Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 9 Coral – Leopold Stokowski (1882-1977)

Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 9 Coral – Leopold Stokowski (1882-1977)

Esta é a segunda postagem em homenagem ao maestro Leopold Anthony Stokowski que nasceu em 18 de abril de 1882 em Marylebone, uma área do centro-norte de Londres. Considerado o maestro mais extravagante do século 20. O cara era tão famoso por seus efeitos chamativos quanto por sua produção musical. Embora sempre aclamado tecnicamente como um grande maestro, ele foi, até recentemente, desprezado por intelectuais e críticos “sérios” por ser um maestro que muitas vezes barateava e alterava a música original por aceitação popular. Como era moda entre alguns dos maestros da primeira metade do século XX, ele re-orquestrava grandes obras-primas com frequência, fazendo por exemplo Bach soar como Tchaikovsky, e ele frequentemente cortava partituras e reescrevia seus finais. Hoje há um novo respeito por suas orquestrações e pelo rico som que ele obteve de suas orquestras.

Ele foi, até a época de Leonard Bernstein , um dos mais populares, bem como um dos melhores, maestros do século XX. Seu trabalho na rádio e gravações o tornaram, junto com o maestro Arturo Toscanini , um nome familiar, mesmo entre aqueles que nunca haviam assistido a um concerto clássico.

Nas próximas postagens faremos uma breve biografia , baseado no site oficial do maestro (www.stokowski.org). Porque agora compartilharei e tentarei tecer um despretensioso texto com os amigos do blog sobre “a maior das sinfonias”….

“All Men shall be Brothers…”, “Todos os homens devem ser irmãos …” assim está escrito em letras garrafais na capa original do meu velho e de todos o mais querido LP.

Em 1818, depois de ter completado a Sonata Hammerklavier, Beethoven começou a rascunhar uma sinfonia em Ré menor, conseguindo escrever algum material para o primeiro movimento, acrescentando algumas anotações especulativas para os outros três. O primeiro movimento veio antes; depois os outros cresceram lentamente, na ordem, entre a primavera de 1823 e o final do ano; uma parte do trabalho foi feita durante os retiros de verão de Beethoven em Hetzendorf e Baden, e o restante depois do seu retorno a Viena, em outubro. A elaboração do final em sua forma definitiva exigiu um extenso trabalho antes que a melodia fosse encontrada, e as diferentes versões que Beethoven tentou em seus rascunhos mostram os muitos estágios do trabalho que teve para chegar à melodia principal, que parece ser, em sua forma final, um protótipo de simplicidade melódica. A ideia de Beethoven de musicar o poema de Schiller é mencionada por um conhecido de Bonn já em 1793; cinco anos mais tarde, Beethoven escreveu rapidamente um rascunho para as palavras “Muss ein lieber Vater wohnen” (“Certamente habita um Pai amado”) do primeiro coro da “Ode”. Sua Fantasia coral, de 1808, antecipa o final da Nona combinando o coro e a orquestra num conjunto de variações que culminam numa melodia natural sobre um texto edificante e benigno acerca de” Fried und Frade” (“paz e alegria”). A “Ode a Alegria” de Schiller (1759 – 1805) havia obcecado a mente de Beethoven por trinta anos; encontrou nela a glorificação poética do humanismo e dos ideais progressistas da Revolução Francesa, tão arraigados em seu espírito.

No “Caderno de Conversação” de Beethoven seu amigo Schindler escreveu o sentimento da turbulência que envolvia a política e a moral da época: “… Antes da Revolução Francesa havia grade liberdade de pensamento e liberdade política. A revolução tornou o governo e a nobreza desacreditados perante as pessoas comuns, o que levou à atual repressão…. Os regimes, como são agora constituídos, não estão de acordo com as necessidades da época; consequentemente, eles terão que mudar ou se tornar mais condescendentes, ou seja, tomar-se um pouco diferentes.”

Schiller e Beethoven

É nesse cenário que devemos considerar a decisão de Beethoven, em 1821-24, de retomar sua velha ideia de compor sobre o poema de Schiller a “Ode a alegria” e de apresentá-lo não como uma canção solo para ser ouvida nos salões privados dos amantes da música, mas como um hino que pudesse ser apresentado na sala de concerto, na maior proporção possível, e na maioria dos ambientes públicos, a mais pública das composições. Seu plano posterior, tornar essa melodia o clímax de uma grande sinfonia, lembra remotamente o uso que Haydn fez do seu famoso hino “Gott erhalte Franz den Kaiser”, integrando-o como um movimento lento com variações em seu Quarteto em Dó maior no 3, Opus 76, composto em 1797, apenas alguns meses depois de ter escrito o próprio hino. Nessa nova sinfonia, centralizada na “Ode a alegria” de Schiiler, Beethoven queria deixar um monumento público dos seus sentimentos liberais, para a posteridade. Sua decisão de elaborar uma grande obra para transmitir a visão utópica do poeta sobre a irmandade humana é uma declaração de apoio aos princípios de democracia, numa época em que a ação política direta, em relação a esses princípios, era difícil e perigosa. A seu modo, a sinfonia lhe permitiu realizar o que Shelley queria dizer quando chamou os poetas de “os legisladores não reconhecidos do mundo”.

A Nona, em meu ponto de vista, foi escrita para reviver um idealismo perdido. Ela representava uma forte afirmação política, feita num tempo em que as possibilidades práticas de realizar os ideais de fraternidade universal tinham sido virtualmente extintas pelos regimes pós-napoleônicos. A decisão de Beethoven de completar a obra com o poema de Schiller pretendeu, assim, corrigir o equilíbrio, enviar uma mensagem de esperança para o futuro e proclamar essa mensagem para o mundo. Musicando estrofes selecionadas, Beethoven escolheu textos que iriam enfatizar primeiro a fraternidade humana entrando no reino da santidade em busca da alegria, depois a voz do compositor (como, antes dele, a do poeta), que apaixonadamente abraça as multidões e as incita a olhar para o alto: “irmãos, acima da abóbada estrelada do céu, um Pai amado deve habitar”.

Beethoven a concluiu doze anos depois da “Oitava”. Sua elaboração foi precedida por vários anos de depressão e total desespero. Um período em que quase nada produziu. Em grande parte, a extraordinária visão universal de Beethoven surgiu da tragédia privada. Nas últimas duas décadas, Beethoven tornou-se inteiramente surdo, a pior perda possível para um músico e um que constantemente o mergulhou no desespero. No entanto, apesar de uma maldição pessoal, sua aflição tornou-se um benefício gigantesco para a humanidade, pois o libertou do reino do som real e permitiu que ele ouvisse em um nível que os outros não podiam sequer começar a imaginar.

A grande obra estava pronta para sua apresentação de estreia – um evento muito esperado em Viena – em 9 de maio de 1824, juntamente com a abertura “A consagração da casa”, e os três movimentos da “Missa Solemnis”. Esse foi o famoso concerto no qual um Beethoven surdo precisou ser virado para a plateia, que o ovacionava ruidosamente. A imersão de Beethoven em um mundo próprio foi aparente nesta estreia. Ele ficou tão absorto em si mesmo que continuou a bater os compassos para o maestro muito tempo depois que a peça terminou – somente quando um dos solistas pegou em seu braço e o virou para encarar a plateia ele percebeu o que estava acontecendo. Só assim pode fazer uma respeitosa reverência ao público em agradecimento.

Ela pode ser claramente vista como a mais ampla expressão musical de Beethoven, daquilo que ele disse para a desconhecida Emilie M. numa carta de 1812: que “a arte não tem limites”, que o artista se esforça incessantemente porque “ainda não alcançou o ponto que o seu melhor gênio só ilumina como uma estrela distante”. Ao utilizar a “Ode à alegria” de Schiller para se dirigir diretamente à humanidade como um todo, Beethoven transmite a luta individual e de milhões para abrir seu caminho experimentando desde a tragédia até o idealismo e para preservar a imagem da fraternidade humana como uma defesa contra a escuridão.

Para citar um amargo crítico, “…esta sinfonia sobreviveu a despeito do fato de que “o cânone” se tornou o ossificado objeto de uma genuflexão automática, inteiramente perturbada,…, os avanços técnicos e estilísticos de Beethoven há muito tempo foram absorvidos e amplamente sobrepujados pela linguagem moderna”. Ao que eu poderia responder que o “cânone” pode ter ossificado a mente dos críticos devido à superexposição, mas seus ossos possuem a estranha capacidade de recuperar carne e sangue quando novas gerações têm acesso às suas melhores obras e interpretações e se comovem com a inteligência dos antigos e os valores humanos que elas incorporam.

Sinfonia No.9 em ré menor, op.125 – Coral

O primeiro movimento da última sinfonia de Beethoven inicia-se de forma original e totalmente novo para a época. Maynard Solomon cita o “senso de expectativa, logo a ser cumprido por uma aceleração na vida, … um enigma a ser resolvido no resto da peça”. Nenhuma sinfonia antes desta havia iniciado com pura atmosfera de suspense, em que o compositor obscurece e depois evoca os três elementos básicos da música – tonalidade, ritmo e melodia – que ele deliberadamente deixa em aberto a todas as possibilidades. O mais antigo e misterioso intervalo da música, A (lá) e E (mi), sugere A maior ou menor. A orquestra soa como um tremolo sem ritmo. Esse é apenas o primeiro meio minuto! Todo o primeiro movimento é uma viagem extremamente dramática, mas coesa, através da exposição, desenvolvimento e recapitulação da forma de sonata estabelecida. Beethoven encerra com uma coda apropriada que retorna ao mistério da introdução do tema inicial.

O segundo movimento, um scherzo, combina brilhantemente a tensão nervosa e explosões alegres. Embora muitas vezes ofuscada pelos outros movimentos, ela também começa com uma inovação surpreendente de tímpanos sendo usados não apenas em seu papel habitual de reforço rítmico, mas como um solo melódico. A libertação que Beethoven introduziu para este instrumento anteriormente coadjuvante indubitavelmente inspirou Berlioz (em sua Symphonie Fantastique), Mahler (sua Sexta Sinfonia), Stravinsky (seu Rito da Primavera) e tantos outros, e possivelmente pavimentou o caminho para usos improvisados. Outro grande avanço foi o uso da pausa (silêncio) como elemento musical – dos oito compassos do tema, quatro não contêm notas. O conceito de tratar o som e a calma como componentes musicais iguais é completamente moderno para a época e uma base essencial para o minimalismo e a música aleatória.

O terceiro movimento é o mais formal e convencional dos quatro, um devaneio adorável e melancólico de variações de dois temas complementares que acalma a plateia para a complexidade emocional do movimento final.

O milagre do quarto movimento talvez seja a realização mais significativa do compositor e a mais profunda prova de seu gênio – Beethoven pega uma sacola de ideias aparentemente aleatórias e não-relacionada e consegue integrá-las em uma estrutura que não é apenas totalmente coesa, mas imensamente enriquecida pela diversidade de seus componentes (e assim simbolicamente ilustra seu tema da universalidade da humanidade). De fato, Beethoven não desafia, mas transcende a racionalidade.


Ó, amigos, não esses sons!
Em vez disso, cantemos algo mais
Agradável e alegre

Alegre! Alegre!

Alegria, formosa centelha divina
Filha do Elíseo
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!

Sim, e também aquele que chame de sua
Apenas uma só alma no mundo
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza
Todos os bons, todos os maus
Seguem seu rastro de rosas

Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos
Alegremente como o herói diante da vitória

Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Alegria, formosa centelha divina
Filha do Elíseo
Alegria, formosa centelha divina, centelha divina !

De todas as obras de Beethoven, a Nona sinfonia tem tido o impacto mais amplo, e o espectro mais variado de interpretações. Desde o tempo de Beethoven até os nossos dias, gerações de eruditos, músicos, artistas e críticos deram um passo à frente para dar voz a suas interpretações, muitos deles focalizando somente a “Ode”, em vez de a sinfonia como um todo.

