Richard Wagner (1813-1883) – “Das Liebesverbot” – Sawallisch, Prey, Hass, etc., Chor & Orchester der Bayerischen Staatsoper

Após uma pequena interrupção, voltamos ao que viemos, a postagem de todas as óperas de Richard Wagner, uma parceria de FDPBach e de Ammiratore. Eu, FDPBach, estou com alguns problemas com o servidor MEGA, por isso estou testando pelos próximos trinta dias o servidor Mediafire, que tem um preço mais acessível, e que, segundo informações preliminares, não cria maiores problemas, assim espero. Além disso, terei acesso ao número de downloads de cada postagem.
Nestas três primeiras óperas, optamos pela belíssima caixa do selo ORFEO, primorosa edição deste conceituado selo alemão, que traz a impecável condução de Wolfgang Sawalish, sempre em Munique, ao vivo, registros realizados na prestigiosa Bayersiche Staatsoper em 1983.
Com a palavra, Ammiratore:

Estamos compartilhando com os amigos do blog o segundo “pecado da juventude” de Richard Wagner: Das Liebesverbot (“Proibição de Amar”) é uma ópera cômica em dois atos, cujo libreto foi escrito pelo próprio compositor, inspirado na peça “Medida por Medida” de William Shakespeare. Foi composta em 1834, e estreada sob condução do próprio Wagner em 1836, na cidade de Magdeburgo. É fácil perceber o porquê deste segundo “pecado”. Wagner escreveu Das Liebesverbot, quando tinha apenas 21 anos de idade na época ele era participante do movimento “jovem alemão” e estava em uma fase rebelde. Tematicamente, a ópera atua contra a autoridade – e contra a autoridade alemã em particular. Assim, na música da ópera, Wagner parecia se esforçar para incorporar todos os elementos musicais não alemães em que pudesse pensar, usando qualquer número de convenções operísticas francesas e italianas no processo. Ele até mesmo fez a mudança básica de reiniciar a ação da ópera – transferindo a história do local original de Shakespeare, Viena, para a cidade siciliana de Palermo. Até mesmo a descrição mais básica da partitura faz com que ela seja praticamente única entre as óperas de Wagner: é uma comédia. Wagner analisa com cuidado a diferença entre o conteúdo de sua primeira ópera “As fadas” e o conteúdo dessa segunda obra. Segundo ele, na primeira, exprime-se uma gravidade ligada ao sentimento do sagrado parecer estar em flagrante contradição com a tendência da segunda, a saber, um gosto pela sensualidade e pela alegria insolente. Ele pensa que um equilíbrio entre essas duas direções é a verdadeira tarefa de sua evolução. A principal inspiração de Wagner, em “A proibição de amar”, foi o movimento literário e político conhecido como movimento “jovem alemão” (Junges Deutschland) ,defendia a liberdade dos sentidos, a liberdade política e religiosa e a exaltação da natureza. A composição de “A proibição de amar” marca, assim, um momento relevante do pensamento inicial de Wagner em sua oposição a moralidade dominante. A busca de equilíbrio entre o sentimento do sagrado e a vida dos sentidos, que já em 1851 ele pensa ser sua tarefa, será percebida na evolução da obra do compositor. No tempo de “A proibição de amar”, 1836, suas idéias ainda não tinham atingido muita clareza. Mas o que se nota ao longo de sua obra é que ele defende os sentidos, não de uma forma luxuriosa e inconsequente, mas em considerável harmonia com a natureza, como se a existência física fosse elevada ao nível do sagrado ou como se o que é sagrado pudesse encarnar-se na vida sensível. O objetivo de Wagner nesta ópera cômica de início de carreira é ridicularizar o peso da cultura alemã e, em contraste, apresentar os italianos de vida livre e livre pensamento.

Este é um esplêndido exemplo do início da carreira Wagner, com o Mestre mostrando um belo e talvez inesperado presente para uma melodia italianizada.Comparando as duas primeiras obras de Wagner, além das diferenças de estilo musical entre “As Fadas” e “A proibição de amar”, ligam-se coerentemente as idéias subsequentes desenvolvidas por ele. “As fadas” , além de iniciar o tema da redenção, antecipa o conteúdo mitológico dos trabalhos posteriores de Wagner e “A proibição de amar” ilustra perfeitamente sua tendência revolucionária, em particular no que diz respeito a afirmação da vida no sentido grego e pagão, com a defesa dos direitos da vida sensual e corpórea em oposição a hipocrisia moral instaurada pelo autoritarismo político e religioso.
Musicalmente ouvimos alguns temas que posteriormente seriam reaproveitados em outras obras do Mestre: uma cena particularmente marcante no começo do Ato 2 faz uso de um impressionante tema “Amém” mais tarde reciclado em “Tannhäuser”. Acho que no geral o padrão de inventividade melódica é alto. A música vocal de Wagner em Liebesverbot é melhor do que a abertura puramente orquestral. Vários dos temas da abertura aparecem melhor trabalhados ao longo da obra. O leitmotif que retrata o espírito do carnaval, no Ato 3, pode ser ideal para a brincadeira “Que compositor é esse?” (Quizz). Ninguém é capaz de adivinhar que seja Wagner.

A trama de “A proibição de amar” se passa em Palermo no século XVI. Wagner diz ter situado as cenas na capital da Sicília, por causa do temperamento mais ardente das pessoas do sul. Friedrich, um alemão puritano, estrangeiro na cidade e governante provisório, proíbe os envolvimentos amorosos, sobretudo os envolvimentos não sacramentados pelo casamento, e decreta pena de morte para os que descumprirem a lei.

 

Sinopse
Ato 1
A praça da cidade
Um rei da Sicília, sem nome, deixa seu país para uma viagem a Nápoles e entrega ao regente Friedrich nomeado autoridade plena para exercer o poder real a fim de efetuar uma reforma completa nos hábitos sociais de sua capital, o que provocou a indignação do reino. Os servos da autoridade pública ocupam-se de fechar as casas de diversão popular em um subúrbio de Palermo e levar os frequentadores como prisioneiros. A população se opõe a esse primeiro passo, e muita confusão se segue.
Luzio, um jovem nobre e rebelde, parece inclinado a avançar como líder da turba, e imediatamente encontra uma oportunidade para desempenhar um papel mais ativo na causa do povo oprimido ao descobrir seu amigo Cláudio sendo levado para a prisão. Ele descobre que, em virtude de alguma velha lei desenterrada por Friedrich, Cláudio sofrerá a pena da morte por um amor não autorizado . A união com sua amada havia sido impedida pela inimizade de seus pais, mesmo assim deu-lhe um filho. O zelo puritano de Friedrich se une ao ódio dos pais da moça; Luzio teme o pior, e vê sua única esperança de misericórdia se sua irmã Isabella, por suas súplicas, poder amolecer o duro e frio coração regente. Claudio implora ao seu amigo a procurar Isabella no convento das Irmãs de Santa Isabel, que ela entrou recentemente como noviça.

Um convento

Isabella está enclausurada no convento com sua amiga Marianne, também noviça. Marianne revela a sua amiga o infeliz destino que a trouxe ao lugar. Sob votos de fidelidade eterna, ela havia sido persuadida a uma ligação secreta com um homem de alta patente. Mas quando em extrema necessidade ela se viu não apenas abandonada, mas ameaçada por seu traidor, descobriu que ele era o homem mais poderoso do estado, ninguém menos que o próprio regente Friedrich. A indignação de Isabella encontra vazão em palavras apaixonadas, e só é pacificada pela sua determinação de abandonar um mundo no qual um crime tão vil pode ficar impune.
Quando Luzio leva ao convento as notícias sobre o destino de Claudio, o desgosto de Isabella pela má conduta de seu irmão é imediatamente substituído pela vilania do regente hipócrita, que presume tão cruelmente punir a ofensa comparativamente venial de seu irmão, que, pelo menos , não foi manchada pela traição. Seu violento desabafo a revela para Luzio em um aspecto sedutor; tocado por um amor repentino, ele pede que ela saia do convento para sempre e aceite sua mão. Ela se esforça para evitar sua ousadia, mas resolve imediatamente se aproveitar de sua escolta para o tribunal de justiça do regente.

Um tribunal

Várias pessoas são indiciadas pelo capitão com ofensas contra a moralidade. A seriedade da situação torna-se mais marcante quando a forma sombria de Friedrich caminha através da multidão indecisa e indisciplinada, comandando o silêncio, e ele mesmo se encarrega de ouvir o caso de Cláudio da maneira mais severa possível. O juiz implacável já está a ponto de pronunciar uma sentença quando Isabella entra, e solicita, diante de todos eles, uma entrevista particular com o regente.
Nessa entrevista, ela se comporta com nobre moderação em relação ao temido e desprezado homem, a princípio, apela apenas a sua brandura e misericórdia. Suas interrupções servem apenas para estimular o ardor do regente: ela fala da ofensa de seu irmão e implora perdão. Friedrich não consegue mais se conter e promete conceder sua petição ao preço de seu próprio amor. Cheia de indignação com tal imoralidade, ela clama ao povo através de portas e janelas para entrar, para que ela possa desmascarar o hipócrita diante do mundo. Com algumas palavras significativas, Friedrich, com energia frenética, consegue fazer com que Isabella perceba a impossibilidade de seu plano. Mas algumas palavras doces são suficientes para seduzir e transportar o próprio regente ao êxtase; pois em um sussurro ela promete conceder seu desejo, e que na noite seguinte lhe enviará uma mensagem que assegure sua felicidade.
E assim termina o primeiro ato em um turbilhão de excitação.

Ato 2
Uma prisão

Isabella revela a seu irmão que sua libertação será possível apenas ao preço de sua desonra. Claudio fica indignado, mas o medo da morte o supera e ele implora à irmã que faça o sacrifício. Isabella castiga sua “covardia”, não revelando a ele nada do seu plano, que será assim: em vez dela, a quem ficará mascarada será Mariana e deve esperar Friedrich, também mascarado: assim ele estará duplamente desobedecendo sua própria lei. Ela quer interceptar o documento de indulto: como castigo por sua covardia, Cláudio deve ficar com medo da morte por uma noite.
Ela entrega a Dorella uma carta para Marianne e o bilhete para o regente. Como Brighella está apaixonado pela garota, a entrega não será problema. Isabella pergunta sobre Luzio, mas descobre que ele já fez propostas e se promete a todas as mulheres em Palermo.
Quando Luzio pergunta sobre Claudio, Dorella lembra seus votos e beijos. Ele nega tudo, mas quando Isabella lhe conta sobre o plano traiçoeiro de Friedrich, ele fica tão furioso que fica convencido da sinceridade de seus sentimentos e decide fazer um truque inteligente também.
Pontio foi promovido a carcereiro, pelo qual Luzio o repreende violentamente. Isabella, no entanto, com uma bolsa de dinheiro convence a entregar o indulto a ela.

Um quarto no palácio de Friedrich.

Friedrich está pensando em sua atitude, que de uma só vez lançou seu “sistema púdico” aos ventos.
Dorella é conduzida por Brighella e entrega ao regente o bilhete. Ele hesita em quebrar a lei duas vezes de uma só vez, mas sua volúpia leva a melhor. Ao mesmo tempo, porém, ele decide não perdoar Claudio e que ele vá para a morte. O apaixonado Brighella também pede a Dorella um encontro. Ela promete isso para a noite , porém, apenas mascarada.

A saída do Corso.

Independentemente da proibição, Palermo está comemorando o carnaval.
Brighella e seus espiões tentam acabar com a agitação.
A intervenção de Luzio impede uma briga. O povo mascarado espera nas ruas laterais. Brighella joga fora seu manto e em traje de Pierrot procura Dorella. Isabella e Marianne aparecem em máscaras idênticas, depois se separam, e Marianne prossegue para o encontro com o regente, que desencadeia uma série de confusões: Luzio reconheceu Friedrich sob sua máscara e o convida para acompanhá-lo às ruas laterais do Corso, Friedrich tenta fugir com quem ele pensa ser Isabella (Marianne), Dorella fuge do furioso Brighella, quando Pontio aparece e entrega a verdadeira Isabella ao regente.
Ela percebe que o suposto perdão para seu irmão é falso. Enfurecida, ela chama as pessoas e revela a duplicidade de Friedrich .
O regente é exposto, mas não sentenciado de acordo com sua lei, mas perdoado. Gritos de alegria irromperam por toda parte; as explicações necessárias são dadas rapidamente, e Friedrich, mal-humorado, exige ser colocado diante do tribunal do rei que retorna. Cláudio, libertado da prisão pela jubilante população, informa-o de que a sentença de morte por crimes de amor será revogada; mensageiros chegam para anunciar a inesperada chegada ao porto do rei; todos decidem marchar em procissão mascarada para encontrar o amado Príncipe, e alegremente homenageá-lo, todos convencidos de que ele se regozijará de ver quão doente o sombrio puritanismo da Alemanha é inadequado para os ardentes Sicilianos.
O desempenho sob Sawallisch é excelente, com um bom conjunto, elenco na época formado por jovens. A gravação ao vivo também é de alta qualidade. O riso do público deixa claro que a comédia está funcionando no teatro, muitas vezes em lugares ligeiramente intrigantes que sugerem comédia física no palco, o riso ocasional só aumenta o ambiente; não é intrusivo na música. Mas para os fãs de Wagner que acreditam que o trabalho menor de um grande compositor pode ser mais interessante do que o melhor trabalho de um compositor menor, eu certamente recomendaria a audição deste segundo “pecado da juventude”.

CD 1

01. Ouvertüre
02. Ihr Galgenvögel
03. Wen bringt man dort
04. Du kennst jenen stillen Ort
05. Salve Regina
06. Es ist ein Mann; verweilt, ich geh

CD 2

01. Wie lange er bleibt
02. Nun wird es bald
03. Wohlan so rede1
04. Was ist geschehen was soll das schrein
05. Maria, oh wie Götterlicht

CD 3

01. Wo Isabella bleibt
02. So sei’s! Für seinen feigen Wankelmut
03. Dorella, sieh
04. Wie gl¨¹cklich, sch.ne Isabella
05. Vernimm, mein Freund
06. So spät und noch kein Brief
07. Lebt wohl, Signor Brighella
08. So recht, ihr wackren jungen Leute!
09. Ihr junges Volk
10. Halt! Auseinander! Welch ein L.rmen!
11. Verweile hier, hier mu. er kommen!
12. Hier soll sie sein, wo mag sie weilen
13. Ihr Heiligen!

