Anton Bruckner (1824-1896): Missa Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A obra de Bruckner é densa, funda; obra para monges; para asceses catárticas. Como no simbolismo místico de Cruz e Sousa a qual afirma na poesia Música Misteriosa:

Tenda de Estrelas níveas, refulgentes,
Que abris a doce luz de alampadários,

As harmonias dos Stradivarius

Erram da Lua nos clarões dormentes…

Pelos raios fluídicos, diluentes
Dos Astros, pelos trêmulos velários,

Cantam Sonhos de místicos templários,

De ermitões e de ascetas reverentes…

Cânticos vagos, infinitos, aéreos
Fluir parecem dos Azuis etéreos,

Dentre os nevoeiros do luar fluindo…

E vai, de Estrela a Estrela, a luz da Lua,
Na láctea claridade que flutua,

A surdina das lágrimas subindo…

Ouçamos Bruckner e diluamos as imoralidades, os sacrilégios, as inverdades. Que o mundo escute Bruckner e seja curado dos seus desmazelos, de suas chagas purulentas; de sua luxúria, de sua glutonaria pelas vaidades e seus repastos insossos. Sim! O último disco traz a maravilhosa Missa em Fá. É para ouvir e sentir-se beatificado. Subamos a montanha da música brukneriana e lá tenhamos um encontro com a prece e com a exaltação. Perdoem-me o afetamento. Mas a solidão e essa música imaculada “botam a gente comovido como o diabo” – Drummond. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Missa No. 3 em Fá menor para solistas, coro e orquestra

01. I – Kyrie. Moderato
02. II – Gloria. Allegro – Andante, mehr Adagio (sehr langsam)
03. III – Allegro – Moderato misterioso – Langsam – Largo –
04. IV – Sanctus. Moderato – Allegro
05. V – Benedictus. Allegro moderato – Allegro
06. VI – Agnus Dei. Andante – Moderato

Philharmonischer Chor München
Sergiu Celibidache, regente
Margaret Price, soprano
Doris Soffel, alto
Peter Straka, tenor
Matthias Hölle, baixo

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Carlinus

9 comments / Add your comment below

  1. Não cheguei a ouvir ainda. Mas depois dessa descrição… caramba, essa do Moisés foi perfeita! É que ocorre comigo quando paro tudo só para ouvir a 4ª e a 8ª sinf…. uma composição divina.

  2. Maravilhosa citação de Cruz e Sousa! Ele foi o grande astro refulgente do Simbolismo no Brasil, e seu sucesso póstumo foi internacional. Percebamos que Bruckner, Mahler, entre outros compositores, viveram exatamente na época do Simbolismo (Cruz e Sousa morreu em 1898), uma espécie de reavivamento do Romantismo na literatura. Assim temos um belo casamento entre a música e a literatura. Lembrando que o Simbolismo foi muito forte na Europa, enquanto o Parnasianismo, como o seu neoclassicismo enjoado, prevaleceu por curto tempo na França (onde encontrou adeptos musicais como Debussy, o “impressionista musical”). Cruz e Sousa é um poeta e tanto! É uma pena que nenhum compositor tenha tido a ideia de musicar um de seus poemas, ou fazer algum poema sinfônico sobre ele…

  3. Oi! Gostaria de pedir que, se possível, postassem novamente essa missa de Bruckner. Muito obrigado! Aproveitando a mensagem, gostaria de parabenizar a iniciativa daqueles que trabalham nesse site! Sou um curioso da música erudita, principalmente da música vocal religiosa e encontro aqui um arsenal incrível! Um abraço!

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