op. 120

01 – Thema: Vivace
02 – Variação I: Alla Marcia. Maestoso
03 – Variação II; Poco Allegro
04 – Variação III; L’istesso tempo
05 – Variação IV Un poco più Vivace
06 – Variação V: Allegro Vivace
07 – Variação VI: Allegro ma non troppo e serioso
08 – Variação VII: Un poco più allegro
09 – Variação VIII: Poco vivace
10 – Variação IX: Allegro pesante e risoluto
11 – Variação X: Presto
12 – Variação XI: Allegretto
13 – Variação XII: Un poco più mosso
14 – Variação XIII: Vivace
15 – Variação XIV: Grave e maestoso
16 – Variação XV: Presto scherzando
17 – Variação XVI: Allegro
18 – Variação XVII
19 – Variação XVIII: Poco moderato
20 – Variação XIX: Presto
21 – Variação XX: Andante
22 – Variação XXI: Allegro con brio – Meno allegro
23 – Variação XXII: Allegro molto (Alla »Notte e Giorno Faticar« di Mozart)
24 – Variação XXIII: Allegro assai
25 – Variação XXIV: Fughetta. Andante
26 – Variação XXV: Allegro
27 – Variação XXVI
28 – Variação XXVII: Vivace
29 – Variação XXVIII: Allegro
30 – Variação XXIX: Adagio ma non troppo
31 – Variação XXX: Andante, sempre cantabile
32 – Variação XXXI: Largo, molto espressivo
33 – Variação XXXII: Fuga – Allegro – Poco Adagio
34 – Variação XXXIII: Tempo di Menuetto – Moderato

Friedrich Gulda, piano

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Friedrich Gulda, maluco-beleza: que maluco! e que beleza!!!
Não tentem imaginar a metade de baixo… mmm, tarde demais.

Vassily Genrikhovich

O Casamento do Céu e do Inferno: Motetos e Canções francesas do Século XIII

O Casamento do Céu e do Inferno: Motetos e Canções francesas do Século XIII

Quase chega a dar vontade de voltar no tempo e curtir um feudalismo, tal é a qualidade do Gothic Voices. Mas nada garante que fôssemos encontrar um grupo tão bom por lá… Então, melhor cheirar a fumaça de nosso tempo do que retornar ao século XIII. Além do mais, a presença da igreja devia ser sufocante. Em nenhuma outra época a influência da Igreja foi mais vasta. Mas também foi o século das grandes catedrais góticas de Colônia, Chartres, Reims, Auxerre, Amiens, Salisbury, Westminster, Burgos, Toledo… Apesar de que este CD esteja muito mais para o secular do que para o sacro. Bem, as grandes universidades da Europa foram fundadas no século XIII. A Universidade de Paris recebeu o seu alvará em 1215. Um ano antes, um enviado do Papa confirmara o estatuto da recém-criada Universidade de Oxford. Em 1210, S. Francisco de Assis conseguiu a aprovação papal para a regra que estabelecera para a sua pequena comunidade de pregadores errantes. De todos os santos medievais, foi ele quem gozou de maior popularidade dentro e fora da Igreja. Ascético mas alegre, poeta por natureza, criador do presépio de Natal, pregando aos pássaros, chegou a visitar o sultão para tentar convertê-lo ao Cristianismo, utilizando métodos mais próximos dos Evangelhos do que o comportamento dos cruzados. Uma das primeiras disciplinas a florescer neste novo ambiente intelectual foi a lógica formal, que conheceu novos progressos graças à recuperação do corpus integral de Aristóteles. E deu, né? Embriaguem-se de século XIII, meus amigos pequepianos!

O Casamento do Céu e do Inferno: Motetos e Canções do Século XIII

1. Je ne chant pas – Talens m’est pris
2. Trois sereurs – Trois sereurs – Trois sereurs
3. En tous tans que vente bise
4. Plus bele que flours – Quant revient – L’autrier jouer
5. Par un matinet – He, sire! – He, bergier!
6. De la virge Katerine – Quant froidure – Agmina milicie
7. Trop volentiers chanteroie
8. Ave parens – Ad gratie
9. Super te Jerusalem – Sed fulsit virginitas
10. A vous douce debonnaire
11. Mout souvent – Mout ai este en dolour
12. Can vei la lauzeta mover
13. Quant voi l’aloete – Diex! je ne m’en partire ja
14. En non Dieu – Quant voi la rose
15. Autres que je ne sueill fas
16. Je m’en vois – Tels a mout
17. Festa januaria

Obras de compositores franceses anônimos e de Blondel de Nesle, Colin Muset, Jehannot de l’Escurel, Bernart de Ventadorn e Gautier de Dargies.