Friedrich – Herman Prey
Luzio – Wolfgang fassler
Claudio – Robert Schunk
Antonio – Friedrich Lenz
Angelo – Kieth Engen
Isabella -Sabine Hass
Mariana – Pamela Coburn
Brighella – Alfred Kuhn
Danieli Raimund Grumbach
Dorela – Marianne Seibel
Pontio Pilato – Herman Sapell

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Leopold Stokowski (1882-1977): Native Brazilian Music

Leopold Stokowski (1882-1977): Native Brazilian Music

Nos idos de 1940, em plena segunda guerra mundial, os EUA estavam empenhados em realizar a chamada “Política da Boa Vizinhança” iniciada ainda em meados da década de 30. Um dos ramos deste projeto era basicamente integrar a cultura entre as Américas, e assim, no verão americano de 1940, o Maestro Leopold Stokowski (1882-1977) embarcou no navio S.S. Uruguay com sua orquestra a “All-American Youth Orchestra” e zarpou para uma turnê de Boa Vizinhança ao Brasil, Argentina, Uruguai, e alguns países da América Central. Seu primeiro porto de escala foi o Rio de Janeiro.

 

HVL ao piano ao lado de Magda Tagliaferro

Dono de uma inconfundível cabeleira prateada o britânico, de pai polonês e mãe irlandesa, desembarcou no cais do porto do Rio às 18h30 do dia 7 de agosto de 1940. A recepção foi liderada por Villa-Lobos, que, na companhia da pianista Magda Tagliaferro, velha conhecida de ambos, recebeu o amigo Stokowski com um abraço efusivo. Eles se conheceram na Paris dos anos 1920, e desde então, envolvidos com a criação e a promoção da música erudita moderna, estabeleceram uma amizade duradoura. Antes da turnê pelas Américas, o maestro vinha trocando cartas com Villa sobre um dos intentos de sua visita (integral da carta no fim do texto), e solicitou sua ajuda para recolher e gravar “a mais legítima música popular brasileira”. O maestro explicou que, devido ao seu grande interesse pela música do Brasil, ele iria pagar todas as despesas envolvidas e até especificou os tipos de música que desejava: sambas, batucadas, marchas de rancho, macumba, emboladas, etc. As gravações propostas estavam destinadas a lançamento pela Columbia Records. Elas também seriam tocadas em um congresso folclórico pan-americano que estava por vir (e que nunca aconteceu).

Villa-Lobos atendeu ao pedido do maestro e recorreu ao seus amigos, os sambistas Donga, Cartola e Zé Espinguela, que convocaram a nata dos músicos do Rio. Talvez apenas um homem da estatura de Villa-Lobos e suas ligações com os mundos do choro e do samba poderia ter reunido tal “Dream Team” do Samba para Stokowski. De fato, qualquer cartaz anunciando o seguinte rol seria um item de colecionador avidamente procurado hoje, (eu pelo menos não achei nada, nenhum cartaz do dia na net…).

Donga, Stoki e HVL

Em uma grande cerimônia, subiram ao S.S. Uruguay, em agosto de 1940, nomes como Pixinguinha, Donga e João da Baiana, a Santíssima Trindade do Samba – maiores representantes da primeira geração de sambistas do Rio. Também estiveram lá Cartola, ao lado de sua Estação Primeira e um coro de pastoras da Mangueira; Zé da Zilda, um dos primeiros sambistas “de morro”, provenientes das Escolas de Samba, a fazer sucesso “no asfalto”; Jararaca e Ratinho, mestres da embolada; Luiz Americano, saxofonista e chorão, um dos pioneiros no uso do instrumento na música popular brasileira; e Zé Espinguela, macumbeiro, figura de suma importância para o meio cultural da época.

As gravações transcorreram durante toda a madrugada de 8 para 9 de agosto, algumas poucas horas após a atracação do S.S. Uruguay. O convés do navio, frequentado por Stokowski, dirigentes da NBC/RCA por jovens instrumentistas dos Estados Unidos, foi tomado por dezenas de músicos do Rio, alguns deles em traje de carnaval, pois se acreditava que haveria filmagem (também o que nunca aconteceu).

Musicos da AAYO

Em seu livro “Todo Tempo que Eu Viver” (Rio de Janeiro, Corisco Edições, 1988), o cineasta Roberto Moura citou uma reportagem que apareceu no jornal A Noite em 8 de agosto de 1940:
“[…] O salão de música do S.S. Uruguai em toda sua existência talvez não tenha abrigado tantas celebridades como o fez ontem à noite. […]. As 22 horas, começou a concentração dos conjuntos, escolas de samba, orquestra, gente que ia cantar e gente que ia ouvir. Nesse último grupo, o próprio comandante do navio, que logo tomou lugar em uma cômoda poltrona, de onde acompanhou todo o desfile. Pixinguinha, Jararaca, Ratinho, Luís Americano, Augusto Calheiros, Donga, Zé Espinguela, Mauro César, João da Baiana, Janir Martins, Uma ala do Saudade do Cordão [sic], que tanto sucesso alcançou no último carnaval, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, o compositor David Nasser, toda essa gente fala, comenta, discute, até que tem início a trabalho das gravações. À medida que os ponteiros dos relógios correm, os passageiros do Uruguai voltam dos seus passeios pela cidade e vão tomando lugar no vasto salão. E os grupos se sucedem diante do microfone na tarefa das gravações. Já passava muito da meia-noite quando chegaram os maestros Stokowski e Villa-Lobos. Os fotógrafos se movimentam, na ânsia de colher os melhores flagrantes, mas o famoso regente de Filadélfia foge discretamente das objetivas. Por fim, desaparece de vez do salão. E, assim, de número em número, passa a noite e já é a madrugada que surge. O salão de música do Uruguai ainda cheio. Agora, a maior parte da platéia é constituída dos elementos da “All American Youth Orchestra”, que, curiosos, procuram conhecer os instrumentos típicos. Na sexta-feira, 9 de agosto, com pelo menos quarenta músicas gravadas (alguns dizem uma centena), Stokowski deu adeus ao Rio de Janeiro e partiu para São Paulo. O que ele deu aos músicos por seu trabalho? Apenas seus cumprimentos entusiasmados.”

A Columbia Records lançou as gravações de Stokowski feitas no S.S. Uruguay no inicio de 1942 sob o título “Native Brazilian Music”. Das oficiais quarenta músicas gravadas, apenas dezessete viram a luz do dia, em dois álbuns, cada um contendo quatro discos 78-RPM. As notas na contracapa anunciavam:
“Aqui neste álbum da Columbia Discos você tem a autêntica música do Brazil… Magnificamente tocada por músicos nativos… Selecionados e gravados sob a supervisão pessoal de Leopold Stokowski. Estas expressivas gravações foram feitas durante a excursão pela América do Sul do maestro Stokowski com a All American Orchestra. Em vários pontos da Excursão, o doutor Stokowski ouviu o folclore nativo e a música popular interpretados por músicos dos nossos bons vizinhos. Para a gravação, escolheu o que concluiu ser o melhor e o mais típico”.

A maioria dos músicos morreu sem nunca ter ouvido as gravações. Poucos foram pagos por elas. Cartola, por exemplo, recebeu uns míseros 1.500 réis, o suficiente para comprar três maços de cigarro baratos, um ano e meio depois das gravações. Em uma entrevista dada a Sérgio Cabral em 1974, Cartola disse que finalmente ouviu “Quem Me Vê Sorrir” — sua primeira gravação cantando — na casa de Lúcio Rangel uns bons vinte anos depois das sessões no S.S. Uruguay. Dois outros participantes da mesma gravação, Aluísio Dias (1911–1991) e Dona Neuma Gonçalves Silva, tiveram de esperar até 1980 para ouvi-la em fita. Dona Neuma (1922–2000) era a filha do presidente da Mangueira Saturnino Gonçalves, e grande dama do samba, tinha em 1940 apenas 18 anos e foi uma das pastoras que forneceram o acompanhamento vocal eletrizante em “Quem Me Vê Sorrir”.
Em uma entrevista de 1981 para o cineasta Roberto Moura, Dona Neuma ainda lembrava com simplicidade e carinho os detalhes a comida deliciosa servida a bordo do S.S. Uruguay 41 anos antes: “…. assim, eu ainda era criança, mas os coroas que foram, foram a fim de comer, tinha muita coisa boa pra gente comer, aí foi a primeira vez que nós comemos peru com abacaxi, carne de porco com ameixa, um jantar luxuoso. Gravamos, depois da festa é que teve a recepção. […] Foi tudo no mesmo dia. Foi rápido. Foi de tarde mas o samba rolou até de manhã. Eu dormi no convés do navio, que gostoso lá. […] Tinha um tipo de uma aletria com presunto, queijo, sei lá, não era macarrão era aletria, mas muito bem feita, soltinha, não ficou aquela lama não, que a gente faz uma aletria, muito bem feita, não sei como é que eles cozinharam aquilo, mas ficou soltinha, acho que eles fizeram o molho depois cozinharam o macarrão ali dentro, deram uma sacudidela que ficou soltinho, uma delícia, mas eu só queria comer, sabe? Comer e andar pelo navio. […] Era um navio bonito. […] Era um salão bonito, tinha um palco, nós cantamos num palco, ele regendo. Ele regia a nós, tinha uma orquestra e a bateria nossa. […] Ele regia a orquestra, depois veio e regeu a bateria e a gente. Nós já sabíamos porque o maestro Villa-Lobos ensinou os gestos da mão, como ia, se fosse levantando, se fosse levantar, todos os gestos nós sabíamos, ensinados pelo maestro Villa-Lobos. Ele ensinava aqui, na escola, em todo lugar, porque o maestro que nós conhecíamos naquela época foi o Villa-Lobos, foi ele. Ele vinha aqui no morro muito, porque ele era amigão do Cartola….”

A Columbia nunca lançou “Native Brazilian Music” no Brasil, e até hoje, as únicas cópias conhecias poderiam ser contadas nos dedos de uma mão. Nem o governo do Brasil nem qualquer outra entidade brasileira fez algum esforço para recuperar estas gravações. Em 1987, durante o centenário de Villa-Lobos, o Museu Villa-Lobos (MVL) no Rio de Janeiro lançou as 17 faixas de Native Brazilian Music em um LP produzido por Suetônio Valença, Marcelo Rodolfo, e Jairo Severiano, com notas do musicólogo Ary Vasconcelos (encarte junto com as faixas no download). A música foi transferida não a partir das matrizes originais, cujo paradeiro (se sobreviveram) continuou desconhecido, mas a partir de discos 78 rpm doados pelo colecionador Flávio Silva. Estes dois albuns contendo 4 discos 78 rpm cada, com 17 faixas no total, devem constar entre os mais importantes discos brasileiros em qualquer época, porém, foram lançados apenas…nos USA! Das 40 músicas gravadas, a Columbia lançou somente 17. Que outros tesouro mais se perderam ?

Vou parar por aqui. Quando os jornalistas, os políticos, os artistas leram as impressões e comentários dos jornalistas Americanos a coisa do “políticamente correto” e “boa vizinhança” ficou meio que “à deriva”, virou uma grande “quizumba”,  quase um problema diplomático. Coisas do tipo: “… o Brazil é muito bonito, uma grande tribo. Os nativos são gente qua andam e dançam sem roupa, alegres e alheios a grande guerra eropéia…..”. Bom como brasileiros nós nem precisamos nos esforçar para saber as respostas que foram dadas, e as respostas das respostas e por ai vai… Fora o mal-estar dos outros grandes artistas que ficaram de fora do evento sem terem sido convidados. Sobrou para o Villa explicar por que não convidou Siclano e Beltrano. Internamente entre os músicos da época houve muita ciumeira. Talvez esta seja uma explicação próxima do “porque” a Columbia jamais lançou esta pérola em terras Tupiniquins.

Integral da Carta do Villa para o Stokowski:

Rio de Janeiro, 16 de julho de 1940
“Caro Sr. Stokowski
Recebi sua carta do dia 3 do corrente e me apressei para responder para expressar todo o prazer que tive ao saber de sua visita iminente ao Brasil.
Estou verdadeiramente encantado com os seus planos para intercâmbio folclórico entre as nações dos continentes americanos por intermédio de discos.
Você pode contar comigo, pois farei tudo que me for possível para satisfazê-lo, correspondendo à confiança que você depositou em mim.
Estou mandando em anexo um plano das gravações que devem ser feitas por cantores populares (oriundos dos estados mais típicos dos Estados [do Brasil] e que vivem nos ambientes da Capital), vestidos em roupas típicas, se for necessário para filmagem.
Para mobilizar estes elementos, o seguinte é necessário:
1) – Seu consentimento em uma resposta urgente para
iniciar a convocação destes elementos nos próximos dez dias;
2) – A garantia de 500 dólares para despesas gerais;
isto é, a estes músicos, que devemos pagar para
reuni-los, que é uma coisa muito difícil;
3) – As cópias dos discos gravados devem permanecer no Rio,
mesmo aqueles que serão gravados nos países americanos;
Se você estiver de acordo com o plano apresentado abaixo, seria mais conveniente se você enviasse o mais rápido possível instruções para a Embaixada dos Estados Unidos da América do Norte do Brasil, para que haja um entendimento material com o organizador dos elementos típicos que irão servir em sua gravação planejada, pois eu não tenho os meios materiais para o empreendimento. No entanto, eu poderia organizá-los e coordená-los com prazer.
Quanto à parte artística de sua excelente orquestra de jovens americanos, eu devo lembrá-lo de que, para o maior sucesso possível e para a simpatia e interesse da nova geração brasileira, deve-se organizar programas principalmente com música moderna, e incluir em cada concerto um compositor brasileiro, de sua escolha, e outro dos Estados Unidos. Como você, eu tenho um grande interesse na troca da música artística entre os dois Continentes.
Aguardando sua resposta urgente, eu peço a você, Caro Senhor, para aceitar a confiança de meus sentimentos mais distintos,
H-Villa-Lobos
Avenida Almirante Barroso, 81 – Edifício Andorinha, 5° and.
s/ 534 – Rio de Janeiro, Brasil”

Nas gravações de Stokowski, Pixinguinha tocou sua flauta brilhante em muitas faixas, e cantou um dueto com Jararaca.

