Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para piano e orquestra Nº 4 e 5 com A. Rubinstein

Mais um arquivo enviado pela amiga Lais Vogel e um trecho do e-mail enviado a mim por Fernando Monteiro:

Sobre o pianista Arthur Rubinstein, acho que você fez um comentário até justo — embora encarando o profissional do piano muito pelo lado técnico, e esquecendo a, digamos, “biografia” atrás daquelas teclas tocadas com uma certa “nonchalance”, sim, mas que trazia, aqui e ali, um lendário sentimento chopiniano — de época — muito interessante e, mesmo, puro. [Coisa que só se aprendia no século XIX; hoje, as jovens sumidades aprendem e “sabem” mais — porém, como as atrizes, não têm um passado, um “daimon”, uma história longa impregnada de acontecimentos da passagem de século, fantástica, que foi a dezenovesca…

Com isso, que eu quero apenas dizer, lembrar, que uma longa vida, a dele, uma vida longamente vivida (?), isto é, quase aventurosa e cheia, plena, suntuosa demais até, para que eu (que nasci só em 1949, quando Rubinstein já era velho) possa pensar, a respeito dele, com algo sequer parecido com o conforto “crítico” com o qual você encara o artista — uma das grandes figuras do século 20 — um tanto *espaçosamente* e, por sua vez, também não isento de certo “descuido” de quem resolve uma sólida lenda em (quanto?)… dois minutos?*

Beethoven – Concertos Nros. 4 e 5

1 Piano Concerto No. 4 in G major, Op. 58- Allegro moderato.mp3
2 Piano Concerto No. 4 in G major, Op. 58- Andante con moto.mp3
3 Piano Concerto No. 4 in G major, Op. 58- Rondo, Vivace.mp3

4 Piano Concerto No. 5 in E flat major (‘Emperor’), Op. 73- Allegro.mp3
5 Piano Concerto No. 5 in E flat major (‘Emperor’), Op. 73- Adagio un poco moto.mp3
6 Piano Concerto No. 5 in E flat major (‘Emperor’), Op. 73- Rondo, Allegro.mp3

Artur Rubinstein, piano
Boston Symphony Orchestra
Erich Leinsdorf

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O pianista Arthur Rubinstein
O pianista Arthur Rubinstein

PQP

38 comments / Add your comment below

  1. Adorei! Arthur Rubinstein é demais. Um dos pianistas que mais gosto de assitir os vídeos e ouvir suas interpretações.
    Ele é maravilhoso. Alguém poderia me dizer quando ele nasceu e se é vivo ainda?
    Abraços e parabéns pelo blog.
    Ane Raffaele.

    1. Olá Ane Raffaele.
      Quanta espontaneidade e veracidade em tão poucas palavras.
      Você deve ser bastante jovem, não?
      Apenas os jovens são assim tão abertos e livres de amarras.
      Parabéns Ane.
      Continue a nos enviar suas impressões.
      Elas iluminam este blog com sua alma plena de confiança e esperança.
      Um grande abraço.
      Felicidade, Paz e Luz para você.
      Edson

  2. PQP! Eu confesso que me surpreendi com esse registro de Rubinstein. Esses dois concertos são intensos e exige um virtuosismo e equilibrio técnico muito grande.

    Essa gravação também pertence a fase em que Rubinstein havia lapidado a sua técnica. Faz parte da segunda vez que ele gravou a integral dos concertos beethovenianos, considerada a melhor das 3 (a ultima foi com Barenboim com o velho arthur com uma idade bastante avançada).

    Rubinstein conseguiu uma disciplina, e um equilibrio impressionante no quarto concerto. O que mais gosto nesta gravação é a cadenza, que é uma edição de Busoni sobre uma cadenza de Beethoven.

    A unica gravação que me faz preterir esta, a talvez preferir a outra é a de Pollini-Abbado que vocês já colocaram.

