Händel (1685-1759): DIXIT DOMINUS – Luis Álvares Pinto (Recife, 1719-1789) + TE DEUM – Händel :Camerata Antiqua de Curitiba, 1995 (Acervo PQPBach)

Originalmente postado em 10 de dezembro de 2011 pelo monge Ranulfus e agora atualizado pelo Avicenna, com links atualizados.

Com esta, são CINCO as versões integrais do Te Deum de Luís Álvares Pinto postadas neste blog.

Exagero? Não acho não. “Mais gravações tivera, mais postara”, pois pra mim tanto a posição dessa peça na história da música brasileira quanto a sua pura qualidade musical justificariam plenamente conhecer mil versões. Aliás, basta vocês ouvirem como diferem estas cinco, às vezes a ponto de quase não se reconhecer que é a mesma peça, para perceber que estamos diante desse tipo de música que não esgota fácil as suas possibilidades!

“E para mais me espantar” (nossa, parece que a sombra de Camões encostou com tudo no monge Ranulfus esta noite!), três dessas cinco versões são da Camerata Antiqua de Curitiba: a de 2000, postada pelo Avicenna aqui há poucos dias, em 29/11; a de 1981, que eu mesmo postei em 26/05/2010; e agora esta de 1995, comemorativa dos 20 anos da Camerata. Sabem de qual eu gosto mais? Não? Coincidência, eu também não! Depende do dia, da hora…

Na postagem de 2010 eu incluí dados caprichosamente pesquisados sobre Álvares Pinto. Se quiserem, olhem lá: hoje eu vou logo desovando a música, que os tempos são outros, as pesquisas que a vida anda exigindo também!

Só observo ainda que aqui, como na gravação de 1981, o outro lado do vinil é ocupado por um Salmo musicado por Händel – mas são dois salmos diferentes: lá, um bonito Laudate Pueri; aqui um Dixt Dominus que não é só bonito, talvez possa ser chamado “monumental”, e é tremendamente desafiador para o coro.

Foi prudente para o conjunto encarar tamanho desafio àquela altura? Não sei. Sei que pessoalmente eu gosto do resultado; nem tudo é perfeito, mas as próprias imperfeições são de um tipo que eu chamaria “imperfeições inspiradas”, que não me tiram o prazer da audição, às vezes até aumentam, como se fossem um atestado de que essa música é uma realização humana, com embate & suor. É provável que nem todo mundo sinta o mesmo – e isso é ótimo, não?

Mas, seja como for, aposto que ninguém vai se arrepender de conhecer essa peça!

Palhinha: ouça a integral do Te Deum enquanto saboreia telas de artistas brasileiros contemporâneos.

Camerata Antiqua de Curitiba, 1995
Gravação comemorativa dos 20 anos do grupo

Regência: Roberto de Regina

Luis Álvares Pinto (Recife, 1719-1789): TE DEUM
(orquestração completada por Harry Crowl, 1995)
00:00 (1) Te Deum / Te Dominum
01:31 (2) Tibi Omnes
02:37 (3) Sanctus
04:20 (4) Te gloriosus
05:23 (5) Te martyrum
07:04 (6) Patrem imensae
09:07 (7) Sanctum quoque
11:39 (8) Tu Patris
13:40 (9) Tu devicto
15:31 (10) Judex crederis
18:41 (11) Salvum fac
20:23 (12) Per singulos dies
21:56 (13) Dignare
24:03 (14) Fiat misericordia
25:13 (15) In te Domine

Georg Friedrich Händel (1685-1759): DIXIT DOMINUS (Salmo 110 [109])
00:00 (1) Dixit Dominus
06:05 (2) Virgam virtutis
09:28 (3) Tecum principium
12:33 (4) Juravit Dominus
14:48 (5) Tu es sacerdos
16:24 (6) Dominus a dextris tuis
19:24 (6b) Ludicabit in nationibus
22:55 (7) De torrente in via bibet
27:00 (8) Gloria

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TEXTO DO TE DEUM (latim/português)
http://www.osmc.com.br/secao.asp?i=34&c=791
TEXTO DO DIXIT DOMINUS (latim/inglês)
http://en.wikipedia.org/wiki/Dixit_Dominus_(Handel)

Ofereço esta postagem de 10 de dezembro ao meu pai, que estaria fazendo 89 anos neste dia se não houvesse desembarcado do planeta 30 anos antes, e que com certeza adoraria cada minuto da música deste disco!