 

 

 

O conjunto regional de Donga forneceu muitos dos acompanhamentos nas gravações de Stokowski.

 

 

João da Bahiana – Por muitos anos o mais importante percussionista no Brasil, ele é tido como o responsável por introduzir o pandeiro no samba e no choro e transformou a faca e prato em instrumento rítmico.

 

 

 

Cartola – Nas sessões de Stokowski, onde ele fez suas primeiras gravações cantadas, Cartola foi acompanhado pelo compositor/violonista da Mangueira Aluísio Dias e um grupo de percussionistas da Mangueira.

 

 

Zé Espinguela—José Gomes da Costa (1901–1944). Pai-de-santo e importante pioneiro do samba. Quando o samba ainda era ilegal, Espinguela recebeu rodas de samba em sua casa seguidas das cerimônias de macumba. Encabeçou o Bloco dos Arengueiros no morro da Mangueira (primeiro desfile de Carnaval: 1927), do qual surgiram os sete fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, dentre eles Espinguela. Inventou a competição de escolas de samba em 1929. Popularmente conhecido como Pai Alufá, ele foi acompanhado nas gravações de Stokowski pelo grupo vocal-instrumental-de dança que geralmente tocava em suas festas, fossem elas sagradas ou profanas. Estas foram as únicas gravações cantadas feitas por Espinguela, também conhecido como José ou Zé Spinelli.

O S.S. Uruguay atracado na Praça Mauá no Rio de Janeiro. Foi um dos três navios de Boa Vizinhança pertencentes à American Republics Line e operado pela Moore-McCormack Lines. Em maio de 1939, o Uruguay trouxe Carmen Miranda para Nova York pela primeira vez.

 

 

Estaremos nas próximas postagens fazendo uma singela homenagem ao grande Maestro Leopold Stokowski, esta é a primeira de sete.

Apreciem e divulguem esta preciosidade ! Quem sabe um dia ainda aparece as outras 23 faixas gravadas…. o material do álbum de 1987 está em “pdf” junto com a música no “download”.

Native Brazilian Music

1 – Macumba de Oxóssi ( Donga, José Espinguela e Grupo Pai Alufá)
Está assinada por Donga e Espinguela. Essa macumba “with vocal ensemble” como explica a mesma etiqueta, foi gravada pelo Grupo de Pai Alufá. Como se sabe, Oxóssi é o orixá dos caçadores, sendo sincretizado, no Rio de Janeiro, como São Sebastião, e como São Jorge, na Bahia. Seu símbolo é o arco e flecha, dançando com essa arma em uma das mãos e com um erukerê (uma espécie de espanador feito com rabos de boi) na outra. O Grupo do Pai Alufá era um conjunto vocal-instrumental coreográfico dirigido por Zé Espinguela e que animava as festas deste, fossem elas sagradas (macumbas) ou profanas (sessões de samba e de chula). A voz solista é do próprio Espinguela.

2 – Macumba de Iansã (Donga, José Espinguela e Grupo Pai Alufá)
Outra macumba de Donga e Espinguela, gravada pelo mesmo grupo e com Espinguela como solista. Iansã, orixá feminino, esposa de Xangô, é sincretizada como Santa Bárbara. Dança geralmente com um alfange e um eruxim de rabo de cavalo.

Estas faixas (1 e 2) foram os únicos registros feitos por Espinguela em sua vida

3 – Ranchinho Desfeito (Donga, De Castro e Souza, David Nasser)
Uma antiga composição de Donga, letra de De Castro e Souza, ocupa a terceira faixa do nosso LP do primeiro álbum americano. Joel Nascimento canta com o Regional de Donga. Pixinguinha, então com 42 anos, “rouba” porém o fonograma com empolgante atuação na flauta.

4 – Caboclo do mato (de Getúlio marinho, com João da Bahiana, Jair Martins e Jararaca)
“Samba with vocal ensemble” está no selo do disco. Presentes nesta faixa o pandeiro de João e a flauta de Pixinguinha. A voz feminina – que repete “din, din, din, Aruama” – é provavelmente de Janir Martins.

5 – Seu Mané Luís (de Donga, com Zé da Zilda e Janir Martins)
Janir Martins dialoga com Donga neste “samba with vocal duet”. No acompanhamento, mais uma vez, o regional de Donga, com Pixinguinha à flauta.

6 – Bambo do bambu (de Donga, com Jararaca e Ratinho)
Jararaca e Ratinho cantam a embolada assinada por Donga. Nesse autêntico “destrava a lingua”, Ratinho, embola-se e tem a sua travada antes da hora…O violão sensacional que encerra a gravação é de Laurindo de Almeida.

7 – Sapo no saco (de Jararaca, com Jararaca e Ratinho)
Novamente Jararaca e Ratinho, agora na embolada Sapo no saco, de ambos, um clássico do gênero. Uma das raras composições deste repertório já gravadas anteriormente, Sapo no saco foi lançado em disco por Jararaca em abril de 1929.

8 – Que quere que quê (de João da Baiana, Donga e Pixinga, com João da Bahiana e Janir Martins)
Macumba carnavalesca de Donga, João da Bahiana e Pixinguinha. O pandeiro de João da Bahiana e a flauta de Pixinguinha, mais uma vez, roubam a cena

9 – Zé Barbino (de Pixinguinha e Jararaca)
A peça que abre o lado “b” do LP é um maracatu estilizado escrito a quatro mãos por Pixinguinha e Jararaca e gravado em dupla pelos próprios autores. Trata-se ainda de um dos raros fonogramas em que Pixinguinha atua como cantor.

10 – Tocando pra você (Luiz Americano)
Momento extraordinário nas sessões de gravação realizadas a bordo do navio Uruguai foi este em que Luís Americano, acompanhado de regional, executou ao clarinete o seu deslumbrante choro Tocando pra você, que traz João da Bahiana ao pandeiro

11 – Passarinho bateu asas (de Donga, com Zé da Zilda)
No navio, coube a Zé da Zilda a interpretação. Mais uma vez, destaca-se no acompanhamento a flauta de Pixinguinha.

12 – Pelo telefone (de Donga, Mauro de Almeida, com Zé da Zilda)
“Pelo Telefone” é um dos sambas mais emblemáticos (foi primeira música registrada como ‘samba’ no Brasil) da história da música popular brasileira . “Zamba with vocal chorus” diz o selo do disco. Só que este “zamba” não é um samba qualquer, mas justamente o primeiro a celebrizar-se como tal. Pixinguinha tem aqui nova atuação extraordinária.

13 – Quem me vê sorrir ( de Cartola e Carlos Cachaça, com Cartola e Coro da Mangueira)
Outro ponto culminante dos dois álbuns Columbia: Cartola acompanhado pelo “Mangueira Chorus” (é como se encontra no disco) canta seu samba Quem me vê sorrir, letra de Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro). Carlos, aliás, era para ter ido também ao navio Uruguai, mas justamente na noite da gravação teve plantão na Central do Brasil, onde trabalhava. Este seria, possivelmente, o mais antigo registro gravado da voz de Cartola.

14 e 15 – Teiru e Nozani-ná (Música Folclorica, adaptada po HVL, com Quarteto do Coral Orfeão HVL)
Um quarteto de professores do Orfeão Villa-Lobos canta estas duas composições de Heitor Villa-Lobos: Teiru, canto fúnebre pela morte de um cacique foi recolhido por Roquete Pinto em 1912 entre os Parecis. É de 1926, sendo o segundo dos Tres Poemas Indigenas. Nazoani-ná (Ameríndio) é uma das Canções Típicas Brasileiras, de 1919. O coro do Orfeão está designado no disco por “Brazilian Indian Singers”…

16 – Cantiga de festa (de Donga e José Espinguela, com Zé Espinguela e Grupo Pai Alufá)
Zé Espinguela e Donga assinam mais esta corima, cantada pelo primeiro com o apoio do Grupo Pai Alufá.

17 -Canidé Ioune (Música Folclórica adaptada por HVL)
Canidé Ioune é o primeiro dos Tres Poemas Indígenas, de Villa-Lobos. Está baseado em um tema indígena recolhido pelo viajante Jean de Léry em 1553. Para interpretá-lo voltam os “Brazilian Indian Singers”, isto é, os professores do Orfeão.

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Stokowski e a Santissima Trindade do Samba

Josquin Desprez (1450-1521): Missa Pange Lingua – Ensemble Clément Janequin & Ensemble Organum – Marcel Pérès

Josquin Desprez (1450-1521): Missa Pange Lingua – Ensemble Clément Janequin & Ensemble Organum – Marcel Pérès

Josquin Desprez

Missa Pange Lingua

Parece incrível, mas houve um tempo no qual as informações eram difíceis de serem obtidas. Consultávamos livros, tentávamos emprestar de algum amigo um ou outro disco ou gravar uma fita cassete para conhecer uma peça de música da qual havíamos ouvido falar. Lembro-me de estar fazendo hora em uma loja de discos que frequentava e ver surgir um mortal qualquer perguntando sobre gravações de música de câmera de Gabriel Fauré. Hoje uma simples busca na internet ou nas páginas do PQP Bach e você receberá uma inundação de possibilidades.

Demorei anos para notar que há um violino de perfil nesta capa…

Uma das minhas fontes de busca de informações era o livrinho Uma Nova História da Música, do Otto Maria Carpeaux. No final do livro há uma lista de obras consideradas por ele fundamentais na evolução da Música Ocidental, colocadas em ordem cronológica. Você poderá ver essa lista aqui. Eu adorava percorrer a lista buscando as peças que já conhecia e sonhando com aquelas que ainda não ouvira.

A postagem de hoje traz a segunda peça da lista do Carpeaux – a Missa Pange Lingua, de Josquin Desprez. Pode ser Des Près ou des Prez. De qualquer forma, Josquin é suficiente.

A missa é de 1516, aproximadamente, e é a peça mais antiga que tenho em minha coleção de música. Josquin é da escola franco-flamenga e foi um compositor importante. Era admirado por Martinho Lutero, que disse sobre ele: “É um mestre das notas, que obedecem aos seus desejos, enquanto outros compositores fazem o que as notas desejam”.

Foi um dos primeiros mestres do estilo de música vocal polifônica da Renascença, que estava surgindo durante seu período de vida. A música que prevalecia antes era o Canto Gregoriano, onde todos cantavam juntos a melodia. A transição deste tipo de música para a música polifônica ocorreu ao longo de séculos e os dois estilos conviveram lado a lado por bom tempo. Josquin certamente tinha conhecimento dos dois estilos.

O nome Missa Pange Lingua se deve ao fato de Josquin ter usado em toda a sua composição a melodia de um hino conhecido, chamado Pange Lingua. O hino é em louvor ao Corpus Christi e a missa claramente foi feita para a Festa de Corpus Christi. Em 1345 uma hóstia foi miraculosamente resgatada intacta de um fogo no qual havia caído. Este fato ficou conhecido como o Milagre de Amsterdam. A devoção que havia ao Santo Sacramento nesta época ajudou a tornar a missa muito conhecida em toda a Europa. Uma outra gravação da Missa Pange Lingua pode ser obtida aqui (Viva, Avicenna!).

Usar uma melodia, mesmo que de obra profana, para uma composição sacra, era comum. Por exemplo, uma melodia conhecida como L’homme armè foi usada por Dufay, por Ockeghem e por Josquin para a composição de famosas missas que levam este nome.

Uma palavra sobre esta específica gravação. A missa é composta do Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei. Na prática, estes movimentos eram diluídos em um contexto que incluía outros cantos, o Introito, Gradual, Aleluia, Ofertório, e o canto da comunhão. A gravação deste disco faz isto. Você notará que estes movimentos são cantados a uma só voz (plainchant). Estes movimentos não foram compostos por Josquin. A maioria são de autores anônimos. Nos movimentos da missa propriamente dita, você ouvirá a polifonia. Além disso, a última faixa do disco é o hino Pange Lingua. Há, portanto, várias possibilidades de audição. É claro que, se os artistas e produtores prepararam assim o disco, é assim que eles esperam que você o ouça. Mas, aqui está a minha sugestão: ouça, nesta ordem, as faixas 11, 2, 3, 6, 8 e 10. O hino é cantado a uma só voz e a sua melodia será usada imediatamente no Kyrie e assim por diante. Depois, faça como quiser… O contraste dos movimentos cantados a uma voz com os movimentos polifônicos é bem interessante. Aqui está a letra do hino Pange Lingua. Nesta gravação não são cantados todos os versos como está nesta letra, mas você perceberá…

Interior da Catedral de São João, em ‘s-Hertogenbosch, Holanda

Assistindo a um documentário sobre Hieronimus Bosch, pintor que morreu em 1516, ano da composição da missa, ouvi uma explicação sobre este tipo de música que tento transcrever aqui. A explicação foi dada por Stratton Bull, o diretor artístico e membro da Cappella Pratensis, conjunto que canta algumas das peças no documentário. “Se Hieronymus Bosch entrasse nesta igreja (em ‘s-Hertogen-bosch, a cidade em que viveu Bosch) em um dia qualquer da semana, ele ouviria uma grande variedade de música. Naquele tempo, a voz humana era essencial para a música devocional. Isto não quer dizer que instrumentos não estavam envolvidos. Haveria um maravilhoso órgão com um organista no prédio e há muitos registros de instrumentos tocando com as vozes. Mas as vozes são, é claro, essenciais para o tipo de música que expressa devoção a Deus. Especialmente através de textos bíblicos e outros textos religiosos. De novo, é a ideia de tomar a palavra e quando a palavra se torna importante, dar a ela uma adicional dimensão. Isto é exatamente o que cantar faz, no lugar de apenas falar. Isto dá a ela uma extra cor e quando se adiciona mais vozes, tudo torna-se mais ornado e complexo”. Josquin sabia disso como poucos.