Esta foi a primeira gravação da Sinfonia número 9 de Beethoven que possuí, dada por um querido tio italiano (Paschoal) que adorava samba. Este disco tem a falha horrível de dividir o terceiro movimento entre os lados “A” e “B” . A música, claro, é subjetiva, e muitos fatores podem afetar nossas decisões o fato é que ainda depois de mais de quarenta anos desde a minha primeira audição deste vinil é a performance que mais gosto. Mas isso realmente não importa, cada um de nós tem sua própria nostalgia. Há excelentes gravações desta obra, som digital, orquestras afiadas, regentes modernos e talentosos tantas vezes postados aqui no blog (esta versão AQUI do amigo fdpbach por exemplo). Leopold, no entanto, ainda traz aos meus ouvidos todo o poder, intensidade e amplitude que se poderia desejar, e os últimos momentos da sinfonia – momentos que costumo usar como um desempate quando se trata de julgar uma performance – é para mim a melhor. Eu absolutamente amo do começo ao fim o velho LP.

A interpretação de Stokowski da 9ª sinfonia de Beethoven tem muitos bons momentos e é uma adição valiosa a qualquer coleção de Beethoven. É incrivelmente leve e claro, especialmente para um regente que tinha 85 anos quando o gravou; Stokowski gera nobreza e grandeza sem nunca se arrastar. O coro e os solistas são excelentes: Heather Harper é vibrante e apaixonada. Sempre é um prazer ouvir os tons ricos de Heather Watt, Alexander Young é surpreendentemente incisivo para uma voz tenor e Donald McIntyre uma torre de força.

Aumentem o volume do aparelho e viajem nesta magnífica interpretação de Leopold Stokowski !

Sinfonia No.9 em ré menor, op.125 – Coral
02 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ I. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
03 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ II. Molto vivace, Scherzo
04 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ III. Adagio molto e cantabile
05 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ IV. Presto

Leopold Stokowski regendo a Orquestra Sinfonica de Londres e Coro
Coro: John Alldis
Heather Harper, Soprano;
Helen Watts, Contralto;
Alexander Young, Tenor;
Donald McIntre, Baixo.
Recorded at Kingsway Hall, London on 20th-21st September 1967
Disco – 1970, The Decca Record Company Limited, London

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“Todos os homens devem ser irmãos …” Quem sabe Beethoven, quem sabe….

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Mutter é a mais exibida. E talvez seja a melhor de todas essas belas violinistas que apareceram nas últimas décadas. Hahn vai na mesma linha, mas tem a característica de ser muito bem humorada e de não se levar muito a sério — o que é uma enorme qualidade. Jansen é a mais sanguínea e gosto muito dela. Mas creio que minha preferência vá para Julia Fischer, a mais discreta, a mais voltada para dentro de si, a mais íntima delas (opinião de PQP em post original de FDP). 

Depois do bombardeio japonês-schubertiano do mano PQP, resolvi contra-atacar com artilharia não tão pesada, mas certamente mortal. Estou para postar esta pérola já há algum tempo, mas sempre aparecia outra coisa para atrapalhar, ou me fazer mudar de ideia.

Julia Fischer é uma das melhores violinistas que surgiram nos últimos anos, ela garota tem um talento indiscutível, e não teme se expor, como fez em suas gravações dos concertos de Papai Bach. E seu colega Martim Helmchem também mostra um talento ímpar. Reparem, por exemplo, no perfeito balanço que conseguem ao tocarem o andante da sonata D. 385. Não sei se rola alguma coisa entre os dois.

Este CD que ora posto é belíssimo, e traz um Schubert que eu até então desconhecia: suas sonatas para violino e piano, claramente inspiradas no gênio beethoveniano. São obras muito inspiradas, e tocadas com grande paixão pelo jovem casal de instrumentistas.

Trata-se de um CD para ser apreciado com calma e tranquilidade, de preferência lendo um bom livro e tomando um bom vinho. Espero que apreciem.

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In D Major / D-Dur, D 384 (Op. 137, No. 1)
1-1 Allegro Molto 4:10
1-2 Andante 4:25
1-3 Allegro Vivace 4:00

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In A Minor / A-Moll, D 385 (Op. 137, No. 2)
1-4 Allegro Moderato 6:48
1-5 Andante 7:29
1-6 Menuetto (Allegro) 2:13
1-7 Allegro 4:36

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In G Minor / G-Moll, D 408 (Op. 137, No. 3)
1-8 Allegro Giusto 4:46
1-9 Andante 4:43
1-10 Menuetto (Allegro Vivace) 2:28
1-11 Allegro Moderato 4:04

Rondo For Violin And Piano In B Minor / H-Moll “Rondo Brillant”, D 895 (Op. 70)
1-12 Andante – Allegro 14:28

Julia Fischer – Violino
Martin Helmchen – Piano

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Bom dia, Julia | Foto: Felix Broede

FDP

Georg Philip Telemann (1681-1767) – Recorder Sonatas and Fantasias – Franz Brüggen, Anner Bylsma, Gustav Leonhardt

Então os senhores acharam que eu já havia terminado as postagens de obras de Telemann? Ledo engano. Ainda tenho algumas cartas na manga. E uma delas é este belíssimo CD que traz obras para Flauta. Temos sonatas para Flauta Doce e acompanhamentos, Fantasias para Flauta Solo, uma overdose de Flauta Doce, interpretada por  um dos grandes nomes do instrumento, e da regência, Frans Brüggen, ao lado de seus amigos Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. Só tem fera em barroco aqui. São apenas os caras que revolucionaram a interpretação deste estilo musical lá nos anos  60.

Divirtam-se. É música de primeira tocada por músicos de altíssimo nível.

Frans Brüggen – Recorder (Flauta Doce)
Anner Bylsma – Cello
Gustav Leonhardt – Harpsichord

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Frans Brüggen (1934-2014) pensando na vida.

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belíssimo disco maravilhosamente bem interpretado pelo soprano Carolyn Sampson e a Ex Cathedra. O repertório — igualmente muito bem escolhido — são de árias de amor escritas por Rameau para suas óperas. Tudo coisa do melhor nível.

Além de eventualmente tecer bons comentários em nosso blog, Jean-Philippe Rameau foi um dos maiores compositores do período Barroco. Na França, porém, é tido como a maior expressão do Classicismo… Bem, são franceses. Filho de um organista da catedral de Dijon, Rameau seguiu a carreira do pai, na qual distinguiu-se desde cedo, trabalhando em várias catedrais. Não foi apenas um dos compositores franceses mais importantes do século XVIII, como também influenciou a teoria musical. Seu estilo de composição lírica pôs fim ao reinado póstumo de Jean-Baptiste Lully, cujo modelo dominara a França por meio século. Rameau foi grande, grandíssimo.

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

1. Fra le pupille (Les Indes galantes)
2. Rigaudon I & II — Fuyez, vents orageux ! (Les Indes galantes)
3. Tambourin I & II — Partez ! (Les Indes galantes)
4. Régnez, Amour (Les Indes galantes)
5. Tempête : La nuit couvre les cieux ! (Les Indes galantes)
6. C’est trop soupirer (Les Paladins)
7. Soleil, fuis de ces lieux ! (Platée)
8. Règne Amour (Zoroastre)
9. Marche — Par tes bienfaits (Dardanus)
10. Air gracieux — L’Amour, le seul Amour (Dardanus)
11. Menuet en rondeau — Si l’Amour coûte des soupirs (Dardanus)
12. Tambourin I & II (Dardanus)
13. Du pouvoir de l’Amour (Pygmalion)
14. Rossignols amoureux (Hippolyte et Aricie)
15. Musettes, résonnez — Menuet en rondeau (Les Indes galantes)
16. Formons les plus brillants concerts(Platée)
17. Aux langueurs d’Apollon(Platée)
18. Honneur à la Folie — Aimables jeux(Platée)
19. Honneur à la Folie — Je veux finir — Hymen(Platée)

Carolyn Sampson
Ex Cathedra Choir and Baroque Orchestra
Jeffrey Skidmore

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Super Sampson

PQP

Alexander Scriabin (1872-1915): The Complete Piano Sonatas

Alexander Scriabin (1872-1915): The Complete Piano Sonatas

Não há experiência mais interessante e encantadora que perceber o desenvolvimento de Beethoven nas suas 32 sonatas para piano. Elas descrevem praticamente todas as fases técnicas e pessoais na carreira do compositor. Algo que chega próximo disso é a audição das 10 sonatas para piano do compositor russo Alexander Scriabin. Ouça a sonata n.1 e depois a n.10, dois compositores completamente distintos.

Nas primeiras três sonatas sentimos uma forte influência de Chopin, mas não o Chopin delicado das valsas e noturnos, e sim dos estudos e das duas últimas sonatas, o Chopin revolucionário. Eu já considero a primeira sonata para piano op.6 uma obra-prima. Ela tem quatro movimentos e é a mais longa de suas sonatas. O primeiro movimento (allegro con fuoco) já arrebata a atenção do ouvinte. O quarto movimento, uma marcha fúnebre em homenagem a Chopin, é uma das coisas mais lindas já escritas.

A sonata n.2 op.19 é chamada de sonata-fantasia, pois tem dois movimentos (lento-rápido) praticamente ligados. Um início melancólico com um movimento final arrebatador. Essa obra foi meu primeiro contato com a música de Scriabin, e ainda guardo na memória a época e lugar que ouvi.

A sonata n.3 op.23 talvez seja a obra, entre as demais, cujos temas são mais memoráveis. O movimento andante é sublime. Na sonata n.4 op.40 descobrimos uma sonoridade quase jazzística (Bill Evans?). Poderia ser tocada em qualquer bar “blue note” de esquina e seria muito bem recebida pela tribo do Jazz.

A partir da sonata n.5 op.53 já ouviremos um compositor que, independentemente da escola de Schoenberg, também estava explorando, no mesmo período, os limites do tonalismo. As sonatas também começam a ter apenas um só movimento.

Nesse período (pós-1903) a vida do compositor estava mudando completamente. Scriabin abandonou a mulher e quatro filhos. Partiu com a amante para Paris. Além disso, estava obcecado com as delirantes idéias teosóficas. Suas sonatas também são um reflexo dessas atividades metafísicas. A sonata n.7 op.64 chamada de White Mass é uma experiência mística. Harmonia dificílima, praticamente música atonal. A três últimas sonatas também atingem um ponto que nenhum outro compositor depois dele superou. Nem mesmo as sonatas de Prokofiev …

Devo confessar que apesar da extraordinária interpretação do pianista Marc-André Hamelin, ainda acho os registros feitos por Horowitz insuperáveis (infelizmente ele nunca gravou a integral) .

obs: Pode aparecer o nome do pianista Murray Mclachlan no seu player, mas acredite, a gravação é do Marc-André Hamelin.

Alexander Scriabin (1872-1915): The Complete Piano Sonatas

CD1:

1-4. Piano Sonata n.1, op.6
5-6. Piano Sonata n.2 (sonata-fantasy), op.19
7-10. Piano Sonata n.3, op.23
11. Fantasie op.28
12-13. Piano Sonata n.4, op.30

CD2:

1. Piano Sonata n.5, op.53
2. Piano Sonata n.6, op.62
3. Piano Sonata n.7, op.64
4. Piano Sonata n.8, op.66
5. Piano Sonata n.9, op.68
6. Piano Sonata n.10, op.70
7. Sonata-Fantaise (1886)

Performed by Marc-André Hamelin

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Marc-André Hamelin testando pianos na Sala Especial de Teclados do PQP Bach

CDF

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Harpsichords Concertos – CDs 3 e 4 de 4 – Lars Ulrik Mortensen, Concerto Copenhagen

Este CD duplo traz os concertos que Bach compôs para dois, três e quatro cravos.  Aqui temos a presença de um dos professores de Lars Ulrik Mortensen, o inglês Trevor Pinnock, um dos maiores intérpretes de Bach que já pisaram sobre o chão desta nossa Terra.
A complexidade destas obras é algo de outro mundo. Quatro instrumentos solistas? Só a cabeça de um gênio do nível de Bach para compor uma obra deste nível. E quatro instrumentos iguais, o que é ainda mais incrível.
Mas  não é nenhum desafio que o talento destes músicos incríveis do Concerto Copenhagen não consigam transpor e nos oferecer. Nós, fãs incondicionais de Bach, agradecemos. Mais uma excelente produção do selo CPO, que nunca nos decepciona com a qualidade de suas gravações.
Espero que apreciem. Eu gostei e muito, tanto que fazem uns dois ou três dias que não ouço outra coisa. Hoje mesmo precisei fazer uma pequena viagem e esta foi a minha trilha sonora. A inesperada tranquilidade do trânsito, aliado a uma belíssima manhã de sol tornaram a viagem mais agradável, tendo estes CDs como companhia.

