Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonias Completas (Gergiev)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Gergiev está no seu elemento nas sinfonias de Prokofiev. Aqui temos uma grande versão das sinfonias do homem que morreu no mesmo dia em que Stalin deixou este mundo. Não sobraram flores para Prokofiev e nem se deram conta de que algo muito mais humano tinha falecido naquela dia de 1953. Bem, o russo Gergiev sempre teve um talento especial para a emoção visceral da música de seu país, cheia de momentos extremos, líricos, leves e sofisticados, grotescos, sarcásticos e violentos. Gergiev pegou um pouco pesado na Sinfonia Nº 1, “Clássica”, homenagem de Prokofiev a Haydn e Mozart. Mas o que ele faz nas quatro sinfonias de aço de idade adulta é esplêndido. A 5ª está maravilhosa, inesquecível. As negligenciadas 4ª e 6ª aparecem como a grandíssima música que são. Porém, o mais surpreendente é a 7ª de Gergiev. Um peça melodiosíssima — por vezes zombeteira — a qual é dada uma interpretação natural e fluida, a melhor interpretção que já ouvi dela. A Orquestra Sinfônica de Londres é grande parte do sucesso do conjunto. É uma das grandes orquestras do mundo. Ah, as gravações foram registradas ao vivo. É mole?

CD1

01. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – I. Allegro
02. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – II. Larghetto
03. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – III. Gavotta, Non troppo allegro
04. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – IV. Finale, Molto vivace

05. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – I. Andante, Allegro eroico
06. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – II. Andante tranquillo
07. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – III. Moderato, quasi allegretto
08. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – IV. Allegro risoluto

CD2

09. Sergei Prokofiev – Symphony No. 2 in D minor, op. 40 – I. Allegro ben articolato
10. Sergei Prokofiev – Symphony No. 2 in D minor, op. 40 – II. Theme and variations

11. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – I. Moderato
12. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – II. Andante
13. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – III. Allegro agitato
14. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – IV. Andante mosso, Allegro agitato

CD3

15. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – I. Andante assai, Allegro eroico
16. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – II. Andante tranquillo
17. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – III. Modertato, quasi allegretto
18. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – IV. Allegro risoluto

19. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – I. Andante
20. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – II. Allegro marcato
21. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – III. Adagio
22. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – IV. Allegro giocoso

CD4

23. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 1. Allegro moderato
24. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 2. Largo
25. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 3. Vivace

26. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 1. Moderato
27. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 2. Allegretto
28. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 3. Andante espressivo
29. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 4. Vivace

London Symphony Orchestra
Valery Gergiev

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Prokofiev posando para a Caras soviética

Prokofiev posando para a Caras soviética

PQP

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J. S. Bach (1685-1750): 6 Partitas, BWV 825-830

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu sei que Trevor Pinnock tem grandes trabalhos como regente — seu Messiah é difícil de bater — , mas foi aqui, com as Partitas para teclado de Bach, que ele foi imbatível. A música é extraordinária, da lavra do melhor e mais inspirado Bach, e a resposta de Pinnock foi na mesma altura. E não ignoro que há adversários imensos como Leonhardt e Gould. Este é um CD que todos deveriam ter. Ah, o álbum duplo original tem as Partitas em outra ordem. Aqui, eu as coloquei na ordem de 1 a 6. Fica melhor, né?

Ninguém vai se arrepender de ouvir.

J. S. Bach (1685-1750): 6 Partitas, BWV 825-830

1. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : I. Prelude 2:08
2. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : II. Allemande 4:06
3. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : III. Corrente 2:59
4. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : IV. Sarabande 5:28
5. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : V. Menuet 1 and 2 2:40
6. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : VI. Gigue 2:26

7. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : I. Sinfonia 4:49
8. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : II. Allemande 5:06
9. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : III. Courante 2:09
10. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : IV. Sarabande 3:37
11. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : V. Rondo 1:32
12. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : VI. Capriccio 3:48

1. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : I. Fantasia 2:14
2. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : II. Allemande 3:24
3. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : III. Corrente 2:53
4. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : IV. Sarabande 4:28
5. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : V. Burlesca 2:05
6. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : VI. Scherzo 1:15
7. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : VII. Gigue 3:43

8. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : I. Overture 6:36
9. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : II. Allemande 10:14
10. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : III. Courante 3:28
11. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : IV. Aria 2:18
12. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : V. Sarabande 5:57
13. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : VI. Menuet 1:25
14. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : VII. Gigue 4:05

15. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : I. Prelude 2:50
16. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : II. Allemande 5:26
17. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : III. Corrente 1:57
18. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : IV. Sarabande 5:24
19. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : V. Tempo di Minuetta 1:51
20. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : VI. Passepied 1:34
21. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : VII. Gigue 4:13

13. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : I. Toccata 7:20
14. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : II. Allemande 3:44
15. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : III. Corrente 4:28
16. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : IV. Air 1:40
17. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : V. Sarabande 5:48
18. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : VI. Tempo di Gavotta 2:08
19. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : VII. Gigue 6:23

Trevor Pinnock, cravo

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Trevor Pinnock: o maior trabalho de sua vida

Trevor Pinnock: o maior trabalho de sua vida

PQP

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Antonin Dvorák (1841-1904): Cello Concerto – "Dumky" Trio – Queyras – Faust – Prague Philharmonia


Belo e ensolarado domingo, e nada como um belo e bem interpretado Concerto para Violoncelo de Dvorák para tornar o dia ainda mais agradável. Não entendo como o mano PQP pode não gostar deste compositor mas tudo bem, cada um tem seu gosto e isso aprendi a respeitar nas pessoas.

Já trouxe outras duas versões para esta mesma obra, primeiramente a mais consagrada de todas, com um dos maiores violoncelistas do século XX, quem sabe talvez o maior deles, Rostropovich. Para muitos, trata-se da gravação definitiva. Pode ser. Particularmente, a minha favorita é com o Pierre Fournier, mas não vem ao caso discutir isso aqui agora.

Posteriormente trouxe outra gravação, desta vez com a Jacqueline Du Pré, que viveu pouco entre nós, mas que deixou sua marca.

Hoje trago mais uma gravação deste concerto, e desta vez é com o jovem Jean-Guihen Queyras. Resolvi dar voz aos novos intérpretes, e quando se trata de uma gravação da Harmonia Mundi precisamos prestar atenção ao que vem pela frente, pois geralmente se trata de material de primeira qualidade.

“Beauty. Slow Beauty”!, “This is a great one”, “ How Do You Spell ‘magnificent’ in Czech?”, são alguns dos comentários dos clientes da amazon, que deram 5 estrelas para este CD, e tenho de concordar com eles.

A Orquestra que acompanha o jovem Jean-Guihen é a The Prague Philharmonia regida por Jíri Belohlavek, que faz um belo trabalho, diga-se de passagem.

A outra obra que vem junto deste cd é o trio mais conhecido de Dvorák, o “Dumky” Trio. Sugiro uma leitura do texto do libretto que acompanha o cd. Nesta obra, Queyras é acompanhado pela violinista Isabelle Faust, e pelo pianista Alexander Melnikov.

Mas vamos ao que interessa:

Antonin Dvorák (1841-1904) – Cello Concerto – “Dumky” Trio

01 – Concerto pour violoncelle – I. Allegro
02 – Concerto pour violoncelle – II. Adagio ma non troppo
03 – Concerto pour violoncelle – III. Allegro moderato
04 – Trio n 4 ‘Dumky’ – I. Lento maestoso – Allegro quasi doppio movimento
05 – Trio n 4 ‘Dumky’ – II. Poco adagio – Vivace non troppo
06 – Trio n 4 ‘Dumky’ – III. Andante – Vivace non troppo
07 – Trio n 4 ‘Dumky’ – IV. Andante moderato – Allegretto scherzando
08 – Trio n 4 ‘Dumky’ – V. Allegro
09 – Trio n°4 ‘Dumky’ – VI. Lento maestoso – Vivace

Jean-Guihen Queyras – Cello
Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano
The Prague Philharmonia
Jiri Behlolávek – Conductor

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Jean-Guihen Queyras

Jean-Guihen Queyras

FDP Bach

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Arvo Pärt (1935): In Principio

  • Repost de 22 de Novembro de 2015

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;

Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

João 1:1-14

Não só os cristãos que ficam encantados com essas palavras, Stephen King em A Coisa, e agora eu, escrevendo sobre esse ótimo álbum com essa obra que se inspira nestas palavras sagradas, faço referência à esse evangelho e não teria outra forma de começar a não ser por esse belíssimo texto. Não sei exatamente o que me inspira nele, há algo de poético, de épico e de fantástico que me faz ter uma enorme reverência por estes versos, entre outros da Bíblia Sagrada, mesmo não sendo mais cristão.

