Alexander Borodin (1833-1887): Príncipe Igor

Alexander Borodin (1833-1887): Príncipe Igor

Alexander Borodin (1833-1887) dividiu sua vida entre a música e as atividades de professor e pesquisador de química. Como cientista, chegou a ser conhecido internacionalmente, tendo escrito cerca de vinte estudos sobre química orgânica ! A música foi o seu sonho. A principal obra que compôs é esta que ora compartilho com os amigos do blog. O cara era um “cabeção”, sua memória era prodigiosa e muitas de suas invenções musicais foram perdidas porque, conhecendo-os de cor, ele não se preocupou em escrevê-las. Ele tinha uma imaginação fervorosa e sua fantasia permitia evocar países e arredores nunca vistos e conseguir traduzir suas visões deslumbrantes maravilhosamente em som. O grande exemplo é o seu Príncipe Igor (Knyaz’ Igor’ – 1869-87)  uma belíssima ópera em quatro atos e um prólogo.

A ópera Príncipe Igor foi o pensamento dominante da vida de Borodin e por ela se dedicou ao estudo histórico com atenção e cuidado. Ele leu os poemas Zadonshchina e A Batalha de Mamayevo, estudou as canções épicas e líricas do Turkmens, a fim de melhor compreender o caráter  polovtsiano dos Tártaros [Cumans]. Sua leitura do poema O Regimento de Igor provocou seu ardor poético e, assim, ele decidiu escrever o libreto de sua própria ópera. Enquanto isso, em contato com Balakirev, ele aprofundou seus estudos de composição, refinou seu gosto em harmonias e fortaleceu sua experiência técnica em orquestração, preparando assim para o cultivo de suas inclinações inatas para a arte e de seu temperamento como músico lírico. O libreto centra-se num príncipe russo do século XII (Igor Svyatoslavich) e nas suas campanhas contra as tribos polovtsianas invasoras que estavam interferindo nas rotas comerciais para o sul. A ópera foi encenada pela primeira vez em São Petersburgo em 4 de novembro de 1890. Borodin deixou a orquestração da ópera incompleta, inúmeras vezes interrompida e recomeçada. Composição e orquestração foram concluídas postumamente por Nikolai Rimsky-Korsakov e o jovem promissor Alexander Glazunov. De acordo com a partitura impressa, a ópera foi completada da seguinte forma: Rimsky-Korsakov orquestrou os trechos anteriormente não-orquestrados do Prólogo, Atos 1, 2 e 4, e a “Marcha Polovetsiana” que abre o Ato 3. Glazunov usou o material existente e orquestrou o terceiro ato inteiro e a abertura baseada nos temas de Borodin. Tanto a Abertura quanto as “Danças Polovetsianas” (do Ato II) são comuns em concertos e juntamente com a “Marcha Polovetsiana”, formam a chamada “suíte” da ópera.

Suas belezas musicais a redimiram do confuso libreto (sendo desconhecido o destino de dois personagens principais na cortina final). O Ato II do “Príncipe Igor”, o único que Borodin pode plausivelmente ter concluído (embora é sabido que tenha sido muito retocado por Glazunov e Rimsky-Korsakov), seria, sem dúvida, tão banal e despretensioso quanto este texto que vos escrevo, não fosse pelo fato de que cada número é uma obra-prima. O idioma exótico de Borodin, as melodias originárias do folclore, era um estilo intensamente pessoal e flexível, de todos os idiomas “Borodinescos” este ato é o mais identificável com o estilo do compositor, de grande expressão emocional. O “orientalismo” de Borodin enfatiza a coloratura cromática, em plena força sensual, os passes cromáticos crescem para abranger escalas inteiras, é a suprema expressão da música oriental, a exuberância do oriente visto pelos olhos europeus – traço de Borodin. Quando o dueto de amor deste ato atinge seu clímax, o efeito é surpreendente, a melodia resgata o texto insípido. As danças polovtsianas concludentes deste ato são sedutoras, uma música que beira a perfeição. Mais algumas cenas como essa, e o “Príncipe Igor” estaria entre as óperas mais representadas. A ópera é um magnífico exemplo da qual todos os ouvintes e críticos parecem encontrar alguma melodia que goste. Em sua ópera, Borodin visava ação cênica colorida, rica em incidentes, e ele escreveu uma espécie de “canção de gestos” em que a história flui para a clareza visual da apresentação. É o épico transmutado em lirismo e sinfonia. Um personagem não é um personagem concebido no espírito das limitações teatrais do drama, mas é a vida da emoção concentrada em uma figura humana. O plano se torna uma pintura, a pintura é animada pela música, o palco é carregado de cores e transfigurado em músicas e danças. Como Borodin colocou em uma carta, “Curiosamente, todos os membros do nosso círculo (Grupo dos 5) parecem se unir em meu Igor: todos estão satisfeitos com o Igor, embora possam divergir sobre alguns detalhes”.

Sinopse
Fatos encenados na cidade de Putivl e nos acampamentos Polovtsianos em 1185.

O prólogo.
O príncipe Igor, que está prestes a começar uma campanha contra Khan Konchak Rei dos polovtsianos, se recusa a dar ouvidos às advertências de sua mulher e de seu povo que interpretam um recente eclipse como um mau presságio. Seu cunhado, o príncipe de Galich (Kniaz Galitsky) suborna Skoula e Eroshka para encorajar o príncipe Igor em sua determinação de partir, ele deseja usurpar o lugar de Igor. Igor desavisadamente confia sua esposa aos seus cuidados (faixas 2 a 5).

Ato 1
(1) A corte do príncipe Vladimir Galitsky. Skula e Yeroshka cantam um hino ao devasso cunhado de Igor e conta como ele raptou uma donzela para seu prazer (faixa 6). Galitsky anuncia sua filosofia (faixa 7). Ele zomba da desaprovação de sua irmã Yaroslavna. Uma multidão de donzelas corre para protestar contra Galitsky (faixa 9). Os homens mostram brevemente medo de Yaroslavna , mas, voltando sua atenção para o vinho, voltam a cantar os louvores à Galitsky: ele deveria ser seu príncipe, não Igor (faixa12).
(2) Câmara nos aposentos de Yaroslavna Yaroslavna, ansiando por Igor, sofre de maus sonhos (faixa 13). A criada anuncia a chegada das donzelas, que se queixam do comportamento de Galitsky. Galitsky inesperadamente chega, assusta as donzelas, tenta rir das censuras de sua irmã, mas no final concorda em libertar a garota raptada; ele sai. Um grupo de soldados chega a Yaroslavna com notícias terríveis: Igor e seu filho Vladimir foram feitos prisioneiros pelos Polovtsï (faixa 16).

Ato 2
O acampamento polovtsiano; é noite, um coro de donzelas polovtsianas entretem Konchakovna com um hino para o início fresco da noite (faixa 17 – um canto envolvente, belíssimo !), após começa a famosa dança polovtsiana (faixa18). Konchakovna canta seu esperado encontro com Vladimir. Prisioneiros russos marcham no caminho de volta do trabalho forçado. Konchakovna pede que as donzelas levem água para eles. A patrulha polovtsiana faz a ronda. Ovlur furtivamente permanece no palco quando eles saem. Vladimir caminha cautelosamente até a tenda de Konchakovna e canta seu encontro (faixa 22), recitativo e cavatina. Konchakovna aparece, e os amantes cantam em êxtase. Eles correm ao som da abordagem de Igor. Ele canta uma elaborada ária em duas partes, a primeira expressando sua apaixonada sede de liberdade, a segunda seus ternos pensamentos de Yaroslavna (faixas 24 e 25). Ovlur aproveita o momento: ele se aproxima de Igor e propõe um plano de fuga. Igor a princípio se recusa a considerar tal curso desonroso, mas concorda; Ovlur desaparece. Khan Konchak entra, exalta a magnanimidade em direção ao seu “honrado convidado” (faixa 26). Ele se oferece para conceder a liberdade de Igor em troca de uma promessa de não-agressão, até sugere que eles se tornam aliados; a tudo isso Igor recusa-se firmemente, muito para a admiração de Konchak. O Khan ordena entretenimento de seus escravos, oferecendo a Igor escolha das donzelas. Começa a belíssima dança polovtsiana (faixas 28 a 30).

Ato 3
Um posto avançado do acampamento de Khan , prisioneiros retornam de Putivl, ha uma saudação tumultuada de Khan Konchak e dos Polovtsï, enquanto os russos observam (faixa 31). Konchak canta uma canção de triunfo. Ele ordena uma festa ; os khans partem para dividir os espólios; os russos lamentam sua derrota e pedem para Igor aceitar a oferta de Ovlur. Os Polovtsïs bebem e dançam em um estupor (faixa 35). Ovlur convoca Igor. Konchakovna, tendo ouvido falar do plano, corre ; ela discute com Igor sobre Vladimir, Igor fazendo seu apelo à melodia de sua ária “liberdade”. Finalmente, ela desperta o acampamento, e Igor deve fugir sem o filho. Os Polovtsï ameaçam Vladimir, mas Konchak, sempre magnânimo, poupa-o e até abençoa sua união com Konchakovna (faixa 38).

Ato 4
Na muralha da cidade de Putivl, Yaroslavna lamenta seu destino e o de seu marido (faixa 39). Alguns transeuntes cantam um lamento próprio ao destino de Putivl, uma estilização magistral e famosa da polifonia popular (faixa 40). O humor abatido de Yaroslavna é quebrado pelo som de batidas de cascos; ela reconhece Igor de longe. Quando ele desmonta, ela corre para ele e eles trocam cumprimentos. Skula e Yeroshka atrapalhados, reconhecendo Igor e em pânico salvam suas peles tocando o sinete para anunciar o retorno do príncipe e declarar sua lealdade (faixa 43). A ópera termina com um alegre coro de saudação (‘Sabemos que o Senhor ouviu nossas orações’).

Mark Ermler

Mark Ermler era um grande regente russo na linhagem de Golovanov, Melik-Pashaeyev e Boris Khaikin, com quem estudou. Seu talento dramático brilha nesta performance emocionante do Príncipe Igor, com algumas das estrelas mais radiantes do Bolshoi. Os cantores Ivan Petrov e Artur Eisen nos fazem lembrar como soam os verdadeiros baixos russos de “raiz”, Elena Obratsova subindo para alturas poéticas na cavatina assombrosa de Konchakovna canto maravilhoso, além de Vladimir Atlântov e Alexander Vedernikov esta turma toda estava entre os melhores cantores da geração pós-Stalin. Suas vozes são todas maravilhosas, expressivas e excepcionais, representantes exemplares da era soviética na década de 1960. Vladimir Atlantov, a resposta russa a Mario Del Monaco, esta incrível em seu canto. O dueto com Elena Obraztsova é impressionante; a voz dela é a mais bonita da gravação. O segundo ato, desde o início, passando pelo dueto de amor e as danças polovesianas, é a jóia da coroa dessa performance, mesmo se vocês (como eu) não entenderem nem uma palavra de russo vão se emocionar, repetir, repetir e repetir mais um pouquinho o segundo ato inteiro, realmente muito expressivo e belo.

A gravação está excelente, e é considerada pelos “experts” ainda como a gravação completa e definitiva desta ópera, apesar de ter sido feita em 1969. Coloquei como bônus a suíte das danças Polovtsianas e o libreto em russo e inglês.

Não deixem de ouvir, é linda, uma pérola para quem aprecia temas orientais !

Música soberba da mais linda cultura russa !!!!!

Personagens e intérpretes
Igor Svyatoslavich Principe de Seversk – Ivan Petrov – baritono
Yaroslavna sua segunda esposa – Tatiana Tugarinova – soprano
Vladimir Igorevich filho de seu primeiro casamento – Vladimir Atlantov – tenor
Vladimir Yaroslavich [Galitsky] Principe de Galich, irmã da Princesa Yaroslavna – Artur Eisen – baixo
Khan Konchak – Alexander Vedernikov – baixo
Gzak Polovtsian khan silent
Konchakovna filha de Khan Konchak – Elena Obraztsova – contralto
Ovlur um Polovtsian cristão – Alexander Laptev – tenor
Skula – Valery Yaroslavtsev – baixo
Yeroshka – Konstantin Baskov – tenor
Mulher Polovtsiana – Margarita Miglau – soprano

Choir & Orchestra State Academic Bolshoi Theatre
Regente: Mark Ermler

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Borodin, entre a música e a química.

