Jean-Marie Leclair (1697–1764): Sonatas para Violino


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Jean-Marie Leclair é considerado o fundador da escola de violino francesa. E que fundador! Bem, finalizando nosso improvisado Festival do Barroco Francês — o qual visa (?) demonstrar que antigamente se fazia música de verdade na França — apresentamos um CD absolutamente fantástico com o genial  violinista inglês Simon Standage. Porém, antes leiam a tese de nosso comentarista Haya de La Torre:

Eu acho que o que matou a vida musical francesa foi a inveja. Bem, ao menos a se julgar pela trajetória de Rameau, que parece ter sido vítima, junto com sua música, de todo tipo de difamação e intriga no meio intelectual francês de sua época, que por fim deu pra proclamar que Rameau não poderia escrever música boa visto que só os italianos sabiam fazer isso. Em todo caso, o declínio da produção musical francesa entre o desaparecimento de Rameau e o surgimento de Frank serviu para alimentar o mito de que só a Alemanha era capaz de fazer boa música, e eu desconfio que esse declínio francês e a supremacia alemã tem muito que ver com a situação política desses dois países, que não é nada relativo ao “DNA” cultural deles. Em todo caso, a música francesa com seus altos e baixos deve ser a segunda em importância no continente (ou será a da Rússia?). A Inglaterra, por ex…

Pois eu concordo e defendo a tese do empate entre a Rússia e a França como segundos lugares em termos de países em importância musical no continente. O primeiro, obviamente, é a Alemanha. Os barrocos franceses mais Ravel, Debussy, Franck, Fauré, os operistas, Poulenc, Messiaen, Boulez, etc. ganham em número dos russos, mas o politburo russo é foda de enfrentar, mesmo em minoria.

Mas tergiverso em vez de falar que as esplêndidas composições de Leclair e o incrível som e fraseado alcançados por Standage fazem este CD absolutamente necessário aos apaixonados pelo barroco.

Jean-Marie Leclair (1697–1764): Sonatas para Violino

Sonata for violin & continuo in A major, Op. 9/1
Jean-Marie Leclair
1 Adagio 4:32
2 Allegro assai 3:18
3 Andante. Arpeggio sempre 2:48
4 Minuetto. Allegro moderato 5:43

5 La Superbe, ou La Forqueray, for harpsichord (Pièces de clavecin, III, 17e ordre) 4:40
François Couperin

Sonata for violin & continuo in D major, Op. 9/3
Jean-Marie Leclair
6 Un poco andante 3:43
7 Allegro 3:01
8 Sarabanda. Largo 2:34
9 Tambourin. Presto 3:47

10 La Leclair (from Pièces de viole, Deuxième Divertissement) 3:24
Jean-Baptiste Forqueray

Sonata for violin & continuo in A minor, Op. 9/5
Jean-Marie Leclair
11 Andante 6:11
12 Allegro assai 4:14
13 Adagio 3:21
14 Allegro ma non troppo 2:22

15 La Forqueray, rondeau for harpsichord (from Pièces de Clavicin, Book 3) 6:24
Jacques Duphly

Sonata for violin & continuo in C major, Op. 9/8
Jean-Marie Leclair
16 Andante ma non troppo 3:42
17 Allegro assai 5:25
18 Andante 2:52
19 Tempo di Ciaccona 7:27

Simon Standage, violino
Nicholas Parle, cravo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Que sofrimento esses concertos, né, Simon?
Graaande disco, Simon!

PQP

10 comments / Add your comment below

  1. Deve-se considerar que no caso da Alemanha há um fator socioeconômico, político e, claro, como consequência, cultural que estimulava a produção musical em larga escala: a tardia unificação do país deixou muitas cortes, pequenos territórios com seus senhores que tinham que manter músicos e orquestras. É assim o caso de Dresden, Weimar, Jena, etc. E a tese não é minha. É de nada menos do que o sociólogo alemão Norbert Elias que entre seus grandes livros tem uma biografia de Mozart na qual analisa o fato acima resumido por mim.