CD 1

01. Concerto for 2 harpsichords BWV 1060 in c – Allegro
02. Concerto for 2 harpsichords BWV 1060 in c – Adagio
03. Concerto for 2 harpsichords BWV 1060 in c – Allegro
04. Concerto for 2 harpsichords BWV 1061 in C – Allegro
05. Concerto for 2 harpsichords BWV 1061 in C – Adagio ovvero largo
06. Concerto for 2 harpsichords BWV 1061 in C – Fuga
07. Concerto for 2 harpsichords BWV 1062 in c – Allegro
08. Concerto for 2 harpsichords BWV 1062 in c – Andante
09. Concerto for 2 harpsichords BWV 1062 in c – Allegro assai

Lars Ulrik Mortensen, Trevor Pinnock – Harpsichords

10. Triple Concerto BWV 1044 in A – Allegro
11. Triple Concerto BWV 1044 in A – Adagio ma non tanto e dolce
12. Triple Concerto BWV 1044 in A – Alla breve

Katy Birscher – Flute
Manfred Kraemer – Violin
Lars Ulrik Mortensen – Harpsichord

CD 2

01. Concerto for 3 harpsichords BWV 1063 in d – Allegro
02. Concerto for 3 harpsichords BWV 1063 in d – Alla siciliana
03. Concerto for 3 harpsichords BWV 1063 in d – Allegro
04. Concerto for 3 harpsichords BWV 1064 in C – Allegro
05. Concerto for 3 harpsichords BWV 1064 in C – Adagio
06. Concerto for 3 harpsichords BWV 1064 in C – Allegro

Trevir Pinnock, Marieke Spaans, Lars Ulrik Mortensen – Harpsichords

07. Concerto for 4 harpsichords BWV 1065 in a – Allegro
08. Concerto for 4 harpsichords BWV 1065 in a – Largo
09. Concerto for 4 harpsichords BWV 1065 in a – Allegro

Trevor Pinnock, Marieke Spaans, Marcus Mohlin, Lars Ulrik Mortensen – Harpsichords
Concerto Copenhagen

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

W. A. Mozart (1756-1791): Integral Concertos para piano – Jenö Jandó – Post 6 de 5

W. A. Mozart (1756-1791): Integral Concertos para piano – Jenö Jandó – Post 6 de 5

W. A. Mozart

 

Concertos para Piano Nos. 1 a 4

Jenö Jandó

Ao chegar em casa após intensas reuniões tratando do planejamento das postagens do blog e de horas seguidas de audições dos arquivos postados pelos colegas, esperava apenas uma noite tranquila em frente à TV fazendo o leve exercício de entender os meandros e as sutilezas da política nacional. No entanto, ao abrir a caixa de correio, meu coração acelerou – envelope acolchoado com plástico de bolhas com clara indicação de ter chegado do exterior, enviado por um desconhecido Gidnek Selim. Quase não conseguia enfiar a chave no buraco da fechadura, com gana de abrir logo o teimoso envelope.

Alguns minutos depois e tudo foi se esclarecendo. O conteúdo do envelope era o CD que faltava à postagem da Integral dos Concertos para Piano de Mozart. Realmente, dias atrás, um atento leitor escreveu-me observando que, como num destes contos de Borges, havia uma lacuna e a minha postagem da Integral dos Concertos para Piano de Mozart restava incompleta. Mas como?, pensava eu, dez é o número da totalidade! Onde estão os quatro primeiros concertos?, insistia o leitor arguto. Argumentei que estes não eram exatamente concertos compostos por Mozart. Numa enciclopédia que imaginava ter consultado havia indicações de sonatas de Johann Christian Bach. Busquei a tal enciclopédia, mas as consultas feitas após a meia-noite são elusivas. O volume que eu buscava, com verbetes iniciados por Moz até verbetes iniciados por Rac estava desaparecido. Mais mistério. Iniciei buscas outras e até enviei alguns e-mails para um antigo endereço que Miles havia deixado na última vez que estivemos juntos.

Claro, Miles…

Foi assim que descobri a existência de mais um volume da coleção por mim postada, o de número 11. Pronto, imagino que agora a saga dos Concertos para Piano estará, enfim, completa. Sem dúvida, Gidnek Selim é um ardiloso anagrama de Miles Kendig. Em se tratando de espiões e agentes secretos, mesmo aposentados, todo o cuidado é pouco. Meu caro Miles deve ter percebido a falha na postagem e enviou-me o CD que faltava. Ah, o que seria da vida sem os amigos…

Então, aqui temos a coisa toda, os Concertos para Piano de Nos. 1 a 4 realmente são pastiches de obras de compositores alemães que atuavam em Paris. Foi lá que Mozart os conheceu, assim como as suas obras, em suas viagens de 1763, 1764 e novamente em 1766.

Hermann Friedrich Raupach era um compositor alemão. Mozart e ele improvisavam juntos, ao piano, enquanto Mozart, uma criança ainda, sentava-se sobre seus joelhos. Mozart e Johann Christian Bach fariam o mesmo, em Londres.

Leontzi Honauer era músico de Strasburgo e tinha muitas obras publicadas em Paris.

Johann Schobert foi cravista e compositor muito admirado em Paris, que em 1767 teve a infelicidade de comer cogumelos envenenados. Mozart admirava sua música, que achava charmosa. Leopold, o pai de Mozart não o tinha em grande conta.

Johann Gottfried Eckard havia se mudado para Paris em 1758 e lá permaneceu até a sua morte em 1809. Eckard aprendera muito com CPE Bach e preferia o emergente piano em oposição ao cravo. Era excelente pianista e mestre na improvisação.

Fica então assim a distribuição dos compositores das peças usadas na moldagem dos concertos.

J. Jandó

W. A. Mozart (1756 – 1791)

Concerto No. 1 em fá maior, K. 37

  1. Allegro (Raupach)
  2. Andante (Honauer)
  3. Allegro (Honauer)

Concerto No. 2 em si bemol maior, K. 39

  1. Allegro spiritoso (Raupach)
  2. Andante (Schobert)
  3. Molto allegro (Raupach)

Concerto No. 3 em ré maior, K. 40

  1. Allegro maestoso (Honauer)
  2. Andante (Eckard)
  3. Presto (CPE Bach)

Concerto No. 4 em sol maior, K. 41

  1. Allegro (Honauer)
  2. Andante (Raupach)
  3. Molto allegro (Honauer)

Jennö Jandó, piano

Concentus Hungaricus

Ildikó Hegyi, regente

Produção: Ibolya Tóth

Gravação de 1991

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FLAC | 223 MB

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MP3 | 320 KBPS | 124 MB

Estes pastiches revelam a habilidade de Mozart em revestir peças originalmente escritas como música de câmera ou como sonatas na forma de concertos e permitiam assim a exibição de seus dotes como virtuose do piano. São peças típicas do estilo galante, desenvolvido pelos alemães e que tanto caíra no gosto dos parisienses. Segundo a revista Classic CD, “You are in for a treat!”

Como? Nova ligação de Miles, ainda mais concertos para piano de Mozart? Bom, essa vai ter que ficar para depois! To be continued…

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Harpsichords Concertos – CDs 1 e 2 de 4 – Lars Ulrik Mortensen, Concerto Copenhagen

Não sei quantas versões tenho, quantas versões ouvi, ou sequer quantas versões postei aqui no PQPBach destes Concertos para Cravo de Bach. Muito menos quantas versões meus colegas postaram. Não importa. A única coisa que importa é ouvir estas obras. O resto é silêncio.
Lars Ulrik Mortensen é dinamarquês, e dirige o Concerto Copenhagen deste o início do século. É um especialista no repertório barroco, com diversos CDs gravados. Estes aqui já foram gravados há bastante tempo, lá em 2002, mas ainda soam muito atuais. Ah, ele foi aluno de Trevor Pinnock, que também participa destas gravações, mas lá no terceiro CD.
Serão quatro CDs para os Concertos para Cravo, e outros dois dedicados aos Concertos de Brandenburg. Overdose de Bach, para os senhores poderem melhor curtir sua semana.

CD 1

01. Concerto BWV 1052 in D minor – 1. Allegro
02. Concerto BWV 1052 in D minor – 2. Adagio
03. Concerto BWV 1052 in D minor – 3. Allegro
04 Concerto BWV 1054 in D major – 1
05. Concerto BWV 1054 in D major – 2. Adagio e piano sempre
06. Concerto BWV 1054 in D major – 3. Allegro
07. Concerto BWV 1053 in E major – 1
08. Concerto BWV 1053 in E major – 2. Siciliano
09. Concerto BWV 1053 in E major – 3. Allegro

Lars Ulrik Mortensen – Harpsichord & Conductor
Concerto Copenhagen

CD 2

01. Concerto BWV 1055 A major – Allegro
02. Concerto BWV 1055 A major – Larghetto
03. Concerto BWV 1055 A major – Allegro ma non tanto
04. Concerto BWV 1056 f minor – [without tempo indication]
05. Concerto BWV 1056 f minor – Largo
06. Concerto BWV 1056 f minor – Presto
07. Concerto BWV 1057 F major – [without tempo indication]
08. Concerto BWV 1057 F major – Andante
09. Concerto BWV 1057 F major – Allegro assai
10. Concerto BWV 1058 g minor – [without tempo indication]
11. Concerto BWV 1058 g minor – Andante
12. Concerto BWV 1058 g minor – Allegro assai

Lars Ulrik Mortensen – Harpsichord & Conductor
Concerto Copenhagen

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nº 23 e 24

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nº 23 e 24

“É uma revolta? – Não, Majestade, é uma revolução.”  (diálogo entre Luís XVI e o duque de La Rochefoucauld no dia 14 ou 15 de julho de 1789)

O músico, maestro e escritor autríaco Nikolaus Harnoncourt (1929-2016) disse uma vez: “A expressão historicamente informado me dá enjoo”. Ele se considerava “não informado, mas curioso”. Pois bem, sejamos curiosos.

A ideia de que algumas tonalidades eram apropriadas para expressar certos tipos de humor ou características psicológicas era universalmente aceita nos séculos 17 e 18, em parte por causa do temperamento desigual, que fazia com que as terças e quintas de cada tom fossem notavelmente diferentes. Isso se torna menos relevante com o temperamento uniforme, aquele que Bach “defendia” ao publicar o Cravo bem temperado.
A época da Revolução Francesa e da Revolução Industrial é também a época de uma mudança profunda nos gostos. O mundo da música barroca se caracterizava pelo temperamento desigual e por desigualdades também no ritmo e na articulação. Esse período revolucionário coincidiu com a popularização da ideologia do desenvolvimento e do progresso, que ocuparam até nossa bandeira brasileira. Esse conjunto de valores acompanha a uniformidade da produção industrial e da linha reta. É um mundo completamente diferente do anterior: uma revolução estética. Vejam por exemplo a caligrafia de Bach e de Mozart em partituras escritas pela mão dos compositores. Bach parece se divertir desenhando curvas elegantes, enquanto Mozart prefere a linha reta. É um golpe baixo naqueles que acham a música do pai de P.Q.P. um tanto quadrada ou uniforme… quem acha isso, me desculpe, mas está com pouca curiosidade.