Ammiratore

Anton Bruckner (1824-1896): Missa Nº 3

Anton Bruckner (1824-1896): Missa Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A obra de Bruckner é densa, funda; obra para monges; para asceses catárticas. Como no simbolismo místico de Cruz e Sousa a qual afirma na poesia Música Misteriosa:

Tenda de Estrelas níveas, refulgentes,
Que abris a doce luz de alampadários,

As harmonias dos Stradivarius

Erram da Lua nos clarões dormentes…

Pelos raios fluídicos, diluentes
Dos Astros, pelos trêmulos velários,

Cantam Sonhos de místicos templários,

De ermitões e de ascetas reverentes…

Cânticos vagos, infinitos, aéreos
Fluir parecem dos Azuis etéreos,

Dentre os nevoeiros do luar fluindo…

E vai, de Estrela a Estrela, a luz da Lua,
Na láctea claridade que flutua,

A surdina das lágrimas subindo…

Ouçamos Bruckner e diluamos as imoralidades, os sacrilégios, as inverdades. Que o mundo escute Bruckner e seja curado dos seus desmazelos, de suas chagas purulentas; de sua luxúria, de sua glutonaria pelas vaidades e seus repastos insossos. Sim! O último disco traz a maravilhosa Missa em Fá. É para ouvir e sentir-se beatificado. Subamos a montanha da música brukneriana e lá tenhamos um encontro com a prece e com a exaltação. Perdoem-me o afetamento. Mas a solidão e essa música imaculada “botam a gente comovido como o diabo” – Drummond. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Missa No. 3 em Fá menor para solistas, coro e orquestra

01. I – Kyrie. Moderato
02. II – Gloria. Allegro – Andante, mehr Adagio (sehr langsam)
03. III – Allegro – Moderato misterioso – Langsam – Largo –
04. IV – Sanctus. Moderato – Allegro
05. V – Benedictus. Allegro moderato – Allegro
06. VI – Agnus Dei. Andante – Moderato

Philharmonischer Chor München
Sergiu Celibidache, regente
Margaret Price, soprano
Doris Soffel, alto
Peter Straka, tenor
Matthias Hölle, baixo

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Carlinus

.: interlúdio :. New Budapest Orpheum Society: Jewish Cabaret In Exile

.: interlúdio :. New Budapest Orpheum Society: Jewish Cabaret In Exile

Como soa um cabaré judeu? Este é um som diferente do fenômeno klezmer, que existe em torno de festas e danças. As canções de cabaré neste disco têm relação com certos tipos de música de salão dos primeiros anos do século 20 e freqüentemente comentam a vida no exílio, provocando diversão satírica sobre as autoridades e as aflições da sociedade. Como referência adicional, eles podem, de certa forma, ser comparados com obras mais familiares, mas similares, como A Ópera dos Três Vinténs, de Kurt Weill. A New Budapest Orpheum Society é um conjunto da Universidade de Chicago. É formado por um grupo misto de vocalistas (Julia Bentley, mezzo-soprano e Stewart Figa, barítono) e instrumentistas (Iordanka Kisslova, violino; Stewart Miller, baixo de corda; Hank Tausend, percussão; e Ilya Levinson, piano).

New Budapest Orpheum Society: Jewish Cabaret In Exile

I. The Great Ennui on the Eve of Exile
Edmund Nick (1891–1973) & Erich Kästner (1899–1974)
1 Die möblierte Moral / The Well-Furnished Morals (1:48)
2 Das Wiegenlied väterlicherseite / The Father’s Lullaby (4:49)
3 Die Elegie in Sachen Wald / Elegy in the Forest of Things (3:29)
4 Der Gesang vom verlorenen Sohn / The Song of the Lost Son (5:13)
5 Das Chanson für Hochwohlgeborene / The Chanson for Those Who Are Born Better (2:43)
6 Der Song “man müßte wieder . . .”/ The Song “Once Again One Must . . .” (3:59)

II. The Exiled Language — Yiddish Songs for Stage and Screen
7 Moses Milner (1886–1953): In Cheider / In the Cheder (5:46)
8 Mordechai Gebirtig (1877–1942): Avreml, der Marvikher / Abe, the Pickpocket (5:12)
9 Abraham Ellstein (1907–1963): Tif vi di Nacht / Deep as the Night (3:07)

III. Transformation of Tradition
Hanns Eisler (1898–1962):
From Zeitungsausschnitte, Op. 11 (Newspaper Clippings)
10 Mariechen / Little Marie (1:49)
11 Kriegslied eines Kindes / A Child’s Song of War (2:32)

IV. The Poetics of Exile: Songs by Hanns Eisler and Kurt Tucholsky (1890–1935)
12 Heute zwischen Gestern und Morgen / Today between Yesterday and Tomorrow (2:35)
13 Bügerliche Wohltätigkeit / Civic Charity (3:01)
14 Zuckerbrot und Peitsche / Sweetbread and Whips (2:20)
15 An den deutschen Mond / To the German Moon (2:46)
16 Einigkeit und Recht und Freiheit / Unity and Justice and Freedom (1:53)
17 Couplet für die Bier-Abteilung / Couplet for the Beer Department (1:26)

V. Traumas of Inner Exile
Viktor Ullmann (1898–1944)
Three Yiddish Songs (Brezulinka), op. 53 (1944)
18 Berjoskele / The Little Birch (4:18)
19 Margaritkele / Little Margaret (1:37)
20 Ich bin a Maydl in di Yorn / I’m Already a Young Woman (1:30)

VI. Nostalgia and Exile
21 Georg Kreisler (b. 1922): Tauben vergiften / Poisoning Pigeons (2:46)
22 Hermann Leopoldi (1888–1959) and Robert Katscher (1894–1942): Ich bin ein unverbesserlicher Optimist / I’m an Irrepressible Optimist (3:46)
23 Misha Spoliansky (1898–1985) / Marcellus Schiffer (1892–1932): Heute Nacht oder nie / Tonight or Never (3:22)

VII. Exile in Reprise
Friedrich Holländer on Stage and Film
24 Friedrich Holländer (1896–1976): Marianka (2:32)
25 Wenn der Mond, wenn der Mond . . . / If the Moon, If the Moon . . . (3:00) Lyrics by Theobald Tiger (Kurt Tucholsky)

Baritone Vocals – Stewart Figa
Bass – Stewart Miller (2)
Drums – Henry Tausend
Ensemble – New Budapest Orpheum Society
Mezzo-soprano Vocals – Julia Bentley
Music Director – Philip V. Bohlman
Piano – Ilya Levinson
Violin – Iordanka Kissiova

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O pessoal da New Budapest Orpheum Society

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas & Partitas – Salvatore Accardo

Então, em 2008, o velho mestre retorna à Bach, depois de uma longa vida dedicada ao violino. E o que nos apresenta é exatamente isso: um Bach maduro, impecável como o som de seu Stradivarius, um absurdo. Mas nada de exibicionismos. Apenas música. Accardo não precisa provar mais nada a ninguém, seu nome já está inscrito entre os grandes mestres do instrumento. Seus tempos podem parecer um pouco lentos, mas são por demais precisos e corretos.
Ouvindo esse CD de Salvatore Accardo entendemos a que leva a experiência, a dedicação e a maturidade: precisão, coerência, responsabilidade e principalmente, respeito, tanto ao seu ouvinte, entre os quais me incluo já há algumas décadas, e ao compositor. Sua compreensão da música de Bach foge de modismos, ou de escolas de interpretação. E é graças a esta sua compreensão que não devemos inseri-lo nestas categorias. Ele toca com alma, com amor à causa. Só isso.
Espero que apreciem. Como comentei acima ouço Salvatore Accardo já há bastante tempo, e o coloco entre os meus grandes ídolos do passado, leia-se David Oistrakh e Jascha Heifetz.

CD 1

1 Sonata No. 1 per violino solo in Sol minore, BWV 1001. Adagio
2 Sonata No. 1 per violino solo in Sol minore, BWV 1001. Fuga
3 Sonata No. 1 per violino solo in Sol minore, BWV 1001. Siciliana
4 Sonata No. 1 per violino solo in Sol minore, BWV 1001. Presto
5 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Allemanda
6 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Double dell’allemanda
7 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Corrente
8 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Double corrente
9 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Sarabande
10 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Double sarabande
11 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Tempo di borea
12 Partita No. 1 per violino solo in Si minore, BWV 1002. Double tempo di borea
13 Sonata No. 2 per violino solo in Sol minore, BWV 1003. Grave
14 Sonata No. 2 per violino solo in Sol minore, BWV 1003. Fuga
15 Sonata No. 2 per violino solo in Sol minore, BWV 1003. Andante
16 Sonata No. 2 per violino solo in Sol minore, BWV 1003. Allegro

CD 2

1 Partita No. 2 per violino solo in Re minore, BWV 1004. Allemanda
2 Partita No. 2 per violino solo in Re minore, BWV 1004. Corrente
3 Partita No. 2 per violino solo in Re minore, BWV 1004. Sarabanda
4 Partita No. 2 per violino solo in Re minore, BWV 1004. Giga
5 Partita No. 2 per violino solo in Re minore, BWV 1004. Ciaccona
6 Sonata No. 3 per violino solo in Do maggiore, BWV 1005. Adagio
7 Sonata No. 3 per violino solo in Do maggiore, BWV 1005. Fuga
8 Sonata No. 3 per violino solo in Do maggiore, BWV 1005. Largo
9 Sonata No. 3 per violino solo in Do maggiore, BWV 1005Allegro assai
10 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Preludio
11 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Lourde
12 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Gavotte en rondeau
13 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006 Menuet I
14 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Menuet II
15 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Bourree
16 Partita No. 3 per violino solo in Mi maggiore, BWV 1006. Gigue

Salvatore Accardo – Violin

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Quartetos de Cordas Op. 76 (Completos)

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Quartetos de Cordas Op. 76 (Completos)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma das coisas que fazem minha alegria no mundo são os Quartetos Op. 76 de Haydn, aqui magnificamente interpretados pelo Quarteto Doric.

Os seis quartetos de cordas, Op. 76 de Joseph Haydn foram compostos em 1797 ou 1798 e dedicados ao conde húngaro Joseph Georg von Erdödy (1754–1824). Eles formam o último conjunto completo de quartetos de cordas que Haydn compôs. Na época da encomenda, o compositor estava empregado na corte do príncipe Nicolaus Esterházy II e estava compondo o oratório A Criação.

Dentro do Op. 76 estão as obras de câmara mais ambiciosas de Haydn, desviando mais do que seus antecessores da forma sonata padrão. Além de não usar a forma de sonata esperada em alguns dos primeiros movimentos do quarteto de cordas, Haydn emprega formas incomuns em outros movimentos, como um cânone e uma fantasia.

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Quartetos de Cordas Op. 76 (Completos)

String Quartet Op. 76 No. 1 (Hob. III: 75) In G Major (24:12)
1-1 Allegro Con Spirito 8:41
1-2 Adagio Sostenuto 7:11
1-3 Menuet. Presto – Trio – Menuet Da Capo 2:16
1-4 Finale. Allegro Ma Non Troppo 6:18

String Quartet Op. 76 No. 2 ‘Quinten’ (Hob. III: 76) In D Minor (22:45)
1-5 Allegro 9:36
1-6 Andante O Più Tosto Allegretto 5:57
1-7 Menuet. Allegro – Trio – Menuet Da Capo 3:00
1-8 Finale. Vivace assai 4:06

String Quartet Op. 76 No. 3 ‘Kaiser’ (Hob. III: 77) In C Major (29:11)
1-9 Allegro 10:39
1-10a Poco Adagio. Cantabile – 8:03
1-10b Variazioni I –
1-10c Variazioni II –
1-10d Variazioni III –
1-10e Variazioni IV
1-11 Menuet. Allegro – Trio – Menuet da Capo 4:36
1-12 Finale. Presto 5:43

String Quartet Op. 76 No. 4 ‘Sonnenaufgang’ (Hob. III: 78) In B Flat Major (25:13)
2-1 Allegro Con Spirito 9:14
2-2 Adagio 6:15
2-3 Menuet. Allegro – Trio – Menuet da Capo 4:30
2-4 Finale. Allegro Ma Non Troppo – Più Allegro – Più Presto 5:07

String Quartet Op. 76 No. 5 (Hob. III: 79) In D Major (20:10)
2-5 Allegretto – Allegro 5:09
2-6 Largo. Cantabile E Mesto 3:20
2-7 Menuet. Allegro – Trio – Menuet da Capo 3:20
2-8 Finale. Presto 3:25

String Quartet Op. 76 No. 6 (Hob. III: 80) In E Flat Major (24:33)
2-9 Allegretto – Allegro 7:00
2-10 Fantasia. Adagio 7:06
2-11 Menuet. Presto – Alternativo – Menuet da Capo 4:03
2-12 Finale. Allegro Spiritoso 6:17

Doric String Quartet:
Cello – John Myerscough
Viola – Hélène Clément
Violin – Alex Redington, Jonathan Stone

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O excelente Quarteto Doric.