    Ah! Quem quiser assistir essa gravação do Concerto 4, tem um video no youtube!

  3. Com o Rubinstein, existe um DVD da Classic Archives com o Concerto 4 (em preto e branco) da década de 50, que eu não achei uma interpretação tão boa. esta do CD ainda vou baixar!

    Eu tenho em CD os concertos 3, 4 e 5 com Pollini, mas a versão com Bohm, não com o Abbado. Vocês conhecem? È muito diferente da versão mais recente dele? É de uma integral com Jochum (1/2), Bohm (3-5) e Fantasia Coral com Abbado.

    PS – Aguardando a Appassionata com o Brendel (promessa, FDP!) e com o Pollini (se alguem tiver…)

    Abraço, Eduardo

  4. Oi Eduardo!

    O concerto 4 desse cd, é o mesmo que a EMI disponibiliza em DVD. Eu tenho a impressão que é o mesmo que está no youtube.

    Quanto a Pollini, eu tenho os concertos 3 e 5 com Bohm (versão em DVD) e confesso que considero a integral com Abbado melhor. Pollini, por incrivel que pareça, realiza uma performance unica no concerto 4, e no imperador. O unico ponto em favor da gravação com Bohm é o movimento lento do imperador, que Pollini não conseguiu alcançar o mesmo lirismo na gravação com Abbado. Tirando isso, o registro com o maestro italiano (ao vivo aliás), é sensacional em minha opinião. A DG re-lançou recentemente esta integral em comemoração ao aniversário de Abbado (75 anos), incluindo no ultimo CD o concerto triplo de Beethoven. Eu infelizmente não tenho, mas é uma tentação 🙂

  5. Olá Fernando!
    Fernando Monteiro… …de Recife?
    Bem Fernando.
    Totalmente adequado, justo e louvável o que você escreveu.
    Na realidade, Arthur Rubinstein é uma lenda mágica e não há um único músico que não o reverencie.
    Grande demais para que se inicie, mais uma vez, uma discução sobre Rubisntein-Pollini, totalmente descabida e que não tem qualquer ponto de referência a justificá-la.
    É óbvio que não é o caso de Pollini-Brendel que são contemporâneos.
    Na realidade, o brilho virtuosístico, muito típico dos isntrumentistas de nosso tempo, não permite qualquer comparação com a profundidade musical dos Arthur Rubinstein, Artur Schnnabel, Willihelm Backaus e seus contemporâneos.
    Tanto no piano quanto nos demais instrumentos.
    De repente,porque em nossa época vivemos a competir com as máquinas,achamos que devemos apreciar apenas o maquinal! Aquilo que prima pela rapidez e precisão.
    Rapides e precisão muito freqüentemente moldadas em laboratórios capazes de transformarem um quase principiante em um genial concertista, pois, os produtores não estão dispostos a perder dinheiro.
    Vejam se não vou colocar Horowitz nos píncaros da Arte Musical?
    Todos devem estar lembrados do Recital do mesmo em Londres no qual entre outras coisas, tocava as singelas e nada virtuosísticas (mas plenas dos sonhos de um grande músico)Cenas Infantis de Robert Schumann (que Vladimir já devia ter tocado umas 200 vezes em publico).
    Eis que, repentinamente, vê-se e ouve-se que o grande músico perde-se em algumas notas da mão esquerda.
    Mais um compassos e tudo volta ao normal.
    A lição de Horowitsz?
    Determinou que a comercialização do Recital fosse feita sem retoques e com as falhas existentes.
    Porque?
    Simplesmente porque ocorreram.

    Horowitz quiz dar uma demonstração, tanto a seus comtemporâneos quanto à posteridade, de que:

    1) grandes músicos são seres humanos e não máquinas.
    2) não queria máquinas fazendo-se passar por Vladimir Horowitz, ludibriando o hoje e o amanhã, pois, nenhuma máquina poderia errar tão expressivamente quanto ele.