Sonata para violino BWV 1001, pelas mãos de Bach. Niemeyer gostaria de ver essas curvas!
Concerto para piano nº 24, pelas mãos de Mozart

Resumindo: até meados do século 18, as desigualdades entre tonalidades dão a cada composição uma “cor” diferente, como se dizia na época. Por outro lado, era muito difícil modular (trocar de tonalidade durante a execução). Na música de Mozart e Beethoven, a escolha dos tons ainda tem uma grande importância, mesmo se as razões são mais culturais do que propriamente acústicas. E as modulações são abundantes.

Para os franceses Jean-Philippe Rameau (Tratado de Harmonia, 1722) e M. Charpentier (Regras de composição, 1690), o tom lá maior é alegre e camponês, enquanto para o alemão Christian Schubart (Ideias sobre a estética da música, séc.18), ele contém declarações de amor inocente, alegria juvenil. O Concerto nº 23 de Mozart, em lá maior, realmente é menos heroico e grandioso que os outros concertos de 1986, ele tem um caráter mais brilhante e bucólico como o 15º e o 17º concertos, mas com a presença do clarinete, que só aparece do 22º ao 24º.
O Concerto nº 24 é em dó menor, tonalidade que para Charpentier é obscura e triste e, para Rameau e Schubart, combina com lamentos de amor infeliz. Para Mozart, porém, essa tonalidade já apresenta o caráter de ombra, termo italiano usado para as cenas de ópera em que aparecem oráculos, demônios, bruxas ou fantasmas. Não por acaso, Beethoven ficaria muito associado ao dó menor em suas composições mais sombrias ou misteriosas: Sonata Patética, Sinfonia nº 5 (o tan-tan-tan-tan do “destino”), Sonata op.111, etc.

Outra obra de Beethoven em dó menor é o Concerto para piano nº3, em que o tema inicial que é quase um plágio do 24 de Mozart. E realmente não é uma coincidência: Beethoven teria dito a um amigo, ao ouvir este concerto nº 24: “nós nunca vamos conseguir fazer algo assim”. Na Beethoven-Haus em Bonn, há vários cadernos de Beethoven em que ele estudava os concertos de Mozart, cheios de anotações.

Last but not least, fiquem com a postagem original de P.Q.P., que descreve o pianista Alfred Brendel melhor do que eu conseguiria.

Antes que alguém tente algo mais violento, aí vão mais dois concertos para piano de Mozart. Nestas gravações, Brendel alcança aquele pontinho exato entre a pura alegria de tocar Mozart e o abismo representado por uma interpretação superficial. A naturalidade e a categoria com que o pianista permanece nesta posição é para qualquer um – aí sim! – abismar-se. A foto abaixo foi-me mostrada pela mais querida das amigas e não posso me furtar de mostrá-la a nossos leitores-ouvintes. Ah, com nossa exatidão habitual, informamos que o nome da gata de Brendel é Minnie.
P.Q.P. Bach.

Piano Concerto nº 23, K. 488, em lá maior
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Allegro Assai

Piano Concerto nº 24, K. 491, em dó menor
1 – Allegro
2 – Larghetto
3 – Allegretto

Academy of Saint Martin in the Fields
Alfred Brendel – Piano
Neville Marriner – Conductor

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Brendel E Minnie ReduzidaPleyel

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para viola da gamba – (Trio Sonatas) BWV 1027 – 1029 & 1039 – Nikolaus Harnoncourt & Frans Brüggen

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para viola da gamba – (Trio Sonatas) BWV 1027 – 1029 & 1039 – Nikolaus Harnoncourt & Frans Brüggen

J. S. Bach

Sonatas para viola da gamba – BWV 1027-1029

Sonata para duas flautas transversas – BWV 1039

 

Ganha uma cocada quem encontrar o Nikolaus nesta foto…

Nikolaus Harnoncourt era de uma família nobre de Luxemburgo e Lorraine e foi batizado como Conde Johannes Nikolaus de la Fontaine und d’Harnoncourt-Unverzagt. Era descendente de imperadores. Seu primeiro emprego como músico foi de violoncelista da Orquestra Sinfônica de Viena, em 1952. Em 1953 fundou, com sua mulher, Alice Harnoncourt, o Concentus Musicus Wien, para tocar música antiga com instrumentos originais e práticas similares às usadas na época da composição das peças.

Posteriormente, Harnoncourt tornou-se regente de orquestras convencionais, regendo todo o repertório clássico. Deixou gravações (perto de 500 CDs) que incluem, por exemplo, as sinfonias de compositores que vão de Haydn e Mozart até Bruckner. O Ciclo das Sinfonias de Beethoven, que ele gravou com a Chamber Orchestra of Europe, ganhou importantes prêmios de discos e ainda é uma referência.

Vai dizer que não gostou da música?

Nesta postagem temos a oportunidade de ouvir Harnoncourt interpretando as sonatas para viola da gamba de Bach. Veja o que ele mesmo disse sobre o instrumento: Ao contrário do violino, a viola da gamba é essencialmente um instrumento introvertido, de sonoridade frágil e doce, que foi desde o seu surgimento destinado a espaços de dimensões restritas. Você poderá ler a integra dos comentários do disco, escritos pelo próprio Harnoncourt, neste site aqui.

Frans, no tempo em que levava a vida na flauta

Este disco traz as três (trio) sonatas para viola da gamba escritas por J. S. Bach. O termo triosonata deve-se ao fato de termos três vozes apresentando a música. A viola da gamba e o cravo, que tem papel importante, uma segunda voz, além do baixo contínuo. Estas composições são releituras de peças escritas para outras combinações de instrumentos. A primeira sonata, por exemplo, foi arranjada a partir da sonata para duas flautas e baixo contínuo, a última peça do disco. Você poderá comparar as duas peças e perceber a habilidade do magnífico Johann Sebastian Bach de apresentar (vestir) a música em diferentes maneiras. Após as três primeiras sonatas para viola da viola da gamba, ouvir a mesma peça interpretada ao som de duas flautas é algo que ainda hoje me surpreende e encanta.

Leopold Stastny

Para interpretar a sonata para duas flautas temos o lendário Frans Brüggen fazendo dupla com Leopold Stastny. Frans Brüggen é outro pioneiro da prática de instrumentos originais e foi virtuose flautista. Adaptando os dizeres das camisetas da Oktoberfest, ele tocava todas. Posteriormente passou a reger e deixou gravações excelentes. Assim como Harnoncourt, foi longevo e manteve-se ativo até seus últimos dias.

A produção do disco está ao cargo de Wolf Erichson, importante e premiado produtor. Você poderá ver parte de sua discografia aqui.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Sonate G-dur für Viola da gamba und Cembalo, BWV 1027

  1. Adagio
  2. Allegro ma non tanto
  3. Andante
  4. Allegro moderato

Sonate D-dur für Viola da gamba und Cembalo, BWV 1028

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Andante
  4. Allegro

Sonate g-moll für Viola da gamba und Cembalo, BWV 1029

  1. Vivace
  2. Adagio
  3. Allegro

Sonate G-dur (Triosonate) für Traversflöten und B.c., BWV 1039

  1. Adagio
  2. Allegro ma non presto
  3. Adagio e piano
  4. Presto

Nikolaus HarnoncourtGambe (Jacobus Stainer, Absam 1667) und Violoncello (Andrea Castagneri, Paris 1744)

Herbert TacheziCembalo (nach italienischen Vorbildern von Martin Skowroneck, Bremen)

Frans BrüggenTraversflöte (A. Grenser, Dresden 1750)

Leopold StastnyTraversflöte (Kopie nach Hotteterre von F. v. Huene, Boston)

Gravado em 1968

Produção de Wolf Erichson

Wolf verificando se o pessoal tocou mesmo todas as notas

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FLAC | 278 MB

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MP3 | 320 KBPS | 121 MB

Frans Brüggen experimentando uma flauta cubana

Você poderá ler uma crítica bastante pertinente deste disco aqui.

O disco foi gravado em 1968 e lançado em 1969, pelo então selo Telefunken! Faz, portanto, mais de cinquenta anos e isto o qualifica para nosso selo Jurassic CD!!!

Aproveite, a música é ótima!

René Denon

 

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concerti con Molti Instrumenti – Ensemble Matheus & Jean-Christophe Spinosi

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concerti con Molti Instrumenti – Ensemble Matheus & Jean-Christophe Spinosi

Vivaldi

 

Concerti con Molti Instrumenti

 

Estou quase certo, foi o língua de trapo do Stravinsky que afirmou ter Vivaldi escrito o mesmo concerto quinhentas vezes. Mesmo a mais infame afirmação pode conter uma grama de verdade. A afirmação, se é que houve, se foi exatamente assim, se foi feita pelo próprio Stravinsky, tem que ser considerada no contexto em que teria sido feita. Nos anos trinta havia complicados contextos políticos e sociais envolvidos e o ressurgimento da obra de Vivaldi a deixava superexposta.

Vivaldi viveu aqui…

O fato incontestável é que Vivaldi é muito bom! Seus concertos seguem sempre o formato allegro – adagio – allegro e duram perto de nove minutos, mas afirmar que são iguais uns aos outros é uma simplificação distorcente. Vivaldi tem imaginação e verve fenomenais. E ele teve no Pio Ospedale della Pietà seu laboratório de experimentos e entre suas alunas musicistas maravilhosas. Concertos para todos os tipos de instrumentos, inclusive alguns raros, que vinham do outro lado dos Alpes, devido às ótimas conexões venezianas com os fabricantes de instrumentos alemães. Além do Ospedale, Vivaldi trabalhou com outras orquestras, como a Orquestra de Dresden, dirigida por seu amigo e aluno Johann Georg Pisandel. Esta orquestra continha uma boa variedade de instrumentos de sopro, assim como a Orquestra da Ópera de Mantua. Por volta de 1720, Vivaldi também supriu música para a grande orquestra mantida em Roma pelo Cardeal Pietro Ottoboni, o grande mecenas das artes. Esta orquestra certamente tinha clarinetes entre seus instrumentos.

Exemplos indubitáveis das mil habilidades de Vivaldi são seus concertos com molti instrumenti. Estes concertos aparecem com frequência nos discos dos experts em música barroca, mas aqui temos algo bastante especial. Dois discos produzidos pelo selo francês Pierre Verany, com o Ensemble Matheus regido por Jean-Christophe Spinozi. O primeiro disco é intitulado Chalumeaux & Clarinettes Integral. Neste disco brilha o solista Gilles Thomé, que não só toca chalumeaux e clarintes, ele também as faz. O chalumeau é assim um parente distante do clarinete e caiu em desuso na medida que o clarinete foi sendo aperfeiçoado. O segundo disco traz concertos com misturas de instrumentos mais comuns como flautas transversa e doce, oboés e fagotes, com os tradicionais instrumentos de cordas e tiorbas, alaúdes, cravos e órgão. Entre os concertos deste disco, não deixe de notar o intitulado “Il Proteo o sia il Mondo al rovescio” e o que foi composto para “Sua Altezza Reale di Sassonia”! Nobres concertos. O título do primeiro concerto – O Mundo Virado de Cabeça para Baixo – refere-se ao violino e o violoncelo alternando-se no solo do concerto no mesmo intervalo tonal. Este disco individual foi postado pelo próprio PQP Bach.

Chalumeaux feitos pelo Gilles

Os músicos tocam instrumentos de época, mas isso não deve afastar nossos queridos leitores que preferem os instrumentos tradicionais. Nada aqui é agressivo ou abrasivo. Pelo menos aos meus ouvidos. Na verdade, se você estiver esperando os trompetes e fanfarras, vai se surpreender com a delicadeza e variedade dos sons. Vá em frente e deleite-se nesta superdose de música barroca italiana, produzida pela imaginação fervilhante do Petre Rosso, o Padre Vermelho!

