.:interlúdio:. Like Minds – Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Dave Holland, Roy Haynes

.:interlúdio:. Like Minds – Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Dave Holland, Roy Haynes

cover

LINK RESTAURADO !!!

Sou fascinado por este CD, desde quando o adquiri, ainda lá pelo início dos anos 2000. Os tempos eram outros, era complicado conseguir material em mp3, afinal ainda não tínhamos internet rápida em casa, apenas alguns conhecidos, estagiários na Universidade, ficavam madrugadas adentro fazendo downloads de música e de filmes dentro da própria Universidade, aproveitando a estrutura de rede altamente profissional que tinha sido montada.

Era o tempo do Napster, e-mule, e mais alguns sistemas de troca de arquivos. E um gravador de cd também era algo com preço quase proibitivo, então organizávamos sessões de gravação para a troca de material. E quando comprei este primor de CD que ora posto, devem ter sido feitas umas vinte cópias logo nos primeiros dias.

Este cd traz um quinteto de ouro do jazz, e também coloca lado a lado novamente Chick Corea e Gary Burton, dupla que gravou discos antológicos nos idos dos anos 70. E para completar, ainda tem Pat Metheny, Dave Holland e Roy Haynes… e muito talento reunido em um só CD.

Claro que é IM-PER-DÍ-VEL !!! E deve ser ouvido e admirado de preferência acompanhado por um bom vinho …

P.S. Por algum motivo inexplicável, faltou a nona faixa do CD, intitulada ‘For a Thousand Years’. O link da faixa está disponível abaixo do link normal do CD. 

01 – Question And Answer
02 – Elucidation
03 – Windows
04 – Futures
05 – Like Minds
06 – Country Roads
07 – Tears Of Rain
08 – Soon
09 – For A Thousand Years

Gary Burton – Vibraphone
Chick Corea – Piano
Pat Metheny – Guitar
Dave Holland – Bass
Roy Haynes – Drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FAIXA 9 – ‘FOR A THOUSAND YEARS” – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Gary Burton Pat Metheny
Gary Burton & Pat Metheny – Encontro de Gigantes do Jazz

FDPBach

André Previn (1929) / Leonard Bernstein (1918-1990): Concerto para Violino “Anne-Sophie” / Serenata

André Previn (1929) / Leonard Bernstein (1918-1990): Concerto para Violino “Anne-Sophie” / Serenata

51cwtrPhhVLO amor estava no ar e este disco é permeado por ele. A Serenata de Bernstein foi inspirada pelo Simpósio de Platão, uma série de hinos ao amor em suas mais variadas vertentes, por assim dizer. Já o Concerto de André Previn foi inspirado e composto para Anne-Sophie Mutter, com quem se casou pouco depois. (Eles foram casados entre 2002 e 2006. Homem de sorte e certamente sedutor, antes de Mutter, Previn fora casado com Mia Farrow, dentre outras…) Muitos dos grandes compuseram para Anne-Sophie. Penderecki, Lutoslawski, Currier e Rihm escreveram concertos e outras obras destinadas a Mutter, mas esta foi certamente especial, tanto que a obra se chama “Anne-Sophie”. Ela foi projetada para mostrar o virtuosismo impressionante e os puros e belos timbres de Mutter. O Concerto não é magnífico, mas é muito digno. Bernstein se vale de sua enorme versatilidade e estilística eclética na Serenade. Seus quatro movimentos se assemelham vagamente a um concerto. Depois de um sensacional solo de violino, o primeiro movimento deriva para uma valsa; o segundo movimento é lento e sensual; o terceiro é um divertido Scherzo e o último é bem jazzy e tem um final empolgante. Aqui, Mutter está no seu auge. Seu desempenho é uma coisa anormal.

André Previn (1929) / Leonard Bernstein (1918-1990): Concerto para Violino “Anne-Sophie” / Serenata

Previn: Violin Concerto “Anne-Sophie”
1 1. Moderato 9:48
2 2. Cadenza – Slowly 13:26
3 3. Andante 16:20
Anne-Sophie Mutter
Boston Symphony Orchestra
André Previn

Bernstein: Serenade (1954) after Plato’s “Symposium”
4 1. Phaedrus – Pausanias: Lento – Allegro marcato 6:41
5 2. Aristophanes: Allegretto 4:26
6 3. Erixymachus: Presto 1:27
7 4. Agathon: Adagio 7:56
8 5. Socrates – Alcibiades: Molto tenuto – Allegro molto vivace 10:39
Anne-Sophie Mutter
London Symphony Orchestra
André Previn

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Ah, o amor
Ah, o amor

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 7 e 10

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 7 e 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Como de costume, Svetlanov cria uma incrível textura orquestral, com cores e momentos mágicos em cada trecho, permitindo a cada instrumento cantar e expressar-se em toda a extensão. Que contraste com a versão calculada e artificial de Gergiev! A Sinfonia Nº 7 tem uma estrutura simétrica mais ou menos assim: um belíssimo e dançante Scherzo envolvido por duas ma-ra-vi-lho-sas “Músicas da Noite”, as quais são antecedidas e sucedidas por dois movimentos tipicamente mahlerianos, um sombrio e outro luminoso. Fazendo um esquema bem precário, é assim:

Sombras / Música da Noite 1 / Scherzo / Música da Noite 2 / Alegria

Costumo ouvir a sétima sinfonia retirando o primeiro e o último movimento. Fico apenas com as duas Nachtmusiken e com o Scherzo, que me é particularmente sedutor. Ouvindo Svetlanov, este esquema revelou-se em toda sua imbecilidade.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonias Nº 7 e 10

Symphonie N °7 En Mi Mineur ” Chant De La Nuit
1-1 1. Adagio. Allegro Con Fuoco 22:53
1-2 2. 1ste Nachtmusik : Allegro Moderato 18:52
1-3 3. Scherzo: Schattenhaft 9:43
1-4 4. 2te Nachtmusik : Andante Amoroso 15:43
2-1 5. Rondo: Allegro Ordinario 17:52

Symphonie N° 10 En Fa Dièse Majeur
2-2 Adagio 31:46

The Russian State Symphony Orchestra
Evgeni Svetlanov

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Freud and Mahler, de Edward Sorel
Freud and Mahler, de Edward Sorel

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.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD de Jack DeJohnette me foi apresentado por um grande amigo integrante da OSPA (não se trata de caxumba, mas da famigerada Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e talvez seja um dos três melhores discos lançado pela ECM em toda sua riquíssima história. É estupendo e jamais me esqueceria dele se fosse para aquela ilha deserta! Abaixo, faço um copy and paste de duas críticas encontradas na rede. As críticas publicadas têm muito menos entusiasmo do que teria uma minha. Sou grande admirador deste CD que é uma sequência irrepetível de cinco obras-primas. O quarteto é notável, com destaque para David Murray. O que vocês ouvirão não é algo rotineiro. Baixem logo e ouçam atentamente.