Ranulfus

12 comments / Add your comment below

  1. Um comentário off.

    Por que a história da música tem poucas compositoras? Para ser bem sincero, eu não conheço nenhuma. O que explica o universo da composição ser dominado pelos homens?

  2. eim Doni, eu acho que as mulheres só foram apresentadas aos instrumentos musicais mais formais, como o piano, no séc. XIX. isso já é uma boa causa. antes, elas estavam lá pra ouvir (ou nem isso! pois simplesmente nao podiam comparacer a tais eventos)

  3. Parabéns pela ótima postagem, eu vou já ver se tenho as cinco versões, essas tres eu já localizei. Também sou adepta do ‘quanto mais, melhor’, cada uma delas tem seu encanto. Pode postar mais versões que eu vou adorar. Essa foi uma grande homenagem a um pai de bom gosto musical e que (creio) adoraria ter uma ferramenta como a internet.

  4. Moisés – pois é, agora você recuperou! (Se você é de Cuiritba, apenas receio ter comprado o seu CD, pois comprei num sebo, rsrs)

    Quanto a compositoras, Doni – com certeza daria pra especular muito a respeito, mas não vou fazer isso agora. No romantismo, sabe-se que a irmã de Mendelssohn compunha, e a própria Clara Schumann, além de ser pianista. No começo do século XX houve a Nadia Boulager, em Paris, que era mais professora de análise e composição, mas também compunha, e a irmã dela, Lili, que morreu jovem mas deixou algumas composições. Na época contemporânea existem muitas mais; lembro de cara da russa Gubajdulina, uma outra russa que estou com preguiça de pesquisar o nome agora, e inclusive algumas brasileiras que o CVL postou aqui (idem).

    Mas minha paixão nessa área é a barroca veneziana Barbara Strozzi, que criou a forma cantata (em sua versão para voz solista), e o CVL também postou aqui numa gravação de beleza extraordinária. Uma das minhas postagens favoritas aqui no PQP até hoje, espia lá! http://pqpbach.opensadorselvagem.org/barbara-strozzi-1619-1677-safo-novella/

  5. Muito obrigada!
    I hope other South Americans recordings will follow soon. What about Mr. Garrido and his ensemble Elyma I admire very much ?!?!
    A big hug,
    Barbara

    1. Dear Barbara Regina,

      What a typical Brazilian name!!
      Yes, we have some works from Mr. Garrido.
      Please go to: http://pqpbach.sul21.com.br/?s=elyma&submit=Pesquisa

      We also have some links that may interest you:

      1) Latin Soul: the music of the Americas under the European colonization (XVII to XIX centuries). Brazil is not included.
      Please go to: http://pqpbach.sul21.com.br/category/alma-latina-musica-das-americas-sob-o-dominio-europeu/

      2) Brazilian music under the Portuguese colonization (XVII to XIX centuries).
      Please go to: http://pqpbach.sul21.com.br/category/musica-colonial-e-imperial-brasileira/

      Outro big hug!

      Avicenna

  6. Olá Ranulfus! Apesar de já ser leitor assíduo do blog há alguns anos (Santo Google!), creio ser a primeira vez que comento aqui. Desde este tempo conheci o que é boa música após pensar que nem gostava de música, consequência de anos tendo o gosto musical tutelado pela televisão e pelas rádios e não suportar os terríveis hits de sucesso (Anos 90 e 2000). Aqui descobri peças lindas de Piazzolla, Händel, Brahms, Vivaldi, Verdi, etc, além do meu preferidíssimo Bach pai (aliás foi pesquisando pela Paixão Segundo São Mateus que eu descobri este paraíso de bom gosto musical no meio de tanto chorume), mas este Te Deum é divino!!! Ah, o motivo de nunca ter escrito? Vergonha e timidez. Além de um medo terrível de me expor na web.

  7. 71 anos? Mesmo? Então parabéns, Avicenna, pelo aniversário e pelo que você faz em termos da recuperação do acervo colonial brasileiro e americano em geral. Vida longa!

  8. Alô Avicenna – é verdade que fizeste 71 anos? rapaz…e isso tudo cabe na tua carteira de identidade?(risos) – eu completei 69 em fevereiro…pois então somos dois semi-novos. Muitas felicidades, meu amigo. Olha pra traz…agora olha pra frente…vê que estrada linda percorreste…e ainda tem mais!
    abraços
    manuel

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