Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As 32 Sonatas para piano – John O’Conor (1/9)

51nYIa68t7LEnquanto vocês estão a me ler, eu estou a caminho do Congo, onde deverei passar uma boa parte das próximas semanas.

Sim, falo sério.

E o que vocês têm com isso?

Nada, é claro: afinal de contas, vocês só querem postagens novas, e estão pouco se lixando once Vassily está quando sua postagem nova aparece para vocês enquanto se preparam para o almoço, não é?

Bem que fazem, leitores!

Só menciono a expedição ao Congo  para justificar, de antemão, por que minhas postagens serão mais sucintas, e talvez repetitivas, ao longo deste setembro. Por ora, posso-lhes dizer que aqueles que detestam piano devem iniciar os preparativos para a urticária. Mas vocês não seriam desalmados a ponto de xingarem alguém que está no Congo, certo?

Esta integral com as Sonatas de Beethoven por John O’Conor, feita por um especialista na obra pianística do velho Ludovico, é uma gravação aclamada pela crítica. Eu a vi ser tão incensada que temi uma decepção cabal ao escutá-la, o que felizmente não aconteceu. Era a minha preferida até escutar a série com Pollini, e continua entre minhas mais queridas, junto com as de Schnabel, Gulda e Brendel (sim, vocês podem ter outras – mas estas são as minhas).

O’Conor reúne, talvez, o que as gravações do notável trio de austríacos têm de melhor, acrescentando um quê de, sei lá como chamá-la, talvez “sanguinidade”, que torna suas interpretações muito atraentes. Neste primeiro volume da série, claro, a gravadora fez questão de colocar as Sonatas mais célebres, aquelas com apelidos apelativos, para ver se seduz o ouvinte familiarizado com elas a comprar os oito volumes restantes. Ainda assim, e em que pese o som um pouco opaco da Teldec, a “Patética”, a “Luar” e a “Appassionata” são defendidas com brilho por O’Conor, cujas interpretações, aparentemente despojadas à primeira audição, só revelam riqueza e complexidade ao longo de revisitas.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

SONATAS PARA PIANO, VOL. I – JOHN O’CONOR

Sonata no. 8 em Dó menor, Op. 13, “Patética”

01 – Grave – Allegro di molto e con brio
02 – Adagio cantabile
03 – Rondo. Allegro

Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar”

04 – Adagio sostenuto
05 – Allegretto
06 – Presto

Sonata no. 23 em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”

07 – Allegro assai
08 – Andante con moto
09 – Allegro ma non troppo

John O’Conor, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O'Conor em ação
O’Conor em ação

Vassily Genrikhovich

13 comments / Add your comment below

  1. Sonatas de Beethoven! Ciclos completos!! Nada pode ser melhor… ainda com a interpretação do irlandês (acho…) O’Conor, que também andou gravando uns concertos de Mozart com o saudoso Mackerras…. Ele também gravou uns discos de um compositor do qual não me lembro o nome, precursor de Chopin, compondo noturnos…
    Espero que sua expedição pelo Congo tenha bom êxito e que tudo corra bem… e que também haja momentos de desfrute nas terras africanas!
    Abraços!

  2. Oi Vassily, eu tenho a integral das sonatas de Beethoven com Paul Lewis, que baixei aqui. Agora estou na duvida de quem é quem – devo ficar com Lewis ou com O’Conor, ou com os dois?
    Desde já somos gratos por tudo o que faz por nós, amantes da música erudita, que é impagável e que tenha uma estadia prazerosa e enriquecedora.
    Boa viagem e abraços. Volte logo!

    manu

  3. Pode ficar com os dois, até com mais! (Desculpe-me, não sou o Vassily, mas não resisti….) O Paul Lewis é de uma segunda geração, bem mais jovem e apresenta uma excelente interpretação. O O’Connor é um pouco mais velho, mas também tem muita coisa a dizer sobre essas sonatas, admitem perspectivas diferentes. Eu acrescentaria o ciclo do Kovacevich, que foi gravado ao longo de vários anos, mas tem excelentes interpretações. Por exemplo, uma Waldstein de arrancar o chapéu… Tem também o Richard Goode, cujas gravações foram produzidas pelo Max Wilcox, o cara que produziu a maioria dos discos do Rubinstein.
    Eu ainda mencionaria dois ciclos que foram produzidas por companhias que oferecem discos mais baratos: o do Jeno Jandó, pela Naxos (excelente nas três últimas, por exemplo) e o do Alfredo Perl, pela Arte Nova… Isso tudo sem deixar de lembrar os discos que não fazem parte de ciclos completos, como o acima mencionado Rubinstein e o Pletnev, para citar pelo menos dois. Enfim, para que ouvis só dois, vamos ouvir muitos ciclos de sonatas de Beethoven. Ah, tem também os quartetos…