Arvo Pärt aqui está um pouco diferente daquele compositor calmo que transparece em Für Alina. Vemos aqui um pouco daquela força arrasadora do primeiro movimento de Tabula Rasa, embora em outra forma dessa vez, na forma de um poderoso coro e uma orquestra, no caso da obra In Principio. Também sentimos essa força na belíssima e hipnotizante Mein Weg, obra que transparece em sua tonalidade um pouco de influência da música oriental… mas isso é uma outra história, e como bem sabem, deve ser contada em outro momento…

Arvo Pärt (1935): In Principio

01 In principio – I. In principio erat Verbum
02 In principio – II. Fuit homo missus a Deo
03 In principio – III. Erat lux vera
04 In principio – IV. Quotquot autem acceperunt sum
05 In principio – V. Et Verbum caro factum est

06 La Sindone

07 Cecilia, vergine romana

Estonian Philharmonic Chamber Choir
Estonian National Symphony Orchestra
Tõnu Kaljuste, regente

08 Da pacem Domine

Estonian Philharmonic Chamber Choir
Tallinn Chamber Choir
Tõnu Kaljuste, regente

09 Mein Weg

10 Fur Lennart in memoriam

Tallinn Chamber Orchestra
Tõnu Kaljuste, regente

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Vai maluco, passa esse celular que aqui é curintia hexa campeão.

Vai maluco, arranja uma grana ai que aqui é curintia hexa campeão.

Luke

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Paul Hindemith (1895-1963): Konzertmusik, Mathis der Maler e Symphonic Metamorphosis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sensacional álbum que contém as obras mais populares de Hindemith para orquestra, incluindo as Metamorfoses Sinfônicas coreografadas por Balanchine e a Sinfonia “Matias, o Pintor”, interpretadas com precisão lapidar e grande empatia pela Orquestra Escocesa da BBC sob a batuta de Martyn Brabbins, intérpretes consumados deste compositor que só faz crescer na discografia erudita. Cresce porque é bom demais. Hindemith escreve para sopros como ninguém. Não confirmando sua velha reputação de um compositor por demais complexo, este Hindemith genuinamente agradável, ao mesmo tempo inteligível e intelectual, tão divertido quanto finamente trabalhado.

Konzertmusik for brass and strings Op 50 [17’45]
1 Mässig schnell, mit Kraft – Sehr breit, aber stets fliessend [8’59]
2 Lebhaft – Langsam – In ersten Zeitmass [8’46]

Symphony ‘Mathis der Maler’ [26’55]
3 Engelkonzert [9’06]
4 Grablegung [4’11]
5 Versuchung des heiligen Antonius [13’38]

Symphonic Metamorphosis after themes by Carl Maria von Weber [21’18]
6 Allegro [4’17]
7 Scherzo: Turandot [7’53]
8 Andantino [4’19]
9 Marsch [4’49]

BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins

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Hindemith: vá ser contrapontístico assim na pqp!

Hindemith: vá ser contrapontístico assim na pqp!

PQP

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J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nota inicial de Ranulfus: Há um mês o mesmo repertório deste CD (Brandenburgos e Aberturas) voltou à baila executado pelos canadenses da Taffelmusik, em postagem do colega FDP Bach. Ouvi, gostei e recomendo – mas para meu gosto pessoal esta realização de Masaaki Suzuki continua campeã absoluta. Baste dizer que eu sempre havia considerado o 1º Brandenburgo um tanto massudo em comparação com os demais, até chato… mas ao arrancá-lo do salão para o galpão, recuperando a energia e rusticidade das trompas não sem razão chamadas “de caça”, Mr Suzuki conseguiu transformá-lo para mim, de golpe, em uma das peças mais excitantes e queridas do velho Bach!

Daí o meu choque ao descobrir que os links desta postagem estavam vencidos há anos. Inconformado, tomei a postagem de assalto e renovei os links, com ligeira reformulação da apresentação, sem nem pedir licença ao autor da postagem, nosso Grão-Mestre PQP Bach – esperando que ele abrevie em pelo menos dois anos minha condenação às galés pelo fato de preservar a seguir o seu texto original:

É óbvio que as pessoas que mantêm o PQP Bach têm vários parafusos soltos. Em primeiro lugar pela constância e absoluto saco de fazer os ups, em segundo lugar (há vários outros “lugares”) por inventar efemérides onde não há. E a moda do momento é fazer o 200º post de Bach. Nós simplesmente adotamos o desafio do “Raphael – Cello” de chegar JÁ ao post 200 e entramos num alucinado tour de force. Pois agora eu respondo ao Carlinus com o mesmo repertório de seu post de ontem, só que na interpretação de Masaaki Suzuki e do Bach Collegium Japan. Acho que ninguém vai reclamar de novos Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais, né? As duas versões que apresentamos hoje são esplêndidas, o que destrói qualquer tentativa de encontrar um registro mais correto, pois ambas são NOTÁVEIS e MUITO DIFERENTES.

Comprovem dando uma ouvida com que fez Suzuki no 2º movimento do 3º Brandenburguês. Sim, cinco minutos onde não há nada (na minha gravação da Orq. de Freiburg este movimento tem 13 segundos !!!).

Ah, e UM FELIZ DIA DOS PAIS A JOHANN SEBASTIAN !!! ESTEJA ONDE ESTIVER, ELE É VERDADEIRO PAI DE TODOS OS QUE AMAM A MÚSICA !!!

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan

Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046
1.1. (No tempo indication)
1.2. Adagio
1.3. Allegro
1.4. Menuet – Trio – Menuet – Polonaise – Menuet – Trio – Menuet

Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
2.1. (No tempo indication)
2.2. Andante
2.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048
3.1. (No tempo indication)
3.2. Adagio
3.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049
4.1. Allegro
4.2. Andante
4.3. Presto

Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050
5.1. Allegro
5.2. Affettuoso
5.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051
6.1. (No tempo indication)
6.2. Adagio ma non tanto
6.3. Allegro

Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066
1.1. Ouverture
1.2. Courante
1.3. Gavotte 1/2
1.4. Forlane
1.5. Menuet 1/2
1.6. Bourrée 1/2
1.7. Passepied 1/2

Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068
3.1. Ouverture
3.2. Air
3.3. Gavott 1/2
3.4. Bourrée
3.5. Gigue

Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069
4.1. Ouverture
4.2. Bourrée 1/2
4.3. Gavotte
4.4. Menuet 1/2
4.5. Réjouissance

Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067
2.1. Ouverture
2.2. Rondeau
2.3. Sarabande
2.4. Bourrée 1/2
2.5. Polonaise – Double
2.6. Menuet
2.7. Badinerie

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Suzuki, um monstro

Suzuki, um monstro

PQP

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Domenico Zipoli (1688-1726) – Música Sacra de las Misiones

zipoliUm grande CD apenas encontrável atualmente na Amazon da Inglaterra – a preço proibitivo – e na alemã, cujo link colocamos na figura ao lado. Música de primeira linha, extremamente bem gravada e com bons solistas. Imperdível!

A seguir, um artigo publicado pelo diario ÚLTIMA HORA (El Correo Semanal), 1-2 de enero de 2000 (Asunción,Paraguay).

Por muchas razones la figura de Doménico Zípoli (1688-1726) está ligada al patrimonio musical que legaron las Reducciones Jesuíticas. Nacido en Prato (Italia) y dueño de una sólida formación musical con maestros de la talla de Alessandro Scarlati y reconocido por su talento como compositor, su vida cambió de manera radical cuando, motivado por la vocación sacerdotal, viajó a Sevilla (España), donde ingresó a la Compañia de Jesús. En 1717 partió una expedición, organizada por los jesuitas, rumbo al Río de la Plata. Tenían como misión trabajar en las ya célebres Reducciones Jesuíticas del Paraguay. La enorme provincia virreynal abarcaba incluso el Convento de los Jesuitas en Córdoba, lugar donde se estableció.

En los ocho años y cinco meses de actividad en las Reducciones, Zípoli compuso una gran cantidad de música que luego se enviaba, por medio de emisarios, a los treinta pueblos que formaban parte de las Reducciones. Cuando España ordenó la expulsión de los jesuitas, en 1767, la mayor parte de sus composiciones fueron destruidas.

Fue recién en 1959 que el musicólogo estadounidense Robert Stevenson halló en Sucre (Bolivia) copias de su Misa en Fa, copiada en Potosí a pedido del Virrey de Lima. En 1972; en la Reducción de Chiquitos (Bolivia), se encuentran más de diez mil manuscritos, un hallazgo considerado como trascendental para el conocimiento de la musicología hispanoamericana. Entre esos manuscritos se pudieron rescatar obras de Zípoli, como Misas, Motetes, Himnos y piezas de órganos.

Pero todo ese material esta sin clasificar. Fue el maestro Luiz Szarán, en Paraguay, quien inició la recopilación, construcción, publicación e interpretación de las composiciones de Zípoli a través de un centenar de conciertos llevados a cabo en el país y en el exterior, como Argentina, Uruguay y Brasil; en la Exposición Universal de Sevilla, de 1992; en el Auditorio Nacional de España, en 1995, se verificó el estreno mundial del conjunto de Vísperas Solemnes.

En nuestro país podemos apreciar la labor de Luis Szarán en un compacto titulado ”Música de las Reducciones Jesuíticas”. Así pudimos acercarnos a un patrimonio invalorable, que habla del legado musical de un hombre que, de no ser por los estudiosos, podría haber quedado en el olvido.

