Jordi Savall & La Capella Reial de Catalunya & Montserrat Figueras: El Cant de la Sibil-la I – Catalunya

Captura de Tela 2017-10-20 às 17.08.47El Cant de la Sibil-la – Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO

Jordi Savall & La Capella Reial de Catalunya

Ao longo de diferentes épocas, regiões e costumes, grande parte das passagens dos Oráculos sibilinos tiveram como prováveis origens culturais o mundo pagão, o judaico ou, ainda, o cristão. Assim, a força da Sibila manteve-se inalterada por séculos no Oriente, seja sobre os devotos de um Deus único ou adoradores de um panteão de divindades.

Sempre idealizada como uma velha mulher que profetiza em estado de êxtase, a Sibila é retratada com várias identidades. Citada desde Ovídio e Heráclito, a profetiza pode ser reconhecida como filha de Noé – na tradição judaica – ou como a “deusa Sibila” na antiga Eritréia, entre outras referências.

El Cant de la Sibil-la (O Canto da Sibila) é um drama litúrgico de melodia gregoriana que se interpreta na versão catalã de forma tradicional na Missa do Galo nas igrejas de Mallorca (entre as quais se destacam a interpretação no Mosteiro de Lluch e na Catedral de Palma) e em Alguer, aldeia da Sardenha.

Na verdade, Maiorca e Alguer são os dois únicos lugares onde o canto é uma tradição que se estende desde o final da Baixa Idade Média até hoje, tendo finalmente sido imune à proibição que ocorreu no Concílio de Trento, 1545-1563. Precisamente por este motivo, em 16 de novembro de 2010 foi declarado pela UNESCO Patrimônio Imaterial da Humanidade, e foi anteriormente declarado de Interesse Cultural (BIC) pelo Conselho da Ilha Mallorca em 13 de dezembro de 2004.

A Sibila é uma profetisa do fim do mundo da mitologia clássica que foi introduzida e adaptada para o cristianismo, graças à analogia que pode ser estabelecida entre as profecias e o conceito do apocalipse.

O mais antigo testemunho da Sibila cristianizada e cantada em mosteiros é fornecido por um manuscrito latino do mosteiro de San Marcial de Limoges (França), em pleno Império Carolíngio. Na Espanha, o documento mais antigo é um manuscrito preservado na visigótica Mesquita-Catedral de Córdoba do ano de 960, pertencente à uma liturgia mozárabe. Do século XI também data o manuscrito de Ripoll escrito em latim, no âmbito da cultura litúrgica hispânica das comunidades atuais da Catalunha, onde grande parte se enraizaria.

El Cant de la Sibil-la se constituiu então uma tradição cultural cristã que tinha como tema central o julgamento final proclamado entre os bons e maus, isto é, sobre os fiéis ao rei e ao Juiz Universal, cuja chegada foi anunciada a partir da festa de seu nascimento na condição humana.

O primeiro passo no processo de popularização foi a incorporação do canto em latim nas catedrais, pelos seus sacerdotes. Isso estava acontecendo em territórios ocidentais no sul da Europa que fazem atualmente parte da Espanha, França, Itália e Portugal, atingindo Mallorca certamente, como consequência, na época da reconquista, da Conquista de Mallorca em 1229 pela Coroa de Aragão. A primeira informação que temos de El Cant de la Sibil-la na Catedral de Mallorca é fornecido pela “consueta de tempore”, também escrito em latim entre 1360 e 1363. (ex-internet)

Palhinha: ouça 03. Sibil·la Catalane

El Cant de la Sibil-la I – Catalunya
Barcelona, X-XI siècles
01. Sibil·la Latine
Montpellier, Lectionarium XII-XIII siècles
02. Sibil·la Provençale
Seu d’Urgele, XV siècles
03. Sibil·la Catalane

El Cant de la Sibil-la I – Catalunya – 1988
Jordi Savall & La Capella Reial de Catalunya & Montserrat Figueras

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MP3 320 kbps – 131,1 MB – 54,7 min
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Boa audição.

Ian McQue

 

 

 

 

 

 

 

Avicenna

14 comments / Add your comment below

  1. Mestre Avicenna deve se lembrar que quando a Montserrat Figueras faleceu ano passado quis postar este cd, porém mudei de idéia na última hora.

    1. Sim, confesso que você é o culpado por esta postagem, fdpbach!
      Depois da sua dica e da sua postagem, fui conhecer melhor este CD e dai que hoje eu tenho uma coleção de cantos sibilinos.

      Obrigado atrazadamente pela excelente dica, fdpbach!

      Um abraço,

      Avicenna

      1. A seu dispor, mestre Avicenna. Muito me orgulha saber que fui o responsável por conheceres essa maravilha de obra. Na verdade, a Unesco, ou sei lá quem, também devia considerar esta gravação do Savall / Figueras como patrimônio imaterial da humanidade.

  2. Uma música bonita adornada por uma voz maravilhosa que já nos deixou. Há tempos que relutava em escutar esses cânticos, e graças a palhinha, vi que perdi muito tempo.
    Ótima postagem.
    Dieter

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