Carl Nielsen (1865–1931): Integral das Sinfonias – Sinfonias Nº 4 e Nº 6 (final)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ai, os discos de Karajan…! Grandes gravações, grandes fracassos, o cara não se contentava com nada comum! Mediocridade não era com ele. A primeira vez que vi a Inextinguível à venda foi num lançamento da DG sob a batuta do HvK. A capa era tão espetacular, com um sol vermelho no horizonte, mais arco-íris e silhueta de montanhas e aquele enorme Inextinguishable de lado a lado com o nome do regente em letras um pouco menores, que era impossível não comprar. Mas que bosta de disco! Como ele teve a coragem de gravar aquilo? Mas tudo muda nesta gravação da Chandos.

Não é a minha sinfonia preferida de Nielsen. Esta 4ª, escrita em 1916, me parece dotada de um senso de estilo um tanto vacilante, apesar de vários bons momentos. De indiscutível mesmo, há o quarto movimento, absolutamente arrebatador nesta gravação e mesmo com Karajan. É obra desigual, em minha opinião.

Já a 6ª Sinfonia, “Simples”, escrita às portas da morte, é sensacional. Cheia de sarcasmo, antecipa em poucos anos o que faria Dmitri Shostakovich em seus momentos de humor mais dantesco. A intenção de Nielsen, em muitos momentos, parece ser a de chocar. Ele anuncia que fará, a gente fica meio na dúvida, mas ele faz até mais do que se espera. Sempre dou risadas quando volto a ouvi-la após algum tempo. O tema de abertura não pode ser mais Shosta e Nielsen não estava brincando quando chamou o segundo movimento de Humoreske. Mais: Nielsen devia estar dando barrigadas de riso quando criou o Thema med Variationer, que acaba com um fagote meio incerto, sei lá. Há casos assim: o sujeito está doente, sabe que vai morrer e solta a franga. Novamente, o trabalho da orquestra escocesa faz jus tanto a gritos de Bravo! quanto aos melhores uísques.

Baita CD!

Carl Nielsen (1865 – 1931): Integral das Sinfonias – Sinfonias Nº 4 e Nº 6 (final)

Symphony No. 4, ‘Det Uundslukkelige’, ‘The inextinguishable’, Op. 29 (FS 76)
1. I Allegro
2. II Poco allegretto
3. III Poco adagio quasi andante
4. IV Allegro – glorioso – Tempo giusto

Symphony No. 6, ‘Sinfonia semplice’ Op. 116 (FS 116)
5. I Tempo giusto – Allegro passionato – Lento, ma non troppo – Tempo 1 (giusto)
6. II Humoreske. Allegretto
7. III Proposta Seria. Adagio
8. IV Thema med Variationer. Allegro – Tema: Allegretto un poco – Variations I-IX – Fanfare

Royal Scottish National Orchestra
Bryden Thomson

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E daí se eu gosto do meu cabelo pra cima?
E daí se eu gosto do meu cabelo pra cima?

PQP

10 comments / Add your comment below

  1. Meu caro amigo. Realmente as Sinfonias de Nielsen são espetaculares. Gostei muito. Baixei e ouvi todas. Por falar em coisa boa, Você teria condições de postar o Concerto para Gaita de Radamés Gnatalli, executado por Edu da Gaita e a Orq. Sinf. Brasileira, regida por Radamés ? Ficarei muito agradecido, muito mesmo.Desta obra há somente juma gravação, do selo Festa, esgotada há muito tempo e não consegui encontrá-la. Alguém poderia me ajudar ? Grato e abraços. Adalberto.

  2. Concordo sobre o que disse sobre o Karajan!

    O mais estranho é que as vezes numa mesma obra ele interpreta de forma brilhante, fazendo uma excelente gravação, e numa outra vez, na mesma obra faz uma verdadeira cagada.

    As sinfonias de Tchaikovsky dele são um grande exemplo disso.

    Agora, sobre Nielsen, além da 4 e 6 que postou, tenho o integral do Neeme Jarvi, gostei muito. Se gostar dessas duas com esse Bryden, com certeza as outras entrarão na minha fila.

  3. A melhor integral de Nielsen é a segunda do Herbert Blomstedt (para a Decca, com a Sinfônica de San Francisco; a primeira, para a EMI, é bem ruim). Outra excelente: Michael Schonwandt para a DaCapo.

    O Bernstein gravou a “Quatro temperamentos”, a “Espansiva”, a “Inextinguivel” e a Quinta. São gravações excelentes, principalmente da “Espansiva”. Jascha Horenstein gravou uma Quinta realmente fora de série com a New Philharmonia; e uma das melhores “Inextinguiveis” é a de Jean Martinon com Chicago. E uma integral surpreendente é de Theodore Kuchar para a Brilliant Classics – super barata!

    A Deutsche Grammophon só deu bola fora com Nielsen: acho a integral de Järvi com Gotemburgo muito pálida, e a “Inextinguivel” do Karajan é uma bizarrice.

  4. A única linguagem universal é a música, e as sinfonias de Carl Nielsen são magníficas! Dignas de Beethoven e Tchaikovsky. Não ouvi a versão de Karajan, ouvi a de Neemi Jarvi. E a que baixei agora com o Bryden são espetaculares!
    Um pedido, se posso me atrever a fazer: teria como postar a ópera Boris Goudunov de Modest Mussorgsky, versão do magnífico Rostropovich e a Sinfônica de Washington? E O Uirapuru de Villa-Lobos por Stokowski?
    Grato por fazerem deste mundo um lugar melhor…

  5. No es posible que Nielsen (que murió en 1931) citara una obra (el Concerto para orquesta de Bartok) compuesta casi 15 añis después.

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