PQP

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. I – Le Cantate per il Cardinal Pamphili

G.  F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. I – Le Cantate per il Cardinal Pamphili

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta coleção é uma das mais belas que já tive a oportunidade de ouvir. Considero-a simplesmente perfeita, nada menos que isso. Confesso que já viciei nela. Tenho ouvido com muita atenção e frequência há algum tempo. E não me canso de ouvi-la. Todos os cantores são excelentes, mas sem dúvida quem se destaca é a Roberta Invernizzi. E o conjunto barroco “La Risonanza” também é de se tirar o chapéu. A Cantata de Câmara floresceu na Itália como contrapartida à ópera. Foi cultivada por patronos aristocráticos para seu prazer pessoal. Talvez por causa de suas origens essencialmente privadas, essa forma barroca difusa permanece pouco conhecida hoje. Durante seus anos na Itália (1706- 1710), Handel compôs quase 100 cantatas para uma série de patronos importantes, mas elas tendem a ser ignorados em favor de suas grandes óperas, oratórios, concertos e suítes orquestrais. O plano de La Risonanza para executar e registrar todos as cantatas com acompanhamento instrumental (cerca de um terço do total) é, portanto, de grande importância para todos os amantes da música, uma vez que trará de volta esta música extraordinariamente bela. Este primeiro disco apresenta quatro notáveis ​​cantatas do início do italiano de Handel. período: Il delirio amoroso, Tra la fiamme, Figlio d´alte speranze e Pensieri notturni di Filli. Quando foi convidado para a Itália pelo príncipe florentino Gian Gasto De Medici, Handel decidiu não viajar sob a proteção do príncipe, mas sim esperar até que pudesse fazer a viagem por conta própria. Ele chegou à Itália em 1706 e provavelmente seu primeiro destino foi Florença. Ele também pode ter viajado antes para Veneza; no entanto, o primeiro vagido de Handel na Itália data do início de 1707, em Roma. Além de períodos significativos de residência em cada uma dessas cidades, Handel também passou cerca de dez semanas em Nápoles, em 1708. Partiu da Itália no início de 1710 e chegou no final do ano em Londres, onde viveu o resto de sua vida. Depois que ele se mudou definitivamente para Londres, Handel nunca mais voltou ao gênero.

Maiores detalhes sobre as obras podem ser encontrados no encarte que acompanha o arquivo zipado.

George Frideric Handel – The Italian Cantatas I – Le Cantate per il Cardinal Pamphili

01 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Aria- Tra le fiamme
02 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Rec- Dedalo già le fortunate penne
03 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Aria- Pien di nuovo e bel diletto
04 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Rec- Si, si, pur troppo è vero
05 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Aria- Voli per l’aria
06 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Rec- L’uomo, che nacque per salire
07 – Tra Le Fiamme (Il Consiglio), HWV 170 – Aria- Tra le fiamme

08 – Pensieri Notturni Di Filli (Nel Dolce Dell’Oblio), HWV 134 – Rec- Nel dolce dell’oblio
09 – Pensieri Notturni Di Filli (Nel Dolce Dell’Oblio), HWV 134 – Aria- Giacchè il sonno a lei
10 – Pensieri Notturni Di Filli (Nel Dolce Dell’Oblio), HWV 134 – Rec- Così fida ella vive
11 – Pensieri Notturni Di Filli (Nel Dolce Dell’Oblio), HWV 134 – Aria- Ha l’inganno

12 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Sonata
13 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Rec- Da quel giorno fatale
14 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Aria- Un pensiero che voli in ciel
15 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Rec- Ma fermati
16 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Aria- Per te lasciai la luce
17 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Rec- Non ti bastava ingrato
18 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Aria- Lascia ormai le brune vele
19 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Rec- Ma siamo giunti in Lete
20 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Entrée
21 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Arietta- In queste amene
22 – Il Delirio Amoroso (Da Quel Giorno Fatale), HWV 90 – Rec & Minuet- Sì, disse Clori

23 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Rec- Figlio d’alte speranze
24 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Aria- Troppo costa
25 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Rec- Era conforto il suo penar
26 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Aria- Sia guida, sia stella
27 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Rec- In così dire
28 – Figlio D’Alte Speranze, HWV 113 – Aria- Brillava protetto

Roberta Invernizzi – Soprano
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & direction

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FDP / PQP

.: interlúdio :. Elza Soares, Doutora Honoris Causa

.: interlúdio :. Elza Soares,  Doutora Honoris Causa
Elza Soares, por Daryan Dornelles

Elza da Conceição Gomes, 81 (ou 87) anos, nascida na favela da Moça Bonita, Rio de Janeiro; obrigada a se casar aos 12 anos com um certo Soares; mãe pela primeira vez aos 13 e viúva aos 21; que já enterrou quatro de seus sete filhos; vítima de relacionamentos abusivos e de várias camadas de preconceito; Elza que cantava carregando latas d’água morro acima; que foi cantar no programa de calouros de Ary Barroso aos 13 anos para ter o que comer; que foi zombada pela plateia por ser preta, pobre e mal vestida, e que respondeu ao ilustre anfitrião, quando lhe perguntou de que planeta ela vinha, que vinha do Planeta Fome; perseguida e apedrejada como destruidora de lares e de carreiras e ameaça à moral e aos bons costumes, particularmente em função de seu tempestuoso relacionamento com o futebolista Manoel Francisco dos Santos (1933-1983), o Mané Garrincha, que era casado; Elza que teve sua casa crivada por rajadas de metralhadora da ditadura e que se exilou com Mané e a família e as roupas do corpo para fugir uma vez mais da morte; que nunca deixou de cantar com sua voz poderosa e inconfundível o que ela é e de onde ela veio, e a dar voz a todos aqueles que vivem as dores que ela viveu; que incandesce os palcos do mundo há seis décadas com sua voz de trovão; que hoje não consegue ficar de pé sozinha, depois de fraturar várias vértebras num palco, mas que faz tremer tudo e todos quando nos deixa ouvir o que vem de seu espírito indômito; que fez seu primeiro show profissional nesta mesma Porto Alegre e neste Estado em que agora estamos, construídos sobre o legado infame da escravidão, e que tanto amam desprezar o que é preto e feminino e o que é pobre e popular; Elza que, ao ouvir o genial Louis Armstrong, encantado com seu estilo, chamá-la de “daughter” (filha), e que por não entender inglês respondeu-lhe com simplicidade que não era “doutora”, e sim “Elza”; pois essa mesma Elza-que-não-era-doutora receberá hoje, nesta mesma Porto Alegre e de minha querida alma mater, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma instituição pública e gratuita, vanguardista e inclusiva, o título de DOUTORA HONORIS CAUSA que me enche de orgulho e felicidade.

No exato momento em que esta postagem for ao ar, Elza, a Indestrutível, será recebida por um Salão de Atos da UFRGS abarrotado de gente e aclamada pela fração do Brasil que não se dobrou à infâmia do fascismo e do obscurantismo. Em tempos tão toscos e violentos, de ataques estatais à dignidade humana, às minorias e à educação e cultura, a láurea a uma artista e brasileira como Elza é um gesto político extraordinário que merece também ser aclamado:
VIVA ELZA!
VIVA A UNIVERSIDADE PÚBLICA!
VIVA O BRASIL FEMININO, PRETO E POPULAR!

ooOoo

 

Deus é Mulher (2018) – DOWNLOAD

Elza chora e canta Lupi (2016)

A Mulher do Fim do Mundo (2015)

Vassily

 

Monteverdi, Vivaldi, Purcell, Bertali, Legrenzi, Piccinini: Lamenti

Monteverdi, Vivaldi, Purcell, Bertali, Legrenzi, Piccinini: Lamenti

Um excelente CD que traz duas lendas, a mezzo-soprano sueca Anne Anne Sofie von Otter e o Musica Antiqua Köln, dirigido por Reinhard Goebel. E é claro que a coisa teria que ser — e é — do mais alto nível. Apenas uma das peças incluídas nesta gravação era conhecida por mim antes de eu comprar este lançamento — o famoso Lamento d’Arianna de Claudio Monteverdi. Desta forma, esta maravilhosa gravação me apresentou várias novidades. A cantata de Antonio Vivaldi, Cessate, é uma delas. Com cerca de dez minutos de duração, a cantata é composta de várias seções contrastantes. Além de apreciar muito o Cessate, o madrigal Monteverdi que abre o disco, Con che soavita, também é muito atraente, complexo e cheio das harmonias ricas e quase ostentatórias. O disco conclui com duas peças fúnebres de Henry Purcell. O compositor inglês do barroco médio é mais famoso por ter escrito o mais famoso Lamento da época, o Lamento de Dido, de Dido and Aeneas, que não está no disco. Os dois encontrados aqui são Incassum, Lesbia, uma canção funerária escrita para um membro da família real, e O Solitude, uma canção solo menos formal mas talvez mais bem sucedida. Imprensado entre os Purcell, está uma deliciosa chacone para alaúde do início do barroco, da qual também gostei. Von Otter também escolheu dois italianos menores do século 17, Antonio Bertali e Giovanni Legrenzi, nenhum dos quais me pareceu excepcional. A qualidade da música é correspondida pelos executantes. Famosa por seu mezzo elegante e sem falhas, von Otter faz as passagens mais lentas de forma mais bela. Recomendado para os fãs de música clássica mais sérios e menos casuais.

Monteverdi, Vivaldi, Purcell, Bertali, Legrenzi, Piccinini: Lamenti

1 Monteverdi: Con Che Soavità 4:42
2 Bertali: Lamento Della Regina D’Inghilterra 15:24
3 Legrenzi: Il Ballo Del Gran Duca, Op. 16: Corrente Nona 3:19
4 Vivaldi: Cantata “Cessate, Omai Cessate” RV 684 10:52
5 Monteverdi: Lamento D’Arianna 11:07
6 Purcell: Incassum, Lesbia, Rogas, Z. 383 7:27
7 Piccinini: Ciaccona 1:52
8 Purcell: Oh Solitude! Z. 406 4:58

Anne Sofie von Otter
Musica Antiqua Köln
Reinhard Goebel
Jakob Lindberg
Markus Mollenbeck
Franz-Josef Selig

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Que Lamenti, que nada! A gente gosta é de ciência! (Rembrandt – A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp)

PQP

Abbado / Pollini – Complete Recordings – CD 7 e 8 de 8

Fui intimado pelo nosso Grão-Senhor PQPBach, fã inconteste deste dupla Abbado / Pollini, a concluir essa série. E como se fosse uma ordem judicial, cumpro a ordem. Confesso que tinha outros planos, mas tudo bem.

Estas integrais são complicadas, as vezes vejo mais que o que vale é a intenção, mas tudo bem. Reunir Schumann e Schoenberg no  sétimo CD é estranho, não acham? O maior expoente do Romantismo ao lado do criador e fundado da música moderna do Século XX … no mínimo curioso. O oitavo CD também flerta descaradamente com a música do Século XX, trazendo Bártok e Luigi Nono. Integrais…

Enfim, eis aí concluída mais uma integral. Divirtam-se.

CD 7

01 – Piano Concerto A-Moll 1. Allegro Affettuoso
02 – Piano Concerto A-Moll 2. Intermezzo. Andantino Grazioso
03 – Piano Concerto A-Moll 3. Allegro Vivace
04 – Piano Concerto Op.42 1. Andante
05 – Piano Concerto Op.42 2. Molto Allegro
06 – Piano Concerto Op.42 3. Adagio
07 – Piano Concerto Op.42 4. Giocoso (Moderato), Stretto

CD 8

01 – Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91- 1. Allegro moderato – Allegro
02 – Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91- 2. Andante – Allegro
03 – Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91- 3. Allegro molto
04 – Piano Concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101- 1. Allegro
05 – Piano Concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101- 2. Adagio – Presto – Adagio
06 – Piano Concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101- 3. Allegro molto – Presto
07 – Como una ola de fuerza y luz – Beginning
08 – Interno dolce
09 – Duro deciso
10 – (Part II) Piano entry
11 – Soprano veces de ninos doblen campanas dulces
12 – (Part III) Orchestra entry
13 – (Part IV) Orchestra and piano entry

CD 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

W. A. Mozart (1756-1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 5 de 5

W. A. Mozart (1756-1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 5 de 5
The Miles Kendig Post 5

Wolfgang Amadeus Mozart Integral dos Concertos para Piano

Jenö Jandó

Esta postagem, a última de uma série de cinco, é dedicada à lembrança de Miles Kendig.