  4. Olivero, meu amigo, agradeço a sua instrutiva intervenção e digo que é sempre tempo para se aprender sempre mais um pouco. Eu sei que há um universo muito grande de compositores e obras classicas, e muitos interpretes cada um com as suas peculiaridades, mas eu não posso ter tudo isso armazenado nos meus HDs, não haveria espaço, razão pela qual sou obrigado a selecionar e gravar somente o melhor – ouvir a todos, guardar os melhores. Gostaria da sua opinião, pode ser que o meu ponto de vista não esteja muito correto.
    Obrigado e um grande abraço

    manu

    1. Eu sou um colecionador de muitos anos, passei dos LPs para os CDs e, agora tenho me aventurado nos Álbuns Virtuais, digamos assim. Aprendi a ripar meus CDs para o formato mp3, já há muito tempo, que facilita a audição no carro e para levar no caso de viagem. Nos últimos meses tenho usado o formato flac, que significa cópia idêntica ao CD, sem perda, que ocorre no caso do formato mp3, mesmo de alta resolução. Se bem que a perda é bem pouco significativa…
      Algumas postagens dessa ótima página já oferece a possibilidade flac e mp3. Neste momento estou baixando um álbum de Couperin, interpretado pelo Jordi Savall, neste formato. Assim, haja HD para armazenar.
      Eu gosto muito de comparar diferentes gravações e interpretações, assim acabo acumulando muita coisa… Mas sempre é útil poder ter à mão uma referência ou outra, mesmo porque nosso gosto muda…
      Quanto ao Beethoven, eu costumava ouvir as interpretações das gerações mais antigas, como Furtwangler, Klemperer e Bruno Walter . Isto para falar dos regentes. Os grandes pianistas dessa época podem ser citados Claudio Arrau, Wilhelm Kempff, Emil Gilels e Sviatoslav Richter, para mencionar alguns. Tenho ainda muitas dessas gravações. Hoje em dia acho esse pessoal, pelo menos em Beethoven, um pouco pesados, lentos. Por exemplo, as três primeiras sonatas publicadas, o opus 2, interpretadas pelo Kovacevich, que um pouco mais recente, soam mais ágeis, mais intensas, se comparadas, por exemplo, a interpretação do Kempff. Mas, veja como vai essa coisa de ouvir música…
      Espero que você tenha muito prazer em ouvir diversas gravações e que a cada dia o prazer seja maior.
      Forte abraço!
      Mário

  5. Oi Mario – não quero te alugar, por isso só mais duas palavras: tenho 68 e sou do tempo do Napster. Atraves desse programa baixei uma enormidade de obras dos grandes compositores mas catastroficamente vim a perder quase 70% desse acervo num problema sério com meu HD. Hoje uso um HD externo de maior capacidade só para as musicas classicas. Possuo ainda LPs tipo uma caixa importada com as 9 sinfonias de Beethoven, da Grammophon, Berliner, Herbert von Karajan…..e outras reliquias…
    interessante que eu já conhecia o formato Flac mas nunca dei muita impor-
    tancia. Agora que voce tocou no assunto, vou me interessar.
    Considero fantastico o fato do PQPBach disponibilizar este universo de obras e compositores para todos nós.
    Um grande abraço!

