Serguei Prokofiev (1891-1953): Alexander Nevsky / Suíte Cita

Um disco nada sutil, um disco de guerra e luta, mas bom demais.

As partituras “bárbaras”.

A esplêndida cantata Alexander Nevsky foi composta por Prokofiev para o filme homônimo de Sergei Eisenstein. São duas obras grandiosas, o filme e a música. Esta foi uma curiosa parceria entre o compositor e o cineasta. Prokofiev ia todas as noites à casa do diretor assistir às tomadas e/ou corrigia mais um trecho. Coisa de gênios.

A sinopse do filme é a seguinte: Em 1242, a Rússia sofria constantes invasões pelos cavaleiros mongóis, o príncipe-pescador Alexander Nevsky (Nicolay Cherkassov) soube da invasão pelos teutônicos ao país. O povo se mobiliza e o escolhe seu comandante. Apesar da maioria das vitórias serem teutônicas, quando estes dominavam a cidade Pskov, são batidos por Nevsky na Batalha do Gelo. Paralelamente a este cenário em 1938, a Rússia estava na eminência de ser atacada por Hitler, situação que espelha o ocorrido em 1242. Ironicamente, o filme foi tirado de circulação quando da assinatura do pacto Germânico-soviético em 1938.

E aqui temos mais: é um filme acerca de um príncipe russo do séc. XIII e do sucesso das suas batalhas contra as hordas invasoras de alemãs. Este monumental épico marca um dramático afastamento de Eisenstein em relação aos seus princípios de montagem e de tipagem. “Alexander Nevsky” foi um passo atrás deliberado, na direcção do teatro mais antiquado ou, pior ainda, no sentido das produções operáticas de que Eisenstein tinha sido um forte opositor na década de 20. Todavia, o filme demonstra as qualidades de Eisenstein em muitas sequências, como a famosa cena de batalha sobre o lago gelado. Também significativas foram as suas tentativas para atingir a síntese entre os elementos plásticos do filme e a música, contando com uma memorável banda-sonora de Serguei Prokofiev reflectindo, provavelmente, “a admiração prolongada de Eisenstein pelos desenhos animados de Walt Disney”.

O filme foi um sucesso monstruoso na URSS e no estrangeiro, parcialmente devido ao sentimento anti-alemão que se desenvolvia na altura e Eisenstein conseguiu assegurar uma posição de charneira no campo do cinema soviético, numa altura em que muitos dos seus colegas eram perseguidos e presos. A 1 de Fevereiro de 1939 foi premiado com a Ordem de Lenine por “Alexander Nevsky” e pouco depois envolveu-se nu novo projecto, “O grande canal de Fergana”, esperando criar um épico de uma escala semelhante à do seu projecto abortado no México. Contudo, após um intensivo processo de pré-produção, o trabalho no projecto foi cancelado logo a seguir à assinatura do pacto de não-agressão entre a URSS e a Alemanha nazi e “Alexander Nevsky” foi, por seu lado, arquivado de uma forma muito discreta.

A Suíte Cita é mais conhecida dos roqueiros por ter sido utilizada pelo baterista Carl Palmer no álbum Works I – The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness -, do grupo Emerson, Lake and Palmer.

Segundo a Wikipedia, os bárbaros citas formavam uma malha de tribos nômades de pastores equestres e invasores. Sua localização era principalmente o atual Irã e a Turquia. Eles invadiram muitas áreas nas estepes da Eurásia, incluindo áreas nos atuais Cazaquistão, Azerbaijão, sul da Ucrânia e da Rússia. Governados por um pequeno número de elites proximamente aliadas, tinham renome devido a seus arqueiros, e muitos ganhavam a vida como mercenários. Os guerreiros citas tinham duas paixões: seu arco assimétrico que podia atirar a até 500 metros de distância e uma espada reta de dois gumes, cuja lâmina possuía setenta centímetros de comprimento. Ao lutar, montavam cavalos velozes e eram ferozes combatentes.

Tal ímpeto guerreiro deu a Prokofiev a oportunidade para compor uma das orquestrações e melodias mais “bárbaras” de sua carreira. É importante salientar que os hunos – inclusive Átila – tinham provável origem cita.

Serguei Prokofiev (1891-1953): Alexander Nevsky / Suíte Cita

Scythian Suite, for orchestra, Op. 20
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra
Conducted by Neeme Jarvi

1. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Adoration Of Veless And Ala
2. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness
3. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: Night
4. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Glorious Departure Of Lolly And The Sun’s Procession

The Steel Step Suite, Op. 41
Royal Scottish National Orchestra
Conducted by Neeme Jarvi

5. I. Entry of the People 2:21
6. II. The Officials 4:43
7. III. The Sailor and the Factory-worker 3:13
8. IV. The Factory 3:03

Alexander Nevsky, cantata for mezzo-soprano, chorus & orchestra, Op. 78 
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra, Scottish National Chorus (Edwin Paling, leader) with Linda Finnie (mezzo-soprano)
Conducted by Neeme Jarvi

9. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Russia Under The Mongol Yoke
10. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Song About Alexander Nevsky
11. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Crusaders In Pskov
12. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Arise, Ye Russian People
13. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Battle On Ice
14. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Field Of The Dead
15. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Alexander’s Entry Into Pskov

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O Alexandre Nevsky (1938) do filme de Serguei Eisenstein.

PQP

10 comments / Add your comment below

  1. há um tempo atrás procurei essa composição do Prokofiev e vi que ela ainda não havia sido postada.Acabei consequindo essa mesma gravação em um outro lugar, e vi que era uma questão de tempo para ela aparecer por aqui.grande postagem, abraços

  2. Felipe.Sim, eu copiei de lá. De cada quatro postagens minhas, em média, uma vem de um “colega”. Pena que eles não gostem de textos explicativos…Grande abraço. PQP Bach

  3. Visito esse blog ha pouco tempo e estou maravilhado com a riqueza de obras q encontro aqui. Peço q vocês postem, se puderem, a Grande Missa de Mozart pois só possuo trechos em alguns cds.Atenciosamente, Amon.

  4. Caro Amon.Eu te conheço e já estive em tua casa algumas vezes. Vamos lá, quero ver se adivinhas! Fico pensando se teu nome deriva de Deus ou se é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo cair…PQP Bach.

  5. Estava a procura de Alexandre Nevski e graças a Deus encontrei-a aqui. Quero agradecer a oportunidade de poder tê-la em meus “alfarrábios”. Agora só me falta “Esboços caucasianos” de Ippolitov Ivanov. Conto com sua capacidade para conseguí-lo para mim.

  6. Essa informação sobre as origens citas dos hunos não me parece que seja procedente, já que normalmente os hunos são relacionados aos mongóis e aos nômades altaicos, enquanto que o povo cita quase certamente era indo-europeu (ou “ariano”, expressão definitivamente condenada por estar associada ao racismo nazista).

  7. Meus parabéns mais uma vez pelo blog maravilhoso. Detalhe: eu conheci Mussorgsky e Prokofiev graças eo Emerson, Lake & Palmer. Viva o rock progressivo, nem que seja só como porta de entrada para a música erudita!

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