This is a very cool album from drummer DeJohnette. His sidemen, Arthur Blythe and David Murray are both superb soloists, and each of them get some room to show their talents. Three of the five tunes are DeJohnette’s originals, my favorite of which is the rather catchy “Zoot Suite”. Filling out the album are two Coltrane tunes. For the most part, this has none of the atmospheric and cool aesthetic that most ECM albums have. It is quite lively and at times ferocious. Definitely worth checking out.

By Eric Brinkmann

Jack DeJohnette, man!!,

This Jack DeJohnette date is a studio recording from 1980 that features a quartet with David Murray on tenor sax and bass clarinet, Arthur Blythe on alto, and Peter Warren on bass and cello. It’s true that Jack DeJohnette is something of an impressionist drummer and, as such, he helped define the sound of the ECM label, home of Pat Metheny, Keith Jarrett, and Jan Garbarek. He was also known for the occasional piano excursion and on this album plays both piano and melodica when he’s not on the skins, while showcasing his compositional talents with 3 originals and 2 Coltrane tunes.

In addition to DeJohnette’s adventurous writing, this recording is really defined by the presence of World Saxophone Quartet players David Murray and Arthur Blythe. David Murray is the heir apparent to Eric Dolphy, and here he pays tribute to the bearded one with bass clarinet excursions on the DeJohnette penned “One for Eric” and the Coltrane/Dolphy standard “India.” Murray has really mastered this instrument (though he typically favors tenor sax) and I’m always searching for albums where he gets it out. Like Murray, Blythe is also comfortable stretching things out in the upper register with wails and squawks when the moment calls for it.

On “One for Eric,” after the players state the theme, Murray gets into a sauntering bass clarinet exploration before Blythe picks up the pace in the second half with a wailing alto sax solo, then bass and drum solos before the group returns to repeat the theme in unison to conclude. Fairly straight ahead structure here with fiery solos. “Zoot Suite” on the other hand, alternates between a repeated six-note stanza, with the players dancing around it very much in the spirit of the WSQ, and sections of third-stream cello-infused textures. Murray and Blythe get into a duel at the 2/3rds mark, before a return to third-stream impressionistics to round out the piece. Coltrane’s “Central Park West” is a brief, languid ballad with the horns and cello playing an almost dirge without time for any soloing. “India” has DeJohnette starting things off on piano, with Murray on bass clari and Blythe on alto coming in like Coltrane and Dolphy before Murray goes into his solo and then Blythe following — this tune is similar in form to the first track, with great horn soloing on top of a fairly standard arrangement.

It’s “Journey to the Twin Planet” that is the standout here, and apparently an acquired taste, though I acquired this album because of this particular track. It’s a bit avante garde and starts deceptively slow and exploratively with melodica, tenor, and alto sputtering, squawking, and blowing airily before things gradually build to a spastic, orgiastic release at 2:22 with all four players going at it — DeJohnette crashing the cymbals, Murray blustering away, Blythe caterwalling, and Warren plucking furiously. Then they’re back to the careful explorations that they started with, continuing at a snails pace with melodica, cello, and horns, before segueing into a melodica-led rhythm that sounds like something Steve Reich would have written. It’s adventurous, other-worldly, and out-there — honestly, I wish the whole album was like this, though obviously some will feel the opposite.

At 38 minutes, this is an all-too-short album, but the DeJohnette arrangements, fierce blowing by Murray and Blythe, and curious instrumentation make this an fascinating and enjoyable album.

By Joe Pierre

Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

1. One For Eric (DeJohnette)
2. Zoot Suite (DeJohnette)
3. Central Park West (Coltrane)
4. India (Coltrane)
5. Journey To The Twin Planet (DeJohnette)

David Murray – Clarinet (Bass), Sax (Tenor)
Arthur Blythe – Sax (Alto)
Jack DeJohnette – Drums, Synthesizer, Guitar, Piano, Melodica, Main Performer, Producer, Keyboards, Mellophonium
Peter Warren – Bass, Cello

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Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.
Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.

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Felix Mendelssohn (1809-1847): Symphony No. 5 & Overtures

Felix Mendelssohn (1809-1847): Symphony No. 5 & Overtures

Na minha opinião, a Sinfonia Nº 5, A Reforma, é uma obra-prima. É bachiana, luteraníssima e decididamente antiquada para o jovem romantismo vivido na época de Mendessohn. Ela foi composta em 1830 e estreada em novembro de 1832 em Berlim. A sinfonia foi composta em homenagem ao tricentenário da apresentação da Confissão de Augsburgo. Tal Confissão constitui a primeira exposição oficial dos princípios da luteranismo ou do protestantismo, e sua apresentação ao Imperador Carlos V, em junho de 1530, foi o ponto de início da Reforma Protestante. Na verdade, é a segunda de suas cinco sinfonias, mas foi publicada apenas em 1868, 21 anos após a morte de Mendelssohn. Por isso, ganhou o número 5. Muito interpretada, atualmente goza de maior popularidade do que durante a vida do compositor.

Felix Mendelssohn (1809-1847): Symphony No. 5 & Overtures

1 Overture: Ruy Blas 7:17
2 Overture: Calm Sea And Prosperous Voyage 11:48

Symphony No 5, ‘Reformation’ (28:04)
3 i. Andante – Allegro Con Fuoco 11:00
4 ii. Allegro Vivace 4:46
5 iii. Andante 3:36
6 iv. Choral: Ein’ feste Burg Ist Unser Gott: Andante Con Moto – Allegro Maestoso 8:42

London Symphony Orchestra
Sir John Eliot Gardiner

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Martinho Lutero traduzindo a Bíblia do Latim para o Alemão, de Gustav König (1808-1869).
Martinho Lutero traduzindo a Bíblia do Latim para o Alemão, de Gustav König (1808-1869).

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Béla Bartók (1881-1945): O Castelo do Barba Azul

Béla Bartók (1881-1945): O Castelo do Barba Azul

Alguns de vocês sabem de meu bloqueio com óperas. na verdade, gosto das modernas Wozzeck, Lulu, das surpresas de Stockhausen e desta pequena ópera de Béla Bartók “O Castelo do Barba Azul”. Gosto muito de ouvi-la (*). Eu gostaria de ter tempo e conhecimento para tentar escrever algo no estilo do genial Euterpe a respeito, mas não vai dar, peçam para eles lá.

Esta gravação de 1965 tem uma qualidade de som absolutamente inesperada para a época e, se foi relançada em 2004, foi por sua estupenda qualidade. Não hesitaria em abraçar a histeria de alguns comentaristas da Amazon que a consideram um dos maiores registros realizados em todos os tempos. Christa Ludwig e Walter Berry conseguem ser perfeitos e emocionais, técnicos e comoventes. Algo realmente raro que chamou a atenção deste que costuma torcer o nariz para óperas.

Confiram, confiram.

(*) Na verdade, acho que as óperas são para ser vistas e ouvidas. Apenas ouvi-las é perder grande parte. Óperas são berro, luz, cenografia e atuação. Ficar só com a música é empobrecê-la. Estou muito errado?