The Haywain Triptych (1512 – 1515), H. Bosch

Josquin Desprez (1450 – 1521)

  1. Intoït
  2. Kyrie – (Josquin)
  3. Gloria – (Josquin)
  4. Graduel
  5. Alleluia
  6. Credo – (Josquin)
  7. Offertoire
  8. Sanctus – (Josquin)
  9. O Salutaris
  10. Agnus Dei – (Josquin)
  11. Hymne “Pange Lingua”

Ensemble Clément Janequin                          Ensemble Organum

Dominique Visse, contratenor                            Gérard Lesne, contratenor

Michel Laplénie, tenor                                         Josep Benet, tenor

Philippe Cantor, barítono                                     Josep Cabré, barítono

Antoine Sicot, baixo                                             François Fauché, baixo

Direção: Marcel Pérès

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Otto achando muita graça de mim por eu não ter visto antes o violino, na capa do livro dele…

Não é necessário ser religioso para se sentir elevado por esta música. Espero que ouvir o disco seja uma experiência tão gratificante para você quanto tem sido para mim.

René Denon

Gustav Mahler (1860-1911) – Symphony nº 2 in C Minor ‘Ressurreição’ – Bernarda Fink ,Mariss Jansons, Chor und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks

Um dos compositores que são unanimidade aqui no PQPBach com certeza é Mahler. Lamentamos sua morte tão precoce (meros 50 anos de idade), pois sua produção seria ainda mais extraordinária do que a que já conhecemos.

Hoje trago para os senhores a imensa e belíssima Segunda Sinfonia, que tem a duração de 1 hora e vinte minutos. Sua execução pede a seguinte instrumentação:

4 flautas (todas alternando com 4 piccolos), 4 oboés (2 alternando com corne inglês), 3 clarinetes (Sib, La, Do – um alternando com clarone), 2 clarinetes em Mib, 3 fagotes, 1 contrafagote, 10 trompas em fá (4 usadas fora do palco, menos no final), 8-10 trompetes em fá e dó (4 a 6 usados fora do palco, menos no final), 4 trombones, 1 tuba contrabaixo, 7 tímpanos (um fora do palco), 2 pares de pratos (um fora do palco), 2 triângulos (um fora do palco), Caixa clara, Glockenspiel, 3 sinos (Glocken, sem afinação), 2 bombos (um fora do palco), 2 tam-tams (alto e baixo), 2 harpas, órgão,quinteto de Cordas (violinos I, II, violas, cellos e baixos com corda Dó grave). Há ainda: Soprano Solo, Contralto Solo e um Coro Misto. (Wikipedia)

Foi a primeira sinfonia onde Mahler se utiliza da voz humana. Trata do tema da ‘Ressurreição”. Ele acredita que em um determinado momento a vida prevalecerá sobre a morte.

A gravação que trago para os senhores é bem recente, ainda do final de 2018, e foi realizada ao vivo, com a participação do veterano maestro Mariss Jansons à frente da magnífica Orquestra da Rádio Bávara e de seu Coro.

Meu maestro favorito para esta sinfonia sempre será Leonard Bernstein, mas Mariss Jansons faz um trabalho extraordinário aqui. Claro que não é a primeira vez que ele grava essa obra, mas provavelmente é a sua interpretação mais intensa. Além disso ele conta com a cumplicidade de uma orquestra que dispensa apresentações. Lembremos que Mariss Jansons, antes de assumir essa orquestra, era diretor de outro magnífico conjunto orquestral, a do Concertgebouw de Amsterdam. Convenhamos, o currículo do homem não é fraco, não acham?

Com a ajuda da Wikipedia, trago abaixo a letra da obra, com sua respectiva tradução:

Quarto Movimento

Quinto Movimento

P.S. Por um período estou trocando de servidor, para o Mediafire. Neste meio tempo tentarei rever minha situação junto ao MEGA.  Aguardo uma avaliação por parte dos senhores. Ainda é conta Free, mas se tudo der certo, pretendo torná-lo meu servidor oficial.

GUSTAV MAHLER – Symphonie Nr. 2 c-Moll „Auferstehungssymphonie“ für Sopran- und Alt-Solo, gemischten Chor und Orchester

01 Allegro maestoso. Mit durchaus ernstem und feierlichem Ausdruck
02 Andante moderato. Sehr gemächlich. Nie eilen
03 In ruhig fließender Bewegung. Sehr gemächlich. Nicht eilen
04 „Urlicht“. Sehr feierlich, aber schlicht (choralmäßig). Nicht schleppen
05 Im Tempo des Scherzo. Wild herausfahrend („Auferstehn, ja auferstehn wirst du“)

Bernarda Fink – Contralto
Anja Harteros – Soprano
Chor und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Mariss Jansons Dirigent / conductor

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Hildur Guðnadóttir (1982): Trilha Sonora de Chernobyl

Hildur Guðnadóttir (1982): Trilha Sonora de Chernobyl

A excelente compositora islandesa Hildur Guðnadóttir visitou várias usinas nucleares reais para se inspirar. Em uma entrevista, Guðnadóttir contou como seguiu a equipe de filmagem até uma usina nuclear desativada na Lituânia — até mesmo usando um traje de liquidador — para a pesquisa. Guðnadóttir, que é violoncelista das boas, foi acompanhada por Chris Watson na gravação de campo. Mas isso não foi apenas para coletar amostras, mas, como ela diz, para ouvir. Assim, todo som que você ouve é de fato tirado da paisagem de uma usina nuclear semelhante àquela da era soviética, mas, como ela diz, o ato de observar era tão importante quanto. “Eu queria experimentar a sensação de estar dentro de uma usina”, diz ela. “Tentei fazer a música a partir de uma história”. A trilha sonora é pura música eletrônica. Absolutamente assustadora. Da boa.

Hildur Guðnadóttir (1982): Trilhe Sonora de Chernobyl

1 –Hildur Guðnadóttir The Door 2:43
2 –Hildur Guðnadóttir Bridge Of Death 4:44
3 –Hildur Guðnadóttir Turbine Hall 2:37
4 –Homin Lviv Municipal Choir* Vichnaya Pamyat 4:07
5 –Hildur Guðnadóttir Pump Room 3:44
6 –Hildur Guðnadóttir Clean Up 1:41
7 –Hildur Guðnadóttir Dealing With Destruction 1:55
8 –Hildur Guðnadóttir Waiting For The Engineer 1:32
9 –Hildur Guðnadóttir Gallery 2:24
10 –Hildur Guðnadóttir 12 Hours Before 2:32
11 –Hildur Guðnadóttir Corridors 3:13
12 –Hildur Guðnadóttir Líður (Chernobyl Version) 2:48
13 –Hildur Guðnadóttir Evacuation 4:44

Hildur Guðnadóttir gravou tudo.

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Hildur Guðnadóttir: o talento que nasceu no frio islandês

Les Arts Florissants: Secular Music + Sacred Music + Music & Theater, dir. William Christie

Les Arts Florissants
Edição comemorativa de 40 anos
Secular Music
Sacred Music
Music & Theater
dir. William Christie, Paul Agnew

Sandrine Piau         Michel Laplénie
Veronique Gens         Ian Honeyman
Agnès Mellon         Philippe Cantor
2019

Dedicado ao desempenho da música barroca nos últimos 40 anos, Les Arts Florissants nunca deixa de revelar um novo repertório, muitos dos quais passamos a classificar como entre as melhores realizações musicais na vida cultural da França (Lully, de Lalande, Charpentier, Rameau …), Itália (Monteverdi, Rossi …) e Inglaterra (Purcell, Handel …) – um legado que eles disponibilizaram para músicos e grupos em todo o mundo.

Quer tenham sido destinados aos cultos da igreja, aos palcos de teatro ou ao entretenimento real, aqui estão algumas das melhores jóias musicais, desde a lendária gravação de Atys até as mais recentes coleções de arias e madrigais, para listar apenas algumas. Quase todos os capítulos musicais da história do conjunto fizeram história e, juntamente com horas de puro prazer, esta retrospectiva certamente trará de volta boas recordações de seu primeiro encontro com Les Arts Florissants, que se tornou um pilar de nossa vida cultural coletiva. (do site do produtor)

CD 01 – Musique Profane
Claudio Giovanni Antonio Monteverdi (Cremona, 1567- Veneza, 1643)
01 – Zefiro torna, e di soavi accenti, SV 251
02 – Madrigals, Book 8, SV 146–167 “Madrigali guerrieri et amorosi”: Lamento de la ninfa, SV 163
03 – Il combattimento di Tancredi e Clorinda, SV 153
04 – Madrigals, Book 7, SV 117–145: Lettera amorosa, SV 141 (Live)
05 – Sestina Lagrime d’Amante al Sepolcro dell’Amata, SV 107, Prima parte: I. “Incenerite spoglie”
Carlo Gesualdo, aka Gesualdo da Venosa (Italy, 1566 – 1613)
06 – Madrigals, Libro III: IX. Non t’amo, o voce ingrata
Honoré d’Ambruys (France, séc. 18)
07 – Le doux silence de nos bois
Michel Lambert (França, 1610-1696)
08 – Le repos, l’ombre, le silence
09 – Airs à une, II, III et IV parties avec la basse-continue: Sans murmurer
Michel Pignolet de Montéclair (França, 1667 – 1737)
10 – La Mort de Didon pour soprano, violon, flûte et basse continue (6e cantate, Livre I)

CD 02 – Musique Sacrée
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
01. Te Deum, H. 146: I. Prélude
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
02. Messiah, HWV 56, Part II: “Hallelujah!”
03. The Ways of Zion Do Mourn: IV. She put on righteousness. Chorus
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
04. Le Reniement de Saint Pierre , H. 424
05. Antiennes “O” de l’Avent, H.36-43, Premier O: “O Sapientia”
Luigi Rossi (Italia, 1597 – 1653)
06. Un peccator pentito: “Spargete sospiri”
Claudio Giovanni Antonio Monteverdi (Cremona, 1567- Veneza, 1643)
07. Selva morale e spirituale, SV 252-288: “Chi vol che m’innamori” a 3 voci e due violini
08. Selva morale e spirituale, SV 252-288: “O ciechi ciechi” a 5 voci et doi violini
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)
09. Salve Regina
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
10. Il Trionfo del Tempo e del Disinganno, HWV 46a: “Lascia la spina, cogli la rosa ” (Piacere)
Michel Richard de Lalande (France, 1657-1726)
11. Cantique Quatrième “sur le bonheur des justes & sur le malheur des resprouvez”: “Heureux, qui de la sagesse”
12. Te Deum, S.32: I. Simphonie
13. Te Deum, S.32: II. Te Deum laudamus
Johann Sebastian Bach (Germany, 1685-1750)
14. Mass in B Minor, BWV 232: Benedictus (Live)
Sébastien de Brossard (França 1655 – 1730)
15. Miserere mei Deus, SdB. 53 (Live)

CD 03 – Musique & theatre
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
01. Les Arts florissants, H. 487: I. Ouverture
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)
02. Atys, LWV 53, Prologue: Ouverture
03. Atys, LWV 53, Acte III, Scène 4: Prélude. “Dormons, dormons tous” (Le Sommeil)
Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764)
04. Castor & Pollux, RCT 32, Acte I, Scène 1: Que tout gémisse (Troupe de Spartiates)
05. Castor & Pollux, RCT 32, Acte I, Scène 3: Tristes apprêts, pâles flambeaux (Télaïre)
06. Anacréon, RCT 30: Quel Bruit? Quelle clarté vient ici se répandre? (Prétresse de Bacchus et sa suite, Anacréon, Lycoris, Suite d’Anachréon)
07. Les Indes galantes, RCT 44, Troisième Entrée, Scène 3: “Amour, Amour, quand du destin j’éprouve la rigueur…” (Zaïre, Tacmas)
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
08. David et Jonathas H. 490, Prologue, Scène 1: “Où suis-je ? Qu’ai-je fait ?” (Saül)
09. David et Jonathas H. 490, Acte I, Scène 3: “Ciel ! Quel triste combat en ces lieux me rappelle ?” (David)
10. Le Malade imaginaire, H. 495, Premier intermède: “Notte e di” (Spacamond)
Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764)
11. Pygmalion, RCT 52, Acte I, Scènes 1-3: Fatal Amour, cruel vainqueur (Pygmalion)
André Campra (França, 1660-1744)
12. Idoménée, Acte I, Scène 1: “Venez, Gloire, Fierté” (Ilione)
13. Idoménée, Acte II, Scène 1 – Scène 2: “O Dieux ! ô justes Dieux” (Chœur de peuple) – “Cessez de soulever les ondes” (Neptune)
Luigi Rossi (Italia, 1597 – 1653)
14. Orfeo, Acte III, Scène 10: “Abandonnez l’Averne, ô peines, et me suivez !” (Orfeo, Giove, Mercurio, Coro Celeste)
Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764)
15. Dardanus, RCT 35: “Hâtons-nous,courons à la gloire”
Antoine Dauvergne (França, 1713 – 1797)
16. La Vénitienne: “Livrons-nous au sommeil”
Michel Pignolet de Montéclair (França, 1667 – 1737)
17. Jephté, Act II, Scène 6: Marche au son des tambourins. “Ô jour heureux” (Iphise, Elise, Troupe d’Habitants de Maspha)

Les Arts Florissants: Secular Music + Sacred Music + Music & Theater
Les Arts Florissants 
dir. William Christie

Ansiosa para saber a opinião da turma do PQP.

 

 

 

 

 

 

 
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Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Catalin Rotaru – Bass(ic) Cello Notes

Catalin Rotaru – Bass(ic) Cello Notes

Você já imaginou uma orquestra sem contrabaixos? Pois é: uma desgraça – pior ainda tratando-se de uma orquestra de cordas. Mas como instrumento solista falta ainda bastante para o contrabaixo se consolidar dentro do repertório orquestral, mesmo com Bottesini (o Paganini do instrumento) tendo aberto caminhos para seu virtuosismo.

Nem mesmo a música de câmara contribuiu com muita coisa, tanto que um camarada chamado Catalin Rotaru encheu o saco e começou a fazer transcrições de peças mais desafiadoras, originalmente escritas para violoncelo ou violino. O romeno residente nos EUA, por exemplo, pinta e borda na paráfrase que escreveu sobre o Capricho 24 do aludido Paganini.

Porém neste CD aqui vocês verão um Rotaru comedido (comedido na demonstração de domínio técnico), que preferiu colocar apenas uma paráfrase (sobre Bach) em meio a duas sonatas (Brahms e Rachmaninov) onde respeita praticamente por completo a partitura, tocando o contrabaixo no registro agudo – ou seja, nas cello notes.

