J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

IM-PER-DÍ-VEL !!!! é pouco para esta criação e recreação de Glenn Gould. Talvez seja a mais radical experiência do pianista com seu amado Bach. Aqui, ele usa da mesma ousadia que utilizou com Mozart e Wagner e o resultado é estupendo. Conheci Gould através destas gravações onde ele canta enquanto toca e nas quais as partes lentas se arrastam e as rápidas voam. Glenn Gould obedeceu ao significado do termo “Toccata” de forma exemplar: afinal, a Toccata) é um gênero que enfatiza a destreza do intérprete. São composições para teclado nas quais uma das mãos e depois a outra realizam corridas virtuosísticas e brilhantes passagens em cascata contra uma acompanhamento de acordes na outra mão. A tocata barroca tem mais seções e aumentou de tamanho, intensidade e virtuosidade em relação à versão Renascentista, com frequência possui corridas rápidas e arpejos alternando com acordes ou seções de fuga. Algumas vezes falta a indicação regular de tempo e quase sempre tem um sentido de improvisação. Podem acreditar: Glenn Gould entendeu direitinho o espírito da coisa.

Indico fortemente este CD a todos os pequepianos.

J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccate BWV 910-916 (Glenn Gould 1963/79/80)

01.Toccata in re maggiore BWV 912 (14:01)
02.Toccata in fa diesis minore BWV 910 (11;43)
03.Toccata in re minore BWV 913 (17:08)

01.Toccata in do minore BWV 911 (11:13)
02.Toccata in sol minore BWV 915 ((8:44)
03.Toccata in sol maggiore BWV 916) (8:52)
04.Toccata in mi minore BWV 914 (8:39)

Glenn Gould, piano

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Gould + Bach: costuma dar certo

Gould + Bach: costuma dar certo

PQP

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18 ideias sobre “J. S. Bach (1685-1750): 7 Toccatas BWV 910-916

  1. Excelente e imortal versão para esta manhã com propensões poéticas. Continua-se a saga das melhores versões, no período pequepeniano que poderiamos chamar Pós-Bach2000(hehe). Período este, já iniciado com a compartilhação das Sonatas para violino na excelente versão de John Holloway (Gostei muito).

  2. Como foi de viagem, PQP?
    Espero que tudo esteja bem, e que continue bem.
    Do jeito que está quente aqui, aí deve tá um frio da muléstia. Não esquece o cachecol. Do Inter, claro.

  3. Desejo ao PQP uma ótima estada em Londres, e aproveitando digo que as tocatas e as partitas e um monte de coisas para órgão como as fantasias e os prelúdios e até a inacreditável passacaglia soam muito mais audíveis no piano (viva Busoni, o grande transcritor, e tantos outros)

  4. Nossa, que maravilha. Depois de uma noite de amor, vou considerar essa escuta como o meu quinto orgasmo do dia.
    Quem critica Gould deve estar meio surdo…
    e dá-lhe inter

  5. Este é o disco de Gould que levaria para a ilha deserta, para o cimo da montanha, para o Polo Norte, para a Sibéria, para Guantanamo, para quaquer lado. Inultrapassável. Ponto final!

  6. Quando você menciona que “falta a indicação regular de tempo e quase sempre tem um sentido de improvisação” condiz com o que eu penso do genial Bach: pra mim, foi o precursor do bebop no jazz.

  7. É certo que Gould é tudo isso e muito mais, mas, vamos e venhamos, essa cantoria que ele executa durante as gravações de obras tão imensamente importantes como as de Johann Sebastian Bach, “num tá cum nada”!
    abraços.

  8. sei nao… fico em duvida em duas coisas: 1- a liberdade (sempre de errar), é uma conquista posterior a epoca de bach… me pareceu uma interpretacao meio fora de época (ainda mais no contexto luterano), apesar de imensamente valida. 2- tenho uma certa dificuldade de imaginar esta interpretacao num cravo de epoca… com soaria?

    • Com todo respeito, avalio que há um engano aí: a liberdade interpretativa era a regra até o barroco, inclusive Bach. Foi reduzida com o classicismo, e o romantismo garantiu a liberdade do compositor, muito mais que do intérprete.

      Por outro lado, justamente Gould é um dos intérpretes que mais se atêm as notas como escritas; muitas vezes tenho a impressão de todo o seu empenho é o de sublinhar e evidenciar a ousadia que já está contida na própria composição, sem o acréscimo de emoções arbitrárias por parte do intérprete.

      • sim… o que estou tentando expressar é que existe um Zeitgeist… uma tonica da época que acaba permeando tudo. entao a liberdade interpretativa vai ate um determinado limite, que é justamente a tonica da época (ao meu ver). um outro modo de perceber isso, penso que esta expresso nos comentarios do Domenico em 2012 (acima) e no do Cleverson de 2016. ambos identificam um algo muito futuristico nesta interpretacao de BACH. bom… é so uma opiniao. obrigado pelo comentario acima.

  9. No meu entender, ele respeita o compositor, e nisso ele é quase perfeito, porem, não leva muito em conta a elite erudita que o ouve, digere e enfim,critica.
    Creio ademais que o interpretar e o ouvir uma obra, seja ela de Bach ou de qualquer outro reconhecido compositor classico são sagrados momentos que não devem sofrer interferencias futuristicas, a não ser, isso sim,”liberdade interpretativa até um determinado limite” como diz o Mario.
    Por sinal, um grande abraço.

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