Zípoli murió en Santa Catalina (a 50 kilómetros de Córdoba) a los 38 años de edad, de teberculosis. A quienes deseen ahondar en la vida de este músico recomendamos consultar el Diccionario de la Música en el Paraguay, de autoría de Luis Szarán.

Composer: Domenico Zipoli (1688 – 1726)
Performers: Mario Videla (Organo y clave), Haydee Francia (Violin solista), Claudio Baraviera (Cello), Margarita Zimermann (Contralto) et al.
Orchestra/Ensemble: Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro
Conductor: Monseñor Jesús Gabriel Segade

Domenico Zipoli (1688 – 1726)
01. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – I. Kyrie
02. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – II. Gloria
03. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – III. Credo
04. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – IV. Sanctus
05. Sonata en La Mayor para violín y bajo continuo
06. Cantata para solistas y bajo continuo – Dell’ofesse a vendicarmi

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Zipoli: se não foi santo, esteve perto

Zipoli: se não foi santo, esteve perto

PQP / Avicenna

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Te Deum (João de Sousa Carvalho, 1792) & Motetos (José António Carlos de Seixas, António Teixeira, Francisco António de Almeida) – Gulbenkian Chamber Orchestra & Chorus

2i7v6vtGravado em 1971 e remasterizado em 1997, esta apresentação em 2 CDs nos traz obras dos mais importantes compositores portugueses do século XVIII.

Repostagem com novo e atualizado link.

Harry Crowl Jr. nos brinda com alguns comentários sobre João de Sousa Carvalho e o Te Deum:

João de Sousa Carvalho, talvez o compositor mais importante da segunda metade do séc.XVIII em Portugal, foi o último português a ser enviado à Itália para realizar os seus estudos musicais. Durante o reinado de D.José I, ele foi enviado com “bolseiro” do rei para Nápoles, onde estudou no Conservatório de “San Onofrio a Capuana”, onde também foi colega de Giovanni Paisiello. Quando de sua volta a Portugal, tornou-se professor de contraponto no Seminário da Patriarcal. Em 1778, foi nomeado para o cargo de mestre dos príncipes e infantes, que fora exercido por David Perez. Dois discípulos seus foram importantes compositores: António Leal Moreira e Marcos Portugal. A sua produção concentra-se em óperas, serenatas e música religiosa, tendo escrito também alguma música para cravo. Apesar de sua importância para a música portuguesa, falta muito ainda para que possamos ter a real dimensão desse compositor. Suas óperas foram apresentadas com freqüência nos teatros de Lisboa e, como era o hábito na sua época, todas sobre libretos em italiano, seguindo o modelo napolitano de alternância entre recitativos e árias. A sua música religiosa, por sua vez, apresenta elementos de construção mais variados.

Até o momento, foram encontrados 4 Te Deum escritos por Sousa Carvalho. Este é o último. Escrito em 1792, é uma obra composta, muito provavelmente, para uma cerimônia na Capela Real de Nossa Senhora da Ajuda, em Lisboa, em 1792. Podemos suspeitar que possa ter sido para o dia de São Silvestre (31/12), no qual era costume se apresentar um Te Deum em agradecimento às graças recebidas no ano que se findava. Trata-se de uma obra de enormes proporções para a época, afastando qualquer estereótipo a respeito do suposto atraso de Portugal em relação a outros países europeus.

São 5 solistas, coro duplo e orquestra, também dividida em duas. A obra está dividida em 16 partes com alguns longos trechos orquestrais, inclusive uma abertura. Todas as técnicas de uso da voz conhecidas na época aparecem na obra, como árias da capo e coros antifonais. Apesar de se aproximar muito de uma ópera, o que era costume nessa época, o compositor parece transitar com muito mais liberdade no terreno da música sacra do que da música de cena.

Sousa Carvalho faleceu em sua propriedade rural no Alentejo, em 1798. Sua vida parece ter sido cercada de glórias locais e certa comodidade financeira.”

No site http://musicantiga.com.sapo.pt, encontramos:

José António Carlos de Seixas, nascido em Coimbra, marca sem dúvida a música portuguesa da primeira metade do séc. XVIII, e as suas criações destacam-se pela sua elegância, inventividade, energia, e um apurado sentido estético. Tendo adquirido a sua formação musical com o seu pai, à morte deste, por volta dos seus catorze a dezasseis anos de idade, ocupou de imediato o seu cargo como organista da Sé de Coimbra, ganhando o mesmo salário que seu pai.

Por volta dos vinte anos de idade veio para Lisboa, onde arranjou posto como professor de cravo de famílias nobres da Corte, e rapidamente fez nome no meio musical lisboeta. Foi mais tarde nomeado vice-mestre da Capela Real, e no âmbito desta posição compôs belíssimas obras de música sacra, entre as quais se contam o “Ardebat Vicentius”, para a festa de S. Vicente, a Missa em Sol, e um “Te Deum” para duplo coro e orquestra, entretanto desaparecido muito provavelmente com o terramoto de 1755, tal como a maioria da sua obra. Desta constam ainda cerca de 700 sonatas para instrumento de tecla (umas para cravo e outras para órgão), das quais restam cerca de cem, um concerto para cravo, uma sinfonia em Si, uma abertura em Ré, e um outro concerto para cravo que lhe é atribuído.

É de notar que na música ibérica Carlos Seixas é único, e tal reflecte-se na sua obra: é incrível como um musico que se formou numa cidade de província, ainda que com grande talento, tenha criado obras como a abertura e outras como os concertos: em terras lusas é difícil crer que chegassem noticias dos concertos para cravo de Bach ou Haendel, sendo que até a maior parte dos concertos destes sejam ulteriores ao de Seixas. No entanto o compositor criou obras de inigualável graça e elegância. Já quanto à abertura, ao estilo francês, é o único exemplo do género na Península Ibérica e iguala em rigor formal, instrumentação, e grandeur, as aberturas de um Haendel ou um Telemann. Decerto, o compositor conhecia as composições do género criadas por Campra, Lully ou Rameau.

António Teixeira é outro dos compositores de maior importância da primeira metade do séc. XVIII, e um dos vários bolseiros em Roma de D.João V.
Teixeira destacou-se não só por ser bolseiro por D.João V, mas ainda pelo cargo ocupado de mestre de capela da Patriarcal, para a qual escreveu belíssimos motetes e outros serviços religiosos, como um “Te Deum” para 5 coros e orquestra. No entanto, Teixeira ainda compunha música profana, sendo o autor de cerca de oito óperas e diversas cantatas, entre as quais a belíssima “Gaudete, astra gaudete!”.

Na sua música, nota-se uma perfeita assimilação dos modelos com os quais contactou em Roma, onde se aperfeiçoou em contraponto, cravo e composição, e a sua música é uma das grandes glórias da corte de D.João V: o seu Te Deum é de uma dimensão e magnanimidade que está a par de obras de Vivaldi, Telemann ou Haendel, e as suas produções operáticas são de uma graça e expressividade inigualáveis, como a ópera feita em conjunto com António Silva (o Judeu), as Guerras do Alecrim e Manjerona, uma das suas poucas partituras que tem, desde o séc. XVIII, sido interpretadas com alguma regularidade até aos dias de hoje, devido principalmente à popularidade do texto de António Silva.

Francisco António de Almeida foi decerto, a par de Carlos Seixas, o maior compositor da primeira metade do séc. XVIII. Estudou como bolseiro de D.João V em Roma, e aí estreou as suas primeiras oratórias, entre as quais “La Giuditta”, a sua última oratória romana. Enquanto Carlos Seixas é o paradigma do compositor luso, de um colorido único e insuperável, Almeida representa sem dúvida “o estrangeirado”: a sua música é puramente italiana, e a instrumentação e construção tanto nos fazem lembrar Häendel como Pergolese, quer na grandeza, quer na elegância e maestria nos campos melódico, harmónico e contrapontistico.