Nessas sonatas, a interpretação de Catalin chega a ser mais lírica do que a de muitos cellistas (particularmente, pela primeira vez senti beleza nessa primeira sonata de Brahms), por isso recomendo o download – que passa a ser obrigatório para fãs de peças do gênero, isto é, de sonatas.

***

Catalin Rotaru – Bass(ic) Cello Notes

Brahms
1. Sonata for Cello and Piano No.1 in E Minor, Op. 38: Allegro Non Troppo 11:53
2. Sonata for Cello and Piano No.1 in E Minor, Op. 38: Allegretto Quasi Menuetto 5:43
3. Sonata for Cello and Piano No.1 in E Minor, Op. 38: Allegro 6:48

Bach
4. Chaconne from Partita No. 2 in D minor, BWV 1004: Ciaccona 14:30

Rachmaninov
5. Sonata for Cello and Piano, Op. 19: Lento – Allegro Moderato 10:56
6. Sonata for Cello and Piano, Op. 19: Allegro Scherzando 6:40
7. Sonata for Cello and Piano, Op. 19: Andante 6:13
8. Sonata for Cello and Piano, Op. 19: Allegro mosso – Moderato – Vivace 11:26

Catalin Rotaru, contrabaixo
Baruch Meir, piano

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Catalin Rotaru dizendo que poderia ser um tiquinho mais grave.

CVL

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 20 – 2 – 10

Aqui, boa parte desta coleção.

Mais um excelente disco desta coleção de Cantatas com Kuijken e La Petite Bande. As Cantatas BWV 20 e BWV 10 são especialmente belas. O som da Accent é maravilhoso e o conjunto holandês é um absurdo de bom. Nada a reclamar. É sentar e ouvir uma das melhores interpretações de Cantatas de Bach, apenas comparável ao conjunto de gravações de Gardiner.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 20 – 2 – 10

1 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Chorale: O Ewigkeit, du Donnerwort (Chorus) 4:15
2 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Recitative: Kein Ungluck ist in aller Welt zu finden (Tenor) 3:46
3 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Aria: Ewigkeit, du machst mir bange (Tenor) 4:45
4 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Recitative: Gesetzt, es dau’rte der Verdammten Qual (Bass) 3:02
5 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Aria: Gott ist gerecht in seinen Werken (Bass) 4:25
6 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Aria: O Mensch, errette deine Seele (Alto) 1:43
7 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part I: Chorale: Solang ein Gott im Himmel lebt (Chorus) 1:11
8 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part II: Aria: Wacht auf, wacht auf, verlornen Schafe (Bass) 2:44
9 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part II: Recitative: Verlass, o Mensch, die Wollust dieser Welt (Alto) 1:24
10 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part II: Duet: O Menschenkind, hor auf geschwind (Alto, Tenor) 3:39
11 O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20: Part II: Chorale: O Ewigkeit, du Donnerwort (Chorus) 1:23

12 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Chorale: Ach Gott, vom Himmel sieh darein 5:24
13 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Recitative: Sie lehren eitel falsche List (Tenor) 1:19
14 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Aria: Tilg, o Gott, die Lehren (Alto) 3:30
15 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Recitative: Die Armen sind verstort (Bass) 1:44
16 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Aria: Durchs Feuer wird das Silber rein (Tenor) 5:03
17 Ach Gott, vom Himmel sieh darein, BWV 2: Chorale: Das wollst du, Gott, bewahren rein 1:18

18 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Meine Seel erhebt den Herren (Chorus) 3:41
19 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Aria: Herr, der du stark und machtig bist (Soprano) 6:25
20 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Recitative: Des Hochsten Gut und Treu (Tenor) 1:24
21 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Aria: Gewaltige stosst Gott vom Stuhl (Bass) 3:04
22 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Duet and Chorale: Er denken der Barmherzigkeit (Alto, Tenor) 2:18
23 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Recitative: Was Gott den Vatern alter Zeiten (Tenor) 2:00
24 Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10: Chorale: Lob un Preis sei Gott dem Vater und dem Sohn 1:00

Siri Thornhill (soprano)
Petra Noskaiová (alto)
Marcus Ullmann (tenor)
Jan van der Crabben (bass)
La Petite Bande
Kuijken, Sigiswald

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La Petite Bande dando um rolê por aí.

PQP

Jean-Philippe Rameau (France, 1683-1764): Zaïs – Les Talens Lyriques, dir. Christophe Rousset, avec Sandrine Piau, soprano

Zaïs

Jean-Philippe Rameau
France, 1683-1764

Les Talens Lyriques
dir. Christophe Rousset

avec Sandrine Piau, soprano

2014

 

Em 1745, o rei concedeu a Jean-Philippe Rameau a posição de Composer du Cabinet du Roy, que veio com uma substancial pensão. Este novo período veria produções de uma forma mais leve, em colaboração com o libretista Louis de Cahusac e algumas das mais importantes obras-primas do músico borgonhês.

Zaïs, realizada em 1748 no palco da Académie Royale de Musique, é uma delas. Este ballet-héroïque deu à música francesa uma das suas melhores obras. A partitura inteira está à imagem de sua famosa abertura: organizar o Caos, surpreendente em seus timbres teatrais e na ousadia da harmonia. Embora o enredo seja bastante frágil – um amante (Zaïs) testando sua amada (Zélidie) para apreciá-la ainda mais – é o pretexto para inúmeros divertimentos e danças, cuja magia é um verdadeiro encanto ao ouvido.

40 anos depois de Gustav Leonhardt, é a vez de Christophe Rousset trabalhar nesta partitura em uma série contínua de gravações, concertos e escritos que fizeram dele um dos principais campeões de Rameau. (ex-internet)

As 80 faixas de Zaïs podem ser encontradas AQUI.

Palhinha: aprecie um vídeo especial para degustação:

Rameau – Zaïs – 2014
Les Talens Lyriques
dir. Christophe Rousset

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Sandrine encantada com o trabalho do Avicenna!

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

G. P. Telemann (1681-1767): Chamber Cantatas & Trio Sonatas

G. P. Telemann (1681-1767): Chamber Cantatas & Trio Sonatas

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Autor de obra vastíssima, Telemann foi o compositor mais famoso da época de Bach. Fazer o quê? Este disco não justifica tal gosto, mas demonstra um criador inspirado e amoroso. As Cantatas e Trios de Câmara aqui apresentadas são verdadeiras joias. Inspirado, Telemann enfileira belas melodias de um estilo que já se afastava do barroco que conhecemos, o que justifica plenamente chamar Bach de um “barroco tardio”. As Cantatas de Câmara têm estruturas de mini-concerto, com o Recitativo fazendo o papel de movimento lento. O Musica Pacifica e as cantoras Christine Brandes e Jennifer Lane foram muito felizes em uma abordagem ao mesmo tempo histórica e MUITO musical. Vale a pena ouvir.

G. P. Telemann (1681-1767): Chamber Cantatas & Trio Sonatas

Telemann: Corellisante Sonata No. 6 in D major, TWV 42:D8 9:27
1 I. Pastorale: Moderato 2:37
2II. Corrente: Vivace 2:12
3 III. Gavotta: Allegro 1:57
4 IV. Grave 0:53
5 V. Vivace 1:48

Telemann: In gering- und rauhen Schalen, TWV 1:941 10:53
6 Aria: In gering- und rauhen Schalen 4:49
7 Recitative: O Eitelkeit, du kluger Sterblicher 2:26
8 Aria: Nicht uns, nein, nein, nur dir allein 3:38

Telemann: Ergeuß dich zur Salbung der schmachtenden Seele, TWV 1:447 16:00
9 Aria: Ergeuss dich zur Salbung 6:46
10 Recitativo: Samaria empfing den heil’gen Geist 2:18
11 Aria: Schwarzer Geist der Dunkelheit 6:56

Telemann: 6 Sonates corellisantes: Sonata No. 4 in E major, TWV 42:E3 8:31
12 I. Andante 1:33
13 II. Allemanda: Allegro 3:02
14 III. Largo 1:36
15 IV. Giga: Allegro 2:20

Telemann: Durchsuche dich, o stolzer Geist, TWV 1:399 12:59
16 Aria: Durchsuche dich, O stolzer Geist 6:52
17 Recitative: Ach, welcher sich 1:47
18 Aria: Herr der Gnade, Gott des Lichts 4:20

Telemann: Halt ein mit deinem Wetterstrahle (TVWV 1:715) 9:04
19 Aria: Halt ein mit deinem Wetterstrahle 3:16
20 Recitative: Begluckte Stunden 2:05
21 Aria: Hemmet die Bache der sturzenden Tranen 3:43

Telemann: Erwag, o Mensch, sechs ganze Tage, TWV 487b 10:09
22 Aria: Erwag, O Mensch 4:20
23 Recitative: Ja! wer die Sussigkeit 1:05
24 Aria: Ergetzende Ruhe begnadigter Herzen 4:44

Musica Pacifica
Christine Brandes (soprano)
Jennifer Lane (mezzo-soprano)

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O Musica Pacifica em 2019.

PQP

Charles Gounod (1818-1893): Faust – Placido Domingo, Mirella Freni, Nicolai Ghiaurov, Georges Prêtre

Esta magnífica versão da ópera de Gounod baseada em Goethe me cativou desde o começo. Solistas, orquestra, coro e maestro estão em perfeita sintonia. Nicolai Ghiaurov está impecável no papel de Mefistófeles, assim como o então jovem Placido Domingo como Fausto  e a veterana Mirella Freni no papel de Margarete, sem esquecermos a magnífica condução de Georges Prêtre, um dos principais condutores de ópera do século XX.

Fausto é uma ópera em cinco (ou às vezes quatro) atos do compositor francês Charles Gounod (libreto francês de Jules Barbier e Michel Carré) que estreou em Paris em 19 de março de 1859. O trabalho baseia-se na peça em duas partes de Johann Wolfgang von Goethe. a lenda alemã de um homem que vende sua alma ao diabo em troca de conhecimento e poder. A ópera de Gounod não tenta igualar a amplitude temática ou a sofisticação filosófica da obra-prima de Goethe, concentrando-se no encontro romântico de Fausto com Marguerite e nos resultados trágicos de sua ligação. O Fausto de Gounod foi um sucesso e estabeleceu a reputação internacional do compositor.

Estou disponibilizando um link com o libreto da ópera, com o texto original em francês e sua tradução para o inglês, mas na internet os senhores encontram outras opções.

Ao ouvir o coro que abre o terceiro CD, ‘Déposons les armes!’ lembrei-me imediatamente de um programa de rádio que ouvia quando era adolescente, pois era exatamente esse Coro que abria e fechava a programação de música clássica daquela rádio. Não perguntam qual rádio, pois não lembro.

Personagens
Doutor Faust, um filósofo (tenor)
Méphistophélès, o diabo (baixo)
Marguerite, uma jovem mulher (soprano)
Valentin, irmão de Marguerite, soldado (barítono)
Siébel, um estudante de Faust, apaixonado por Marguerite (mezzo-soprano)
Wagner, um estudante (barítono)
Marthe Schwerlein, vizinha de Marguerite (mezzo-soprano)
Meninas, trabalhadores, estudantes, soldados, aldeões, demónios invisíveis, rainhas e cortesãs da antiguidade, vozes celestes.

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

LIBRETO DA ÓPERA  COM TRADUÇÃO EM INGLÊS

 

XJL158467 Poster advertising ‘Faust’, opera by Charles Gounod (1818-93) 1875, engraved by T. Laval (litho) by French School, (19th century); Bibliotheque de l’Opera Garnier, Paris, France; (add.info.: opera in five acts written 1859; based on the story written by Goethe;); French, out of copyright

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

As sinfonias de Svendsen são atléticas e animadas, mesmo nos movimentos lentos. Suas orquestrações são esplêndidas, mas falta-lhe a mágica dos compositores efetivamente grandes. A organização é a convencional de quatro movimentos, com dois allegri no início e no final, um segundo movimento andante e um intermezzo ou scherzo no terceiro. É agradável, culto e nada profundo. Bom para festas. Svendsen nasceu na Noruega, mas passou a maior parte de sua vida na Dinamarca. Escreveu majoritariamente obras para orquestra. Durante a vida, foi amigo de vários compositores, sendo que os principais deles são Grieg, Liszt e Wagner.

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

Symphony No.1 In D Major, Op. 4 (34:48)
1 Molto Allegro 9:10
2 Andante 11:06
3 Allegro Scherzando 5:23
4 Finale: Maestoso 8:42

Symphony No.2 In B Flat Major, Op. 15 (30:08)
5 Allegro 9:01
6 Andante Sostenuto 5:59
7 Intermezzo: Allegro Giusto 5:16
8 Finale: Andante – Allegro Con Fuoco 9:26

Two Swedish Folk Tunes, For String Orchestra (5:29)
9 Allt Under Himmelens Fäste 2:53
10 Du Gamla, Du Friska, Du Fjellhöga Nord (Swedish National Anthem) 2:30

Göteborgs Symfoniker (The Gothenburg Symphony Orchestra)
Conductor – Neeme Järvi

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Svendsen: eta homem decidido!

PQP

Domenico Scarlatti (1685-1757): 18 Sonatas – Alexandre Tharaud, piano

Domenico Scarlatti (1685-1757): 18 Sonatas – Alexandre Tharaud, piano

Scarlatti – 18 Sonatas

Como o personagem do livro de Virginia Woolf, Domenico Scarlatti viveu duas vidas em uma, mas não fez mudança de sexo.

Nascido no mesmo ano em que nasceram Johann Sebastian Bach e George Frideric Handel, mostrou talento fenomenal para música desde cedo. Seu pai, Alessandro Scarlatti, era músico famoso e muito bem estabelecido em Nápoles. Exerceu grande influência sobre a carreira do filho. Após a sua morte, em 1725, Domenico começou uma outra vida, pelo menos para a música, e produziu a obra pela qual agora é justamente famoso. Se a sua vida tivesse terminado na primeira etapa, ele teria sido um mestre menor. O que lhe garante o destaque na História da Música são as perto de 550 sonatas para cravo que produziu em sua segunda vida.

