Einojuhani Rautavaara (1928): Integral dos concertos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Antes do texto do CVL, um recado de PQP: gostei muito dos concertos de Rautavaara, mas não dos para Piano. Então, em minha humilde opinião, temos três CDs muito bons e um apenas aceitável no arquivo… É gosto ou mania pessoal, mas tem gente que aprecia “minha curadoria”…).

Rautavaara é um dos meus compositores contemporâneos prediletos e o mais proeminante compositor vivo da Finlândia até a década passada, quando Kaija Saariaho começou a despontar e levou o Grawemayer em 2003 e o Léonie Sonning agora em 2010 (os dois maiores prêmios da música erudita mundial, nunca concedidos a Rautavaara).

O que aprecio bastante no finlandês é a capacidade de ele não escrever uma única nota que possa ser desperdiçada, além de competência para estruturar um movimento inteiro a partir de um pequeno motivo (o que vocês podem atestar logo no Concerto para violino, nos dois acordes da harpa). Este box que ora vos oferto traz a integral dos concertos e peças concertantes – de outra vez postarei a integral das sinfonias.

É complicado persuadi-los a ouvir música contemporânea. O que posso dizer a mais é que Rautavaara não tem nada de excêntrico ou agressivo; ele transita pelas linguagens orquestrais tradicionais (com alguma intervenção de música concreta, muito bem colocada conceitualmente, em Cantus Arcticus) para imprimir seu misticismo – a obra de Rautavaara é muito inspirada por lendas e visões de anjos – ou seu naturalismo.

***

Einojuhani Rautavaara: 12 Concertos

Disc 1
1. Violin Concerto: I. Tranquillo 1a
2. Violin Concerto: II. Energico 1a
3. Cello Concerto, Op. 41: I. Allegro ma non troppo 2b
4. Cello Concerto, Op. 41: II. Largo 2b
5. Cello Concerto, Op. 41: III. Vivace 2b
6. Angel of Dusk: I. His First Appearance 3c
7. Angel of Dusk: II. His Monologue 3c
8. Angel of Dusk: III. His Last Appearance 3c

Disc 2
1. Ballad Juha Kangas 4d
2. Harp Concerto: I. Pesante 1e
3. Harp Concerto: II. Adagietto 1e
4. Harp Concerto: III. Solenne 1e
5. Cantus arcticus, Op. 61, “Concerto for Birds and Orchestra”: I. The Bog 1
6. Cantus arcticus, Op. 61, “Concerto for Birds and Orchestra”: III. Swans Migrating 1
7. Cantus arcticus, Op. 61, “Concerto for Birds and Orchestra”: II. Melancholy 1

Disc 3
1. Flute Concerto, Op. 63, “Dances with the Winds”: I. Andantino1f
2. Flute Concerto, Op. 63, “Dances with the Winds”: II. Vivace 1f
3. Flute Concerto, Op. 63, “Dances with the Winds”: III. Andante moderato 1f
4. Flute Concerto, Op. 63, “Dances with the Winds”: IV. Allegro 1f
5. Clarinet Concerto: I. Drammatico ma flessibile 1g
6. Clarinet Concerto: II. Adagio assai 1g
7. Clarinet Concerto: III. Vivace 1g
8. Annunciations 1h

Disc 4
1. Piano Concerto No. 1, Op. 45: I. Con grandezza 1i
2. Piano Concerto No. 1, Op. 45: II. Andante 1i
3. Piano Concerto No. 1, Op. 45: III. Molto vivace 1i
4. Piano Concerto No. 2: I. In viaggio 6i
5. Piano Concerto No. 2: II. Sognando e libero 6i
6. Piano Concerto No. 2: III. Uccelli sulle passioni 6i
7. Piano Concerto No. 3, “Gift of Dreams”: I. Tranquillo 7j
8. Piano Concerto No. 3, “Gift of Dreams”: II. Adagio assai 7j
9. Piano Concerto No. 3, “Gift of Dreams”: III. Energico 7j