Gulbenkian Chamber Orchestra & Chorus
João de Sousa Carvalho (Estremoz, 1745 – Alentejo, 1798)
01. Te Deum – 1. Overture for two orchestras
02. Te Deum – 2. O salutaris Hostia
03. Te Deum – 3. Te Deum Laudamus
04. Te Deum – 4. Tibo omnes Angeli
05. Te Deum – 5. Sanctus, sanctus, sanctus
06. Te Deum – 6. Te gloriosus Apostolorum chorus
07. Te Deum – 7. Patrem immensae majestatis
08. Te Deum – 8. Sanctum quoque Paraclitum Spiritum
09. Te Deum – 9. Tu Patris sempiternus
10. Te Deum – 10. Tu devicto mortis aculeo
11. Te Deum – 11. Judex crederis esse venturus
12. Te Deum – 12. Te ergo quaesumus
13. Te Deum – 13. Salvum fac populum tuum, Domine
14. Te Deum – 14. Per singulos dies benedicimus te
15. Te Deum – 15. Dignare, Domine, die isto
16. Te Deum – 16. Fiat misericordia tua, Domine
17. Te Deum – 17. Tantum ergo Sacramentum

José António Carlos de Seixas, (Coimbra, 1704 – Lisboa, 1742)
18. Ardebat Vincentius: Ardebat Vincentius extrinsecus-Sed maior illum intrinsecus/Intrepidus Dei athleta/Sed maior illum
19. Tantum ergo Sacramentum

António Teixeira (1707-1759)
20. Gaudete, astra – 1. Recitativo: Gaudete, astra, gaudete
21. Gaudete, astra – 2. Aria: In vallibus ad fontes
22. Gaudete, astra – 3. Recitativo: Refulsit alma lux
23. Gaudete, astra – 4. Aria: Aura infida

Francisco António de Almeida (ca.1702-1755)
24. O quam suavis – 1. O quam suavis est
25. O quam suavis – 2. Pane suavissimo de caelo praestito
26. O quam suavis – 3. Esurientes reples bonis
27. O quam suavis – 4. Alleluia
28. Beatus Vir – 1. Beatus Vir, Qui Timet Dominum
29. Beatus Vir – 2. Exortum Est In Tenebris Lumen Rectis
30. Beatus Vir – 3. Jucundus Homo
31. Beatus Vir – 4. Gloria Patri, Et Filio

Te Deum – 1971
Gulbenkian Chamber Orchestra & Chorus
Director: Pierre Salzmann

Este CD é mais uma excelente colaboração do maestro, compositor e musicólogo Harry Crowl Jr. Não tem preço!

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João Rodrigues Esteves (c.1700-Lisbon, after 1751): Missa a 8 vozes & Pinguis est panis & Christmas Responsoires

347h7xlJoão Rodrigues Esteves
c.1700-Lisboa, depois de 1751

Repostagem com novo e atualizado link.

O famoso Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses de José Mazza, escrito provavelmente na segunda metade do século XVIII, assim refere-se a João Rodrigues Esteves: “João Rodrigues Esteves foi mandado pelo senhor El Rey D. João 5º estudar a Roma, foi mestre do real Seminário da Muzica de Lxa alem de varias que compos forao 2 Te Deus para se cantarem nas reaes presenças, em dia de S. Silvestre sendo hum dos ditos Te Deus a quatro coros, faleceo no século de 700”.

Esta notícia dada por Mazza, que foi também o responsável pelas parcas informações sobre muitos outros músicos do passado português (incluindo-se aí os primeiros artistas brasileiros), contém algumas informações importantes para bem aquilatar a importância que a música teve no reinado de D. João V.

A referência de ter sido o compositor mandado para Roma, para aprofundamento da formação musical, mostra a importância que o Rei dava à música de sua capela e a grande exigência de qualidade da produção musical na corte. O Rei, que era casado com D. Mariana da Áustria (filha do Imperador Leopoldo I, ele mesmo bom compositor), tudo fez para aumentar a importância da vida religiosa e artística de Portugal. Seu prestígio pessoal fez com que a arquidiocese de Lisboa fosse elevada ao grau de Patriarcado e que o arcebispo recebesse a púrpura de Cardeal, e seu desejo de criação de monumento religioso consubstanciou-se na construção do Convento de Mafra.

Ele tudo faria também para restabelecer a importância que a música havia tido na corte de D. João IV, não apenas mandando copiar os livros de coro usados no Vaticano, mas contratando artistas da capela pontifica. O ponto culminante deste esforço foi, certamente, a instalação em Lisboa, provavelmente desde 1719, do grande Domenico Scarlatti, então Mestre da Capella Giulia. Por esta época, o efetivo da capela real tinha entre 30 e 40 cantores e uma dúzia de instrumentistas. Desejando desde logo assegurar a presença de bons músicos nos conjuntos musicais, Dom João criou, já em 1713, um Seminário destinado à formação de jovens artistas, anexo à Capela real, célula inicial do que seria, pouco depois, o Seminário Patriarcal. O regulamento deste Seminário seguia de perto a estrutura do famoso Colégio dos Reis, de Vila Viçosa, que foi o principal centro português de formação musical do século XVII, durante e logo após o reinado de D. João IV.

Durante todo o reinado de Dom João V, foram muitos os jovens músicos enviados à Itália como pensionistas da Coroa, com o objetivo de aprimoramento de formação. João Rodrigues Esteves esteve em Roma entre 1718 e 1726. Voltando a Portugal, artistas como Antônio Teixeira e João Rodrigues Esteves desempenharam importantes funções na Capela Real, na Sé de Lisboa (Esteves foi Mestre de Capela da Sé a partir de 1729) e no Seminário Patriarcal, além de dedicarem-se também à composição de Óperas e de música de câmara.

8wb94zOs musicólogos portugueses (Gerhard Doderer, Ruy Vieira Nery, Manuel Carlos de Brito) destacam sempre a monumentalidade policoral, às vezes com acompanhamento instrumental, na obra dos principais compositores deste período, com destaque para o Te Deum de Antônio Teixeira, a Missa a 8 e o Magnificat de João Rodrigues Esteves, a grande Missa de Carlos Seixas e os motetos de Francisco Antônio de Almeida. É dentro desta monumentalidade policoral que situa-se o Te Deum a quatro coros citado por José Mazza, cantado no encerramento do ano civil (dia de São Silvestre) na presença do Rei. Deve-se lembrar que freqüência com que todos os compositores colocaram em música o hino Te Deum explica-se pela sua forte incidência no cerimonial religioso: o nono Responsório dos ofícios de Matinas das festas ditas de Primeira Classe era sempre este hino, que também era usado para encerramento de todas as cerimônias de destaque (não apenas as festividades do calendário litúrgico, mas também as efemérides reais, como nascimentos, batizados, casamentos, aclamações), assim como nos encerramentos do ano litúrgico (dia anterior ao primeiro domingo do Advento) e do ano civil (31 de dezembro).
(http://www.caliope.mus.br/musica_coral/artigos/artigos_Jose_Maria_Neves_2.php)

João Rodrigues Esteves (c.1700-Lisbon, after 1751)
01. Mass for 8 voices – 1. Kyrie
02. Mass for 8 voices – 2. Gloria
03. Mass for 8 voices – 3. Credo
04. Mass for 8 voices – 4. Sanctus
05. Mass for 8 voices – 5. Agnus Dei
06. Motet: Pinguis est panis
07. Christmas Responsories – 1. Hodie nobis cælorum Rex
08. Christmas Responsories – 2. Hodie nobis de cælo
09. Christmas Responsories – 3. Quem vidistis pastores dicite
10. Christmas Responsories – 4. O magnum mysterium
11. Christmas Responsories – 5. Beata Dei Genitrix
12. Christmas Responsories – 6. Sancta et immaculata
13. Christmas Responsories – 7. Beata viscera Maria
14. Christmas Responsories – 8. Verbum caro factum est

João Rodrigues Esteves – 1996
Christ Church Cathedral Choir, Oxford
Director: Stephen Darlington

Este CD é mais uma colaboração do maestro, compositor e musicólogo Harry Crowl Jr. Não tem preço!

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Steve Reich (1936): Tehillim, The Desert Music

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Temos que celebrar os 80 anos do grande Steve Reich, ocorridos em 3 de outubro. Logo publicarei uma coleção de 5 CDs com seus maiores trabalhos gravados pela Nonesuch Records. A monumental gravação de hoje é da nova-iorquina Cantaloupe Music.

Tehillim e The Desert Music estão entre as peças mais grandiosas de Reich. Os dois grupos, Ossia e Alarm Will Sound, beneficiaram-se das ligações muito estreitas que têm com o compositor. Além disso, Alan Pierson, o regente, preparou tudo fazendo constantes consultas a Reich. São peças ágeis, típicas da fase dos anos 80 de Reich. São brilhantes, cheias de luz e precisão. Vozes e cordas sempre foram um problema dentro das texturas percussivas de Reich, mas aqui os cantores e cordas mantém uma vitalidade rítmica impressionante. Pura energia e clareza, fazendo com que o gênio de Reich surja a cada momento.