Scarlatti, por Velasco, em trajes de Cavaleiro da Ordem de Santiago

Produzidas como exercícios, nelas ele explorou e desenvolveu a técnica do teclado imensamente, mas produziu também verdadeiras pérolas que estão no repertório dos maiores (e menores) pianistas. Nestas peças exuberantes notamos ritmos de danças, muita alegria e elementos da música folclórica da Espanha. Scarlatti, com respeito a técnica do teclado, foi tão inovador quanto seriam, muitos anos depois, Liszt e Chopin. Saltos e arpejos extensíssimos, notas de passagens duplas, cruzamentos de mãos e rápidas repetições de notas. Chopin tinha grande admiração pelas peças de Scarlatti. Vladimir Horowitz sempre teve as suas sonatas em seu repertório e muito fez para o seu reconhecimento. Suas gravações ainda hoje são referências.

Scarlatti conviveu com os nobres e os grandes artistas de seu tempo. Em Roma frequentava os encontros musicais promovidos pelo Cardeal Pietro Ottoboni, que em uma destas ocasiões foi o juiz de um duelo entre os jovens Scarlatti e Handel. Considerados empatados no cravo, o enorme saxão levou a melhor no órgão. A disputa não impediu que os dois extraordinários músicos fossem amigos por toda a vida. Neste círculo de convivência conheceu o Embaixador de Portugal, o Marques de Fontes. Esta conexão o levou posteriormente, após um período em Londres, à Lisboa, onde o rei D. João V o tornou professor de música da Princesa Maria Bárbara de Bragança. A princesa casou-se em 1729 com o Príncipe Fernando de Astúrias, de Espanha, e assim Scarlatti mudou-se para Madri. Scarlatti e sua música tornaram-se espanhóis. A princesa tornou-se rainha e o protegeu por toda a vida.

Maria Barbara quando era a Princesa de Astúrias

Neste disco temos o pianista francês, Alexandre Tharaud, que nos explica a escolha do repertório. As Sonatas K. 239, K. 420 e K. 141 trazem o elemento folclórico da Música Espanhola e o Flamenco. Nas Sonatas K. 72, K. 29, K. 514 e K. 3 destaca-se o estilo virtuosístico. As Danças da Corte estão presentes nas Sonatas K. 430 e K. 64, enquanto as Sonatas K. 208, K. 32 e K. 132 lembram árias de óperas. As Sonatas K. 380, K. 9 e K. 481 são figurinhas carimbadas, aparecem em quase todos os álbuns de música de Scarlatti e Tharaud as estudava desde a adolescência.

Apesar de suas sonatas terem sido compostas para cravo, elas adaptam-se maravilhosamente ao piano. Eu tenho grande predileção pelas gravações de Horowitz, Perahia, Pogorelich, Pletnev e Subdin. Mesmo o despretensioso disco da pianista eslovena Dubravka Tomšič merece atenção. Mas o artista da vez, Alexandre Tharaud, é de primeira grandeza e o disco, com selo Virgin Classics, é muito bem produzido por Cécile Lenoir.

Minha Sonata preferida é a dolente K. 208. Cuidado, ela derreterá seu coração!

A aula da princesa, pintada por Gaspare Traversi

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata K. 239 em fá maior – Allegro
  2. Sonata K. 208 em lá maior – Adagio è cantabile
  3. Sonata K. 72 em dó maior – Allegro
  4. Sonata K. 8 em sol menor – Allegro
  5. Sonata K. 29 em ré maior – Presto
  6. Sonata K. 132 em dó maior – Cantabile
  7. Sonata K. 430 em ré maior – Non presto mà a tempo di ballo
  8. Sonata K. 420 em dó maior – Allegro
  9. Sonata K 481 em fá menor – Andante è cantabile
  10. Sonata K. 514 em dó amior – Allegro
  11. Sonata K. 64 em ré menor – Gavota: Allegro
  12. Sonata K. 32 em menor – Aria
  13. Sonata K. 141 em ré menor – Allegro
  14. Sonata K. 472 em si bemol maior – Andante
  15. Sonata K. 3 em lá menor – Presto
  16. Sonata K. 380 em mi maior – Andante commodo
  17. Sonata K. 431 em sol maior – Allegro
  18. Sonata K. 9 em ré menor – Allegro

Alexandre Tharaud, piano

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Alexandre agradecendo aos leitores do blog!

A música de Scarlatti é perfeita para ser ouvida numa manhã ensolarada de domingo, garantia-me um querido amigo matemático inglês, já há muitos anos. Agora eu o entendo, perfeitamente!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Motetos, BWV 225 – 230 & BWV Anh. 159 – The Hilliard Ensemble

J. S. Bach (1685-1750): Motetos, BWV 225 – 230 & BWV Anh. 159 – The Hilliard Ensemble
Não precisa limpar os óculos, a ECM gosta destas capas assim, modernosas…

Motetos, um mar de ondulantes harmonias!

 

Este disco é um forte candidato a meu Disco-do-Ano, mesmo que não tenha sido lançado este ano. Se levarmos em conta a rapidez com que os discos atualmente veem e vão, um disco de 2007 (gravado em 2003) é uma velharia. Mas eu uso outras medidas, outros calendários. Estava de olho nele há tempo e finalmente os nossos caminhos se cruzaram.

O que torna um disco significativo para você, antes mesmo que ouça ainda que seja um pedacinho dele?

É claro que a combinação compositor-repertório atrai logo a atenção. Neste caso, Bach-Motetos, temos uma combinação vencedora. Logo em seguida, e aí quase deterministicamente, intérprete(s). Neste quesito, o disco oferece uma opção interessantíssima, levando os níveis de curiosidade à estratosfera. Mas, antecipo, a combinação autor-repertório-intérpretes, neste caso, não é óbvia, mas absolutamente intrigante. O Hilliard Ensemble é bem conhecido por suas interpretações de música anterior ao período barroco e teve que ser expandido, acrescentando os dois sopranos, um contra tenor e um baixo para realizar o disco. As vozes dos sopranos tornam o som dos Hilliard diferente, mas adequado para o repertório.

No conjunto da música sacra de Bach – Cantatas, Magnificat, Missas, Paixões, Oratórios e mesmo outras peças menores, os Motetos têm uma posição singular.

Veja a definição – moteto é uma composição vocal em estilo polifônico (muitas vozes) sobre um texto bíblico ou prosa similar, para ser usado em um serviço religioso. A palavra moteto tem origem latina, assim como mote (lema, tema, assunto), mot (palavra, em francês), motejo (zombaria). Bon mot – um chiste.

Mesmo nos dias de Bach, esta forma musical era arcaica. Apesar disso, os motetos foram as suas peças vocais que continuaram a ser interpretadas após a sua morte até o renascimento do interesse do público em geral por sua obra, nos fins do Século XIX.

Singet dem Herren…

Em abril de 1789, Mozart fez uma parada em Leipzig durante uma viagem a Berlim. Mozart teria feito improvisações no órgão da Igreja de São Tomás e ficou surpreso ao ouvir o Moteto Singet dem Herren ein neus Lied, cantado pelo Coro de Meninos da Igreja. Ele teria dito: “Finalmente algo do qual se possa aprender”. Pediu que as partituras das diferentes vozes fossem dispostas em cadeiras em torno dele, para que pudesse estudar a música. Ele levou consigo uma cópia da peça. Esta cópia se encontra em uma instituição em Viena e tem uma anotação feita por ele: “Uma orquestra completa deve ser acrescentada”.

Essa observação nos leva às diferentes maneiras de interpretar os Motetos. As suas partituras constam apenas de vozes – soprano, contralto, tenor e baixo. Apenas em um deles tem indicação de acompanhamento de baixo contínuo (Lobet den Herrn, alle Heiden). Alguns são em oito vozes (duplo coro), outros em quatro (ou cinco) vozes. Mas, tradicionalmente, usa-se instrumentos (colla parte) para reforçar as vozes. Outra grande diferença está no número de cantores para cada parte (cada voz). Os grandes coros das interpretações de Karl Richter, Fritz Werner, Wolfgang Gönnenwein cederam vez aos coros com poucos cantores em cada voz, seguindo a tendência das interpretações que observam os instrumentos e técnicas usadas na época das composições. Entre essas distinguem-se as gravações de Gardiner (duas), Herreweghe, Ton Koopmann e Sigiswald Kuijken.

A gravação que postamos aqui vai ainda mais longe. Seguindo a teoria de Joshua Rifkin, temos uma gravação com um cantor apenas para cada voz e nada de instrumentos acompanhando. Apenas no Moteto Lobet den Herrn, alle Heiden temos um acompanhamento de órgão tocando o contínuo da partitura. Temos, portanto, uma versão minimalista das peças, mas nada pequena.

Independentemente do tipo de interpretação ao qual você está apegado, se é que você tem alguma, ouça o disco. Essa formação, aliada à expertise e dedicação do grupo permite que observemos essa maravilhosa música de uma forma nova e essencialmente natural, quase primeva. Vozes humanas recriando um universo sonoro sofisticadíssimo. O escritor E.T.A. Hoffmann comparou os motetos a oito vozes às “ousadas e maravilhosas estruturas da Catedral de Strasbourg…” Recriar catedrais à oito vozes é o desafio a que se propõem os cantores deste disco. Em minha opinião, eles o superam galhardamente.

Vista da Catedral de Strasbourg

Os Motetos Singet dem Herrn ein neues Lied; Der Geist hilft unser Schwachheit auf; Fürchte dich nicht, ich bin bei dir; Komm, Jesu, komm e Ich lasse dich nicht, du segnest mich denn, são a oito vozes (duplo coro). Os dois outros Motetos são a quatro ou cinco (dois sopranos) vozes.

No início de carreira, Richard Wagner foi regente em Dresden. Ele regeu um concerto no dia 22 de janeiro de 1848. No programa, a Sinfonia “Praga”, de Mozart,  o Moteto Singet dem Herrn ein neues Lied, uma cena de Medea, de Cherubini e a Sinfonia Eroica, de Beethoven. Posteriormente, em um ensaio intitulado “A Música do Futuro”, escreveu loas ao moteto, “pelo valor lírico de sua melodia rítmica … ressurgindo em um mar de ondulantes harmonias”. Poético e sensível Richard.

Rosácea, Catedral de Strasbourg

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Motetos BWV 225 – 230 e BWV Anh. 159

  1. Singet dem Herrn ein neues Lied, BWV 225
  2. Der Geist hilft unser Schwachheit auf, BWV 226
  3. Jesu, meine Freude, BWV 227
  4. Fürchte dich nicht, ich bin bei dir, BWV 228
  5. Komm, Jesu, komm, BWV 229
  6. Lobet den Herrn, alle Heiden, BWV 230
  7. Ich lasse dich nicht, du segnest mich denn, BWV Anh. 159

The Hilliard Ensemble

Joanne Lunn, soprano

Rebecca Outram, soprano

David James, contra tenor

David Gould, contra tenor

Rogers Covey-Crump, tenor, órgão

Steven Harrold, tenor

Gordon Jones, barítono

Robert Macdonald, baixo

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Aproveite, nem sempre temos anjos cantando um mar de ondulantes harmonias!

René Denon

Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Eu, como um grande entusiasta da obra de Satie, quero compartilhar essa pequena joia musical.

“Sketches of Satie” é uma coletânea de composições originais para piano de Erik Satie, rearranjadas e tocadas pelos irmãos Steve (violão) e John Hackett (flauta). As peças foram tão bem transcritas para flauta e violão que é difícil acreditar, principalmente para os leigos, que não tenham sido originalmente compostas para estes instrumentos.

Os fãs do grupo Genesis, não serão surpreendidos pelo virtuosismo de Steve Hackett, ex-guitarrista da banda britânica. A revelação aqui é seu irmão John, que toca de forma tão natural e fluente, que demonstra uma inspiração quase divina.

A performance dos irmãos apresenta uma assombrosa e hipnótica, beleza exótica. Steve Hackett mostra aqui, porque é um dos melhores e mais versáteis violonistas (guitarristas) do mundo, cedendo os holofotes para seu irmão, ele exibe sem constrangimentos, uma admirável e irrestrita modéstia.

Uma ótima audição!

.oOo.

— Sketches of Satie —

1. Gnossienne No. 3 (2:24)
2. Gnossienne No. 2 (1:56)
3. Gnossienne No. 1 (3:18)
4. Gymnopédie No. 3 (2:36)
5. Gymnopédie No. 2 (2:52)
6. Gymnopédie No. 1 (3:55)
7. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir I (2:46)
8. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir II (1:36)
9. Pièces Froides No. 2 (2:05)
10. Avant Dernières Pensées (Idylle à Debussy) (0:57)
11. Avant Dernières Pensées (Aubade à Paul Dukas) (1:11)
12. Avant Dernières Pensées (Méditation à Albert Roussel) (0:54)
13. Gnossienne No. 4 (2:41)
14. Gnossienne No. 5 (3:20)
15. Gnossienne No. 6 (1:41)
16. Nocturnes No. 1 (3:31)
17. Nocturnes No. 2 (2:14)
18. Nocturnes No. 3 (3:36)
19. Nocturnes No. 4 (2:49)
20. Nocturnes No. 5 (2:27)

Steve Hackett (guitar)
John Hackett (flute)

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Os irmãos Hackett

Marcelo Stravinsky

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Este disco já foi chamado de Music for Two Lyra Viols, mas mudou de nome em sua reedição, ganhando o título de uma das peças. Uma “lyra viol” não é um instrumento especial, refere-se a um modo específico de tocar a viola da gamba, como um instrumento capaz de harmonia +  melodia, em vez de apenas melodia ou usado em um contexto puramente baixo. Esse conjunto de peças reflete a característica comum que Perl e Heumann empregam em suas aparições em concertos na Europa. O desconhecido Thomas Ford é um dos principais expoentes ingleses da lyra viol durante os períodos do final do Renascimento e do Barroco. O propósito declarado de Music for Two Lyra Viols é “celebrar e superar a melancolia, alterando a química de seu cérebro para colocar música em vez de outras drogas “. Sim, as duas são meio viajandonas. Perl contribui com uma nota de álbum altamente pessoal, que vagueia por temas distantes da música, mas que é uma novidade, pois o blá-blá-blá usual sobre os compositores  já encheu o saco. Um bom e melancólico CD, vindo de uma dupla e grupo hiper especializado neste gênero de repertório.