Béla Bartók (1881-1945): O Castelo do Barba Azul

1. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Opening Scene. “Megérkeztünk” 14:27
2. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 1. “Jaj!” “Mit látsz? Mit látsz?” “Láncok, kések” 4:18
3. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 2. “Mit látsz?” “Százkegyetlen szörnyü fegyver” 4:12
4. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 3. “Oh, be sok kincs! Oh, be sok kincs!” 2:29
5. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 4. “Oh! virágok! Oh! ilatoskert!” 5:03
6. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 5. “Ah!” “Lásdez az én birodalmam” 6:54
7. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 6. “Csendes fehér tavat látok” 12:39
8. Bluebeard’s Castle, Sz. 48 (Op.11) – Door 7. “Lásd a régi aszszonyokat” 9:31

Bluebeard____________________ Walter Berry
Judith______________________Christa Ludwig

London Symphony Orchestra
István Kértész, conductor

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E ninguém invocava a Maria da Penha
Uma montagem do Barba Azul de Bartók. E ninguém invocava a Maria da Penha.

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Johann Sebastian Bach (1685 – 1750): Sonatas & Partitas para Violino Solo

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750): Sonatas & Partitas para Violino Solo


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Vamos fechar os trabalhos de hoje com a estupenda violinista russa Alina Ibragimova interpretando as Sonatas e Partitas para Violino Solo de meu pai. Música insondável, de profunda sutileza, virtuosismo impressionante e beleza arquitetônica, estas peças tem um grau de abstração inteiramente adequada para que o cérebro possa renascer depois da ressaca de ontem à noite. Inacreditável interpretação da jovem russa e gravação monumental da Hyperion. Tudo do bom e do melhor pra gente desintoxicar.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750): Sonatas & Partitas para Violino Solo

CD 1:
Sonata No 1 in G minor, BWV1001
1) Adagio [4’32]
2) Fuga. Allegro [5’04]3
3) Siciliana [3’29]
4) Presto [3’18]
Partita No 1 in B minor, BWV1002
5) Allemanda [5’11]
6) Double [2’27]
7) Corrente [3’27]
8) Double [3’18]
9)Sarabande [3’36]
10) Double [3’34]
11) Tempo di borea [3’18]
12) Double [3’08]
Sonata No 2 in A minor, BWV1003
13) Grave [4’34]
14) Fuga [7’46]
15) Andante [5’34]
16) Allegro [5’28]

CD2:
Partita No 2 in D minor, BWV1004
1) Allemanda [5’17]
2) Corrente [2’26]
3) Sarabanda [4’19]
4) Giga [3’26]
5) Ciaccona [14’10]
Sonata No 3 in C major, BWV1005
6) Adagio [4’11]
7) Fuga [10’39]
8) Largo [3’20]
9) Allegro assai [4’19]
Partita No 3 in E major, BWV1006
10) Preludio [3’14]
11) Loure [4’10]
12) Gavotte en rondeau [2’59]
13) Menuet 1 – Menuet 2 [4’58]
14) Bourrée [1’16]
15) Gigue [1’40]

Alina Ibragimova, violino

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Pasmem, Alina Ibragimova nasceu em 1985!
Pasmem, Alina Ibragimova nasceu em 1985!

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Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Dois Retratos / Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta

Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Dois Retratos / Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Seguindo nesta minha fase compulsiva, vamos a mais um Bartók. O húngaro não é para diletantes, então observem ao lado o nome do regente. Abbado interpreta maravilhosamente tanto o Mandarim quanto a Sinfonietta de Janáček, que tantos admiradores possui aqui no blog. Esta versão do Mandarim é a melhor que já ouvi até hoje. A história é a seguinte:

O ballet-pantomima O Mandarim Miraculoso narra uma curiosa história. Sons precipitados e tumultuados de rua apresentam três vagabundos que coagindo uma jovem mulher a fazer o papel de prostituta a fim de atrair homens a seu quarto para que eles pudessem roubá-los. (O chamado sedutor é soado três vezes pelo clarinete.) Primeiro, a jovem atrai a atenção de um senhor de idade. Mas seu interesse por ela é subitamente interrompido quando os três cúmplices o escorraçam porque ele não tem dinheiro. O chamado sedutor soa de novo, desta vez alcançando um jovem tímido. A jovem se sente atraída por ele e os dois dançam. Mas quando descobrem que ele também tem pouco dinheiro, é igualmente posto para fora.

O terceiro chamado traz à cena o macabro Mandarim. Os olhos traem-lhe os desejos. A jovem começa a dançar para ele- uma valsa que lentamente começa a se delinear – excitando-o ainda mais. No clímax da dança ela se lança a seus joelhos. Apaixonadamente, ele a abraça. A jovem, aterrorizada, foge dele quando um forte toque de trombone anuncia frenética perseguição em ostinado. O Mandarim a persegue e, quando alcança a mulher, os três delinqüentes saltam de seu esconderijo e tentam asfixiá-lo sob uma pilha de almofadas. Mas o mandarim consegue se reerguer e com os olhos fixos ainda mais apaixonadamente sobre a jovem. Os homens o atravessam com uma espada enferrujada, mas o Mandarim não sangra. Enforcam-no num candelabro mas ele não morre. Finalmente, sua cabeça é decepada e a jovem, chorando toma-o nos braços. Só então começam a ferir as feridas do Mandarim e ele consegue morrer.

Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Dois Retratos /
Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta

1. The Miraculous Mandarin op.19: Beginning
2. The Miraculous Mandarin op.19: The curtain rises
3. The Miraculous Mandarin op.19: First seduction game: the shabby old rake
4. The Miraculous Mandarin op.19: Second seduction game
5. The Miraculous Mandarin op.19: The shy youth appears at the door
6. The Miraculous Mandarin op.19: Third seduction game
7. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin enters-Encounter with the girl
8. The Miraculous Mandarin op.19: The girl’s dance
9. The Miraculous Mandarin op.19: She flees from him; he chases her wildly
10. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin stumbles, but catches the girl; they fight. The…
11. The Miraculous Mandarin op.19: Suddenly the Mandarin’s head Appears. The Tramps drag him out,…
12. The Miraculous Mandarin op.19: They drag the Mandarin to the centre of the room and hang him on a…
13. The Miraculous Mandarin op.19: The tramps take him down. He falls to the floor and at once leaps…
14. The Miraculous Mandarin op.19: His longing stilled, the Manadrin’s wounds begin to bleed; he…

London Symphony Orchestra
Ambrosian Singers
Claudio Abbado

15. Two Portraits op.5: 1. One Ideal: Andante – Shlomo Mintz/LSO/Abbado
16. Two Portraits op.5: 2. One Grotesque: Presto – Shlomo Mintz/LSO/Abbado

London Symphony Orchestra
Shlomo Mintz
Claudio Abbado

17. Sinfonietta: 1. Allegretto-Allegro-Maestoso – Berlin PO/Abbado
18. Sinfonietta: 2. Andante-Allegretto – Berlin PO/Abbado
19. Sinfonietta: 3. Moderato – Berlin PO/Abbado
20. Sinfonietta: 4. Allegretto – Berlin PO/Abbado
21. Sinfonietta: 5. Andante con moto – Berlin PO/Abbado

Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Quem desenhou esta ilustração presente em programas do Mandarim?
Quem desenhou esta ilustração presente em programas do Mandarim?