Tehillim (1981)
01. I. Psalm 19: 2-5 [11:13]
02. II. Psalm 34: 13-15 [5:52]
03. III. Psalm 18: 26-27 [7:47]
04. IV. Psalm 150: 4-6 [5:59]

The Desert Music (1984, revised chamber version 2001)
Text by William Carlos Williams
05. I. (Fast) [7:09]
06. II. (Moderate) [5:51]
07. III. Part I (Slow) [6:55]
08. III. Part II (Moderate) [5:12]
09. III. Part III (Slow) [5:59]
10. IV. (Moderate) [3:03]
11. V. (Fast) [9:38]

‘Tehillim’ Performers:
Ossia
Conductor: Alan Pierson
High soprano: Elizabeth Phillips
Lyric sopranos: Akiko Fujimoto, Carolyn Dorey
Alto: Kirsten Sollek-Avella
Percussion: Clay Greenberg, Payton Macdonald, Karen Minzer, Ian Quinn, Jason Treuting, Lawson White
Flute: Jessica Johnson
Piccolo: Ann Choomack
Oboe: Michael Miller
English horn: Jeffrey L. Paul Ii
Clarinets: Elisabeth Stimpert, Andrea Levine
Organs: John Orfe, Rob Haskins
Violins: Susanna Cortesio (Principal), Terra Peach, Caleb Burhans, David Wish
Violas: Kara Poorbaugh, John Pickford Richards
Cellos: Stefan Freund, Luke Pomorski
Bass: Sara Lukjanovs
Assistant conductor: Clay Greenberg

‘The Desert Music’ Performers:
Alarm Will Sound and Ossia
Conductor: Alan Pierson
Female voices: Martha Cluver, Akiko Fujimoto, Heather Gardner,
Pam Igelsrud, Beth Meyers, Kirsten Sollek-Avella
Male voices: Caleb Burhans, Clay Greenberg, Will Jennings, Daniel Toven
Flutes/Piccolos: Jessica Johnson, Justin Berrie, Meg Sippey, Rachel Roberts
Horns: Matt Marks, Kate Sheeran
Trumpets: Lisa Edelman, Leah Schumann
Trombones: James Hirschfeld, David Beauchesne, Mike Dowden
Keyboards: Clay Greenberg, Solungga Fang-Tzu Liu, Tom Rosenkranz, Ian Quinn, Jen Snyder
Percussion: Dennis Desantis, Clay Greenberg, Beth Meyers, Payton Macdonald, Alex Postelnek,
Mike Tetreault, Jason Treuting, Lawson White, Pete Zlotnick
Violins: Courtney Orlando (Principal), Andrew Fouts, David Wish,
Yuki Numata, Autumn Inglin Shepherd, Michael Jorgensen
Violas: John Pickford Richards, Justin Caulley, Kara Poorbaugh
Cellos: Susie Kelly, Stefan Freund, Norbert Lewandowski
Basses: Ike Sturm, Brent Bulmann
Assistant conductor: Ian Quinn

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Gênio.

Gênio.

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Novena do Carmo – Orquestra Ribeiro Bastos

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A Orquestra Ribeiro Bastos é uma corporação musical atuante de modo ininterrupto desde o século XVIII. Ao longo deste tempo assegurou o serviço das festividades religiosas promovidas pelas associações leigas (Irmandades) também remanescentes do século XVIII. Sendo estas instituições religiosas a Ordem Terceira de São Francisco, Ordem Terceira do Carmo, Irmandade do Santíssimo Sacramento e Passos, entre outras, em missas semanais, festa dos Passos (quaresma) e Semana Santa, acumulando em seus arquivos, ao longo de sua existência, grande quantidade de obras produzidas para as solenidade religiosas. O repertório da Orquestra Ribeiro Bastos é baseado na produção musical brasileira dos séculos XVIII, XIX e XX, constituindo assim uma importância fundamental na formação da identidade cultural mineira, sendo depositária de parcela significativa da tradição musical brasileira.

Constitui-se a Orquestra Ribeiro Bastos, desde o século passado de amadores que nada recebem por suas atividades musicais. Assim, ao lado de sua importância enquanto depositária de parcela significativa da tradição musical brasileira, representa interessante experiência da prática artística comunitária, integrando ao grupo profissionais das mais diversas atividades sociais.

Mantendo-se viva e atuante, a Orquestra Ribeiro Bastos presta serviços às entidades religiosas, contribuindo para manter viva as tradições religiosas e musicais de São João del Rey, dando continuidade à prática musical comunitária, mais valorizada amadoristicamente, assegurando a preservação de um arquivo musical sempre aberto aos pesquisadores e musicólogos interessados no estudo de diferentes aspectos da música brasileira dos séculos XVIII, XIX e XX. Desta forma a Orquestra Ribeiro Bastos proporciona formação musical para jovens que constituirão a orquestra de amanhã (pode-se informar que muitos jovens musicalizados pela Orquestra Ribeiro Bastos, sempre quase oriundos de classes menos favorecidas, profissionalizam na música, como músicos militares e, em alguns casos, como professores de orquestras profissionais das capitais).
(Maria Elizabeth de Almeida, Gabriel Heitor Ribeiro – extraído do encarte)

Histórico da Novena do Carmo (citando José Maria Neves)

Não se sabe exatamente desde quando se realizam as Novenas do Carmo em São João del Rey. Certo é que em 1733 quando começou a ser construída a capela primitiva, já existia a Irmandade do Carmo. Esta irmandade passou a categoria de Ordem Terceira em 1746.

A julgar pelas obras musicais executadas nas Novenas supõe-se que ela já existe desde o início do séc. XVIII. Diversas obras hoje ainda executadas são de autoria de Jerônimo de Souza, falecido em 1803. O hino Flos Carmeli executado nas Novenas antigas é atribuído ao padre Manuel Cabral Camelo que em 1716 benzeu a Igreja Nossa Senhora do Rosário.

Constam do arquivo da Orquestra Ribeiro Bastos as cópias antigas da Novena do Carmo feitas pelo Mestre Chagas, seu regente até 1859.

Comparando texto de épocas diferentes, constata-se que a Novena do Carmo teve acréscimos e eliminações de textos. A Novena de Jerônimo de Souza se compunha de: Veni Sancte Spiritu, Domine ad adjuvandum, Invitatório (In honorem), Antífona (Regina Mundi), 3 Ave Marias cantadas, Ponto (Leitura), Ladainha de Nossa Senhora e Hino (Flos Carmeli).

Um segundo hino – Virgem Sagrada, foi incluído na segunda metade do séc. XIX e é provavelmente do padre José Maria Xavier que também é o autor do Veni Sancte Spiritu e Domine Adjuvandum que substituem as peças originais de Jerônimo de Souza Lobo desde o séc. XIX. Foram incluídas ainda quatro invocações cantadas primeiro pelos músicos e repetidas pelo povo (Deus vos salve) e também no séc. XX o Hino à bandeira de Nossa Senhora do Carmo, do padre carmelita Frei Alberto Nicholson e Ir. João Calybita. Este hino que é cantado no início e no fim da Novena tem hoje um arranjo solene feito pelo musicólogo Dr. José Maria das Neves.

Por mais de 80 anos a Orquestra Ribeiro Bastos é encarregada do acompanhamento musical desta novena.
(Anna Maria Parsons, extraído do encarte)

Comentários sobre a Orquestra Ribeiro Bastos (Rafael Sales Arantes)

A Orquestra Ribeiro Bastos, desde a sua fundação, foi formada por pessoas que não tinham a música como atividade principal, mas como uma atividade extra e estritamente ligada à tradição religiosa. Sendo assim nunca foi uma orquestra formada por profissionais, o que não faz que sua execução seja menos profissional que as orquestras a que estamos habituados a ouvir. A Orquestra Ribeiro Bastos não é uma orquestra de concertos, mas é uma orquestra de função religiosa. Aqueles que tem a oportunidade de visitar São João del Rei poderão se deliciar assistindo as missas de Quinta e Sexta na Basílica Nossa Senhora do Pilar e as de domingo pela manhã na Igreja de São Francisco, ao som da Orquestra Ribeiros Bastos, e ouvir músicas que nos remetem ao rico período da música brasileira que está sendo redescoberto com atraso, mas ainda em tempo de não se perder por completo.

Uma característica interessante em São João del Rei é que as novenas são sempre feitas nos dias corretos e as festas religiosas nos dias corretos, o que não acontece na maioria das paróquias. E são feitos todos os dias, ininterruptamente. A novena do Carmo está entre as mais belas do repertório sanjoanense. O ouvinte poderá perceber a funcionalidade da música. Suscinta sempre, mas de boa qualidade. Nesse CD da Novena do Carmo, o ouvinte perceberá uma nítida diferença entre a Orquestra Ribeiro Bastos de outrora e a de hoje. Aqui já ouvimos outras postagens de peças por essa orquestra. A qualidade da orquestra e do coro estão muito superiores aos LPs lançados no passado. Não posso dizer que a orquestra Ribeiro Bastos esteja profissionalizada, pois acho que sendo assim deixaria de ser a Orquestra Ribeiro Bastos, mas com uma qualidade profissional. Nessa gravação podemos observar uma pronúncia mais elaborada do latim, uma afinação e sincronização da orquestra bem superiores às outras gravações. Acredito que a influência das outras orquestras profissionais se mostram um pouco nessa gravação, pois até então as únicas interpretações de peças do período colonial eram quase que restritas à Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense. Hoje em dia temos vários grupos profissionais se especializando nessa música de boa qualidade, é impossível não termos influência dessas interpretações. A Orquestra Ribeiro Bastos nos brinda com essa fantástica Novena do Carmo e já ouvi rumores que em breve outras novenas serão gravadas. Uma notícia que acredito ser recebida com grande entusiasmo pelos amantes desse gênero tão especial de música.

Novena do Carmo
Pe. José Maria Xavier (São João del Rey, 1819-1887)
01. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Deus vos salve
02. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Veni Sancte Spiritus
03. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Domine

Jerônimo de Souza Lobo (Vila Rica 1780-1810)
04. Novena de Nossa Senhora do Carmo – In Honorem
Pe. José Maria Xavier (São João del Rey, 1819-1887)
05. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Virgem Sagrada
Jerônimo de Souza Lobo (Vila Rica 1780-1810)
06. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Regina Mundi
07. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Flos Carmeli

Pe. José Maria Xavier (São João del Rey, 1819-1887)
08. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Hino à Bandeira
09. Novena de Nossa Senhora do Carmo – Flos Carmeli – coro

Este CD é uma colaboração do nosso ouvinte Rafael Sales Arantes. Não tem preço!

