Debussy (1862-1918): Sonatas & Trio – Capuçon • Chamayou • Caussé • Pahud • Langlamet • Moreau

 

Claude Debussy,

músico francês!

 

 

Chamem intuição, experiência ou até adivinhação. O fato é que dá para sentir, dá para saber se um álbum é bom mesmo antes de ouvi-lo.  A combinação repertório – compositor – intérprete, coroada pelo selo da gravadora, permite uma antecipação que quase sempre se confirma. Quase sempre, pois há exceções e a bola de cristal pode estar embaçada.

Este disco da postagem foi uma dessas situações nas quais as melhores expectativas foram largamente satisfeitas na audição. Não tenham dúvidas – baita disco!

Em 1915, Debussy estava doente e deprimido devido a guerra. Mas acabou cedendo aos apelos de Jacques Durand, seu editor, e recomeçou a compor principalmente para não se esquecer como se faz isto, e não para própria satisfação pessoal. Foi isto que ele confidenciou a seu editor. Disse também que o plano geral era de compor seis sonatas para vários instrumentos, compostas por Claude Debussy, músico francês.

Apesar do projeto ter sido interrompido pela morte do compositor, três sonatas foram terminadas e estão interpretadas neste álbum.

A sonata para violoncelo e piano foi composta em 1915 e começa apenas com o piano abrindo o prólogo. Mas o que realmente distingue a sonata é o violoncelo. O próprio compositor anotou: o pianista não deve se esquecer que não deve se opor ao violoncelo, mas acompanha-lo.

No original a sonata recebera o subtítulo “Pierrot  fâchet avec la lune”. Pois o segundo movimento é intitulado “Sérénade” e é repleto de pizzicati. Este movimento segue direto para o movimento final, repleto de efeitos instrumentais, dando oportunidade aos instrumentista brilharem.

Na sequência temos “Syrinx”, ou “La flûte de Pan”, na primeira escolha de nome. Syrinx é uma curta mas intensa e melancólica peça para flauta solo. Ela foi escrita como música instrumental para uma peça de Gabriel Mourey, chamada Psyché. A obra também tem um caráter de improvisação e aqui é interpretada por Emmanuel Pahud, o principal flautista da Filarmônica de Berlim.

A sonata para violino e piano, terminada em 1917, teve sua estreia em maio de 1917, na Salle Gaveau, interpretada por Gaston Poulet ao violino e o próprio Debussy ao piano. A ocasião era um concerto em benefício de soldados que ficaram cegos durante a guerra. Poulet era amigo de Debussy e acompanhou a composição da sonata, que é ‘cheia de um alegre tumulto’. Disse dela o Claude: Esta sonata será interessante do ponto de vista que documentará o que pode um homem doente escrever durante a guerra.

A sonata para flauta, viola e harpa tem inspiração nas trio-sonatas do século XVIII, mas é profundamente inovadora. Debussy disse: A sonata é terrivelmente melancólica e não sei se é para rir ou para chorar. De longe, mas nem tanto, esta é a peça do disco que eu gosto mais.

Para completar temos uma obra de juventude. O Trio foi composto em 1880 enquanto Debussy trabalhava como pianista para Nadezhda von Meck, que também foi protetora de Tchaikovsky. Acompanhando esta rica família, Debussy viajou por várias partes da Europa. Quando estavam em Florença, a família recebeu a visita de dois músicos russos e o trio foi composto nesta ocasião. Foi enviado ao editor Durand com as palavras: muitas notas, acompanhadas de muitas amizades. No entanto a peça só foi publicado muito posteriormente, em 1986.

Os intérpretes são todos excelentes. Além do flautista Emmanuel Pahud, temos a viola de Gerard Caussé, a harpista Marie-Pierre Langlamet e o violoncelo de Edgar Moreau. Quem participa do maior número de peças é o pianista Bertrand Chamayou, de quem a International Record Review disse: Suas interpretações são musicalmente penetrantes, tecnicamente sem falhas e não podem ser confundidas com as de qualquer outro pianista.

Claude Debussy (1862-1918)

Sonata para violoncelo e piano em ré menor

  1. Lent
  2. Sérénade. Modérément animé
  3. Animé

Syrinx

  1. Solo de flauta

Sonata para violino e piano em sol menor

  1. Allegro vivo
  2. Intermède. Fantasque et léger
  3. Très animé

Sonata para flauta, viola e harpa

  1. Lento, dolce rubato
  2. Tempo di minueto
  3. Allegro moderato ma risoluto

Trio para piano, violino e violoncelo em sol maior

  1. Andantino com moto alegro
  2. Moderato con alegro
  3. Andante expressivo
  4. Appassionato
Emmanuel Pahud, flauta
Renaud Capuçon, violino
Gerard Caussé, viola
Edgar Moreau, violoncelo
Marie-Pierre Langlamet, harpa
Bertrand Chamayou, piano

Gravação de 2016-17

Produção de Michael Fine

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FLAC | 257 MB

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MP3 | 320 KBPS | 153 MB

Veja o que Claude disse de si mesmo: Eu tenho sido descrito como um revolucionário, mas não inventei qualquer coisa. Tudo o que fiz foi apresentar coisas velhas de maneira nova.

Ah, então tá!

Vamos, ouça o disco, escolha qual das sonatas é a sua preferida e depois me conte.

René Denon

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