Carl Nielsen (1865–1931): Integral das Sinfonias – Sinfonias Nº 3 e Nº 5

 IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais 10 anos e, em 1911, apareceu a “Espansiva”. Meu conhecimento de Nielsen deu-se através das muitas emissões que a rádio da UFRGS fazia desta extraordinária obra. Hoje, talvez eu não dissesse que é a melhor de todas, diria que é a mais alegre, espetacular e contrastante. O movimento inicial é arrebatador com seus momentos de valsa e otimismo. É exuberante e contrasta fortemente com o idílico segundo movimento, onde os cantores parecem desejar o paraíso. A “Espansiva” finaliza com um belíssimo Allegro de tema majestoso e grudante.

A 5ª Sinfonia pertence a outro mundo. Escrita entre 1921 e 1922 mostra o mundo e a linguagem musical desintegrando-se. Homem de seu tempo, Nielsen provocou irritação, principalmente pelo trecho onde indica que a percussão deve fazer barulho sem especificar de que tipo… Ou melhor, Nielsen instrui literalmente a percussão a tentar parar a progressão da música a qualquer custo, sem ter explicado o que deviam fazer… Os bagunceiros escoceses da orquestra de Thomson, acostumados às brigas de rua e ao quebra-quebra de bêbados, fazem grandes esforços. O originalíssimo primeiro movimento divide-se em 2 partes e 3 planos tonais; o ritmo é monótono, militaresco e torna-se aterrorizante, ainda mais quando os percussionistas decidem acabar com a música (há algo mais óbvio para 1922?); há um Andante que possui duas fugas, uma lenta e outra rápida; o primeiro movimento retorna menos agressivo ao final, mas ameaçador. Vale a pena conhecer esta obra curiosíssima e ultra-clara em sua determinação de mostrar o ambiente político que se criava. Destaque para os percussionistas da orquestra: era para eles darem um show e eles não se fizeram de salames.

Duas esplêndidas obras num só CD.

Carl Nielsen (1865 – 1931): Integral das Sinfonias – Sinfonias Nº 3 e Nº 5

Symphony No. 3, Op 27/FS 60 “Sinfonia espansiva”
1. I Allegro espansivo
2. II Andante pastorale
3. III Allegretto un poco
4. IV Finale. Allegro

Catherine Bott, soprano
Stephen Roberts, baixo
Royal Scottish National Orchestra
Bryden Thomson

Symphony No. 5, Op 50/FS 97
5. I Tempo giusto
6. I Tempo giusto – Adagio non troppo
7. II Allegro
8. II Allegro – Presto
9. II Allegro – Andante un poco tranquillo
10. II Allegro – Allegro

Royal Scottish National Orchestra
Bryden Thomson

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Carl Nielsen vale muito
Carl Nielsen vale muito

PQP

8 comments / Add your comment below

  1. Olá! Eu tive problemas na descompactação do arquivo… não consegui extrair as faixas:
    7. II Allegro
    8. II Allegro – Presto
    9. II Allegro – Andante un poco tranquillo
    10. II Allegro – Allegro
    Aconteceu só comigo?
    Obrigado!

  2. Acredito que Wagner ficaria com uma puta inveja desta colossal e fenomenal barulheira…
    Não conhecia este compositor.Ouvi com razoavel atenção mas, sinceramente achei muito obvia suas resoluções harmonicas, tudo transparece como um pouco de um persistente deja vu.
    Os musicos deveriam ganhar um adicional por excesso de esforços repititivos.
    Nota: 1,35 (de um a cinco).

  3. A polêmica com relação à quinta sinfonia do Nielsen está na parte que ele escreveu como sendo um solo para o tamburo piccolo (algo tipo tirol, caixa rasa, aí varia), pouco antes do final do primeiro movimento: inicialmente ele é bem claro na partitura, solicitando que a caixa siga um tempo específico (116 bpm), distinto do da orquestra (que inicia com 100 bpm), usando um metrônomo exclusivo para o instrumento e pedindo, realmente, ao músico, que atuasse “como que determinado a obstruir, a todo o custo, a música”. Em seguida, ele introduz uma espécia de cadência, de novo ao tamburo piccolo, culminando em um trecho em que ele deixa o instrumento livre para improvisar “com o máximo possível de fantasia”, incluindo algumas pausas de vez em quando, claro. O trecho todo dura uns 25 compassos, não muito. Pauca sed bona, diriam…
    O próprio Nielsen sabia onde estava se metendo. Quando dos ensaios para a estréia, comentou que ao ouvir a sinfonia, “algumas pessoas vão pensar que o Schoenberg já pode arrumar as malas com suas dissonâncias, pois as minhas são piores” ! Ele não gostava dos apelidos para as sinfonias dele, então deu uma explicação tão sem pé nem cabeça a respeito da Quinta, citando conceitos de conservação e energia potencial, especificamente quando empurramos uma pedra para um ponto mais alto, para depois empurrá-la para baixo, quando ela liberaria a “energia acumulada” na subida (que tal?), que acredito que ninguém tenha tomado coragem para arriscar um apelido para ela !
    Grande figura !

  4. Não digo que o senhor Nielsen seja um compositor maior. Mas é um ótimo compositor, em cima da pinta. Suas sinfonias são ao mesmo tempo severas e elegantes.

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