    Na realidade, tenho os primeiros filmes, em preto e branco, gravados por Arthur Rubinstein.
    Não havia truques.
    A sonoridades nem se comparam às que hoje criam as gravadoras.
    A imagem? Tampouco. Direi mesmo que é péssima.
    No entanto era um grande pianista que tocava como um grande músico.
    São pequenas inflexões sonoras, volto a dizer, como as da voz humana, que nos fazem reconhecer a falsidade ou a veracidade do nosso interlocutor.
    Em geral são inflexões que têm um carater afetivo. Não cognitivo.
    Ninguém nos ensinou, quando crianças, a falarmos amorosamente, com raiva, com piedade, com indignação, com ternura, etc…. …e portanto, todos nós fazemos isto, mesmo não o querendo.
    E mesmo não o querendo nossos interlocutores decodificam o que a “música da fala” (e não apenas o seu conteudo semantico)é capaz de transmitir.
    Há grande atores que nos fazem chorar com o conteudo expressivo de suas falas.
    Outros,dizendo exatamente as mesmas palavras, no fazem cochilar de tédio.
    É assim, também, com a música.
    Pequenas inflexões nos fazem distinguir a comunicação afetiva verdadeira da comunicação cerebralmente planejada que nos faz cochilar de tédio.
    Um grande abraço a todos.
    Edson

  6. É fantástico ter ambos os pianistas do Blog. Incrivelmente nós separamos esses maravilhosos homens em blocos: inteligencia e emoção, como se fossem departamentos fragmentados da manifestação artistica, e que ambos não estejam na prática associados.

    Preferência todos teremos sempre. Eu mesma ADORO Rubinstein, e adoro Pollini. Ambos aliás tem um lugar de destaque entre todos os interpretes. Parece loucura, mas não são tão dispares. Rubinstein durante foi a encarnação do pianista romantico, do intérprete do século XIX. Depois, ele conseguiu reunir o seu toque fantástico, a seu sensível forma de tocar com a fidelidade ao texto, com um senso de perfecionismo maior. Qual o problema disso? Rubinstein passou a tocar pior depois que aperfeiçoou a sua técnica? Não é o que os críticos dizem: Suas obras após o aperfeiçoamento técnico são as mais brilhantes, as mais elogiadas, e as que ele proprio se referia como as melhores da sua carreira.

    O fato de um pianista se preocupar com a técnica, como sabiamente fez o Rubinstein, não faz ele perder aquilo que ele já tem: a expressividade maravilhosa!

    Enquanto isso, Pollini para mim representa a obsessividade em termos de perfecionismo. Claro que perfecionismo técnico sem lirismo, sem expressividade, é técnica vazia, sem música, Concordo que alguns intérpretes são assim, mas não penso isso sobre Pollini. Não é apenas virtuosismo vazio. Mas, isso é coisa pessoal minha…

    Eu fico espantada pela fidelidade ao texto de um intérprete, pela sua dedicação em ser perfecionista. Admiro isso, porque isso demonstra o seu amor pela música, e a sua dedicação a esse respeito, acima dos apelos sentimentais. Mas concordo com o Edson: Maquinas virtuosas sem música, sem melodia, dá tédio, e nos faz cochilar. Só não penso isso a respeito do italiano.

    Ah! Curiosidade: Quando Pollini ganhou o concurso internacional Chopin – o mais jovem dos candidatos – Rubinstein era um dos jurados. Sabem o que Arthur disse a respeito do italiano?

    “Esse menino toca melhor do que qualquer um de nós”

    E a partir daí Rubinstein foi uma espécie de tutor intelectual de Pollini, tanto quanto foi também de Emil Gilels.

    Rubinstein é extraordinario!

  7. Edson, apenas um reparo que faço em tua resposta para a Ane Raffaele: aqui, todos são jovens, mesmo que minha cinqüentona cervical esteja me matando hoje. Céus, por que inventaram os notebooks?