Novena do Carmo – 2010
Orquestra Ribeiro Bastos
Direção: Maria Stella Neves Valle

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MP3 320 kbps – 67,1 MB – 27,1 min
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Manoel Dias de Oliveira: Gradual – Fuga do Egito & Francisco Gomes da Rocha: Novena de Nossa Senhora do Pilar & Pe. João de Deus de Castro Lobo : 6 Responsórios Fúnebres – The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra

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The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra
1992


Esta é a capa da caixa do CD desta postagem, cedido pelo Maestro, compositor e musicólogo Harry Crowl Jr.

Segundo o depoimento do Maestro Harry Crowl Jr., “esta apresentação aconteceu em junho ou julho de 1992, no Teatro Municipal de São Paulo e a gravação foi da Rádio Cultura. O “Sixteen” se apresentou em Brasília (Igreja Dom Bosco), São Paulo (Teatro Municipal), São João del Rey (Igreja de São Francisco), Juiz de Fora (Igreja do Rosário?) e Rio de Janeiro (Sala Cecília Meireles). A gravação do Te Deum, do António Teixeira, aconteceu logo depois.”

Me lembro de falar com o Harry Christophers sobre isso“, continua Harry. “No programa, havia também o Ofício 1816, do Pe. José Maurício. Mas, essa gravação, existe somente em fita cassete. A versão apresentada dos 6 Responsórios Fúnebres é um trabalho de resconstrução meu. Os trompetes que aparecem não são originais. A versão do Júlio Moretzsohn é mais fiel ao original. O que acontece é que essas músicas são encontradas como coleções de partes individuais de instrumentos e vozes. Muitas vezes, as cópias são de procedências distintas e de épocas diferentes. Na época, fiquei na dúvida em relação aos trompetes dobrando as trompas ritmicamente o tempo todo. Mas, como as notas tocadas não eram as mesmas, acabei incluindo-os, apesar de se tratar de um erro crasso de orquestração, que não seria compatível com o Pe. João de Deus de Castro Lobo.”

Não fosse os préstimos do Maestro Harry Crowl Jr, não teríamos conhecimento de mais este tesouro. Não tem preço!

Uma palhinha: ouça o Responsório Fúnebre # 3 enquanto se delicia com 32 telas/aquarelas do pintor inglês Henry Chamberlain, que morou e retratou o Rio de Janeiro durante 1819 e 1820:

Manoel Dias de Oliveira (São José del Rey [Tiradentes], 1735-1813)
01. Gradual: Fuga do Egito – Angelus Domini
Francisco Gomes da Rocha (1746-1808, Vila Rica, MG)
02. Novena De Nossa Senhora do Pilar – 1. Veni Sanctu Spiritu
03. Novena De Nossa Senhora do Pilar – 2. Domine ad Adjuvandum
04. Novena De Nossa Senhora do Pilar – 3. Gloria Patri
05. Novena De Nossa Senhora do Pilar – 4. Sicut Era in Principie
06. Novena de Nossa Senhora do Pilar – 5. In Honorem Sacratissimae Virginis Mariae (Invitatório)
07. Novena de Nossa Senhora do Pilar – 6. Quem Terra, Pontus, Sidera (Hino)
08. Novena de Nossa Senhora do Pilar – 7. Virgo Prudentissima (Antífona)
Pe. João de Deus de Castro Lobo (Vila Rica, 1794 – Mariana, 1832)
09. Seis Responsórios Fúnebres – 1. Credo quod Redemptor. Et in carne. Quem visurus. Et in carne
10. Seis Responsórios Fúnebres – 2. Qui Lazarum. Tu eis, Domine. Qui venturus. Tu eis, Domine
11. Seis Responsórios Fúnebres – 3. Domine, quando veneris. Quia peccavi. Commissa mea. Quia peccavi. Requiem æterna. Quia peccavi
12. Seis Responsórios Fúnebres – 4. Memento mei. Nec aspiciat. De profundis. Nec aspiciat
13. Seis Responsórios Fúnebres – 5. Hei mihi!. Miserere mei. Anima mea. Miserere mei
14. Seis Responsórios Fúnebres – 6. Ne recorderis. Dum veneris. Dirige, Domine. Dum veneris. Requiem æternam. Dum veneris

Gravação ao vivo em São Paulo, em 1992
The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra
Director: Harry Christophers

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MP3 320 kbps – 80,5 MB – 34,6 min
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Boa audição.

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Avicenna

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António Teixeira (1707-c.1759) – Te Deum – The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra

33lz58zTe Deum, de António Teixeira
The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra

Repostagem com novo e atualizado link.

“Continuously exhilarating” THE FINANCIAL TIMES

“A real-opener that demands to be heard” GRAMOPHONE

“A glittering performance of a neglected masterpiece” BBC MUSIC MAGAZINE

Winner of the Diapason D’Or and Choc du Monde.

This remains the only recording of this exuberant and unique piece, and a multiple award-winner.

António Teixeira’s extraordinary and grandly structured setting of the Te Deum was written for a New Years’s Eve performance in 1734 in the Italian Church of his home city, Lisbon.

Calling for eight soloists, five spaced choirs and a large orchestra, this lavish and ornate piece bubbles and sparkles through the text with an easy zest and breezy charm that is distinctively Portuguese, giving us a rare insight into musical life in Lisbon before the devastating earthquake of 1755.

Includes solo performances by Lynda Russell, Gillian Fisher, Catherine Denley, Catherine Wyn-Rogers, William Kendall, Andrew Murgatroyd, Michael George and Peter Harvey.
(extraído do encarte)

Te Deum é um hino litúrgico católico atribuído a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho, iniciado com as palavras “Te Deum Laudamus” (A Vós, ó Deus, louvamos). Segundo a tradição, este hino foi improvisado na Catedral de Milão num arroubo de fervor religioso desses santos.

Esse texto foi musicado por vários compositores, entre eles Marc-Antoine Charpentier, Henry Purcell, Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Joseph Haydn, Hector Berlioz,Anton Bruckner, Antonín Dvorák, Antônio Francisco Braga e José Maurício Nunes Garcia. Também o imperador Pedro I do Brasil compos um Te Deum. (extraído da Wikipedia)

Obrigado ao maestro, compositor e musicólogo Harry Crowl Jr. que abriu a sua Arca do Tesouro e nos disponibilizou mais esta jóia rara. Não tem preço!

Uma palhinha: Te Deum – 2. Tibi omnes Angeli

António Teixeira – Te Deum (1734)
Te Deum – 1 .Te Deum laudamus
Te Deum – 2. Tibi omnes Angeli
Te Deum – 3. Sanctus
Te Deum – 4. Te gloriosus
Te Deum – 5. Te martyrum candidatus
Te Deum – 6. Patrem immensae maiestatis
Te Deum – 7. Sanctum quoque
Te Deum – 8. Tu Patris sempiternus
Te Deum – 9. Tu devicto mortis
Te Deum – 10. Iudex crederis
Te Deum – 11. Te ergo quaesummus
Te Deum – 12. Salvum fac
Te Deum – 13. Per singulos dies
Te Deum – 14. Dignare Domine
Te Deum – 15. Fiat misericordia tua
Te Deum – 16. In te Domine speravi

António Teixeira – Te Deum – 2002
The Sixteen & The Symphony of Harmony and Invention Orchestra
Director: Harry Christophers

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MP3 320 kbps – 185,1 MB – 1,3 h
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Boa audição.

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Avicenna

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Kenneth Benshoof (1933): Traveling Music – Astor Piazzola (1921-1992): Five Tango Sensations – Kronos Quartet: 25 anos [2/10]

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  • Repost de 7 de Janeiro de 2016

Esse é o primeiro post que faço aqui no blog com um compositor que já morreu [há algum tempo]: Astor Piazzolla. Nem por isso sua música deixa de ser contemporânea. Sua música traz as raízes argentinas e latino-americanas para os tempos modernos, fazendo isso quase sempre de forma empolgante, já que usa bastante os ritmos do tango.

Os membros do Kronos Quartet não são latino-americanos, talvez por isso as Five Tango Sensations não tenham conseguido me convencer a sentir as sensações que descrevem. É apreciável, mas não sinto nenhuma empolgação que eu acho que deveria ter sentido ao ouvir uma música de um latino-americano, como eu geralmente sinto, por exemplo, aqui, ou aqui. Achei que isso não aconteceria, já que é Piazzola quem está tocando o bandoneon. Como nunca tinha ouvido essa obra anteriormente, posso estar errado e essas músicas serem assim mesmo, mais comedidas do que extravagantes. Talvez a culpa seja das minhas expectativas.

Four, for tango é bom, o quarteto trabalha muito bem com as cordas e mostra sua técnica já tão louvada, mas, como disse anteriormente, tem pouco de um espírito latino-americano. Mas tudo bem.

