Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 em Ré Menor

A Sinfonia No. 9 é o coroamento do trabalho sinfônico de Bruckner. Um portento, uma esplêndida obra-prima que ficou inacabada. Quando da sua morte, ele ainda trabalhava na composição da sinfonia. Esta gravação de Celibidache possui a eletricidade e a emoção dos registros ao vivo e ombreia-se às versões de Wand, Haitink e Nelsons. Mas vejam bem, os quatro citados na frase anterior são deuses. Sim, estamos no Olimpo da música. E quem os coloca lá é Bruckner.

Porém, neste álbum que ora postamos, há excertos dos ensaios de Celibidache. Mesmo — meu caso — não entendendo alemão, nota-se como suas correções vão inequivocamente melhorando a música. É uma gravação para ser ouvida várias vezes e ainda aprender.

A Sinfonia foi estreada postumamente em 1903 e Bruckner teria a dedicado a seu amado deus, mas tal fato não é comprovado por nenhum documento. O terceiro movimento ficou pronto em 1894, um Adagio esplêndido. O compositor viveu mais dois anos, mas sua saúde já não permitia o empenho necessário e morreu sem que o quarto e último movimento estivesse concluído. O que já havia escrito não era nada mais do que um esboço. Diante disso, ele recomendou que se tocasse como finale o seu “Te Deum”, obra coral religiosa que conferiria à sua Nona um formato semelhante ao da Nona de Beethoven. Mas o que todo regente faz hoje é apresentar a obra tal como ela ficou, inacabada.

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 em Ré Menor

01. Applause
02. I. Feierlich, Misterioso
03. II. Scherzo. Bewegt, lebhalt – Trio. Schnell
04. III. Adagio. Langsam, feierlich
05. IV. Applause
06. Excerpts from the rehearsals
07. Excerpts from the rehearsals
08. Excerpts from the rehearsals
09. Excerpts from the rehearsals
10. Excerpts from the rehearsals
11. Excerpts from the rehearsals
12. Excerpts from the rehearsals
13. Excerpts from the rehearsals
14. Excerpts from the rehearsals

Edition: Leopold Nowak
Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache, regente

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Celibidache tomando um café com o pessoal do PQP lá pelos anos 40 ou 50. Era um dia quente.

PQP

8 comments / Add your comment below

  1. A 9ª de Bruckner é uma de minhas músicas preferidas. E, certamente, um dos motivos é o de que meu filhos, quando bem pequenos, dançavam ou pulavam felizes ouvindo o demoníaco tema do Scherzo. Quando acabava pediam mais. Meu filho, hoje com 20 anos, ainda dá risadas de felicidade com ele.

    Não ouvi ainda. Celi deve tê-lo deixado mais lento, mas posso imaginar o PODER.

    E obrigado mais uma vez por estas postagens do caraglio.

  2. Confesso, PQP, que não gostava de Bruckner. Mas foi lendo os seus textos sobre o compositor, que me bateu uma certa curiodade. Fui fisgado pelo poder da músico do compositor canhestro, após ouvi-lo com mais cuidado e atenção. Hoje, é uma das minhas paixões.

    Celi esticou ainda mais aquela percepção que temos de que, quando ouvimos Bruckner, estamos diante de um colosso, um titã mitológico, um ente fantástico.

  3. Adoro todo o clima do P.Q.P. “Postagens do caraglio” foi foda. O povo que frequenta este site tem o mesmo tipo de humor.
    Obrigado, cara. Você tem compensado o trabalho que deu para o seu pai!

  4. A cerca de 06 anos atrás eu estava vagando em um ”cebo” aqui de Goiânia, em meio muitas obras de vários compositores notei um cd com a capa bem modésta: Bruckner Sinfonia nº 04. Não dei muita moral e acabei levando outros cds. O tempo passou e fui conhecendo aos poucos todas as sinfonias de Bruckner, sou apaixonado pelo Romantismo e fui tomado pela grandiosidade desse compositor. Isso graças a esse blog, que tem disponibilizado ao público geral esse tipo de acervo, essas jóias da humanidade. Um grande salve a obra genial de Bruckner, um salve a esse blog,por gerar tantos momentos de alegria através da boa música… Valeu…

  5. querido pqpbach, te agradezco por tanta obras preciosas que me permiten disfrutar la vida desde otro ángulo, quizás el más profundo y maravilloso. Con respecto a Bruckner, desde muy joven me siento prendido a él y considero a sus sinfonías como lo más bello que se ha escrito en este género, síntesis de Beetoven, Schubert, Wagner y anunciador de Mahler, Richard Strauss y Shoemberg. Gracias y continúa por favor con tu maravilloso legado.

  6. Bruckner…

    Bruckner, pra mim, é um pedaço da minha própria alma. É uma energia que eu reconheço como minha; não que seja minha, mas que tenha se alastrado pelo meu espírito, como a mão de Deus a me confortar.

    Bruckner… é uma benção.É Deus falando pelos instrumentos… é enlevação espiritual máxima.

    Está muito além do entendimento comum, dos ouvidos treinados para apreciar a música simples, previsível, icônica, estereotipada… e nela incluo a maioria dos compositores.

    Como disse um sábio, “A única coisa que você pode esperar de Bruckner é o inesperado”. E é esse completo inesperado que me faz arrepiar a cada vez que ouço um trecho de sua música, e isso há 3 anos seguidos.

    Como disse bem oportunamente, um usuário, é como se deparar com um titã colossal, majestoso, um ente fantástico, como uma criatura antiga de Howard Phillip Lovecraft.

    Bruckner é uma mensagem subliminar que tenta transmitir a perfeição de Deus para o homem comum. Tenta, porque – decerto- à maioria não convencerá. É como a face de Deus: só alguns a poderão ver.

    E eu creio….firmemente…que conheci a voz de Deus…:)

    Ainda bem que conheci Bruckner nesta encarnação. DO contrário, não teria valido a pena.

    Bruckner..você é uma Luz em meio a tanta “clássica” lugar-comum. Está muito à frente do seu tempo e do nosso tempo. Só pode ser compreendida e entendida nos céus…

    Que Deus…o abençoe….

    E que vocês ouçam Bruckner na regência de Karajan, que é o melhor. Nem Celi, nem Jochum, nem Wand, nem Klemperer, nem Furt.

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