PQP

Marlui Miranda (1949) – IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Em agosto de 2009 o colega Marcelo Stravinsky postou aqui o CD “IHU 2”, ou “Kewere”, a missa com coro e orquestra, baseado em cantos e em textos indígenas, que Marlui Miranda lançou em 1997.

Há algumas semanas o Monge Ranulfus teve a oportunidade de apreciar ao vivo uma realização dessa missa com a própria Marlui e o coro e orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba. Isso trouxe novamente à tona seu entusiasmo, jamais arrefecido, pelo trabalho de pesquisa e de criação dessa cearense. Quer lhe parecer que tal trabalho é o primeiro que se defronta com o material musical ameríndio não como matéria prima para uma criação musical ocidental, mas, ao contrário, coloca as técnicas ocidentais de épocas e estilos os mais diversos a serviço da própria expressão ameríndia – como quem apenas lhe realçasse os traços e evidenciasse possibilidades, sem jamais afastá-lo de sua natureza-de-alma mais própria.

Tratar-se-ia, portanto, de um ato de imensa significação histórica, pois nunca antes, em 500 anos, o olhar, ouvido e alma europeus teriam alcançado um nível de respeito e abertura tão elevados diante da expressão indígena – resultando não em mais um produto ocidental feito com matéria-prima expropriada, e sim, pelo contrário, em um sutilíssimo ato de penitência pelos imensos crimes de lesa-humanidade com que a expansão europeia se efetivou.

Enfim: brotou desse momento a vontade de compartilhar aqui o primeiro disco da série Ihu, dois anos anterior à missa, o qual não recorre ao coro e orquestra “eruditos” mas também alcança um nível extraordinário de realização musical (veja-se pelas entusiásticas resenhas deixadas no site da Amazon que foram incluídas na postagem em arquivo de texto).

E, para lhe fazer companhia, por que não repostar também a missa? Tenho tanta certeza de que o Strava não se oporá que deixei para pedir licença aqui, em pleno ar…

Uma última coisa: Marlui Miranda disse uma vez que pretendia realizar uma série de seis discos com material indígena, cada um explorando um diferente campo de linguagem. Não sei que dificuldades terá encontrado, pois parece parou nestes dois. Ainda assim que ninguém se atreveria a dizer que a realização foi pouca, não é mesmo?

Marlui Miranda (1949)
Ihu : Todos os Sons (1995)

1. Tchori Tchori (Índios Jaboti de Rondônia)
2. Pamé Daworo (Índios Jaboti de Rondônia)
3. Tche Nane (Índios Jaboti de Rondônia)
4. Ñaumu (Índios Yanomami de Roraima)
5. Awina – Ijain Je E’ (Índios Pakaa Nova de Rondônia)
6. Araruna (Índios Parakanã do Pará)
7. Mena Barsáa (Índios Tukano do Amazonas)
8. Bep (Índios Kayapó do Pará)
9. Festa Da Flauta (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)
10. Yny Maj Hyrynh (Índios Karitiana de Rondônia / José Pereira Karitiana)
11. Hirigo (Índios Tupari de Rondônia)
12. Wine Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
13. Mekô Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
14. Ju Parana (Índios Juruna do Mato Grosso do Norte)
15. Kworo Kango (Índios Kayapó do Pará)
16. Mito (narração) – Mitumji Iarén (Índios Suyá do Mato Grosso do Norte)
17. Quinze Variações de Hai Nai Hai (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)

NOVO LINK COM ARQUIVO MELHORADO
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Ranulfus

Dario Castello (1590–1630) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno

Dario Castello (1590–1630) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno

Os italianos e o violino, o violino e os italianos. Castello e Fontana foram compositores do barroco inicial italiano. Sabe-se pouco sobre Castello. Suas datas de nascimento e morte são aproximações. Pensa-se que ele possa ter morrido durante a grande praga de 1630, pois não publicou nenhuma música nova após esta data. Já Fontana morreu certamente em Padova durante a mesma praga. John Holloway é um mestre do barroco e interpreta essas obras com o habitual senso de estilo. As obras são solos de violino bem acompanhados pelo cravo e, às vezes, também pelo fagote. Mas é um disco de violino, violino e mais violino. Vale a pena conferir.

Dario Castello (1621-1658) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno

1 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Settima 5:13
2 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Prima 4:40
3 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Ottava 4:54

4 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Seconda 6:12
5 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Nona 5:56
6 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Terza 4:35
7 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Decima 6:12
8 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Quinta 5:09
9 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Duodecima 5:30
10 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Sesta 6:06

11 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Settima 6:13
12 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Seconda 4:49
13 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Ottava 4:46

John Holloway, violino
Lars Ulrik Mortensen, cravo
Jane Gower, fagote

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Orazio Gentileschi (1563-1639), Jovem mulher tocando violino
Orazio Gentileschi (1563-1639), Jovem mulher tocando violino

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Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ah, os países periféricos da Europa!. De lá saem verdadeiros monstros! Os 6 Quartetos de Cordas do húngaro Béla Bartók estão no centro e talvez sejam a melhor música composta no século XX. É um lugar comum comparar os quartetos de Bartók com últimos quartetos de Beethoven. O fato é que, como as obras do alemão, são peças muito complexas, profundas e recheadas de inovações. O Jerusalem Quartet escolheu os quartetos pares (n° 2, de 1917; n° 4, de 1928; e n° 6, de – 1939). Todos quartetos são notáveis, mas o Quarto e o Quinto… O Quarto é uma obra que guarda parentesco com os dois primeiros concertos para piano e orquestra e Cantata Profana. Todos eles compartilham boa dose de agressividade. Este quarteto tem cinco movimentos simétricos no esquema rápido-scherzo-lento-scherzo-rápido. Ambos os scherzos apresentam novidades de execução. O primeiro é todo tocado com surdinas nos instrumentos e o segundo é inteiramente em pizzicato. Não é música mais divertida do mundo, evite ouvir sem atenção. Bartók nos puxa para zonas intensas e de conflito. É só se abrir que a coisa funciona e você jamais esquecerá desta grande música.

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

String Quartet no. 2 op. 17 Sz.67 in A minor
1 Moderato 10:04
2 Allegro molto capriccioso 8:01
3 Lento 8:22

String Quartet no. 4 Sz. 91 in C major
4 Allegro 6:06
5 Prestissimo, con sordino 3:10
6 Non troppo lento 5:58
7 Allegretto pizzicato 2:48
8 Allegro molto 5:51

String Quartet no. 6 Sz. 114 in D major
9 Mesto – Più mosso, pesente – Vivace 7:29
10 Mesto – Marcia 7:38
11 Mesto – Burletta. Moderato 7:08
12 Mesto 6:09

Jerusalem Quartet

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Bartók num piquenique de merda na Turquia.
Bartók num piquenique de merda na Turquia.