    Grande abraço. Sempre leio teus comentários com interesse.

  8. Lais, parece que o dia de hoje é de fazer reparos aos outros.

    Pergunto: por que escreveste ADORO antes de Rubinstein e adoro antes de Pollini?

    :¬)))

  9. Ah!!! 21º!!!!
    Se não fôssemos todos jovens nem estaríamos escrevendo isto.

    Contudo, receber a Ane Rafaelle com alegria e com uma cordialidade gentil, identificando-a como uma jovem sem inibições e que sua presença seria importante entre nós, não me parece que torne você mais idoso.

    Agora… …a coluna..? Bem… …a coluna também não!
    Ou sim?

    Aproveito para esclarecer, também, a Lais.
    Como jovens que somos, esta informalidade não incomoda, não é mesmo?
    Já que todos concordam, vai logo ai em baixo.
    Um grande abraço.
    Edson
    PS- Oh Laís. Você tem razão em muito do que você diz.
    No entanto, o Pollini que “tocava melhor do que qualquer um de nós” é aquele Pollini jovem, do tempo do Concurso Chopin, que não tinha medo de exprimir suas emoções.
    Em um de meus primeiros comentários, eu disse que: “eu gosto mais do Pollini quando ele era mais jovem, pois, então, ele fazia melhor música”. Mas tive o cuidado de acrescentar que “atualmente, ele continua sendo um grande pianista”.
    Não vejo qualquer incompatibilidade em que ele tenha melhorado como píanista e decaido como intérprete.
    Ai entra a concepção do que vem a ser um intérprete.
    Então, provavelmente, está ai a noss discordância, você não acha?
    Um grande abraço.
    Edson

  10. O “Edson” que postou o — muito bem fundamentado — comentário é o pianista Edson Bandeira de Mello, de finas e elaboradas interpretações arrancadas do velho instrumento de Arhur Rubinstein.

    Que ele tenha se dirigido a este pobre amador da apreciação da Música (campo no qual o conhecimento da minha ignorância só tem aumentado, com os anos), muito me honra, significando que um dos nossos mais notáveis artistas do piano está atento ao PQP Bach. O que me dá prazer especial, digamos, por saber da paixão que te move no PQP, ó X…, nessa vasta solidão que cerca, atualmente, os apreciadores da alta qualidade — em qualquer meio expressivo — num século pleno de vulgaridade triunfante (o que explica que alguém com o talento do Edson, neste país injusto, seja menos conhecido do que outros pianistas que são habilidosos principalmente fora das salas de concerto, entre jantares, entrevistas e outras firulas de um mundo onde PARECER é cada vez mais importante do que SER).

    Abraço.

    Fernando.

    1. Oh Fernando!
      Lembro-me, com saudade, dos ótimos trabalhos que podíamos pensar em desenvolver, planejar, mas quase nunca realizar. Mas foi um tempo rico de vontade!
      Vontade de criar, de realizar, de lutar.
      E você realizou.
      E muito.
      Sua produção é excelente.
      Foi uma grata surpresa e maior o prazer de ler suas colocações.
      Na realidade, o grande realizador é você, meu caro amigo.
      Caro Fernando.
      Você não imagina o prazer com que li o seu nome, os seus comentários preciosos e pude entrever sua magnífica produção.
      Um grande abraço, feliz por reencontrá-lo em plena atividade e com o êxito que seu enorme talento, esforço e tenacidade lhe contemplaram.
      Notícias dos demais da época?
      Vamos procurá-las.
      Um grande abraço, caríssimo amigo!
      Nada de deixar morrer este reencontro.
      Edson

  11. Muito bom, um dos meus pianistas prediletos, adora enfiar o pe no pedal, haha.

    Rubinstein esteve em recife, por sinal. Antigamente era comum a vinda de grandes nomes das musica classica a recife, que epoca boa…

    Obrigado pelo Blog, PQP.

