Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 6 e Kindertotenlieder (CDs 8 e 9 de 16)


Ocupadíssimo e, pior, febril, peço ajuda à web:

Filipe Salles escreveu:

A antítese da Quinta é a Sexta, sinfonia que começa nos mesmos moldes, mas que não termina na resolução dos conflitos propostos, conservando as tensões harmônicas até o final, sendo por isso, conhecida como Sinfonia Trágica. Mahler a escreveu em 1905, quando descobriu que era portador de uma doença genética no coração, e que iria matá-lo em breve. Poucas obras musicais revelam com tamanha perfeição o conflito pessoal que o sufocava, tomando consciência de maneira bastante dura e irrevogável de sua condição humana, e, portanto, mortal. É uma sinfonia pesada, de orquestração maciça, harmonias fortes, mas também não sem encantos, sendo seu Andante uma das páginas mais apaixonadas de Mahler. De qualquer modo, não é uma sinfonia facilmente digerível; o clima angustiante de um herói às voltas com seu próprio limite permeia toda a sinfonia, incessantemente. Ao terminá-la, apesar de estar passando por um período relativamente tranqüilo de vida, viu expurgados anseios íntimos, antigas preocupações lhe afloraram.

FDP Bach escreveu:

Gosto muito desta sinfonia, principalmente de seu primeiro movimento, de caráter marcial. Nas mãos de Bernstein torna-se ainda mais incrível.

Ah, existe uma pequena controvérsia referente ao Scherzo e ao andante, melhor detalhada aqui. A opção de Bernstein será a primeira adotada por Mahler, a saber, primeiro o Scherzo, depois o andante. Outros regentes, farão a inversão dos movimentos, como Abbado.

Com relação ao tempo de duração, esta gravação tem 1h e 27 min. Ou seja, não caberia em apenas 1 cd, algo que outros regentes já conseguiram fazer, como o próprio Bernstein, em seu registro de 1967 com a Filarmônica de New York. Só para efeito de comentário, nesta versão que ora posto, o último movimento dura 33:16, enquanto que na versão anterior dura 28m:38s. É uma diferença considerável… mas, enfim, são detalhes referentes às escolhas que são feitas pelos regentes e seus produtores, e sobre isso já fiz outra comparação, que se vai encontrar nos comentários da postagem da sinfonia nº 5.

Estranho, acho o segundo movimento muito superior… Coisas!

Os cinco Kindertotenlieder de Mahler formam o primeiro verdadeiro ciclo de canções com acompanhamento orquestral da História da Música. São poemas de Rückert, inspirados pela morte de seus filhos.

Sobre os Kindertotenlieder, Jorge Forbes escreveu:

O casal Mahler (Gustav e Alma Mahler) teve duas filhas, Maria (1902-1907) e Anna (1904 -1988). Maria faleceu de difteria em 1907. No mesmo ano Mahler descobriu que sofria de endocardite.

Deprimida com a morte de sua filha, Alma escreveu em seu diário: “nada foi frutificado em mim, nem minha beleza, nem meu espírito, nem meu talento.” Perde o desejo de viver. Mahler escapava do sofrimento afastando-se de Alma e, na sua tristeza, lembrava-se de outra cena:de sua infância sofrida, de seus oito irmãos mortos e da imensa tristeza de sua mãe. Compôs nessa época em homenagem póstuma as “Canções das Crianças Mortas” (Kindertotenlieder). Disse Mahler delas: não gosto de escrevê-las e não gosto que o mundo tenha que ouvi-las algum dia. São tão tristes!

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 6 e Kindertotenlieder (CDs 8 e 9 de 16)

CD1

Symphonie No. 6
01. I. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
02. II. Scherzo. Wuchtig
03. III. Andante moderato

CD2

01. Symphony No. 6 – IV. Finale Allegro moderato – Allegro energico
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

Kindertotenlieder
02. Kindertotenlieder – I. Nun will die Sonn’ so hell aufgehn
03. Kindertotenlieder – II. Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
04. Kindertotenlieder – III. Wenn dein Mütterlein
05. Kindertotenlieder – IV. Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen
06. Kindertotenlieder – V. In diesem Wetter, in diesem Braus

Thomas Hampson: baritone
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

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Lenny03

PQP

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  1. Alma perderia outra filha posteriormente quando então casada com Walter Groupius, um dos fundadores da Bahaus, motivo pelo qual foi feito o ”Concerto à memória de um anjo” de Berg ,para Violino. O Concerto se chamaria ”Manon” Requiém nome da filha deles( O Anjo) morta então com 18 anos e acabou sendo também o Réquiem de Berg morto quando fazia a obra…
    Alma Mahler….toc,toc,toc…três vezes na madeira e debaixo para cima como manda o figurino…eu hein!

  2. Hmm, a Sexta talvez seja minha sinfonia mahleriana favorita, apesar de ouvi-la tao pouco. Acho que é preciso um estado de espírito especial para aguentar o tranco e nem sempre estou tao bem disposto.

    E caro PQP, estou tentando comprar entradas para um concerto da Magdalena Kožená no final desse ano. Vamos ver se ela nao dá bola pra mim e larga o velho e bom Rattle.

    Abração!

  3. Odiava Mahler. Mas nunca tinha ouvido. Odiava por causa do “romantismo exagerado”. Nunca houve argumento consistente. Hoje Mahler tornou-se meu compositor favorito. Tb não tenho argumentos consistentes. Mas sei o que senti naquela noite em que ouvi a 6ª no Municipal do Rio tocada pela GMJO em agosto do ano passado. Eu me contorcia e chorava. Me contorci e chorei durante 1h e meia. Saindo do local não consegui proferir uma palavra sequer. Um turbilhão tinha se apossado da minha cabeça. Turbilhão este que nunca mais me abandonou graças a esta 6ª sinfonia deste grande maestro! Excelente postagem!

  4. Tenho a impressão de que esta sinfonia foi escrita antes dessas tragédias que ocorreram com Mahler (este fragmento do Filipe Salles dá a entender que foi depois). Alma teria até dito, de forma bem surpersticiosa, que esta sinfonia atraira todos esses acontecimentos negativos que se seguiram.

    Talvez alguém possa confirmar a história e tirar minha dúvida.

    Um abraço a todos!

  5. turminha pqpiana, não sei se seguem em busca de bons servidores, mas já ouviram falar/tentaram usar aquele russo maluco chamado NAROD? com o tradutor do chrome dá pra decifrar, e é o que o (excelente como o vosso) blog http://i-bloggermusic.blogspot.com.br/ vem usando. rápido pra começar o download, rápido pra finalizá-lo. sei lá, FIKDIK. abraços

    1. Após anos e anos de viagens pelos sete mares, vejo o Narod (Pequod) como o único adversário decente para o Rapidshare (Cachalote Branco). Sua desvantagem é o fato de ser novo. Mas, porra, é bom pra caralho.

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