W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nº 22 e 25

230 anos da queda da Bastilha!

Como foi dito na postagem de ontem, é interessante notar até que ponto a ascensão e o declínio da popularidade de Mozart em Viena coincidem com a ascensão e declínio das ideias iluministas no Império Austríaco. Os concertos que trago hoje, no aniversário de 230 anos do dia 14 de julho de 1789, mostram um Mozart no age da sua fama, compondo para orquestras grandes – para os padrões da época – e arrebatando as plateias vienenses com seu virtuosismo ao piano. Não há cadências escritas por Mozart para esses concertos (assim como para o 20, 21, 24 e o 26) provavelmente porque o compositor estreava os concertos, improvisava as cadências e não tinha tempo para compô-las para seus alunos tocarem. Vale ressaltar que, na época, qualquer pianista respeitável improvisava suas próprias cadências, ler a cadência e tocá-la nota por nota era coisa de iniciantes.

O tom mi bemol maior frequentemente era usado em obras impactantes e grandiloquentes como o Concerto Imperador e a Sinfonia Heroica de Beethoven. No Concerto nº 22 (1785) de Mozart, o sentimento heroico ocupa tdo o 1º moviemnto, desde o tema do primeiro compasso, enquanto os outros dois movimentos alternam entre momentos lentos e momentos heroicos: o 2º, lento e em dó menor, tem uma passagem rápida em dó maior no meio, enquanto o 3º, rápido, tem uma passagem lenta no meio. Esse procedimento simétrico é idêntico ao do Concerto nº 9 “jeunehomme”, também em mi bemol maior, e é um tipo de simetria que vemos, por exemplo, nas obras de Bartók, que sempre têm número ímpar de movimentos espelhados dessa forma.

O Concerto nº 25 é o mais longo de Mozart, um dos mais expansivos também em termos de orquestração e uso do piano. O tema principal do Concerto nº 25 (1786) tem uma grande semelhança com a Marselhesa, hino nacional francês, composto em 1792 pelo oficial do exército revolucionário francês Rouget de Lisle. Coincidência ou não, um hino para órgão composto em 1787 lembra ainda mais a harmonia da Marselhesa, enquanto o concerto 25 lembra mais o ritmo, então fica uma séria dúvida se o militar francês não cometia seus plágios aqui e ali… Ou se trataria apenas do “espírito da época” (Zeitgeist) ou, nas palavras de Jung, da sincronicidade?

Dúvidas e suposições à parte, temos aqui dois concertos do “Mozart heroico”, que precede em muitos sentidos o “Beethoven heroico”, aquele que tanta gente associou ao “espírito da Revolução”.

Concerto para piano e orquestra n. 22 em Mi bemol maior, KV. 482
1. Allegro
2. Andante
3. Allegro (Rondó)

Concerto para piano e orquestra n. 25 em Dó Maior, KV. 503
1. Allegro maestoso
2. Andante
3. Allegretto

Academy of St. Martin in the Fields
Alfred Brendel, Piano
Sir Neville Marriner, regência

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Pleyel

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