Olivier Messiaen (1908-1992): Catálogo dos pássaros (Catalogue d’oiseaux)

Minha mulher é violinista e um dia estava começando a estudar o Quarteto para o Fim dos Tempos de Olivier Messiaen. Ela lia a partitura e me dizia que achava bonito, mas que não via lógica naquilo. Um dia, eu lhe falei sobre o amor do compositor francês pelos pássaros. Falei nos diversos movimentos do Quarteto para o qual ela se preparava que falavam de oiseaux, e em uma grande obra para piano chamada de Catálogo dos Pássaros. Quando olhei para o lado, notei que ela ficara congelada. É claro, ali estava o segredo para entender aquela música. Bastava ouvir os pássaros. Nos dias que se sucederam e até hoje, a cada visita nossa ao Parque da Redenção, ela ouve os pássaros e diz, sorrindo: “Messiaen”.

Olivier Messiaen (1908-1992): Catálogo dos pássaros (Catalogue d’oiseaux)

Disc 1
1. Catalogue d’oiseaux / Book 1 – 1. Le Chocard des Alpes
2. Catalogue d’oiseaux / Book 1 – 2. Le Loriot
3. Catalogue d’oiseaux / Book 1 – 3. Le Merle bleu
4. Catalogue d’oiseaux / Book 2 – 4. Le Traquet stapazin
5. Catalogue d’oiseaux / Book 3 – 5. La chouette hulotte
6. Catalogue d’oiseaux / Book 3 – 6. L’Alouette Lulu

Disc 2
1. Catalogue d’oiseaux / Book 4 – 7. La Rousserolle effarvatte
2. Catalogue d’oiseaux / Book 5 – 8. L’Alouette calandrelle
3. Catalogue d’oiseaux / Book 5 – 9. La Bouscarle
4. Catalogue d’oiseaux / Book 6 – 10. Le Merle de roche

Disc 3
1. Catalogue d’oiseaux / Book 7 – 11. La Buse variable
2. Catalogue d’oiseaux / Book 7 – 12. Le Traquet rieur
3. Catalogue d’oiseaux / Book 7 – 13. Le Courlis cendré
4. La Fauvette des jardins

Piano: Anatol Ugorski

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Ugorski: Like a Bird

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PQP

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29 ideias sobre “Olivier Messiaen (1908-1992): Catálogo dos pássaros (Catalogue d’oiseaux)

  1. Que posso eu fazer se amo esta música? Não apenas tenho esta gravação como a da Naxos e o notável registro em vinil — o melhor, pois pleno de invenção e poesia — da pianista brasileira Jocy de Oliveira, feito para a Polygram em 1988. Messiaen até lhe escreveu uma carta de agradecimento.

    Bem, seria chato se todos nós tivéssemos a mesma opinião… A minha é que o Catalogue d`oiseaux é uma obra-prima.

    • Ah, Jocy tocou muita coisa de Messiaen – regida pelo próprio, até. Ela certa vez comentou a presença dele na obra pianística de Almeida Prado. Por sinal, seria excelente se você um dia pudesse postar essa gravação com Jocy.

      Em tempo, entrei no mérito apenas estético aí no comentário do post: a obra é detestável para meus ouvidos atuais. Mas de jeito algum eu posso apontar defeitos em Messiaen, ele foi um mestre.

  2. Puxa, adoro Messiaen. E adoro as citações ornitológicas. Escutem a “Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo” ou “Do cânion às estrelas” – é um passaredo que não acaba mais. Até na “Turangalîla” tem um bocado de ave. Eu acho uma delícia. 🙂

  3. Muito interessante, criativo, mas por enquanto o francês místico não me convenceu. Vou deixar no HD para ouvir em “bicadas”, só pra dar mais uma chance, sob outra perspectiva. Mas, de qualquer forma, é magnífica a oportunidade de acesso a esse compositor tão influente, a quase 200 KB/S. Parabéns ao PQP, principalmente pela adoção do Megaupload.

  4. Estes dias li uma entrevista de Amaral Vieira, na qual ele faz uma apreciação muito negativa sobre Messiaen, como pessoa e como músico…Fiquei surpreso, já que foi seu professor…

  5. Em primeiro lugar, agradeço a publicação desta obra. Em segundo lugar, devo dizer que discordo plenamente da opinião aqui proferida. É um catalogo, e por vezes pode tornar-se difícil de ouvir, mas não deixa de ser uma obra-prima. Em certos momentos, impressionista. Mas claro, opiniões à parte, o que importa é a música. Bem hajam.