  12. Ola Edson!

    Concordo com você quanto ao nível de informalidade. Fique a vontade em dialogar comigo dessa maneira, você é gentil em todas as colocações.

    Perdoe-me, não havia visto esse comentário que você citou referente à predileção pelo Pollini jovem.

    Sim, a leve diferença de ponto de vista está justamente no Pollini atual. Mas tudo isso faz parte né? Se todo mundo fosse igual, imagina que tédio!

    Abraço !

    1. Olá Lais.
      Obrigado por facilitar as comunicações.
      É muito gentil e produtivo.
      Sobre este assunto que você coloca já postei outro comentário que recoloco por encaixar-se no que você diz:

      “…sei que não posso transformar-me em um intérprete realmente fiel às obras de outros criadores.

      Admito mesmo que, com freqüência, não é cômodo sermos fiéis a nós mesmos.
      Interpretar é um trabalho difícil.
      A quantidade de variáveis é por demais vasta.
      Além disto, interpretar é introduzir nossa percepção na percepção alheia.
      Mesmo quando somos os criadores, muitas vezes interpretar é introduzir nossa própria percepção na percepção de momentos e condições que não mais se repetirão.
      Assim, para quem interpreta, não importa apenas ou talvez nem tenha grande importância o que os autores produziram.

      Importa, isto sim e muito, o que eles produziram em nós.

      Este é o mistério da vida… (e agora eu completo modificnado) que precisamos ter coragem de enfrentar para podermos criar, em cada momento, um momento novo. Jamais corrermos o risco de ficarmos nos repetindo, nos repetindo, sempre nos repetindo como aquilo que um único disco, gravado para todo o sempre, é capaz de fazer…)

      Só para esclarecer, este comentário foi tirado de um Prefácio escrito por mim para uma obra de Doutores em Administração que publicaram um excelente trabalho que tem por título: “Organizações, Cultura e Desenvolvimento Local: a Agenda de Pesquisa da Realidade Organizacional”.

      Sei que é muita petulância aceitar o pedido e, maior ainda, escrever isto em um trabalho de pesquisa científica sobre “Realidade Organizacional”.
      Mas, ao ler o trabalho compreendi que eles não eram apenas Doutores em Administração.
      Eram criadores de novas concepções e de novos enfoques.
      Bem… …Lais! Desculpe tomar o seu tempo com tão longas e (eu reconheço) pouco usuais e discutíveis colocações. Mas… é assim que eu sinto e por ser o que sinto… …é o que exterioriso… …de qualquer forma, é muito bom pensarmos o que sentimos… …conseguimos nos contemplar em um Universo Mutante e, assim, inserimos “Outros Universos” (muito bem aceitos) em trabalhos muito sérios de Doutores em Ciências…
      Um grande abraço. Admiro sua fidelidade a Pollini
      (apesar de haver colocado dúvidas quanto a possibilidade dessa fidelidade permanente)
      Mais uma vez… grato por sua paciência.
      Edson
      PS-Mas, afinal, ele é um dos grandes pianistas do momento, né?

  13. Oi, pessoal !
    Um comentário importante ao falarmos de interpretação é o de que uma obra, especialmente a musical, nunca é absoluta – é realização principal do artista que a compôs, mas acontece num tempo determinado e pelas mãos de outros que não o autor (na maioria das vezes). O subjetivismo pessoal e a imprecisão de notação musical tornam ainda mais difícil termos quaiquer “certezas absolutas”.
    Sem dúvida que uma obra ruim ninca se transformará numa obra-prima mesmo nas mãos mais competentes, mas mãos inábeis podem estragar a maior das composições.
    Também me considero um Polliniano (e o ladeio com meu outro ídolo, Sviatoslav Richter, cada qual numa especialidade), e discordo que suas interpretações sejam puramente mecânicas/cerebrais – mas seu ponto de vista mais direto e objetivo é uma de suas características marcantes. Lembro sua interpretação dos estudos de Chopin – “inacessíveis aos poetas sem virtuosismo e aos virtuoses sem poesia” (que até ganharam um prêmio), que continuam imbatíveis para mim, e mesmo sua Waldstein, heróica e virtuosística, mas extremamente empolgante.
    Ainda bem que podemos achar um grupo (obrigado, PQP !!) que troque essas idéias e experiências, infelizmente tão raras em nossos tempos…
    Grande abraço, Eduardo