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Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas

Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas

Nestes dias em que as comportas da música erudita foram abertas e jorra música por todos os lados é preciso se disciplinar. Tenho música para ouvir pelos próximos 20 anos. E acredito que esta não seja apenas a minha condição. Há outros com este mesmo “problema”. Geralmente posto aquilo que ouço. Isso me disciplina a ouvir aquilo que está em minhas mãos. Se assim não proceder, o prejuízo torna-se imenso. Foi assim que eu procedi para postar este CD com o compositor tcheco Leoš Janáček, patrício de Dvorak. A música de Janáček está repleta de um forte tom folclórico. Janáček pertence a uma geração de compositores que procuraram um maior realismo e uma maior conexão com a vida cotidiana, combinada com uma utilização mais abrangente de recursos musicais. Neste magnífico CD temos a Sinfonieta para Orquestra e Prelúdios de suas principais óperas. A Sinfonieta em particular foi feita em homenagem às Forças Armadas da Checoslováquia. Após ouvir uma banda de metais, Janáček encontrou uma tema motivador para compor a peça. Segundo Janáček, a obra enfatizava “o homem livre contemporâneo, a beleza, alegria, determinação e força para lutar pela vitória”. Uma boa apreciação desse importante material!

Leoš Janáček (1854-1928) – Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas

Sinfonietta for Orchestra
01. I. Allegretto-Allegro-Maestoso
02. II. Andante-Allegretto-Maestoso
03. III. Moderato-con moto-Tempo primo-Prestissimo-Moderato
04. IV. Allegretto
05. V. Andante con moto-Maestoso-Allegretto-Allegro-Maestoso-Adagio

Prelude to The Makropulos Affair
06. Prelude to The Makropulos Affair

Prelude to Katya Kabanova
07. Prelude to Katya Kabanova

Prelude to The House of the Dead
08. Prelude to The House of the Dead

Prelude to Jealousy (Jenufa)
09. Prelude to Jealousy (Jenufa)

The Pro Arte Orchestra
Charles Mackerras, regente

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Leos Janacek
Leoš, poderia pentear o cabelo antes de tomar café?

Carlinus

Marlui Miranda (1949): IHU 2 : Kewere = Rezar (Missa Indígena)

Inspirado pela postagem da Misa Criolla pelo amigo Avicenna, apresento-lhes a Missa Indígena Kewere da pesquisadora, compositora e cantora indigenista Marlui Miranda.

Tive a oportunidade de apreciar a Missa Kewere em julho de 1997, numa transmissão ao vivo da TV Cultura , direto da Catedral da Sé de São Paulo, em comemoração ao IV Centenário de Morte de José de Anchieta. A Catedral estava completamente tomada pelo povo, com a presença de representantes das nações indígenas, do Governador do Estado, do Presidente da República e do Cardeal Arns. Fiquei apaixonado logo de cara pelas melodias e pela linguagem indígena.

Para falar sobre  a obra, nada melhor que as palavras da própria compositora cearense, em texto extraído do encarte do cd.

Muitas missas étnicas foram compostas, tais como a “Missa Creolla”, a “Missa da Terra Sem Males”, “Missa Yoruba”. A Missa Kewere assume os ingredientes culturais dos índios amazônicos brasileiros, distantes de uma tradição musical erudita.

Em Kewere, a idéia central é a contraposição de crenças: de um lado, cantos de pajés; de outro, versos cristãos de José de Anchieta e textos da liturgia acomodados dentro da mesma trama composicional. Os cantos indígenas selecionados são de natureza solene, lírica, portanto dignificam e são adequados para serem interpretados por orquestra sinfônica e grande coro sinfônico. Assim, a escolha desta formação pareceu-me pertinente à ideia da catequese, da conversão dos índios a uma religião européia. A língua tupi ancestral unifica a composição como um todo.

Ao mesmo tempo que o “oratório” nos distancia das origens deles, nos aproxima misteriosamente, porque uma parte da interpretação vocal é feita de maneira étnica, evocando personagens indígenas, vozes esquecidas no passado da catequese. Assim, no Kyerie, a índia canta à sua maneira, misturando duas crenças: “Kyrie Eleyson… Tupã oré r-ausubar iepé… Tupã Eleyson…”, enquanto, paralelamente, acontece um canto “gregoriano” e um canto de “nominação”, este último explicado como uma espécie de “batismo”, inspirado na tradição indígena.

Kewere é uma composição de equilíbrio delicado, em que procurei adequar o sentido poético dos Aruá, dos Tupari, dos Urubu-Kaapor. Estes cantos são tão leves e frágeis quanto os espíritos que os trouxeram através do mundo dos sonhos. É nesta estrutura leve que pousam os versos de José de Anchieta.

Marlui Miranda

.oOo.

01. Canto de Entrada
Música: Marlui Miranda
(adaptada dos cantos dos índios Aruá)
Texto: José de Anchieta
extraído de Dia da Assunção, quando levaram sua imagem a Reritiba, v.v. 45 séc.XVI
Arranjo: Nelson Ayres

2. Kyrie
Música: Marlui Miranda
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Marlui Miranda
Percussão: Paolo Vinaccia
Teclado: Bugge Wesseltoft

3. Glória
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Tupari
Texto: José de Anchieta
extraído de Pitãngi Porãgeté, v.v. 18 e 36 séc. XVI
Arranjo: Marlui Miranda

4. Aleluia: Aclamação do Evangelho
Música: Marlui Miranda
Texto: José de Anchieta
extraído de Tupána Kuápa, v.v. 39 séc. XVI
Arranjo: Marlui Miranda

5. Credo
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Texto: José de Anchieta
extraído de Em Deus, Meu Criador, v.v. 1, 8 e 29, séc. XVI
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft
Baixo Acústico: Rodolfo Stroeter
Percussão: Paolo Vinaccia

6. Ofertório
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Caíto Marcondes
Teclado: Bugge Wesseltoft

7. Pai Nosso
Música: Marlui Miranda
Texto extraído do Catecismo da Língua Brasílica séc. XVI
Arranjo: Mateus Hélio

8. Agnus Dei
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Texto: José de Anchieta
extraído de Pitãngi Porãgeté, v.v. 92-95 e de Polo Moleiro, v.v. 122-125
Arranjo: Nelson Ayres

9. Comunhão
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Texto: José de Anchieta
extraído de Santíssimo Sacramento, séc. XVI
Arranjo Coral: Marlui Miranda
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft
Baixo Acústico: Rodolfo Stroeter
Percussão: Paolo Vinaccia

10. Ação de Graças
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Urubu-Kaapor
Traduzido para o tupi por: Eduardo Navarro
Arranjo: Marlui Miranda
Percussão: Paolo Vinaccia

11. Canto Final
Música: Marlui Miranda
adaptada dos cantos dos índios Aruá
Texto: José de Anchieta
extraído de Dia da Assunção, quando levaram sua imagem a Reritiba, v.v. 90-98 séc.XVI
Arranjo: Ruriá Duprat
Piano e Teclado: Bugge Wesseltoft

Baixe as Letras e Traduções

Concepção e Composição de Marlui Miranda, adaptada da música dos índios, Aruá, Tupari e Urubu-Kaapor
Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo
Coral Sinfônico do Estado de São Paulo
Coral IHU
Regência: Maestro Aylton Escobar

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Strava

.: interlúdio :. François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky

.: interlúdio :. François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky

Música composta por François Couturier tendo por inspiração os filmes de Andrei Tarkovsky, seus atores favoritos e a forma como ele jogava com cor e som. Couturier é louco por Tarkovsky. Bem, eu também sou louco por Tarkovsky. O compositor reuniu um grupo pouco ortodoxo de músicos para o projeto. Anja Lechner, mais conhecida nos círculos clássicos, já demonstrou em Chants, Hymns and Dances (ECM, 2004) do que é capaz. O acordeonista Jean-Louis Matinier trabalha com Couturier no trio de Anouar Brahem. O saxofonista soprano Jean-Louis Marché é o novo nome aqui, embora tenha trabalhado com Couturier e Matinier no passado. A química do grupo inequivocamente funciona.