Caso você perceba uma pessoa cantarolando uma melodia de Mozart, apure os seus sentidos, Miles pode estar por perto. A última vez que imagino tê-lo encontrado foi quando suspeitei de meu indiano professor de inglês. Ele descuidadamente cantarolou o que depois percebi ser o solo para oboé do início do Andante do Concerto para Piano No. 17, de Mozart. Total evidência de Miles. Não por acaso meu sotaque é único!

Hopscotch – O universo de Miles Kendig
Jenö Jando, enturmado com o pessoal!

Jenö Jandó, nosso guia por esta jornada aos Concertos para piano de Mozart é ótimo pianista húngaro. Versatilíssimo, ajudou a construir boa parte do catálogo da gravadora Naxos. O homem produziu a Integral das Sonatas para piano de Beethoven, de Haydn, de Schubert. O que Wilhelm Kempff fez para a Deutsche Grammophon, ele fez para a Naxos e sempre com competência e sensibilidade.

Acredito ainda que, deste período de construção do catálogo da Naxos, sua contribuição maior, mais duradoura, tem sido essa série de Concertos para Piano de Mozart. As gravações do Jenö Jandó, acompanhado pela Concentus Hungaricus, regida por Mátyás Antal ou András Ligeti, vale a nota e a divulgação. Todas as gravações foram feitas no Instituo Italiano de Budapeste, entre 1989 e 1991, com a produção de Ibolya Tóth.

Alguma informação sobre os concertos desta postagem:

O Concertos No. 17, em sol maior, K. 453 e o Concerto No. 18, em si bemol maior, K. 456 foram escritos, como seus dois concertos predecessores, em 1784. Mas são de natureza mais simples do que os anteriores. O Concerto No. 17 foi estreado por Barbara Ployer, aluna de Mozart, num concerto para o qual Mozart convidara Giovanni Paisiello.  Neste mesmo concerto também foram tocados o Quinteto com piano e sopros, K. 452 e a Sonata para dois pianos, K. 448.

O início do Andante do Concerto No. 17, seu movimento lento, é particularmente bonito, começando com as cordas e no momento que esperamos a entrada do piano, ouvimos antes um pequeno episódio nos instrumentos de sopros. Primeiro o oboé, que é seguido pela flauta, e continua assim por algum tempo, até a entrada do piano. Belíssimo. O último movimento é uma série de variações sobre um tema que Mozart teria anotado como sendo o canto de seu estorninho de estimação.

O Concerto No. 18 foi escrito para uma pianista cega Maria Tereza von Paradis. Novamente temos uma elaborada parte orquestral nos sopros. O movimento lento agora traz um conjunto de variações, mas ainda sim de grande força expressiva. O último movimento é apresentado diretamente pelo piano seguido pelo tutti, num brilhante movimento que encerra o concerto.

Como não poderia deixar de ser, o melhor ficou para o final. O Concerto No. 23, em lá maior, K. 488 e Concerto No. 24, em dó menor, K. 491 foram escritos em março de 1786. Eles são também um par de concertos muito diferentes entre si e há famosas gravações que os colocam um ao lado do outro, como que para se complementarem. Uma destas gravações é de Kempff e Leitner. Outra é esta que apresentamos aqui. Há também um disco do Solomon, mas é mono.

Eu já ouvi muitas, muitas vezes o Concerto No. 23 e estou convencido que nesta época Mozart já havia passado além da dor. O Adagio deste concerto é transfixiante, se é que você me entende. Os críticos falam em pathos e poesia. Aprendi muito sobre essas coisas ouvindo o concerto. A orquestra usa clarinete, mas não trompetes ou tímpanos.

Beethoven

O Concerto No. 24, em dó menor, usa oboés e clarinetes. Como o solista seria o próprio Mozart, para a estreia ele não havia escrito totalmente a parte do solo. O concerto certamente impressionou o jovem Beethoven, que o teria tomado como modelo para o seu Concerto No. 3. Como disse o crítico Jerry Dubins, da Fanfare: Estou convencido que foi este concerto que fez com que Beethoven dissesse a Ferdinand Ries que apesar dele (Beethoven) ter estudado com Haydn, aprendera tudo o que precisava saber de Mozart. De qualquer forma, muito diferente de todos os outros concertos de Mozart, este é o que mais se aproxima de um concerto de Beethoven. O movimento final, mais uma vez, é um tema e variações. Nesta gravação, a cadenza do primeiro movimento é de Johann Nepomuk Hummel.

Complete Piano Concertos – Volume 5

Concerto No. 17 em sol maior, K. 453

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegretto

Concerto No. 18 em si bemol maior, K. 456

  1. Allegro vivace
  2. Andante un poco sostenuto
  3. Allegro vivace

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & Mátyás Antal

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FLAC | 212 MB

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MP3 | 320 KBPS | 140 MB

Complete Piano Concertos – Volume 4

Concerto No. 23 em lá maior, K. 488

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro assai

Concerto No. 24 em dó menor, K. 491

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegretto

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & Mátyás Antal

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FLAC | 198 MB

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MP3 | 320 KBPS | 122 MB

O amor está no ar!

Chegamos ao fim da jornada e como diria o tenor, la commedia è finita! Espero que esta série de postagens lhe aproxime do legado maravilhoso que é a obra de Mozart, em particular de seus concertos para piano. Faça como Miles Kendig, ouça Mozart!

René Denon

Gilberto Agostinho (1986): Quarteto Nº 1 e Suíte em Estilo Antigo

Gilberto Agostinho (1986): Quarteto Nº 1 e Suíte em Estilo Antigo

O texto de apresentação das duas obras de Gilberto Agostinho é do próprio compositor. Em 2011, época em que residia em Praga, ele publicou aqui no PQP duas peças de sua autoria (na verdade, eram umas cinco, mas… Lembram do trágico final do RapidShare? Triste, né, o Rapid deletou quase tudo). Hoje, ao que consta no SoundCloud de Gilberto, ele mora em Londres. Boa cidade, não?

E espero que não veja negativamente a republicação parcial deste post de que gosto tanto. Tenho óbvio afeto pela Suíte, mas minha preferência vai para o belo Quarteto.

PQP

.oOo.

Caros,

Para os que não me conhecem, meu nome é Gilberto dos Santos Agostinho Filho, nasci em São Paulo e tenho vinte e cinco anos (era 2011), e sou um estudante de composição e regência. Fui estudante de música na USP, mas o curso de composição me deixou muito insatisfeito. Ao mesmo tempo, eu frequentava aulas particulares de composição com o meu grande mestre, Mário Ficarelli. Após um ano e meio de estudo intensivo com ele, eu fui aprovado no Conservatório de Praga, na República Tcheca, onde eu estudo há três anos, e em breve eu irei iniciar meu curso na Academia de Artes de Praga.

E cá estou eu novamente me jogando na cova dos leões. Brincadeiras à parte, eu gostaria de apresentar algumas composições novas a vocês. De um ano e meio para cá, eu escrevo quase unicamente música dodecafônica. No começo, eu compunha em um estilo rigoroso, respeitando todas as regras propostas por Arnold Schönberg, mas com o passar do tempo eu desenvolvi uma visão pessoal desta técnica. Bem, mesmo o Schönberg quebrava suas próprias regras, então por que não ter uma visão renovada desta técnica composicional? Eu nunca me dei por satisfeito com o sistema tonal, sempre senti que é preciso um esforço desnecessário para evitar soluções triviais, e no final das contas este sistema está desgastado demais, e quase qualquer solução remete a algo já escrito. O sistema dodecafônico me deu a liberdade que eu tanto buscava, ao mesmo tempo que um estilo que muito me agrada.

Sobre estes arquivos de áudio, assim como a outra postagem das minhas músicas aqui no PQP, eles não são gravações feitas por instrumentistas reais, mas sim gravações “virtuais”, utilizando softwares de música. Mas a novidade é que eu estou utilizando uma nova tecnologia chamada “Virtual Studio Technology Instrument” (ou VSTi para os íntimos), que nada mais é do que uma gravação de um instrumento real, nota por nota, e não uma tentativa de replicar o som utilizando um sintetizador. Em termos mais simples: estes mp3 soam muito, mas muito melhor do que os anteriores!

Para finalizar, eu gostaria de escrever brevemente sobre cada uma das composições desta postagem. (Lembrem que só sobraram duas após o furacão que vitimou o RapidShare).

Quarteto de Cordas Nº 1

Este quarteto foi a minha primeira obra dodecafônica, mas continua sendo uma das minhas composições favoritas. É dividido em três movimentos, o primeiro sendo rápido, o segundo lento e o terceiro uma fuga tripla, sendo que um dos três temas desta fuga é o tema principal do primeiro movimento. Esta é uma obra dodecafônica escrita de uma maneira rigorosa, respeitando todas as regras propostas por Schöenberg.

Suite para Cravo e Violoncelo, em Estilo Antigo

Esta suite é uma obra nostálgica. Eu sou um grande admirador do período barroco, e também de música contrapontística de uma maneira geral, e por isto eu decidi me propor um desafio: será que eu ainda conseguiria escrever algo tonal e respeitando todas as regras do contraponto clássico? Pois bem, eis o resultado. Diga-se de passagem, esta obra é dedicada ao meu grande amigo Milton Ribeiro, que também tem um blog, o qual altamente recomendo. (Dizem que Milton Ribeiro ficou muito feliz com a dedicatória e com as citações da Oferenda Musical. Ele se sentiu o próprio Frederico II).

.oOo.

Acho que é isto então. Caso alguém tenha interesse em entrar em contato comigo, meu e-mail é gsagostinho@hotmail.com, seja para fazer críticas ou tecer elogios — o importante é o feedback. E, desde já, muito obrigado pelo interesse nas minhas composições. Eu espero que elas agradem a vocês.

Um grande abraço a todos,
Gilberto Agostinho

Quarteto de Cordas Nº 1

1 String Quartet No.1 – Molto andante, Adagio, Allegro
2 String Quartet No.1 – Lento assai
3 String Quartet No.1 – Fuga-Andante deciso

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Suite para Cravo e Violoncelo, em Estilo Antigo

1 Suite for Cello and Harpsichord – Overture
2 Suite for Cello and Harpsichord – Allemande
3 Suite for Cello and Harpsichord – Courant
4 Suite for Cello and Harpsichord – Sarabande
5 Suite for Cello and Harpsichord – Air
6 Suite for Cello and Harpsichord – Minuet
7 Suite for Cello and Harpsichord – Gigue

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Gilberto Agostinho (foto roubada de seu SoundCloud)

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750)- Suites Françaises – Blandine Rannou, Vladimir Ashkenazy

Hoje resolvi trazer uma possibilidade interessante para aqueles que se interessam pela música de Bach. Serão dois CDs recém lançados, interpretados por dois grandes músicos, mas cada um dentro de suas especificidades e características.
Vladimir Ashkenazy interpreta ao piano as mesmas Suítes Francesas que Blandine Rannou interpreta ao cravo. Sâo duas leituras diferentes, duas escolas bem diferentes.
O texto abaixo foi escrito por Blandine Rannou, e está no booklet do CD, e foi traduzido livremente por este que vos escreve.