  14. Oi Edson!

    Fantástico o seu comentário. E não hesite em continuar escrevendo, porque você não toma meu tempo. Estou sempre aprendendo com os comentários por aqui, e contigo não está sendo diferente.

    O fato de priorizarmos determinados intérpretes em detrimento dos outros (no meu caso Pollini) não impede que apreciemos os demais gigantes; seria no mínimo ignorancia desmerecer os demais, ou desconsiderá-los apenas porque temos determinadas preferências por um ou outro.

    O que quero dizer é que minha fidelidade a Pollini vai até quando ele me contradizer com uma interpretação que não me convença. Veja caro Edson, que é algo totalmente subjetivo e pessoal, como aliás sempre será quando o assunto é preferência de interpretação, mesmo para as pessoas especializadas em música, que não é o meu caso, e, confesso, com certeza isso seja um onus para mim, porque se eu fosse da area teria uma compreensão muito mais aprofundada. Entretanto, mesmo assim, o subjetivo sempre estará guiando-nos.

    Não irei entrar no mérito do “conceito de interpretação”, porque não sou da area, não tenho bagagam para falar a respeito, e você tem muito mais a contribuir do que uma leiga. A diferença é que aqueles que não se afinizam com a musica produzida por Pollini, consideram-na maquinal, efeito apenas de rigor técnico, sem necessariamente produzir melodia.

    O fato de um pianista ser rigorosamente fiel ao texto, não impede dele estar interpretando a sua visão a respeito da obra. O Ticiano, explicou muito bem isso, ele que é da area, quando enfatizou o subjetivo de toda a interpretação. Sempre o intérprete está colocando a sua compreensão a respeito da obra, demonstrando o seu modo de entender e de sentir a música.

    Um critico disse que Pollini é um classico moderno. Ou seja, ele não encarna a figura do intérprete do século XIX, está mais para a contenção do intérprete clássico, que procura interpretar mais classicamente do que romanticamente uma obra, o que nao deixa de ser uma forma de interpretar.

    Mas digo-te Edson, isso tudo é gosto pessoal da sua amiga aqui. Deslumbro-me com Pollini, não apenas pela sua técnica, mas pela compreensão da sua obra, e por ele enfatizar tantos detalhes com tanta clareza, o que não significa que eu goste de tudo dele.

    Já disse aqui que os Noturnos de Chopin de Pollini (tão elogiados e premiados) ainda não me convenceram. Acho exclenete os estudos de Chopin com Pollini, mas gostei (apenas gostei) das Polonaises. Enfim, ainda prefiro Rubinstein ou outro pianista com uma compreensão mais romantica para essas obras.

    Mas essa diversidade que é fabulosa! E saudável! Se um dia, com a maturidade dos anos, a experiencia na audição musical e outros fatores, essa minha fidelidade a Pollini deixar de existir, ou diminuir, bem… nao hesitarei em fazer minha profissão de fé (risos)! Não é maravilhoso voltar atrás quando descobrimos que aquela opinião era errada, ou pelo menos imprecisa ?

    Abraço!