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Thomas Ford
01. A Paven, M. Maynes choice
02. The Galiard
03. Forget me not
04. The Baggepipes, Sir Charles Howards delight
05. Why not here, M. Crosse his choice
06. Cate of Bardie, The Queenes Jig

John Jenkins
07. Fantasia

John Danyel
08. Passymeasures
09. A Fancy

Alfonso Ferrabosco II
10. Almaine
11. Galliard
12. Coranto

Anthony Holborne
13. Goe from my window

Richard Alison
14. Goe from my window

Thomas Ford
15. A Paven, Sir Richard Westons delight
16. The Galiard
17. An Almaine, M. Westovers farewell
18. Whipit and Tripit, M. Southcotes Jig

Alfonso Ferrabosco
19. The Spanish Paven

William Lawes
20. Paven
21. Aire

Performers:
Hille Perl – Viola da Gamba
Friederike Heumann – Viola da Gamba, Treble Viol
Lee Santana – Renaissance Lute, Cittern
Michael Freimuth – Renaissance Lute

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Hille Perl dando um recital no Galpão Sinfônico do PQP Bach

PQP

Flausino Vale (1894-1954): Prelúdios

Flausino Vale (1894-1954): Prelúdios

Já que falei semana passada de Dworecki e sua contribuição à viola no Brasil, ocorreu-me de falar do maior dos violinistas e compositores para violino brasileiros (e que, vale abrir os parênteses, não se trata de um imigrante europeu): o mineiro Flausino Vale, chamado (com absoluta e inconteste razão) de “O Paganini brasileiro” por Villa-Lobos e que já foi executado por ninguém menos que Jascha Heifetz.

Por recomendação do Avicenna, acessei uma coleção da Funarte no Um que tenha (de onde tirei o arquivo que vocês irão baixar) e deparei com este CD em que Flausino é executado por seu maior admirador vivo: o violinista polonês naturalizado brasileiro Jerzy Milewski, que vez ou outra vejo passeando pela praia do Leme.

A maioria dos 21 prelúdios é de uma dificuldade paganiniana, pois parecem ter sido escritos para dois ou três violinos em um só, com a grande diferença – no plano da criação composicional – de se valer de cenas corriqueiras como fonte de inspiração (vejam os títulos nas faixas) e de incitar no ouvinte imagens de tal forma como Paganini nunca pensou lograr, tamanho o domínio da timbrística do violino que o mineiro possuía (quem não conseguir ouvir uma porteira em A porteira da fazenda ou identificar uma marcha fúnebre em Resquiescat in pace possivelmente tem agnosia irreversível).

Enfim, Flausino Vale é mais uma joia rara esquecida nessa bosta de país.

***

Flausino Vale (os prelúdios foram gravados fora da ordem original)

Devaneio
Sonhando
Tico-Tico
A Porteira da Fazenda
Viola Destemida
Folguedo Campestre
Implorando
A Mocinha e o Papudo
Asas Inquietas
Interrogando o Destino
Batuque
Requiescat In Pace
Mocidade Eterna
Acalanto
Rondó Doméstico
Tirana Riograndense
Repente
Brado Íntimo
Viva São João
Pai João
Casamento na Roça

Jerzy Milewski, violino

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Flausino: popular e erudito

CVL

Delalande, Couperin, Lully: Messe du Roi Soleil – Ensemble Marguerite Louise, dir. Gaétan Jarry

Messe du Roi Soleil

Michel Richard Delalande (France, 1657-1726)
François Couperin (França, 1668 – 1733)
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)

Ensemble Marguerite Louise
dir. Gaétan Jarry

2019

 

A Missa do Rei Sol foi sem dúvida um dos rituais privilegiados para a construção da glória do soberano, tanto pelo seu esplendor quanto pelo aspecto cerimonial que paralisa o tempo, solidificando a imagem eterna do poder real. Os maiores compositores do reino distinguiram-se fazendo do serviço sagrado um verdadeiro concerto celestial. O sino tocou, os pífanos e os tambores anunciaram a chegada do rei na galeria, o órgão explodiu os Grands Motets de Lully e Delalande, encantados sob as abóbadas douradas, os delicados e íntimos Petits Motets de Couperin aparecem com graça nas alcovas da Capela Real…

O Rei Sol ouviu vários tipos de missa em sua capela, a mais famosa a “missa baixa solene” que consistia em um grand motet, um petit motet e um Domine salvum fac regem, todos cantados enquanto o padre falava calmamente a liturgia. Em outras ocasiões, ele ouviu música de órgão e canto e aqui nós temos um pouco de tudo, às vezes um pouquinho. Assim, o efeito geral é bastante insatisfatório, embora as obras principais – configurações de salmo de Delalande e Lully – sejam peças esplêndidas, dignamente cantadas. De fato, os solos e duetos de soprano são alguns dos melhores que eu já ouvi há muito tempo. No entanto, o veredicto geral tem que ser “poderia fazer melhor”. (ex-internet)

François-André Danican Philidor (França, 1726 – 1795
01. Marche pour fifres et tambours
Jean-Adam Guilain (Alemanha, c. 1680 – after 1739)
02. Suite du troisième ton: Plein Jeu
Michel Richard Delalande (France, 1657-1726)
03. Exaltabo te Domine, S.66: I. Exaltabo te Domine
04. Exaltabo te Domine, S.66: II. Psallite Domino,
05. Exaltabo te Domine, S.66: III. Ad vesperum demorabitur
06. Exaltabo te Domine, S.66: IV. Ego autem dixi
07. Exaltabo te Domine, S.66: V. Avertisti faciem tuam
08. Exaltabo te Domine, S.66: VI. Ad te clamabo
09. Exaltabo te Domine, S.66: VII. Quae utilitas
10. Exaltabo te Domine, S.66: VIII. Audivit Dominus
François Couperin (França, 1668 – 1733)
11. Messe des couvents: Dialogue sur les grands jeux
12. Venite exultemus Domino
13. Messe des couvents: Tierce en taille
Anonyme
14. Communion de la Messe pour Saint Louis: Introibo in domum tuam Domine
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)
15. Exaudiat te Dominus: I. Exaudiat
16. Exaudiat te Dominus: II. Tribuat tibi secundum
17. Exaudiat te Dominus: III. Impleat Dominus
18. Exaudiat te Dominus: IV. Exaudiet ilum de Coelo Sancto Suo
19. Exaudiat te Dominus: V. Ipsi obligati sunt
20. Exaudiat te Dominus: VI. Domine salvum fac Regem
21. Exaudiat te Dominus: VII. Gloria Patri e Filio

Messe du Roi Soleil
Delalande, Couperin, Lully
Ensemble Marguerite Louise – 2019
dir. Gaétan Jarry

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Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

G.  F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ao restaurar este link, eu, PQP Bach, retirei o primeiro parágrafo escrito pelo  FDP Bach. O motivo é que ele se referia a uma viagem minha que, bem, tenho saudades daquilo, mas só valeu para aquela data. O que permanece é a alta qualidade desta coleção de Cantatas Italianas do grande Handel. Com a palavra, FDP.

Mais um baita CD desta impecável coleção, um primor de qualidade de gravação aliado a um tremendo bom gosto. O destaque? Difícil de escolher, o cd inteiro é magnífico, com duas excelentes cantoras e um conjunto orquestral excelente. Recomendo a leitura do booklet em anexo, que dá um histórico da vida de Handel recém chegado à Itália, além de descrever as obras aqui gravadas.

G. F. Handel – Italian Cantatas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

01 – Armida Abbandonata HWV105 – I Dietro l’orme fugaci
02 – Armida Abbandonata HWV105 – II Ah! Crudele, e pur ten vai
03 – Armida Abbandonata HWV105 – III Per te mi struggo
04 – Armida Abbandonata HWV105 – IV O voi, dell’inconstante
05 – Armida Abbandonata HWV105 – V Venti fermate si
06 – Armida Abbandonata HWV105 – VI Ma che parlo, che dico –
07 – Armida Abbandonata HWV105 – VII In tanti affanni
08 – Diana Cacciatrice HWV79 – I La Marche
09 – Diana Cacciatrice HWV79 – II Alla caccia
10 – Diana Cacciatrice HWV79 – III Foriera la tromba
11 – Diana Cacciatrice HWV79 – IV Alla caccia
12 – Diana Cacciatrice HWV79 – V Tacete ola tacete
13 – Diana Cacciatrice HWV79 – VI Di questa selva
14 – Diana Cacciatrice HWV79 – VII Alla caccia
15 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- I Sonata
16 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- II Tu fedel – Tu costante –
17 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- III Cento belle ami Fileno
18 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- IV L’occhio nero
19 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- V Se Licori
20 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VI Ma se non hai piu d’un sol cuore
21 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VII Se non ti piace amarmi
22 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VIII Ma il tuo genio incostante
23 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- IX Si crudel, ti lascero
24 – Notte Placida e Cheta HWV142 – I Notte palcida e cheta
25 – Notte Placida e Cheta HWV142 – II Zeffiretti, deh!
26 – Notte Placida e Cheta HWV142 – III Momento fortunato
27 – Notte Placida e Cheta HWV142 – IV Per un istante
28 – Notte Placida e Cheta HWV142 – V Ma gia sento che spande
29 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VI Luci belle
30 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VII O delizie d’amor
31 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VIII Che non si da
32 – Un’Alma Innamorata HWV173 – I Un’alma innamorata
33 – Un’Alma Innamorata HWV173 – II Quel povero core
34 – Un’Alma Innamorata HWV173 – III E pur bench’egli
35 – Un’Alma Innamorata HWV173 – IV Io godo, rido e spero
36 – Un’Alma Innamorata HWV173 – V In quanto a me
37 – Un’Alma Innamorata HWV173 – VI Ben impari come s’ama

Emanuela Galli – Soprano
Roberta Invernizzi – Soprano
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Direction

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La Risonanza non magnetica

FDP / PQP

Philip Glass (1937): Violin Concerto / Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

Philip Glass (1937): Violin Concerto / Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não vejo nenhuma semelhança entre o minimalismo de Glass e o poliestilismo de Schnittke, mas vá entender os critérios mercadológicos da DG. O fato é que o Concerto Grosso do russo humilha o Concerto de Glass, que até é bom, só que não é mole conviver com um companheiro doidamente ótimo. Para tanto, basta ouvir o movimento Lento de Schnittke, uma maravilha.

Gente, poliestilismo é o uso de múltiplos estilos e/ou técnicas de composição musical. É caracterizado pela capacidade de absorver diferentes tradições e expressar-se particularmente através de uma mistura de estilos altamente individual e refinada, capaz de unir passado, presente e futuro, o local e o universal. Alfred Schnittke foi o seu pioneiro, e com isso trouxe um novo caminho, de traço muito original para a contemporaneidade.

Schnittke foi o compositor mais importante a surgir na Rússia desde Dmitri Shostakovich. A sua música, nos seus primeiros anos, demonstra uma forte influência de Shosta. Desenvolveu fundamentais trabalhos como a sua épica Sinfonia nº 1 (1969-1972) e o seu lindíssimo Concerto Grosso nº 1 (1977), aquele do tando no final. Nos anos 1980, sua música começou a ser reconhecida fora de seu país. Escreveu então a esplêndida Suíte Gógol, o Quarteto de Cordas n°2 (1980), n°3 (1983) e também um Trio para Cordas (1985), o ballet Peer Gynt (1985-1987), as sinfonias n°3 (1981), n°4 (1984) e n°5 (1988), além do Concerto para viola (1985) e do Concerto para Violoncelo (1985-1986).

Em 1985, sofreu seu primeiro AVC. À medida que sua saúde se deteriorava, o compositor foi abandonando a extroversão do seu poliestilismo, adotando um estilo mais introspectivo e sombrio. Seu fim foi muito triste.

Glass (1937): Violin Concerto / Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

Philip Glass (1937 – )
Concerto For Violin And Orchestra

1. = 104 – = 120 6:40
2. = ca. 108 8:46
3. = ca. 150 – Coda: Poco meno = 104 9:30
Gidon Kremer, Wiener Philharmoniker, Christoph von Dohnányi

Alfred Schnittke (1934 – 1998)
Concerto Grosso No.5

4. 1. Allegretto 7:56
5. 2. Without tempo indication 5:18
6. 3. Allegro vivace 6:02
7. 4. Lento 8:28
Gidon Kremer, Wiener Philharmoniker, Christoph von Dohnányi, Rainer Keuschnig

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Alfred Schnittke e sua esposa Irina, que era pianista

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos de Cordas, Op. 18, 4; Op. 135; Op. 95 – Pavel Haas Quartet

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos de Cordas, Op. 18, 4; Op. 135; Op. 95 – Pavel Haas Quartet

Quarteto de Cordas em dó menor, Op. 18, 4

Quarteto de Cordas em fá maior, Op. 135

Quarteto de Cordas em fá nenor, Op. 95 – Quarteto Serioso

A Integral das Sonatas para Piano ou dos Quartetos de Cordas de Beethoven tornou-se por demais comum neste nosso mundo de excessos. Há uma infinidade de opções de gravações das sonatas e meia infinidade de gravações dos quartetos. Ficamos assim assoberbados com essas possibilidades e até esquecemos que essas obras foram produzidas vagarosamente, ao longo de toda a vida criativa do genioso e genial Ludovico.

Trinta e duas sonatas e dezesseis quartetos, mais uma enorme fuga, formam realmente um conjunto imponente. Onde começar? O que ouvir primeiro?

Começaremos deixando as sonatas para outra ocasião e vamos nos concentrar nos quartetos.

Assim como no caso das sonatas, a composição dos quartetos ocupou Beethoven ao longo de toda a sua carreira de compositor, que é dividida (apenas por razões práticas) em três períodos: Primeiros Anos (1792-1802); Período Heroico (iniciando em 1803, com a Sinfonia Eroica); Fase Final (iniciando em 1814, com a Hammerklavier).

Neste disco temos uma ótima introdução aos Quartetos de Cordas. Portanto, é um excelente convite para quem gostaria de explorar mais este repertório, mas se sente um pouco assoberbado pelo volume da obra. Ah, mas também é uma maravilha para quem já navega bem nestas águas, pois o disco é supimpa!