“As primeiras cinco dessas ‘Suítes pour le clavessin’ (suítes para o cravo) abrem o “Clavierbüchlein für Anna Magdalena Bach” de 1722. As suítes também foram copiadas e recopiadas pelos alunos de Bach, estendendo assim sua influência para além do círculo familiar de Bach.É provável que ele pensasse nas suítes como peças de ensino, como as invenções, o cravo bem temperado e as seis partitas (designadas como “exercícios de clavier”). No entanto, as suítes dificilmente são simples exercícios ou estudos destinados a facilitar o progresso técnico e musical inconsciente em alunos mais ou menos capazes. São, sim, uma simples expressão do que era importante – e até mesmo crucial – para transmitir. Eles não devem ser considerados “sacrossantos” como tais. Seu propósito, desprovido de orgulho, era “edificar” no sentido arquitetônico; neles se encontram os valores que Bach desejava transmitir aos outros. Eles aspiram a quintessência em vez de simplificação. As suítes podem nos ajudar a entender quais elementos são importantes para transmitir.
O primeiro elemento a aparecer é a dança. As estruturas e fórmulas rítmicas da dança estão claramente presentes, constituindo essa linguagem comum e tranquilizadora derivada de uma tradição francesa difundida na Europa e já livre das contingências da ‘dance music’ propriamente dita. Eles, no entanto, sugerem que Bach desejava transmitir a ideia – até mesmo, por assim dizer, de fazer música para dançar. Era essencial conhecer as características de cada movimento de dança (ritmo, ritmo rítmico recorrente fórmulas, caráter geral, acentos para ser feito em pontos precisos, acordados), mas também para saber como jogar para a dança real. Faz parte do treinamento de um aluno aprender a usar a energia, transportar o ouvinte através do momento dinâmico e rítmico, esquecer a sonoridade por si só e aproveitar ao máximo o caráter percussivo do cravo.).
Mas o papel e propósito da música do século XVIII era, acima de tudo, comunicar emoção. Embora o jogador fosse naturalmente obrigado a assimilar a organização rítmica de um movimento de dança, era com a intenção de transmitir emoção. Essa emoção, carregada por um corpo dançante, poderia igualmente ser transmitida através de uma bela linha de canto. E este é provavelmente o segundo ponto importante a ser feito. Nestas suites, a emoção fala. Uma linguagem musical extremamente simples, até mesmo humilde, também pode ser generosa. Vai diretamente ao âmago da questão: as linhas simples de agudos e seus acompanhamentos de baixo cantam tão lindamente e com tal brilho que a emoção facilmente se faz sentir. Não estamos falando aqui de um mero fio – Bach não está escrevendo miniaturas: a música libera uma torrente de emoção poderosa e sincera. É importante para o intérprete enfatizar a linha de canto que transmite o Affekt de cada peça através da linguagem específica do cravo, com seu som colorido e rico reforçado por um “baixo fundamental”; encontrar maneiras de realçar a polifonia implícita e experimentar ornamentos e repetições variadas. E gradualmente a melodia, carregando a emoção e em si carregada pela dança, forma uma organização hierárquica, como a fala discurso. O prazer de “cantar” é, assim, agravado com o prazer de “falar”: pode-se criar relações entre notas através de acentuação, fazer conexões retóricas e desenvolver articulação. Assim, o uso de peças de dança transporta corpo, coração e mente para planos superiores, refletindo o mais alto grau de uma cultura implícita, sem nunca cair na armadilha da música objetiva, intelectual e austera, nem na de um personagem leve e frívolo, enquanto também evita a emoção fácil por si mesma. A lição a ser aprendida dessas suítes francesas concebidas pedagogicamente é, talvez, a necessidade de se deixar dançar, cantar e falar. Essa música maravilhosa, altamente realizada (embora algumas vezes subestimada) alcança seus objetivos através da realidade concreta do instrumento, sem procurar transcendê-lo ou evocar outros mundos sonoros. Aqui está um cravo simples, mas poderoso.”
Depois desta verdadeira aula sobre como interpretar nossas queridas Suites Francesas, não temos outra opção a não ser ouvi-las. Volto a salientar que não é para definir quem é melhor ou pior, trata-se apenas de uma postagem para mostrar a riqueza da música de Bach.

Espero que apreciem a experiência.

01. Suite No.1 in D minor, BWV 812 – I. Allemande
02. Suite No.1 in D minor, BWV 812 – II. Courante
03. Suite No.1 in D minor, BWV 812 – III. Sarabande
04. Suite No.1 in D minor, BWV 812 – IV. Menuet I & II
05. Suite No.1 in D minor, BWV 812 – V. Gigue
06. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – I. Allemande
07. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – II. Courante
08. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – III. Sarabande
09. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – IV. Air
10. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – V. Menuet
11. Suite No.2 in C minor, BWV 813 – VI. Gigue
12. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – I. Allemande
13. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – II. Courante
14. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – III. Sarabande
15. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – IV. Menuet I & II
16. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – V. Gavotte
17. Suite No.3 in B minor, BWV 814 – VI. Gigue
18. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – I. Allemande
19. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – II. Courante
20. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – III. Sarabande
21. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – IV. Gavotte
22. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – V. Air
23. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – VI. Menuet
24. Suite No.4 in E flat major, BWV 815 – VII. Gigue
25. Suite No.5 in G major, BWV 816 – I. Allemande
26. Suite No.5 in G major, BWV 816 – II. Courante
27. Suite No.5 in G major, BWV 816 – III. Sarabande
28. Suite No.5 in G major, BWV 816 – IV. Gavotte
29. Suite No.5 in G major, BWV 816 – V. Bourrée
30. Suite No.5 in G major, BWV 816 – VI. Loure
31. Suite No.5 in G major, BWV 816 – VII. Gigue
32. Suite No.6 in E major, BWV 817 – I. Allemande
33. Suite No.6 in E major, BWV 817 – II. Courante
34. Suite No.6 in E major, BWV 817 – III. Sarabande
35. Suite No.6 in E major, BWV 817 – IV. Gavotte
36. Suite No.6 in E major, BWV 817 – V. Menuet – Polonaise
37. Suite No.6 in E major, BWV 817 – VI. Bourrée
38. Suite No.6 in E major, BWV 817 – VII. Petit Menuet
39. Suite No.6 in E major, BWV 817 – VIII. Gigue

Vladimir Ashkenazy – Piano

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CD 1

01. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 I. Allemande
02. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 II. Courante
03. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 III. Sarabande
04. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 IV. Gavotte
05. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 V. Bourrée
06. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 VI. Loure
07. Suite française No. 5 in G Major, BWV 816 VII. Gigue
08. Suite française No. 1 in D Minor, BWV 812 I. Allemande
09. Suite française No. 1 in D Minor, BWV 812 II. Courante
10. Suite française No. 1 in D Minor, BWV 812 III. Sarabande
11. Suite française No. 1 in D Minor, BWV 812 IV. Menuet I & II
12. Suite française No. 1 in D Minor, BWV 812 V. Gigue
13. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 I. Allemande
14. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 II. Courante
15. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 III. Sarabande
16. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 IV. Anglaise
17. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 V. Menuet – Trio
18. Suite française No. 3 in B Minor, BWV 814 VI. Gigue

CD 2

01. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 I. Allemande
02. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 II. Courante
03. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 III. Sarabande
04. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 IV. Gavotte
05. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 V. Menuet
06. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 VI. Air
07. Suite française No. 4 in E-Flat Major, BWV 815 VII. Gigue
08. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 I. Allemande
09. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 II. Courante
10. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 III. Sarabande
11. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 IV. Air
12. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 V. Menuet
13. Suite française No. 2 in C Minor, BWV 813 VI. Gigue
14. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 I. Allemande
15. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 II. Courante
16. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 III. Sarabande
17. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 IV. Gavotte
18. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 V. Polonaise
19. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 VI. Menuet
20. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 VII. Bourrée
21. Suite française No. 6 in E Major, BWV 817 VIII. Gigue

Blandine Rannou – Harpsichord

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J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 140 & BWV 147

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 140 & BWV 147

Duas Cantatas de Bach. Ambas bem famosas. A BWV 140 por ser muito bonita e a 147 em razão do Coral “Jesus, Alegria dos Homens”. A competência de Gardiner e sua turma é notável.

Uma de minhas Cantatas preferidas, Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 140, foi estreada em 25 de novembro de 1731 na Thomaskirche em Leipzig. Escrita para trompa, 2 oboés, taille (um instrumento semelhante ao oboé da caccia, hoje muitas vezes substituído por um corne inglês), violino piccolo, violino, viola, baixo contínuo, e coro com soprano, tenor e baixo solistas. Esta cantata é baseada no coral do mesmo nome de Philipp Nicolai. Este hino luterano continua popular hoje, tanto em seu original alemão como em uma variedade de traduções. O texto se baseia na parábola das dez virgens (Mateus 25:1-13), é uma leitura programada no hinário luterano para o 27º domingo após a Trindade, como este domingo ocorre somente no ano da igreja, quando a Páscoa é muito cedo, a cantata é executada raramente. A raridade da ocasião para a qual foi composta faz dela uma das poucas cantatas cuja data de composição e primeira execução é conhecida.

Herz und Mund und Tat und Leben, em alemão), BWV 147, foi composta por ocasião da festa da Visitação da Virgem Maria em Leipzig, em 2 de julho de 1723, embora já existisse numa versão anterior, ligeiramente diferente, de 1716. Apesar de ter a numeração BWV 147 no catálogo completo de suas obras, foi, na verdade, a 32ª cantata composta por Bach — entre as que sobreviveram. Bach escreveu um total de 200 cantatas durante sua estada em Leipzig, principalmente para atender à demanda das igrejas locais, que era de quase 60 cantatas diferentes por ano. Esta cantata é uma das mais célebres de Bach, em especial, o décimo movimento (repetição do sexto, com outro texto), conhecido como Jesus bleibet meine Freude (“Jesus, alegria dos homens”).

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 140 & BWV 147

Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme (Cantata For The 27th Sunday After Trinity), BWV 140
1 Chorale: Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme 6:17
2 Recitative: Er Kommt, Er Kommt, Der Bräut’gam Kommt! 0:52
3 Aria Duet: Wann Kommst Du, Mein Heil? (Adagio) 5:32
4 Chorale: Zion Hört Die Wächter Singen 3:49
5 Recitative: So Geh Herein Zu Mir 1:27
6 Aria Duet: Mein Freund Ist Mein 5:03
7 Chorale: Gloria Sei Dir Gesungen 1:35

Herz Und Mund Und Tat Und Leben (For The Feast Of The Visitation Of The Virgin Part One), BWV 147
8 Chorus: Herz Und Mund Und Tat Und Leben 4:00
9 Recitative: Gebenedeiter Mund! 1:45
10 Aria: Schäme Dich, O Seele, Nicht 3:14
11 Recitative: Verstockung Kann Gewaltige Verblenden 1:35
12 Aria: Bereite Dir, Jesu, Noch Itzo Die Bahn 4:30
13 Chorale: Wohl Mir, Dass Ich Jesum Habe 2:28

Herz Und Mund Und Tat Und Leben (For The Feast Of The Visitation Of The Virgin Part Two), BWV 147
14 Aria: Hilf, Jesu, Hilf, Dass Ich Auch Dich Bekenne 3:18
15 Recitative: Der Höchsten Allmacht Wunderhand 2:15
16 Aria: Ich Will Von Jesu Wunder Singen 2:33
17 Chorale: Jesus Bleibet Meine Freude 2:27

Soprano: Ruth Holton
Counter-tenor: Michael Chance
Tenor: Anthony Rolfe-Johnson
Bass: Stephen Varcoe
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner

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Gardiner: um dos maiores mensageiros de Bach em nosso mundo

PQP

Max Bruch (1838-1920) – Violin Concerto nº 2, Scottish Fantasy – Itzhak Perlman, Lópes-Cobos, New Philharmonia Orchestra

Esta bela coleção intitulada ‘EMI Perlman Edition’ mostra uma parte da produção fonográfica do violinista, que não é pequena. Ele já circulou pelas principais gravadoras, sempre com grande qualidade e competência.

Já nos primeiros compassos deste Segundo Concerto para Violino de Max Bruch sentimos que o músico está se jogando de corpo e alma em sua execução. Pungente, dolorido, sofrido, estas são as primeiras sensações que temos quando ouvimos esta obra. Estamos  tão acostumados com o Primeiro Concerto que esquecemos o quão belo é o Segundo Concerto.

E o que dizer da ‘Scottish Fantasy’, imortalizada por David Oistrakh? Lembro que estas gravações foram realizadas lá nos anos 70, e Perlman já era um dos grandes nomes do violino, e este registro só veio confirmar o que todos já sabiam.

Mas estou fazendo uma pequena incursão no meu acervo pessoal de gravações deste gigante do violino chamado Itzhak Perlman. Já trouxe dia destes o Concerto de Brahms, e hoje vamos de Bruch, quem sabe daqui há alguns dias trago alguma outra gravação dele. Quem viver, verá.

01 – Violin Concerto No. 2 In D Minor Op. 44 – 1. Adagio Ma Non Troppo
02 – Violin Concerto No. 2 In D Minor Op. 44 – 2. Recitative (Allegro Moderato)
03 – Violin Concerto No. 2 In D Minor Op. 44 – 3. Finale (Allegro Molto)
04 – Scottish Fantasy Op. 46 – Einleitung (Grave)
05 – Scottish Fantasy Op. 46 – 1. Adagio Cantabile
06 – Scottish Fantasy Op. 46 – 2. Allegro
07 – Scottish Fantasy Op. 46 – 3. Andante Sostenuto
08 – Scottish Fantasy Op. 46 – 4. Finale (Allegro Guerriero)

Itzhak Perlman – Violin
New Philharmonia Orchestra
Jesus Lópes-Cobos – Conductor

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.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!

Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps

1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07

Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums

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Clássico
Clássico

PQP

Richard Wagner (1833- 1883) – Die Feen – Kurt Moll, Linda Esther Gray, June Anderson, etc., BRSO, Sawalish

Se vivo fosse, Richar Wagner estaria completando hoje, dia 22 de maio, 206 anos. Por isso, estamos começando mais uma epopéia operística.

Mais uma vez eu, FDPBach, e Ammiratore estamos embarcando em uma longa jornada, e trazendo para os senhores três obras que nunca apareceram por aqui, são três óperas wagnerianas pouco conhecidas e encenadas: “Die Feen”, “Das Liebesverbot” e “Rienzi”.

