Vladimir Horowitz – The Last Recording (1989)

51QBA35W04LPara o pavor de um de nossos colaboradores, que chama Vladimir Samoylovich (Volodya, para os íntimos) de “Horrorowitz”, pretendo trazer para cá um tanto do legado de um dos maiores pianistas do século XX.

A longa carreira de Horowitz acompanhou a evolução dos meios de gravação, dos rolos do processo Welte-Mignon (uma versão mais sofisticada da pianola), passando pelos discos de 78 rpm e chegando aos meios digitais. Seus altos e baixos foram, também, fartamente documentados: entre a fúria maníaca do jovem virtuose recém-chegado aos Estados Unidos, para quem nada parecia impossível, e o pianista decadente, cada vez mais maneirista e sequelado pela insegurança e pelos psicotrópicos, Horowitz foi um artista de poucos meios-termos. Em sua última década de vida, que começou com recitais lamentáveis, capazes de enfurecer até mesmo as pacientes plateias japonesas, redimiu-se pelo uso mais comedido de seus truques pianísticos e (dentro do que lhe era possível) uma placidez mais atenta às intenções dos compositores.

Esta gravação, dias antes de sua morte, é uma de suas melhores. Predomina Chopin, interpretado com muito colorido e elegância. O destaque é uma Fantasia-Improviso não só fiel à partitura, mas também impressionantemente ágil para dedos de 86 anos. Os Noturnos de Chopin fazem a gente lamentar que Horowitz tenha gravado poucas outras obras da série, e a Sonata de Haydn beira a perfeição. Concluir o álbum com “Liebestod” e morrer meros cinco dias depois de seu último acorde foi, suspeitam alguns, o último gesto apelativo desse grande pianista.

VLADIMIR HOROWITZ – THE LAST RECORDING

Joseph HAYDN (1732-1809)

Sonata em Mi bemol maior para piano, Hob. XVI:49

01 – Allegro
02 – Adagio e cantabile
03 – Finale – Tempo di menuetto

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

04 – Mazurca em Dó menor, Op. 56 no. 3
05 – Noturno em Mi bemol maior, Op. 55 no. 2
06 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op.66
07 – Estudo em Lá bemol maior, Op. 25 no. 1
08 – Estudo em Mi menor, Op. 25 no. 5
09 – Noturno em Si maior, Op. 62 no. 1

Ferenc LISZT (1811-1886)

10 – Prelúdio sobre um tema da cantata “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” de J. S. Bach, S. 179

Wilhelm Richard WAGNER (1813-1883)
transcrição de Franz Liszt

11 – Tristan und Isolde – Isoldes Liebestod

Vladimir Horowitz, piano

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Obrigado, Volodya!
Obrigado, Volodya!

Vassily Genrikhovich

9 comments / Add your comment below

  1. A concorrência de russos da geração dele era pesadíssima: Gilels e Richter…
    Não consigo colocar esse velhinho engraçado no nível dos outros dois… mas vou ouvir esse cd, quem sabe nao mudo de ideia

    1. Olá!

      Que achou do CD?

      Também não consigo colocar Horowitz no mesmo parágrafo que Gilels e Richter – talvez por ter saído cedo da Rússia e ter feito fortuna nos EUA às custas de muito bravado e pirotecnias, ou porque, ao contrário de Richter e especialmente Gilels, não tenha tido uma atividade pedagógica tão significativa. Horowitz tem momentos grandiosos alternados com muita porcaria, mas devo confessar que, quando menino, me deixei enganar pelos seus truques e talvez ainda hoje esteja um pouco embevecido por eles.

  2. Acho a comparação injusta… Talvez não injusta, mas desnecessária. Ao ouvir um disco de Gilels, como a sua (também última) gravação, para a DG, das das Sonatas Nos. 30 e 31 de Beethoven, sinto uma aura de seriedade e venerabilidade. Tenho menos gravações do Richter, mas o concerto No. 5 de Prokofiev é uma prova cabal que ele foi um artista excepcional.
    Como comparar com a arte de Horowitz, preservada em gravações como as das Sonatas de Scarlatti? Há um disco no qual ele interpreta os “Late Russian Romantics”. Foi onde aprendi que Scriabin é um músico fenomenal. E o Concerto de Moscou? Bom, só posso dizer obrigado por postar este disco, que baixei primariamente pela Sonata de Haydn (obrigado também pelos quatro discos do Brendel…), é mais uma pérola.
    Enfim, reverencio os mestres Gilels e Richter, Sviatoslav, é claro, mas guardo perto do coração o Vlódia.
    Viva a diversidade!!
    Grande abraço!
    Mário

    1. Justamente por isso eu não gosto de colocá-los em termos de comparação. Horowitz era um showman, que inventava muito sobre as partituras. Quase tudo o que Gilels tocava era emblemático. Chamaram o primeiro de “dionisíaco”, o segundo de “apolíneo”. Não concordo completamente, mas dá uma ideia de como eram diferentes. No repertório que você mencionou, Scriabin, Scarlatti, não consigo imaginar Gilels. Como pianista, ou tocador de piano que sou, sou eternamente fascinado com o que Horowitz conseguia tirar de um teclado. Ele é, acho, um pianista dos pianistas, e talvez por isso não seja tão palatável a todos.

      1. Pra mim a comparação é essencial por serem conterrâneos e contemporâneos, é como comparar Ravel e Debussy; Gal e Bethânia. No sentido de pensar sobre semelhanças e diferenças, e não com o objetivo de criar um pódio.
        Gostei do disco, especialmente do Chopin. Só me irritei um pouco com a gravação, dos primeiros anos do CD, os agudos (por exemplo no noturno op.55) soam artificiais, às vezes nem parece um piano. Mas não é culpa do Horowitz.
        Outra coisa: sou um tocador de piano bem medíocre mas nos últimos 6 meses fiz amizade com alguns Pianistas e é engraçado ver que as preferências deles (ex: Horowitz, Argerich, Freire) são um pouco diferentes das minhas (Pollini, Michelangeli, Gieseking). Viva a diversidade!

  3. Adquiri este CD quando estudava em Porto Alegre, na época em que havia uma ou duas lojas de disco por quadra no centro da cidade. Como o tempo passa rápido. E atualmente os clássicos se tornaram gravações importadas e de custo mais elevado ( Dólar – Euro etc..).
    Quanto ao pianista russo Vladimir Horowitz, respeitando a opinião de todos, para mim só houve um Horowitz e não haverá outro. Horowitz é único. Ele entraria na minha lista dos 10 maiores pianistas que pisaram no Planeta Terra e sem fazer muito esforço.
    Quanto mais discos de Horowitz conseguir postar mais contente ficarei. A produção discográfica dele não é pequena, pois subtraindo os anos em se afastou da música por problemas de saúde , acho que dá em torno de 50 anos de dedicação à música. Obrigado e um forte abraço.

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