a Elmar Oliveira, violin
b Marko Ylönen, cello
c Esko Laine, double bass
d Reija Bister, harp
e Marielle Nordmann, harp
f Patrick Gallois, piccolo, alto & bass flute
g Richard Stoltzman, clarinet
h Kari Jussila, organ
i Ralf Gothóni, piano
j Vladimir Ashkenazy, piano
1 Helsinki Philharmonic Orchestra/Leif Segerstam
2 Helsinki Philharmonic Orchestra/Max Pommer
3 Tapiola Sinfonietta/Jean-Jacques Kantorow
4 Ostrobothnian Chamber Orchestra/Juha Kangas
5 Leipzig Radio Symphony Orchestra/Max Pommer
6 Bavarian Radio Symphony Orchestra/Jukka-Pekka Saraste
7 Helsinki Philharmonic Orchestra/Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Rautavaara envelheceu, mas não perdeu o topete.
Rautavaara envelheceu, mas não perdeu o topete.

CVL

30 comments / Add your comment below

  1. Olá, gostei muito dos CDs !!!

    gostaria de saber se você tem Audiobooks de livros de música, como livros de história, biografias…sei la !
    🙂

    valeu

  2. Critíca construtiva: custa alguma coisa disponibilizarem a capa, contra-capa e encarte dos cds, baixei todas as sinfonias de Mozart recentemente no Branle de Champaigne com a the Academy of Ancient Music, tudo certinho, capa, encarte, brincadeira!

  3. Não se assustem 🙂

    Rautavaara estava na moda nos anos 90 nos países de língua inglesa. Os leitores da finada Classic CD vão se lembrar: todo mês tinha um álbum dele resenhado. A gravação do Leif Segerstam da Sinfonia no. 7, “Anjo de luz”, ficou famosa, vendeu bastante e tal. (Não chegou, no entanto, a ser um fenômeno pop como a Sinfonia no. 3 de Górecki.)

    É, portanto, um compositor bem afável, conservador. Parece um Sibelius um tanto mais dissonante e orquestrador mais ousado. É música bonita, mas não me empolga tanto. O que me interessa nela é justamente as combinações tímbricas inusitadas que o Rautavaara cria: o “Canto ártico”, concerto para pássaros gravados e orquestra, me é quase perturbador; ou as “Anunciações” para órgão, conjunto de metais e orquestra, de som surreal.

    Vale o download, vale conhecer.

    1. Pronto, Eduardo. Seu comentário valeu mais do que o meu: foi mais na lata.

      E de fato, conheci Rautavaara – e comecei a gostar dele – através da Classic CD.

      ***

      Se você puder escrever umas poucas linhas sobre os portugueses que me enviaste, agradeceria.

      1. Sobre os portugueses:

        Fernando Lopes-Graça é provavelmente o principal compositor português, junto com Carlos Seixas e João Domingos Bomtempo (cada um de uma época, portanto). Ele se insere claramente na linha bartókiana de um modernismo bastante claro na forma, ritmicamente vigoroso, contrapontisticamente hiperativo e de harmonia com muitos toques modais, relativamente modesta no uso de dissonância e, sobretudo, que se apóia de maneira bastante inteligente no folclore e na cultura popular.

        A Sinfonia que mandei, dita “Per orchestra”, é em três movimentos bem delineados, sendo o último uma passacaglia sobre um tema folclórico. É a única sinfonia do autor. Gosto muito da peça. O sabor modal lembra um pouco Vaughan Williams e Ernest Moeran, mas a ênfase rítmica e a limpidez incrível da forma o aproximam muito mais de Camargo Guarnieri.