Gothic Voices
Christopher Page

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Blake
De William Blake, trecho de Marriage of Heaven and Hell

PQP

Dmitri Kabalevsky (1904-1987) – Concerto para piano no. 3, “Juventude” – Gilels – Kabalevsky

0888608558273_600Estava preparando uma postagem pesadíssima para este Dia das Crianças, data frívola criada pelo comércio para, entre outras coisas, vender brinquedos e promover concursos de beleza de bebês lindamente (e, pelo menos para o Brasil, atipicamente) brancos.

A semana, no entanto, foi medonha, e como vocês não têm culpa alguma por estarem vivendo um ensolarado e colorido feriado, resolvi guardar o chumbo grosso para outro dia.

Deixo-lhes hoje este agradável concerto para piano de Kabalevsky, dedicado aos jovens pianistas da União Soviética, que com ele passaram a ter a seu alcance uma obra concertística cheia de verve, sem terem que vencer grandes dificuldades técnicas. O primeiro movimento, particularmente, é muito evocativo da galhardia da juventude. Aqui, o solo fica a cargo de gente bem grande – ninguém menos que o colosso Emil Gilels, que seria capaz de tocá-lo de costas, e com uma só mão -, sob regência do próprio compositor.

Este concerto muito breve, com meros dezoito minutos, será muito familiar aos ouvintes da FM Cultura de Dogville que, como eu, a escutavam nos bons (e velhos) tempos em que ela tocava música erudita. Sempre que sobrava uma brecha na programação, esta gravação de Gilels era um dos “tapa-buracos” de que a rádio lançava mão para arredondar a hora na grade e, quem sabe, permitir que o pessoal do estúdio tomasse um cafezinho.

Dmitri Borisovich KABALEVSKY (1904-1987)

Concerto para piano e orquestra no. 3 em Ré menor, Op. 50, “Juventude”

01 – Allegro molto
02 – Andante con moto
03 – Presto

Emil Gilels, piano
Grande Orquestra Estatal da Rádio e Televisão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Dmitri Kabalevsky, regência

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Emil Gilels - um gigante nada pueril
Emil Gilels – um gigante nada pueril

Vassily Genrikhovich

Gustav Mahler (1860-1901): Sinfonia Nº 1

Gustav Mahler (1860-1901): Sinfonia Nº 1

Não amei de paixão esta versão de Lorin Maazel. Aliás, Maazel nunca é das primeiras escolhas de PQP. Mas é uma obra-prima, é grande música de Mahler. Meus colegas de trabalho gostaram muito, mas um deles está passando por uma fase severamente mahleriana e adorou a gravação desde aquele longo zumbido que abre a sinfonia. Se fosse você, daria uma conferida. Ruim não é.

Gustav Mahler (1860-1901): Symphony No. 1

1. Symphony No. 1 (D Major): I – Langsam. Schleppend.
2. Symphony No. 1 (D Major): Immer Sehr Gemachlich
3. Symphony No. 1 (D Major): II – Kraftig Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell.
4. Symphony No. 1 (D Major): Trio: Recht Gemachlich.
5. Symphony No. 1 (D Major): Tempo Primo
6. Symphony No. 1 (D Major): III – Feierlich Und Gemessen, Ohne Zu Schleppen
7. Symphony No. 1 (D Major): Sehr Einfach Und Schlicht Wie Eine Volksweise
8. Symphony No. 1 (D Major): Wieder Etwas Bewegter, Wie Im Anfang
9. Symphony No. 1 (D Major): IV – Sturmisch Bewegt-Energisch

Vienna Philharmonic Orchestra
Lorin Maazel

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Na boa, achei o Maazel meio mole...
Na boa, meus amigos, achei esse Maazel meio mole…

PQP