  15. Oi Lais!!!
    Excelentes, todos os seus enfoques.
    Na realidade é isto mesmo.
    Apenas estavamos dizendo a mesma coisa de maneira diferente.
    Acho ótimo que existam músicos de todas a tendências e matizes.
    É fantático como são criativos dentro da percepção que têm de obras as mais diversas.
    Fiquei, deveras, impressionado com a sua percepção de nosso concordância-discordante no que se refere à superioridade de uns sobre os outros.
    Acho, sim, que não há isto.
    Deve ser sido a “ordem classificatória” quem gerou o uso de “classificações” que não existem.
    Lembro-me haver me manisfestei sobre Pollini como tendo uma interpretação irretocável, quanto aos dois últimos movimentos da bela Sonata de Schubert que aqui tanto se discutiu.
    Ele pode ser admirável aqui, pouco sonhador ali…
    …é como demonstrou Horovitisz: todos somo seres humanos, com suas imperfeições quase sempre momentâneas, outra vezes e, em certos momentos, com suas perfeições deslumbrantes mesmo ao “cairmos sentados na arena” logo apís havermos demonstrado sermos grandes atletas. São momentos de humanidade benéficos para queremos ser Deuses.
    Parabéns por suas colocações.
    Elas repõem as coisas em seus verdadeiro lugares.
    Obrigado pela clareza.
    Um grande abraço.
    Felicidade.
    Edson

  16. Laís, já comentei contigo de minha preferência por Rubinstein, e até poucos anos atrás minha relação com ele era muito próxima da sua com Pollini.. esta sua contribuição com os concertos para piano vieram a calhar… lembro-me de ter o Concerto Imperador em fita cassete, e até hoje considero seu segundo movimento deste concerto o mais belo que já ouvi até hoje. E era esta mesma gravação com o Leinsdorf … o concerto nº 4 tenho em vídeo, e não canso de assistí-lo devido à própria postura de Rubinstein na frente do piano… um gigante, com certeza…

  17. Opa… Beleza?!?
    Tenho só a agradecer ao PQP por toda a cultura que nos proporciona… fico até com vergonha de dizer que ja baixei alguns arquivos e nunca deixei um comentário… mas o que tenho a dizer é muito obrigado por existirem…

  18. Gente, esse blog é muito bom… simplesmente ainda não acredito que em meio a tanta podridão de blogs haja gente discutindo isso! Parabens PQP, FDP, Lais, Edson, Fernando, venho os acompanhando há alguns dias e estou adorando.
    Estou certo de que ainda aprenderei muito com vocês.

    Abraços

  19. Eu tenho a primeira integral dos Concertos de Beethoven com o Rubinstein em vinil e agora consegui baixa-la também pela net (é da década de 50) e sempre a tive como referência para tais concertos. Não conhecia essas gravações dele com o Erich Leinsdorf (maestro que gravou também as nove sinfonias do Beethoven, incluindo uma Nona Sinfonia que eu não gosto muito).

    Gostaria que vocês postassem os Concertos de Chopin tanto como Rubinstein como com Pollini.

  20. Felicidades, un blog espléndido. Trato de descargar el file Beethoven-Rubinstein piano conc 4&5 pero rapidshare no me lo permite en modo free user, se cuelga faltando 1 segundo para terminar la descarga. Podrían colaborarme de alguna forma para que pueda descargar este archivo?, muchas gracias por su colaboración.

  21. Repito o que escrevi na repostagem anterior de Rubinstein: os comentários do Edson, do Fernando e da Laís fazem muita falta aqui no PQP. Talvez por este motivo eu esteja me afastando aos poucos, sob o pretexto de falta de tempo: os silêncios após cada postagem me constrangem, muitas vezes parece que estou falando com as paredes.

  22. Lais Vogel, por onde andas?
    Esta gravação do Rubinstein com o Leisdorf é a minha favorita, já a ouvi dezenas, quiçá centenas de vezes. Em meus tempos de longas viagens com a Itapemirim entre São Paulo e Florianópolis, lá pelo início dos anos 90, a fita cassete desta gravação era minha companheira fiel.
    Curiosamente, ainda a tenho, só não tenho mais onde ouvi-la. Felizmente a versão digital está bem ao meu alcance, portanto posso ouvi-la quando quero.

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