O responsável pela execução é Wolfgang Sawalish, um dos grandes nomes da regência do século XX. E estes registros foram todos realizados ao vivo, em 1983, no Bayerischer Rundfunk  Nationaltheater München, com a orquestra e coro locais, e grandes solistas, experientes no repertório wagneriano.

Vamos começar com ‘Die Feen’, traduzindo, ‘As Fadas’. Mais do que apenas experimentos e devaneios juvenis, duzentos anos após o nascimento de Richard Wagner (1813-1883), seus primeiros três trabalhos para o palco ainda não encontraram um lugar fixo no repertório dos grandes teatros. Contudo, ter este fato em comum não podemos desmerecer o enredo de Die Feen, Das Liebesverbot e Rienzi. Para aqueles que gostam de histórias do início da carreira dos grande mestres pode, sim, ser agradável a audição destas primeiras óperas. Elas trazem a coerência inicial que todo grande gênio tem: inicia a carreira com os padrões existentes, experimenta novas fórmulas, apanha da crítica “especializada”, e acaba por desenvolver a sua própria linguagem.

Em vida Wagner nunca viu uma performance completa de “Die Feen” (1833). Ela só foi representada por completo cinco anos após a morte do compositor, em Munique no Königliches Hof-und Nationaltheater no dia 29 de Junho de 1888, e hoje em dia ela é representada geralmente em festivais dentro da Alemanha. Martin Kettle, escrevendo no The Guardian, disse que “nunca será uma obra de repertório, mas é um trabalho unificado com uma faísca de música poderosa e talentosa”. Nada mais romântico, trabalho da juventude, mas é um trabalho pessoal a música desta obra. Muitas passagens já trazem a marca do gênio, são curtos clarões fulgurantes que atravessam a banalidade da partitura e projetam raios que irão iluminar o futuro do jovem Wagner.

O libreto é do próprio Wagner, então um garoto de vinte anos, e tem como base a fabula do veneziano Carlo Gozzi (1720-1806) (La donna serpente). Na década de 1830 na Alemanha havia inúmeras dificuldades para compositores de ópera, a principal era a falta de libretistas de qualidade, provavelmente um dos motivos para que Wagner escrevesse o libreto por conta própria.

A primeira ópera de Wagner segue a tradição da ópera de contos de fadas, em moda no início da primeira metade do século XIX na Alemanha. Ada, metade fada, metade mortal, casa-se com Arindal, rei de Tramond, a quem é dito que não pergunte seu nome. Ele pergunta, no entanto, e seu reino mágico desaparece. Para se juntar a ele, ela deve julgá-lo em uma série de testes em que ele não tem sucesso, deixando-a transformada em pedra por cem anos. Como Orfeu, ele a traz à vida do submundo pelo poder da música e vive com ela depois no país das fadas. Wagner teria dito em suas memórias: “Meu texto para ópera Die Feen foi escrito após uma leitura do trabalho de Gozzi. Então o estilo operístico em voga era precisamente a ópera romântica de Weber. Este fato me estimulou para a imitação do estilo. O que eu escrevi não foi nada mais e nada menos do que eu queria: o texto para uma ópera, com toda a influência no aspecto musical de Beethoven, Weber e Marschner ( que foi injustamente rotulado como sendo apenas um imitador de Weber). No entanto, para mim a história de Gozzi não me seduziu apenas por ser um texto muito adequado para uma ópera, mas porque a idéia principal me atraiu tremendamente. Uma ondina que renuncia a imortalidade por amor de um homem….. Na história de Gozzi a ondina se torna uma serpente; o amante arrependido irá recuperá-la em forma de uma mulher, beijando a serpente. Eu preferi mudar esse final para uma fada transformada em pedra. A minha música se harmonizou no conjunto do trabalho, agora eu vejo claramente que aqui foi plantada uma semente importante de toda a minha evolução. ” Podemos dizer que este é o primeiro sinal de gênio, graças ao poder da música: os temas em que um herói traz sua amada petrificada de volta à vida, motivos de redenção por amor são caro nas óperas de Wagner.

Die Feen costuma ser definida como uma obra de um Richard Wagner imaturo, distante daquele que comporia a Tetralogia do Anel. Tendemos a discordar, mesmo que o rótulo de imaturidade tenha sido assumido pelo próprio compositor, manifestado pelo desleixo que posteriormente dedicou à sua obra. Os elementos seminais dos seus maiores trabalhos já se manifestam na singela partitura de As Fadas, principalmente no tangente à influência que este buscara no escritor e dramaturgo veneziano Carlo Gozzi, que lhe inspirou não apenas no libreto, mas em toda estética dramática e na forte inclinação para a relação entre Mito e Contos de Fadas entrelaçados em um enredo característico da Literatura Fantástica. Depois, há a questão da técnica do leitmotif que Wagner está desenvolvendo lentamente. Existem tendências nessa direção, como na ideia melódica que aparece pela primeira vez na abertura para Die Feen e que então domina a rápida e conclusiva seção de Ada na ária no segundo ato. É natural que artistas sintam reservas em relação às suas primeiras obras, contudo, parece existir outro motivo da aversão de Wagner à sua primeira ópera composta. Se, para tirarmos um instantâneo de Wagner aos 20 anos, olharmos bem detidamente o argumento de seu libreto, explorado até o fim, veremos em Die Feen uma ópera cujo herói não se constrange em abandonar sua pátria para seguir seu amor, e, então, estupefatos esbarramos com o grande paradoxo que posteriormente se formara na mente de um Wagner zeloso de seu nacionalismo. Como poderia ele escrever sobre um herói germânico que larga seu reino para viver em terras estrangeiras? Talvez por isso o mestre tenha ignorado em vida esta obra.

Wolfgang Sawallisch iniciou o trabalho de gravação desta ópera que compartilhamos com os amigos do blog em 1983, quando ele era o maestro e diretor da Ópera Estatal  da Baviera, e queria produzir todos os treze trabalhos de Wagner. O que interessou mais Sawallisch foi o equilíbrio dos primeiros trabalhos de Wagner. Porque tornou-se um desafio transmitir para uma audiência no século 20 o gênero da ópera de contos de fadas. O maestro tomou as liberdade de fazer cortes nos recitativos ou em textos falados, onde no contexto da história nada de relevante é contado, querendo dar maior dinâmica à música. Quanto aos papéis centrais da soprano: Linda Esther Gray, ela no papel de Ada, foi realmente bem sucedida. June Anderson estava no começo de uma longa carreira internacional e como Lora demonstrou soberbamente como ela era perfeitamente adequada para papéis de soprano lírico com coloratura. Cheryl Studer (Drolla) também cantou na Opera do Estado da Baviera por várias décadas. O papel de Arindal, John Alexander, já tinha cantado o papel na Ópera de Nova York e foi bom interprete neste papel. Kurt Moll com sua bonita voz da vida ao Rei das Fadas.
Vamos então a uma pequena sinopse do primeiro dos três “pecados da juventude”, de Wagner.

Die Feen
Sinopse
Eventos anteriores: Arindal, rei de Tramond, encontra uma bonita corça enquanto caça e a segue a noite. Finalmente, junto com seu criado Gernot, entra no misterioso reino das fadas onde, em vez de achar a corça, encontra a linda fada Ada. Os dois se apaixonam instantaneamente. Arindal se casa com Ada sob a condição de que, por oito anos, ele não pergunte quem ela é. Passam os anos e nascem dois filhos. Pouco antes do vencimento do período estipulado para não fazer perguntas, Arindal não resiste e faz a pergunta proibida: ele é instantaneamente separado de Ada e, junto com seu servo Gernot, é removido do reino das fadas e são jogados em uma área desolada e rochosa. Ada , no entanto, não está preparada para renunciar ao amor de Arindal; por sua causa, ela pretende deixar o reino das fadas e tornar-se uma mortal. O rei das fadas, no entanto, atribui novas provas para que Arindal cumpra e mostre ser digno e merecedor do sacrifício de Ada.

CD1
Obertura
Primeiro ato
Farzana e Zemina invocam os espíritos e fadas do reino para tentar separar Ada de Arindal e mantê-la no reino das fadas. Servo de Arindal, Gernot, se encontra com Gunther e Morald na corte de Tramond. Eles partem a procura de Arindal depois que seu pai morreu de tristeza por acreditar que seu filho estivesse para sempre perdido. Seu arqui-inimigo, Harald, trouxe guerra contra a terra e quer casar com Lora, a irmã de Arindal e noiva de Morald. Arindal vagueia à procura de sua amada Ada. Para convencer  ele a retornar a Tramond, Gernot conta uma história da bruxa malvada Dilnovaz a fim de apontar para Arindal que Ada não é outra senão uma bruxa malvada e que a separação dela deve consequentemente, ser visto como boa sorte. Quando Morald relata o que aconteceu em Tramond desde o desaparecimento de Arindal, ele irremediavelmente se prepara para voltar a Tramond com seus companheiros. No entanto, antes deles voltarem, Arindal é mais uma vez levado ao reino das fadas. Ada aparece para o deleite de Arindal. Ela exige que ele jure não amaldiçoar o próximo dia, aconteça o que acontecer. Arindal jura.

CD2
Segundo ato

Lora, pressionada pelos inimigos de Tramond, aguarda o retorno de Morald. A felicidade parece perfeita quando Morald finalmente chega com Arindal. Gernot e sua amada Drolla, serva de Lora, celebram o encontro depois de oito anos de separação. Ada, entre o reino das fadas e o mundo humano, fiel ao seu amor, escolhe o caminho para Arindal; ela corre o risco de ser transformada em pedra por cem anos, caso Arindal quebrar seu juramento. De acordo com as condições impostas pelo rei das fadas, Ada agora aparece a Arindal como uma mãe brutal que de repente empurra seus filhos para um abismo ardente, e como uma traidora e inimiga do povo e da terra de Arindal, iniciando em uma guerra devastadora. Arindal, assim provocado, amaldiçoa Ada. Imediatamente, as ações de Ada revelam-se a terem sido uma ilusão, uma prova de fidelidade a palavra dada, porém a magia a transforma em pedra, Arindal fica desesperado.

CD3
Terceiro ato

Morald e Lora governam Tramond desde que Arindal se foi e vagueia inquieto. O mago Groma, um amigo antigo dos governantes de Tramond, pede a Arindal que liberte Ada. Farzana e Zemina apoiam-no na crença de que a tentativa de Arindal de libertar Ada será o seu fim. A voz de Groma, que deu a Arindal um escudo, espada e lira, lidera sua luta contra os espíritos da terra e os homens desonestos. Finalmente, Ada está livre da petrificação pelo som da lira. Ada e Arindal vivem felizes para sempre; no entanto, o reino das fadas não renuncia a Ada, mas eleva Arindal à imortalidade.

CD 1
01. Ouverture
02. Feengarten Introduktion (Chor der Feen)
03. Rezitativ (Farzana, Zemina) – Chor der Geister und Feen
04. Wilde Ein.de mit Felsen Szene und Rezitativ (Gunther, Morald, Gernot) – Gerno
05. Arie (Arindal)
06. Rezitativ (Gernot, Arindal)
07. Romanze (Gernot)
08. Quartet (Arindal, Gunther, Gernot, Morald) Finale I
09. Rezitativ (Arindal)
10. Feengarten mit gl.nzendem Palast Cavatina (Ada)
11. Rezitativ und Duet (Ada, Arindal)
12. Szene (Ensemble und Chor)

CD 2

01. Introduktion (Chor der Krieger und des Volkes, Lora)
02. Arie (Lora) – Szene (Bote, Lora, Chor)
03. Chor und Terzett (Lora, Arindal, Morald)
04. Rezitativ (Gernot, Gunther) – Duett (Drolla, Gernot)
05. Rezitativ (Ada, Farzana, Zemina)
06. Szene und Arie (Ada)
07. Finale II (Chor des Volkes und der Krieger, Lora, Drolla, Arindal, Gunther)

CD 3

01. Introduktion (Chor, Morald, Lora, Drolla, Gunther, Gernot)
02. Szene und Arie (Arindal)
03. Szene (Stimmen Adas und Gromas; Farzana, Zemina)
04. Terzett (Arindal, Farzana, Zemina)
05. Szene (Chor der Erdgeister, Arindal, Farzana, Zemina, Gromas Stimme, Chor von
06. Schlussszene (Feenk.nig, Arinda, Chor der Feen und Geister)

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Personagens e intérpretes

Rei das fadas – Kurt Moll
Ada, uma fada – Linda Esther Gray
Farzana (fada) – Kari Lovaas
Zemina (fada) – Krisztina Laki
Arindal, rei de Tramond – John Alexander
Lora, sua irmã – June Anderson
Morald, seu amante e amigo de Arindal – Roland Hermann
Gernot, caçador e amigo de Arindal – Jan-Hendrik
Drolla, serva de Lora – Cheryl Studer
Gunther, cortesão – Norbert Orth
Harald, comandante de Arindal – Karl Helm
Um mensageiro – Fried Lenz rico
A voz do mago Groma – Roland Bracht

Coro do Bayerischer Rundfunk
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Regente: Wolfgang Sawallisch

Olá Senhora Fada, sou o Richard à sua disposição !