  2. O Marcelo mandou bem em seu comentário, mas há que ser acrescentado que, na Alemanha, a música sempre floresceu mais que a literatura e o teatro, ao inverso do que ocorria nas cortes inglesa e francesa. A Alemanha, na verdade, era tida até o período renascentista como periférica na vida cultural alemã, e deixou de ser gradualmente, a partir da expansão da(s) igreja(s) protestante(s). A tirada irônica do PQPBach sobre a Holanda, aliás, não é apenas pura ironia, posto que, de fato, os Países Baixos – ao lado da própria França – dominaram a música erudita em seus primeiros séculos.
    No caso particular da França, venho aqui em defesa dos compositores do classicismo francês.
    É certo que, com a ascensão do classicismo vienense, o “resto” da Europa se viu obrigado a admitir que ficou um pouco pra trás. Algo como a seleção da Espanha atualmente.
    É certo também que na França, assim como na Inglaterra (e ao contrário da Alemanha, que penou até ter um Goethe), as “belles-letres” e o teatro eram mais cultivadas que a música.
    Mas os franceses tiveram bons compositores clássicos, bem acima da média não-germânica da época: Gossec, Méhul, Gretry (belga), Chevalier de Saint-Georges, Pleyel… A meu ver, cada um desses tem um charme e uma sensibilidade especiais. E também Hyacinthe Jadin, pré-romântico falecido aos 24 anos.
    Mas reitero que, a meu modesto ver, a Europa toda, de certa forma, se curvou a Haydn, Mozart e companhia, numa padronização transnacional de certa forma empobrecedora (Telemann, por exemplo, considerava o “novo estilo” de uma simplificação excessiva), e só viria a recuperar sua diversidade plena com os nacionalismos do século XIX.

  3. PQP, se me permite, lá vai um pequeno tutorial que estou postando em alguns grupos no Facebook:

    [MÚSICA CLÁSSICA NA INTERNET] Pessoal, há algum tempo eu venho usando uma tática pra conseguir achar para download as músicas que eu quero com facilidade: trata-se de um mecanismo de pesquisa personalizado do Google, que contém uma lista razoavelmente grande de blogs de música.

    Quando você pesquisa, por exemplo, por “Bach” na sua busca particular, o Google vai retornar todas as páginas desses blogs indexados. E, podem apostar, tem coisa pra caramba.

    Então, caso vcs queiram fazê-lo, eis as instruções:

    1) Vá para http://www.google.com.br/cse/manage/create

    2) Escolhe um nome para sua pesquisa. Coloque a descrição que quiser ou simplesmente não coloque.

    3) Agora a parte mais importante!!
    Em “Sites a pesquisar: “, copie e cole a lista abaixo, deixando 1 por linha mesmo:

    http://statework.blogspot.com.br/
    http://juliosbv.blogspot.com.br/
    http://quinoff.blogspot.com.br/
    http://metrognomemusic.blogspot.com.br/
    http://ipromesisposi.blogspot.com.br/
    http://sitecitizenk.blogspot.com.br/
    http://www.clasicsound.com/
    http://oidofino.blogspot.com.br/
    http://www.sul21.com.br/blogs/pqpbach
    http://randomclassics.blogspot.com/
    http://laureateconductor.blogspot.com/
    http://lohengrinmusic.blogspot.com/
    http://sharedclassics2010.blogspot.com/
    http://yayosalvaclasicos.blogspot.com/
    http://ahhfwmy.blogspot.com/
    http://bayreuthclassical.blogspot.com/
    http://panovnik.blogspot.com/
    http://metrognomemusic.blogspot.com/
    http://themusicforpiano.blogspot.com/
    http://elbaulcoleccionista.blogspot.com/
    http://odeonmusic.blogspot.com/
    http://musicamedievalyrenacentista.blogspot.com/
    http://www.free-classical.com/
    http://organ-music-for-all.blogspot.com/
    http://disinfestavaxhome.blogspot.com/
    http://www.clasicsound.com/
    http://nealshistorical.wordpress.com/
    http://boxset.ru/
    http://classicallibrary.blogspot.com/
    http://avaxhome.ws/
    http://problembearsvault.blogspot.com/
    http://juliosbv.blogspot.com/
    http://atilapratofeito.blogspot.com/
    http://oidofino.blogspot.com/
    http://oserdamusica.blogspot.com/
    http://maisumadofalsario.blogspot.com/
    http://musikalischeopfer.blogspot.com/
    http://orchestralworks.blogspot.com/
    http://meetinginmusic.blogspot.com/
    http://ladiscotecaclasica.blogspot.com/

    4) Pronto! Avance e o mecanismo de pesquisa estará pronto. Há, no momento, quase 50 blogs nessa lista, o que resulta, segundo o Google, em quase 2 milhões de páginas!!!

    Abraços. Desculpem-me se feri alguma regra do grupo. Se for o caso, apaguem este post.

  4. Bom disco mesmo! Agora só falta aquele disco fantástico de concertos de Leclair, do violinista brasileiro Luis Otavio Santos. É um must!

  5. Entre os grandes compositores franceses eu citaria Berlioz também, não apenas pelas inúmeras inovações que trouxe em termos de forma, orquestração e ritmo, tendo sido um dos compositores mais influentes do século XIX, mas também pelo tempero romântico meio excêntrico com uma pitada de inusitado e majestoso meio ingênuo que torna sua música na minha opinião extremamente original e interessante. É apenas minha opinião, é claro. Em todo caso, ótima postagem! :o)

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