Gilles Thomé ensaiando antes de você baixar os discos…

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerti con Molti Instrumenti, Volume 1

Chalumeaux & Clarinettes – Integrale

  1. [1-3] – Concerto em dó maior, RV 558 para duas flautas doces, dois chalumeaux, duas tiorbas, dois bandolins, dois violinos “in tromba marina” e violoncelo
  2. [4-7] – Concerto em si bemol maior, RV 579 – “Funebre”, para dois oboés “sordini”, chalumeau, três violas “alle inglese” e violino
  3. [8-10] – Concerto em dó maior, RV 555 para duas flautas doces, oboé, chalumeau, dois trompetes, violino, duas “violette inglesi” e dois cravos
  4. [11-13] – Concerto em dó maior, RV 560 para dois oboés, dois clarinetes, cordas e baixo contínuo
  5. [14-16] – Concerto em dó maior, RV 559 para dois oboés, dois clarinetes, cordas e baixo contínuo
  6. [17-19] – Concerto em dó maior, RV 556 “Per la Solennita di S. Lorenzo”, para duas flautas doces, dois oboés, dois clarinetes, fagote, dois violinos, cordas e baixo contínuo

Ensemble Matheus

Gilles Thomé, chalumeau e clarinete

Jean-Christophe Spinosi, solo de violino e direção

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FLAC | 294 MB

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MP3 | 320 KBPS | 136 MB

Jean-Christophe Spinosi

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerti Con Molti Instrumenti, Volume 2

  1. [1-3] – Concerto No. 3 em sol menor, RV 577 – “Per l’Orchestra di Dresda”, para violino, dois oboés, duas flautas doces, dois fagotes e orquestra
  2. [4-6] – Concerto em fá maior, RV 572 – “Il Proteo o sia  il Mondo al rovescio”, para violino, duas flautas transversas, dois oboés, cravos, violoncelo e orquestra
  3. [7-9] – Concerto em ré menor, RV 566 para dois violinos, dois oboés, duas flautas doces, fagote e orquestra
  4. [10-12] – Concerto em lá maior, RV 585 – “In Due Cori”, para quatro violinos, quatro flautas doces, dois órgãos e duas orquestras
  5. [13-15] – Concerto em dó maior, RV 556 [2ª. Versão] – “Per la Per la Solennita di S. Lorenzo”, para dois violinos, duas flautas doces, dois oboés, fagote e orquestra
  6. [16-18] – Concerto em dó maior, RV 557 para dois violinos, dois oboés, duas flautas doces, fagote e orquestra
  7. [19-21] – Concerto em sol menor, RV 576 – “Sua Altezza Reale di Sassonia”, para violino, oboé, duas flautas doces, dois oboés, fagote, contrafagote e orquestra

Ensemble Matheus

Jean-Christophe Spinosi, solo de violino e direção

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FLAC | 302 MB

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MP3 | 320 KBPS | 157 MB

O próprio Vivaldi veio dar uma conferida

Veja o que um crítico (quase) anônimo disso no Amazon sobre o primeiro disco: Consacré aux clarinettes et chalumeaux, le volume 1 fait entendre des instruments en buis fabriqués par Gilles Thomé qui en joue ici avec un art consommé. Ecoutez par exemple son poétique dialogue crépusculaire avec le violon de J.C. Spinosi dans le Largo e cantabile du « per la solennita di S. Lorenzo »

O Volume 1 é consagrado aos clarinetes e chalumeaux, instrumentos de madeira fabricados por Gilles Thomé que os toca com arte consumada. Escute por exemplo seu poético diálogo crepuscular com o violino de J. C. Spinosi no Largo e cantabile do “Per la Solennita di S. Lorenzo”

Ele está se referindo à faixa 18 do Volume 1. Baixe o disco e confira!

René Denon

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nº 22 e 25

230 anos da queda da Bastilha!

Como foi dito na postagem de ontem, é interessante notar até que ponto a ascensão e o declínio da popularidade de Mozart em Viena coincidem com a ascensão e declínio das ideias iluministas no Império Austríaco. Os concertos que trago hoje, no aniversário de 230 anos do dia 14 de julho de 1789, mostram um Mozart no age da sua fama, compondo para orquestras grandes – para os padrões da época – e arrebatando as plateias vienenses com seu virtuosismo ao piano. Não há cadências escritas por Mozart para esses concertos (assim como para o 20, 21, 24 e o 26) provavelmente porque o compositor estreava os concertos, improvisava as cadências e não tinha tempo para compô-las para seus alunos tocarem. Vale ressaltar que, na época, qualquer pianista respeitável improvisava suas próprias cadências, ler a cadência e tocá-la nota por nota era coisa de iniciantes.

O tom mi bemol maior frequentemente era usado em obras impactantes e grandiloquentes como o Concerto Imperador e a Sinfonia Heroica de Beethoven. No Concerto nº 22 (1785) de Mozart, o sentimento heroico ocupa tdo o 1º moviemnto, desde o tema do primeiro compasso, enquanto os outros dois movimentos alternam entre momentos lentos e momentos heroicos: o 2º, lento e em dó menor, tem uma passagem rápida em dó maior no meio, enquanto o 3º, rápido, tem uma passagem lenta no meio. Esse procedimento simétrico é idêntico ao do Concerto nº 9 “jeunehomme”, também em mi bemol maior, e é um tipo de simetria que vemos, por exemplo, nas obras de Bartók, que sempre têm número ímpar de movimentos espelhados dessa forma.

O Concerto nº 25 é o mais longo de Mozart, um dos mais expansivos também em termos de orquestração e uso do piano. O tema principal do Concerto nº 25 (1786) tem uma grande semelhança com a Marselhesa, hino nacional francês, composto em 1792 pelo oficial do exército revolucionário francês Rouget de Lisle. Coincidência ou não, um hino para órgão composto em 1787 lembra ainda mais a harmonia da Marselhesa, enquanto o concerto 25 lembra mais o ritmo, então fica uma séria dúvida se o militar francês não cometia seus plágios aqui e ali… Ou se trataria apenas do “espírito da época” (Zeitgeist) ou, nas palavras de Jung, da sincronicidade?

Dúvidas e suposições à parte, temos aqui dois concertos do “Mozart heroico”, que precede em muitos sentidos o “Beethoven heroico”, aquele que tanta gente associou ao “espírito da Revolução”.

Concerto para piano e orquestra n. 22 em Mi bemol maior, KV. 482
1. Allegro
2. Andante
3. Allegro (Rondó)

Concerto para piano e orquestra n. 25 em Dó Maior, KV. 503
1. Allegro maestoso
2. Andante
3. Allegretto

Academy of St. Martin in the Fields
Alfred Brendel, Piano
Sir Neville Marriner, regência

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Pleyel

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nº 26 e 27

Iniciamos hoje, na véspera do aniversário de 230 anos da Revolução Francesa, uma série de postagens que é histórica em dois sentidos: (I) vamos ressuscitar aqui uma série que marcou época nos primórdios do P.Q.P.Bach, com o trio Mozart-Brendel-Marriner; (II) vamos abordar os concertos de Mozart de um ângulo diferente, falando menos da música em si e mais da época em que ela foi composta. E como nenhum homem é uma ilha, é evidente que a vida e a obra de Mozart foram afetadas pelas mudanças extraordinárias pelas quais a Europa passou nas décadas de 1780 e 90.

Com a palavra o acadêmico inglês Andrew Steptoe:

Mozart viveu em um período de grande agitação política, que viu as formas e as convenções da hierarquia estabelecida serem contestadas pelo crescimento do racionalismo e do Iluminismo.

O imperador José II, de sua regência, ainda como príncipe, em 1765, até sua morte em 1790, é considerado um déspota esclarecido que transformou em realidades práticas várias teorias dos pensadores do século 18. Ele pôs fim à discriminação contra as igrejas protestantes e ortodoxas em seu largo império, proibiu o trabalho infantil e a pena de morte.

Mas o mais importante para as classes médias era a liberdade de pensamento e o relaxamento da censura encorajados por José II. A liberdade intelectial que reinava nos salões vienenses tornou-se célebre por toda a Europa, e o avanço da maçonaria foi uma das consequências de tal atmosfera [não é preciso lembrar a influência da maçonaria na Flauta Mágica, na Música de funeral maçônica e tantas outras obras da última década de Mozart].

Esse clima, porém, não iria durar para sempre. O fim do reinado de José – que coincide com os últimos anos de Mozart – foi marcado por uma série de reviravoltas políticas e o restabelecimento de uma sociedade repressiva e profundamente desconfiada do pensamento livre. Essa brutal reviravolta tinha origens tanto dentro como fora do império austríaco.

Dentro das fronteiras, algumas reformas de José II provocaram uma reação hostil dos nobres, facilitada pela liberalização da censura. Mas o evento que levou ao autoritarismo foi a Revolução Francesa. Segundo uma testemunha britânica, a tomada da Bastilha no dia 14 de julho de 1789 provocou no imperador “as mais violentas ameaças de vingança, no caso em que algum insulto fosse feito à pessoa de sua irmã, Maria Antonieta”. Três meses depois, ela e Luís XVI eram expulsos de Versalhes por uma multidão.

Na Áustria as consequências foram dramáticas. Várias leis foram anuladas, Gottfried van Swieten, amigo e protetor de Mozart, perdeu o posto de censor, que voltou ao ministério da Polícia. Os jornais desapareceram, muitos homens foram presos sem processo legal e a maçonaria foi submetida a restrições. Após a morte de José, o breve reinado de seu irmão Leopoldo quase não trouxe mudanças.

É interessante notar até que ponto a ascensão e o declínio da popularidade de Mozart em Viena coincidem com o destino político do Iluminismo no império dos Habsburgos.

Fonte: Mozart Compendium (org. Landon, 1990)

Ou seja, fica a dica: quando um regime se sente ameaçado, a primeira vítima é a liberdade de expressão, aí incluídos os artistas. Vejamos o caso de Haydn: em 1790 morre o príncipe Nikolaus Esterházy, que era seu mecenas e o filho de Nikolaus, seguindo a tendência da época, dispensou quase todos os músicos. Haydn ficou com um pequeno salário, mas quase não havia demanda de novas composições, deixando-o livre para suas duas viagens a Londres (1790–1792 e 1794–1795), onde compôs algumas de suas maiores sinfonias, tanto em importância quanto em número de músicos, pois as orquestras londrinas não estavam em crise.

Mas voltemos a Mozart. Não é por acaso que a orquestração do Concerto nº 27 (de 1791) é muito mais enxuta do que a dos 7 concertos anteriores, sem tímpano e sem trompetes. O que o último concerto para piano de Mozart não tem em pompa e imponência, tem em sensibilidade e originalidade. Para Messiaen, esta obra, do último ano de Mozart, é iluminado por um sol poente, pela iniciação da morte, com destaque para a cadência do 1º movimento que, muito menos virtuosa que o usual, é cheia de hesitações, de silêncios, “na espera da grande partida…”

Vamos seguir de trás pra frente: o Concerto nº 26, um dos mais imponentes e grandiosos de Mozart, é de 1788, mas ficou conhecido como o “concerto da coroação” por ter sido tocado na coroação de Leopoldo II como Imperador do Sacro-Império Romano Germânico. Ao contrário do império Austro-Húngaro, que era hereditário, os líderes desse outro império eram eleitos e acumulavam o título de sagrado imperador com a coroa local. Leopoldo seria o penúltimo dessa linha que remontava a Carlos Magno no ano 800, pois Napoleão, em 1806, poria fim a esse império que, nas palavras de um fino observador, não era nem sagrado nem império e nem romano.