FDPBach e Ammiratore

W. A. Mozart (1756 – 1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 4 de 5

W. A. Mozart (1756 – 1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 4 de 5
The Miles Kendig Post 4

Wolfgang Amadeus Mozart Integral dos Concertos para Piano

Jenö Jandó

Esta postagem, a quarta de uma série de cinco, é dedicada à lembrança de Miles Kendig.

Quando precisa dirigir, mesmo que em estradas sinuosas dos Alpes, ou nos arredores de Londres, Miles Kiling não deixa de levar seus cassettes com concertos para piano de Mozart. Ingrid Haebler e Géza Anda são alguns de seus intérpretes preferidos.

Hopscotch – O universo de Miles Kendig
Jenö Jandó

Jenö Jandó, nosso guia por esta jornada aos Concertos para piano de Mozart é ótimo pianista húngaro. Versatilíssimo, ajudou a construir boa parte do catálogo da gravadora Naxos. O homem produziu a Integral das Sonatas para piano de Beethoven, de Haydn, de Schubert. O que Wilhelm Kempff fez para a Deutsche Grammophon, ele fez para a Naxos e sempre com competência e sensibilidade.

Acredito ainda que, deste período de construção do catálogo da Naxos, sua contribuição maior, mais duradoura, tem sido essa série de Concertos para Piano de Mozart. As gravações do Jenö Jandó, acompanhado pela Concentus Hungaricus, regida por Mátyás Antal ou András Ligeti, vale a nota e a divulgação. Todas as gravações foram feitas no Instituo Italiano de Budapeste, entre 1989 e 1991, com a produção de Ibolya Tóth.

A partir de 1781, quando Mozart se mudou para Viena, os concertos para piano ganharam um papel de destaque (ao lado das óperas) entre as suas composições. O concerto para piano era o veículo ideal para que ele se apresentasse como solista e compositor.

Alguma informação sobre os concertos desta postagem:

Os Concertos Nos. 11, 12 e 13 fazem parte de um conjunto de três e foram os primeiros produzidos em Viena. O Concerto No. 13, em dó maior, K. 415 aproxima-se bastante das sinfonias escritas em dó maior, num estilo pomposos e formal, com ritmos militares e passagens de virtuosismo. São estes os concertos sobre os quais Mozart dizia nas cartas a seu pai serem uma média acertada entre o excessivamente fácil e o excessivamente difícil.

Os Concertos No 15, em si bemol maior, K. 450 e No. 16, em ré maior, K. 451 foram escritos em 1784 para apresentações do próprio Mozart. Em carta de 26 de maio, para seu pai, ele fala desses dois concertos que fazem suar. No concerto No. 15 os sopros rebem um tratamento mais elaborado.  O Concerto No. 16, em ré maior, K. 451, escrito em uma tonalidade tradicionalmente brilhante, tem a orquestra acrescida de trompetes e tímpanos.

No início de 1875 Mozart compôs dois concertos para piano – os Concertos Nos. 20 e 21 não poderiam ser mais diferentes. O Concerto No. 20, em ré menor, K. 466 é o primeiro concerto a ser escrito em tonalidade menor e só haveria mais um, também escrito em tonalidade menor, o Concerto No. 24, em dó menor, K. 491. O Concerto No. 20, em ré menor, tem os mesmos ares da ópera Don Giovanni, e também do Réquiem. Ele começa com um tema sombrio nas cordas, estabelecendo um ar fatídico (dämonisch, dizem os alemães) que ajudou a tornar este um dos concertos de Mozart preferido pelos jovens românticos (mesmo os que não sabiam serem românticos). Beethoven o mantinha em seu repertório. Nesta gravação, Jenö Jandó usa as cadenzas de Beethoven.

Os Concertos Nos. 20 e 21 dão um passo avante em relação aos anteriores (só Mozart para melhorar a perfeição). Antes o solista e o tutti dividiam o mesmo material temático. Aqui temos uma nova relação estabelecida entre o solista e a orquestra.  O movimento final, um Rondo allegro assai, é lançado por uma figura chamada o foguete de Mannheim.  Para as pessoas de nossa época a palavra foguete está associada a artefatos espaciais e coisas assim, mas aqui estamos mais para fogos de artifício. Mas essa figura é bastante presente em peças desta época, com o início do quarto movimento da Sinfonia No. 40 ou o primeiro movimento da Sonata para piano, No. 1, Op. 2, 1, de Beethoven.

O Concerto No. 25, em dó maior, K 503 é contemporâneo da Sinfonia No. 38, Praga, K. 504. O Concerto inicia em tons marciais, como o Concerto No. 5, de Beethoven. O primeiro movimento tem proporções bem sinfônicas e seus ritmos de marcha lembram a Marseillaise, que ainda não havia sido composta. Johann Nepomuk Hummel, do lindíssimo Concerto para trompete, tinha esse concerto em alta conta. A gravação deste concerto feita por Stephen Kovacevich e Colin Davis é um primor e em momento oportuno poderá surgir por aqui.

Complete Piano Concertos – Volume 1

Concerto No. 20 em ré menor, K. 466

  1. Allegro
  2. Romance
  3. Allegro assai

Concerto No. 13 em dó maior, K. 415

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Rondeau: Allegro

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & András Ligeti

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MP3 | 320 KBPS | 128 MB

 

Complete Piano Concetos – Volume 7

Concerto No. 25 em dó maior, K. 503

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Allegretto

Concerto No. 16 em ré maior, K. 451

  1. Allegro assai
  2. Andante
  3. Allegro di molto
  4. Rondo em lá maior, K. 386

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & Mátyás Antal

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FLAC | 234 MB

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MP3 | 320 KBPS | 140 MB

Espero que esta série de postagens lhe aproxime do legado maravilhoso que é a obra de Mozart, em particular de seus concertos para piano. Faça como Miles Kendig, ouça Mozart!

René Denon

Abbado Pollini – The Complete Recordings – Johannes Brahms – Piano Concertos – CDs 4, 5 e 6 de 8

Seguindo com a postagem desta super caixa da Deutsche Grammophon encontramos agora as gravações que a dupla Abbado / Pollini realizou dos Concertos para Piano de Brahms. São três CDs pois o sexto CD traz a gravação lá de 1977.  Como a proposta da caixa é reunir todas as gravações que a dupla realizou juntos, nada mais justo que trazer aquela reunião. Só muda a orquestra, a recente nos tempos de Abbado a frente da Filarmônica de Berlim, a velha, frente a Filarmônica de Viena.

Nem preciso falar da qualidade. Temos aqui dois dos maiores músicos do novo e do velho século. A diferença entre as gravações obviamente é a idade e a maturidade que os músicos adquiriram no decorrer daqueles vinte anos. Como diria nosso querido e saudoso Carlinus, espero que tenham uma boa apreciação.

CD 4

01 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 I. Maestoso
02 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 II. Adagio
03 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 III. Rondo Allegro non tropo

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CD 5

01 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 I. Allegro non troppo (1995)
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 II. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 III. Andante
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 IV. Allegretto grazioso

Maurizio Pollini – Piano
Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado – Conductor

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CD 6

01 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 I. Allegro non troppo (1977)
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 II. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 III. Andante
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 IV. Allegretto grazioso

Maurizio Pollini – Piano
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado – Conductor

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Francis Poulenc / Darius Milhaud / Robert Casadesus: Concertos para 2 Pianos e Orquestra

Francis Poulenc / Darius Milhaud / Robert Casadesus: Concertos para 2 Pianos e Orquestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belo disco de concertos alegres tocados pelos 20 dedos do Duo Genova e Dimitrov. Os compositores deste disco, cheios de um espírito audaciosamente inventivo em suas peças, fazem-nas transbordar de melodias cativantes e vividamente orquestradas. As obras são veículos notáveis ​​que todo duo de virtuoses de piano deveria explorar e Aglika Genova e Liuben Dimitrov fazem-no com todo o brilhantismo. O Concerto de Poulenc para dois pianos e orquestra é o mais conhecido dos três, um tour de force neoclássico que brilha com humor parisiense, mas evoca Mozart em muitas passagens, mais abertamente no Larghetto. O Concerto de Milhaud para dois pianos e orquestra é mais esquisito, com numerosas referências aos salões parisienses e às procissões de rua. Suas abundantes dissonâncias fazem dele a peça mais picante do disco. O Concerto para dois pianos e orquestra de Robert Casadesus é, sem surpresa, profundamente influenciado por Ravel em sua orquestração efervescente, mas a parte de piano solo tem algumas das mesmas inflexões populares encontradas em Milhaud. O SWR Rundfunkorchester Kaiserslautern, dirigido por Alun Francis, oferece um acompanhamento esplêndido. Genova e Dimitrov são excepcionalmente coordenados e expressivos. A CPO, como sempre, oferece excelente qualidade sonora.

Francis Poulenc / Darius Milhaud / Robert Casadesus: Concertos para 2 Pianos e Orquestra

Concerto For Two Pianos & Orchestra In D Minor
Composed By – Francis Poulenc
(17:14)
1 Allegro Ma Non Troppo 7:03
2 Larghetto 5:07
3 Finale 5:17

Concerto For Two Pianos & Orchestra
Composed By – Darius Milhaud
(17:03)
4 Animé 5:04
5 Funèbre 7:45
6 Vif Et Précis 4:25

Concerto For Two Pianos & Orchestra Op. 17
Composed By – Robert Casadesus
(19:25)
7 Allegro Giocoso 8:06
8 Allegretto – Intermezzo 4:59
9 Vivo Non Troppo 6:24

Piano Duo Genova & Dimitrov
SWR-Rundfunk-Orchester Kaiserslautern
Alun Francis

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O alegre duo Genova & Dimitrov.

PQP

Johannes Brahms (1833-1897) – Violin Concerto, Hungarian Dances – Perlman, Baremboim, Ashkenazy, BPO

O maior e mais belo Concerto para Violino está em muito boas mãos aqui, com Itzhak Perlman perfeito na sua execução, inclusive a considero esta gravação superior àquela realizada lá nos anos 70 com Giulini (trata-se de uma opinião pessoal, é claro, mas há quem concorde comigo). Claro que entrou nessa fórmula a maturidade profissional e musical deste incrível músico adquirida no correr dos anos. O violino de Perlman flui com uma incrível naturalidade, sem maiores problemas ou obstáculos. Outra escolha interessante de Perlman é a da cadenza, aqui escrita pelo famoso violinista Joseph Joachim, amigo pessoal do compositor e primeiro intérprete da obra.
Daniel Baremboim faz sua parte com a competência de sempre, desta vez tendo a poderosa Filarmônica de Berlim sob seu controle.
Além de mostrar todo o seu virtuosismo e técnica no Concerto, Perlman nos brinda com a execução de algumas Danças Húngaras, acompanhado por outro grande nome, Vladimir Ashkenazy, bem conhecido daqui do PQPBach.
Só tem gente grande aqui, queridos. Espero que apreciem. Eu gostei muito desta gravação.

01 – Violin Concerto in D Op. 77 – I. Allegro Non Troppo
02 – Violin Concerto in D Op. 77 – II. Adagio
03 – Violin Concerto in D Op. 77 – III. Allegro Giocoso, Ma Non Troppo Vivace

Itzhak Perlman – Violin
Berliner Philharmoniker
Daniel Baremboim – Conductor

04 – Sonatensatz In C Minor – Scherzo
05 – Hungarian Dances – No. 1 In G Minor
06 – Hungarian Dances – No. 2 In D Minor
07 – Hungarian Dances – No. 7 In A Major
08 – Hungarian Dances – No. 9 In E Minor

Itzhak Perlman – Violin
Vladimir Ashkenazy

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Walton / Bloch / Ligeti / Britten: Peças para Violoncelo e Orq. de Câmara e Violoncelo Solo

Walton / Bloch / Ligeti / Britten: Peças para Violoncelo e Orq. de Câmara e Violoncelo Solo

O concerto de Walton foi encomendado pelo violoncelista russo Gregor Piatigorsky, cuja reputação como intérprete foi tal que a ele foram dedicadas obras de ninguém menos do que Stravinsky, Prokofiev e Hindemith. Embora o concerto não tenha sido muito bem recebido pelos críticos após a sua primeira apresentação, é o resultado da singular sensibilidade estética de Walton — um romantismo antiquado no período do pós-guerra. O desempenho de Wispelwey desloca-se sem esforço através das fortes passagens rítmicas e dos momentos de serenidade exigidos pela composição. O CD também inclui três composições para violoncelo solo: a Suíte Nº 1 de Bloch, a Sonata de Ligeti para violoncelo solo e a Passacaglia de Walton. A função se encerra com a Ciaccona de Britten, que deixa claro porque Wispelwey é considerado um dos principais intérpretes de Britten.

