Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº 9 – Karajan, BPO

Com esta postagem volto ao final dos anos 70, quando tive acesso a um LP duplo, presente de meu irmão, que trazia as Sinfonias de nº 8 e 9, de Beethoven. Aquela capa preta com amarelo com aquele expressivo senhor de cabelos brancos agitando os braços se tornaria um paradigma. Este velho LP esteve comigo boa parte de minha vida, mas infelizmente não o tenho mais, o tempo se encarregou de danificá-lo, a capa se deteriorou assim como aquele plástico que envolvia os LPs. Devo tê-lo vendido em algum momento de minhas diversas fases de grana curta, desempregado.

Não estou trazendo com esta postagem a sinfonia nº 8, em seu lugar temos a Abertura Coriolano. Mas a principal obra daquele velho LP duplo está ali, a maior das obras musicais já compostas e criadas pelo ser humano, a Nona Sinfonia de Beethoven. E a mesma gravação: Karajan e sua Filarmônica de Berlim, o Wiener Singverein, a Gundula Janowitz, Walter Berry, nomes que aprendi a reverenciar desde então, lembrando que eu era um jovem adolescente que entendia e conhecia pouco da vida, morando em uma pequena cidade do interior, com uma única rádio que tocava música sertaneja e os últimos sucessos da parada. Mas não posso deixar de agradecer ao seu dono a transmissão de um programa de música clássica nos domingos de noite. Ali ouvi pela primeira vez ‘Va Pensiero’, de Verdi, obra que abria e fechava o programa.

Não lembro se foi ali que ouvi a Nona Sinfonia pela primeira vez, provavelmente não. Mas foi aquele programa de rádio que me mostrou a imensidão que se abria à minha frente. E foi o velho LP com capa preta e amarela da Deutsche Grammophon que me permitiu explorar aquele mundo até então desconhecido para mim. E ouvindo novamente esta gravação depois de tantos anos, entendo o impacto que ela me causou. Não é brincadeira o que o velho Kaiser fez, usando todo o poder e recursos que tinha à sua disposição. Os tímpanos , os violoncelos e contrabaixos, os primeiros e segundo violinos, as violas, os trompetes e trompas, clarinetes, flautas, tudo está tão coeso, tão perfeito, tão compacto, que não temo em dizer que trata-se de meu disco favorito, aquele que me é realmente indispensável, que jamais deixará de estar comigo, até o meu último momento, no último suspiro de minha vida.

P.S. Lembro de que em certa ocasião fiquei sozinho em casa, meus pais provavelmente estavam trabalhando, e coloquei o velho LP no velho toca discos, e deixei no último volume. Foi uma sensação única … depois disso nunca mais tive a oportunidade de fazer isso. Alguns meses depois deste momento único me mudei da cidade, indo estudar na cidade grande. Mas aí é outra história …

1. Obertura ‘Coriolano’

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor

Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”

2.1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso 15:27
2.2. Molto vivace 11:03
2.3. Adagio molto e cantabile 16:30
2.4. Presto – 6:23
2.55. Presto – “O Freunde nicht diese Töne” – 17:35

Gundula Janowitz
Hilde Rössel-Majdan
Waldemar Kmentt
Walter Berry
Wiener Singverein
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor

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13 comments / Add your comment below

  1. Eu também gosto muito desta gravação. Sua vivência com música parece um pouco com a minha.
    Gostei do texto, também!
    Abraços
    Mário Olivero

  2. Amigo FDP, que texto bacana. Como disse o Mário as vivências são parecidas, também tive contato com os mestres ouvindo a Rádio Cultura FM quando eu morava em Sampa, e o pessoal da Rádio reverenciava muito o venerável Kaiser.

    Um abraço !

    Ammiratore

    1. Ouvi muito a Rádio Cultura de São Paulo quando morei ali no começo dos anos 90. E ainda adolescente, morando em Curitiba, entre 1977 e 1978 também ouvia muito uma rádio de música clássica, não lembro o nome, talvez também fosse Rádio Cultura. Essa dúvida nosso nobre Monge Ranulfus pode tirar, pois também morava ali nessa época.

  3. não há regente que não tenha se enfrentado a nona de Beethoven; é basta o leque de gravações. ela foi gravada por todas as orchestras do mundo; a minha favorita é Sir Simon Rattle com a filarmônica de Viena; MAS também tenho uma historinha com a nona. quando cheguei ao São Paulo há muitos anos atrás e vivia numa quitinete um amigo me vendeu sua vitrola com cinco discos que logo ja nao conseguia mais ouvir; sai a procura de discos para minha vitrola. A minha grande surpresa foi descobrir que a musica mais barata para uma vitrola é a musica clássica; e achei esse mesmo disco que vc descreve pela bagatela de R$ 2,00… e dois reais por yo-yo ma tocando dvorak, e rostropovich tocando don juan, e as obras primas de mozart numa caixa com 10 discos por miseros 15 reais e assim por diante; e poderia seguir enumerando. meu amigo voltou para Santiago do Chile sem saber que a colossal nona regida pelo kaiser custa menos que um café de coador…

    1. hahahaha… saudades destes cestões de promoções nas lojas de discos da Sé, da República, da Estação da Luz… deixava boa parte do meu salário ali com eles.

  4. Esse LP foi parte da minha infância.
    Preciso dizer mais? Pois digo. Segundo um dos meus tios, meu pai, filho espertalhão, se apropriou do LP da minha avó, justo esse. Pelo menos ele selecionou bem.
    Meu irmão ainda tem o LP, quase uma relíquia de família!!

  5. A Clockwork Orange fez-me apaixonar, para sempre, pela música do mestre de Bona. Eu tenho a caixa com as duas sinfonias, referidas, 8 e 9. A melhor descrição que já ouvi, foi do José Saramago, que disse: Acontece que à primeira chama-se Nona.

  6. Crianças. a rádio da qual vocês falavam não seria a Radio Eldorado?
    Eu possuo hoje ainda uma caixa importada com as 09 sinfonias de Beethoven, e o Herbert von Karajan(o vosso Kaiser).
    Rogo que me perdoem a intromissão mas é que em música clássica tudo deve ser compartilhado!
    abraços

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