Fiquem agora com o texto original de PQP:

Depois da dura advertência que recebemos do Mozartiano à Espera, acordamos nesta manhã de sol e temperatura amena com o firme propósito de encerrar mais uma de nossas séries! A dos Concertos de 15 a 27, que são os bons. Adoro esses dois concertos e só a pura desídia explica o fato de eu não tê-los postado até hoje. A caixa ao lado é a da série completa da Philips. Os primeiros concertos são regidos por Eduard Melkus com a gordinha Ingrid Haebler ao piano, depois vem Ton Koopman com ele mesmo…, o concerto duplo vem com as irmãs Labeque até chegar à perfeição com Brendel e Marriner. Gosto muito de provocar Clara Schumann, mas nunca ousaria fazer críticas a seu ídolo Alfred Brendel, do qual ela — pasmem! – até coleciona fotos. Afinal, o homem é o vice-campeão, só perdendo mesmo para aquele senhor que recebeu em 2007 um prêmio como maior personalidade artística européia: Maurizio Pollini.

W. A. Mozart (1756-1791) – Concertos para Piano Nº 26 e 27

1. Concerto No. 26 In D, KV 537 ‘Coronation’: 1. Allegro
2. Concerto No. 26 In D, KV 537 ‘Coronation’: 2. Larghetto
3. Concerto No. 26 In D, KV 537 ‘Coronation’: 3. Allegretto

4. Concerto No. 27 In B Flat, KV 595: 1. Allegro
5. Concerto No. 27 In B Flat, KV 595: 2. Larghetto
6. Concerto No. 27 In B Flat, KV 595: 3. Allegro

Alfred Brendel, piano
Academy of St. Martin-in-the-Fields
Neville Marriner

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Pleyel

Mieczysław Weinberg (1919-1996): 24 Prelúdios para Violino Solo, Op. 100

Mieczysław Weinberg (1919-1996): 24 Prelúdios para Violino Solo, Op. 100

Um disco mais ou menos de um compositor mais ou menos. Mieczysław Weinberg (também Moisey ou Moishe Vainberg, Moisey Samuilovich Vaynberg) foi um compositor soviético de origem polonesa-judaica. A partir de 1939, viveu na União Soviética e na Rússia e perdendo a maior parte de sua família no Holocausto. Deixou enorme obra que inclui vinte e duas sinfonias e dezessete quartetos de cordas. Acho que este disco interessa mais aos estudantes de violino moderno. Há bons momentos — como aquele em que Weinberg cita Shostakovich — e outros bem rotineiros, apesar dos esforços de Gidon Kremer.

Mieczysław Weinberg (1919-1996): 24 Prelúdios para Violino Solo, Op. 100

1 Prelude No. 1 2:10
2 Prelude No. 2 1:20
3 Prelude No. 3 1:07
4 Prelude No. 4 1:59
5 Prelude No. 5 2:33
6 Prelude No. 6 1:01
7 Prelude No. 7 1:44
8 Prelude No. 8 1:01
9 Prelude No. 9 1:35
10 Prelude No. 10 1:50
11 Prelude No. 11 1:56
12 Prelude No. 12 2:50
13 Prelude No. 13 1:41
14 Prelude No. 14 0:59
15 Prelude No. 15 4:00
16 Prelude No. 16 1:54
17 Prelude No. 17 2:22
18 Prelude No. 18 3:14
19 Prelude No. 19 2:02
20 Prelude No. 20 2:02
21 Prelude No. 21 1:44
22 Prelude No. 22 1:11
23 Prelude No. 23 2:15
24 Prelude No. 24 3:16

Gidon Kremer, violin

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Shosta, Weinberg e uma bela cabeça de mulher.

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Cello Sonatas / Franz Schubert (1797-1828): Arpeggione Sonata

Johannes Brahms (1833-1897): Cello Sonatas / Franz Schubert (1797-1828): Arpeggione Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nathalie Clein tem estilo ao interpretar lindamente esse esplêndido programa de Brahms + Schubert. A gravação tem alguns detalhes que fazem a alegria de meu combalido coração: ouve-se claramente a carpintaria do cello. Clein tem bom som e parece não se importar muito em bater com o arco, nem com provocar alguns ronquinhos. Ah, e ela respira bastante, de forma e audível, fato natural em seres humanos. Prefiro a atmosfera de um concerto ao vivo do que a perfeição técnica provocada por engenheiros de som ciosos de limpeza, higiene e segurança no trabalho.

Em 1994, aos 17 anos, a violoncelista Natalie Clein foi a primeira vencedora do concurso britânico Festival Eurovisão de Jovens Músicos. Ela não se apressou em correr para uma carreira solo, tendo se concentrado em estudos com o grande Heinrich Schiff, bem como em desenvolver uma reputação internacional de concertos com orquestras, executando e colaborando com gente como Martha Argerich, Ian Bostridge e Steven Isserlis.

Este é seu CD de estreia (2004). Um desafio. As duas extraordinárias sonatas românticas de Brahms, juntamente com a Arpeggione.

Brahms: Cello Sonatas / Schubert: Arpeggione Sonata

1. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: I. Allegro vivace 8:54
2. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: II. Adagio affettuoso 6:45
3. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: III. Allegro passionato 6:59
4. Cello Sonata No. 2 in F Op. 99: IV. Allegro molto 4:18

5. Arpeggione Sonata in A minor D821: I. Allegro moderato 11:42
6. Arpeggione Sonata in A minor D821: II. Adagio – 4:10
7. Arpeggione Sonata in A minor D821: III. Allegretto 8:45

8. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: I. Allegro non troppo 13:46
9. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: II. Allegretto quasi Menuetto 5:51
10. Cello Sonata No. 1 in E minor Op. 38: III. Allegro 6:35

Natalie Clein, violoncelo
Charles Owen, piano

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Natalie Clein na sala de espera da PQP Bach Foundation.

PQP

Bach / Telemann / Boxberg / Riedel: Deutsche Barock Kantaten (VI) — Cantatas para Funerais

Bach / Telemann / Boxberg / Riedel: Deutsche Barock Kantaten (VI) — Cantatas para Funerais

Um lindo disco de Cantatas alemãs. A primeira coisa que impressiona é a acachapante superioridade de Telemann e Bach sobre seus pares. Não há como comparar, são de turmas inteiramente diferentes. O CD é realmente muito bom. O Ricercar Consort é competentíssimo assim como o time de cantores. A Cantata BWV 106 de Bach, também conhecida como Actus tragicus, é uma antiga cantata sagrada composta por Johann Sebastian Bach aos 22 anos (!) em Mühlhausen, destinado ao funeral de um reitor, se não me engano. Bach escreveu o trabalho para quatro partes vocais e um pequeno conjunto de instrumentos barrocos, duas flautas doces, duas violas da gamba e contínuo. A peça é iniciada por uma Sonatina instrumental. “Actus tragicus”, como sublinha Raffaele Mellace em seu volume dedicado às cantatas de Bach,  significa uma peça oratória de texto bíblico destinado a ocasiões solenes, tese corroborada pela hipótese cada vez mais consolidada de que não se trata necessariamente de uma cantata fúnebre, mas de uma obra penitencial. Fica a dúvida.

Bach / Telemann / Boxberg / Riedel: Deutsche Barock Kantaten (VI)

Telemann — Du Aber, Daniel, Gehe Hin 27:39
1 Sonata 3:02
2 Chæur: Du Aber Daniel 2:29
3 Récitatif: Mit Freuden Folgt Die Seele 0:54
4 Aria: Du Aufenhalt Der, Blasen Sorgen 5:19
5 Accompagnato: Mit Sehnendem Verlangen 0:43
6 Aria: Brecht, Ihr Müden Augenlieder 6:01
7 Récitatif: Dir Ist, Hochsel’ger Mann 1:38
8 Chæur: Schlaf Wohl, Ihr Seligen Gebeine 7:34

Boxberg — Bestelle Dein Haus 6:48
9 Bestelle Dein Haus – Herr, Lehre Doch Mich 1:46
10 Herzlich Tut Mich Verlangen 1:29
11 Christus Ist Mein Leben – Ich Habe Lust, Abzuscheiden 1:58
12 Wenn Gleich Süss Ist Das Leben 1:36

Riedel — Harmonische Freude Frommer Seelen 11:45
13 Ich Freue Mich Im Herrn 4:15
14 In Dem Herrn Ich Mich Erfreue 5:19
15 Choral: Ich Habe Dich Je Und Je Geliebet 2:11

Bach — Gottes Zeit Ist Die Allerbeste Zeit Actus Tragicus, Kantate BWV 106 20:21
16 Sonatina 3:00
17 Gottes Zeit Ist Die Allerbeste Zeit 8:37
18 In Deine Hände 6:13
19 Glorie, Lob, Ehr’ Und Herrlichkeit 2:33

Bass Vocals – Max Van Egmond
Bassoon – Marc Minkowski
Cello – Roel Dieltiens
Countertenor Vocals – James Bowman (2)
Double Bass – Eric Mathot
Oboe – Hugo Reyne, Pascale Haag
Orchestra [Original Instruments] – Ricercar Consort
Organ – Johan Huys, Yvon Reperant*
Recorder – Frédéric de Roos, Patrick Denecker
Soprano Vocals – Greta de Reyghere
Tenor Vocals – Guy De Mey
Viola d’Amore – Georges Longree*, Ghislaine Wauters
Viola da Gamba – Philippe Pierlot (2), Sophie Watillon
Violin – François Fernandez, Mihoko Kimura

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A música é sacra, mas a gente gosta é de Frans Hals (1580-1666). ESte é seu autorretrato.

PQP

Georg Phillip Telemann – Paris Quartets – Irmãos Kuijken, Gustav Leonhardt

Junte os Irmãos Kuijken (para quem não sabe de quem estou falando, a relação dos nomes com seus respectivos instrumentos está logo abaixo) e Gustav Leonhardt no mesmo CD e o resultado só pode ser um: excepcional. São músicos com todas as letras maiúsculas, gente que respira, ou respirava, música vinte e quatro horas por dia.

Este CD dedicado aos quartetos para Flauta de Telemann é um daqueles discos obrigatórios, indispensáveis para todo aqueles que querem conhecer um pouco mais a música do compositor alemão. Enquanto eu me preparava para esta verdadeira maratona de música de Telemann ouvi outras duas versões que tenho destes quartetos com outros dois grandes flautistas: Jean Pierre Rampal e Franz Brüggen. Optei pela versão dos Kuijken por ser a mais completa. Mas pretendo trazer estas outras duas versões, em outra ocasião. Os doze quartetos estão aqui, ao contrário das outras versões que tenho. Todas elas de excelente qualidade, volto a salientar.