        A “Suíte rústica” no. 1 (ele escreveu mais duas, uma para orquestra de cordas e outra para piano) é uma peça em seis partes, cada uma baseada em um tema popular de uma região de Portugal: Oliveira do Hospital, Foz Côa, Reguengos de Monsaraz, Póvoa do Lanhoso, Pegarinhos e Beira. É uma delícia, os temas folclóricos são facilmente discerníveis e, ao mesmo tempo, são transformados por harmonia e orquestração bastante sofisticadas.

        Joly Braga Santos teve uma carreira menos ilustre e foi menos reconhecido em vida. É, digamos, uma redescoberta mais recente, devida principalmente ao trabalho do regente Álvaro Cassuto. É o compositor português da moda nos países anglófonos. O David Hurwitz, do ClassicsToday, adora Braga Santos.

        É um compositor praticamente contemporâneo de Lopes-Graça, porém pertencente a uma linha bem diferente, mais conservadora. Braga Santos foi um compositor precoce, e quatro de suas seis sinfonias foram escritas antes de seus 27 anos – são obras de juventude, surpreendemente bem realizadas.

        Sua linguagem lembra Sibelius, Respighi e, principalmente, Vaughan Williams. A forma é bem expandida, os desenvolvimentos são alongados e comumente nascem de um estático inicial que vai acumulando tensão até um grande clímax. A harmonia mistura modalismo e cromatismo pós-wagneriano. As melodias são longas e muito bem desenhadas. A cor orquestral é costumeiramente escura, densa.

        As duas sinfonias que mandei, a Segunda e a Terceira, são obras em grande escala. São bem parecidas, quase intercambiáveis entre si. Ambas têm quatro movimentos: os externos mais dramáticos, com longas introduções lentas; um segundo movimento adagio reflexivo; e um scherzo mais próximo do intermezzo brahmsiano do que do scherzo bruckneriano.

        Elas surpreendem por terem sido escritas, e tão bem, por um compositor tão jovem. Mas, embora repletas de belíssimos momentos, são obras bastante derivativas. Overall, acho que valem sim a curiosidade.

        1. O Lopes-Graça está lá no tópico do Alfred Deller, não está não?

          Não são CDs na íntegra.

          O Lopes-Graça é parte de um CD que foi lançado pela EMI portuguesa (Valentim de Carvalho), que um amigo português me presenteou e que nunca vi em outro lugar. É completado pelo “Canto de amor e morte”, obra que infelizmente nunca me despertou maior interesse.

          Já o Braga Santos é uma mistura desses dois CDs aqui:

          http://www.amazon.com/Joly-Braga-Santos-Symphony-Crossroads/dp/B000053W4D/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=music&qid=1272374572&sr=8-2

          http://www.amazon.com/Braga-Santos-Symphonies-Alvaro-Cassuto/dp/B00000HZTO/ref=sr_1_3?ie=UTF8&s=music&qid=1272374572&sr=8-3

          Os fillers dos álbuns – a Sinfonia no. 6 e o balé “Encruzilhada” – são da fase posterior do Braga Santos, mais “moderna”, que considero pouco representativa.

          Se quiser, “for completion’s sake”, posso mandar as faixas restantes.

        2. Rapaz, eu preferiria os CDs com as faixas todas, mas vamos fazer o seguinte: como já fiz o upload de Braga Santos, mande-me os arquivos restantes (os de Braga Santos e Lopes-Graça que ficaram de fora) todos num mesmo arquivo e com um mínimo de comentários (nem que seja um parágrafo), porque vou criar um terceiro link.

          O Lopes-Graça não veio no post do Deller.