São duas estreias aqui, a primeira é minha, postando algo de um compositor que já viajou para o reino de Hades, e a segunda é a de Ken Benshoof aqui no blog. Compositor estadunidense, ele não tem nem uma página na Wikipedia, então pode-se dizer que é um compositor bem underground. Suas músicas são sombrias e introspectivas, bem diferente do John Adams que postei semana passada, por exemplo.

Semana que vem trarei o terceiro e o quarto álbum da coleção, Morton Feldman e Philip Glass, respectivamente. Dois minimalistas estadunidenses.

25 Years of the Kronos Quartet [BOX SET 2/10]

Kenneth Benshoof (1933):

Traveling Music
01 Gentle, easy
02 Moderate
03 Driving

04 Song of Twenty Shadows

Astor Piazzolla (1921-1992):

Five Tango Sensations*
05 Asleep
06 Loving
07 Anxiety
08 Despertar
09 Fear

10 Four, for Tango

Kronos Quartet:
David Harrington, violin
John Sherba, violin
Hank Dutt, viola
Joan Jeanrenaud, cello
Astor Piazzolla, bandoneón*

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A partir de 1999, essa foi a segunda formação do Kronos Quartet. Com Jennifer Culp.

A partir de 1999, essa foi a segunda formação do Kronos Quartet. Com Jennifer Culp no violoncelo.

Luke

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Henrique Oswald (1852-1931) : Sinfonia op. 43

sinfonia-op-43Nascido no Rio de Janeiro e filho de suíços, Oswald viveu grande parte de sua vida na Europa. Estudou em Florença com Graziani e Buonamici, obtendo o primeiro prêmio do concurso instituído pelo jornal francês Le Fígaro com a peça Il neige, representativa de sua fina escrita pianística e de um clima “pré-impressionista”.

Dos compositores brasileiros, é um dos autores musicais que não teve a preocupação em dar o “clima local” e nacionalista em suas composições. No entanto, sua técnica apurada revela-se nos noturnos, romances (para piano), uma sinfonia, concertos para piano e violino, uma suíte e três óperas: A Cruz de Ouro, O Destino e O Novato.

Henrique Oswald radicou-se definitivamente no Brasil aos 60 anos de idade e foi diretor do Instituto Nacional de Música. Seus alunos mais brilhantes foram Luciano Gallet, Lorenzo Fernandez e Fructuoso Viana.

Henrique Oswald (1852-1931)
01. Sinfonia, op. 43 – 1. Allegro moderato
02. Sinfonia, op. 43 – 2. Adagio
03. Sinfonia, op. 43 – 3. Scherzo (allegro vivace)
04. Sinfonia, op. 43 – 4. Molto Allegro, Deciso

Sinfonia, op. 43 – 1969
Orquestra Sinfônica Brasileira
Regente: Eduardo de Guarnieri

Esta é uma gravação de um LP de 1969, selo Festa, gentilmente cedido pelo nosso ouvinte Sérgio Luiz Gaio e digitalizado por Avicenna.

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MP3 320 kbps – 83,9 MB – 36,5 min
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Boa audição.

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Avicenna

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The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert – Benny Goodman

carnegie-hall-concert
No dia 16 de janeiro de 1938, Benny Goodman e sua orquestra foram consagrados no histórico concerto realizado e gravado no Carnegie Hall de Nova York. (relato do nosso reporter presente no Carnegie Hall, Marcelo Stravinsky).

Foi também a primeira apresentação de uma banda de Jazz no Carnegie Hall. Este LP, produzido em 1950, foi um dos primeiro LPs nos Estados Unidos a vender mais de 1 milhão de cópias.
Alguns dos músicos presentes nesta gravação:
Harry James, trumpets
Gene Krupa, drums
Count Basie, piano

The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert

01. Don’t Be That Way
02. One O’Clock Jump
03. Sensation Rag
04. I’m Coming Virginia
05. When my Baby Smiles at Me
06. Shine
07. Blue Reverie
08. Life Goes to a Party
09. Honeysuckle Rose
10. Body and Soul
11. Avalon
12. The Man I Love
13. I Got Rhytm
14. Blue Sky
15. Sing Sing Sing (With a Swing)

The Famous 1938 Carnegie Hall Jazz Concert – Benny Goodman – 1950

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MP3 320 kbps – 158,8 MB – 1,1hora
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Avicenna

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The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 8 e 9 de 27)


IM-PER-DÍ-VEL!!!

Toda a série está aqui, ó.

CD 8
A Sinfonia Nº 12… Bem, é fraca…

SYMPHONY No.12 in D Minor, Op.112, “1917”
5. Revolutionary “Petrograd”: Moderato, Allegro
6. Allegro
7. Aurora: Allegro
8. Down of Humanity: Allegro, Allegretto

WDR Sinfonieorchester,
Rudolf Barshai

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CD 9
Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor começando pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma seqüência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasilinense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!)

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de saber-se que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele, logo dele, que seria uma sociedade sem classes nem religiões… O jovem poeta Ievtuhenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na época. O poema fui publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência anti-semita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de anti-semitas…

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é perfeito. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora ao grande modelo de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu habitual sarcasmo.

A seguir, aproveitarei a excelente descrição que Clovis Marques fez para o concerto que incuía a Sinfonia Nº 13, Babi Yar, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 27 de julho de 2006:

Chostakovich, ‘for ever’ – Clovis Marques – Opinião & Noticia
30/07/2006

O contato em condições ideais com uma obra-prima do século XX é raro na vida musical de um mortal carioca. Na última quinta-feira, a Sinfonia nº 13 de Chostakovich passou pelo Teatro Municipal com uma carga tão densa de significado e beleza que quase não surpreendeu que a interpretação e o acabamento, a cargo da Petrobrás Sinfônica, estivessem também em esferas muito altas.

“Babi Yar” é como ficou conhecida esta sinfonia-cantata para coro masculino, baixo e orquestra composta e estreada em 1962 em Moscou. O título vem do poema de Ievgueni Evtuchenko que causara rebuliço ao ser publicado no ano anterior na “Literaturnaia Gazeta”, tocando na chaga do anti-semitismo a propósito do massacre cometido pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, no local conhecido como “ravina das mulheres”, perto de Kiev.

A partir desse texto de dura indignação, e apesar dos problemas que uma tal inspiração de “protesto” ainda geraria na União Soviética pós-stalinista, Chostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de duas ou três mazelas trágicas do seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre quotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação pelo humor e a intransigência.

Em linguagem quase descritiva, contrastando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação propriamente cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica e de poder de invenção tão sustentado, com um grau de concentração expressiva que sublima a revolta, o negrume e a angústia como poucas vezes na música pós-romântica.
O realismo e a concisão imagética dos poemas são admiravelmente esposados pelo estilo alternadamente sombrio e irruptivo da música de Chostakovich, que apesar da forma atípica, para uma sinfonia, dota a obra de continuidade estrutural e organicidade musical mesmerizantes – para não falar da invenção melódica tão sua, que associamos indelevelmente à Rússia soviética. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são parcimoniosas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas – mais um elemento dessa pungência feita de desolação e sobreexcitação nervosa.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios, sobre Anne Frank e um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, os tambores em ritmo marcado, a maior animação da música e o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve pictoricamente as filas de humilhadas donas-de-casa em uma linha sinuosa nas cordas graves, entrelaçada a outra que, no registro médio, evoca a maneira como elas se insinuam cautelosas até o balcão. “Elas nos honram e nos julgam”, diz o poema, enquanto blocos e castanholas fazem as vezes de panelas e garrafas se entrechocando. A reserva da estupefação moral explode na última estrofe: “Nada está fora do alcance da força delas”.

A subjugada linha sinuosa torna-se reta, com permanente vibração surda na percussão, ao prosseguir sem interrupção no episódio seguinte, em ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Frente ao negrume até aqui prevalecente, a sinfonia conclui em uma satírica meditação sobre o que é seguir “Carreira”. Em orquestração e harmonização reminiscentes da música do tcheco Martinu (1890-1959), no emprego de flautas e oboés oscilantes em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstoi: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela sonoridade onírica da celesta.

A Orquestra Petrobrás Sinfônica esteve esplêndida, tocando como gente grande em cada naipe e coletivamente, sob a batuta do jovem maestro chileno Rodolfo Fisher. O barítono americano David Pittman-Jennings, embora não tenha aquele baixo profundo que impressiona nas interpretações russas, ostentou o metal nobre, a projeção plena e a capacidade de nuançar que permitiram total imersão nessa escorchante fantasia pânica. O Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, dirigido por Julio Moretzsohn, esteve mais coeso e homogêneo que nunca, em sua formação exclusivamente masculina.

Faltou apenas a reprodução/tradução dos poemas.

MAS AO P.Q.P. BACH NÃO FALTA:

Babi Yar

Tenho medo.
Tenho hoje tantos anos
quanto o próprio povo judeu.