CD 1

01. No. 1 Concerto Primo · Grave – Allegro
02. No. 1 Concerto Primo · Largo
03. No. 1 Concerto Primo · Presto
04. No. 1 Concerto Primo · Largo
05. No. 1 Concerto Primo · Allegro
06. No. 2 Concerto Secondo · Allegro
07. No. 2 Concerto Secondo · Affettuoso
08. No. 2 Concerto Secondo · Vivace
09. No. 3 Sonata Prima · Soave
10. No. 3 Sonata Prima · Allegro
11. No. 3 Sonata Prima · Andante
12. No. 3 Sonata Prima · Vivace
13. No. 4 Sonata Seconda · Andante
14. No. 4 Sonata Seconda · Allegro
15. No. 4 Sonata Seconda · Largo
16. No. 4 Sonata Seconda · Allegro
17. No. 5 Première Suite · Prélude Viternent
18. No. 5 Première Suite · Rigaudon
19. No. 5 Première Suite · Air
20. No. 5 Première Suite · Replique
21. No. 5 Première Suite · Menuet I – Menuet II
22. No. 5 Première Suite · Gigue
23. No. 6 Deuxième Suite · Prélude Gaîment
24. No. 6 Deuxième Suite · Air Modérément
25. No. 6 Deuxième Suite · Réjouissance
26. No. 6 Deuxième Suite · Courante
27. No. 6 Deuxième Suite · Passepied

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2

01. No. 7 Premier Quatuor · Prélude Vivement
02. No. 7 Premier Quatuor · Tendrement
03. No. 7 Premier Quatuor · Vite
04. No. 7 Premier Quatuor · Gaiement
05. No. 7 Premier Quatuor · Modérément
06. No. 7 Premier Quatuor · Vite
07. No. 8 Deuxième Quatuor · Allègrement
08. No. 8 Deuxième Quatuor · Flatteusement
09. No. 8 Deuxième Quatuor · Légèrement
10. No. 8 Deuxième Quatuor · Un peu vivement
11. No. 8 Deuxième Quatuor · Vite
12. No. 8 Deuxième Quatuor · Coulant
13. No. 9 Troisième Quatuor · Prélude Un peu vivement
14. No. 9 Troisième Quatuor · Légèrement
15. No. 9 Troisième Quatuor · Gracieusement
16. No. 9 Troisième Quatuor · Vite
17. No. 9 Troisième Quatuor · Modéré
18. No. 9 Troisième Quatuor · Gai
19. No. 9 Troisième Quatuor · Lentement – Vite

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3

01. No. 10 Quatrième Quatuor · Prélude Vivement – Flatteusement
02. No. 10 Quatrième Quatuor · Coulant
03. No. 10 Quatrième Quatuor · Gai
04. No. 10 Quatrième Quatuor · Vite
05. No. 10 Quatrième Quatuor · Triste
06. No. 10 Quatrième Quatuor · Menuet Modéré
07. No. 11 Cinquième Quatuor · Prélude Vivement
08. No. 11 Cinquième Quatuor · Gai
09. No. 11 Cinquième Quatuor · Modéré
10. No. 11 Cinquième Quatuor · Modéré
11. No. 11 Cinquième Quatuor · Pas vite
12. No. 11 Cinquième Quatuor · Un peu gai
13. No. 12 Sixième Quatuor · Prélude À discrétion – Très vite
14. No. 12 Sixième Quatuor · Gai
15. No. 12 Sixième Quatuor · Vite
16. No. 12 Sixième Quatuor · Gracieusement
17. No. 12 Sixième Quatuor · Distrait
18. No. 12 Sixième Quatuor · Modéré

CD 3 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Barthold Kujiken – Flute
Sigiswald Kuijken – Violin
Wieland Kuijken – Cello
Gustav Leonhardt – Harpsichord

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. III – Le Cantate Per Il Cardinal Ottoboni

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. III – Le Cantate Per Il Cardinal Ottoboni

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A dificuldade em postagem de coleções é a minha falta de tempo. Trabalhando o dia inteiro, na frente de um computador, quando chego em casa, nem quero ligar o meu. Tomo um banho, assisto um pouco de TV, e cama.

Mas Handel fez aniversário no último dia 23. E como a data quase coincide com a data de meu próprio aniversário (dia 26), não poderia deixar uma data destas passar em branco. Handel completaria 326 anos,e  eu completei 46 anos bem vividos, infelizmente com os clássicos problemas financeiros, mas depois de um ano no qual fiz constantes visitas ao médico, com direito a uma cirurgia bem sucedida, posso me considerar uma pessoa feliz, e isso é o que importa.

Já falei, e cansei os senhores, de tanto que digo o quanto adoro Handel, e estas suas cantatas são uma prova de sua precoce genialidade, lembrando que foram escritas quando tinha pouco mais de 20 anos de idade. Suas aventuras na Itália estão descritas no excelente booklet em anexo, assim como as descrições das respectivas peças.

Por algum motivo, no terceiro CD não temos a magnífica Roberta Invernizzi, que foi substituída por Raffaella Milanesi. Não queria dizer isso, mas sinto falta neste cd de toda a carga dramática que a Invernizzi dá às suas interpretações. O conjunto “La Risonanza” continua impecável.

Espero que apreciem.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. III – Le Cantate Per Il Cardinal Ottoboni

01 – Ero E Leandro (HWV 150)- Qual Ti Riveggio
02 – Ero E Leandro (HWV 150)- Empio Mare, Onde Crudeli
03 – Ero E Leandro (HWV 150)- Amor Che, Ascoso
04 – Ero E Leandro (HWV 150)- Se La Morte Non Vorrà
05 – Ero E Leandro (HWV 150)- Questi Dalla Mia Fronte
06 – Ero E Leandro (HWV 150)- Si Muora, Si Muora
07 – Ero E Leandro (HWV 150)- Ecco, Gelide Labbra

08 – No Se Emendará Jamás (HWV 140)- No Se Emendará Jamás
09 – No Se Emendará Jamás (HWV 140)- Si Del Quereros Es Causa
10 – No Se Emendará Jamás (HWV 140)- Dícente Mis Ojos

11 – Spande Ancor A Mio Dispetto (HWV 165)- Spande Ancor A Mio Dispetto
12 – Spande Ancor A Mio Dispetto (HWV 165)- Oh! Che Da Fiere Pene
13 – Spande Ancor A Mio Dispetto (HWV 165)- Da Balza In Balza

14 – La Risonanza – Bonizzoni – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Sonata
15 – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Ah! Crudel, Nel Pianto Mio
16 – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Non Sdegnerai D’amar
17 – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Di Quel Bel Ch’il Ciel Ti Diede
18 – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Balena Il Cielo
19 – Ah! Crudel, Nel Pianto Mio (HWV 78)- Per Trofei Di Mia Costanza

Raffaella Milanesi – Soprano
Salvo Vitale  – Baixo
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Director

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Este é Fabio Bonizzoni, chefe de La Risonanza

FDPBach

Heinrich Schütz (Alemanha, 1585-1672): Musicalische Exequien – Vox Luminis, dir. Lionel Meunier – 2012

Musicalische Exequien

Heinrich Schütz
Alemanha, 1585-1672

Vox Luminis
dir. Lionel Meunier

2012

 

Heinrich Schütz, considerado um dos 10 melhores compositores barroco segundo a revista britânica Gramophone. (https://www.gramophone.co.uk/feature/top-10-baroque-composers). Musicalische Exequien, considerada uma de suas obras primas, pela mesma publicação. Abaixo, os comentários da Gramophone sobre esta obra:

Se você ainda não percebeu que o Musicalische Exequien – a sequência fúnebre de 30 minutos que Schütz compôs em 1636 para o Príncipe Heinrich Posthumus von Reuss – é uma obra-prima, então este disco deve, de alguma forma, convencê-lo. Schütz tirou seus textos do próprio Reuss, ou mais especificamente dos trechos bíblicos que ele ordenou que fossem inscritos em seu sarcófago densamente decorado, de modo que não tem exatamente a mesma conotação pessoal como o trabalho com o qual é freqüentemente comparado, o Réquiem Alemão de Brahms. Nem se baseia nos mesmos recursos, sendo escrito para um pequeno conjunto de vozes com acompanhamento contínuo simples, mas a habilidade e refinamento com que Schütz manipula passagens de solo e tutti, e a profundidade e precisão emocional de sua resposta ao texto, resultam em algo não menos profundo e não menos tocante em sua visão totalmente luterana da morte como libertação bem-vinda das dores do mundo no cuidado amoroso de Deus. Ouvindo a pungente conclusão de Nunc dimittis, é preciso imaginar se a morte alguma vez pareceu mais nobre ou sublime.

As 12 vozes do grupo belga Vox Luminis depositaram sua fé no foco tonal e em texturas docemente balanceadas. Embora se espere um certo frescor, o canto deles produz música de beleza íntima e dolorosa. O som gravado, suavemente ressonante, é perfeito. Esta grande obra é precedida por outros temas funerários de Schütz, incluindo mais dois cenários do Nunc dimittis e um sincero memorial do músico ao compositor Schein. Nas mãos de Vox Luminis, até mesmo os quatro versos do coral uníssono de Lutero, Mit Fried und Freud, sensibilizam o coração. Um disco maravilhoso.

Heinrich Schütz
01. Herr, nun lassest du deinen Diener in Friede Fahen, SWV 432
02. Ich bin die Auferstehung und das Leben, SWV 464
03. Herr, nun lassest du deinen Diener in Friede fahen, SWV 433
04. Das ist je gewisslich wahr, SWV 277
05. Wir glauben all an einen Gott
06. Mit Fried und Freud fahr ich dahin

Musicalische Exequien, SWV 279
07. Concert in Form einer teutschen Begrabnis-Missa: Nacket bin ich
08. Concert in Form einer teutschen Begrabnis-Missa: Also hat Gott die Welt geliebt

09. Herr, wenn ich nur dich habe, SWV 280
10. Herr, nun lassest du deinen Diener in Friede fahren, SWV 281

Schütz: Musicalische Exequien
Vox Luminis
dir. Lionel Meunier
2012

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XLD RIP | FLAC | 516 MB

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MP3 | 320 KBPS | 133 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 56 min

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

George Phillip Telemann (1681-1767) – Triple Concertos – Simon Standage, etc., Collegium 90

Dentro da imensa obra de Telemann, os Concertos se destacam, para os mais diversos instrumentos. E nesta ótima gravação do veterano Simon Standage, temos os Concertos Triplos: Flauta, Violino e Cello, Flauta, oboe d’amore, viola d’amore, e mais uma série de possibilidades. Ele explorou de tudo um pouco, algumas com qualidade menor que outras, mas que nos ajudam a nos dar um panorama de sua produção.
O ótimo Collegium 90, dirigido pelo violinista barroco Simon Standage, é um dos melhores conjuntos musicais da atualidade, especializados em música dos períodos Barroco e Classicismo. Já trouxemos outras gravações deles por aqui, sempre gravados pelo selo inglês Chaconne, braço do selo Chandos.
Espero que apreciem.

01. Concerto in B flat major for 3 oboes, 3 violins & continuo – I. Allegro
02. Concerto in B flat major for 3 oboes, 3 violins & continuo – II. Largo –
03. Concerto in B flat major for 3 oboes, 3 violins & continuo – III. Allegro

Anthony Robson, Richard Earle, Cherry Forbes – oboes
Simon Standage, Micaela Comberti, Catherine Weiss – violins

04. Concerto in A major for flute, violin, cello & strings – I. Largo
05. Concerto in A major for flute, violin, cello & strings – II. Allegro
06. Concerto in A major for flute, violin, cello & strings – III. Grazioso –
07. Concerto in A major for flute, violin, cello & strings – IV. Allegro

Rachel Brown flute
Simon Standage violin
Jane Coe cello

08. Concerto in F major for 3 violins & strings – I. Allegro
09. Concerto in F major for 3 violins & strings – II. Largo –
10. Concerto in F major for 3 violins & strings – III. Vivace

Simon Standage, Micaela Comberti, Catherine Weiss – violins

11. Concerto in E major for flute, oboe d’amore, viola d’amore & strings – I. Andante
12. Concerto in E major for flute, oboe d’amore, viola d’amore & strings – II. Allegro
13. Concerto in E major for flute, oboe d’amore, viola d’amore & strings – III. Siciliano –
14. Concerto in E major for flute, oboe d’amore, viola d’amore & strings – IV. Vivace

Rachel Brown flute
Anthony Robson oboe d’amore
Simon Standage viola d’amore

COLLEGIUM MUSICUM 90
Simon Standage

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.: interlúdio :. O legendário João Gilberto

.: interlúdio :. O legendário João Gilberto

Sem Palavras

 

Apenas nossa homenagem!