Walton / Bloch / Ligeti / Britten: Works for Cello

WALTON Cello Concerto
1 I Moderato 8.59
2 II Allegro appassionato 6.38
3 III Tema ed improvvisazioni 15.29

Sydney Symphony
Jeffrey Tate
Pieter Wispelwey toca um cello de 1760 de Giovanni Battista Guadagnini

BLOCH Suite no.1 for solo cello
4 Prelude 3.31
5 Allegro 2.27
6 Canzona 3.43
7 Allegro 2.21

LIGETI Sonata for solo cello
8 I Dialogo. Adagio, rubato, cantabile 4.30
9 II Capriccio. Presto con slancio 3.47

10 WALTON 10 Passacaglia for solo cello 6.59

11 BRITTEN Ciaconna from Cello Suite no.2 7.02
Cello 1698 Antonio Stradivarius ‘Magg’

Pieter Wispelwey, violoncelo

Total timing: 66.22

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Wispelwey ficou assustado ao ver o tamanho do acervo do PQP Bach

PQP

Pollini / Abbado – The Complete Recordings – CDs 1 a 3 de 8

E finalmente a Deutsche Grammophon reuniu em uma caixa todas as gravações da dupla Maurizio Pollini / Claudio Abbado e Martha Argerich / Claudio Abbado. Assim não ficamos com tantos CDs dispersos. Está tudo ali juntinho, bonitinho. Quer ouvir Beethoven? Está ali, quer ouvir Brahms? CDs tais e tais … uma belezura, não acham? A amizade destes três é de décadas. E esta amizade se refletia em suas interpretações. Incrível a sincronia e entendimento entre eles.

Mas vamos começar com o Pollini. Serão oito CDs. Os três primeiros CDs trazem os Concertos de Beethoven, quando a dupla retorna a estas obras, vinte anos depois da primeira vez, ainda nos anos 70, postagem esta lá dos primórdios do PQPBach.

CD 1

01 – Piano Concerto No. 1 I. Allegro con brio
02 – Piano Concerto No. 1 II. Largo
03 – Piano Concerto No. 1 III. Rondo, Allegro
04 – Piano Concerto No. 2 I. Allegro con brio
05 – Piano Concerto No. 2 II. Adagio
06 – Piano Concerto No. 2 III. Rondo, Molto Allegro

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CD 2

01 – Piano Concerto No. 3 I. Allegro con brio
02 – Piano Concerto No. 3 II. Largo
03 – Piano Concerto No. 3 III. Rondo, Allegro
04 – Piano Concerto No. 4 I. Allegro moderato
05 – Piano Concerto No. 4 II. Andante con moto
06 – Piano Concerto No. 4 III. Rondo, Vivace

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CD 3

01 – Piano Concerto No. 5 in Eb, Op. 73 1. Allegro
02 – Piano Concerto No. 5 in Eb, Op. 73 2. Adagio un poco moto – attacca
03 – Piano Concerto No. 5 in Eb, Op. 73 3. Rondo. Allegro

Maurizio Pollini – Piano
Claudio Abbado – Conductor
Berliner Philharmoniker

04 – Choral Fantasy, Op. 80 1. Adagio
05 – Choral Fantasy, Op. 80 2. Finale. Allegro
06 – Choral Fantasy, Op. 80 3. Adagio, ma non troppo
07 – Choral Fantasy, Op. 80 4. Marcia, assai vivace
08 – Choral Fantasy, Op. 80 5. Allegretto, ma non troppo
09 – Choral Fantasy, Op. 80 6. Presto

Gabriele Lechner
Gretchen Eder –
Elisabeth Mach
Jorge Pita
Andreas Esders
Gerhard Eder
Maurizio Pollini
Wiener Philharmoniker
Konzertvereinigung Wiener Staatsopernchor
Claudio Abbado

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Há compositores que possuem uma linguagem singular e que nos toca profundamente. Certamente, Brahms é um desses. É um dos meus compositores favoritos. Gosto incondicionalmente de sua música, de sua sensibilidade. Achei que era um dever postar este CD. Achei-o recentemente. Pensei em não postá-lo. 160 kbps é uma quantia, para mim, pouco apetecível. Gosto de mp3s a partir de 224 kbps. Mas como se trata de uma CD com um conteúdo tão espetacular, decidi postar. Já fazia um certo tempo que eu não postava o bom e velho Brahms. E aqui ele aparece interpretado por Serkin e Rostropovich. Verdadeiramente imperdível! Um bom deleite!

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Sonata for Cello and Piano No. 1 in E minor, Op. 38
01. 1. Allegro non troppo
02. 2. Allegretto quasi Menuetto
03. 3. Allegro

Sonata for Cello and Piano No. 2 in F major, Op. 99

04. 1. Allegro vivace
05. 2. Adagio affettuoso
06. 3. Allegro passionato
07. 4. Allegro molto

Mstislav Rostropovich, cello
Rudolf Serkin, piano

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Rostropovich decididamente não sabia se comportar à mesa, mas como tocada um cello! (E piano também!)

Carlinus

W. A. Mozart (1756 – 1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 3 de 5

W. A. Mozart (1756 – 1791): Integral Concertos para Piano – Jenö Jandó – Post 3 de 5
The Miles Kendig Post 3

Wolfgang Amadeus Mozart Integral dos Concertos para Piano

Jenö Jandó

Esta postagem, a terceira de uma série de cinco, é dedicada à lembrança de Miles Kendig.

Amante da música de Mozart, Miles Kendig tem em sua musa e eterna namorada, Isobel von Schonenberg, uma companhia constante nos programas culturais. Após assistirem diversas vezes ao filme Elvira Madigan, instalou-se um debate sobre o trágico final. Inevitabilidade. Mas, há rumores que Miles queria mesmo ouvir a trilha sonora.

O universo de Miles Kendig
Jenö Jandó

Jenö Jandó, nosso guia por esta jornada aos Concertos para piano de Mozart é ótimo pianista húngaro. Versatilíssimo, ajudou a construir boa parte do catálogo da gravadora Naxos. O homem produziu a Integral das Sonatas para piano de Beethoven, de Haydn, de Schubert. O que Wilhelm Kempff fez para a Deutsche Grammophon, ele fez para a Naxos e sempre com competência e sensibilidade.

Acredito ainda que, deste período de construção do catálogo da Naxos, sua contribuição maior, mais duradoura, tem sido essa série de Concertos para Piano de Mozart. As gravações do Jenö Jandó, acompanhado pela Concentus Hungaricus, regida por Mátyás Antal ou András Ligeti, vale a nota e a divulgação. Todas as gravações foram feitas no Instituo Italiano de Budapeste, entre 1989 e 1991, com a produção de Ibolya Tóth.

A partir de 1781, quando Mozart se mudou para Viena, os concertos para piano ganharam um papel de destaque (ao lado das óperas) entre as suas composições. O concerto para piano era o veículo ideal para que ele se apresentasse como solista e compositor. Veja o que diz Stanley Sadie, no seu livro sobre Mozart: Os concertos para piano que Mozart compôs em Viena podem ser considerados como a sua maior realização na música instrumental. Eles representam um conjunto musical de qualidade e originalidade excepcionais, muito além dos concertos de seus predecessores ou de seus contemporâneos no que diz respeito à sua dimensão, riqueza temática e a relação sutil e altamente desenvolvida entre o solista e a orquestra.

Alguma informação sobre os concertos desta postagem:

J. C. Bach, por T. Gainsborough

Os Concertos No. 11, em fá maior, K. 413 e No. 12, em lá maior, K. 414 fazem parte de um conjunto de três, que inclui o Concerto No. 13, em dó maior, K. 415. O Concerto de No. 11 é o mais simples deles e o Concerto No. 12 o mais gracioso. Possivelmente este concerto foi composto enquanto Mozart soube da morte de Johann Christian Bach. No seu movimento lento, um Andante, Mozart usa um tema da abertura de uma ópera de Johann Christian.  São estes os concertos sobre os quais Mozart dizia nas cartas a seu pai serem uma média acertada entre o excessivamente fácil e o excessivamente difícil.

O Concerto No. 14, em mi bemol maior, K. 449 já faz parte de um segundo conjunto, agora de seis, e foi composto para uma aluna, Barbara Ployel. Apesar de sua orquestração ainda mais elaborada do que a dos anteriores, todos estes concertos também podiam ser interpretados com piano e quarteto de cordas. Essa possibilidade permitia maior divulgação das peças.

Desenho de B. Ployer

No início de 1875 Mozart compôs dois concertos para piano – os Concertos Nos. 20, em ré menor, K. 466 e No. 21, em dó maior, K. 467 não poderiam ser mais diferentes. O Concerto No. 21 ganhou o apelido Elvira Madigan por ter seu divino Andante como trilha sonora do filme cult de 1967 com este nome. Nesta gravação, Jenö Jandó usa cadenzas de Robert Casadesus.

No fim do ano 1785 Mozart ainda compôs o Concerto No. 22, em mi bemol maior, K. 482 na mesma época em que compunha As Bodas de Figaro. Este é o primeiro concerto a incluir clarinete na orquestração e o papel dos sopros na apresentação dos materiais temáticos é ainda mais importante. Nesta gravação, Jenö Jandó usa cadenzas de Johann Nepomuk Hummel. O concerto tem um ar despreocupado e expansivo com um andante na forma de variações e um finale com a típica música de caça. Lembre-se do primeiro movimento do Quarteto em K. 458, Quarteto da Caça.

Complete Piano Concertos – Volume 6

Concerto No. 22 em mi bemol maior, K. 482

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro – Andantino cantabile – Allegro

Concerto No. 11 em fá maior, K. 413

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Tempo di menuetto

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & Mátyás Antal

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FLAC | 203 MB

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MP3 | 320 KBPS | 123 MB

Complete Piano Concertos – Volume 2

Concerto para piano No. 21 em dó maior, K. 467 – ‘Elvira Madigan’

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Allegro vivace assai

Concerto No. 12 em lá maior, K. 414

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegretto

Concerto No. 14 em mi bemol maior, K. 449

  1. Allegro vivace
  2. Andantino/Andante
  3. Allegro ma non troppo

Jenö Jandó, piano

Concentus Hungaricus & András Ligeti

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FLAC | 264 MB

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Espero que esta série de postagens lhe aproxime do legado maravilhoso que é a obra de Mozart, em particular de seus concertos para piano. Faça como Miles Kendig, ouça Mozart!

René Denon

.: interlúdio :. Horace Silver: Song For My Father

.: interlúdio :. Horace Silver: Song For My Father

Song for My Father é um álbum de 1965 do Horace Silver Quintet, lançado no selo Blue Note no mesmo ano. O álbum foi inspirado em uma viagem que Silver fez ao Brasil. A arte da capa apresenta uma fotografia do pai de Silver, John Tavares Silver, a quem a música-título foi dedicada. “Minha mãe era descendente de irlandeses e negros, meu pai de origem portuguesa”, recorda Silver, em suas notas: “Nasceu na ilha do Maio, uma das ilhas de Cabo Verde”. A composição Song for My Father é provavelmente a mais conhecida de Horace Silver (1928-2014). Como descrito nas notas, este álbum apresenta o quinteto em transição, uma vez que apresenta uma mistura de faixas com seu antigo grupo e sua nova formação após a saída de Blue Mitchell. Song for My Father é o auge de uma discografia já repleta de clássicos.

Horace Silver: Song For My Father

1 Song For My Father 7:14
2 The Natives Are Restless Tonight 6:07
3 Calcutta Cutie 8:26
4 Que Pasa? 7:44
5 The Kicker 5:23
Composed By – Joe Henderson
6 Lonely Woman 7:00
7 Sanctimonious Sam 3:51
Composed By – Musa Kaleem
8 Que Pasa? (Trio Version) 5:34
9 Sighin’ And Cryin’ 5:22
10 Silver Treads Among My Soul 3:51

Bass – Gene Taylor, Teddy Smith
Drums – Roger Humphries, Roy Brooks
Piano – Horace Silver
Tenor Saxophone – Joe Henderson, Junior Cook
Trumpet – Blue Mitchell (tracks: 3, 6 to 10), Carmell Jones

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Silver em 1977.

PQP