François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky

1 Le Sacrifice 8:59
2 Crépusculaire 13:20
3 Nostalghia 8:27
4 Solaris I
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
3:19
5 Miroir 3:21
6 Solaris II
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
2:47
7 Andreï 7:05
8 Ivan
Composed By – Couturier*, Larché*
6:14
9 Stalker 7:01
10 Le Temps Scellé 5:02
11 Toliu 8:24
12 L’Éternel Retour 3:46

Accordion – Jean-Louis Matinier
Piano – François Couturier
Soprano Saxophone – Jean-Marc Larché
Violoncello – Anja Lechner

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QUARTET-CONCERT-COULEUR-2

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Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano

As obras deste disco foram tardias. Fauré estava na casa dos 70 anos e estava já surdo. Mas não via sentido em viver sem compor, então, mesmo que não pudesse ouvir o resultado, seguia escrevendo. As Sonatas são mais ou menos, o Trio é melhor. Cada uma das peças tem três movimentos, cada por volta de 19 minutos. Nas sonatas para violoncelo, Poltera e Stott, excelentes instrumentistas, parecem concordar que o impulso melódico é levado pelo violoncelo, às vezes perturbado ou acentuado pelo piano. O violoncelo fala de tristeza e consolo, mas o efeito geral é sereno. A primeira sonata, escrita antes do final da Primeira Guerra Mundial, é um pouco mais agitada do que a segunda. O Trio é mais interessante — o terceiro instrumento, o violino, bem tocado por Priya Mitchell, aprofunda a textura e complica a escrita para torná-la mais interessante. O movimento lento é uma beleza e o final tem um verdadeiro “Vivo”. O disco também inclui uma bela performance do último Noturno de Fauré para piano solo.

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano

1. Cello Sonata No. 1, Op. 109, I. Allegro
2. Cello Sonata No. 1, Op. 109, II. Andante
3. Cello Sonata No. 1, Op. 109, III. Finale. Allegro Commodo

4. Cello Sonata No. 2, Op. 117, I. Allegro
5. Cello Sonata No. 2, Op. 117, II. Andante
6. Cello Sonata No. 2, Op. 117, III. Allegro Vivo

7. Nocturne N° 13 En Si Mineur, Op. 119

8. Piano Trio, Op. 120, I. Allegro Ma Non Troppo
9. Piano Trio, Op. 120, II. Andantino
10. Piano Trio, Op. 120, III. Allegro Vivo

Kathryn Stott: piano
Christian Poltéra: cello
Priya Mitchell: violin

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Ei, tá me ouvindo?
Ei, Gabi, tá me ouvindo?

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Tigran Mansurian (1939): Requiem

Tigran Mansurian (1939): Requiem

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco absolutamente notável. Tigran Mansurian criou seu Réquiem dedicado à memória das vítimas do genocídio armênio que ocorreu na Turquia de 1915 a 1917. Concilia o som e a sensibilidade das tradições do seu país com o texto do Réquiem latino numa composição contemporânea profundamente comovedora e iluminada. O trabalho é um marco para Mansurian, amplamente reconhecido como o maior compositor da Armênia. O Los Angeles Times descreveu sua música como aquela “em que a dor cultural profunda é acalmada através de uma beleza estranhamente tranquila, avassaladora.” 

Tigran Mansurian (1939): Requiem

1.REQUIEM AETERNAM 8:22
2.KYRIE 6:06
3.DIES IRAE 2:46
4.TUBA MIRUM 5:07
5.LACRIMOSA 5:51
6.DOMINE JESU CHRISTE 8:04
7.SANCTUS 5:22
8.AGNUS DEI 3:41

Anja Petersen Soprano
Andrew Redmond Baritone
RIAS Kammerchor
Münchener Kammerorchester
Alexander Liebreich

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Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de "inspiração" para Hitler.
Genocídio Armênio: sim, aconteceu, apesar dos turcos jamais terem admitido. Pior, serviu de “inspiração” para Hitler.

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Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 / Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 / Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 / Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 / Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”
Masur
Masur

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Saber de onde saíram estas gravações juntadas a partir de mais de um CD? Tarefa impossível. Mas em verdade vos digo: são registros absolutamente entusiasmantes, sensacionais, estimulantes. O que faz Sergey Khachatryan, uma das preferências mais radicais deste que vos escreve, no Concerto de Sibelius? Putz, onde encontrar uma gravação melhor deste concerto? E para ser melhor ainda, é tudo AO VIVO. Olha, o Mendelssohn inicial e o Sibelius são para se ouvir de joelhos, o Tchai já está mais para a normalidade. Confiram e me digam se não tenho razão.

Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 /
Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 /
Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”

Felix Mendelssohn (1809-1847) – A Abertura “As Hébridas”, Op. 26
1. A Abertura “As Hébridas” em E menor, Op. 26

Jean Sibelius (1865 – 1957) – Concerto para violino, Op.47
2. Allegro moderato
3. Adagio di molto
4. Allegro, ma non tanto

Piotr Ilytch Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia No. 6, Op. 74 – “Patética”
5. Adagio – Allegro non troppo
6. Allegro con grazia
7. Allegro molto vivace
8. Finale — Adagio lamentoso

Sergey Khachatryan, violin
New York Philharmonic
Kurt Masur, conductor

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Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.
Sergey Khachatryan: esse toca pra caraglio.

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Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

Só de ver o título A Canção da Terra ou Das Lied von der Erde eu já fico feliz, mas alguma coisa não deu certo neste CD. A primeira surpresa é que o notável tenor Jonas Kaufmann canta todas as seis partes. Ora, esta obra é considerada uma espécie Sinfonia para tenor e contralto (ou mezzo ou barítono) e tradicionalmente duas vozes cantam os seis movimentos. As performances com um barítono ao invés de um mezzo ou contralto como segundo solista parecem ter se tornado mais comuns na última década, seguindo o exemplo criado há meio século por Dietrich Fischer-Dieskau (com James King, tenor), Thomas Hampson (com Peter Seiffert, tenor) e Christian Gerhaher (com Klaus Florian Vogt, tenor). As gravações citadas demonstraram quão eficaz uma segunda voz masculina pode ser nesta peça. Mas, embora a voz de Kaufmann seja regularmente descrita como tendo qualidades de barítono, ele não é um barítono, e há momentos em que parece estar lutando para reunir o suficiente peso para suportar a linha vocal. Foi uma experiência… que talvez não devesse ser registrada em disco, considerando-se que Kaufmann costuma ser espetacular.

Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra

1 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde 8:06
2 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst 9:57
3 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend 3:08
4 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit 6:56
5 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling 4:25
6 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied 28:33

Jonas Kaufmann, tenor
Wiener Philharmoniker
Jonathan Nott

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Jonas, veja bem...
Jonas, veja bem…

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Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

Belíssimo disco deste compositor recém retirado do limbo. Heinichen merece estar na segunda linha dos grandes compositores barrocos. Sua música está desfrutando de um rápido ressurgimento, com muitos de seus concertos e missas recebendo recitais e gravações. Seus Dresden Concerti, gravado pela Musica Antiqua Köln, já são um clássico da discografia erudita. Heinichen estudou Direito na Universidade de Leipzig, mas acabou mesmo dedicando-se à música, tanto que depois passou sete anos estudando em Veneza. Seu estilo, aliás, é muito italiano. Após Veneza, trabalhou em Dresden como Kapellmeister do Eleitor da Saxônia. Grande Heinichen!

Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas

1. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Andante
2. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Vivace
3. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Adagio
4. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Allegro

5. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Affetuoso
6. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Allegro
7. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Adagio
8. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Vivace

9. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Grave
10. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro
11. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Larghetto e cantabile
12. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro

13. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Andante
14. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Vivace
15. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Adagio
16. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Allegro

17. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Vivace
18. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Largo
19. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Presto

20. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Largo
21. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro
22. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Lamentabile et appogiato
23. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro

24. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Andante
25. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Allegro
26. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Larghetto
27. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Vivace

Epoca Baroca

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Loose Company -- Dirck van Baburen
Loose Company — Dirck van Baburen

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J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

IM-PER-DÍ-VEL !!!! é pouco para esta criação e recreação de Glenn Gould. Talvez seja a mais radical experiência do pianista com seu amado Bach. Aqui, ele usa da mesma ousadia que utilizou com Mozart e Wagner e o resultado é estupendo. Conheci Gould através destas gravações onde ele canta enquanto toca e nas quais as partes lentas se arrastam e as rápidas voam. Glenn Gould obedeceu ao significado do termo “Toccata” de forma exemplar: afinal, a Toccata) é um gênero que enfatiza a destreza do intérprete. São composições para teclado nas quais uma das mãos e depois a outra realizam corridas virtuosísticas e brilhantes passagens em cascata contra uma acompanhamento de acordes na outra mão. A tocata barroca tem mais seções e aumentou de tamanho, intensidade e virtuosidade em relação à versão Renascentista, com frequência possui corridas rápidas e arpejos alternando com acordes ou seções de fuga. Algumas vezes falta a indicação regular de tempo e quase sempre tem um sentido de improvisação. Podem acreditar: Glenn Gould entendeu direitinho o espírito da coisa.

Indico fortemente este CD a todos os pequepianos.

J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccate BWV 910-916 (Glenn Gould 1963/79/80)

01.Toccata in re maggiore BWV 912 (14:01)
02.Toccata in fa diesis minore BWV 910 (11;43)
03.Toccata in re minore BWV 913 (17:08)

01.Toccata in do minore BWV 911 (11:13)
02.Toccata in sol minore BWV 915 ((8:44)
03.Toccata in sol maggiore BWV 916) (8:52)
04.Toccata in mi minore BWV 914 (8:39)

Glenn Gould, piano

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Gould + Bach: costuma dar certo
Gould + Bach: costuma dar certo

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

Bom CD, nada de excepcional. Culpa mais de Vivaldi do que de Wispelwey e turma. Tento explicar: o repertório de Concertos para Violoncelo do Padre Rosso não é lá essas coisas. Tal opinião não inclui as notáveis 6 Sonatas para Violoncelo, claro. Já o Florilegium — chefiado pela grande Rachel Podger — e o violoncelista são sensacionais. Então, fica aquela coisa dos executantes tentarem melhorar desesperadamente uma música apenas razoável. Virou um disco de gatinhos, concertos completos entremeados de melhores lances. Porém, quem gosta demais do barroco ouvirá este CD com deleite. Recomendo com reservas.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo

01 Larghetto in d minor, from F Major violin concerto RV 295

02 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421
03 Concerto in a minor, Siciliano, from RV 415 (orig. G Major)
04 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421

05 Largo in F Major, from violin concerto RV 190 (orig. C Major)

06 Concerto in F Major, Allegro, from RV 410
07 Concerto in F Major, Largo, from RV 407 (orig g minor)
08 Concerto in F Major, Allegro molto, from RV 411

09 Adagio in C Major, from concerto for strings RV 109

10 Allegro Vivace in D Major, from RV 404 (3rd movement)

11 Largo in D Major, from violin concerto RV 226

12 Concerto in b minor RV 424; I. Allegro non molto
13 Concerto in b minor RV 424; II. Largo
14 Concerto in b minor RV 424; III. Allegro

15 Largo in C Major, from violin concerto RV 383 (orig. B flat Major)

16 Concerto for Cello in G major, RV 413; I. Allegro
17 Concerto for Cello in G major, RV 413; II. Largo
18 Concerto for Cello in G major, RV 413; III. Allegro

19 Largo in G Major, from violin concerto RV 341 (orig, A Major) (violoncello picollo)

20 Concerto in a minor RV 422 (single strings); I. Allegro non troppo
21 Concerto in a minor RV 422 (single strings); II. Largo
22 Concerto in a minor RV 422 (single strings); III. Allegro

23 Alla Breve in G Major, from violoncello concerto RV 415 ( 3rd Movement) (violoncello picollo)

Pieter Wispelwey, violoncello
Florilegium

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Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca
Pieter Wispelwey dando uma jam em sua biblioteca

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.: interlúdio :. Chick Corea — Children`s Songs

.: interlúdio :. Chick Corea — Children`s Songs

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As famosas Children`s Songs, de Chick Corea, foram originalmente lançadas em 1984, no vinil cuja capa colocamos ao lado. Corea diz que Béla Bartók foi uma de suas maiores influências e, pô, está na cara. Suas Canções Infantis são breves e tranquilas. São também líricas e de estrutura nem tão simples assim (imagina se a 11ª pode ser chamada de simples?!). Elas são uma espécie de versão de Corea para os Mikrokosmos de Bartók. Ele apredeu piano com eles. As 153 pequenas peças de Bartók foram escritas como um crescente desafio para jovens estudantes de piano. Já as 20 de Corea são miniaturas altamente melódicas que refletem um certo ar brincalhão — em alguns casos, naïve. É aquele tipo de música enganadora: parece simples, mas sofre terrivelmente na mão de pianistas fracos. Não é o caso do grande virtuose Chick Corea.