  6. Plenamente de acordo com CVL – também acho essas obras bem sacais, por importantes que possam ser para a música do século 20. Não se coloca em discussão o valor e a qualidade do ciclo, mas única e exclusivamente o prazer que cada um tem (ou não) em ouvir essa música. Citando CVL, a obra é detestável para os meus ouvidos atuais. Afinal, ninguém é obrigado a gostar de Messiaen, mesmo reconhecendo o valor intrínseco da sua obra. É somente uma opinião pessoal, que espero seja respeitada do mesmo modo que respeito com espírito democrático os comentários de todos do frequentadores do site. Con grande sabedoria pqpbach escreveu: – bem, seria chato se todos nós tivéssemos a mesma opinião…
    Abraços a todos, messiaenicos e não messiaenicos.

  7. Caro CVL, como pode escrever algo assim negativo sobre a obra de Messiaen, que é de rara criatividade num seculo XX tao opressor.. Acho que isso poderia até afastar a curiosidade de possiveis melomanos que estão agora a penetrar no mundo da musica erudita e estao avidos a conhecer compositores nao tao badalados, como Messiaen. Obviamente o Catalogo de passaros não é pra qualquer ouvinte, mas em nenhuma circunstancia deve ser subestimado. De qualquer forma, obrigado pela postagem.
    saudacoes Messiaenicas,
    Daniel.

    • Não discordo de jeito de algum de você, Daniel – pelo contrário, Messiaen foi realmente muito inventivo. Inclusive outras obras para piano de dele são bem mais inventivas e profundas que esta, e adoro as obras orquestrais. Mas esse catálogo parece ser o cúmulo do construtivismo anti-expressivo na obra pianística do francês. Se for pra algum iniciante começar a ouvir Messiaen, que comece mesmo pela Turangalîla.

  8. Sou novato aqui no site , mas confesso que fiquei chocado com o comentário grosseiro de que Messiaen é um pé no saco. Acharia melhor dizer que não se consegue entender ou algo mais respeitoso. Dos comentarios que li fiquei chocado com alguem dizer que Amaral Vieira foi aluno de Messiaen. Nunca. O unico aluno brasileiro dele foi Almeida Prado, nosso melhor compositor. Quanto a esta gravação é boa, mas longe da excepcional versao de Akon Haustbo para o selo Naxos.

    • São suscetibilidades… O senhor vai ficar mais chocado ainda com outros comentários postados aqui.

      Qualquer um tem todo o direito de dizer que sou um pé no saco também, devido a meus comentários. Não vou morrer nem perder o emprego por isso.

      Além do mais Messiaen não precisa de minha opinião pra continuar sendo admirado – et vice-versa.

      Falo tudo isso sorrindo porque, acredite-me, certas horas não quero ser levado muito a sério. Os visitantes mais antigos do blog sabem disso.

      ***

      Quanto a Amaral Vieira, ele foi aluno de Messiaen, sim. O próprio declarou isso várias vezes.

  9. da primeira vez que ouvi… tive medo,
    fechei o player em pouco mais que 12 segundos da execução de ‘le chocard des alpes’. fiquei imaginando se os demais pássaros seriam tão ébrios e histéricos quanto este primeiro.
    senti meu estomago embrulhar e até hoje ainda não tive coragem para conferir…

    =/

    * * *

    e, nossa!, estava para dizer que alguma coisa d’este pássaro insano me lembrou trechos do ‘rios’ de almeida prado – também não entendo o porque, mas lembrou -, quando li os comentários acima e descobri a relação entre eles. contudo, ‘rios’ é ‘ouvível’… aliás, gostei.

  10. Eu gostei porque mostra mais uma vez a capacidade genial da arte de transfigurar a realidade. No clima meio hermético e sombrio, ou numa fantasia irônica dos sons, Messiaen mandou muito bem.

    Às vezes sinto, escutando a música de Webern, por exemplo, que a música atonal parece que faz um “deboche” das notas, como se els gritassem. Mas isso só revela o modo como a música transfigura os sons, colocando as coisas do mundo na ” espiritual realidade estética”.

  11. olá!
    aceso o site com frequencia porém não costumo comentar, mas venho pedir, se possível, que o link do pacote de partituras de Kapustin seja revalidado.
    grata pelo ótimos cds aqui postados.

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