        3. Okidoki, mando os arquivos restantes e algum comentário extra sobre as obras “sobressalentes”.

          E concordo integralmente sobre a falta de noção dos visitantes…

          Ah, eis meu comment sobre o Lopes-Graça:

          “Vamos lá, começando por Lopes-Graça:

          Fernando LOPES-GRAÇA (1906-1994)

          Sinfonia “per orchestra”, op. 38
          Suíte rústica no. 1, sobre temas folclóricos portugueses, op. 64

          Orquestra Sinfônica Nacional Húngara
          Tamás Pal, regente

          http://sharebee.com/a4e1f5ac

          (A gravação tem um som meio “de lata”, equalização alta – parece de música popular – e pobreza de detalhes. Ela faz parte de uma série de registros de música portuguesa realizada nos anos 90 no Leste Europeu, principalmente Hungria. É bastante curioso. Adoraria ouvir essas peças em som moderno e com intérpretes mais refinados. As sinfonias de Braga Santos tiveram mais sorte e foram magnificamente gravadas pela Marco Polo/Naxos.)”

          Reforço: o link é http://sharebee.com/a4e1f5ac. Lá dentro tem Rapidshare, Megaupload etc.

  4. Muito boa a música de Rautavaara, ótima postagem. Vocês têm algo do Hovhaness? Ouvi um podcast dele no blog da Naxos mas é dificílimo achar na rede.

    Valeu CVL

    1. De Hovhaness só conheço a Sinfonia no. 2, “Montanha misteriosa”. É uma obra bonita, que não se afasta tanto do padrão sinfônico americano dos anos 40 – Barber, Roy Harris, Piston.

      (Aliás, minha sinfonia americana predileta é a Terceira de Roy Harris. Muito, muito legal.)

  5. Valeu pelo post, pra mim lembrou um Rachmaninov mais modernoso em algumas partes. Baixei o disco 2, gostei bastante do Cantus Arcticus, bem atmosférico.
    O pessoal que nunca se aventurou muito na música do século XX pode baixar sem medo o disco, achei bastante “amigável”.

  6. CVL,
    não sei o que está acontecendo mas…
    baixei os arquivos que foram salvos como de tipo “desconhecido”.
    não consigo identificá-los para abrir e descompactar.
    imaginas o que pode estar ocorrendo?

    1. Realmente não sei, mas se eles estiverem sendo visualizados como um ícone branco, renomeie-os colocando “.rar” no final, aí eles virarão arquivos Winrar e você pode descompactar.

  7. Aproveitando a carona na discussão sobre música portuguesa, gostaria de dizer que tenho os Cds originais do Lopes Graça, inclusive as suas canções e o extraordinário “Réquiem para as vítimas do fascismo em Portugal”. Estou disposto a copiá-los se for do interesse dos Srs. Quero também fazer justiça ao Luís de Freitas Branco, que foi outro compositor português muito importante.Posso disponibilizar o material dele também. Além disso, gostaria de chamar a atenção, principalmente dos Mahlerianos, para um compositor dinamarquês chamado Rued Landgaard. Consegui todas as sinfonias dele na Suécia e são surpreendentes. Vale a pena conferir também as 16 sinfonias do sueco Allan Pettersson.

    Um grande abraço a todos!

    Harry Crowl

    1. E as 13 sinfonias do dinamarquês Vagn Holmboe, que são absolutamente notáveis. (E não muito distantes do Lopes-Graça, olha que interessante.)

    1. Caro Gianpaolo, non c’è problema con I CD 3 e 4 completi. Solo ci sono tre tracks che ho sustituito: vedi il link nel fine del post, dopo la mia signatura. Saluti.

  8. Grazie per aver subito risposto.Ho visto i tre tracks, ma gli errori nei cds 3 e 4 impediscono del tutto la loro apertura.Per questo ti ho chiesto cortesemente se puoi reuoload i cd 3 e 4 completi.Nel primo cd molto bello il
    concerto per violino.Conosco i concerti per piano nella versione naxos ma sono curioso di ascoltarli nella versione Gothoni e Ashkenazy. Grazie di cuore,G.Paolo

  9. O link do dos concerto do Einojuhani Rautavaara – 12 Concertos, está desativado.
    E eu gostaria também de saber se está em flac ou 320 kbps.
    Obrigado, Karyttus – São Paulo-BRASIL.

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