The Legendary João Gilberto

  1. Chega de Saudade – (Antônio Carlos Jobim – Vinicius de Moraes)
  2. Desafinado – (Antônio Carlos Jobim – Newton Mendonça)
  3. Samba de Uma Note Só – (Antônio Carlos Jobim – Newton Mendonça)
  4. O Pato – (Jayme Silva – Neuza Teixeira)
  5. Bolinha de Papel – (Geraldo Pereira)
  6. Amor em Paz – (Antônio Carlos Jobim – Vinicius de Moraes)
  7. Trevo de 4 Folhas – (Mort Dixon – Harry Woods)
  8. O Barquinho – (Roberto Menescal – Ronaldo Bôscoly)
  9. Lobo Bobo – (Carlos Lyra – Ronaldo Bôscoly)
  10. Bim Bom – (João Gilberto)
  11. Hô-Bá-Lá-Lá – (João Gilberto)
  12. Aos Pés da Cruz – (Marino Pinto – Zé da Zilda)
  13. É Luxo Só – (Ary Barroso – Luiz Peixoto)
  14. Outra Vez – (Antônio Carlos Jobim)
  15. Coisa Mais Linda – (Carlos Lyra – Vinicius de Morais)
  16. Este Seu Olhar – (Antônio Carlos Jobim)
  17. Trenzinho – (Lauro Maia)
  18. Brigas, Nunca Mais – (Antônio Carlos Jobim – Vinicius de Moraes)
  19. Saudade Fez Um Samba – (Carlos Lyra – Ronaldo Bôscoly)
  20. Amor Certinho – (Roberto Guimarães)
  21. Insensatez – (Antônio Carlos Jobim – Vinicius de Moraes)
  22. Rosa Morena – (Dorival Caymmi)
  23. Morena Boca de Ouro – (Ary Barroso)
  24. Maria Ninguém – (Carlos Lyra)
  25. A Primeira Vez – (Bide – Marçal)
  26. Presente de Natal – (Nelcy Noronha)
  27. Samba da Minha Terra – (Dorival Caymmi)
  28. Saudade da Bahia – (Dorival Caymmi)
  29. Corcovado – (Antônio Carlos Jobim)
  30. Só em Teus Braços – (Antônio Carlos Jobim)
  31. Meditação – (Antônio Carlos Jobim – Newton Mendonça)
  32. Você e Eu – (Carlos Lyra – Vinicius de Morais)
  33. Doralice – (Antônio Almeida – Dorival Caymmi)
  34. Discussão – (Antônio Carlos Jobim – Newton Mendonça)
  35. Se é Tarde, me Perdoa – (Carlos Lyra – Ronaldo Bôscoly)
  36. Um Abraço no Bonfá – (João Gilberto)
  37. Manhã de Carnaval – (Luiz Bonfá – Antônio Maria)
  38. Medley: O Nosso Amor/A Felicidade – (Antônio Carlos Jobim – Vinicius de Moraes)

Compilação de Gravações de 1958 a 1961

Transferências para a mídia digital: Ron Macmaster

Foto da Capa: Francisco Pereira (1958)

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FLAC | 458 MB

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MP3 | 320 KBPS | 174 MB

Valeu!

René Denon

Georg Philipp Telemann (Alemanha, 1681-1767): Concertos & Cantata Ihr Völker hört – Florilegium Ensemble

Georg Philipp Telemann
Alemanha, 1681-1767

Concertos & Cantata Ihr Völker hört

Florilegium Ensemble
Clare Wilkinson (mezzo-soprano)

2016

 

Telemann, considerado um dos 10 melhores compositores barroco segundo a revista britânica Gramophone. (https://www.gramophone.co.uk/feature/top-10-baroque-composers). Concertos & Cantata Ihr Völker hört, considerada uma de suas obras primas, pela mesma publicação. Abaixo, os comentários da Gramophone sobre esta obra:

Este atraente programa misto de obras da Telemann com flauta ou flauta doce foi projetado por Ashley Solomon para celebrar o 25º aniversário do Florilegium. O Concerto Triplo para Flauta, Oboé d’amore e Viola d’amore em mi maior (TWV53: E1) destaca-se como uma das obras-primas mais sedutoras do compositor: a abertura límpida Andante soa como uma serena evocação do nascer do sol que antecipa o maduro Haydn por muitas décadas; os solistas Solomon, Alexandra Bellamy e Bojan Čičić tocam com elegante ‘finesse’, e também evocam uma refinada melancolia em uma Siciliana intimamente conversacional. 

Concerto Duplo para Flauta Doce e Viola da Gamba em lá menor (TWV52: a1) é um exemplo encantador do gosto de Telemann por sintetizar estilos musicais franceses e italianos com elementos da música folclórica polonesa; a elegância civilizada de Florilegium no estilo francês Grave, a suave influência italiana no Allegro, e o dueto de Solomon com o músco Reiko Ichise no Dolce tem sensibilidade pastoral. Sempre se apresentando com cultivado refinamento, o Florilegium fornece uma alternativa contemplativa para a abordagem mais firmemente texturizada e aguda tomada porLa Stagione Frankfurt (CPO, 2015).

No coração do programa está Ihr Völker hört (TWV1: 921), uma cantata para voz solo e instrumento obbligato (tocada aqui na flauta por Solomon) que foi publicada na primeira parte da série Harmonischer Gottes-Dienst (Hamburgo, 1725 26). O canto agradavelmente suave e articulado de Clare Wilkinson comunica o alegre texto da Epifania. Solomon ocupa o centro do palco em um Concerto para Flauta em Ré maior (TWV51: D2), mas meus ouvidos foram atraídos igualmente para o simpático continuo-playing do teorbista David Miller e do cravista Terence Charlston.

O final é um Overture and Dance Suite em F maior (TWV55: F16), dedicado ao Landgrave de Darmstadt e provavelmente escrito no final da longa vida de Telemann; no turbulento Ramellian ‘Tempête’ um par de trompa e fagote estão em uma forma emocionante, então é uma pena que três das danças não coubessem no disco.

Georg Philipp Telemann
01 – 04 – Concerto in E major TWV53
05 – 08 – Concerto in A minor TWV52
09 – 11 – Cantata Ihr Völker hört TWV1
12 – 15 – Concerto in D major TWV51
16 – 19 – Concerto a 4 in A minor TWV43
20 – 25 – Overture in F major TWV55

Florilegium Ensemble
2016

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Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

Salieri é um caso de incompreensão. A importância do compositor para a música do século XIX foi considerável.  Mas sua relevância foi minimizada em decorrência de boatos históricos. Sua música, entretanto, foi bastante conhecida à época em que o compositor viveu. Salieri não foi, historicamente, o sujeito invejoso e mesquinho retratado pelo cinema — mais precisamente no filme Amadeus (1984), de Milos Forman. O compositor gozou de um prestígio social considerável. Foi preceptor de Liszt, Mozart, Schubert, Meyerbeer, Beethoven, Hummel, entre outros. Esse quadro pintado por mim é uma pequena amostra do talento de Salieri. Sim, ele não possui o talento de Mozart, Haydn, Beethoven ou mesmo Hummel, mas merece ser conhecido por aquilo que fez. Não deixe de ouvir!

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

01 – La secchia rapita
02 – Les Danaides
03 – Palmira Regina di Persia
04 – La fiera di Venezia
05 – Axur Re d’Ormus
06 – La Grotta di Trofonio
07 – Ouverture in Re maggiore
08 – Europa Riconosciuta
09 – Variazioni sulla Follia di Spagna

Moldavian National Symphony Orchestra
Silvano Frontalini, regente

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Antonio_Salieri (pintura de Joseph Willibrord Mähler)

Carlinus

Frederic Chopin (1810-1849): Piano Works – Études, Impromptus, Sonatas, Concertos – Tamás Vásary

Não tenho muita certeza, mas creio que a primeira vez que ouvi Chopin foi com este grande pianista hungaro, Tamás Vásáry. Maiores detalhes não saberia dar, mas foi há muito tempo atrás. No tempo em eu ainda andava de calça curta e corria empinando pipa, ou então, pedalava quilômetros para cima e para baixo com minha Monareta. Era ainda um pré adolescente, sem muito entender o mundo a minha volta. A escola em que estudava ficava a meros 100 metros de minha casa, nem precisava pegar ônibus. Como sei que foi com o Tamás Vásáry? Ou teria sido com Rubinstein? A memória nos prega peças a partir de certa idade. De qualquer maneira, foi nesta época que Chopin me foi apresentado. Além disso fui precoce em matéria de música clássica, graças a minha mãe, que sempre me incentivou a ouvir este estilo musical. Ouvia no final de domingo o programa de música clássica da Rádio local, e prestava atenção quando ele dava os detalhes de quem estava tocando. Por algum motivo, comecei a memorizar aquilo. Antes dos doze anos já sabia quem era Arthur Rubinstein, Herbert von Karajan, Arturo Toscanini, entre outros. Quando ia na casa de minha avó eu ouvia os discos das coleções da Reader’s Digest de música ligeira (???), e por algum motivo estranho, sempre tinha alguma obra de Chopin ali, ao lado das Aberturas da Cavalaria Rusticana, ou do William Tell, e claro, da Abertura 1812 de Tchaikovsky ou alguma outra passagem do Lago dos Cisnes ou do Quebra Nozes.

Mas Tamás Vásáry foi um grande pianista, que se especializou exatamente no repertório romântico. Suas gravações pela Deutsche Grammophon venderam horrores. E estas suas gravações de Chopin são altamente conceituadas. Esta coleção que estou postando é composta de seis cds, que trarei em duas postagens com três cds cada.

CD 4

1 – 12 – Études, op. 10
13 – 24 – Études, op. 25
25-28 – Impromptus

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CD 5

01. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – I. Grave – Doppio movimento
02. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – II. Scherzo
03. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – III. Marche Funebre
04. Chopin Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35 – IV. Presto
05. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – I. Allegro Maestoso
06. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – II. Scherzo. Molto Vivace
07. Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – III.Largo
08 Chopin Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58 – IV. Finale. Presto non tanto
09. Chopin Mazurka in D major, Op.Posth. – Allegro non troppo
10. Chopin Mazurka in C major, Op.67 No.3 – Allegretto
11. Chopin Mazurka in A minor, Op 68 No.2 – Lento
12. Chopin Mazurka in B flat major, Op.7 No.1 – Vivace
13. Chopin Introduction and Variations on a German National Air ‘Der Schweizerbub
14. Chopin Mazurka in A flat major, Op.Posth. – Poco mosso
15. Chopin Berceuse in D flat major, Op.57 – Andante
16. Chopin Polonaise ¡°Hero¡± in A flat major, Op.53 – Maestoso

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CD 6

01. Chopin Piano Concerto No.1 – I. Allegro maestoso
02. Chopin Piano Concerto No.1 – II. Romance. Larghetto
03. Chopin Piano Concerto No.1 – III. Rondo. Vivace
04. Chopin Piano Concerto No.2 – I. Maestoso
05. Chopin Piano Concerto No.2 – II. Larghetto
06. Chopin Piano Concerto No.2 – III. Allegro vivace

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Tamás Vásary – Piano
Berliner Philharmoniker

Philip Glass (1937): Songs and Poems for Solo Cello

Philip Glass (1937): Songs and Poems for Solo Cello

Pois é, gostei muito mais de Tissues (peças rearranjadas para violoncelo e percussão, retiradas da trilha de Naqoyqatsi) do que das Canções e Poemas para Violoncelo Solo. Bem o disco representa a estreia da violoncelista Wendy Sutter. Songs and Poems for Solo Cello é uma obra de sete movimentos de Philip Glass. Conhecido por obras escritas para grupos maiores, como concertos e sinfonias, estas canções mostram o compositor em seu mais íntimo. Obra de qualidade média, na minha opinião. Também estão no disco Tissues, compostos para o filme Naqoyqatsi, e que são obras escritas para violoncelo, percussão e piano. Como disse, gostei muito mais da segunda.

O som do violoncelo de Wendy Sutter é esplêndido. Trata-se de um Stradivarius de 1620. Te mete.

Philip Glass (1937): Songs and Poems for Solo Cello

Philip Glass (1937 – )
Songs and Poems for Solo Cello
1. Song I [3:30]
2. Song II [5:52]
3. Song III [2:01]
4. Song IV [3:01]
5. Song V [5:47]
6. Song VI [3:47]
7. Song VII [5:11]

Tissues (from Naqoyqatsi)
8. Tissue No. 1 [4:30]
9. Tissue No. 2 [3:07]
10. Tissue No. 6 [3:13]
11. Tissue No. 7 [3:12]

Wendy Sutter, cello
David Cossin, percussion
Philip Glass, piano

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Wendy Sutter tenta seduzir Philip Glass, que a ignora

PQP