Parece que agora sou um judeu.
Perambulo no Egito antigo.
E eis-me na cruz, morrendo.
E ainda trago em mim a marca dos pregos.
Parece que Dreyfus sou eu.
Os filisteus são os que me denunciam e são o meu juiz.
Estou atrás das grades.
Estou cercado,
perseguido, cuspido, caluniado.
E as mocinhas, com suas rendas de Bruxelas,
rindo, me enfiam a sombrinha na cara.

(…)

Eu, chutado por uma bota, sem forças,
em vão peço piedade aos pogromistas.

(…)

Que a Internacional ressoe
quando enterrarem para sempre
o último anti-semita da terra.
Não há sangue judeu no meu sangue,
mas sou odiado com todas as forças
por todos os anti-semitas, como se judeu fosse.
E é por isso que sou um verdadeiro russo.

Humor

Czares, reis, imperadores
soberanos do mundo inteiro,
comandaram as paradas
mas ao humor não puderam controlar.

Ó euzinho aqui!
De repente me desembaraço de meu casaco,
faço um gesto com a mão e “Tchau!”.

Na loja

Dar-lhes o troco errado é uma vergonha,
enganá-las no troco é um pecado.

(…)

E, enquanto enfio no bolso as minhas massas,
olho, solene e pensativo,
cansadas de carregar seus sacos de compras,
as suas nobres mãos.
Elas nos honram e nos julgam,
nada está fora do alcance de suas forças.

Medos

Lembro do tempo em que ele era todo-poderoso,
na corte da mentira triunfante.
O medo se esgueirava por toda parte, como uma sombra,
infriltava-se em cada andar.
Agora é estranho lembrarmo-nos disso,
o medo secreto que alguém nos delate,
o medo secreto de que venham bater à nossa porta.
E depois, o medo de falar com um estrangeiro…
com um estrangeiro? até mesmo com sua mulher!
E o medo inexplicável de, depois de uma marcha,
ficar sozinho com o silêncio.

Não tínhamos medo de construir em meio à tormenta,
nem de marchar para o combate sob o bombardeio,
mas tínhamos às vezes um medo mortal,
de falar, nem que fosse com nós mesmos.

Uma Carreira

Os padres diziam que Galileu era mau e doido.
Que Galileu era doido.
Mas, como o tempo o demonstrou,
o doido era o mais sábio.
Um cientista da época de Galileu,
não era menos sábio que Galileu.
Ele sabia que a Terra girava,
mas tinha uma família
e, ao subir com sua mulher na carruagem,
achava que tinha feito sua carreira,
quando, na realidade, a tinha destruído.

Para compreender nosso planeta,
Galileu correu riscos.
É isso — eu penso — que é uma carreira.
Por isso, viva sua carreira,
quando é uma carreira como
a de Shakespeare e Pasteur,
Newton e Tolstói.
Liev?
Liev!
Por que eles foram caluniados?
Talento é talento,
digam o que disserem.
Os que insultaram estão esquecidos,
mas nós lembramos dos que foram insultados.

SYMPHONY No.13 in B flat minor, Op.113
For Bass Solo, Bass Choir and Orchestra in B Flat Minor, Op.113, “Babi Yar”
1. Babi Yar (Adagio)
2. Yumor – Humour (Allegretto)
3. V Magazine – In the Store (Adagio)
4. Strachi – Fears (Largo)
5. Kariera – A Career (Allegretto)

Sergei Aleksashkin, Bass
The Choral Academy Moscow
WDR Sinfonieorchester,
Rudolf Barshai

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O grande Yevgeny Yevtushenko

O grande Yevgeny Yevtushenko

PQP

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The Dmitri Shostakovich Edition (CD 7 de 27)


IM-PER-DÍ-VEL!!!

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CD 7

Sinfonia Nº 11, Op. 103 – O Ano de 1905 (1957)

Esta sinfonia talvez seja a maior obra programática já composta. Há grandes exemplos de músicas descritivas tais como As Quatro Estações de Vivaldi, a Sinfonia Pastoral de Beethoven , a Abertura 1812 de Tchaikovski, Quadros de uma Exposição de Mussorgski e tantas outras, mas nenhuma delas liga-se tão completa e perfeitamente ao fato descrito do que a décima primeira sinfonia de Shostakovich.

Alguns compositores que assumiram o papel de criadores de “coisas belas”, vêem sua tarefa como a produção de obras tão agradáveis quanto o possível. Camille Saint-Saëns dizia que o artista “que não se sente feliz com a elegância, com um perfeito equilíbrio de cores ou com uma bela sucessão de harmonias não entende a arte”. Outra atitude é tomada por Shostakovich, que encara vida e arte como se fosse uma coisa só, que vê a criação artística como um ato muito mais amplo e que inclui a possibilidade do artista expressar – ou procurar expressar – a verdade tal como ele a vê. Esta abordagem foi adotada por muitos escritores, pintores e músicos russos do século XIX e, para Shostakovich, a postura realista de seu ídolo Mussorgsky foi decisiva. A décima primeira sinfonia de Shostakovich tem feições inteiramente mussorgkianas e foi estreada em 1957, ano do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro. Contudo, ela se refere a eventos ocorridos antes, no dia 9 de janeiro de 1905, um domingo, quando tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do Czar, em São Petersburgo. O protesto, feito após a missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição – sim um papel – ao czar, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos.

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O primeiro movimento descreve a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno e a atmosfera soturna da praça em frente, coberta de neve. O tema dos trabalhadores aparecerá nos movimentos seguintes, porém, aqui, a música sugere uma calma opressiva.

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O segundo movimento mostra a multidão abordar o Palácio para entregar a petição ao czar, mas este encontra-se ausente e as tropas começam a atirar. Shostakovich tira o que pode da orquestra num dos mais barulhentos movimentos sinfônicos que conheço.

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O terceiro movimento, de caráter fúnebre, é baseado na belíssima marcha de origem polonesa Vocês caíram como mártires (Vy zhertvoyu pali) que foi cantada por Lênin e seus companheiros no exílio, quando souberam do acontecido em 9 de janeiro.

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O final – utilizando um bordão da época – é a promessa da vitória final do socialismo e um aviso de que aquilo não ficaria sem punição.

Symphony No. 11 in G minor Op. 103 “The Year 1905”
1. The Palace Square (Adagio)
2. January 9th (Allegro)
3. In Memoriam (Adagio)
4. Tocsin (Allegro non troppo)

WDR Sinfonieorchester,
Rudolf Barshai

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PQP

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4, Op. 43

Dmitri Shostakovich

Dmitri Shostakovich

Shostakovich Symphony No. 4 / Bolshoi Theatre Orchestra (Russian Disc)

Uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. A duração, o tamanho da orquestra, o estilo da orquestração e o uso da melodia banal, justaposta, todas vieram de Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

A Sinfonia n.º 4 em Dó menor de Dmitri Shostakovich (opus 43) foi composta entre setembro de 1935 e maio de 1936, após o abandono de alguns esboços. Em janeiro de 1936, na metade de sua composição, Pravda – um jornal sob as ordens de Joseph Stalin1 – publicou um edital chamado “Bagunça invés de Música”, que denunciava o compositor e especificamente sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk. Depois dos ataques e da grande opressão política, Shostakoivch não apenas concluiu sua sinfonia, como também planejou sua estreia, programada para dezembro de 1936 em Leningrado. Em algum momento dos ensaios, ele mudou de ideia. O trabalho foi finalmente apresentado dia 30 de dezembro de 1961 pela Orquestra Filarmônica de Moscou, conduzida por Kirill Kondrashin.

A gravação de Rozhdestvensky é 100% russa. Isto é, temos aqui um Shostakovich com seu sotaque original. Recuse imitações!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4 – AO VIVO

1. Sym No.4 in c, Op.43: Alleretto Poco Moderato
2. Sym No.4 in c, Op.43: Moderatto Con Moto
3. Sym No.4 in c, Op.43: Largo. Allegretto

Bolshoi Theatre Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky

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Shostakovich em 1936, brincando com sua filha Galina.

Shostakovich em 1936, brincando com sua filha Galina e uns porquinhos.

PQP

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Concerto for Clarinet and Orchestra in A major – K 622 – Benny Goodman: Concert at Tanglewood

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Benny Goodman & Boston Symphony Orchestra

Repostagem com novo e atualizado link.

Complementando a excelente postagem do Marcelo Stravinsky sobre Benny Goodman, lembro uma gravação de 1956 de Benny Goodman com a Boston Symphony Orchestra, sob a direção do Maestro Charles Munch: de Wolfgang Amadeus Mozart, Concerto for Clarinet and Orchestra in A major – K 622. O sensível Adagio foi utilizado na trilha sonora do marcante filme Out of Africa.

Nesta gravação, Benny Goodman desenvolve toda a sua sensibilidade. Maravilha!

Concerto for Clarinet and Orchestra in A major –  K 622: 1. Allegro
Concerto for Clarinet and Orchestra in A major –  K 622: 2. Adagio
Concerto for Clarinet and Orchestra in A major –  K 622: 3. Rondo

Mozart at Tanglewood – 1956
Benny Goodman & Boston Symphony Orchestra , (dir) Charles Munch

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MP3 192 kbps – 39,4 MB – 28,2 min
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Avicenna

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