  6. Olá, Manuel!
    Espero que nossa troca de mensagens seja tão prazerosa para você quanto é para mim. Eu sempre gostei de música clássica, desde que comecei a colecionar alguns discos que chegavam nas bancas, pela Editora Abril. De lá para cá nunca deixei de acumular. Eu moro em Niterói, mas morei algum tempo no Rio e frequentei muito os sebos de discos usados… Ainda vou a umas duas lojas que vendem CDs de segunda (terceira, quarta…) mão. Eu tenho grande carinho e admiração pelas coisas mais antigas, como os livros e os discos que foram importantes na minha formação, mas também sempre estive de olho nas novas tecnologias. Acho que esses novos formatos vão acabar enterrando os CDs, mas creio que eles ainda estarão por aí por mais um tempo. Gosto do ato físico de tirar um CD da caixinha, colocar no CD player e ficar folheando o encarte enquanto ouço a música. No entanto, desfruto bastante da praticidade de ter ao alcance da mão (e dos ouvidos) a música digitalizada.
    Acho que o formato flac é a coisa mais próxima, em termos de fidelidade, do verdadeiros CDs. O pequeno senão com esse formato é a questão de como ouvi-lo. Meu(s) sistema(s) de som (tenho um no quarto estudos e outro num ambiente mais próprio só para ouvir música, além do carro e das coisas portáteis) tocam CDs (os CD players estão em extinção…) e os aparelhos que tocam DVD leem o formato mp3 dos pendrives. Mas nenhum lê o formato flac. Creio que os aparelhos mais novos, já leem este formato, mas para uma audição “oficial”, eu preciso converter do flac para mp3. Assim, o flac seria um formato para armazenar a informação integral (cópia fiel do CD), mas na prática, para a audição, é necessário transferir para mp3, o que implica em perda. Isso deixou-me um pouco reticente com relação a este formato. No entanto, descobri há pouco tempo que meus mp3 players (esses aparelhinhos que usamos para levar música no bolso) da Philips (Go Player…) são capazes de tocar os arquivos flac. Desta forma, estou mais empolgado com esse formato. Espero fazer um upgrade de meu som principal no fim do ano e acho que então poderei tocar diretamente flac do sistema principal. Aí a conversão será total. Imagine ter um computador mesmo que pequeno plugado no sistema de som principal, com acesso a todo o seu arquivo em flac, na ponta dos dedos… Seria como se você pudesse passar de um CD para outro praticamente instantaneamente sem ter que ir de prateleira em prateleira. Ouvir suas 8 gravações do Concerto “Elvira Madigan”, de Mozart, sem sair da poltrona, com qualidade de CD… Sonho.
    Mas, enfim, enquanto isso não vem, seguimos ripando e desfrutando do que dispomos, que já é bastante…
    Forte abraço!
    Mário

  7. Alô Mario – aprende-se muito no intercambio pessoal. Eu não sou tão versado na musica classica quanto você – procuro diversificar as fontes no afã de adquirir conhecimenmto. Leio muito tambem especialmente obras de pesquisas sempre focadas na realidade. Tenho uma pequena biblioteca e também como você, adquiri muita coisa nas bancas quando morava em S.Paulo. Imagine 50 volumes de literatura luso-brasileira totalmente colecionados nas bancas…
    Aprecio tambem Jazz-Blues-Country e Rock mais antigo. Eu tinha grande prazer em comprar um LP novo dos Beatles e um LP do Bach…são coisas…
    Eu baixei aqui os Concerts Royaux e os Concerts des Nations e pergunto: são obras de Couperin interpretadas pelo Jordi Savall.certo?
    um abrço!

  8. Oi, Manuel!
    Eu também gosto de literatura, mas realmente o tempo é muito finito. Eu comprei e li 99% da coleção Imortais da Literatura… Dostoiévsky, Flaubert e Machado de Assis. O disco do Couperin causa um pouco de confusão, inclusive devido a forma como o arquivo foi nomeado. Le Concert des Nations é uma orquestra que usa instrumentos de época. Portanto, é o nome da orquestra regida pelo Jordi Savall. Eles interpretam quatro Concerts Royaux que são quatro suites de danças compostas para a corte de Luis XIV, por isso o nome – Concertos Reais. Veja que Concerts Royaux está no plural, enquanto que Concert des Nations está no singular.
    Eu ainda não ouvi o disco todo, há muita coisa ainda a ser ouvida aqui. Mas o pedacinho que ouvi, gostei!
    Espero que você goste!
    Abração!
    Mário

  9. Oi Mario – hoje é 7 de setembro e me fez lembrar os hinos patrioticos…tens alguma coisa do Gottschalk? eu tenho o hino nacional brasileiro; o que você acha dele?

    manuel

  10. Olha, eu sabia do Gottschalk, mas há tempo não ouvia nada dele. Essa fantasia sobre o Hino Nacional, eu já tinha ouvido antes… Graças à internet, podemos ouvir peças que não temos no acervo próprio.

    O site a seguir tem uma gravação:
    https://www.youtube.com/watch?v=cNsG5U4SqEY

    Eu confesso que não ouço (mais) esse tipo de música. Acho mais interessante algumas peças menores, como a que você pode ouvir no site a seguir:
    https://www.youtube.com/watch?v=-3rL23IdbyI

    São precursoras do Rag Time, tipo Scot Joplin:
    https://www.youtube.com/watch?v=xTXfIUrgrZ4

    Atualmente estou ouvindo com muito prazer as gravações do John O’Conor das sonatas de Beethoven. Aproveito para comparar com outras gravações do meu acervo… Antes disso estava ouvindo as sinfonia de Mahler, especialmente as de números 1 e 4.

    E você? O que mais tem ouvido?

    Abraços

    Mário

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