Bruckner (1824-1896): Symphony No. 3 / Wagner (1813-1883): Tannhauser Overture

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande PQP, tudo bem? Tenho um presentinho pra você: o novo disco onde minha esposa toca: Gewandhaus, Andris Nelsons, Bruckner 3 + Abertura Tannhäuser. Foi gravado ao vivo em junho, acabou de sair pela Deutsche Grammophon. Curioso para ouvir suas impressões depois. Abraços pra você e pra X! Ouvi hoje com a Y., soa muito bem… Eu vi um dos concertos na época (em junho/16). Eles gravaram o ensaio geral e os dois concertos. Tempos depois teve um dia para gravar pequenas passagens (por exemplo, por causa de uma tosse). Anteontem vi ele regendo a Quarta do Bruckner. Maravilhoso, cheio de detalhes, mas com uma paisagem bem definida… A Y. conta que com ele nunca é igual. Ele sempre faz algumas coisas inesperadas, o que exige um nível alto de atenção. Acho que essa é uma das razões pelas quais ele é sempre muito querido pelos músicos que rege. Sexta por exemplo teve uns pianíssimos que meu deus do céu.

Z.

Puxa vida, meu caro, muito obrigado pelo belo presente! Fico comovido. “Nosso Homem em Leipzig” é demais, não? Vi Nelsons em janeiro com a Philharmonia Orchestra em Londres na 9ª de Bruckner e num Concerto de Mozart com Paul Lewis… Realmente, é um sujeito magnético, todos os olhos grudam nele, que rege sorrindo e incentivando, muitas vezes somente com o braço direito, apoiando-se no esquerdo. É de uma exatidão no gesto que acho difícil que alguém erre, ainda com a qualidade de músicos que ele conduz, caso certamente da mulher de meu amigo.

O que dizer desta gravação ao vivo? Sem exagero, não lembro de melhor interpretação da 3ª de Bruckner. Perfeito senso de estilo e condução. E que orquestra! Em 1873, Bruckner enviou as partituras de sua segunda e terceira sinfonias para Wagner, pedindo-lhe para escolher uma a fim dedicá-la a ele. Diz a lenda que Bruckner visitou Wagner para perguntar-lhe qual tinha sido a escolhida, mas, depois de tanta cerveja, Bruckner não conseguia lembrar qual tinha sido. Então, enviou um bilhete a Wagner perguntando “A terceira, onde o trompete começa a melodia?”. Wagner respondeu: “Sim.”. Desde então, Wagner se referiu a ele como “Bruckner do trompete”. Na dedicatória, Bruckner refere-se a Wagner como “o mundialmente famoso, inatingível e nobre professor de poesia e de música.”

A estreia da sinfonia aconteceu em Viena em 1877, regida por Bruckner. O concerto foi um desastre absoluto. Embora tenha sido um bom diretor do corais, Bruckner era um mau maestro. O público vienense, que já não gostava muito de suas sinfonias, foi saindo aos poucos, em meio à execução da sinfonia. Dizem que até mesmo um membro da orquestra deixou o palco. Apenas alguns fiéis, como o jovem Gustav Mahler, ficaram. Isto deixou Bruckner maluco. Ele passou a revisar e revisar e revisar para melhorar a obra, coisa que, aliás, fazia sempre. Mas o problema era sua condução. A música é uma obra-prima. Confiram.

MUITO OBRIGADO, Z. !!!

Bruckner: Symphony No.3 In D Minor, WAB 103 – 1888/89 Version, Edition: Leopold Nowak
1 – 1. Mehr langsam. Misterioso (Live) 23:49
2 – 2. Adagio, bewegt, quasi Andante (Live) 16:42
3 – 3. Ziemlich schnell – Trio (Live) 7:02
4 – 4. Allegro (Live) 13:08

5 Wagner: Tannhäuser, WWV 70 – Overture (Live) 15:11

Gewandhausorchester Leipzig
Andris Nelsons

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Silhuetas de Anton_Bruckner e Richard Wagner, por Boehler.
Silhuetas de Anton_Bruckner e Richard Wagner, por Boehler.

PQP

3 comments / Add your comment below

  1. Não é grande coisa, mas a minha experiência com Andris Nelsons foi absurda tbm! Minha esposa e eu havíamos conseguido ingressos atrás da orquestra (naqueles banquinhos sem encosto nos quais você fica se contorcendo)…mas a música era boa, o maestro, expressivo. Até que, antes de começar a reger a 4a sinfonia de Brahms na Filarmônica de Berlin, Nelsons olha com uma cara emocionada para orquestra e dá dois tapinhas no peito…minha esposa e eu pensamos: “Será que está pedindo para a orquestra tocar com o coração? Sentir a música?”. Só sei que ouvir a orquestra e vê-lo de tão perto em seus gestos pungentes nos dava vontade de chorar, essa sinfonia nunca havia feito tanto sentido…o defeito foi que essa suspensão do tempo acabou e, ao mesmo, tempo, não acabou…que performance! Desde então, qualquer coisa com o nome “Andris Nelsons” eu baixo, sem pensar.

  2. É uma pena que muitas e muitas gravações ao vivo tenham ruídos do público.
    As tosses, o ruído mais frequente, constituem uma falta de respeito pelo resto do público, e mais ainda pela orquestra e o seu regente.
    A tosse é um reflexo de quem está a apanhar uma seca. Às vezes também me dá vontade de tossir. Mas contenho-me. Porque naquela situação não o devo fazer…
    Em tempos idos, em Lisboa, no ciclo Grandes Orquestras Mundiais, em dois concertos que fui assistir, os maestros amuaram logo no início. Isto é, pararam a orquestra, até que o público se decidisse a ter respeito.

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