Chick Corea — Children`s Songs

1 No. 1 1:47
2 No. 2 0:53
3 No. 3 1:23
4 No. 4 2:14
5 No. 5 1:07
6 No. 6 2:38
7 No. 7 1:37
8 No. 8 1:39
9 No. 9 1:11
10 No. 10 1:29
11 No. 11 0:38
12 No. 12 2:33
13 No. 13 1:21
14 No. 14 1:58
15 No. 15 1:08
16 No. 16 + 17 1:55
17 No. 18 1:47
18 No. 19 2:26
19 No. 20 1:20
20 Addendum

Piano – Chick Corea
Cello – Fred Sherry (no Addendum)
Violin – Ida Kavafian (no Addendum)

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Piano 1

PQP

Jean Sibelius (1865-1957): Symphony No. 4 in A minor, Op. 63 e Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82

Jean Sibelius (1865-1957): Symphony No. 4 in A minor, Op. 63 e Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82

Essa versão das sinfonias de Sibelius com Leonard Bernstein é a melhor que já ouvi. Impressiona. Ouvi-las (as sinfonias) é uma experiência de grande contemplação e deleite. As sete são poemas de apreço à natureza. Ouvir Sibelius me traz à memória as palavras de Alberto Caeiro e os seu Guardador de Rebanhos: Toda paz da natureza sem gente/ Vem sentar-se ao meu lado./ Mas eu fico triste como um pôr-de-sol/ Para a nossa imaginação, / Quando esfria no fundo da planície/ E se sente a noite entrada/ Como uma borboleta pela janela. O finlandês Jean Sibelius viveu na pequena Ainola em contato com a natureza. Essa relação pode ser percebida em seus trabalhos. As duas sinfonias que aparecem neste post, por sua vez, revelam dois aspectos diferenciados. A de número 4 é soturna, repleta de uma temática circular, que sempre remete ao mesmo espaço, ao mesmo lugar. É uma trabalho que revela angústia e impressões noturnas. Acredito que seja a sinfonia mais sombria de Sibelius. Já Sinfonia número 5 é cristalina, repleta de inclinações contemplativas. Os acordes iniciais nos remete a outra frase de Caeiro: “Sejamos simples e calmos, / Como os regatos e as árvores…”. Bom deleite!

Jean Sibelius (1865-1857) – Symphony No. 4 in A minor, Op. 63 e Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82

Symphony No. 4 in A minor, Op. 63
01. Tempo molto moderato, quasi adagio
02. Allegro moto vivace
03. Il tempo largo
04. Allegro

Symphony No. 5 in E flat major, Op. 82
05. Tempo molto moderato – Largamente
06. Allegro moderato – Presto
07. Andante mosso, quasi allegretto
08. Allegro molto – Un pochettino largamente – Largamente assai

New York Philharmonic
Leonard Bernstein, regente

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Ainola, a casa onde viveu Sibelius
Ainola, a casa onde viveu Sibelius

Carlinus

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando de autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastora, contendo um enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado trompa em solo. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O subtítulo deste disco — Under Stalin`s Shadow — é totalmente justificado. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

A gravação de Andris Nelsons é bastante boa, mas nada como um russo para colocar tudo no lugar certinho.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth

1. Passacaglia de Laydi Macbeth

Sinfonia Nº 10
2. 1. Moderato
3. 2. Allegro
4. 3. Allegretto
5. 4. Andante Allegro

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Obrigações da guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin
Obrigações de guerra: Shostakovich toca para pilotos de bombardeiros durante a Segunda Guerra sob a imagem de Stalin

PQP

Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores

Schumann (1810-1856): Carnaval, Op. 9 (Versão Orquestral) e outras peças para balé de outros compositores
Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach
Bob Schumann posou especialmente para o PQP Bach

Acho que é notório que eu, Marcelo Stravinsky, adoro arranjos orquestrais de peças pianísticas e vice-versa. Gosto muito, também, de suítes para balé, e aproveitando a deixa do Carlinus, em reviver Schumann , quero compartilhar uma peça que buscava há um certo tempo. Carnaval, Op. 9, é uma série de 22 pequenas peças para piano, baseada nas personagens da Commedia dell’arte.  Escrita no período de 1834 a 1835, foi dedicada ao violinista Karol Lipiński. É subtitulada Scènes mignonnes sur quatre notes (Pequenas cenas em quatro notas).

***

Carnaval, Op. 9

Em cada seção de Carnaval, aparecem uma ou ambas das duas Séries de notas musicais. São elas:
* Lá, Mi bemol, Dó, Si (A-E♭-C-B); em alemão são escritas como A-Es-C-H
* Lá bemol, Dó, Si; em alemão (A♭-C-B): As-C-H.

Essas duas Séries na verdade soletram o que, em alemão, é o nome da cidade onde a namorada de Schumman, Ernestine von Fricken, nasceu (Asch, que agora é Aš, pertencente à República Checa). São também as letras musicais de seu próprio nome: Schumann’.

Em Carnaval, Schumann vai musicalmente além de Papillons, para quem ele mesmo concebeu a história de que era uma ilustração musical. Carnaval permanece famosa por suas passagens resplandecentes de cordas e por seu deslocamento rítmico.

Dentre os vários que orquestraram Carnaval, temos Ravel, que fez arranjos de apenas algumas partes. A versão aqui apresentada, tem orquestrações de Alexander Glazunov, Nikolai Rimsky-Korsakov, Anatoly Lyadov e Alexander Tcherepnin, por encomenda dos Balés Russos, na pessoa de Sergei Diaghilev.

Fonte: Wikipédia

Uma ótima audição!

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Ernest Ansermet – Original Masters Vol. 3

Delibes, from Copélia
01. Tableau 1 – Prélude – Mazurka 05:37

Delibes, from Sylvia
02. Suite – 1. Prélude – Les Chasseresses 05:10

Franck, Le Chasseur Maudit
03. Symphonic Poem 14:39

Chabrier, Joyeuse Marche
04. 03:58

Chabrier, from Le Roi Malgré Lui
05.  Danse slave 05:04

Faure, from Pénélope
06. Prélude 07:55

Schumann, Carnaval, Op. 9 (orchestral version)
07. Préambule 02:33
08. Pierrot 01:17
09. Arlequin 01:09
10. Valse noble 01:37
11. Eusebius 01:27
12. Florestan 00:59
13. Coquette 01:36
14. Papillons 00:59
15. A.S.C.H. – S.C.H.A. 00:52
16. Chiarina 00:56
17. Chopin 01:47
18. Estrella 00:33
19. Reconnaissance 01:33
20. Pantalon et Colombine 01:05
21. Valse Allemande 00:56
22. Paganini 01:26
23. Aveu 01:00
24. Promenade 01:33
25. Pause 00:26
26. Marche des “Davidsbünler” contre les Philistins 02:53

Suisse Romande Orchestra, Ernest Ansermet

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Ernest Ansermet em pose clichê.
Ernest Ansermet em pose clichê.

Marcelo Stravinsky