O disco reúne várias características que eu prezo bastante. É um disco (de certa forma) despretensioso. Gravado pela BBC Music foi vendido nas bancas com o Volume 17, No. 9, da revista. O Quarteto Paavel Haas, que interpreta as obras, é famoso e detentor de inúmeros prêmios, mas em 2007 estava vivendo seus primeiros sucessos. Assim, suas performances neste disco tem um frescor, um sabor de descoberta e uma certa impetuosidade e audácia que geralmente caracterizam as interpretações de jovens e talentosos artistas. Fundado em 2002, o PHQ ganhou em 2007 o título Rising Stars, da European Concert Hall Organization, e de 2007 a 2010 foi o quarteto da BBC New Generation Artists. Além disso, este é o único disco com quartetos de Beethoven na discografia deles 😉.

Veja também por que o repertório do disco é interessante.

No seu período inicial, Beethoven produziu seis quartetos, todos publicados como o Opus 18. Isso de publicar em grupos de seis (ou três) peças era típico da época e foi mudando ao longo da vida de Beethoven.

Deste primeiro conjunto temos o Quarteto em dó menor, Op. 18, No. 4. É uma peça bem representativa deste Primeiro Período. Segue os moldes tradicionais vigentes, mas revela vários traços da personalidade do autor: impetuosidade, autoconfiança, bom humor, e tem uma boa pitada de inovação. Estas características são deixadas bem evidentes pelo PHQ. Impetuosidade descreve o primeiro movimento. O segundo, um Scherzo, revela autoconfiança. Não deixe de notar o rascante sotaque do violoncelo. O Menuetto no terceiro movimento é cheio de urgência e o quarteto é arrematado com um Allegretto que revela alguma serenidade e bastante decisão. Os movimentos dos quartetos são descritos (quase que sempre) pelos títulos em italiano e lê-los já é uma fonte de prazer.

O segundo quarteto do disco é a última obra completa que Beethoven compôs. Após este quarteto ele compôs apenas o movimento final (mais curto) do quarteto Op. 130, que usou para substituir o original, que foi publicado separadamente como a Grosse Fuge, Op. 133. Este é o mais compacto dos últimos quartetos e ainda segue o padrão de quatro distintos movimentos. No primeiro movimento você notará certos padrões, como o questionamento e resposta, tensão e distensão, que tornam as peças desse compositor tão atraentes. No segundo movimento, Vivace, note os contrastes sonoros obtidos com as diferentes maneiras de usar os arcos que tocam os instrumentos. A palavra contemplação resume o terceiro e lindo movimento Lento assai, cantante e tranquilo. Este movimento rivaliza-se em beleza com o Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der Lydischen Tonart. Molto adagio – Andante, o terceiro movimento do Quarteto No. 15, em lá menor, Op. 132 (fica aqui uma dica).

O quarto e último movimento tem uma inscrição que o precede: Der schwer gefasste Entschluss. Muss es sein? Es muss sein! (A difícil decisão: Tem que ser? Tem que ser!) Esta frase está associada ao sentimento de inevitabilidade. O destino: o que tem que ser, será! (Veja o conhecido livro do Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.) O movimento tem toda essa coisa de pergunta e afirmação, tensão e resolução, completando assim, a obra.

Para completar o disco, o último dos quartetos considerados do Período Heroico. O Quarteto No. 11, em fá menor, Op. 95, tem o título Quarteto Serioso, devido ao terceiro movimento, Allegro assai vivace ma serioso. Este também é um quarteto compacto, que novamente inicia com muita impetuosidade, típica desta fase do compositor. O quarteto foi composto na mesma época que a Abertura Egmont. Beethoven afirmou em uma carta a Georg Smart que “o Quarteto [Op. 95] foi escrito para um restrito ciclo de connoisseurs e nunca deve ser tocado em público”. A afirmação deve ser considerada em contexto. Na composição deste quarteto Beethoven experimentou várias novas técnicas: desenvolvimentos mais curtos, uso mais acentuado de silêncio e outras coisas mais técnicas. Nada que você não possa lidar… Não deixe de perceber os momentos finais do disco, uma coda para arrematar lindamente um belíssimo e singelo disco.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Quarteto de Cordas em dó menor, Op. 18, 4

  1. Allegro ma non tanto
  2. Scherzo: Andante scherzoso quasi allegretto
  3. Menuetto: Allegro
  4. Allegretto

Quarteto de Cordas em fá maior, Op. 135

  1. Allegretto
  2. Vivace
  3. Lento assai, cantante e tranquillo
  4. Der schwer gefasste Entschluss: Grave, ma non troppo tratto – ůAllegro

Quarteto de Cordas em fá menor, Op. 95 – Quarteto Serioso

  1. Allegro com brio
  2. Allegretto ma non troppo
  3. Allegro assai vivace ma serioso
  4. Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro

Pavel Haas Quartet

Veronika Jarůškova, violino

Eva Karová, violino (Op. 18, 4 e Op. 135)

Maria Fuxová, violino (Op. 95)

Pavel Nikl, viola

Peter Jarůšek, violoncelo

Gravado no Warehouse, Londres, em 2008

Produção: Lindsay Kemp

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Aproveite, baixe o disco, ouça uma vez, duas. Verá que há um universo entre quatro instrumentos de cordas!

René Denon

Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) – Ofício Fúnebre a Oito Vozes + Missa de Réquiem (1809) – Coro da OSESP

Pe. José Maurício Nunes Garcia
1767-1830, Rio de Janeiro, RJ

Coro da OSESP
dir. Carlos Alberto Figueiredo
Alessandro Santoro, órgão
Marialbi Trisolio, violoncelo

Ofício Fúnebre a Oito Vozes
Missa de Réquiem 1809
Abertura em Ré

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP, lançou o CD acima em 2017, para comemorar o 250º aniversário do nascimento do Padre José Maurício.

A gravação foi realizada somente com o Coro da OSESP sob a direção do maestro Carlos Alberto Figueiredo, autoridade em música sacra colonial brasileira, e apresenta a pouco conhecida Missa de Réquiem na versão 1809, pela primeira vez. A versão conhecida é a de 1816.

Uma novidade é o Selo Digital OSESP que “oferece música clássica para ouvir e baixar gratuitamente”, segundo o próprio site da OSESP, AQUI.

José Maurício 250
01. Abertura em Ré
02. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório I. – Credo Quod Redemptor Meus Vivit
03. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório II. – Qui Lazarum Resuscitasti
04. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório III. – Domine Quando Veneris
05. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório IV. – Memento Mei Deus
06. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório V. – Hei Mihi Domine
07. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VI. – Ne Recorderis Peccata Mea
08. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VII. – Peccantem Me Quotidie
09. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VIII. – Domine Secundum Actum Meum
10. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório IX. – Libera Me Domine
11. Missa de Réquiem (1809) – I. Introit and Kyrie
12. Missa de Réquiem (1809) – II. Gradual
13. Missa de Réquiem (1809) – III. Offertory
14. Missa de Réquiem (1809) – VI. Sanctus
15. Missa de Réquiem (1809) – V. Agnus Dei
16. Missa de Réquiem (1809) – VI. Communion

José Maurício 250
Pe. José Maurício Nunes Garcia
Coro da OSESP
dir. Carlos Alberto Figueiredo
Alessandro Santoro, órgão
Marialbi Trisolio, violoncelo

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Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violino – Krysia Osostowicz & Susan Tomes

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violino – Krysia Osostowicz & Susan Tomes
Place du Théâtre français (1898), por Camille Pissarro (1830-1903)

Sonata para violino No. 1 em lá maior, Op. 13

Sonata para violino No. 2 em mi menor, op. 108

A combinação de um instrumento melódico e um instrumento com teclado (piano, pianoforte ou cravo, dependendo da época) é muito apreciada pelos compositores e há uma enormidade de obras-primas com este formato.

Eu tenho uma especial predileção pelas sonatas para violino e piano produzidas por compositores franceses (e adjacências). Essas peças geralmente combinam graça, sutileza, elegância e sofisticação. Este disco traz duas delas: as sonatas de Gabriel Fauré.

Fauré viveu um período de tremendas mudanças, tanto na música quanto nas coisas do mundo. Quando iniciou sua vida de compositor, na década de sessenta do Século XIX, Chopin, Liszt e Wagner eram compositores de vanguarda. Quando morreu, seis anos depois de Debussy, o mundo havia passado pela Primeira Grande Guerra, Schoenberg era a vanguarda na música e até a Sagração da Primavera havia sido estreada.

Gabriel Urbain Fauré, 1907

Fauré foi membro fundador da Société Nationale de Musique, junto com Saint-Saëns (de quem fora aluno), Bizet, Chabrier, Franck e Massenet. A primeira das duas sonata para violino de Fauré teve sua estreia em um dos concertos da Société, que estimulou enormemente a produção de música de câmera francesa.

Compor era apenas uma das muitas atividades musicais de Fauré, que foi organista, professor e diretor do Conservatório de Paris. Em 1905, Maurice Ravel, que era aluno de Fauré, foi eliminado prematuramente de concorrer ao Prix de Roma (uma importante competição que garantia ao vencedor uma estada de um ano estudando em Roma) pela sexta vez. Essa controvérsia acabou com a demissão do antigo diretor do Conservatório e a indicação de Fauré em seu lugar. Ele mudou radicalmente a administração e o currículo do Conservatório. Instituiu bancas com membros externos e independentes para decidir as novas admissões, exames e competições. Isso acabou com antigos privilégios e favorecimentos que eram dados aos alunos particulares dos professores.

Krysia Osostowicz

A primeira sonata foi entusiasticamente recebida em janeiro de 1877 num concerto da Société National de Musique e ganhou uma ótima resenha no Journal de Musique, escrita por Saint-Saëns. A sonata chama a atenção pela sua verve e frescor, revelando a juventude do compositor.

A segunda sonata foi a primeira de uma série de obras-primas camerísticas compostas por Fauré. A sonata tem uma linguagem harmônica mais complexa do que a primeira e transparece as atribulações pelas quais o compositor passava. Fauré, como Beethoven, viveu na surdez seus últimos anos. Além disso, durante a composição da sonata, entre 1916 e 1917, seu filho estava em serviço militar.

Susan Tomes

Mas nada de preocupações, o disco é excelente, as intérpretes, Krysia Osostowicz, violino, e Susan Tomes, piano, são excelentes. Ambas são membros do Quarteto Domus e experts em música de câmera. A produção do disco, aos cuidados de Andrew Keener, é excelente. O selo Hyperion empacota tudo e arremata a encomenda com mais uma de suas capas maravilhosas.

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Sonata para violino No. 1, em lá maior, Op. 13
  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro vivo
  4. Allegro quasi presto
Sonata para violino No. 2, em mi menor, Op. 108
  1. Allegro non troppo
  2. Andante
  3. Allegro non troppo

Krysia Osostowski, violino

Susan Tomes, piano

Produção: Andrew Keener

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Aproveite para apreciar a juventude da primeira e a maturidade da segunda sonata!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos – Arrau, Haitink, Concertgebouw Orchestra

Feliz com a repercussão de uma postagem que fiz recentemente, onde Claudio Arrau toca as Valsas de Chopin, resolvi trazer uma outra ótima gravação dele, desta vez os Concertos para Piano de Beethoven, com o acompanhamento da Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam, brilhantemente dirigida por Bernard Haitink.

Dia destes estávamos conversando no grupo de Whattsap do PQPBach sobre nossas gravações favoritas destes concertos. Várias gravações foram lembradas, desde as históricas, que alguns colegas chamam de jurássicas, como as de Arthur Schnabel, ou as mais recentes, como de Paul Lewis, todas com suas respectivas características. Lembrei que minhas favoritas eram as de Stephen Kovacevich, aquela gravada lá no início dos anos 70, com Colin Davis, Arthur Rubinstein, Leon Fleischer / George Szell, entre os ditos jurássicos, entre outras. Não lembro de terem mencionado este registro de Claudio Arrau, talvez desconhecido para alguns colegas.

E é para estes colegas, e claro, para os senhores, que  as estou trazendo. Recentemente foi lançada uma caixa com a integral das gravações de Arrau pelo saudoso selo Philips, e é dali que as estou buscando.

CD 1
Beethoven: Piano Concertos Nos. 1 & 2
Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15
1.1. Allegro con brio
2.2. Largo
3.3. Rondo (Allegro scherzando)

Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19
4.1. Allegro con brio
5.2. Adagio
6.3. Rondo (Molto allegro)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

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CD 2
Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37
1.1. Allegro con brio
2.2. Largo
3.3. Rondo (Allegro)
Piano Concerto No. 4 in G Major, Op. 58
4.1. Allegro moderato
5.2. Andante con moto
6.3. Rondo (Vivace)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

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CD 3
Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 “Emperor”
1.1. Allegro
2.2. Adagio un poco mosso
3.3. Rondo (Allegro)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

Triple Concerto in C Major, Op. 56
4.1. Allegro
5.2. Largo – attacc
6.3. Rondo alla Polacca

Claudio Arrau
Henryk Szeryng
János Starker
New Philharmonia Orchestra
Eliahu Inbal

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Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704) – Histoires sacrées – Ensemble Correspondances, dir. Sébastien Daucé.

Marc-Antoine Charpentier
France, 1643-1704

Histoires sacrées

Ensemble Correspondances
dir. Sébastien Daucé

2019

 

Marc-Antoine Charpentier é o único compositor da época de Luís XIV a se distinguir tão notavelmente no gênero da “história sagrada”: escreveu mais de trinta obras desse tipo, todas compostas depois de sua residência na Itália.

Sébastien Daucé e o Ensemble Correspondances extraíram cuidadosamente desse excepcional material um número de preciosidades que refletem tanto sua experiência em Roma (provavelmente estudando com Carissimi, o mestre do oratório) quanto as preocupações humanistas de um período inteiro.

Como uma ópera em miniatura, cada peça relata um destino exemplar, incluindo várias mulheres de extraordinária força de vontade (Judith, Cecilia, Maria Madalena) e uma profunda amizade posta à prova (Mors Saülis e Jonathæ).(ex-internet)

Histoires sacrées
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
Ensemble Correspondances – 2019
dir. Sébastien Daucé

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XLD RIP | FLAC | 796 MB

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MP3 | 320 KBPS | 398 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 2 h 48 min

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna